CAPITULO X
Embora detestasse admitir, Luna continuava abalada, um dia inteiro depois do beijo que Harry lhe dera. Apesar de esforçar-se para tirar o incidente da memória, era invadida por uma intensa onda de calor, quando menos esperava. Mesmo agora, enquanto separava a palha seca da fresca, Luna sentia as mãos trêmulas. Com um gemido zangado, olhou fixamente para os próprios dedos, irritada consigo mesma.
Não poderia permitir que ele a afetasse daquela maneira. Se cedesse à tentação, tudo estaria perdido. Sua luta até então fora árdua e longa demais para ela abrir mão de tudo pelos duvidosos prazeres da carne. Disse a si mesma que era mais forte do que os instintos que a perturbavam e que só teria de resistir até que o túnel estivesse terminado. Então, derrotaria Draco, recuperando Ansquith e libertando o pai. Depois disso, desfrutaria da liberdade que conquistara com tanto sacrifício, sem as restrições impostas por homem nenhum, inclusive Harry Potter.
Respirando fundo, fechou os olhos, a fim de recuperar o controle. Após um longo momento, voltou a abri-los e, constatando que suas mãos haviam recuperado a firmeza habitual, retomou sua tarefa com vigor renovado, convencida de que o trabalho ajudaria a manter a decisão tomada.
Depois do que acontecera na véspera, Luna concluíra que trabalhar, comer e dormir com Harry Potter, mesmo que passassem a maior parte do tempo cercados por seus homens, não era uma boa idéia. Por isso, assumira a tarefa de reformar uma cabana de mineiros abandonada, na esperança de que, uma vez contando com um lugar só para si, conseguiria livrar-se da tentação apresentada pelo corpo forte de Harry e, assim, retomar seus propósitos.
A privacidade seria bem-vinda, uma vez que os últimos dias, passados na companhia de seus seguidores, haviam sido tensos. Embora alguns aceitassem a presença de Harry, muitos ainda resistiam a ele. E ainda havia outros, como Snape, que nem sequer se esforçavam para disfarçar o desagrado. Passavam o tempo todo a cercá-la, como se a estivessem protegendo contra um inimigo, o que a sufocava, erguendo barreiras que Luna acreditara ter superado havia muito tempo.
Graças a Harry, o fato de ela ser mulher voltara a ser uma questão importante, pondo em risco o respeito que a mantivera no comando até então. Deve confiar em mim, ele dissera. Ora, Luna já tivera provas de que Harry se comportaria como qualquer outro homem, na tentativa de seduzi-la. Os outros não se atreveriam, pois temiam a força e a habilidade de luta que ela possuía. Mas Harry, não. Ele não tinha medo de nada, muito menos de Luna, pois provara ser capaz de vencê-la. Tal pensamento provocou-lhe um súbito tremor, não só de indignação, mas também de excitação. Chocada consigo mesma, ela se sentou no colchão de palha, sacudindo a cabeça.
Tinha de encontrar um meio de forçar sua mente a parar de produzir tais idéias.
Não tinha qualquer ilusão com respeito ao que lordes como Harry Potter queriam das mulheres, e não tinha a menor intenção de acabar como concubina de alguém, um objeto de desprezo, sem nome, nem poder. A independência, bem como a riqueza necessária para garanti-la, era tudo o que importava. Não poria tudo a perder por alguns momentos de paixão.
O som de passos do lado de fora da cabana arrancou-a de seus pensamentos e Luna pôs-se de pé rapidamente. Já estendia a mão para o arco, quando ouviu seu nome sendo chamado em tom de urgência. Com passos cuidadosos, foi até a porta aberta e parou, horrorizada, ao deparar-se com Harry Potter, inconsciente, sendo carregado por dois de seus homens.
Emitindo um som de aflição, Luna ficou ali parada, olhando fixamente para o corpo inerte do poderoso cavaleiro, incapaz de acreditar no que via. A raiva que sentira dele poucos momentos antes deu lugar a uma torrente de emoções impossíveis de definir. Estaria morto? Ou prestes a morrer? Tal possibilidade despertou-a do torpor, colocando-a em ação.
- O que aconteceu? Onde ele está ferido? - Luna perguntou com voz aflita.
- Ah, não há nada além de um galo na cabeça, eu acho. - disse Will, um aldeão corpulento que ajudava os mineiros. - Ele foi atingido por uma pá.
- Uma pá? - ela repetiu incrédula.
- Ele não deveria ficar tão perto de Snape. - o outro homem comentou, dando de ombros.
Uma onda de fúria varreu o corpo de Luna e ela lançou um olhar ameaçador para os dois. Suspeitou que o ferimento de Harry não acontecera por acidente e, se fosse assim, a retribuição seria imediata. Na verdade, a atitude impensada e desprezível de um único homem poderia colocar em risco todo o bando. Diante da expressão de Luna, os dois desviaram os olhares. Então, ela fez um sinal para que entrassem na cabana. As muitas perguntas que ela tinha a fazer teriam de esperar.
- Acomodem-no no colchão e ajudem-me a livrá-lo da armadura e da espada. - ordenou com frieza.
- Mas pensamos que esta cabana era só sua. - Will protestou.
- E é. - ela se limitou a afirmar em um tom que não deixava lugar para discussão.
- Ele vai ficar bem. - o outro mineiro garantiu, ao colocar Harry no colchão de palha.
- É melhor começarmos a rezar para que isso aconteça. - Luna falou, esforçando-se para manter o controle. - Pois, se o senhor de Baddersly, irmão do Lobo de Wessex e filho do conde de Campion, morrer aqui, Draco Malfoy será a nossa menor preocupação.
Empalidecendo, Will assentiu em concordância, enquanto o companheiro se retirava às pressas, provavelmente a fim de comunicar a Snape o possível preço de sua insensatez. Não pela primeira vez, Luna lamentou o fato de ser ela a única capaz de enxergar além das conseqüências imediatas de seus atos.
Sacudindo a cabeça, concentrou a atenção em Harry e voltou a ficar chocada pela visão do cavaleiro invencível prostrado à sua frente. Mesmo quando fora amarrado por ordem dela, o espírito indomável se mantivera evidente. Na ocasião, ele a fizera lembrar-se de um animal acorrentado, arisco e pronto para o ataque, caso tivesse a mínima chance.
Agora, porém, era diferente. Agora, o corpo forte apresentava-se inerte, os olhos fechados, os cabelos despenteados. Com gestos cuidadosos, Luna pousou a mão sobre o peito dele e respirou aliviada ao sentir-lhe as batidas regulares do coração. Então, hesitou, sentindo as mãos trêmulas, mas tratou de afastar os receios, pois só havia um meio de determinar a extensão dos ferimentos que ele havia sofrido. Teria de tocá-lo.
Levou as mãos à cabeça de Harry, estremecendo ao constatar que os cabelos escuros eram mais macios que a mais fina das sedas. Respirou fundo e inclinou-se, apalpando delicadamente o couro cabeludo, até encontrar o ponto onde ele fora atingido.
Naquele momento, Harry gemeu e Luna voltou a se afastar, a fim de encará-lo.
- Harry, está me ouvindo? Está ferido em algum outro lugar?
Em vez de responder, ele se limitou a gemer novamente, o que abalou a calma e o controle de Luna. Preocupada, deslizou as mãos pelos ombros e braços de Harry e, então, suspendeu-lhe a túnica.
O peito largo era coberto por pêlos negros e encaracolados. Luna examinou cada centímetro de pele, mas não encontrou qualquer marca recente, apenas cicatrizes antigas. Cedendo aos temores que a perturbavam, colou o rosto ao peito de Harry, a fim de se certificar de que o coração dele continuava batendo. Sobressaltou-se ao descobrir que as batidas haviam aumentado o ritmo, assim como a intensidade. Além disso, a pele dele parecia estar se tornando mais quente a cada instante. Estaria com febre? Erguendo a cabeça, Luna tentou reprimir o pânico, mas foi em vão. Enquanto isso, suas mãos frenéticas percorriam as pernas de Harry, à procura de outros ferimentos. Quando ele voltou a gemer, ela ficou imóvel. Apenas seus olhos se moviam, em uma busca desesperada pela fonte da dor que o atormentava.
- Onde dói? - perguntou, embora não esperasse ouvir uma resposta.
Seus olhos continuaram a examinar o corpo musculoso, até pousarem em um ponto, junto às virilhas, onde algo parecera ter crescido subitamente. As suspeitas que Luna tinha de que seu paciente não sofrera nenhuma fratura, ou hemorragia, cresceram juntamente com o volume sob a roupa dele. Franzindo o cenho em uma expressão zangada, olhou para o rosto de Harry e descobriu que ele a observava com interesse ávido.
- Felizmente, sua cabeça dura foi a única parte a sofrer um ferimento. - declarou furiosa.
- Mas sinto dores em outro lugar. - Harry murmurou com voz rouca.
- Sim, pobre Harry. Já vi onde está o seu maior problema.
Ele soltou uma risada, deixando-a ainda mais enfurecida.
- Sei como você pode aliviar o meu sofrimento. - declarou.
- Como? - Luna inquiriu, embora soubesse exatamente o que ouviria.
- Beije-me, Luna. Garanto que minha dor vai passar.
Emitindo um som que era um misto de ultraje e divertimento, provocados pela audácia do cavaleiro, geralmente taciturno, Luna tentou ignorar a imagem que se formou em sua mente. Viu-se despindo-o e tocando-o de maneiras que jamais sequer haviam lhe passado pela cabeça.
Aquele corpo esplêndido a tentara desde a primeira vez em que ela o vira, mas agora, o homem que o possuía a atraía ainda mais que os músculos vigorosos.
Ao longo das últimas semanas, Luna passara a conhecer e respeitar Harry Potter. Apesar da arrogância e da teimosia irritante, a franqueza dele era admirável. Guerreiro habilidoso, ele possuía inteligência rara, que o tornava ainda mais formidável.
E, ainda, Harry era um verdadeiro cavaleiro, que lutava pela justiça, sem levar em conta os próprios interesses. Ele não só se juntara a Luna na luta contra o inimigo dela, mas também escolhera cuidadosamente a melhor estratégia de ataque, esperando pelo momento certo, mesmo que isso fosse contra a sua natureza.
Você deve confiar em mim. Sobressaltada pela descoberta, Luna deu-se conta de que confiava nele. Em algum ponto daqueles longos dias e noites, passara a acreditar em Harry Potter. A constatação chegava a ser assustadora e ela se pôs de pé, apressada, como se quisesse fugir daquela verdade.
Voltando a fitá-lo, Luna também descobriu que seus sentimentos com relação a ele tornavam-se maiores, mais intensos… alarmantes. Mesmo que Harry não dissesse, nem fizesse, nada para encorajá-la. Ele continuava deitado, com a túnica erguida, o peito exposto, observando-a com olhos semi-cerrados. E Luna foi invadida por um desejo intenso de deitar-se com ele.
Emitiu um gemido desesperado, pois suspeitava que por trás da aparência dura escondia-se um homem de grande poder, bondade e paixão. Infelizmente, Luna não era o tipo de mulher que se entregaria a qualquer homem. Não arriscaria a própria independência, ou uma possível gravidez, por um momento de prazer, por maior que fosse a tentação.
Embora fosse obrigada a usar de toda a força de vontade que possuía, deu as costas a Harry, assim como a tudo o que ele lhe oferecia.
- Não sou uma criada ansiosa para fazer qualquer coisa a fim de agradar o seu senhor. - declarou, saindo da cabana, sem olhar para trás.
Harry voltou a deitar-se, com um gemido. Queria se levantar e sair em busca de Luna, mas ainda se sentia fraco e atordoado. E, também, não sabia o que dizer a ela. Não fazia idéia do que o levara a provocá-la com tamanha ousadia. E a reação de Luna, certamente, não fora o que ele havia esperado. Mas… o que esperava, afinal? Harry estava confuso demais para perseguir a resposta.
Ocorreu-lhe que, talvez, fosse o ferimento na cabeça que o houvesse levado a dizer coisas que jamais pensara em dizer a uma mulher, a querer coisas que jamais quisera com mulher alguma. Frustrado, ergueu-se sobre um cotovelo e voltou a gemer, pois sua cabeça começou a latejar. Por alguns momentos, a dor do desejo o distraíra, mas agora, não haveria como ignorar o ferimento. Ergueu uma das mãos e apalpou o couro cabeludo, até encontrar um grande calombo, bem como um pouco de sangue.
Como já sofrera por ferimentos mais graves, cerrou os dentes e forçou-se a se pôr de pé. A cabana girou, mas ele apoiou uma das mãos na parede e esperou a sensação de tontura passar. Sentiu-se muito mal, mas não eram os sintomas comuns a uma grande perda de sangue, ou um golpe perigoso. Tratava-se de algo diferente, desconhecido, que se instalara dentro dele. Esfregou o peito com a mão, como se procurasse por um outro ferimento. Como não encontrasse, abaixou a túnica e encaminhou-se para a porta. Não encontrou o menor sinal de Luna e sentiu o rubor já familiar subir pelo pescoço, ao dar-se conta de que ela o deixara.
Fora rejeitado.
O que era uma experiência totalmente nova, pois Harry nunca se oferecera a ninguém antes. Ao contrário da maioria de seus irmãos, ele jamais flertava, ou cortejava uma mulher e, por isso, o sentimento de perda que o invadiu era inexplicável. Simplesmente, não sabia o que fazer com aqueles sentimentos que o vinham perturbando ultimamente. Talvez o golpe na cabeça estivesse provocando aquele comportamento bizarro.
Ou, então, talvez Florian tivesse razão ao afirmar que Harry contraíra alguma doença. O ferimento recente poderia ter apenas exacerbado os sintomas. A idéia deixou-o alarmado e ele se afastou da cabana, embrenhando-se na mata. Se estava mesmo doente, deveria procurar alguém que pudesse curá-lo. Até mesmo os conselhos do administrador intrometido e tagarela pareciam interessantes agora, uma vez que Harry não compreendia a dor que tomara conta de todo o seu ser, e que nada tinha a ver com o ferimento na cabeça.
De repente, pensou em Baddersly como um lar, onde ele poderia recuperar a força, antes de retornar e supervisionar os progressos das escavações. Ignorando a imagem que se formou de súbito em sua mente, de um cachorro voltando para casa, com o rabo entre as pernas, seguiu para vila, a fim de apanhar seu cavalo. De lá, cavalgaria até Baddersly, decidiu, sem sequer suspeitar da inquietação provocada por sua ausência prolongada do castelo.
- Já faz mais de uma semana! - Florian protestou, encarando um por um, dos três cavaleiros que haviam se reunido com ele no solar.
- Não faz tanto tempo que lorde Potter deixou o castelo. - Quentin contemporizou.
- Das outras vezes, foram alguns dias, mas desta, já faz mais de uma semana. - o administrador insistiu. - Não posso deixar de me preocupar, especialmente considerando o estado de saúde delicado que ele vinha apresentando.
- Para não mencionar os salteadores. - disse Thorkill que, em pleno vigor da juventude, era o mais ansioso para lutar pelo lorde desaparecido.
- Mesmo assim, não creio que seja sensato sairmos à procura dele. - Leofwin argumentou, antes de morder o queijo que levara consigo à reunião.
O cavaleiro corpulento deixava sempre um rastro de farelos atrás de si e, por isso, dois cães haviam passado a segui-lo onde quer que ele fosse. Para aquela reunião, Florian vira-se forçado a fechar a porta, a fim de deixar os cães do lado de fora. O administrador atirou as mãos para cima, em um gesto de reprovação, dirigido tanto aos hábitos alimentares de Leofwin, quanto à declaração que ele acabara de fazer.
- Não podemos ignorar o desaparecimento dele. O que o Lobo dirá? Não quero nem pensar na reação dele se perdermos seu irmão!
Embora não conhecesse Dunstan Potter pessoalmente, Florian sabia que os três cavaleiros já o haviam encontrado e tinha a esperança de que a ameaça representada pelo Lobo os forçaria a agir. Porém, os três limitaram-se a trocar olhares estranhos, comportando-se de maneira muito diferente do que Florian esperava.
- Talvez devêssemos enviar uma mensagem ao Lobo e aguardar as ordens dele. - Leofwin resmungou.
Quentin limpou a garganta, produzindo um som de evidente discordância, justamente quando se aproximavam de um acordo. Florian suspirou impaciente, dizendo a si mesmo que o mais velho daria tudo para ficar no castelo, sossegado.
- A verdade é que ouvi rumores sobre as andanças de lorde Harry. - Quentin explicou, com um sorriso constrangido.
- E por que não disse nada? - o administrador inquiriu indignado.
- Achei que não cabia a mim comentar. - o cavaleiro respondeu sem jeito. - Ele foi visto na cervejaria, em atitude… um tanto suspeita, na companhia de um velho.
Florian arregalou os olhos ao ouvir tal insinuação.
- Posso garantir que Harry Potter não gosta dessas coisas! - protestou.
Thorkill franziu o cenho.
- Quem era esse velho? - perguntou. - E por que foram se encontrar na cervejaria?
- Ninguém sabe, ou então, não quiseram me contar. - Quentin respondeu.
- Muito misterioso. - Leofwin murmurou.
- Pare de cuspir queijo quando fala! - Florian repreendeu-o, embora sua irritação houvesse sido provocada muito mais pela atitude de Thorkill.
- Talvez ele tenha sentido a saúde piorar e foi à procura de uma curandeira. - sugeriu o mais jovem.
- Na cervejaria? - Florian indagou com voz estridente, arrancando uma risada de Quentin.
Thorkill corou.
- Ele poderia estar pedindo informações sobre alguma curandeira da vila. - arriscou.
- Ou, então, estava apenas bebendo uma cerveja! - Leofwin decretou.
- Não. - o administrador murmurou, certo de que Harry Potter não freqüentaria aquele tipo de lugar, sem um bom motivo. - Gostaria de descobrir exatamente o que aconteceu quando ele foi tomado prisioneiro, na floresta. Algo me diz que essas ausências misteriosas estão ligadas ao que aconteceu então.
- Os homens dele se recusam a tocar no assunto. - Quentin lembrou sacudindo a cabeça.
Florian franziu o cenho, pois ele também falhara na tarefa de obter maiores informações sobre o incidente. Ao menos, sabia que Quentin estava enganado com relação às preferências de Harry, pois tinha certeza de que o lorde interessava-se por mulheres. Na verdade, seria capaz de apostar que uma certa mulher morta, que poderia não estar morta, era a causa de todo o mistério. Mas onde entrava Draco Malfoy, ex-noivo, naquela história? Como peças de xadrez sobre um tabuleiro, Florian enxergava tudo, mas não conseguia estabelecer seus lugares corretos, ou sua relação com o lorde de Baddersly. Parecia faltar uma peça do quebra-cabeças.
- Bem, vejo que teremos de arrancar essa história de alguém. - falou pensativo.
- Se ao menos, conseguíssemos conversar com um dos salteadores…
Quentin emitiu um som deselegante, descartando a idéia, deixando Florian vermelho de raiva. Ora, como aqueles homens se autodenominavam cavaleiros? Deveriam estar protegendo o seu senhor, em vez de resmungar, como um bando de velhas!
- Bem, então, por que não tentam a vila? Alguém deve saber de alguma coisa!
- Muito bem. - Quentin finalmente concordou. - Mas não envie mensagem nenhuma ao Lobo, por enquanto. Dunstan Potter pode não gostar de ser incomodado por uma busca fútil.
Seria tolice sair à procura de Harry? Florian não saberia dizer. Não o agradava a idéia do irmão do senhor do castelo desaparecer sem dizer nada. Preocupava-se com o que poderia acontecer, pois parte de seu trabalho era garantir que tudo corresse bem por ali. E havia algo errado com Harry Potter. Era evidente que o lorde não estava feliz, embora merecesse estar. Um sorriso curvou os lábios de Florian. Se houvesse algo que ele pudesse fazer, o grande cavaleiro se tornaria um homem contente e satisfeito.
E o administrador fazia uma boa idéia de quem poderia providenciar isso.
Luna passou o dia inteiro sozinha, longe do acampamento. Evitou os homens que vigiavam a floresta e caçou pequenos animais, esforçando-se para manter afastadas da mente as lembranças do corpo de Harry Potter, bem como de seus comentários ousados. O que não era fácil. As palavras dele certamente teriam ofendido qualquer outra mulher, mas haviam acendido dentro dela uma chama impossível de apagar.
Desde que deixara a casa do pai para viver com a tia, Luna levara uma vida praticamente assexuada, no papel de pouco mais que uma criada. Embora alguns visitantes manifestassem o desejo de serem servidos por Luna de maneiras diferentes, Gunilda tratara de mantê-la bem longe dos homens, temendo perder os serviços da sobrinha.
Ao voltar para casa, Luna fora atirada para Draco, cuja aparência atraente fora logo manchada pelo caráter desprezível. Porém, mesmo antes de descobrir quem ele realmente era, Luna não sentira nada. E nenhum dos homens que se juntara a seu bando jamais lhe despertara o menor interesse. Fora somente ao conhecer Harry Potter que as chamas havia muito apagadas haviam tomado vida.
Por quê? Por que uma única pessoa possuía o dom de alterar a percepção de Luna, bem como seus desejos e seus princípios? E por que aquele homem tinha de ser alguém de quem ela precisava para atingir seus objetivos, alguém que ela tinha de ver todos os dias, trabalhando nas mesmas tarefas, e agradecer pela ajuda? Alguém que fora atingido com uma pá na cabeça, por ser quem era.
Com um suspiro exasperado, Luna finalmente cedeu à preocupação que tentara reprimir ao longo do dia. Já estava quase na hora do jantar e ela tratou de chegar mais cedo, a fim de poder conversar em particular com Merieí, a viúva que cozinhava para o bando.
Pela manhã, pedira à mais velha que fosse cuidar de Harry, referindo-se ao ferimento na cabeça, e não às outras dores que ele alegara sentir. Embora detestasse admitir, Luna estava ansiosa para saber como ele passava.
- Hum, a comida está cheirando muito bem! - elogiou, aproximando-se do caldeirão que Meriel mexia.
Mulher de poucas palavras, Meriel limitou-se a assentir, e Luna foi tomada de uma súbita impaciência por notícias do cavaleiro.
- E então? Ele está bem? - perguntou, tentando soar casual, mas sem o menor sucesso.
Meriel manteve os olhos fixos no caldeirão.
- Não havia ninguém lá, senhorita.
- Ninguém? - Luna inquiriu, já em pânico. - Para onde ele foi?
- Não sei, senhorita.
Sem dizer mais nada, Luna dirigiu-se à cabana, certa de que Meriel havia se enganado. Talvez a viúva houvesse ido ao lugar errado ou Harry estivesse na mata, aliviando-se, quando ela chegara. Conhecendo o cavaleiro, Luna sabia que ele evitaria atenções, mesmo que fossem para seu próprio bem. Porém, ao entrar na cabana onde o deixara, Luna descobriu que estava deserta.
Não havia sinais da passagem de Harry por ali, exceto pela marca deixada pelo peso do corpo dele no colchão de palha e uma pequena mancha de sangue onde sua cabeça repousara. Luna voltou para fora, tomada de preocupação e culpa. Deveria ter ficado lá, cuidando dele, em vez de fugir. Harry agira de maneira muito estranha. Teria perdido o juízo? Poderia estar vagando pela floresta, sem destino, ou ter sido apanhado pelos homens de Draco, que não se dariam ao trabalho de verificar a identidade dele.
Ou, pior, poderia ter decidido investigar ele mesmo sobre o acidente. Luna respirou fundo ao pensar nessa possibilidade, mas descartou-a em seguida. Se houvesse ocorrido uma luta, ela teria sido informada. Além disso, o silêncio reinava na floresta.
Luna examinou a área ao redor da cabana e verificou que os arbustos não exibiam os sinais da passagem de alguém pelo meio da mata. Se Harry se afastara, seguira pela trilha. Talvez ele houvesse se recuperado e decidido partir sozinho. Mal pensou nisso, Luna foi invadida por uma raiva nada razoável, por ele ter ido embora sem avisá-la. Ao mesmo tempo, perguntou-se o que significava para ele. Harry não fazia parte do bando e era livre para ir e vir, sem dar satisfações a ninguém.
Ainda assim, ela continuou se sentindo contrariada. Voltou ao acampamento, alerta para o reaparecimento de Harry. Snape e alguns outros mostraram-se mais quietos que o habitual, durante o jantar e, ao final da refeição, Luna perguntou ao arqueiro o que exatamente acontecera. Corando até a raiz dos cabelos, ele resmungou algo sobre tolos que se aproximam demais de trabalhadores, mas as palavras morreram nos lábios dele, vítimas do olhar ameaçador de Luna.
- E onde está ele, agora? - inquiriu.
- Pensei que estivesse na sua cabana! - Snape respondeu com evidente surpresa.
- Pois não está. - ela informou em tom calmo. - Embora eu acredito que tenha retornado a Baddersly, quero me certificar de seu paradeiro. Jeremy, vá até a vila e veja o que consegue descobrir por lá. Will, siga na direção de Ansquith e interrogue os pastores que simpatizam com nossa causa. Snape, já que foi o responsável pelo acidente, pode dobrar o turno da noite, em um dos postos de sentinela.
Enquanto Snape balbuciava protestos inúteis, Luna já se punha de pé, a fim de chamar a atenção de todos.
- Preciso lembrá-los de que foi Harry Potter quem planejou o ataque a Draco e a conseqüente libertação de Ansquith? - perguntou em voz alta.
- Estávamos indo muito bem sem ele. - Snape resmungou.
- Indo para onde? - ela retrucou. - Estávamos roubando os suprimentos de Draco, causando prejuízos, mas já havíamos nos dado conta de que ele jamais sairia detrás daqueles muros para uma luta direta. O que vai acontecer quando o inverno chegar? Por quanto tempo sobreviveremos, nesta floresta, correndo de um esconderijo para outro?
Embora Snape continuasse carrancudo, a maioria dos homens assentiu em concordância. Eram pessoas que precisavam retomar o trabalho nas minas e nos campos, e somente o desaparecimento de Draco lhes permitiria recomeçar suas vidas e, em alguns casos, voltar ao seio da família. E nenhum deles gostava tanto da vida na floresta, a ponto de querer continuar como bandido indefinidamente.
- Provavelmente, ele vai voltar com um exército para nos atacar… tudo porque foi desajeitado o bastante para ficar no caminho da minha pá.
Luna sabia muito bem que Harry era ágil demais para cometer um erro tão estúpido, mas decidiu não perder mais tempo com discussões.
- Se Harry Potter tivesse a intenção de trazer um exército à floresta, teria feito isso há muito tempo. - declarou com um olhar frio para o arqueiro.
Além disso, Harry não era o tipo de homem capaz de punir a todos pela transgressão de um único homem. Estaria furioso com todos eles? Ou com ela, por ter se recusado a deitar com ele na cabana? Luna descartou tal idéia de pronto, pois um cavaleiro como Harry Potter certamente podia escolher à vontade entre as muitas mulheres dispostas a aquecer-lhe a cama.
- Mesmo assim, creio que não faria mal algum mudarmos nosso acampamento novamente, Luna. - John argumentou.
Embora seu coração lhe dissesse que nada daquilo seria necessário, Luna sabia que deveria considerar os outros, que não tinham tanta fé em Harry.
- Muito bem. - concordou. - Vamos nos dispersar, agora. Suspenderemos as escavações do túnel por um ou dois dias, mas quero esta área muito bem vigiada.
Tal decisão atrasaria o trabalho e Luna sentiu uma forte pontada de impaciência, pois não via a hora de terminar o túnel e entrar em Ansquith. Tratou de reprimir tal sentimento, uma vez que a espera lhe pareceu fundamental para que seus homens voltassem a se sentir tranqüilos. Com um breve aceno de cabeça para John, virou-se, dizendo a si mesma que deveria se contentar com o que tinha em mãos. No entanto, um outro sentimento parecia alfinetá-la, e era algo mais que a impaciência pela espera forçada.
A preocupação por um certo cavaleiro tomou conta dela, juntamente com a noção desconcertante de que, ao se curvar à desconfiança dos outros, Luna acabara de traí-lo.
Baddersly não era o seu lar.
Poucas horas após sua chegada, Harry já não suportava as atenções excessivas de Florian, os olhares estranhos que todos lhe lançavam e as fofocas que ele tinha certeza de estarem correndo soltas pelo castelo. Sentia-se bem melhor na floresta, embora a simples lembrança de Luna provocasse um nó em sua garganta, fazendo-o sentir-se profundamente embaraçado.
Chegou à conclusão de que não passava de um grande tolo. Desde muito jovem, sempre possuíra autoconfiança. Afinal, era um Potter e, juntamente com o nome, vinham alguns privilégios, bem como respeito. Harry, porém, jamais se contentara com isso. Sempre competindo com Dunstan, conseguira suplantar com facilidade os irmãos, tanto em força quanto na habilidade no campo de batalha. Agora, sentia-se perdido, longe de seus domínios, um verdadeiro tolo. E seu mau-humor era exacerbado pelas pessoas que o cercavam em Baddersly, aparentemente determinados a tornar sua vida miserável.
Todos questionaram a sua saúde, até ele rugir, furioso. No entanto, a verdade era que sua falta de sono e apetite haviam voltado com força total. Mesmo percebendo que todos comiam com evidente prazer, Harry não conseguia encontrar sabor na comida. E a cama, apesar de elegante e macia, não lhe proporcionava o menor conforto.
Durante o dia, sentia um acúmulo de energia que nem todas as cavalgadas, ou exercícios junto aos demais cavaleiros, podiam dissipar. Sentia-se como em véspera de batalha, mas não havia oponente para combater. Quanto mais o tempo passava, mais irritado ele ficava. Embora Florian insistisse na possibilidade de uma enfermidade grave, Harry recusou-se a procurar o médico, pois sabia que sua saúde não poderia estar melhor.
Já não tinha tanta certeza com relação à mente, que passara a funcionar de maneira pouco característica. De repente, decidia voltar à floresta, a fim de supervisionar a escavação do túnel, e preparava-se para partir com ansiedade quase infantil. Então, no momento seguinte, era tomado por uma relutância inexplicável, que o deixava desolado.
Após alguns dias dessa indecisão improdutiva, Harry estava prestes a explodir. Não poderia suportar nem mais um minuto entre as paredes de Baddersly, mas também não se sentia pronto para voltar à floresta. Montou seu cavalo e rumou para a vila, em busca de uma paz de espírito que, a cada dia, parecia-lhe mais impossível. Mas a vila também não ofereceu remédio para o seu mal. O sol do início da tarde ofuscava os poucos viajantes que passavam pela estrada, bem como os aldeões que cuidavam de seus afazeres. Crianças brincavam, enquanto suas mães trabalhavam. A porta da cervejaria encontrava-se aberta.
Ocorreu a Harry que, talvez, houvesse mesmo algo errado com sua saúde, pois ele tinha a sensação de que a comida havia parado a meio caminho do estômago. Esfregou o peito com a mão, quando desmontou e deixou o cavalo na loja do ferreiro. Então, seguiu pela rua, na direção dos limites da vila.
Lá, uma jovem que alimentava galinhas chamou sua atenção. A luz do sol iluminou a trança dourada que caía até o meio das costas dela e Harry sentiu uma pontada no peito. Era a dor da perda. O que Luna estaria fazendo naquele momento? Estaria bem?
Estaria encontrando abrigo e alimento? Harry emitiu um som contrariado, pois sabia que ela era capaz de caçar muito melhor do que ele. Como se tivessem vontade própria, os olhos de Harry seguiram a moça, acompanhando cada movimento gracioso dos braços, a maneira como o vestido simples agitava-se em torno dos quadris. Diante do vislumbre de um tornozelo delicado, uma onda de calor percorreu o corpo dele.
Como se percebesse que estava sendo observada, ela se virou devagar, enfiando a mão no bolso do vestido, em um gesto que indicava uma cautela muito maior do que seria de se esperar em uma aldeã. E, quando ela o fitou, Harry descobriu o porquê, pois foi o rosto de Luna Lovegood que o encarou em desafio.
Luna… Harry tentou falar, mas não encontrou a voz, pois estava simplesmente fascinado pela primeira visão que tinha dela, vestindo roupas femininas. A guerreira se fora, deixando em seu lugar uma mulher linda, ainda forte, mas dona de curvas espetaculares, que haviam ficado escondidas sob a túnica masculina. Harry sentiu a garganta secar e, enquanto mantinha os olhos fixos nos dela, sentiu o ar ao seu redor tornar-se quente e denso, pesado de desejo.
- Bom dia, cavaleiro. - ela finalmente falou, empinando o queixo, como se quisesse deixar claro que continuava a ser uma guerreira destemida.
- O que está fazendo aqui? - Harry perguntou.
- Ah, tenho muitos esconderijos e nem mesmo você conhece todos eles.
As palavras foram pronunciadas em um sussurro macio, que aguçou os sentidos de Harry, ao mesmo tempo que o irritou, pois ele queria saber tudo sobre ela. Foi tomado pelo ímpeto de agarrá-la e sacudi-la, forçando-a a contar-lhe tudo, a dar-lhe tudo…
Apontou para a pequena casa atrás dela.
- Não está sozinha.
Foi mais uma afirmação do que uma pergunta. Embora confiasse nas habilidades de Luna no uso das armas, não o agradava a idéia de ela viver sozinha, tão perto da floresta, sem proteção. Onde estariam seus seguidores?
- Não. - ela respondeu, ao mesmo tempo que uma mulher mais velha aparecia na porta. Harry reconheceu-a como sendo a cozinheira do bando e que seria de pouca ajuda em caso de ataque. - Estou aqui com Meriel. Esta é a casa dela.
Harry praguejou baixinho, sentindo o sangue ferver nas veias, só de pensar em Luna sozinha, com uma velha viúva.
- Não foi o que perguntei e você sabe disso. - rosnou.
- Sei me defender e você sabe disso. - ela retrucou. — Se veio até aqui para discutir, pode voltar para o seu castelo.
Enquanto Harry pensava em uma resposta, Luna cruzou os braços em um gesto familiar, mas foi a primeira vez que ele pôde ver a pele clara acima do decote do vestido.
Teve de respirar fundo para não perder o controle e correr para ela. Então, ocorreu-lhe que o vestido era indecente e ele tentou exibir uma carranca. Infelizmente, sua boca estava tão seca, que tudo o que foi capaz de fazer foi balbuciar palavras incompreensíveis. Ao mesmo tempo que reprovava o decote exagerado, desejava ardentemente cobri-lo com as mãos, ou com os lábios. Queria atirá-la no chão e amá-la ali mesmo, sem importar-se com as galinhas e, menos ainda, com a viúva que os observava da porta.
O desejo que o atacou foi tão intenso, que Harry sentiu-se atordoado. A casa, Meriel e a estrada deixaram de existir, restando apenas Luna e sua necessidade de tê-la para si. Ela pareceu perceber, pois emitiu um som que Harry não soube definir se era de agonia ou de rejeição.
- Tenho muito trabalho a fazer. - Luna declarou com voz rouca.
Em seguida, virou-se e afastou-se, deixando Harry ali parado, tomado pela vontade de agarrá-la. A visão da trança dourada a balançar de um lado para outro, da cintura delgada, sempre escondida pelas túnicas largas, tornou seu desejo intenso e doloroso. Harry começou a transpirar. Pensou em atirá-la sobre o ombro e… Ora, ela já entrara na casa e Meriel o fitava com ar desconfiado.
Harry teve o ímpeto de gritar sua frustração aos céus. Adiante, a estrada se estendia, com uma longa caminhada de volta até onde ele havia deixado o cavalo. E Harry sabia que não conseguiria caminhar até lá. Assim como não poderia esperar ali, incapaz de suportar outro momento perto de Luna, especialmente estando ela vestida como mulher. Estava tão excitado que mal conseguia andar. Por isso, atravessou a estrada e embrenhou-se na mata.
Uma vez protegido pelas árvores, Harry reclinou-se no tronco de uma árvore.
Sentiu os pulmões arderem e a cabeça girar. Com certeza, contraíra algum tipo de doença, pensou, utilizando a pequena parte de sua mente que ainda funcionava. Então, respirou fundo várias vezes, na esperança de que o ar puro da floresta levasse embora qualquer que fosse o mal que o acometera.
Porém, a visão de Luna dançava à sua frente, especialmente o que o decote do vestido revelara. Ela era uma mulher e ele a desejava. Luna… Não uma das prostitutas que ele tivera no passado. Não qualquer cortesã, ou aldeã. Luna… E ela lhe dera as costas, abandonando-o sem sequer olhar para trás.
Curvando-se na tentativa de diminuir o sofrimento, Harry pousou a mão sobre seu próprio sexo e, finalmente cedendo à dor provocada pelo desejo insano, livrou-se de parte das roupas. Enquanto aplacava ele mesmo a dor que o consumia, pensava em Luna.
Imaginava que eram as mãos dela sobre seu corpo, os lábios, as coxas roçando nas suas. Então, fechando os olhos, gemeu alto, ao mesmo tempo que seu corpo era sacudido pela força do êxtase.
Com dedos ainda trêmulos, ajeitou a roupa e apoiou-se na árvore. Enquanto tentava recuperar o fôlego, já corava de vergonha pelo que acabara de fazer. Fizera aquilo muitas vezes antes, mas agora, já não conseguia satisfazer os impulsos.
Não era apenas uma satisfação física de que precisava, mas Harry não sabia exatamente o que aplacaria aquela ânsia e, menos ainda, fazia idéia de como conseguir o que queria.
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