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4. CAPÍTULO 4


Fic: A Prometida - UA - HH


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Mil desculpas pela demora...

**RE**: submissa nunca, neh... hehehe... bem, a reação vc confere neste post...

Nick Granger Potter: garanto que vc vai odiar ainda mais...

Hermione.Potter: "jantares me perseguem" ashashashsahsahsha... sabe que eu naum tinha percebido... kkkkkk... mas pensa pelo lado positivo... vc fica sabendo o resultado td de uma vez...

camila de sousa: legal saber que vc tah gostando... tem mais ae...

Hermione.Potter: tah ae...

Se alguém ainda qser ler... Bjus a tdas...
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Harry estava no salão pomposo, ansioso para o jantar. Seu anfitrião parecia não ter pressa. Estava descrevendo longamente seu último brinquedo — um iate de 150 pés que acabara de comprar. Seus olhos piscavam de satisfação.
— E você, meu amigo — disse ele, batendo nas costas de Harry com uma mão ainda poderosa —, será o primeiro a experimentá-lo! Passará sua lua-de-mel nele. O que acha disso, hein?
Harry sorriu brevemente. Uma lua-de-mel passada a bordo do iate de Coustakis enviaria ao mundo a mensagem que ele queria.
— Bem, bem... — disse o avô de sua futura noiva, e bateu-lhe mais uma vez nas costas, virando a cabeça em seguida. Harry automaticamente seguiu seu olhar. Uma criada abrira as portas duplas para o salão.
Alguém entrou.
Era a tentadora de cabelos dourados!
Harry sentiu um golpe no estômago, tão poderoso quanto indesejado.
O que ela está fazendo aqui?
A mulher estancara por um momento na entrada — assegurando-se de que todos os olhos estivessem nela, pensou Harry — e agora deslizava na direção deles. Sua cabeça estava erguida — o glorioso cabelo castanho preso em um coque que revelava a perfeita estrutura de seu rosto estonteante. E o resto...
Harry prendeu a respiração novamente. O vestido caía-lhe maravilhosamente bem, revelando a exuberância de sua figura ainda mais generosamente que a jaqueta apertada que usara à tarde. Agora, em vez de imaginar sua pele leitosa, ele a via, um pescoço de cisne na beleza esculpida de seus ombros, a curva graciosa de seus braços nus e, melhor do que tudo, a elevação de seus seios generosos.
Sentiu uma vontade enorme de acariciá-los...
Como um sopro frio na nuca, sentiu Coustakis observando-o. Vendo-o desejar sua amante.
Teve nojo. Qualquer que fosse o jogo que o velho estivesse jogando, trazendo sua amante para o jantar, tendo prazer ao ver seu convidado reagir a seus charmes generosos, ele não teria nada disso! Sua expressão se endureceu.
Para Hermione, passando pelas portas e depois estancando estupefata quando viu o mesmo homem que tentava esquecer a noite inteira, de pé, ali, ao lado de seu avô foi como um déjà vu. Assim como o primeiro encontro, o desejo nos olhos do homem foi substituído por desprezo.
E, assim como no terraço, ela reagiu instintivamente. O seu queixo se ergueu, os olhos brilharam perigosamente.
Ela estava satisfeita com sua raiva — isso a distraía do fato de que seu coração batia como um tambor e de que seus olhos colavam-se ao rosto dele.
Ela estancou, e seus olhos se encontraram com os do estranho, desafiadores e brilhantes.
— Bem — disse Coustakis ao homem que escolhera para genro. — O que você acha dela?
O que eu digo?, pensou Harry ansioso. Disse a única coisa possível.
— Como sempre, Yiorgos, você tem um gosto impecável. Ela é extraordinária.
Hermione notou que ele falava grego. Seus olhos iam de um para o outro.
— Você deve ser invejado — Harry continuou, com educação, perguntando-se o que dizer sobre a mulher que esquentava a cama do velho. Estava cada vez mais enojado. Queria sair dali — rápido.
Yiorgos Coustakis sorriu.
— Eu a dou para você — disse. Fez um gesto de apresentação com sua mão. A satisfação em sua voz era gritante. Harry gelou. Que merda era aquela? Será que era algum consolo que o velho imaginava que ele pudesse querer por dormir com sua neta feia e assexuada? Se fosse isso, era melhor esclarecer este engano.
— É generosidade demais — ele conseguiu falar. — Mas eu não posso aceitar.
Um olhar de surpresa deliberada iluminou o rosto de Yiorgos.
— Como? — perguntou. — Eu pensei — ele fez uma pausa mínima, extraindo ao máximo o prazer que tinha com a situação, observando o desconforto de seu pupilo arrogante e ambicioso por mais um momento — que você queria minha neta... Que você estava impaciente por encontrá-la...
Deu uma risada curta, os olhos piscando com prazer malicioso enquanto observava o rosto de Harry mudar de expressão à medida que captava a verdade.
— Esta é minha neta, Harry. O que você imaginou? — perguntou baixinho.
Somente os anos de autodisciplina de Harry o fizeram manter a expressão firme. Por dentro, sentiu como se o chão se abrisse aos seus pés.
— Essa é sua neta? — ele se ouviu falar, como se buscando confirmação para algo inacreditável.
Yiorgos riu novamente, feliz com a peça que lhe pregara. Sabia perfeitamente bem as conclusões a que Harry chegara, como planejara, quando vira a moça naquela tarde, totalmente inconsciente de que a noiva feia que fora levado a esperar não o era absolutamente.
Ele olhou para a moça e ordenou imperiosamente.
— Venha aqui — disse em inglês.
Hermione se adiantou. Seu coração batia acelerado novamente. O homem com os olhos verde-esmeralda a fitava abertamente, e ela se sentia dormente com o modo como ele o fazia — parecia que 1 milhão de volts passavam por seu corpo.
Se pensara que ele estava deslumbrante naquela tarde, em seu terno feito à mão, agora, de smoking, ele lhe tirava o fôlego! Ela engoliu em seco. Isso é ridículo! Nenhum homem deveria ter tal efeito nela. Já vira caras bonitos antes, flertara com eles — beijara alguns — mas nunca nenhum homem a fizera se sentir assim.
Sem fôlego, aterrorizada, excitada!
Ao lado do homem, seu avô cessara de existir. Ela tinha uma vaga impressão de uma figura compacta, os ombros dobrados pela idade, e aquele rosto marcado e enrugado que ela captara quando estava sentado à sua escrivaninha naquela tarde.
Mas agora não tinha olhos para ele.
Estava simplesmente bebendo o homem ao seu lado — queria olhá-lo sem parar.
— Minha neta — disse Yiorgos. Harry quase não o ouviu.
Estava totalmente concentrado na mulher à sua frente. Theos, mas ela era fantástica! Será que era realmente a moça Coustakis? Não era possível. Com a fração de seu cérebro que funcionava, ele se conscientizou de que o velho lhe fizera deliberadamente acreditar que ele se amarraria a uma esposa feia, quando na realidade...
Ele sorriu. Então o velho armara isso! Mas ele não se importava. Podia até compartilhar da brincadeira! Sentiu-se aliviado, pensou, e algo mais — exultante.
Hermione viu o sorriso, brilhante, ameaçador, e sentiu o estômago virar. Ah, mas ele era lindo!
Harry se adiantou e pegou sua mão, beijando-a. Hermione viu a cabeça escura se inclinar como se em câmera lenta. Ainda não conseguia respirar, desde quando sentira os dedos longos e fortes segurarem os dela.
Sensações desconhecidas a tomaram. Ele estava acariciando seus dedos com os lábios. Levemente, tão levemente! Mas de maneira tão devastadora.
Ele levantou a cabeça e sorriu para ela.
— Harry Potter — disse, e fitou-a nos olhos. Sua voz era grave, o tom íntimo.
Ela o olhou, os lábios entreabertos.
— Hermione.
O nome saiu sussurrado, pois ela mal podia falar.
— Hermione... — ele repetiu seu nome, mais gravemente que seu contralto rouco. — Prazer em conhecê-la.
Deixou os olhos pousarem nela por um último, interminável momento, depois, dando-lhe o braço, voltou-se para seu anfitrião.
— Você é uma velha raposa, Yiorgos — disse, irritado —, mas nesse caso a brincadeira valeu a pena.
Os olhos de Hermione voavam de um para o outro — usavam novamente o grego. O que estava acontecendo? Depois, subitamente, Harry voltou-se para ela.
— Venha, deixe-me levá-la para jantar — sua voz era quente, e a carícia nela fez com que seus nervos a queimassem novamente, bem como sua poderosa proximidade, a mão dele em seu braço. Ela sentiu que precisava se afastar — mas não conseguia de jeito nenhum.
Como em um sonho, ele a levava para uma sala de jantar grandiosa. Este homem devastador, Harry Potter — Quem é ele? Ela se viu se questionando urgentemente —, puxou sua cadeira, afastando com um gesto o criado que veio para completar a tarefa, e a acomodou na cadeira com incrível gentileza.
Ela queria olhar para cima e agradecer educada e sorridentemente, mas não conseguia. A timidez a tomou de repente. Era algo como um conto de fadas — ela, vestida como uma princesa. E ele como um príncipe moreno!
Em vez disso, ela murmurou um tímido obrigada. E ele tomou seu lugar à sua frente na mesa, Yiorgos à cabeceira. Harry sentiu um profundo bem-estar.
Não poderia ter pedido uma noiva mais bonita! O velho Coustakis o honrava. Ele nunca seria grosseiro, mesmo com uma esposa feia, mas ter essa beleza de cabelos dourados ao seu lado, em sua cama, tornaria o casamento muito, muito mais doce!
Ele a fitou por cima da mesa. Ainda olhava para os pratos como se fossem a coisa mais interessante na sala, mas também estava consciente dele. Seu instinto masculino lhe dizia isso. Mas, mesmo se comportando como qualquer garota educada faria — mostrando timidez apropriada diante do homem com quem se casaria — bem, de que ele tinha que se queixar?
A lembrança da maneira como ela caminhara orgulhosamente pelo terraço, sua voz rouca quando tentara se apresentar conflitava com a cabeça baixa à sua frente. Ela deveria ter notado o olhar que ele lhe dera e ficado zangada — e com razão! Nenhuma mulher bem-educada gostaria de ser tomada pelo tipo que ele a tomara. Bem, agora que o mal-entendido fora esclarecido, ele não os perturbaria mais.
Franziu o cenho. A moça era inglesa, é claro — por sua cor e pela ausência de sotaque.
Quando o criado se adiantou para começar a servir o jantar, Harry fitou seu anfitrião.
— Você não me disse que sua neta era meio inglesa, Yiorgos — disse. Falou em grego, e quando notou a cabeça de Hermione se erguer, seus olhos se focalizaram intencionalmente no velho, concentrados.
— Uma pequena surpresa para você — ele respondeu. Seus olhos brilhavam. Harry deixou a boca se contrair.
— Outra — reconheceu. Depois voltou a atenção a Hermione. — Você mora na Inglaterra? Com sua mãe inglesa? — perguntou educadamente em grego. Devia ser por isso que se dirigira a ele em inglês naquela tarde.
Hermione fitou-o. Fez como se fosse abrir a boca, mas seu avô se antecipou a ela.
— Ela não fala grego — disse, abrupto, em inglês.
Harry esbugalhou os olhos.
— Como pode ser? — perguntou, mantendo o inglês.
— Digamos que a mãe dela tinha suas próprias idéias quanto à sua educação — disse Yiorgos.
Hermione fitou o avô — somente o fitou. Depois, como se soubesse por que ela o fitava, encarou-a. Sombria, intencionalmente. Com um olhar de aviso.
As palavras que ele dissera naquela tarde ecoavam na mente de Hermione. Você estará no primeiro avião para Londres a menos que faça exatamente, exatamente, o que eu quero que faça.
Ela se arrepiou. "Será que concordar com qualquer história de fadas que ele contaria a seu convidado fazia parte da ameaça? O que fazer?", pensou ela. "Abrir a boca e contar tudo de uma vez?"
E conseguir o quê, exatamente?
Sabia a resposta. Ser expulsa da casa de seu avô e enviada para Londres sem um centavo para sua mãe. Ela não voltaria para casa de mãos vazias; obteria para Jane o dinheiro que ela merecia, não importa o quanto custasse. Mesmo se significasse concordar com as tentativas de Coustakis de encobrir seu comportamento.
Ela cerrou os lábios e continuou quieta.
Do outro lado da mesa, Harry viu sua expressão, o brilho rebelde naqueles olhos. Então a menina havia sido criada na Inglaterra, por uma mãe que tinha suas próprias idéias? Idéias que incluíam privar a herdeira Coustakis de sua herança natural — a língua do seu pai, a família de seu avô. Que tipo de mãe é ela?, ele se perguntou. Uma imagem apareceu em sua mente — uma daquelas inglesas de língua afiada, aristocrática, arrogante, vestida com roupas caras, apreciando uma rodada social de pólo e festas. Ele fechou a cara. Por que havia se casado com Andréas Coustakis em primeiro lugar?, ele se perguntou novamente. Com certeza o casamento não teria durado, mesmo se o filho de Yiorgos não tivesse morrido tão novo. Ele se surpreendeu imaginando por que Yiorgos havia deixado a viúva levar sua neta de volta para a Inglaterra, ao invés de ficar com ela em sua casa. Bem, a generosidade dele fora mal paga! Agora tinha uma neta que nem sabia falar sua própria língua!
Eu poderia lhe ensinar...
Outra imagem passou por sua cabeça. A de essa beleza de cabelos dourados em seus braços enquanto ele lhe ensinava as coisas mais importantes que uma noiva grega precisava saber dizer ao seu marido — como seu desejo por ele...
Ele deixou sua imaginação pairar agradavelmente nessa expectativa enquanto começavam a jantar.
Através de suas longas pestanas, Harry observava divertido, Hermione começar a comer com gosto. Apesar de apreciar o seu prazer sensual na comida fina, a dieta cruel de Ginny sempre o irritara e Parvati era minuciosa em relação ao que comia também — ele teria que controlar o apetite de sua esposa. No momento ela podia comer bastante e não engordar — sua forma era exuberante e esguia, e estava no peso perfeito — mas se ela continuasse a consumir comida assim nos próximos vinte anos estaria gorda aos 40! Que idade teria exatamente? Quando a vira pela primeira vez, pensara em aproximadamente 25, mas Yiorgos não a teria mantido solteira por tanto tempo. Deveria ser mais jovem. Provavelmente sua mãe inglesa e a sociedade aristocrática da qual ela faria parte fizeram com que parecesse mais madura que na realidade.
Outro pensamento passou por ele, menos prazeroso. Se fora educada na Inglaterra, como poderia ter certeza de que era virgem? As moças inglesas eram notoriamente livres — todo homem grego sabia disso, e a maioria deles aproveitava-se do fato quando tinha uma chance! Algumas delas começavam sua vida sexual em uma idade vergonhosamente jovem. Será que ela ainda era virgem? Pensou em perguntar diretamente a Yiorgos, mas sabia que sua resposta seria: Você se importa o suficiente para abrir mão das Indústrias Coustakis meu amigo?
E ele sabia qual seria sua resposta.
Virgem ou não, ele se casaria com Hermione Coustakis e levaria as Indústrias Coustakis como dote.
O delicioso jantar — uma maravilhosa sucessão de pratos — serviu para tirar a mente de Hermione um pouco do homem à sua frente. Mas somente muito pouco. Depois, exatamente quando começava a se acalmar, ele começou a lhe falar:
— Em que parte da Inglaterra você vive? — perguntou-lhe educadamente, puxando conversa.
— Londres — ela replicou, ousando olhar brevemente para ele.
— Uma de minhas cidades favoritas. Sua vida lá deve ser muito agitada, não é?
— Sim — disse ela, pensando nos dois empregos que tinha, trabalhando à noite e nos fins de semana, economizando cada centavo para ajudar a pagar as dívidas de sua mãe. Jane também trabalhava e nenhuma das duas tinha muito tempo livre.
— Então quais são os melhores clubes de Londres no momento, o que você acha? — Harry continuou, nomeando alguns pontos da moda que Hermione vagamente reconheceu das revistas glamourosas.
— Essa não é realmente a minha praia — respondeu. Não somente não tinha tempo para isso, mas o tipo de vida noturna na parte de Londres em que vivia não era do que se mostrasse em revistas. De qualquer jeito, não dançava, e Jane a educara para preferir música clássica.
— Oh — replicou Harry, descobrindo gostar de sua resposta. Clubes eram associados à promiscuidade sexual e ele se sentiu reconfortado com a resposta. — Então, qual é a sua praia, Hermione?
Ela o fitou. Provavelmente estava só puxando conversa com a neta de seu anfitrião.
— Eu gosto de teatro — disse. Era verdade. O maior presente que podia dar a Jane e a si mesma, era ver a Royal Shakespeare Company visitar o National Theatre, ou ir a alguns dos vários teatros de Londres. Mas as entradas eram muito caras, então era algo que não se permitiam freqüentemente.
— Eu prefiro Shakespeare — disse ela.
Soube imediatamente que dera a resposta errada. Olhou assustada! para o avô. Seus olhos se alteraram de algum modo, e ela podia sentir a desaprovação focalizada nela. E daí?, pensou. Será que não podia gostar de Shakespeare, pelo amor de Deus?
A resposta veio um momento mais tarde.
— Nenhum homem gosta de uma mulher pretensiosa — disse o velho, rudemente.
Hermione piscou. Gostar de Shakespeare era intelectualmente pretensioso?
— Shakespeare escreveu peças para o povo — informou calmamente. — Não há nada de elitismo intelectual na obra dele, se ela não for tratada assim. Claro que há coisas profundas em seus escritos, que podem manter os acadêmicos felizes durante anos discutindo-os, mas podem-se apreender as peças de várias maneiras. São muito acessíveis, especialmente em produções modernas que fazem de tudo para atrair os que, como o senhor, são afastados pela aura envolvendo Shakespeare.
Yiorgos pousou sua faca e seu garfo. Seus olhos batiam de raiva.
— Pare de tagarelar como uma imbecil, garota! Segure sua língua se não tem nada útil para dizer! Nenhum homem gosta de uma mulher exibida!
A emoção mais forte na reação de Hermione foi a surpresa. Simplesmente não conseguia acreditar que estava sendo criticada por defender seu gosto por Shakespeare. Automaticamente, viu-se olhando para Harry Potter. Será que ele compartilhava da opinião antediluviana de seu avô sobre as mulheres e suas pretensões intelectuais?
Para seu alívio, viu que havia um brilho distinto de humor conspirador em seus olhos ao encontrá-los.
— Então — disse Harry suavemente, vindo ao socorro da moça —, qual é a sua peça favorita de Shakespeare? — Ele ignorou o olhar vindo de seu anfitrião e continuou com a conversa que ele desaprovava.
Hermione também o ignorou, feliz em saber que o convidado de seu avô era mais liberal em suas expectativas quanto ao interesse feminino.
Recomeçou a comer seu jantar. Do outro lado da mesa, Yiorgos lhe pediu a opinião sobre algum aspecto da economia global. Com certeza ele já ouvira o suficiente de sua neta.
Depois, após o último prato ter sido tirado — e ela se sentia como se não pudesse nunca mais ver uma refeição luxuosa — seu avô subitamente afastou a cadeira.
— Vamos tomar café no salão, depois de eu ter verificado os mercados americanos — anunciou. Olhou significativamente para Harry e se levantou. — Juntem-se a mim em vinte minutos.
E saiu da sala.
— Até mesmo em sua idade ele não abre mão de seu domínio, nem por um segundo — disse Harry. Seu tom de voz, pensou Hermione, parecia quase desaprovador.
— Com certeza ele tem dinheiro suficiente para isso — disse ela, amarga.
Harry, que se levantara quando o velho o fizera, olhou para ela.
— É fácil dizer isso — observou, direto — quando se viveu no luxo toda a vida.
Ela o fitou. Novamente o espanto subiu por seu peito. Será que isso era parte do conto de fadas de seu avô? Não disse nada — Harry Potter era o convidado do homem que financiaria a mudança de sua mãe para a Espanha. Era desnecessário revelar a ele os segredos desagradáveis de família.
Ele veio para o seu lado da mesa e estendeu a mão, abrindo os lábios.
— Venha — disse. — Temos vinte minutos só para nós. Vamos aproveitá-los ao máximo.
Pensando que a companhia de Harry era bem mais suportável que a de seu avô, Hermione o acompanhou, a mão em seu braço — a sensação perturbadora e excitante redescoberta — para o terraço onde o vira pela primeira vez naquela tarde.
O céu estava cheio de estrelas. Ela deu um pequeno suspiro de prazer e se adiantou, colocando as mãos na balaustrada e olhando para os jardins sombrios. Começou a pensar em seu pai. "Oh, por que ele tivera que morrer daquele modo?"
Harry estava atrás dela, bem perto, o que a fez sentir-se desconfiada, mas algo mais também, que fazia com que seu coração batesse mais forte.
— No que você está pensando? — perguntou Harry com uma voz grave, enquanto os dedos dele deslizavam por seu ombro nu.
Que o toque de seus dedos é como eletricidade aveludada...
— Somente em alguém em quem penso sempre — respondeu, tentando fazer com que sua voz soasse normal, quando cada nervo em seu corpo estava centrado nas sensações da pele dele tocando a sua.
Por que ele está me tocando? Não deveria! Acabou de me conhecer...
Ela queria se desvencilhar, mas não conseguia.
— Um homem? — havia um leve tom de ciúme em sua voz, mas ela não o captou. Só tinha consciência do deslizar de seus dedos em seu ombro nu.
— Sim — disse, sonhadora.
Sua mão se afastou.
— Qual o nome dele? — a pergunta foi uma exigência dura. Ela se voltou, confusa. Por que estava zangado? Será que era somente porque uma garota grega solteira não devia pensar em homens?
— Andréas — respondeu, rude. Enquanto falava observou que a raiva, apesar de inadequada, parecia ter tornado seus traços mais marcantes.
— Andréas? Quem é Andréas?
Ela ergueu o queixo. Qualquer que fosse o direito que esse completo estranho parecia pensar que tinha de submetê-la à inquisição, ela lhe respondeu diretamente.
— Andréas Coustakis — disse, áspera. — Meu pai.
Ele se surpreendeu.
— Seu pai? — sua voz soava oca. Ele assentiu rapidamente. — Desculpe-me — fez uma pausa. — Você o conheceu?
Ela balançou a cabeça. Sua garganta se apertou. Ele deveria ter caminhado neste mesmo terraço, pensou. Conhecido essa casa. Saído em tumulto dali na noite em que morrera...
— Não. Mas minha mãe... Me fala dele...
Harry ouviu a rouquidão traidora em sua voz, o que o emocionou de um modo que não acreditava possível. Ele também nunca conhecera seu pai. Nem mesmo sabia quem fora...
E sua mãe nunca lhe falava dele, exceto para dizer que fora um marinheiro de folga. De um clima nórdico. Dada a altura de seu filho, talvez um escandinavo. Ela não sabia. Não se preocupara em saber.
A mãe de Hermione se preocupara. O suficiente para contar à sua filha sobre um pai que ela nunca conhecera.
Uma onda de inveja passou por ele.
— O que ela conta a você? — perguntou.
Será que era a doçura da noite no mar Egeu, pensou Hermione, que a fazia se sentir subitamente como se pudesse contar tudo a esse homem — e que ele compreenderia?
— Ela me conta sobre o quanto o amava — respondeu, a voz ecoando na escuridão do jardim abaixo, iluminado pelas estrelas. — Como ele a amava. Como a chamava de doce gaivota... como colocaria o mundo aos seus pés...
Sua voz se partiu.
— E então ele morreu — o soluço soou profundo em sua garganta. — E o sonho terminou.
As lágrimas ardiam em seus olhos. Cegando seus sentidos. Ela não sentiu os braços dele a envolverem, voltando-a para si, inclinando sua cabeça sobre seu peito de maneira que as lágrimas pudessem correr.
— Shss! — murmurou. — Shss!
Por um longo momento ela se deixou abraçar por aquele completo estranho que lhe mostrou tão inesperadamente a gentileza dos estrangeiros.
— Eu sinto muito — murmurou. — Eu acho que é por estar aqui, na casa onde ele viveu, e me conscientizar do quão real ele foi um dia.
Ela se afastou dele, mas ele não a deixou fazê-lo completamente.
— Não se envergonhe de chorar por ele — disse suavemente. — Você o honra com suas lágrimas.
Ela ergueu seu rosto para ele. As lágrimas brilhavam em suas pestanas como diamantes sob os céus estrelados. Sua boca tremia.
Ele não pode evitar. Nem um terremoto teria impedido que o fizesse.
Beijou-a. Capturou sua doçura, seu momento. Suas mãos deslizaram de seus cotovelos e passaram por suas costas esguias, puxando-a para ele.
Ela deu um suspiro suave. A língua dele deslizou entre os seus lábios entreabertos, provando o néctar lá dentro. Ele moveu sua boca vagarosamente, sensualmente, sobre a dela, e a sentiu tremer em seus braços.
Uma onda de desejo passou por ele. Ela era exatamente o que desejava que fosse. O corpo exuberante em seus braços, a boca macia sob a dele.
Aprofundou o beijo, as mãos como se por vontade própria descendo por suas costas para acompanhar a forma de suas nádegas redondas.
Hermione estava extremamente excitada. Sentia-se derreter contra, ele, o corpo se moldando ao dele, e a boca — oh, sua boca era como uma flor, dissolvendo-se em doçura.
Arrepios quentes percorriam seu corpo. Ela não conseguia se concentrar em nada, exceto nas sensações que enchiam suas veias, líquidas, doces, tirando-a do sério, afogando-a em desejo.
Então, com um lampejo de realidade, ela veio à tona, afastando-se dele. Estava chocada, tremendo.
— Não — a negativa saiu dela, os olhos distendidos, o coração acelerado.
O que estava negando?, pensou, loucamente. Que um breve momento de consolo humano se transformara subitamente em algo de tanta sensualidade que a abalava?
Ou mais? Negando — e seu estômago deu voltas quando encarou o que estava realmente negando — que algum dia em sua vida pensasse ser possível sentir tais sensações...
Notou que ele não a deixara se afastar. Ainda a segurava, as mãos em sua cintura. Ela se arqueava para trás, para longe dele, totalmente inconsciente da maneira como esse gesto empurrava seus seios na direção dele, fazendo-o desejar curvar sua cabeça e tocar sua boca cheia e excitada.
— Não — sussurrou ela novamente. Suas mãos tentaram afastar os braços dele.
Ele sentiu a pressão e a soltou imediatamente, contra todo instinto primitivo, que era mantê-la contra si, ainda mais perto, pressionar seu corpo quente e exuberante contra o dele, moldando-a a ele, sentindo suas curvas ricas, cada centímetro doce e delicioso dela...
Theos, como a desejava! Descobriu chocado que a queria com uma urgência dolorosa que não se parecia em nada com o desejo sexual impessoal e controlado que sentia por Ginny, ou Parvati — ou qualquer outra mulher com quem já tivesse dormido.
Será que era porque a mulher ali, naquele momento, seria sua noiva, sua esposa? Seria essa a primeira emoção de se ligar, de manter-se fiel a alguém, que desencadeara algo nele que nunca sentira antes?
Uma onda de possessividade feroz passou por ele. Era como uma revelação. Nunca se sentira possessivo em relação às suas mulheres antes — sempre soubera que para elas era apenas mais um macho, somente mais bonito e rico do que a maioria dos homens que as levava para a cama. Exclusividade, de ambos os lados, não era uma palavra adequada aos relacionamentos que desfrutara. Não importava a Harry. Não como o pensamento de Hermione Coustakis pensando sobre outro homem...
O sentimento de possessividade se intensificou. Era tão estranha quanto forte, e ele se entregou totalmente a ela. Então, enquanto o consumia, ele descobriu que estava indo rápido demais — muito rápido para si mesmo — e com certeza para ela.
Seus olhos se focalizaram nos dela.
Ela estava de pé, apoiada na balaustrada, ainda suficientemente perto para que a puxasse para si, mas ele não o fez.
A expressão nos olhos dela o impediu. Estavam chocados, encarando-o.
Por um momento ficou exultante. Ela sentira o mesmo que ele! Como se a revelação subitamente a fizesse ver o mundo de um modo completamente diferente. Depois ele notou que a reação dela ao que acontecera era mais temerosa.
— Hermione — disse suavemente —, não se assuste. Eu sinto muito ter apressado demais as coisas.
Um sorriso contraído apareceu em sua boca quando ela olhou para ele, ainda demasiado chocada e atraída para captar qualquer coisa.
— A culpa é da sua beleza — ele lhe disse. — É encantadora demais para se resistir.
Ela estremeceu. Ele gostara dela, e, assim, na primeira oportunidade, atirara-se sobre ela.
— Não me olhe assim — disse, pesaroso. — Eu não a tocarei novamente até que você queira. Mas não me culpe se eu tentar com muita força fazer com que você queira me tocar novamente...
Ele recuou, dando-lhe mais espaço.
— Venha — disse, e sua respiração estava mais ofegante do que ele desejava —, pegue a minha mão, só isso, e vamos caminhar um pouco. Nós temos, afinal, muito que conversar.
Ele tomou sua mão, e ela o deixou puxá-la para longe da balaustrada. Eles caminharam para a extremidade do terraço como se passeassem. O ar da noite refrescava o rosto quente de Hermione e lhe dava um momento para respirar.
Mas sua mente estava tão acelerada quanto seu coração!
O que ela fazia ali, em um terraço iluminado pelas estrelas, com um homem que lhe tirava o fôlego, e que por acaso a beijara como se ela nunca tivesse sido beijada em toda a sua vida?
O que ele dissera?, questionava-se. "Temos, afinal, muito que conversar."
O espanto a tomou. Será que esse era o estilo de conquista dos gregos? Ou ele estava tentando fazê-la se sentir menos pressionada e conversar educadamente de novo?
Olhava para ele enquanto caminhavam.
— Por que temos muito ainda que conversar? — ela perguntou. Sua voz ainda estava rouca, mesmo não devendo estar. Isso também era estranho.
Ele olhou para ela. Suas pestanas eram extraordinariamente longas, viu-se pensando bobamente. Isso fez com que perdesse completamente a resposta dele.
Exceto uma palavra.
Ela estancou de repente.
— Diga novamente — falou. Parecia que sua respiração parara.
Harry sorriu para ela novamente, o olhar cálido.
— Eu falei, minha querida futura esposa, que talvez nós devêssemos começar a falar de nosso casamento.
A respiração dela parou totalmente.

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Continua...

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