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16. Capítulo XIV


Fic: Batalhas e Honras


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Capítulo XIV



Aquela manhã tinha começado como qualquer outra manhã de verão. O sol vibrava nas folhas verdes das árvores, que proporcionavam uma sombra agradável e fresca. Os pássaros gorjeavam excitados, realizando acrobacias contra o céu azul.
Theodore Nott revirou a nota recebida entre os dedos. Ele olhou em direção ao castelo de Voldemort, onde a fumaça subia espiralando por entre o verde das árvores que resistiram aos anos de desmatamento que o rei promovera. A manhã estava pela metade e ele sabia que levaria pelo menos quatro horas até chegar ao local de destino.
Ele olhou para os três filhos que brincavam no pátio interno do castelo e que deviam ser mantidos escondidos para que o rei despótico não os tirasse da família e engrossasse suas fileiras de soldados imberbes.
A esposa de Theodore, uma mulher suave e doce que atendia pelo nome de Sibila, aproximou-se e, temerosa, indagou:
— Querido, o que está acontecendo?
—Penedo está sob a taque — murmurou ele acompanhando a brincadeira dos filhos.
— Mas... mas... você não irá para a batalha, irá?
Ele respondeu com um aceno seco. Os olhos de sua esposa brilharam com lágrimas temerosas.
—Você está velho... O rei prometeu...
Voz dela quebrou-se, enquanto ele virava e a abraçava fortemente.
— Eu fiz um juramento, minha querida. Um juramento à Penedo. Não importa quem seja o rei. Minha lealdade é devida a esta terra. E eu devo cumprir cada promessa feita a ela.
Sibila queria reclamar, queria implorar, se ajoelhar, se humilhar, apenas para impedir que seu marido, já maltratado pelos anos de luta, seguisse em direção da morte certa. No entanto, foi impedida por um beijo ardoroso.
Um pouco tonta ela viu seu marido sair da sala e seguir para baixo, chamando seus soldados e instigando-os para a luta. Ela aproximou-se da janela e viu seu amado esposo agachando-se para abraçar os filhos e levantando-se com dificuldades, seus joelhos já não eram os mesmos de dez anos atrás. Ele seguiu até seu escudeiro que começou a amarrar-lhe a armadura.
Então deu as costas àquela imagem e abraçou-se a sim mesma, deixando as lágrimas escorrerem por seu rosto. Um arrepio cruzou sua espinha e ela teve a certeza de que o rei cairia naquele dia.
Nott sentia uma apreensão imensa. Não sabia se chegaria a tempo de manter o rei vivo. Mas sabia de uma coisa. Penedo não se entregaria assim, a qualquer um que quisesse dominá-la. O Reino viveria, mesmo que dependesse de sua própria morte.


Gina fugia de seus perseguidores imaginários.
Depois de rodar e rodar pelo castelo, ela acabou voltando para a sala do trono. A jovem estava desesperada, além dos perseguidores uma dor começava a assolar-lhe o corpo, principalmente no ventre. Talvez as ervas finalmente estivessem fazendo efeito. Ela só queria que os soldados parassem de persegui-la.
Assustada, a ruiva escondeu-se atrás do trono e ficou aguardando. Ela os atacaria na próxima vez. Com uma lança. Isso, mesmo, ela os atacaria com uma lança. Mas onde ela arranjaria uma?
Correndo seus olhos aflitos pela sala ela encontrou várias armas penduradas nas paredes. Depois de lutar para tirar uma das várias lanças, Gina desistiu e agarrou uma adaga longa e fina. Ela voltou a seu esconderijo com uma rapidez surpreendente para a dor que a consumia.
Agora só restava esperar.
Nesse meio tempo, Voldemort a procurara por todos os cantos do castelo, inclusive chegou a ir até os calabouços apenas alguns minutos antes que a força atalaiana dominasse os guardas, para seu azar ou para a sorte dos atacantes.
Irritado, ele voltou à sala do trono. O rei sentia um cansaço incomum dominando-lhe os ossos.
Aliás, toda aquela maldita manhã estava ao contrário. Seu castelo sendo invadido! Isso era o cúmulo! Era ele quem invadia e dominava! Era ele quem matava sem dó nem piedade. Jamais houve, na história de Penedo, uma fuga de prisioneiros. E, apenas naquela manhã, ele tinha perdido quatro: a Rainha Luna, a velha carcomida que vivia com ela, sua própria esposinha, e a fuga mais temível: a de sua ex-amante, Belatriz.
Quando ele confirmara os sumiços de suas prisioneiras, subindo até o alto da torre leste, ele sentiu algo gelado descendo por sua espinha. Belatriz poderia fazer qualquer coisa. Ela era perigosa demais. Talvez ele devesse ter seguido seu primeiro instinto que era o de matá-la. Agora era tarde demais para se arrepender, se pusesse os olhos em Belatriz, fatiá-la-ia em pedaços irreconhecíveis.
Sem prestar atenção nos barulhos da batalha, Voldemort entrou na sala e dirigiu-se até a grande janela que lhe dava a visa de seus domínios. Ele gritou enfurecido ao perceber que a segunda muralha havia perecido e que os atalaianos avançavam. O que havia com seus soldados afinal!
— Malditos atalaianos! MALDITA SEJA AQUELA TERRA!
Gina observou-o entrar. Ele estava em sua alucinação também, como o enorme ogro grego que bebia sangue, cuja história seu pai lhe contara há muito tempo, quando era uma pequena menina. Ela gemeu apavorada. Isso acabou atraindo a atenção de Voldemort.
— Ah! Então aqui está minha pequena esposinha — Voldemort disse deliciado por encontrá-la. Assim poderia descontar sua raiva em alguém.
— Fique... fique longe de mim — ela balbuciou apontando a adaga para ele.
— Ora, mas por quê? Nós não nos entendemos bem? — Ele perguntou com um sorriso maléfico. — Quem sabe você devesse deixar esta adaga de lado, minha querida? Não queremos que você se machuque não é?
Gina apenas enxergava o gigante de faces retorcidas, que falava com uma voz assustadora lhe dizendo que lhe beberia o sangue. A dor em seu ventre era terrível. O medo ainda mais.
— FIQUE LONGE! MONSTRO! MONSTRO! —Ela gritou desesperada procurando uma saída. Mas, em seu delírio, ao invés de ver a sala ela via uma caverna escura e sem escapatória.
Voldemort sorriu ainda mais, fazendo com que suas cicatrizes criassem vincos assustadores na sua pele pálida. A falta do nariz acentuou-se e ele teve certeza de que realmente se parecia com um monstro.
— Você não conseguirá me matar, pequena. Eu sou invencível — ele sussurrou com a voz satisfeita.
Gina queria fugir, queria escapar. Tanto do ogro como da dor terrível que lhe corroía o ventre. Oh, deuses tivessem piedade dela, ela estava no final de suas forças.
— Fique longe — ela gemeu com a adaga tremendo em suas mãos.
Voldemort aproximou-se, vendo naquele tremor a hesitação que precisava para tomar a arma da mão de sua escrava. Mas ele não esperava que ela o olhasse com um ar tão agonizante e tão decidido.
Nesse momento, Belatriz surgiu das sombras e apreciou o quadro.
— Você quer meu sangue? — Gina perguntou com a voz sumida. — Pois terá. E terá o sangue da aberração que está comigo.
Aquelas palavras detiveram Voldemort por um segundo, enquanto Gina deslizava a adaga diretamente para seu ventre.
Ela caiu ajoelhada ainda segurando a adaga contra o ventre. A dor que a torturara antes parecia tão longe. A queimação que a atormentava parou. Ela sorriu e sussurrou com uma voz alegre:
— Agora sou pura novamente.
Então caiu para frente, encharcando-se no próprio sangue.
— NÃOOO! —Voldemort gritou.
Ele não podia perder sua reprodutora, não quando ela carregava seu futuro. Ele apressou-se em chegar junto ao corpo da ruiva quando ouviu uma voz conhecida dizendo:
— É tarde demais, meu querido. Ela se foi.
Voldemort virou-se para a ex-amante enfurecido:
— Você!
Ela sorriu indolentemente e aproximou-se dizendo:
— Sim, eu. Você não achou que eu me renderia tão facilmente, achou, Voldinho? Se achou não me conhece nada bem.
— Eu vou matá-la — ele grunhiu colocando-se ao lado dela como um raio e esganando-a.
Sorrindo e com a voz esganiçada ela retrucou:
— Mesmo sabendo que sou a única que poderá te curar do veneno?
Ele pestanejou e afrouxou o agarre.
— Que veneno? Maldita, fale que veneno?
Ela riu deliciada.
— O veneno que nesse instante é bombeado em seu sangue. A poção que eu ministrei à sua doce esposinha envenenou-lhe o coração e o sangue. Quando você a tomou contra sua vontade, rompeu pequenos vasos sanguíneos e lambuzou-se em seu sangue, sendo intoxicado também. Mas ao contrário dela, sua morte será lenta. Você perderá a consciência de seus movimentos nas próximas semanas, em seguida um a um de seus sentidos, como a fala, o olfato, o tato, e só depois que estiver angustiado é que iniciará uma fase de dores excruciantes.
Voldemort largou-a e deu um passo atrás.
— É realmente uma pena se você morrer hoje por uma espada, Voldemort — ela continuou prazeirosamente. — Irá tirar toda a graça de uma morte lenta e dolorosa.
— Mas você sabe o antídoto — ele afirmou em voz sumida.
— Ah, eu conheço — ela disse fechando levemente os olhos numa expressão sublimada. — Mas ainda não sei se a darei para você.
— VAGABUNDA! DÊ PARA MIM!— Ele gritou avançando contra ela novamente.
Ela gargalhou alto, um tanto enlouquecida. Satisfeita. Ela o tinha em suas mãos. Ele realmente pensava que a poção tinha algum antídoto. Se havia algum, Belatriz nunca ficara sabendo de sua existência. Esse foi um dos motivos que a levou a usar aquela receita há tantos anos guardada. Era a mesma fórmula que Belatriz usara em Jane. Na ciganinha a poção fizera o mesmo efeito que em Gina Bonnes. Havia algo no corpo feminino que distorcia um pouco a poção fazendo-a ser alucinógena.
E foi nesse minuto, enquanto Voldemort gritava e Belatriz ria, que o jovem Edmund entrou na sala do trono, escorando-se na parede. Ao ver a irmã morta ele gritou:
— GINA! GINA!
Cambaleante ele tentou alcançar o corpo da irmã, mas Voldemort o impediu. Deixando Belatriz de lado, ele adiantou-se contra o jovem e lhe socou as costelas, atirando-o longe ao chão.
— CÃO BASTARDO! VOCÊ ME ENGANOU!
O jovem riu dolorosamente e cuspiu sangue. Ele ainda estava machucado das surras e com certeza não sobreviveria a outra.
— Você é tão egocêntrico. Sim, eu o enganei, o padre o enganou, até suas damas o enganaram.
— EU VOU MATÁ-LO!
— Pode matar, eu não durarei muito mesmo — ele gemeu e sorrindo continuou: — Mas você também não durará, demônio! Minha irmã foi uma de suas últimas vítimas, e enquanto ela estiver no céu, rodeada de anjos, você amargurará nas últimas rodas do inferno.
Os gritos dos soldados aproximavam-se cada vez mais do castelo. Voldemort podia sentir que estava perdendo. Tudo pelo que ele lutou por anos. Todos os seus estúpidos súditos. Tudo, ele perderia. Como chegara àquele ponto?
O curioso é que nos desfechos dos contos, meus amigos, todos chegam ao mesmo ponto, quase ao mesmo tempo. Ao tempo em que o pobre Edmundo lançava àquelas duras verdades ao rei usurpador, Hermione entrou no salão, sozinha. Os soldados haviam ficado do lado de fora, combatendo a guarda particular de Voldemort, e a pequena curandeira escapuliu para dentro da sala, com sua habilidade especial de deslizar entre as pessoas.
A primeira coisa que ela viu foi uma jovem assassinada. Em seguida ela encontrou o olhar surpreso de uma mulher belíssima, de longos cabelos negros e olhos ainda mais negros, e pele leitosa.
— Isso é impossível! Você está morta! — A mulher gritou.
E Hermione soube quem ela era: Belatriz!
— Eu não estou morta, mas vim vingar minha mãe — Hermione sibilou pegando sua flecha especial, feita exclusivamente para a assassina de sua mãe.
Ela disparou a flecha diretamente no coração da bruxa, mas sua mira foi balançada quando um assustador homem a segurou pelo braço. A seta acabou por cravar-se num dos braços da mulher.
— MALDITA! EU DEVERIA TER MATADO VOCÊ QUANDO ERA UMA PIRRALHA! — Belatriz gritou. Ela forcejou para retirar a flecha completamente. — Sua mira é péssima, sua rameira! Se quer mesmo me matar teria que fazer muito melhor.
Voldemort encarou aquela mulher pequena e revoltada que se debatida em seu agarre poderoso.
Ela era maravilhosa, se ele a tivesse conhecido antes, não teria investido na ruiva fraca que agora estava jogada no piso de sua sala real. Aquela mulher feroz lhe daria filhos muito fortes e saudáveis. Ele precisava da cura e depois se ocuparia daquela leoa.
Hermione riu satisfeita.
— É mesmo. Então cheire a ponta da flecha, Belatriz. E veja que não é a única que conhece os segredos das ervas.
Belatriz arregalou os olhos e cheirou a ponta da seta. Era veneno, um potente veneno. A faria sangrar por todos os poros em menos de meia hora.
— O QUE VOCÊ FEZ COM ELA? — Voldemort rugiu no ouvido de Hermione que voltava a se debater.
A curandeira tremelicou um pouco e ousou encarar aquele rosto deformado.
— Eu a matei, e logo vou matar você.
O rei, ante tanta ousadia teve que rir, ou melhor, gargalhar. Aquela mulherzinha era a espécie perfeita para reproduzir. Por que seus conselheiros não haviam encontrado antes? Poderia ter se livrado da esposinha bonitinha, mas enfadonha. E agora ele estava com os dias contados. A não ser que Belatriz o salvasse.
— Bela. Eu quero a poção — ele disse voltando-se para a marquesa que sentava-se com calma.
Ela riu sem prazer. Quanto mais calma e quieta ficasse, mais tempo tinha de vida. Ela olhou para a furiosa mulher que Voldemort segurava pelo cangote como a um filhote de gato. Ela era linda, tal como sua mãe. Mas ao contrário da medrosa mulher que a marquesa encontrara anos atrás, esta tinha um fogo no olhar, uma certeza de que venceria, que a lembrou Sírius.
— Não existe poção, Voldinho. Ambos estamos mortos, apenas temos algumas respirações a mais.
— MENTIRA! — Ele berrou atirando Hermione contra uma armadura.
Ela entonteceu levemente, vendo Voldemort aproximar-se perigosamente de Belatriz.
A castanha sabia que poderia morrer. Voldemort não aceitaria uma derrota pacífica, e o fato de sua amante morrer devido a uma flecha envenenada que ela disparara não ajudava muito também. Com o coração angustiado, ela observou a menina morta quase no centro do salão, como um aviso de que ali, hoje, todos encontrariam a morte. Com o coração ainda mais partido ela viu aquele rapaz, não muito mais velho que Jim, arrastando-se para perto da ruiva.
Ela voltou a atenção para o trono e teve a impressão de vê-lo se mover. Ora, ela devia estar louca. Ou a batida na cabeça fora mais séria do que ela pensava. Olhou novamente para Voldemort e Belatriz, enquanto ele a chacoalhava com violência.
— Diga-me demônia! Qual é o antídoto!
Ela riu num som desesperançado.
— NÃO HÁ ANTÍDOTO! VOCÊ E EU ESTAMOS CONDENADOS!
— Isso não pode ser verdade! TEM QUE HAVER UM ANTÍDOTO! —Ele gritava alucinado. Não poderia morrer seu reinado não podia terminar daquela forma.
Irritado ele voltou-se contra Hermione.
— Você irá me ajudar, fedelha! Eu quero o antídoto e quero agora. Belatriz precisa viver para me curar — Voldemort anunciou preparando-se para bater em Hermione, que apenas o encarou.
— Solte-a agora, seu Canalha — alguém ordenou.
Todos na sala olharam para aquele ponto em especial. E Hermione gemeu desamparada. Aquilo não podia estar acontecendo.
A porta do salão explodiu logo depois, abrindo passagem para o príncipe Harry, Draco e Pansy. Eles chocaram-se ao ver o corpo de Gina. E todos ficaram pálidos ao encarar as duas figuras junto ao trono de Voldemort.


Córmaco Mclaggen derrubou outro inimigo. Atalaia estava prestes a dominar a terceira muralha. Ele enxugou o suor misturado ao sangue e fuligem que dominava o ar. Apenas sua persistência e sua vontade de ver o filho nascer, o empurrava para mais um combate, mais um inimigo. Ele já tinha um grande corte nas costas, que lhe ardia como fogo.
Respirou fundo e avançou pelas escadas ao lado da entrada da terceira muralha. Ele e outros soldados que se preparavam para dominar o perímetro. Se ela fosse subjugada, a vitória seria de Atalaia.
Ele ousou olhar para baixo. Seu coração se apertou.
Corpos de inimigos e de amigos compunham uma espécie de tapete macabro. O fogo que se alastrava pelas muralhas inferiores, lambia os céus, como se as chamas dançassem uma música própria, composta dos gritos e lamentos desesperados dos feridos. O barulho do choque dos metais parecia abafado ante isso.
— Admirando a destruição, Mclaggen?
O loiro olhou para a direção da voz e viu Rockwood com sua armadura brilhante, preparando-se para lutar. Ao contrário de Córmaco que estava no meio do combate até a pouco, Rockwood estava bem protegido em cima da muralha, sem precisar se preocupar com nada além dos magníficos arqueiros atalaianos.
Ele estava descansado e derrotaria Córmaco num dia comum. Mas não naquele, quando tanto dependia única e exclusivamente de sua espada.
— É sempre bom destruir o mal, Rockwood, como você bem sabe.
— Então aprecie porque será sua última lembrança, seu infeliz — Rockwood esbravejou.
Mclaggen não gastou suas forças gritando. Ele apenas girou a espada na mão, lamentando ter utilizado sua lança como um espeto de soldados na segunda muralha. Ele gostaria de empalar aquele safado. Já que não tinha sua lança, utilizaria as armas que possuía.
O conde de Penedo não inovou em seu ataque. Ele apenas desceu a espada contra o corpo marcado de combate de Mclaggen, que escorregou para o lado e defendeu-se brilhantemente, empurrando a espada do atacante contra o corpo do mesmo. Em seguida, o guerreiro de Atalaia desferiu uma série de golpes diagonais.
Rockwood não esperava tanta agilidade de um soldado já cansado. Ele não tinha se preparado para suportar um ataque hábil e ligeiro do outro. Tentando defender-se como podia, o conde viu-se encurralado contra o muro de contenção da muralha.
Ali eles cruzaram ferros e Mclaggen sorriu:
— O que? Você esperava que eu fosse facilitar para você?
— Maldito!
Rockwood empurrou a espada com força e afastou-se das pedras.
— Você quer brincar, Mclaggen? Então vamos brincar.
Ele avançou com raiva contra o atalaiano que sorria indolente enquanto defendia-se dos golpes. Há muito tempo, Córmaco descobrira que desestabilizar o oponente era o primeiro passo para uma vitória. Ele não deixaria o outro saber que o corte em suas costas drenava quase todas as suas forças, ou que estava tão exausto que apenas pensava no aconchego da cama que compartilhava com Anna.
Mclaggen só precisava de um ponto fraco. Ele defendia-se e atacava com completa concentração. Apenas um momento de descuido de Rockwood, e a vitória seria de Atalaia.
Lá embaixo, os irmãos Weasley terminavam de derrotar o último comandante maior de Voldemort, Capitão Crouch.
Os soldados que lutavam por Penedo ergueram as armas num gesto que implicava rendição e então deixaram as espadas cair entre o emaranhado de corpos e destroços.
Um rugido de felicitações correu entre os guerreiros de Atalaia. Eles haviam vencido. HAVIAM VENCIDO!
Córmaco riu gostosamente enquanto defendia-se com mais vigor. A derrota iminente de Rockwood pareceu lhe dar forças. E o conde começou a acossar nosso guerreiro contra a muralha.
— Desista, Rockwood. Vocês foram derrotados. Admita.
— Nunca! Voldemort jamais será vencido, seu bastardo! JAMAIS!
Naquele momento, Córmaco viu sua grande chance. Fingindo que o ataque fora forte demais, o conde Atalaiano deixou o braço com a espada pender flacidamente ao lado do corpo. O guerreiro de Penedo gargalhou satisfeito, e gritou:
— EU SABIA QUE VENCERIA, IMBECIL!
Entretanto, quando Rockwood avançou erguendo a espada com ambas as mãos, cego pela vitória certa, ele deixou toda a guarda baixa. E, num movimento veloz e furioso, Córmaco enfiou a espada diretamente na barriga do atacante, usando o muro como alavanca que lhe proporcionou o impulso necessário para afundar a espada pelo metal da armadura.
Rockwood deixou a espada cair para trás e despencou de joelhos em frente a seu vencedor. Ele sentiu uma onda de enjôo extremamente forte quando Mclaggen retirou a espada de dentro dele, e acabou vomitando sangue nos pés do guerreiro atalaiano.
— Eu morrerei como um guerreiro, Mclaggen. Peço-lhe que me garanta um enterro digno, de acordo com os dogmas da sagrada igreja.
Depois desse último pedido, o conde de Penedo caiu para o lado com seus grandes olhos vidrados.
Mclaggen gemeu e escorou-se contra a beirada da muralha. Ele estava nas últimas. Precisava descansar. Ao olhar para o céu constatou que já passava das três horas da tarde.
E o combate ainda estava longe de terminar dentro das paredes grossas do castelo.
Um vento vindo da costa começou a soprar, aliviando o calor que ele sentia e limpando um pouco o ar da fumaça negra e fedida. O conde olhou ao longe e teve que gemer.
Uma enorme força juntava-se ao sul, vinda de algum dos vassalos de Voldemort. Que Deus os ajudasse, porque Córmaco não tinha muita certeza de que seus homens agüentariam mais.


Aquilo não podia estar acontecendo!
— Por favor, por favor, diga que eu estou alucinando — implorou Pansy com a voz enfraquecida.
— Eu disse ao senhor para soltá-la, não disse — a voz infantil repetiu com um olhar duro.
— Mas quem diabos é você, sua melequenta? — Voldemort indagou, espantado com a audácia da pequena criatura que se erguia diante dele.
—Oras, eu sou Isabella Narcisa Malfoy, é claro — a menina declarou com o nariz empinado e um olhar arrogante.
O rei grunhiu:
— Impossível! Não existem mais Malfoys. A linhagem terminou. Eu mesmo matei meu meio irmão, sua esposa e seus dois filhos!
Pansy levou um baque ainda maior do que ver a filha enfrentando o rei mais perverso de que se tinha notícias. Olhou para o marido chocada com a revelação.
Draco não tinha tempo para lidar com a esposa. Ela se sairia bem. O que ele queria era tirar a filha e o filho do Rei Ronald da linha de ataque do Rei Voldemort.
— Não, titio, o senhor não matou os dois filhos do Príncipe Lúcio e da Princesa Narcisa. Eu sobrevivi.
Voldemort deixou a curandeira livre, quando ouviu aquela voz. A mesma voz de seu meio irmão. Ele girou lentamente e encarou o homem loiro e alto que se mantinha à porta, ladeado por uma bela mulher morena e pelo príncipe Harry de Atalaia.
— Lúcio — ele ofegou.
— Não. Eu sou Draco Malfoy, príncipe de Islatempestad, e por direito, herdeiro e REI de Penedo.
O silêncio dentro da sala do trono contrastava loucamente com o barulho dos embates do lado de fora.
Hermione permaneceu no chão rastejando até seus afilhados antes que algo lhes acontecesse. Como diabos eles foram parar ali?
Ela não percebeu que Belatriz aproximava-se cuidadosamente, como uma serpente venenosa prestes a dar o bote final.
A cena caótica começava a se instaurar no recinto.
— Eu sou o rei por direito! EU! Não é um idiotinha vindo do fim do mundo que poderá me derrubar — Voldemort bramiu segurando a espada pela primeira vez.
Pansy recuperava-se do choque de saber que estava casada com um príncipe quando viu que Belatriz estava quase alcançando Isabella.
— Bella Cuidado!
Tanto Isabella quanto Belatriz olharam para Pansy, dando a Hermione o tempo suficiente de se erguer e atirar-se sobre ambos os afilhados os afastando um pouco do perigo iminente que Belatriz representava. Mais alguns minutos e tudo estaria acabado para a marquesa.
— Você não tocará meus afilhados, sua bruxa — resmungou Hermione colocando-se de cócoras a frente deles.
Edmund, que até então estava em silêncio avançou contra Voldemort com a mesma adaga que matara sua irmã. Ele queria vingança a qualquer custo. Aquela comoção lhe serviria como distração, só precisaria cravar a maldita faca no pescoço descoberto do rei e tudo teria acabado.
Quando estava a um passo de acertá-lo pelas costas, Voldemort viu seu reflexo transfigurado refletido na armadura de Harry, e virou-se no exato momento, batendo com o punho da espada na cabeça do rapaz.
— Você é um frangote que não merece morrer na ponta de minha espada — disse o rei com desprezo.
— Quem sabe você gostaria de lutar com alguém mais preparado, Lord Voldemort. Alguém como eu — Harry se pronunciou pela primeira vez.
— Ora, ora, ora. Príncipe Harry de Atalaia. Não é que os ratos sempre voltam onde existe comida? — Voldemort zombou. — Veio morrer em Penedo ao invés de encharcar de sangue a terra de seus ancestrais?
— Eu vim terminar o que fui impedido, doze anos atrás. E nada vai parar-me agora — o príncipe rugiu avançando e atacando o outro homem.
Voldemort defendeu-se e imediatamente passou a desferir golpes firmes. Por duas vezes a lâmina de sua espada raspou na armadura que cobria o corpo de Harry. Entretanto, Hagrid havia melhorado suas técnicas e ante a insistência de Hermione acabou fazendo um colete de metal duro o suficiente para parar qualquer flecha que lhe fosse disparada.
Agora a armadura mostrava-se impressionantemente protetora, pois os golpes de Voldemort demonstravam um grande domínio de armas e uma técnica impressionante, pelo menos era isso que Hermione pensava.
É claro que ele deveria ser um guerreiro impressionante, repreendeu-se ela. Afinal ele mantivera subjugados, de forma cruel, vários reinos e vários soldados excelentes.
Draco e Pansy afastaram-se da luta. Eles não iriam interferir, muito embora Pansy pensasse que era Draco quem deveria estar lá, vingando-se de todos os anos de exílio e vingando as mortes de sua família.
Seis soldados da guarda de Voldemort entraram no salão naquele momento, distraindo o casal que passou a mantê-los longe das crianças e de Hermione.
Belatriz não estava satisfeita, ela queria matar Hermione, ou ao menos um daqueles pirralhos que ela defendia com tanto ardor. A marquesa não queria morrer na obscuridade. Ela mataria alguém importante antes de ir-se ao inferno, e estava aguardando a oportunidade perfeita.
Tudo isso, obviamente, estava acontecendo concomitantemente. Edmund não tinha percebido que tocara o sangue contaminado da irmã e que estava envenenado. Hermione não percebeu que estava apenas com uma de suas adagas e sequer que seus afilhados afastavam-se curiosos para perto do combate.
Voldemort atacava com muita gana, com muita raiva e acabou acertando Harry no braço esquerdo. Se o príncipe fosse um pouco mais lerdo, seu braço teria sido arrancado pela violência do golpe.
— E então, pequeno príncipe, pronto para morrer? — Voldemort zombou.
— Sempre, e você?
— Vou esperar que me preceda — o rei disse em tom de mofa.
Isabella e Jim afastaram-se da madrinha, tentando recuperar uma das adagas dela, que estava caída perto de uma armadura. Eles aproximaram-se da porta, mas ainda não era o suficiente. Para recuperá-la eles teriam que passar entre os combatentes.
Eles trocaram um olhar numa comunicação silenciosa e assentiram um para o outro. Em seguida, Jim agachou-se para que Bella subisse em seus ombros. Quando ela já estava montada, Jim, que havia recuperado a espada de Edmund, a qual estava lançada contra o piso ao lado do trono, entregou-a para Bella que, depois de certa dificuldade, a empunhou com as duas mãos.
Meio cambaleantes, os dois cruzaram entre os adultos, e Bella conseguiu se defender de um ataque, que acabou lhe arrancando a espada, é lógico, mas logo estava junto da armadura e possuidores da adaga.
— E agora Jim? — Bella indagou assustada com o barulho que as espadas faziam quando se encontravam.
— Vamos nos manter longe dos adultos e veremos se vamos conseguir voltar para junto da madrinha — ele respondeu encantado ao ver o tio lutando com o homem que seqüestrara sua mãe.
As duas crianças ficaram lá observando a estranha harmonia da batalha impetrada ali.
Pansy e seus longos cabelos trançados, retorcia-se em posições impossíveis, ao mesmo tempo em que atacava com precisão. Ela demorava um pouco mais para colocar o oponente fora de combate, mas vê-la lutar era impressionante.
Draco, por outro lado, levava a batalha a sério demais, com poucos golpes nocauteou dois homens, arrancando-lhes as espadas e os elmos. Ele girava sua espada e sua adaga como se quisesse deixar sua inicial em tudo o que tocasse.
Harry e Voldemort continuavam a cruzar ferros e a tentar atingir um ao outro. O príncipe conseguiu atingir o rei no flanco direito, mas Voldemort parecia movido por alguma força sobrenatural.
O fato é que a iminência da morte sempre adiciona um acréscimo de energia e de motivação. Aqueles que realmente se apresentam como lutadores acabam por não sentir as dores ou as fraquezas naquele momento. Apenas a vontade suprema de viver e de vencer.
Hermione voltou-se apenas um segundo e percebeu que seus afilhados não estavam mais com ela e sim do outro lado da sala. Apavorada, baixou a guarda e deixou que Belatriz se aproximasse furtivamente agarrando-a pelos cabelos cacheados e encostando uma navalha no pescoço delgado da princesa.
— Agora, princesa, você aprenderá que não se ataca uma tigreza e dá as costas — ela sussurrou junto ao ouvido de Hermione.
Hermione sentiu uma gota de sangue escorrendo pelo pescoço e sua pulsação aumentou. Ela morreria. Mas pelo menos seria uma morte gloriosa e cantada pelos cantos do reino e pelas passagens das eras.
As duas crianças viram a castanha ser feita refém e gritaram apavoradas:
— MADRINHA!
Draco e Pansy terminavam de abater os últimos dois soldados e viraram-se apavorados. Hermione sempre se metia em confusão quando estava sozinha. Harry vacilou um instante e Voldemort arrancou-lhe Camullus da mão.
— Então o poderoso príncipe tem um ponto fraco? Talvez eu o mantenha vivo enquanto aproveito da mulher. Ela é bem fogosa não é mesmo? Eu adoraria prová-la — Voldemort disse com uma careta depravada.
— Não se aproveitará dela, meu querido, se eu degolá-la não é verdade? — Belatriz interrompeu-o. — Eu chego a sentir o sabor do sangue dela descendo pela minha faca e empapando este vestido azul horroroso.
— Não se eu puder impedir, Belatriz — uma voz aveludada soou e Hermione notou que o corpo de sua agressora desabava e sentiu um líquido quente escorrendo pelas suas costas.
Dom Sírius acabava de degolar a ex-amante.
Voldemort soltou um urro animalesco e voltou-se para Harry, querendo terminar o que tinha iniciado. Com Belatriz morta, sua vida estava acabada mesmo. Afinal não havia antídoto para o veneno que lhe embotaria os sentidos.
Ele ergueu a espada pronto para decapitar Harry quando sentiu que uma lâmina o atravessava por baixo do braço e lhe atingia os órgãos internos. Ele olhou para o ângulo de onde vinha a espada e viu o pequeno rapaz ruivo lhe olhando com desprezo e ainda segurando o cabo da espada de Harry.
— Ninguém matará minha família hoje — o menino lhe disse.
Voldemort caiu com os olhos arregalados. Ele ainda estava vivo quando Harry afastou o garoto e arrancou a espada aumentando o tamanho de sua lesão. Ele piscou uma vez antes de Harry encará-lo e dizer:
— Vou deixá-lo sangrando Voldemort e ninguém tocará em seu sangue ou sua carcaça. Vou queimar esta sala e todos os corpos que estiverem nela.
Voldemort sentiu a dor excruciante de não conseguir respirar. Seu coração batia enlouquecido e ele percebeu que havia perdido. Havia perdido o reino para um menino.
Harry voltou-se para o sobrinho com um brilho de orgulho imenso.
— Benjamim Potter Atalaia — ele falou com a voz rouca.
O menino o encarou com a sobrancelha arqueada da mesma forma como seu pai faria e aquilo emocionou o príncipe ainda mais. Foi quando o inimaginável ocorreu: o intrépido príncipe de Atalaia, a Águia, ajoelhou-se e depois de ter limpado a espada contra as calças de couro ofertou-a ao futuro rei, num gesto de vassalagem:
— Será uma honra seguir Vossa Alteza quando o momento chegar. Minha espada sempre estará a vosso serviço.
Jim ficou chocado com as palavras e arregalou os olhos, surpreso demais com tudo o que estava acontecendo naquele dia. Encarou a amiga de infância que se via cercada por ambos os pais que a abraçavam, ele sentiu uma pontada no seu coração, onde estaria sua mãe?
Sírius aproximou-se da sobrinha preocupado e sussurrando:
— Hermione, minha querida.
Ela olhou-o e o abraçou vigorosamente enquanto chorava.
— Ela morreu, minha querida, está tudo bem agora — ele a consolava vendo Harry aproximar-se com rapidez.
— Eu queria matá-la, tio Sírius, queria tanto...
Ela não pode terminar a sentença uma vez que o príncipe ajoelhava-se ao lado de Sírius e a arrancou de seus braços repetindo:
— Mione, Mione.
Hermione o abraçou de volta, sentindo o cheiro dele, misturando com o suor da batalha. Deuses ela necessitava-o com urgência. Queria beijá-lo e ter certeza de que tudo estava bem com ambos. Mas primeiro tinham que resolver alguns problemas mais importantes. Ela respirou fundo mais algumas vezes e se separou do guerreiro.
— Eu preciso de meus medicamentos urgentemente — ela começou. — Pelo que eu entendi Voldemort tinha um veneno potente no organismo e todos os que tocaram nele ou em seu sangue terão que beber o antídoto. Eu só preciso saber que veneno é...
Harry assentiu e a ajudou a ficar de pé.
— E temos que achar minha mãe— completou o jovem príncipe ainda observando os Malfoys.
— Certamente, jovem guerreiro — concordou Sírius com um sorriso.
Ele lançou um olhar pela sala e balançou a cabeça negativamente. Limpar tudo aquilo daria um trabalho dos infernos. Draco e Pansy beijaram-se rapidamente, e ele pegou a filha nos braços, enquanto falava:
— Eu quero saber direitinho de onde vocês dois surgiram, seus lobinhos marotos.
Os dois coraram e Jim pigarreou olhando acusadoramente para Bella. A morena garota o encarou com expressão espantada enquanto dizia:
— E vocês esperavam sinceramente que ficássemos em casa enquanto eram trucidados pelo ogro ali — ela apontou para o corpo como se não fosse mais que um brinquedo. — Deixamos vocês sozinhos em Atalaia e olha o que aconteceu? O Tio Nevi morreu. Tínhamos que vir, oras, era a única forma de manter todos vocês adultos fora de encrencas.
Os cinco se encararam sem saber o que comentar. E resolveram ficar em silêncio enquanto Jim explicava concisamente como tinham feito.
Os dois haviam fugido do Acampamento do Dragão já na tarde do ataque a Atalaia, ou devo dizer, Isabella fugira e Benjamim a seguira? Eles assistiram as cerimônias de enterro completamente escondidos e, depois de furtarem um cavalo da estrebaria, dormiram no acampamento cigano esperando o dia raiar.
Depois disso, os dois seguiram o grupo de soldados, mantendo certa distância e camuflando-se à paisagem.
— Exatamente como papai e mamãe nos ensinaram — completou Isabella fazendo os dois adultos pensar que tinham ensinado demais aos dois pequenos.
Eles dormiam em cima das árvores e se alimentaram das frutas que encontraram. Quando viram os sinais de ataque, aproximaram-se furtivamente da ala das excluídas e entraram por uma das janelas. Os dois tentaram acalmar as mulheres histéricas que estavam lá, mas foi uma tarefa praticamente impossível.
Com a curiosidade natural e um dom muito estranho para encontrar as coisas, os dois descobriram várias passagens e uma delas, por encanto, acabou desembocando na sala do trono. E eles resolveram sair do esconderijo quando ouviram as vozes de Hermione e Draco.
Isso tudo os dois contaram entre risos enquanto os adultos ajudavam o pobre Edmund a se recompor. Ele estava com uma concussão e muitos ossos fraturados, mas Hermione tinha fé de que iria sobreviver.
Depois de cheirar o sangue de Gina e cuidadosamente não tocá-lo, Hermione reconheceu o veneno que Belatriz utilizara-se. Realmente, era uma poção letal, no entanto, um árabe que a curandeira conhecera num porto do Mediterrâneo lhe ensinara o antídoto que, na verdade, era muito simples, perto da difícil preparação daquele veneno em especial. Todos estavam fora de perigo.
Depois de remover o corpo de Gina, e com a autorização de Draco, Harry cumpriu sua palavra e incendiou a sala do trono. Eles não permitiram que o fogo se alastrasse, mas assistiram os corpos de Voldemort e Belatriz arderem.
Em seguida, seguiram até os portões do palácio, a fim de dar as ordens finais. E encontraram Mclaggen e os irmãos Weasley sombrios demais, para quem havia obtido uma vitória tão esmagadora.
— O que houve? — Indagou Harry franzindo o cenho.
— Uma legião se aproxima, Alteza, e temo que nossos homens não agüentem outra peleja tão cedo — respondeu Mclaggen.
— Sim, muito cedo — o príncipe resmungou. Então voltou-se para Draco e perguntou: — O que devemos fazer Majestade?
Draco espantou-se e encarou o príncipe:
— Eu?
— É claro — assentiu Harry com um sorriso. — Depois de anos eu finalmente cumpri minha palavra e lhe devolvi o trono de Penedo, meu amigo. A defesa do castelo é sua primeira obrigação.
O loiro encarou a esposa que lhe deu um sorriso malandro e tomou a filha dos braços dele.
— Vai lá, Majestade, e mostra quem é que manda — ela incentivou dando-lhe um beijo sapeca no canto da boca e empurrando-lhe para frente.
Draco a encarou perplexo, mas logo recuperou a compostura e disse ao amigo:
— Vem comigo, Alteza.
— Sempre Majestade — Harry retrucou. Ele beijou a curandeira deixando-a atordoada e lhe disse: — Vá procurar por Lady Cho, ela está com a Rainha. Depois faça o antídoto.
— Isso é uma ordem — Hermione indagou com a sobrancelha arqueada.
— Considere um pedido enfático — ele respondeu com um sorriso maroto.
Hermione assentiu e Harry beijou-a ainda mais uma vez, sob os risinhos dos dois afilhados de Hermione, e seguiu até o portão da frente junto com Draco. O príncipe realmente não estava com medo. Depois de toda a loucura que havia sido aquele dia, nada mais poderia ser levado muito a sério.
Theodore Nott, Duque de Nott aproximou-se da vila abismado. Todos os camponeses estavam vivos e assustados junto da igreja. Mas ilesos, assim como a própria vila.
O duque fez sinal a seus homens e aproximou-se dos portões, onde corpos iniciavam uma trilha que, ele tinha certeza, indicavam o caminho do castelo. As muralhas estavam em ruínas e algumas partes delas ainda ferviam, mas em sua grande parte os incêndios já haviam sido controlados.
Nott parou o cavalo enquanto via uma dupla estranhamente familiar. Dois homens muito altos, um moreno e um loiro. O moreno visivelmente mais musculoso e feroz, enquanto o loiro era esguio e tinha uma postura arrogante.
Theodore quase caiu do cavalo, literalmente falando, quando se aproximou mais dos dois guerreiros e reconheceu os traços do soldado loiro.
— Príncipe Lúcio?
— Na verdade, somos Vossa Majestade Draco. Entretanto, reconhecemos que somos extremamente parecidos com nosso pai — respondeu Draco. — E você é?
O duque desmontou e, muito emocionado, dobrou-se sobre um de seus joelhos enquanto tomava a mão de Draco entre as suas e pronunciava o primeiro dos muitos votos de vassalagem que o Rei receberia:
— Theodore Nott, Majestade, Duque de Nott. Ofereço-lhe minha espada e minha honra, em qualquer momento, em qualquer situação — ele pigarreou e disse numa voz hesitante. — Fico feliz que o verdadeiro Rei tenha voltado. Penedo recuperará seus dias de glória.
Harry sorriu para o amigo como se dissesse “e este é só o primeiro”. Draco rolou os olhos e ajudou o cavaleiro a se recompor enquanto lhe dizia com a voz afável:
— Ficamos muito felizes em saber que nos apóia. No momento, precisamos de ajuda para — ele fez um gesto para os corpos. — Bem, para a limpeza do castelo. Seus homens seriam muito bem vindos.
— É claro Majestade! Homens, preparem-se para uma comprida limpeza. Eles estão sob vossas ordens, Rei Draco.
Draco acenou positivamente e começou a distribuir ordens, sob o olhar atento e divertido do amigo.
O relato de que o verdadeiro Rei de Penedo regressara aquela que, por muitos anos, não fora mais que um conto de meninos, queimou tal palha seca sob a chama de uma vela. Em algumas horas, a notícia da vitória esmagadora de Atalaia sobre o rei Voldemort, e da volta de um verdadeiro Malfoy ao trono de Penedo já corria os principais feudos do reino e sendo, em sua grande maioria, festejada.


Ao tempo que os dois amigos enfrentavam o Duque, a Rainha Pansy, as duas princesas e o Príncipe, percorriam os corredores, distribuindo ordens e avançando até a ala onde a Rainha Luna se encontrava.
Eles abriram várias portas, encontrando mulheres escondidas e chorosas, e dando as boas novas a todos. Os gritos histéricos e o drama todo deixavam Hermione e Pansy levemente desconfortáveis, uma vez que nunca foram partidárias de tais atitudes dadas como femininas.
Finalmente, os quatro chegaram até a porta do quarto de Lady Cho. E bateram à porta antes de entrar.
Lady Cho havia vestido trajes masculinos e trançado os longos cabelos, preparando-se para uma fuga. Ela estava sentada, encolhida, sobre uma cadeira estofada, enquanto segurava um longo e afiado punhal. Ao ouvir porta, depois de vários gritos que precederam aquele som em particular, ela encheu-se de coragem e indagou:
— Quem é?
— Lady Cho? Eu me chamo Hermione Granger e fui encarregada de escoltar a Rainha Luna.
Luna ouvira a voz da amiga e reconheceu-a no ato, assim, se pôs a gritar, acordando Lady Minerva que dormia placidamente sobre seu ombro.
— Deixe-a entrar Lady Cho, é minha amiga.
— Tem certeza, Majestade — a mulher indagou num tom mais baixo, com medo de um engodo.
— Claro que sim! — Confirmou ela.
Do outro lado da porta, as duas mulheres e as duas crianças começaram a ficar impacientes. E se houvesse alguém lá as ameaçando?
— Lady Cho? — Hermione insistiu.
Ela se preparava para arrombar a porta quando viu uma mulher maravilhosa e vestida como um homem surgir por detrás da madeira. Os olhos amendoados encaravam o quarteto com muita desconfiança. Que imediatamente foi retribuída por todos.
— Pensei que Harry, digo, que o príncipe viria — ela falou sem dar espaço para que eles entrassem.
Hermione franziu o cenho. Não gostou nada da forma íntima como a mulher se referira ao príncipe. Assim, acabou sendo mais ríspida que o necessário.
— Ele está acertando os detalhes. Escute, a Rainha está aqui ou não!
— Mione! — Uma voz abafada gritou.
Os olhos da curandeira brilharam de emoção contida, surpreendendo Lady Cho que achara aquela camponesa muito confiada.
— Luna? Luna você está bem? Está tudo bem? — Hermione indagou empurrando a porta e fazendo a mulher que a segurava cair no chão. — Luna? Cadê você?
— Aqui, atrás do roupeiro.
— Escute aqui mocinha você não pode entrar aqui e... — Cho começou a falar e apavorada saiu para um canto quando Hermione empurrava o roupeiro fazendo cair no chão. — O que você fez?!
Hermione não ouvia nada, ela apenas avançou para o buraco na parede onde pequenas mão apareciam e, entre lágrimas, içou sua amiga para fora.
— Luna — ela sufocou um soluço ao mesmo tempo em que era esmagada por um abraço firme da amiga.
— Eu sabia, sabia que você viria — dizia Luna chorando e agarrada a sua irmã do coração.
Lady Minerva saiu depois que Pansy e as duas crianças a ajudaram e surpreendeu-se ao ver a Rainha chorando, ela não chorava há muitos anos.
— Olhe só você — a Rainha disse afastando-se do cheiro comum da amiga par encará-la. — Está tão linda, tão linda...
— E você está muito magra, Majestade — retrucou Hermione fungando. — Acho que terei de fazer um elixir fortificante.
— Eca não — a Rainha fez uma cara desgostosa que em nada combinava com o nariz vermelho e os olhos inchados. — Ainda lembro do último que o Frei Dumbledore me fez tomar, o gosto era terrível.
As duas riram de suas lembranças infantis, engasgando com as lágrimas.
— Minha querida, eu tenho uma surpresa — Hermione murmurou enquanto fazia sinal para que seu afilhado se aproximasse.
— O que...
A loira mulher interrompeu a frase ao ver o menino ruivo e tímido que se aproximava. Seu coração bateu-lhe com tanta força nas costelas e sua mente enevoou que, por um momento, ela temeu desmaiar. Então ela gemeu:
— Benjamin?
O menino não sabia como aproximar-se daquela mulher que chorava e ria nos braços de sua madrinha. Ela parecia tão maltratada. Mas ao olhar dentro daqueles olhos bondosos e azuis e ouvir a voz suave, não tão melodiosa como a de Hermione, mas ainda assim maravilhosa, ele não hesitou em aproximar-se e indagar:
— Mamãe?
Luna lançou-se contra ele sufocando-o com beijos e abraços, por doze anos guardados em seu coração. Ele era tão lindo. Tão parecido com o pai.
— Meu filho, meu filhinho. Eu senti tantas saudades... Eu o amo tanto, tanto...
Ela não conseguiu falar ante a violência das lágrimas que lavavam suas faces e sua alma. Benjamin chorava também, com uma saudade inexplicável, do tempo que não pudera passar junto dela.
— Mãe, eu amo a senhora também.
Hermione erguera-se e olhava mãe e filho com um sorriso iluminado. Ela orava silenciosamente, agradecendo por aquele dia milagroso. Pansy abraçava-se a Isabella agradecendo também, ter o milagre de tê-la em segurança por tanto tempo. Ela não conseguiria ser tão forte quanto a Rainha Luna demonstrara ser.
Lady Minerva chorava emocionada também. Assim como Lady Cho, enfim, era um quarto cheio de lágrimas de emoção. A distância e o tempo, como se demonstrava ali, não exterminavam o amor verdadeiro, ou a amizade verdadeira, e a lealdade.
Quanto tempo eles ficaram ali não poderia ser sabido. Exceto que repentinamente, os dois homens surgiram na porta do quarto de Lady Cho, apavorados com tantas lágrimas e tentando compreender a tristeza.
Lady Cho, ao ver Harry, correu em sua direção e o beijou duramente, pegando-o de surpresa.
— Graças a Deus você está bem. Oh, Harry eu tive tanto medo, tanto.
O príncipe a abraçou e acalentou levemente, um pouco embaraçado com a situação.
— Lady Diggory, está tudo bem agora, deixe-me apresentá-la ao Rei Draco, o verdadeiro rei de Penedo.
A bela mulher o soltou um tanto envergonhada, percebendo que se excedera um pouco no seu cumprimento. Mas que lhe importava? Afinal, agora eram livres e Harry poderia assumi-la, não é?
— Majestade — ela fez uma reverência engraçada com suas calças masculinas.
Draco olhou interrogativamente para o amigo enquanto retribuía o cumprimento:
— Milady.
Hermione desviara o olhar. Toda a cena apenas serviu para lembrá-la qual era seu lugar junto ao príncipe. Era óbvio que agora que tudo se normalizasse ele iria preferir uma mulher sensível e de boa origem como Lady Cho. Afinal, Hermione era apenas uma princesa cigana perdida, sem grandes instruções, sem grande educação. O pouco que aprendera foi com Luna, mas não serviria para ser a esposa de um príncipe como Harry. Ela enganara-se demais com toda a paixão que eles compartilharam, mas era o tempo de voltar a por os pés no chão.
— Venha, Lady Minerva, eu vou examiná-la num outro quarto — ela murmurou para a velha senhora que com muito custo se matinha em pé.
Harry não conseguiu desgrudar Lady Cho de si mesmo e ficou preocupado quando Hermione passou por ele sem encará-lo. Resolveu que se acertaria mais tarde com ela e deu atenção a sua cunhada que ainda apertava o filho contra si.


Hermione evitou o príncipe com muita precisão nos dias que se seguiram. Ela atendeu todos os feridos, fez a poção que curaria todos os que tocaram em Voldemort e Gina, cuidou de Minerva, cujo aspecto melhorava a cada dia, e, é claro, ficava horas junto de Luna, contando-lhe passo a passo os anos que ela perdera do filho.
Harry estava muito ocupado igualmente, ajudando Draco a organizar o castelo e as defesas, além de ajudá-lo a receber os vassalos que se amontoavam às portas do castelo. Todos queriam prestar-lhe fidelidade, ansiosos por demonstrar que não seguiam a Voldemort por vontade própria. Nem Harry, nem Draco surpreenderam-se muito ao descobrir que a grande parte das mulheres na ala das excluídas haviam sido raptadas como forma de coagir suas famílias a obedecer Voldemort.
Aos poucos, Penedo começava a demonstrar sua faceta mais brilhante.
Lady Cho não desgrudava de Harry um minuto que fosse, sob a desculpa de que poderia ajudar ao Rei a conhecer o castelo e os servos. O príncipe de Atalaia estava irritado com Hermione e não percebia que ela fugia dele exatamente porque ele não abandonava o lado de sua amante mais famosa.
Uma semana se passara quando Draco e Harry foram surpreendidos com a comitiva que vinha de Atalaia. O Rei Ronald, acompanhado por Padre Snape, ingressavam nos domínios de Penedo, com presentes de boa vizinhança. E Draco resolveu que era hora de realizarem uma festa em comemoração à libertação de Atalaia e de Penedo.
Mas antes, Harry conduziu o irmão até os aposentos de Luna. Hermione estava lá, como sempre, e o príncipe sufocou a vontade de arrastá-la até um aposento qualquer e forçá-la a falar com ele, ou a fazer amor, de preferência o segundo.
Ronald sentiu as mãos suarem quando os dois se aproximaram da porta escura.
— Ela está aqui? — Ele perguntou sem necessidade.
—Sim, irmão, ela está aqui — Harry concordou compreendendo a ansiedade do rei.
— Tudo bem — o Rei murmurou respirando profundamente.
Então ele empurrou a porta e viu sua doce esposa sentada ao sol, enquanto Hermione lhe penteava os cabelos e cantarolava uma canção suave e morna como aquela manhã.
Luna o encarou e seus olhos tremeluziram.
— Ron...
O Rei avançou até ela e caiu de joelhos a sua frente, tocando-a no rosto com os dedos trementes.
— Luna.
Ela tocou os cabelos ruivos dele e em segundos depois os dois beijavam-se longamente. Toda a saudade, todo o amor albergado por doze anos escapavam pelas fracas muralhas que eles construíram para se proteger da dor. Abraçaram-se beijando-se e murmurando:
— Eu te amo, meu deus, amo tanto.
— Eu também, senti tantas saudades.
Não daria para perceber quem falava e quem repetia.
Hermione tratou de sair quando o Rei havia se ajoelhado à frente da Rainha, escapulindo pela porta com ligeireza. No entanto, fora barrada por Harry que a segurara pelo pulso.
— Quando é que você vai parar de fugir de mim? Eu me lembro bem que você me deve uma conversa, Hermione.
Ela sentiu o coração dar um tombo. Céus, ele precisava ser tão bonito? E ela sentia tanto a falta dele... Não! Ele estava com Lady Cho, estava claro que não havia espaço para uma simples curandeira na vida dele. Assim, optou por fazer-se de desentendida:
— Conversa? Vossa Alteza me perdoe, mas não lembro de conversa alguma. Agora, se me der licença...
— Maldita seja! Hermione o que está acontecendo? Por que você está fugindo?
A curandeira o olhou como se estivesse ferida. E ele não sabia como aquilo poderia ter acontecido. Eles mal se falavam. E ele estava sempre trabalhando.
Harry abria a boca para indagar o que acontecera quando ouviu a voz de Lady Cho dizendo:
— Ah, aqui está você, meu querido. Estou procurando-lhe já algum tempo. Vamos, eu tenho que lhe levar até o depósito de armas.
— Como eu ia dizendo, Alteza — Hermione resmungou enquanto torcia seu pulso até soltar-se. — Tenho que ir.
Harry observou os belos cabelos castanhos sumirem na próxima curva do corredor, enquanto Lady Cho lhe agarrava pelo braço. Ela franziu o cenho ao vê-lo preocupado com aquela camponesa metida e resmungou:
— Espero que aquela criada não tenha lhe incomodado, Harry. Acho que terei de reclamar das atitudes dela ao Rei.
— O que? — Ele indagou sem entender.
— Aquela mulherzinha que sempre está enfurnada no quarto da Rainha Luna ou da Rainha Pansy, além de fazer com que o pequeno príncipe e a princesinha a sigam de lá para cá. Por Deus, ela invadiu meu quarto no dia da retomada e derrubou meu roupeiro com todos os meus vestidos favoritos apenas para chegar até a Rainha Luna. Eu lhe digo, Harry, a criada é um horror.
Harry suprimiu um sorriso ao descobrir que Hermione tivera força para derrubar o imenso roupeiro que havia no antigo quarto de Lady Cho e interveio, enquanto era arrastado para o pátio:
— Ela não é uma criada, Lady Cho. Hermione é uma princesa e é madrinha dos dois pequenos pirralhos reais.
Lady Cho ficou calada. Ela não achara que a mocinha fosse tão importante. Ainda que a pequena mulher tivesse cuidado de quase todos os soldados machucados sozinhos, para a morena beldade, Hermione era apenas mais uma entre uma legião de empregados. Na verdade, a Lady de Penedo antipatizara imediatamente com a fogosa mulher de cabelos revoltos e olhar superior.
— Bem, isso não nos interessa não é mesmo querido? Ela deve ser muito feliz com aquele homem bobo de fala mansa que a segue para cima e para baixo, e que vive a me importunar.
Harry franziu o cenho incomodado com o tom maligno que Lady Cho utilizava.
— Se você estiver se referindo ao Príncipe Sírius, temo que esteja enganada, porque ele é o tio de Hermione. E a mim sim, interessa tudo o que se relaciona com ela.
Lady Cho parou bruscamente e o encarou confundida.
— Como? Mas eu pensei... Pensei que agora que estamos livres...
Harry bruscamente compreendeu o que magoara Hermione. Lady Cho agia como se eles tivessem algum compromisso. A curandeira devia pensar que tinha sido enganada. Diabos, ele conhecia bem a sensação. Foi exatamente o que sentira quando vira ela e Dom Sírius abraçados.
Ele separou-se dela e pigarreou. Tentaria ser o mais delicado possível...
— Lady Cho, eu nunca lhe prometi nada. Se eu dei a impressão que lhe assumiria sinto muito, mas essa nunca foi minha intenção. Eu aprecio muito a ajuda que nos deu durante todos estes anos e sou-lhe muito grato por ter salvado minha cunhada, mas é só. Eu gostaria que continuássemos como amigos, mas se não for possível, compreenderei.
A mulher sentiu as esperanças partirem-se. Tantos anos de devoção a ele... E, no entanto, ela sempre soube, de certa forma, que ele não a queria permanentemente. Talvez tivesse sonhado demais. Sonhado e se magoado. Ela apertou os punhos com força ao lado do corpo a fim de controlar as lágrimas.
— É claro, Alteza. Eu lhe mostrarei o depósito e depois me retirarei para me preparar para o banquete. Por favor, me siga.
Harry sentiu-se mal por mais uma vez fazer sofrer aquela mulher incrível. Entretanto, seu coração já pertencia a outro alguém, e ele esperava que durante a festa conseguisse resolver os problemas com ela.


Benjamin de Atalaia estava inquieto em seu quarto. Sua madrinha o tinha enviado para lá com um sorriso muito suspeito e com a promessa de uma surpresa. Benjamin não gostava de surpresas pela leve sensação de que elas sempre poderiam ser mais desagradáveis do que agradáveis.
Pelo menos ele livrara-se por alguns minutos de Bella. Não que ele não a amasse como sua pequena companheira de folguedos, mas ela andava meio insuportável desde que descobrira que era uma princesa. Os Deuses lhe dessem forças porque se ele ouvisse mais uma vez o quanto ela era importante, o jovem ruivinho torceria o pescoço da princesinha impertinente.
Agora, o dia escurecia cálido e pacífico, como uma promessa de tempos temperados que se estendia por seus olhos. Ele ouviu a porta abrir, mas pensando que fosse sua sagaz amiga, fingiu não se importar e sequer olhou para lá.
— Eu posso entrar? — Perguntou uma voz grave e forte, que provocou curiosidade instantânea no jovem.
— É claro que...
O resto da frase ficou perdido no limbo de sua mente. Porque tudo o que Jim conseguia registrar era o homem alto e ruivo que se erguia diante dele. Rapidamente, o garoto reparou que ambos tinham os mesmos cabelos vermelhos berrantes e o mesmo nariz levemente arqueado, como uma ave de rapina.
Era chocante encarar sua versão mais velha, e melhorada na mente jovem que comparava seus braços magros àqueles musculosos que ainda seguravam a porta.
O Rei Ronald ficara tão aturdido que se segurou à porta a fim de manter-se em pé. Luna não mentira nem um pouco. Ele era sua cópia, não fossem os olhos. Eram os olhos de sua mãe, doces e serenos, com uma sabedoria imprópria para a tenra idade do rapazinho.
Aqueles minutos imprecisos e desconfortáveis estenderam-se de forma infinita. Nenhum dos dois sabia ao certo o que fazer.
Então Jim, com sua audácia infantil e seu coração transbordante de felicidade, atravessou o quarto e abraçou o gigante ruivo pela cintura pronunciando uma palavra que há muitos anos guardava em sua mente e em seu coração:
— Papai.
Isso foi o suficiente para que o orgulhoso rei caísse de joelhos e pressionasse o corpo franzino do filho contra si, numa mistura tão caleidoscópia de sentimentos e sensações que, por um segundo, sentiu o coração parar, para logo em seguida iniciar um batimento louco e violento contra suas costelas.
— Meu filho.
E isso foi tudo o que os dois precisaram para trocar as saudades e a necessidade que um tinha do outro. Um abraço, e as palavras certas.


— Filha tem certeza?
Ela olhou à volta e controlou as lágrimas mordendo o interior da bochecha. Ela não tinha muita certeza de nada naquele momento. Mas sabia que não poderia continuar daquele jeito.
— Tenho, tio. Vai ficar tudo bem.
Dom Sírius não estava muito de acordo com aquilo. Como membro da realeza convidado de honra, ele deveria permanecer em Penedo por mais duas semanas. Mas tinha uma violenta vontade de seguir a sobrinha.
— Bem, você conhece o caminho, querida. Os ciganos voltaram há três dias, você não ficará completamente sozinha. Eu realmente preferiria que você esperasse até o amanhecer. Eu sei que pelo caminho oficial são apenas quatro horas mas...
Hermione interrompeu o tio o abraçando fortemente.
— Eu amo o senhor, titio, mas eu tenho que ir. Por favor, não conte a ninguém onde fui. Já me despedi dos meninos e dos Reis. Cuide de tudo, sim?
A castanha beijou-o com carinho na bochecha e lançou-se para cima de seu cavalo Cedar. Em seguida, deu uma última olhadela no castelo de Penedo, pois, se tudo desse certo, ela demoraria a retornar.
Então partiu sem lançar um único olhar para trás e sumiu no lusco fusco do anoitecer.
Dom Sírius suspirou ainda incomodado com a decisão de Hermione, mas certo de que jamais conseguiria convencê-la a ficar e esperá-lo, ele havia decidido respeitar os desejos da sobrinha.
Um pouco preocupado e um tanto amargurado, Dom Sírius entrou no castelo e dirigiu-se ao salão principal, onde já se ouviam os acordes dos pajens e as risadas dos vassalos.
Penedo tinha uma nova aura, e isso se via na alegria sempre presente nos olhares dos cortesãos. Mas Dom Sírius tinha certeza de que não seria sempre assim. Em algum momento a inveja e a amargura voltariam a envenenar as mentes mais fracas e o Rei Draco enfrentaria as intrigas da corte. O loiro rei deveria aproveitar os dias de paz.
Ao entrar pelas brilhantes portas negras, o príncipe dos ciganos logo encontrou com os gêmeos cortejando suas esposas. Angelina sorria deliciada com todos os cuidados que Fred lhe dispensava. Ela havia tido algumas contrações pela manhã, mas Hermione lhe garantira que era apenas alarme falso. Para curandeira, Angelina ainda demoraria umas duas semanas antes do dia fatal.
Ele cumprimentou a família Weasley e dirigiu-se até as duas Rainhas. A loira e a morena sorriam para os filhos, tentando os animar, mas parecia que nada do que as duas fizesse, diminuiria o amuo dos dois. Eles queriam a madrinha. Saber que ela não estava entre eles e que iria para muito longe os deixou terrivelmente mal humorados e tristes.
— Olá, meus caros príncipes, olá Vossas Majestades.
— Olá Dom Sírius — respondeu Pansy alegremente.
— Olá Alteza.
As duas crianças permaneceram caladas. Os três adultos trocaram olhares e Pansy tentou:
— Vocês deveriam cumprimentar Dom Sírius, crianças, o que Hermione diria desse comportamento tão pouco cortês?
— Oi — os dois responderam com uma voz abafada.
Dom Sírius compreendeu perfeitamente o estado de ânimo dos garotos e já ia tentar animá-los quando sentiu uma mão de ferro fechar-se sobre seu braço, ao mesmo tempo em que uma voz ameaçadora lhe indagou:
— Onde está Hermione?
— Foi embora — resmungou Bella, antes de encarar o príncipe. — Foi por sua culpa que a madrinha nos deixou!
— Bella — Pansy interrompeu com um olhar repreensivo.
Harry empalideceu ao ouvir que Hermione havia partido. Por que ela teria ido? Quando?
A princesa Isabella não percebeu nada de diferente e continuou seu discurso:
— Nada de “Bella!”, mamãe. Ele estava sempre importunando ela, desde a primeira vez que a viu lá no bosque. A madrinha fugiu dele todo este tempo, mas ele não desistiu enquanto não a fez partir para longe e...
Príncipe Harry não ouviu o resto. Apenas saiu do salão a passos largos, surpreendendo os dois reis que conversavam num canto e esperavam trocar informações com ele sobre estratégias de defesa.
Draco e Ronald trocaram olhares assustados antes de se dirigirem até as esposas.
— Que bicho mordeu o Harry? — Rei Draco perguntou aos meninos.
Eles deram os ombros numa atitude displicente, e Dom Sírius teve de lutar para conter o sorriso e arrebatou uma caneca de vinho de um dos criados.
Ele sabia onde Harry havia ido, o que significava que a adorável e arredia Lady Cho estava novamente disponível. Ah, talvez ele ficasse uns dias a mais desfrutando do conforto do castelo de Penedo. E do prazer de uma conquista difícil.


O pobre Ares resfolegava enquanto Harry cruzava a fronteira com Atalaia. Hermione não poderia estar tão mais a frente. Ele conhecia o cavalo de Hermione, era um animal resistente e caprichoso, mas não era muito veloz.
A angústia apertava o coração do guerreiro. Ele não podia perdê-la. Não depois de finalmente ter encontrado uma mulher que o completava. Ele precisava dela como do ar. E se Hermione pensava que poderia simplesmente afastar-se dele que ele aceitaria, a curandeira estava muito enganada. Ele a amarraria na cama se fosse necessário.
Aliás, ele a amarraria mesmo se não fosse necessário! A imagem dela subjugada a ele já lhe induzia a uma série de fantasias que lhe ardiam diretamente na virilha.
Porém, nenhum de seus pensamentos se concretizaria se ele não a encontrasse.
Essa simples conclusão lhe roubou o fôlego e ele incitou Ares a galopar com mais velocidade.
Enquanto isso, Hermione voltava a marchar com calma entre as árvores. Aproveitando o vento morno do verão que lhe resvalava pelo rosto num afago doce e tépido.
Estava numa contemplação filosófica das maravilhas da vida quando ouviu o galope que se aproximava. Prontamente ela guiou Cedar para o meio da floresta e aguardou silenciosamente a aparição do cavaleiro.
Não que ela tivesse medo. Afinal, o final do reinado de terror de Voldemort acalmara toda a região, e mesmo os ladrões andavam em recesso de suas atividades corriqueiras.
Ela não pode conter o espanto quando viu o príncipe instigando seu corcel. Ele estava magnífico montado em pelo, conduzindo Ares como se fosse uma parte de si mesmo.
Curiosa pela aparição de Harry e temerosa de que ele sumisse como um devaneio, Hermione conduziu Cedar lentamente de volta a estrada, fazendo Harry quase saltar sobre o pescoço de Ares ao fazê-lo parar.
O príncipe e a princesa fitaram-se longamente, analisando e supondo quem iria quebrar o silêncio primeiro.
Dessa vez, só dessa vez, eu vou deixar ele falar primeiro, pensou Hermione. Não vou falar nada, só escutar, só escutar...
— O que Vossa Alteza faz por aqui? — Hermione questionou.
— Vim buscá-la, Hermione.
Ela arqueou a sobrancelha demonstrando sua confusão.
— Como?
Harry desceu do cavalo e foi até ela retirando-a da encilha e a carregando no colo até Ares. Hermione começou a se debater reclamando:
— Alteza! Alteza me ponha no chão imediatamente! Alteza!
Harry não se importou com os socos e os arranhões. Na verdade ele não sentia muita coisa. Ele queria era continuar tendo-a bem próxima de si, com seu cheiro de camomila e hortelã, e seu gosto de morangos maduros.
Ele a montou em Ares com um ar muito decidido, para desgosto de Hermione e depois a seguiu, segurando-a com firmeza contra o corpo musculoso. A curandeira estava prestes a fraquejar e sabia, o que a tornava ainda mais inquieta.
Depois de ter Cedar preso à sela de Ares, Harry iniciou um galope furioso pela floresta, na direção leste, fazendo Hermione parar de se debater e indagar:
— A onde, diabos, estamos indo?
— Estamos indo conversar. Nossa conversa lembra-se Hermione? Aquela que me deve faz mais de uma semana? — Harry respondeu com certo cinismo.
— Não temos conversa nenhuma seu... seu.. Deixe-me em paz e volte para a Lady Cho! — Hermione gritou debatendo-se novamente.
Harry estava excitando-se muito com os movimentos contínuos das ancas macias de Hermione diretamente contra seu corpo. Assim, para que ela entendesse a mensagem, parou os cavalos, virou-a para si e retrucou:
— Não existe nada entre mim e Lady Cho. Agora fique quieta, ou eu a despirei em cima do cavalo e a tomarei como meu corpo deseja. Ou então esperaremos até nossa casa.
— Nossa casa? — A castanha balbuciou meio enevoada entre as imagens eróticas que rondavam sua mente.
— Sim, o castelo de Aires, nosso castelo — Harry afirmou satisfeito que ela havia se acalmado.
Ele a puxou para perto e beijou-lhe duramente antes de afastar-se, ainda com os dedos entremetidos nos cabelos revoltos e maravilhosos de Hermione.
— Hermione — ele sussurrou junto aos lábios dela. — Vamos para casa, nossa casa. E vamos fazer amor. Lentamente, como na nossa última noite. E vamos ter filhos. Eu nunca percebi como quero filhos até reencontrar você. Teremos uma menina linda como você. Ou mais meninas, todas com seu fogo e seu espírito. E seremos felizes. Seremos eternamente felizes. É só você dizer que sim.
Hermione realmente queria acreditar que eles seriam felizes. Eternamente felizes. Mas ela não estava segura dos sentimentos dele. Ainda que aquela não tivesse sido uma declaração romântica e doce, vinda do príncipe Harry ela era a maior declaração de amor de todos os tempos. Ele afastou-se e a encarou.
— Eu...— começou Hermione um tanto desorientada
— Apenas diga sim, Hermione — Harry falou mordiscando-lhe orelha.
Ela o encarou novamente. O príncipe tinha os olhos verdes ansiosos postos nos dela. E ela soube que ele a amava.
— Sim — ela sussurrou antes do príncipe beijá-la ardorosamente.
Eles partiram em direção do castelo de Aires sem se importar que levariam três dias de viagem e não tinham mantimentos ou roupas para enfrentar o caminho. Estavam alimentando-se e vestindo-se do sentimento que compartilhavam. Isso certamente chocaria a todos que os conheciam.
Quando chegaram aos limites da terra de Aires Harry sussurrou a Hermione, que estava encantada com a noite perfumada e com tudo o que estava acontecendo:
— Bem vinda ao lar, minha princesa. É aqui que irei lhe amar até o fim de nossos dias.
Hermione sorriu.
A batalha havia terminado. Ambos rendiam-se, e não havia vergonha naquela derrota em especial. Havia Honra e Glória sem fim, num futuro grandioso e repleto de possibilidades.


N/A Carla Ligia: O que escrever no fim que não é um fim, mas o princípio de tudo? O que dizer às pessoas fabulosas que me inspiraram a continuar escrevendo ultrapassando obstáculos que se interpuseram de forma vil no continuar da fic? Eu, sinceramente não sei. E estou ficando emotiva... Eu detesto ficar emotiva... meus olhos ficam nublados e minha garganta arde e meu nariz coça e parece que vou chorar a qualquer minuto. E eu me prometi não chorar e prometi continuar um epílogo que não sei quando vou conseguir terminar, mas que vou postar, eu juro... E prometi ser forte. E me prometi ter um final que não fosse bobo também..¬¬... Como vêem tem dificuldades sérias e cumprir com o prometido, hihihihihihihi, em especial com o final bobo... hihihihihihihihi. Mas tudo bem né? Todo o resto da fic não foi tão bobinha...*-*... Bem, uma coisa eu tenho de garantir, eu prometi um hiper mega capítulo e aqui está ele. Eu prometi respostas aos anseios dos leitores e aqui estão elas e prometi um final feliz e aqui está ele...=)... Não teve N/C, eu sei...¬¬.. Mas teve emoções inimigináveis... Teve reencontros e descobertas e amores e... bem, e lutas é claro, e morte dos malvados também, que foram muito boas, pelo menos eu gostei demais...*-*... E teve vocês aqui de novo, lendo comigo, acompanhando o último capítulo... Lá vou eu ficando emotiva novamente... Eu farei a N/A de despedida oficial no epílogo que aviso desde já vai demorar. Eu sei que vocês estão chateados, mas esta é uma época do ano muito complicada para mim. Aumenta o serviço e eu estou estudando para os concursos nos quais me inscrevi. Eu vou postar o epílogo ainda este ano, é tudo o que posso prometer e cumprir, e conto com a compreensão de todos. Não vou me perder em conversas de como o Harry amadureceu e caçou Hermione para si, nem de como os ruivos reais são másculos quando dizem poucas palavras e se abraçam com emoção. Não, isso eu deixarei para vocês. E deixarei as lágrimas também..*enxuga a lágrima do cantinho do olho*.. Porque eu sou uma Corvinal do Mal e corvinais do mal não choram. *assoa o nariz*. E eu queria fazer uma N/A pequena e cá estou eu numa big N/A novamente. Eu queria agradecer a todos que acompanharam a fic até aqui. Aos que comentaram, aos que votaram, aos que me adicionaram no MSN para fazer ameaças de morte... E, é claro, aos que simplesmente leram. Obrigada por tudo, pelo apoio, pelos elogios, pelas ameaças, por desconsiderarem meus errinhos de digitação ao longo dos capítulos...*-*... A fic não seria a mesma sem cada um de vocês. E um agradecimento especial a Janete que me apoiou além do imaginável além de postar a fic toda no login dela. Foi minha amiga, minha beta, minha incentivadora, minha principal crítica. Janete, nós podemos estar separadas pelo oceano, mas a nossa amizade não reconhece fronteiras, porque os sentimentos e a imaginação não podem ser limitados, obrigada por tudo. Além disso, tenho que fazer um agradecimento especial à Jessy, minha amada capista e amiga. À Dy, que mesmo desaparecida, ainda vem me puxar as orelhas sobre BeH. Wild, vocês são demais...*-*... Ai, se eu fosse agradecer todo mundo que comentou um por um pelos motivos que me emocionavam eu escreveria outras vinte e quatro páginas...*-*... Gente eu vou fazer minha despedida oficial no epílogo.. então parem de chorar... *autora afunda o rosto no lenço, depois assoa o nariz*... Vamos tentar nos conter, tudo bem? E, para não perder o costume: BEIJOCAS ESTRELADÍSSIMAS ÀS ESTRELAS DO SHOW, ou seja, MEUS COMENTARISTAS AMADOS!!!!!Uma salva de palmas para eles... BEIJINHOS para meus MUDINHOS DE PLANTÃO, estalem os dedos para eles por favor... E até o epílogo.
PS1: Eu tinha prometido não tinha, então aqui vai o significado dos nomes dos nossos dois reinos fictícios:
Atalaia: Vigia; sentinela; s.f. ponto elevado de onde se vigia.
Penedo: Rocha, penhasco; recife; grande pedra.
PS2: PERDÃO PELA DEMORAAAAAAAAAAA.
PS3: As respostas a todos os comentários vêm com o epílogo, prometo em nome da Santa Carla Ligia protetora das memórias fracas e oprimidas.

Beijocas estreladas mais do que super galácticas a:
Claudiomir
Jessy
Hermione
Nanda
Doninha
Nuna
Nick
Paula
Betina
Proserpine
Teresa
Mione03

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