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.:. MONICA ISABELLA STFENS .:.
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Antes de continuar a história, me permitam retroceder um pouco no tempo, não sei precisar bem o horário, mas isto não importa, basta dizer que nosso querido amigo Hugo ainda estava tendo o sono dos justos. Apesar do horário, nossa outra protagonista não estava nem próxima de ir se deitar...
"Exausta", disse ela deixando-se desmoronar no banco do vestiário. Tirou os sapatos e ficou saboreando o piso gelado sob os pés. Em seguida tirou o jaleco e o levou ao nariz pra conferir. O fedor habitual.
"Nada pior do que o cheiro do terceiro andar não é, Monica?", riu uma outra garota, que acabava de entrar no vestiário, também tirando o jaleco, "Com certeza é o andar mais mau cheiroso de todo o St. Mungus..."
"Não sei, Samantha... Tem umas doenças do segundo andar que também não tem um cheiro nem um pouco agradável. Acho que prefiro os acidentes com plantas ainda", falou Monica enquanto se dirigia ao armário e trocava de roupa, guardando a que usou durante o turno num dos sacos de lavanderia. Regra do hospital. Nada mais perigoso que sair com esses jalecos... Podem estar contaminados por milhares de coisas.
"Pode ser... De qualquer forma prefiro ainda trabalhar com a área de feitiços... Pena que ainda é só no ano que vem", disse Samantha fazendo o mesmo que Monica, "Quer carona pra casa?"
"Não, brigada", respondeu enquanto fechava o armário e pegava a bolsa, "Vou pro Caldeirão Furado beber alguma coisa. Três pacientes vomitaram em mim essa noite, acho que mereço uma dose de conhaque. Quando é teu próximo plantão?"
"Só daqui a três dias", disse com um grande sorriso estampado no rosto, "E o teu?"
"Menos sorte, daqui a dois dias. Planos pra folga?"
"Meu namorado conseguiu folga também, então vamos visitar os pais dele", disse ela enquanto as duas se dirigiam para a saída de funcionários, "E os teus?"
"Não devia te dizer, porque vais sentir inveja, mas vou falar: faxina no apartamento", Samantha olhou séria para a colega e depois soltou uma risada. Monica, que estava olhando seriamente para frente também não conteve um sorriso. Não que ela não gostasse de fazer faxina, mas bem que podia ter uma viagem programada também.
"Divirta-se", disse Samantha se despedindo de Monica com um beijo na bochecha já do lado de fora do hospital.
"Tu também!", respondeu Monica antes de se separarem. Caminhou mais um pouco até chegar a um local seguro e aparatou no Beco Diagonal. Caminhou pelas ruas ainda levemente desertas, parando displicentemente diante de algumas vitrines para observar os produtos e as promoções. Algumas pessoas estranhamente adoram observar promoções... Na verdade, estava tudo ainda fechado, exceto, como a própria Monica costumava dizer, o bom e velho Caldeirão Furado onde sempre se encontra uma boa dose de álcool pra aliviar as tensões do dia. Ou, neste caso, da noite.
Passou pelo portal e entrou no Caldeirão, a penumbra costumeira envolvendo os clientes calorosamente. Se dirigiu à mesma mesa de todos os dias, mas, antes de sentar, avistou um rosto conhecido sentado à frente de um copo e mudou de idéia, indo até lá.
"Ainda aqui, Rion?", disse sentando ao lado do rapaz de cabelos louros. Ele apenas sorriu e ficaram os dois sentados em silêncio. Hannah Abbott, a senhoria, se aproximou trazendo um cardápio, mas Monica fez seu pedido sem nem ao menos olhá-lo. Assim que chegou sua dose de conhaque, ela falou, "Às vezes não é fácil..."
"Eu que o diga...", falou o rapaz tomando mais uma dose e fazendo o copo se encher mais uma vez.
"Não teve jeito então?", disse ela também bebendo, a bebida queimando a garganta.
"Não... O menino vai ter que ficar com uma mão a menos..."
"Não foi tua culpa. O que podia ser feito, foi feito. Todo mundo viu que os procedimentos foram corretos"
"Eu sei. Mas mesmo assim não é fácil quando acontece com uma criança. Sempre fico me perguntando se não tinha nada mais que pudesse ser feito. Acho que escolhi a profissão errada... sou um desastre..."
"Sabe qual é o problema? E não só o teu problema, mas de todo mundo que decide se tornar curandeiro. A gente quer resolver todos os problemas do mundo e não consegue se conformar quando não conseguimos", tomou mais um gole, a bebida já descia mais suavemente, "Com o tempo a gente vai descobrindo que não pode fazer tudo e entra no estágio que estás agora. Depois a gente se conforma em poder fazer pelo menos alguma coisa pra aliviar o sofrimento deles".
"Já te conformas então?", ele riu.
"Já...", ela riu de novo tomando mais um gole, começando a apreciar o sabor do álcool, "Agora eu só venho beber quando me vomitam de cima a baixo como nessa noite", disse dando uma leve piscadela para o rapaz, "Tu vais ser um bom curandeiro, tenho certeza".
"Valeu, Monica", ele riu e tomou o ultimo gole da bebida, "Acho que vou embora então. A gente se esbarra por aí".
"Sim, sim. No meio de um corredor lotado de gente!", ela se levantou e o abraçou levemente. "Até outro dia então!" Depois que ele foi embora, ela voltou a se sentar e a aproveitar os prazeres de um copo cheio de bebida. Quando sentiu os músculos suficientemente relaxados e notou que não estava mais podendo confiar totalmente em suas pernas, respirou fundo e foi até o balcão pagar suas despesas. Estava indo muito bem até encontrar um obstáculo inesperado: grande, macio e quente...
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N.A.: E então? Estão gostando? Espero que sim! Se puderem, deixem um comentário, sempre ajuda a melhorar a história! Beijos! Hannah Lú, obrigada pelo comentário. Também adoro o Hugo. Coloquei NC porque ainda não sei muito bem o que vou escrever, mas provavelmente vai ter alguma cena que vai precisar de censura, por assim dizer.