Super animada biblioteca...
Eu havia depositado meus livros na mesa grande da biblioteca vazia e tentava não pensar no salão de inverno. Harry. Seu perfume forte ainda me fazia arrepiar e ontem, depois de muito tempo, me senti realmente confortável em sua presença. O que a bebida não faz? Suspirei. Seu sorriso na altura de meus olhos, sua mão fria quando havia dançado comigo... Seu nervosismo quando ficávamos sem assunto, em um gesto muito seu de apoiar o queixo com uma das mãos e sorrir fracamente, aparecendo suas covinhas... Pisquei rapidamente, afastando estes pensamentos.
_ O que é isso? _ Disse, perguntando a mim mesmo do que se tratava a redação de Minerva. Analisei a letra de Junobox, pois havia pedido seu pergaminho emprestado e novamente me desviei do foco de estar na biblioteca silenciosa. Visgo... Pressionei minhas sobrancelhas e tentei me lembrar... Visgo... Visgo?
Como um raio em um campo aberto, todas as recordações da noite anterior apareceram em minha mente e eu arregalei meus olhos.
Flashback
“Never find a love like this”
“Well we go back so far,
swingin in your back yard,
all the things that we used to do
We were cool back in high school
ooh I really liked you,
must have been your attitude.”
Havia se passado muito tempo desde que Junobox teria ido ao banheiro feminino e a música alta me fazia sorrir. Eu tentei continuar a sorrir quando o pânico de que aquilo poderia ser mais uma armadilha para poder ficar a sós com Harry me veio à tona. Ele notaria? Não... Claro que não... E se notasse... Ótimo... Estava tudo perfeitamente livre aquela noite... Isso aí! Beba Orleans e depois pague mico! Suspirei.
_ Junobox não volta! _ Disse e Harry concordou, bebendo uma grande quantidade de cerveja amanteigada e permitindo uma gota cair de sua boca, pingando em seu peito. A camisa de uniforme já estava com alguns botões abertos e ele estava um pouco corado pela bebida. Retirei meus olhos quando percebi duas esmeraldas sobre mim. Harry havia notado meu desejo? Ah sim... Não soube responder se era a bebida ou se agora realmente era o meu pensamento que me controlava, mas estava completamente arrepiada pela queda da cerveja.
_ Hei, Orleans... _ Dean havia se aproximado da nossa mesa com Gina Weasley e Simas, analisando a festa lotada.
_ Você viu Junobox? _ perguntei, retirando por fim meus olhos de Harry e Dean negou com a cabeça.
_ Harry, aquilo não é visgo? _ Simas perguntou, apontando para algo em nossas cabeças. Em um primeiro momento eu pensei em gargalhar pela brincadeira de nosso colega, mas pelo olhar animado de Dean, aquilo não se tratava de uma pegadinha. Eu olhei para Harry, percebendo o rapaz analisar algo em cima de nossas cabeças e me devolver o olhar tímido. Foi quando ele soltou o ar dos pulmões em um gesto nervoso que caiu a ficha em minha cabeça. Casal de baixo do visgo se beija! Tradição! Corei violentamente e procurei o olhar de Dean, que a essa altura da festa, estava tão bêbado quanto eu.
_ Visgo... Visgo! _ Gina disse, começando a cantar, chamando a atenção de algumas pessoas próximas, das quais eu não me lembro.
_ Visgo... Visgo... _ Simas, Gina e Dean, cantavam para mim e Harry e ele me encarou, desconcertado.
“Caraca, nunca estive tão vermelha em toda a minha vida”
_ Você se importa? _ Harry perguntou, levantando-se. No primeiro segundo eu achei que ele fosse sair andando e me abandonar ali, mas ele apenas me aguardou completamente corado, tentando ignorar a cantoria.
Eu me levantei da cadeira, o mais devagar possível, tentando parar de tremer, pois não sabia desde quando estava tremendo e sorri fracamente, desejando que a bebida fosse mais forte do que eu.
_ Sem problemas... _ “Oferecida!” Eu quase tapei minha boca depois disso. Era para parecer natural e não... Estou aqui para o que quiser! Corei ainda mais, se isso era possível.
Ele sorriu e eu me esforcei para continuar quieta ou sem gargalhar. Estava difícil. Ele aproximou seu rosto do meu, depositando as mãos nos bolsos da calça social e eu pude observar sua barba completamente raspada e com pequenas falhas no rosto fino e engoli em seco quando ele pressionou seus olhos muito verdes para os meus lábios. Fechei meus olhos e senti sua respiração quente em meu nariz.
Harry roçou seus lábios nos meus e eu tive a impressão de que ele apenas fosse fazer isso. No fundo, eu não queria que ele se afastasse de mim, não queria que seus lábios gelados saíssem de perto, eu imaginei aprofundar o beijo, mas depois do “Sem problemas” preferi deixar da forma que ele quisesse. Porém, eu senti uma mão muito fria em meu ombro e me assustei, observando, em uma pequena fresta que havia aberto em meus olhos, ser a mão de Harry e depois daquele gesto, ele havia aberto levemente seus lábios permitindo que eu fizesse o mesmo.
Minhas pernas tremeram quando senti sua língua, igualmente gelada como sua boca, deslizar por mim e um gosto amargo de cerveja amanteigada misturado com hortelã me fez ficar ainda mais nervosa. Seus lábios eram tão finos e sua barba feita me incomodava de maneira tão doce que eu não estava acreditando que estava o beijando. Ele beijava-me muito devagar e não se preocupava com a cantoria que ainda não havia cessado. Meu coração estava tão disparado que eu me perguntei se ele estava sentindo as pulsações apressadas. Seu beijo era tão tímido quanto seu jeito, mas ainda sim aquilo me fez flutuar... Eu não queria abrir meus olhos... Tanto tempo... Imaginei enlaçá-lo com minhas mãos em sua nuca, mas o medo me fez continuar parada, fechando minhas mãos em um gesto nervoso...
Vários gritos e uma voz conhecida me fez soltar Harry. Ou ele me soltar. Não soube dizer.
A única coisa que eu sabia dizer era que Filch estava dentro da sala precisa, tentando conter os alunos de correrem pela porta, em uma atitude fracassada, pois todos corriam para longe do homem. Senti meu coração disparar de susto e percebi que a mão de Harry ainda estava em meu ombro.
_ VAMOS NOS ABAIXAR... _ Ele sugeriu, puxando-me para de baixo da mesa em que estávamos, observando assim, muitos pés correrem para a porta.
“Estou perdida de novo!”
_ Vamos passar por aqui e sair... _ Harry disse, apontando para algumas mesas e fazendo-me engatinhar com ele até a porta da sala precisa, ainda ouvindo gritos de Filch.
Corremos tanto até o salão comunal da grifinória que eu não me preocupei em estarmos de mãos dadas. O susto era tanto que eu mal falava. O quadro se fechou e eu analisei Harry. Ele estava pálido, lívido, suado... E risonho. Eu o observei antes de não me agüentar e gargalhar gostosamente com ele, caminhando até o sofá com dificuldade, pois o salão estava escuro.
Nós ainda ríamos quando uma aluna entrou, subindo as escadas sem nos notar sentados no sofá, lado a lado.
_ Uma palavra para amanha... Ressaca! _ Harry disse, alargando sua gravata no pescoço ainda mais. Eu ri.
_ Duas palavras... Grande ressaca! _ Disse, enfatizando as últimas palavras e o ouvindo sorrir.
_ Espero que Filch não tenha pegado muitos grifinórios... _ Comentou ele, suspirando e analisando a lareira apagada.
_ Já estou feliz por mim... _ Disse, observando o reflexo da lua nas grossas lentes dos óculos de Harry. Um minuto de silêncio constrangedor.
_ Orleans... _ Ele me chamou e eu, sentindo meu cansaço doer às costas, o encarei.
_ diz...
_ Por que nós paramos de conversar?_ ele perguntou e eu, apesar do sono, corei violentamente, virando-me.
_ Nós não paramos, Harry... _ respondi, desejando que o salão estivesse muito escuro. Ao contrário, ele notaria minhas feições.
_ Mas não somos como antes... _ ele disse, suspirando. Eu permaneci em silêncio, tentando entender aquela repentina pergunta.
_ Eu apenas não coloco fogo em suas gravatas... _ Disse, lembrando-me de quando havia colocado fogo na gravata de Harry quando Draco Malfoy descobriu que eu o achava bonito. Harry havia dito isso a ele em uma discussão. Sorri pela recordação.
_ Eu deveria me vingar por isso... _ Harry disse, sorrindo em seguida, também parecendo lembrar.
_ Desculpe, não estou com nenhuma gravata! _ respondi e observei ele retirar sua própria gravata do pescoço, entregando-me. Eu o analisei sem entender.
_ Coloque... _ ele disse e eu gargalhei, colocando a gravata por fim, mas sabendo que ele estava blefando.
_ Amanha temos aula e estamos aqui... _ Disse e ele se ajeitou no sofá, apoiando seus braços em suas pernas e sua cabeça em seus braços.
_ Tem razão... _ Ele disse e eu desmontei-me no sofá, colocando meus pés na mesinha à frente.
_ Não sei quanto á você... Mas estou morta! _ Disse, piscando fracamente meus olhos. Harry me analisou, sorrindo fracamente.
_ então quer que eu invoque uma cama? _ Ele perguntou e eu sorri, levantando-me totalmente zonza. “Se for para nós dois...”
_ Não... Senhor Potter... _ Eu passei por ele, caminhando com cuidado até as escadas dos dormitórios e retirando meus sapatos. Estavam me matando. Como em minha eterna atenção, deixei um deles cair, fazendo-me abaixar temerosa por minhas pernas bambas. Quando estava quase o alcançando, senti minhas pernas cederem e eu cai lentamente no chão.
Eu ouvi uma gargalhada em deboche e me lembrei de Harry, desejando sumir. Ouvi seus passos abafados pelo carpete até onde estava e observei uma mão erguida em minha direção. Eu sorri, agradecendo muito envergonhada e aceitei a mão dele, que ainda mantinha o sorriso de deboche. Levantei-me e me permiti gargalhar.
Aos poucos, a sensação de alegria foi se esvaindo, assim como outra sensação, causada pela proximidade dos braços de Harry em minha cintura, foi crescendo e me fazendo corar. Pela primeira vez depois de muito tempo, eu observei Harry sem fugir de seu olhar firme em minha direção. Ele estava se aproximando ou era efeito do álcool? Puxei o ar para os meus pulmões e senti um arrepio muito forte quando ele engoliu sua saliva, em um gesto nervoso... Lábios entre abertos... Respiração alta...
_ Ele quase nos pegou... _ Uma voz animada de menina me fez acordar do que estava prestes a acontecer novamente e eu corei, sentindo Harry me soltar, pulando assustado para outro canto.
Eu observei duas alunas, que deveriam estar na festa entrarem no salão e sem coragem para olhar para trás novamente, subi as escadas com urgência.
Fim do flashback
Então era isso?
Eu havia beijado Harry?
Por isso que ele sentia por não me lembrar?
Suspirei. Estava tão eufórica com a idéia de ter beijado Harry que fechei meus livros, levantando-me. A ânsia de contar para alguém, a vontade de vê-lo, o nervosismo... Tudo estava acontecendo em minha cabeça. Sorri, carregando meus livros e permitindo que meus pés me levassem... E eu sabia para onde, pois quase corria.
Porém, parei de supetão, quando uma mulher alta e rígida me encarava.
_ professora... _ comentei, fingindo pegar um livro próximo a porta e tentando não encarar Minerva.
_ Espero que esteja fazendo sua redação... Pois serão menos cinqüenta pontos amanha!
“Cinqüenta pontos? Eu não ouvi isso...”
Eu abri minha boca, mas não respondi, oferecendo a Mc. Gonagall meu melhor sorriso e sentando-me novamente na mesa cumprida. Suspirei...
Novamente no salão de inverno...
Eu girei a maçaneta devagar, porém sabia que quase todos os alunos já teriam ido embora. A redação me fez adiar a vontade de ver Junobox, Jess, Dean... E Harry, por três horas. E o pior que mesmo lembrando-me de tudo, ainda não sabia do nervosismo de minha amiga...
Meu sorriso se formou quase sem querer quando analisei Harry em um canto da sala animada. A hora avançada realmente fez com que muitos alunos já tivessem ido dormir, porém ele estava lá. Dei um passo à frente e o sorriso em meu rosto se desfez como fumaça em ventania.
Chang. Cho Chang estava ao lado de Harry, sorrindo para ele e segurando seu braço de maneira natural. Eu deveria mentir, mas não poderia... Ela era bonita. Eu analisei o chão com desgosto e me imaginei fora dali... Beijo de baixo do visgo... Apenas isso... Brincadeiras natalinas... A euforia em meu coração sumiu e eu voltei ao meu mundo insignificante.
_ Anne... _ Junobox me chamou e eu não me incomodei com o nome. Antes, meus problemas fossem estes... Junobox estava sentada ao lado de Rony e prestava atenção na conversa, ou em Digorry... Não soube dizer.
_ Fala... _ Disse, tentando encarar Jess, sentada ao lado de Dean, mas ela fingiu não me ver.
_ Senta... _ Ela disse e eu neguei, tentando não analisar o canto do salão de inverno.
_ Orleans... _ Uma voz grossa me fez virar-me e um fio de esperança nasceu em meu coração, mas não era Harry. Digorry havia me chamado. Ele sabe meu nome? Cara...
_ Digorry... _ Disse, arregalando meus olhos em um gesto risonho.
_ Diga-me uma música... _ Ele disse, rindo docemente para mim.
_ ah não, eu já estava de saída... _ Respondi.
_ Bom mesmo... _ Uma voz irritantemente melosa se formou em minhas costas e eu a analisei.
Fleur Delacuor.
Juno me encarou em um gesto automático, rindo. Ok, além da tortura de ver Harry ao lado de Chang, ainda teria que agüentar Fleur? Desisto...
_ noite... _ Comentei a alguns alunos mais próximos, saindo do salão.
Lamúrias!
Eu caminhava até a torre da grifinória, passando pelo caminho mais distante, próximo à sala de Dumbledore.
“Será que alguém poderia me explicar o que havia acontecido? Parece que estava fora do ar...”
Eu tentei parar de imaginar adjetivos “carinhosos” a Chang e me concentrar na noite anterior, para descobrir o motivo da raiva repentina de Jess. Pressionei minhas sobrancelhas e parei próxima a uma grande janela aberta de Hogwarts. Eu era uma idiota! Conclui. Harry Potter havia tentado se aproximar e eu... Bom, eu quase estuporei o menino!
A noite escura pela falta da lua grande fez com que o castelo tomasse dimensões monstruosas, mas eu não tinha medo. Nunca tive. Pressionei meus olhos e bocejei... Enfim, sono!
_ Menos dez pontos para a grifinória... _ Uma voz firme e lenta em minhas costas me fez acordar de meus pensamentos e analisar...
_ Malfoy? _ Um rapaz loiro preservava um sorriso de deboche encostado à parede oposta a janela em que eu estava. O maroto sonserino. Apesar de admitir a beleza de Malfoy, eu sabia que ele era o tipo de garoto que mamãe não queria como genro. Sonserinos... Argh!
_ Não... Merlin!_ Ele disse, mal-humorado.
_ E por que menos dez pontos para a... _ Eu ia começar o meu sermão sobre autoridade até ele me calar com um leve aceno de mão. Nós nunca conversamos muito, além de poucas discussões sobre nossas casas e alguns esportes que praticávamos juntos, então o estranhei ainda mais.
_ São vinte e três horas... E eu não sou um relógio, grifinória! _ Ele disse de maneira hostil e eu fiz um bico. “Caraca... Eu fui sorteada a ser a aluna mais sem sorte do ano?”
_ Infelizmente, você está certo... Sonserino! _ Respondi sem vontade, tentando não discutir. Ele era monitor...
_ Espero que tenha treinado nessas férias... Treinaremos amanha... _ Pronto. Draco Malfoy tinha chegado ao ponto mais irritante de sua existência para mim.
Eu, Malfoy e alguns alunos, treinávamos Esgrima á dois anos. Madame Hooch era nossa professora, pois dizia que a arte de lutar com o “sabre”, nossa arma, era muito útil a duelos mágicos e por achar que era um esporte bonito, resolvi participar. O problema era que Malfoy já sabia duelar e, deveria confessar, era o melhor aluno de Hogwarts.
Madame Hooch havia me escalado ao campeonato deste ano, um mês antes das férias e para me dar maior apoio ela havia pedido a Malfoy que me ajudasse. Alguém merece? Ele não suportava qualquer erro, zombava de tudo e sempre... Sempre vencia. Eu adorava Esgrima, então... Isso me deixava muito aborrecida! Não poderia desistir...
Eu o encarei.
_ Recado dado... Boa noite! _ Disse, começando a caminhar.
_ Grifinórios, sempre perdedores... _ Ele disse e parei, respirando devagar e voltando a caminhar. Acalme-se... Continue...
Esgrima...
Malfoy havia me avisado sobre o treino, mas não havia me dito o horário então, acordei uma hora mais cedo para garantir.
Caminhei ao salão principal com o uniforme de Esgrima, pois sabia que o treino seria de manha como sempre, tentando acordar de meus devaneios.
Assustei-me quando observei que Harry já estava de pé, ou melhor, estava sentado com Rony Weasley na mesa da grifinória e tomavam café. Eu passei por eles, sentando-me ao lado de Neville e tentando não corar. Eles estavam com o uniforme de quadribol, denunciando o inicio dos treinos e eu suspirei, desejando que o ele me dirigisse à palavra. Qualquer coisa... Um oi! Eu estava do lado dele...
_ Neville... _ Disse Jess, cumprimentando o garoto e fingindo que eu fazia parte dos talheres. Eu a encarei. Aquilo era ridículo...
_ Jess, posso falar com você? _ perguntei e ela me ignorou. Continuei a observando. _ Quem cala, consente... Ótimo... Jess eu queria saber...
_ Não fale comigo! _ Ela disse em um tom alto e observei Harry e Rony nos encararem. Corei.
_ Por que? _ Perguntei, abaixando meu tom de voz e ela me ignorou. _ Se fiz algo com você, conte-me...
_ Comigo? _ Ela disse, preservando o tom de voz alto e fazendo uma careta.
_ Jess, é sério... Eu estava bêbada... Desculpe-me qualquer coisa... _ Disse e ela corou me analisando de outra forma.
_ Como você pôde? _ Ela disse, referindo-se a algo. Algo que, obviamente eu desconhecia.
_ O que? _ Disse, começando a me irritar e levantando meu tom de voz, sem intenção.
_ O CASTELO TODO SABE QUE VOCÊ BEIJOU OLSEN DE BAIXO DE UM VISGO! _ Em um primeiro momento, eu tentei me lembrar daquilo, estreitando meus olhos à ela, mas foi aí que a ficha caiu. Não havia beijado Olsen e sim Harry, este, que agora se engasgava com o suco de abóboras do meu lado e muitos curiosos me analisavam.
“Posso sumir agora?”
Eu arregalei meus olhos, sem dizer uma única palavra de seu comentário. Eu queria tanto corrigi-la, mas não poderia dizer que havia beijado Harry, pois ele não havia me dirigido a palavra sobre isso depois daquela noite. Porém, não podia deixar que ela acreditasse que eu havia beijado Olsen... Uma confusão de idéias em minha cabeça...
_ VIU? VOCÊ NÃO PODE SE DEFENDER AGORA _ Ela disse e eu corei ainda mais, desejando que Harry não acreditasse que eu havia beijado Olsen também! _ GRANDE AMIGA... COMO SE VOCÊ NÃO SOUBESSE... _ Eu suspirei, tentando não analisar Harry.
_ podemos conversar em outro... _ eu comecei, mas Jess ergueu sua mão, calando-me de maneira hostil.
_ Você é ridícula, Orleans... _ ela disse com um tom mais baixo, levantando-se da mesa. _ Eu jamais faria isso com você... _ A ouvi dizer, antes de se distanciar. Os alunos presentes me encaravam, mas eu não me importei, estava tão magoada com Jess, que não sabia o que fazer. Como ela pôde acreditar em alguém sem me perguntar primeiro a verdade? Argh!
_ Atrasada Orleans... _ Draco disse e eu levantei meu rosto, que até então analisava a mesa. Ele havia caminhado até mim e eu não havia percebido. Levantei-me e pressionei minhas sobrancelhas a Harry, que ainda me analisava como alguns alunos. Eu estava com raiva dele. Não esperava que ele fosse se declarar ou algo do tipo, mas... Não sei... Ele poderia ter feito alguma coisa! Sai do salão sem olhar para trás, mas pude ter certeza que pela primeira vez, Harry entendera.
Malfoy...
Era a quinta vez que eu treinava um “afundo” e, segundo Malfoy, errava as posições dos meus pés. Na realidade, hoje eu estava errando qualquer ataque, qualquer defesa... Meus pensamentos estavam tão longe daquele salão de Esgrima, próximo aos gramados de quadribol... Harry deveria estar treinando a uma hora dessas! Por que ele não disse nada? E Jess... Desconfiar de mim? Éramos amigas desde que entramos em Hogwarts... Sentamos juntas e jamais havíamos parado de conversar. Junobox estava tão bêbada quanto eu aquela noite para se lembrar de algo... E Dean, ele jamais me contaria o que Jess havia lhe confessado, pois era um amigo discreto.
Estava me sentindo muito mal. Eu queria beijar Harry sim... Fazia parte dos meus sonhos... Mas, ele não falar nada sobre isso me fez sentir alguém totalmente sem importância. Como eu queria que tivesse acontecido de outra forma... Eu nunca havia beijado alguém sem motivo... Todos os meninos eram, no mínimo, amigos de longa data.
_ Orleans! _ Draco gritou, empurrando-me para a parede e retirando sua máscara com força, assustando-me. _ Estou perdendo meu tempo com você... _ Ele disse, retirando minha própria máscara com força e me encarando.
_ Desista, treinador..._ Disse, puxando minha máscara de volta e tentando parecer natural. Ele sabia, assim como qualquer pessoa, que eu apenas segurava o sabre erguido... Parecia um boneco.
_ Madame Hooch saberá disso! _ Ele disse, negando com a cabeça e caminhando para os vestiários sem olhar para trás.
Nem Draco Malfoy estava me fazendo suspirar com seu uniforme impecavelmente branco aquela manha. Analisei o chão com cuidado antes de caminhar cabisbaixa até o castelo.
Eu ainda podia ouvir os gritos de Harry com Rony, enquanto caminhava pelo campo até Hogwarts. O salão de esgrima não se passava de uma tenda enorme e distante do castelo, onde eram realizados os torneios anuais. Aterrorizava-me a idéia de observar todos os alunos me analisarem desejando a vitória de Hogwarts e eu, talvez... Distante de mais para presenteá-los. Passei minhas mãos pelo rosto suado, em um gesto nervoso, tentando distanciar tais pensamentos de minha cabeça e recordar-me da aula de Minerva... O mico de ontem!
Continuei caminhando sem analisar os gramados e ouvia Harry gritar com ânimo ao time de quadribol. Gritos! Quem escutava aquele garoto dizer as palavras de incentivo que dizia, jamais pensaria que ele não se passava de um tímido grifinório... Que beijava tão bem! Hortelã... Eu ainda suspirava por isso... Deveria dizer algo como “Vamos lá, pessoal” ou algo como “Orleans!”...
O QUE?
Congelei, arregalando meus olhos... Ele havia me chamado? Virei-me nervosa e tentei sorrir fracamente. Ah... Harry corria pelo campo até o local em que eu estava e seus cabelos balançavam suavemente com o vento exercido pelo movimento... Eu poderia imaginar todo o corpo adolescente por detrás daquele uniforme... Controle-se menina!
_ o que foi? _ Disse, lembrando-me que estava aborrecida com ele.
_ Olha... _ Ele se aproximou, parando em minha frente e corando. _ Eu queria te dizer que... _ Ele respirou fundo e eu tentei descobrir se era por correr ou por dizer algo difícil.
_ Que? _ Eu disse, ajudando-o. Sim, Harry Potter sempre precisa de ajuda!
_ Bom, sobre o que aconteceu na festa da lufa-lufa... _ Ele disse com dificuldade e eu o encarei. Por que ele não disse... O beijo que eu dei em você?
_ Eu sei... _ Disse rispidamente.
_ Olha, eu... Desculpe-me... Jessica e você estão... _ Eu arregalei meus olhos e não ouvi mais nada. Era impressão minha ou ele estava me pedindo desculpa por ter me beijado? Foi à pior coisa que alguém já havia feito para mim... Depois de um beijo! Havia sido tão ruim assim? Abri minha boca, mas o som não saiu... Estava me sentindo ainda pior... Antes ele não tivesse dito nada!
_ Harry! _ Eu disse rapidamente, calando-o, pois ele continuava a falar qualquer coisa _ Harry... Olha... Tudo bem... Eu... Eu já havia me esquecido disso... Foi horrível... Eu também não quero que isso se repita ok? _ Eu ergui minha mão sem intenção, sacudindo a mascara para ele enquanto falava. Harry me escutou, preservando uma expressão vazia em seu rosto, analisando-me.
_ Ok! _ Ele disse, sem expressar qualquer coisa _ Então era isso que eu tinha a lhe dizer... _ Concluiu, caminhando novamente até o campo de quadribol.
Alguém já viu aquelas cenas de novelas trouxas em que o mocinho olha para trás, totalmente sentimental? Bom... Isso não aconteceu. Harry continuou caminhando normalmente... Senti as lágrimas se aproximarem de minhas bochechas e corri o mais rápido possível para o castelo.
Em minha cama...
Eu ainda chorava quando Junobox se jogou em minha cama, deitando-se ao meu lado e analisando o teto.
_ Não acredito que ainda está chorando? _ Ela disse, bocejando.
_ Você não entende? _ Disse, com a voz abafada pelo travesseiro _ Ele me pediu DESCULPAS pelo beijo... Desculpa! _ E só de lembrar a frase de Harry, chorava novamente.
_ Orleans, isso pode acontecer... Ele deve ter pensado que era só um beijo mesmo... _ Ela disse e eu levantei meu rosto, analisando-a.
“Ela estava brincando comigo?”
_ Juno! Eu não esperava que Harry fosse me pedir em casamento, mas... Desculpas? _ Limpei meus olhos, nervosa.
Jess entrou no dormitório e fingiu estar sozinha no local, até me observar chorando. Ela caminhava até sua cama, mas parou ao me analisar com cuidado. Seu rosto se fez firme, mas pude ver a relutância em sua cabeça, sobre perguntar ou não, o que havia acontecido a mim.
Eu realmente não estava a fim de discutir com ela, então voltei meu rosto ao travesseiro, enquanto Juno acariciava Lilica.
_ O que houve? _ A voz de Jess se fez no quarto, mas eu não respondi.
_ Harry Potter! _ Junobox disse depois de meu silêncio, suspirando para Jess.
_ Por que Orleans choraria por ele? _ Ela perguntou e eu continuei quieta.
_ Talvez por que ele seja um garoto! E é isso que garotos fazem... Irritam-nos! _ Juno disse, sentando-se em minha cama e não entendendo o motivo da pergunta de Jess.
_ E Olsen? _ Ela perguntou em um fio de voz e eu pude constatar confusão. Foi quando eu me ergui na cama, encarando-a.
_ Não que isso lhe interesse, mas eu beijei Harry Potter de baixo do visgo... Não o seu monitor... _ Respondi com rispidez, observando-a corar e pressionar as sobrancelhas sem entender. Caminhei até o banheiro e tentei me acalmar.
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