Capítulo I - Slow Is The Memory
- Eu não sei como posso te agradecer! – disse a voz grossa e suave de John apertando sua mão calorosamente, ela, todavia, parecia estar em estado de choque. Ganhara! As suas mãos ainda tremiam e em sua mente ecoava as palavras do juiz a seu favor. – Nunca vi uma advogada com tanto esmero, tão audaciosa! – ela percebeu que John segurava-se para falar o quanto estava impressionado que ela ainda estivesse onde estava. Sorriu para ele e agradeceu-os, Trisha disse que depois iria a sua sala entregar o restante de dinheiro. E ela não tinha duvidas que eles fossem pagar. Acabara de ganhar um milhão de dólares para eles. E se não fosse pela perna manca de John ele sairia pulando pelo tribunal até seu carro amassado, que no final deixou Trisha dirigi-lo alegremente.
Voltou para sua empresa em uma euforia silenciosa. Sorria para todo mundo que olhasse para ela, até mesmo para os homens que lhe assobiavam na rua. Quando chegou a sua sala quase não conseguiu reprimir um grito de felicidade. Tinha ganhado! Conseguira falir uma empresa daquele porte com todas as suas provas e testemunhas. Ela sentia como se estivesse flutuando. E por um momento achou que estava mesmo, era tanta alegria, pensou ela, que pode realmente ver seus pés alguns centímetros fora do chão. Ajeitou todos os documentos do caso e os arquivou. Teria que entregar uma cópia de todos eles e do restante de todas as suas audiências, todas ganhas, ainda hoje no primeiro andar. Rapidamente fez as cópias, colocando na frente, e em especial aquele caso. Quando terminou foi correndo para o elevador. Ia dar dezoito horas e tinha que chegar antes se quisesse o caso arquivado. Entrou no primeiro andar, que na verdade outro grande saguão, estantes em todas as paredes, e se não fosse pela cor cinza das pastas, poderia ser confundido com uma biblioteca, no fundo ficava a cozinha, separada por outra parede cheia de estantes e arquivos. Foi em direção ao balcão cheio de atendentes ocupados, seguiu até encontrar um homem loiro e de baixa estatura, com seus trinta anos.
- Rachel! – exclamou Matt, um dos arquivistas do edifício o homem divorciado possuía uma paixão quase secreta por ela. – Como foi o caso de hoje à tarde? – disse num tom alegre, vendo a euforia da morena falar por ela. Matt fora o único para quem ela contara, nutria uma amizade muito grande por ele.
- Melhor impossível! Acho que foi este Matt! – disse ela num sussurro para ele. Matt se adiantou para o grande balcão que havia entre eles.
- Está falando sério, Rach? – disse com um tom sério e ansioso. Ela assentiu com a cabeça, não podendo conter um grande sorriso, fazendo Matt sorrir com ela. – Se não fosse por este balcão eu abraçaria você! – exclamou ele.
- Não é necessário, Matt. Apenas entregue estes arquivos de casos encerrados nas mãos certas e você já poderia se considerar abraçado por mim. – disse ela, entregando a pesada caixa para ele. Já há alguns meses Matt a ajudava para conseguir a promoção. Ele próprio já estava no lugar que queria: chefe da seção, e achava injusto que ela não estivesse pelo menos no qüinquagésimo andar. Matt coloca todos os casos em primeiro para passar nas mãos do inspetor dos advogados em geral, e dele passava para um superior que assim analisava quem estava se saindo bem. Matt soltou uma exclamação.
- Rach, você conseguiu solucionar todos esses casos em três meses? – indagou, impressionado. Ela assentiu novamente com a cabeça. Matt então a observou profundamente. – É uma pena que eu tenha começado a trabalhar aqui somente a um ano. Sabe que Orlando já começou a perguntar se tem mais casos seus para mostrar a Dylon? – Orlando era o inspetor chefe do departamento de arquivos, e Dylon era o que promovia. A morena não pode ficar mais do que radiante.
- Matt! Você é um anjo! – e ignorando todos os presentes da sala, que não eram poucos, debruçou-se sobre o balcão e deu um beijo estalado na boca de Matt, deixando-o atordoado. E então, fazendo quase todos os homens do saguão virar a cabeça enquanto passava no meio deles, deixou o saguão. Quando entrou no elevador sentiu um cheiro de jasmim e musgo de carvalho, mesmo que ninguém estivesse nele, o odor pareceu tirar todo o ar dela, e quando abriram-se as portas ela demorou a querer sair do elevador. Já tinha sentido esse cheiro esse, pensou. Mas não sabia aonde. O aroma pareceu despertar alguma coisa dentro dela, e com dificuldade, deixou o elevador, seguindo para a garagem. Um porsche cayman preto e reluzente quase a atropelou na garagem, mas nem isso acabou com o bom humor dela. Seguiu até seu Oggi de 83 vermelho e pela primeira vez desde que o comprara funcionou no momento em que colocou a chave nele, mas ela podia jurar que ele começara a se mover no momento em que ela sentara nele. Saiu tão apressada que quase atropelou um homem de terno preto que corria pela garagem, ele passou tão rápido que ela nem teve tempo de ver seu rosto. O homem se dirigiu ao mesmo porsche que quase havia atropelado ela mesma, o carro estava parado há alguns metros dali, e ela não conseguiu ver o que aconteceu depois. Deixando o acontecimento de lado, saiu da garagem e cumprimentou o começo de noite de New York.
- Chase! – chamou uma voz nervosa do outro lado da porta. A morena acordou assustada. Ela olhou a sua volta, estava na sua sala de trabalho e alguém batia nervosamente em sua porta. Tinha dormido em cima de sua mesa, passara a noite inteira sonhando com várias promoções e novos apartamentos, que mal tinha dormido. Quando chegou em sua empresa dormiu quase imediatamente na mesa. Ela levantou-se e ajeitou o cabelo, abriu a porta dando de cara com uma senhora de porte alto e fino quase lhe batendo no rosto, de tanta empolgação que batia na porta.
- Diga Solana. – a voz dela saiu sonolenta, e as sobrancelhas grisalhas da outra se levantaram.
- Senhora Solana! – retrucou áspera. – Tome – e jogou um envelope pequeno em suas mãos. – O Sr. Potter quer falar com você. – a morena arregalou os olhos.
- O Sr. Potter? – gaguejou ela. Potter era o presidente da empresa, o que ele poderia querer falar com ela?
- Sim, o sr. Potter! – a outra revirou os olhos. – E se eu fosse você iria correndo. Ele não gosta de atrasos e queria falar com você ontem mesmo, só que você já tinha saído. – Para Solana talvez não fosse grande coisa que Potter quisesse falar com ela, a senhora trabalhava com ele já fazia cinco anos, mas para a morena a sua frente aquilo era mais do extraordinário. Nunca ouvira alguém dizer que pessoas abaixo do sexagésimo andar conheceram pessoalmente Potter. Ela tentou se acalmar depois que a senhora deixou a porta de sua sala, e tentou se convencer que iria falar com algum dos representantes dele. Não poderia falar com ele pessoalmente. Não daquele jeito. Estava com o mesmo terninho que estivera ontem, ou seja, todo amassado, olheiras tão profundas que pareciam ser pintadas e os cabelos nem mesmo presos pareciam se ajeitar. Respirou fundo, e abriu o pequeno envelope em suas mãos tremulas.
Srta. Chase, compareça a minha sala no instante em que chegar.
Ass: Potter.
O bilhete era tão curto e direto que ela chegou a sentir medo. Sabia que falaria com ele pessoalmente, pois nem ao menos estava escrito o andar de alguma sala de seus representantes, logicamente todos na empresa sabiam qual era sua sala. Meu Deus! O que ele poderia querer com ela? Bom, ela teria que ir de qualquer jeito. Fechou a porta da sua sala desajeitadamente e foi para o elevador, pensando em mil motivos para ele te-la chamado. Apertou o número setenta, andar dele, e esperou. Aos poucos foram entrando e saindo pessoas, advogados em geral. Até que lá pelo sexagésimo andar ninguém mais subia e ficou completamente sozinha. Quando o elevador se abriu deparou-se com uma sala estupenda. Não tinha carpete, como na maioria das salas, era piso da melhor e mais brilhante madeira que ela já tinha visto, as paredes também eram de madeira, mas lotada de quadros com paisagens verdes e cinza. Tinha dois sofás e uma mesinha de centro, não era preciso dizer que só o sofá teria custado mais que o apartamento completo dela, no fundo, ao lado de uma porta dupla, um balcão alto e grande, todo trabalhado em madeira. Atrás dele, uma das mulheres mais bonitas que ela já vira, os cabelos cacheados e dourados até o ombro, olhos azuis e de uma beleza incomparável. E suas roupas pareciam ser feitas sob medidas, de tão bem que lhe caíam.
Ela se aproximou do balcão, e a loira lhe mostrou seus dentes perfeitamente alinhados e brancos num sorriso. Se a loira reparou na aparência que a morena se encontrava e se não gostasse, foi muito profissional, pois a morena não percebeu nem um olhar diferente.
- Chase, certo? Rachel Chase? – perguntou e sua voz pareceu acalmar até a morena.
- Sim... eu vim.. – começou ela, mas a loira interrompeu-a delicadamente.
- Não se preocupe, o sr. Potter já a espera. – disse ela indicando com a cabeça a porta.
- Hm... obrigada então. – a loira sorriu e voltou a preencher alguns papéis sobre a mesa. A morena reparou que até os papeis pareciam ser caros. Como não sabia se deveria bater ou não, entrou vagarosamente pela porta. A visão da sala anterior simplesmente apagou-se de sua mente quando viu a outra. Parecia entrar em mundo completamente diferente. Eram janelas invés de paredes que envolviam a sala, dando a sensação de estar flutuando acima de tudo. Dali podia-se ver uma boa parte de New York sem nem ao menos se esforçar. Uma escada em caracol era posta ao outro lado da sala, e o andar de cima ela não pode ver, não era parede que cercava o segundo andar e sim um grande vidro filmado. No fundo da sala e quase colado a janela, tinha a mesa de Potter, toda em madeira e com o tampão de vidro. O resto era coberto por inúmeras artes de barro e metais, dando um luxo e sofisticação total. O cheiro de jasmim e musgo de carvalho pareceu penetrar em sua mente e ela finalmente descobriu de onde vinha, apesar de não saber o que ele lhe lembrava. Após essa olhada na sala ela voltou-se para a pessoa que estava atrás da grande mesa de madeira. E ele fez o resto da sala sumir. Não conseguia explicar porque seu coração bateu mais rápido diante daquele homem. Alias, nada do que pensava naquele momento fazia sentido. Sentiu-se completamente tola que o observasse de boca aberta, mas ele nem ao menos pareceu se dar conta de sua presença. Digitava alguma coisa em seu laptop e parecia extremamente concentrado. Quando ela finalmente conseguiu abrir a boca pra dizer algo ele foi mais rápido.
- Por que a demora sra. Chase? –Não sabia o porque, mas irritou-se do modo como ele se dirigiu a ela, sem ao menos olhá-la.
- Senhorita Chase. – retrucou, e arrependeu-se no mesmo instante de sua resposta seca. Mas ele finalmente a encarou. E ela percebeu que teria sido melhor que ele nunca tivesse a olhado.
- O que... – por um momento ele pareceu sem palavras. – Você é Rachel Chase? – indagou, parecendo penetrar a alma.
- Sim. – respondeu, agora tentando parecer simpática. Potter parou por um momento observando-a. E ela não conseguiu deixar de perceber a desconfiança em seu olhar.
- A advogada, Rachel Chase? – perguntou novamente e ela evitou revirar os olhos.
- A advogada Rachel Chase. – confirmou, trocando de pés, cansada de ficar de pé. Para um homem daquele porte essas perguntas faziam-lhe parecer estúpido. Então, nenhuma palavra se proferiu dele, e ela sequer deu um suspiro. Ele a analisava por completo, como se pudesse não vê-la sem roupas, mas vê-la sem carne.
- Sente-se. – disse com um brilho diferente nos olhos. A morena andou calmamente até sua mesa, ignorando o coração que batia tão forte que ela tinha medo que ele pudesse escutá-lo. Após se acomodar, ele próprio se ajeitou na cadeira. Ela não soube o porque, mas podia jurar que o brilho nos olhos dele era de desprezo. – Então, senhorita Chase. – e ao invés de destacar a palavra senhorita, proferiu o seu sobrenome de forma irônica. – Tem alguma idéia do porque estar aqui?
- Não. – disse sinceramente, arrependendo-se novamente de ter sido seca.
- Imaginava. – resmungou audivelmente, irritando-a. – Bom, Chase... está aqui pelo sua audiência com a Evitca e Cia., ontem a tarde. – ela lançou-lhe um olhar confuso. E ele deu um riso de desdém.
- Eu ganhei. – disse com firmeza. – Não fiz nada de errado. – e quando completou parecia querer confirmar mais a si mesma do que ele.
- Não fez nada de errado? – a voz de Potter era irônica. – Realmente, não fez nada de errado. – disse balançando sua cabeça suavemente. – Fora conseguir falir a principal fonte de renda da máfia japonesa, realmente, não fez nada de errado. – proferiu erguendo os ombros em uma imitação irônica de tranqüilidade. Ela, no entanto esforçou-se para não parecer surpresa.
- Isso não seria errado, seria? – e Potter entendeu sua pergunta.
- Para mim, não... totalmente. – e adiantou-se sobre a mesa. – Agora pra você... – ela ficou calada. – Não tem idéia do que fez não é mesmo Chase? – novamente o sobrenome dela era proferido de forma mordaz.
- Claro que tenho. – não conseguiu segurar suas palavras. – Fiz uma excelente audiência e ganhei. Mais do que o caso pedia, e menos do que deveria ter feito. – Potter voltou a encostar-se à poltrona.
- Eu deveria ter esperado isso de você... – resmungou, e ela não entendeu. – Em seis meses conseguiu mais casos do que o meu melhor advogado. E, incrivelmente, ganhou todos. – sua voz não poderia ser outra senão de desdém. – Se alguém me perguntasse, eu diria que você estaria envolvida com a máfia. – ela abriu a boca pra retrucar, mas ele continuou. – No entanto, ontem fez cair a principal verba deles, e aparentemente sem saber. – ele passou as mãos em um dos papéis em cima de sua mesa e ela percebeu que era uma ficha grossa. Ele a abriu. – Mas eu não devia me surpreender com isso não é mesmo? – ele não esperou sua resposta. – Trabalha aqui há oito anos e nunca perdeu nenhum caso, conseguiu mais audiências que a maioria, até mesmo dos que trabalham há trinta anos na carreira. – Ele fechou a ficha e a encarou. – E eu me perguntou o que você estaria fazendo no térreo? Com uma ficha dessas é incrível não ter conseguido o meu lugar há seis anos atrás. – era óbvio que ele continuaria falando, e por isso ela continuou calada. – Mas sabe o que mais me espanta nisso tudo? Isso só ter chegado ao meu conhecimento agora. Em oito anos de trabalho e sua ficha chega a mim só agora. – a morena nada disse.– Não tem nada a dizer? – ela balançou a cabeça, odiando sentir que ele estava no comando. – Talvez porque isso não seja de fato verdadeiro, não é, senhorita Chase? – ela arregalou os olhos e antes que ele continuasse quase gritou.
- Eu não mandei falsificar nada disso! Fui eu que mereci todos esses casos. – e percebeu que tinha se levantado. Ele levantou-se também.
- Então como explica o fato de nunca ter sido promovida? Como explica o fato de ter conseguido ganhar da máfia e ainda trabalhar no térreo como os estagiários? – e sua voz também estava alterada.
- Fui injustiçada! Todos em que eu confiei me passaram pra trás. – sabia que seu rosto estava vermelho, com a raiva que sentia dentro de si.
- Se é tão boa advogada assim porque nunca os processou? – retrucou.
- Porque eu não queria que ninguém soubesse que fui assediada desde o momento em que entrei nessa empresa. – e envergonhada por seu desabafo voltou-se a sentar. Potter pareceu congelar por um instante e então se sentou também.
- Seria mais um motivo para te-los processado. – mas sua voz não mais exprimia raiva. Ela suspirou e olhou para o lado. Não contaria a ele o que tinha acontecido quando ela processou o primeiro que fez isso. Ainda surgia lágrimas em seus olhos quando lembrava disso.
- Isso é um assunto pessoal, e de nada afetou minha capacidade. – ela voltou a encara-lo, ciente de seus olhos cheios d’água, mas ele pareceu não percebe-las.
- Não importa mais. – disse seco. – O fato é que é realmente impressionante que ainda esteja viva sem nenhum osso quebrado desde a audiência de ontem. – ele suspirou. – Se fosse qualquer outro advogado eu já teria o despedido e aconselhado a mudar-se de país. – ela arregalou os olhos, pronta pra falar que não teria pra onde ir e nem como. – Mas... – e ergue sua mão para impedi-la. – sendo tão... grande sua habilidade, não poderia deixar de passar a oportunidade de ter uma advogada tão boa quanto você. – ela sentiu que ele fazia um certo esforço para elogia-la. – Já perdemos Baxer nesse caso da máfia japonesa, e você seria ótima para continuar de onde ele parou. Ou melhor, de onde você parou, já que conseguiu mais do que ele em um ano. – Baxer era um dos melhores advogados da empresa, o braço direito de Potter, mas morrera misteriosamente enquanto estava na Inglaterra. Agora ela sabia o porquê e um tremor involuntário subiu por sua espinha. – Terá uma das melhores agências de segurança ao seu redor vinte e quatro horas por dia, e recebera somente ordens minhas. Ou seja, não terá outro caso. – disse e voltou-se para seu laptop como se ela tivesse ido embora.
- Quem disse que eu aceitei? – odiou o fato dele nem ao menos ter dado a importância de perguntar. Ele voltou a encará-la e ela teve outro tremor involuntário, mas continuou. – Quero dizer, se Baxer morreu nesse caso... e parece realmente perigoso esse tipo de coisa... – sua voz era vaga e ela percebeu um brilho no olhar dele. Não sabia como, mas tinha certeza de que era de ódio.
- Onde quer chegar... Chase? – as sombracelhas de Potter haviam se levantado.
- Você não pode dar ordens assim! – soltou ela. – Não pode agir como se comandasse minha vida. Eu tenho direito a não aceitar.
- Não posso dar ordens assim? – e sua voz se tornou ameaçadora. – Devo lembra-la com quem está falando? – novamente ele a interrompeu antes dela abrir a boca. – E também não estou pedindo que vista calcinhas amarelas, - ignorando as bochechas vermelhas dela continuou. - isso é um assunto estritamente profissional, não tem nada a ver como comandar a sua vida.
- Claro que tem! Se vai mandar que seguranças me persigam vinte e quatro horas por dia é claro que tem! – em toda sua vida ela nunca se lembrara de ter sido tão fervorosa.
- Ótimo! – disse dando um murro na mesa de vidro. – Se quiser ter o mesmo fim que Baxer, eu cancelo pessoalmente a equipe de seguranças. – e fez menção de pegar no telefone.
- Não! – ela pensou rápido e ele voltou suas mãos para a mesa. Seguiu-se um silencio desconfortável.
- Pode ir agora... Rachel Chase. – e como se sua presença não tivesse sido mais do que um cisco, voltou para o laptop. Ela levantou-se com alivio. Não agüentava ficar mais um minuto na presença daquele homem, porém quando estava há dois passos da porta ele voltou a falar.
- Ah... e você foi promovida. – ela virou-se, mas ele continuava compreendido no laptop. Ela finalmente saiu. A recepcionista estava de pé do outro lado da porta e parecia que já a esperava. A loira sorria serenamente, e a morena se perguntou como alguém que trabalhasse para Potter poderia ainda querer sorrir. Mas essa questão fora rapidamente excluída de sua cabeça, após a loira abrir a boca.
- Venha senhorita Chase, eu lhe mostrarei sua nova sala. – uma raiva, menor do que terá na outra sala, se expandiu em seu peito. Era como se Potter já tivesse tudo planejado. “Pretensioso” pensou com ela mesma. Mas acompanhou a loira até o elevador. Tentou não se mostrar surpresa quando a loira apertou o número sessenta e nove. A sala de Baxer. Porém perguntou.
- Mas e minhas coisas? – a loira sorriu novamente.
- Já foram encaminhadas e organizadas em sua sala, senhorita Chase. – disse com classe. Dessa vez ela não tentou disfarçar sua surpresa. Quanto tempo teria ficado naquela sala?
Depois de atravessarem uma saleta a loira abriu a porta e deixou-a passar. Um choque entorpeceu-a. Não era a mesma coisa que a sala de Potter, mas, por mais inacreditável possível, a sala era sua cara. Melhor que seus sonhos. O piso de madeira, paredes num tom salmão suave, uma grande janela que ia do piso até o teto de frente pra ela, sua mesa do mais sofisticado mogno era disposta quase no meio da sala, com um laptop em cima, uma poltrona preta de couro atrás dela, dois sofás ficavam do outro lado da parede, formando um L, junto a uma porta que certamente era o banheiro. Do outro lado era uma grande estante cheia de livros e do lado um armário cinza e grande. Tudo ali gritava modernidade.
- Espero que tenha gostado. – disse a loira, sorrindo diante da cara boba que a outra fazia. A morena assentiu. – Que bom, eu que decorei. – disse a outra satisfeita.
- Você que... ? Mas como você sabia que eu...? – gaguejou.
- O senhor Potter me deu ordens ontem a noite para que preparasse sua sala. – a morena ainda tinha uma expressão confusa. – E bem... eu faço faculdade de design então meio que já tinha tudo na minha cabeça. Como o senhor Potter tem uma reputação boa, consegui a mão-de-obra essa noite. Só esperava você chegar para mandar que colocassem suas coisas nessa sala. – ela falou isso quase envergonhada, a morena deu um olhar de agradecimento e a outra entendeu.
- Então você quer ser decoradora? – disse tentando encoraja-la.
- Ah sim... sempre foi meu sonho. Trabalho aqui só para acabar a faculdade, depois disso quero ter meu próprio escritório. – a morena pode perceber seu olhar sonhador e sorriu sem saber o que dizer. Na verdade não se lembrava do que queria ser quando foi escolher a faculdade. Mas também, pensou, já fazia tanto tempo. A loira olhou para o relógio de pulso. – Já é hora do almoço... acho que estou tomando seu tempo não? Provavelmente deve ter combinado com alguém de almoçar agora. – disse, voltando com sua classe. Mas a morena murmurou.
- Na verdade... eu não combinei com ninguém. – sempre almoçara sozinha, nem mesmo Matt almoçava com ela. Seus horários eram diferentes. E nunca tivera amigas na empresa. – Mas você deve estar com fome não? – disse agora, voltando-se para admirar a sala novamente.
- Bem... eu estou mesmo. Mas a senhorita também deve estar... não gostaria de ir comigo? – se a morena não se enganasse a outra parecia extremamente envergonhada de fazer o pedido.
- Claro que gostaria! – e o rosto da loira se iluminou. – E pode me chamar de Rachel.
- E meu nome é Cordelia. – as duas apertaram as mãos. – Eu conheço um restaurante magnífico no central park, o Gramercy Tavern, podemos ir lá se quiser... – a morena hesitou, não tinha como bancar um restaurante como o Gramercy Tavern.
- Bem... eu esqueci minha bolsa na minha casa esta manhã... – e não era mentira. Saira tão apressada que realmente esqueceu. A loira então bateu em sua própria testa.
- Esqueci de avisar. – e encaminhou-se até a mesa e pegou um envolpe amarelo. – Aqui estão seus novos cartões, o senhor Potter mandou fazer essa manhã, chegaram quase agora. – e entregou o envolope para ela. A morena abriu e viu duas cartas endereçadas a ela. Abriu as duas e viu os cartões Visa e Mastercard. – O senhor Potter queria que tudo fosse com urgência, ele próprio ligou pra lá. Foi bom você ter demorado a vir aqui, assim já devem estar com fundo. Então, Gramercy Tavern?
A morena encontrou muito de si mesma em Cordelia. Tudo bem que era quase cinco anos mais velha que a loira, mas tinham quase as mesmas opiniões. Cordelia contara a ela que trabalhava lá já quase há quatro anos e não fizera amizade com ninguém, sempre achara as outras mulheres mesquinhas, e os homens não valiam a pena. Cordelia também disse que só estava no emprego, pois ganhava muito bem. Ela não perguntou quanto, mas Cordelia disse que conseguia pagar um apartamento na Fifth Avenue tranquilamente e ainda sua faculdade. Isso já não era muita coisa que tinham em comum, mas Cordelia não entrara em detalhes e não perguntara onde ela morava.
- Eu não entendo como você pode sorrir tanto trabalhando para aquele homem! – disse a morena, se referindo a Potter.
- Sabe que eu ainda não me acostumei com ele? – disse Cordelia, pensando que a outra falava de sua beleza. – Até hoje fico um pouco sem ar quando ele chega muito perto. – a morena riu.
- Pensei que tivesse namorado Cordelia. – lembrou.
- Eu amo Bob, mas não dá pra ignorar aquele pedaço de mau caminho. – as duas riram novamente.
- Mas na verdade eu me refiro a grosseria dele... – disse entre um gole e outro do vinho que escolhera.
- Não entendo... – disse Cordelia, franzindo as sombracelhas. – Eu percebi que você saiu afetada do escritório dele... mas em geral ele costuma tratar todos muito bem, principalmente mulheres tão bonitas. – elogiou e a morena ficou vermelha. Se Cordélia a achava bonita então nunca se vira realmente no espelho. Não que se achasse feia, mas Cordélia era no mínimo dez vezes mais bela. – Se eu tivesse uma beleza igual a sua não usaria esse tipo de roupas. – completou a fazendo ficar ainda mais vermelha, mas logo a loira expressou ansiosidade e perguntou. – O que acha de fazermos umas comprinhas básicas essa noite? Acho que tudo bem eu faltar mais uma vez na faculdade. E você precisa aproveitar seus novos cartões e sua nova renda! – com essa última frase Cordélia conseguiu convencer a morena. Quando voltaram do almoço elas se despediram como se fossem velhas amigas, e Cordélia a avisou que dali em diante seria sua secretaria também. A morena se aliviou. Pelo menos, não teria que falar com Potter pessoalmente. E esperava que nunca mais. Porém, quando chegou a seu escritório o viu sentado a sua poltrona tranquilamente, abrindo uma caixinha amarela que estava em cima de sua mesa. Seu coração deu pulos ainda mais fortes que da primeira vez.
- Pensei que não iria chegar nunca. – comentou ele, ainda abrindo a caixinha.
- O que faz aqui? – perguntou ela, adiantando-se a mesa. – E o que está mexendo nas minhas coisas? – e tirou a caixinha amarela das mãos dele. Mesmo do outro lado da mesa ela sentiu o perfume dele. Ele se levantou e ela quase pode sentir o calor que emanava dele.
- A empresa, se você não sabe, é minha e vou aonde bem entender. Quanto as suas coisas... – e pegou novamente das mãos dela. – Isto é mais meu do que seu. Comprei na hora do almoço e mandei entregar agora. – abriu a embalagem e deu a ela um aparelho pequeno, que era um celular de ultima geração.
- Pois não precisava. – retrucou ela, colocando de volta a mesa.
- Deixa de ser estúpida... Eu preciso manter contato com você todos os dias de hoje em diante. – então os olhos dele brilharam de uma forma estranha. – Não é um cortejo. – as bochechas dela se avermelharam, mas ela tentou ignorar.
- Saia do meu lugar. – ordenou ela, e por incrível que pareceu, ele saiu.
- Você irá comigo para uma audiência. – ele parou a sua frente, colocando as mãos no bolso naturalmente, e a morena não pode evitar perceber o quanto ele era forte. – É sobre a máfia japonesa e preciso mostrar a eles que agora está trabalhando diretamente comigo. Vai intimida-los.
- Você ainda atende casos? – questionou, tentando ignorar o perfume que ele emitia.
- Apenas esse. – deu de ombros. – Não vou precisar carrega-la para convence - lá não... Chase? – na mente da morena seguiu-se imagens dele a carregando e ela quase abanou a cabeça, avermelhando-se novamente. Ele definitivamente não deveria estar tão perto.
- Afinal, qual é o seu problema com o meu sobrenome? – perguntou tentando mudar de assunto. Depois tentou ir pra trás, mas percebeu-se presa, entre ele e a mesa. Potter pareceu entrar no fundo de sua alma e quando voltou a falar, era lento e seco.
- Estamos perdendo tempo. A audiência começa em uma hora. – e voltou-se para a porta, a morena o acompanhou. Eles desceram o elevador sem sequer trocarem um olhar. Como esse era o elevador privado dos que eram acima do qüinquagésimo andar não encontraram ninguém, chegaram rápido a garagem. – Vamos com o meu carro. – disse quando abriram-se as portas do elevador. Ela continuou seguindo-o até chegarem em um porsche cayman preto, que ela reconheceu-o como o que quase a atropelara no dia anterior. Tinha dois seguranças, um de cada lado, do porsche. Ela achou aquilo um exagero. O prédio já tinha seguranças demais só na garagem. Entrou no carro dele, tentando não parecer abobada com o luxo que era dentro dele. Ele deu partida no carro e saíram a toda velocidade.
- Você poderia ir mais devagar não? – pediu ela, colocando o cinto e segurando-se no banco.
- Já vamos pegar um trânsito enorme e a audiência é em Brooklyn. – respondeu somente.
- Acontece que você quase me atropelou com esse carro ontem mesmo. – escapou de sua boca, então ele pareceu surpreso, mas logo pareceu entender alguma coisa.
- Não era eu. – disse simplesmente.
- Ninguém mais na empresa tem um porsche cayman. E com esses seguranças a volta dele, não poderia ter sido roubado. – ela própria não sabia porque não estava controlando as palavras hoje. Devia ser a presença dele que causava alguma coisa em sua mente. Ele suspirou nervoso.
- Eles foram contratados esta manhã. Ontem esse carro foi realmente roubado... pela minha ex. – respondeu ele, sua expressão não revelava mais nada. A morena no entanto, lembrou que realmente viu um homem passar na frente de seu carro seguindo para o porsche. Não disse mais nada após isso. Tentou esconder um certo nervosismo. As mulheres pareciam persegui-lo. Talvez fosse por isso que seu ego era tão elevado. Ficou absorta em pensamentos e quando o carro parou ela teve a impressão de que era cedo demais para estarem em Brooklyn. E não se enganara. Estava a frente de uma grande loja ainda na Fifth Avenue, e ela reconheceu com as das mais caras: Chloé.
- Pensei que não teriamos muito tempo. – disse ela enquanto ele se desprendia do cinto.
- Não vou fazer comprinhas. – disse irritado. – Acontece que você não pode se apresentar assim... – e indicou o terno que ela estava. Dessa vez ela deu razão a ele. Saiu do carro e entrou na loja com ele ao seu encalço.
- Harry! – exclamou uma mulher morena e extremamente sensual. – Quanto tempo, meu querido! – e se inclinou para beija-lo. A outra morena percebeu um sotaque italiano em sua voz.
- Minha donna! – disse ele, cumprimentando-a de volta. – Preciso de sua ajuda, é urgente. – completou ele. Em cinco minutos ele dera ordens de encontrar um terno para ela e que fizessem isso em menos de dez minutos. Algumas vendedoras a cercaram e começaram a enxer-lhe de roupas. Quando ela foi exprimentar deu uma olhada rápida nas etiquetas e viu que os preços das roupas não eram menos que um mês de seu trabalho. Escolheu o que achou mais barato e voltou-se, já vestida, para o inicio da loja.
- Senhor Potter está na seção de jóias. – informou uma das vendedoras. A morena foi até lá e viu observando a vitrine.
- Estou pronta. – disse por fim, e Harry virou-se para ela. Por um momento ela pode ver um brilho de satisfação em seu olhar, mas fora tão rápido que ela pensou estar imaginando.
- Só falta um toque. – disse ele, lhe entregando algumas jóias. A morena viu que se tratava das mais puras e verdadeiras jóias. Deviam ter custado mais do que todos os seus pertences juntos. – Pode coloca-los agora. – sua voz era de ordem, mas ela não ousou desafia-lo. Colocou as jóias e olhou-se no espelho para ver o efeito que tinha em si. Parecia outra pessoa. Ninguém que a olhasse há meia hora atrás a reconheceria Então, abriu sua sacola com a roupa antiga e começou a procurar seu cartão. – O que está fazendo? – perguntou quando viu o cartão em sua mão.
- O que isto parece? – retrucou irônica. – Vou pagar.
- Não se importe. Já está tudo pago. – disse ele, agora pegando em seu braço e saindo da loja.
- Isso não é justo! – exclamou ela. – Mesmo que eu ganhe pouco eu poderia ter feito em parcelas. – Ela viu Harry revirando os olhos.
- Essa loja nem faz parcelamentos, Hermione. – ela parou no meio da calçada e Harry voltou-se para ela, irritado.
- Do que me chamou? – perguntou ela surpresa. Ele pareceu confuso. – Você acabou de me chamar de Hermione. – explicou ela e os olhos de Harry de repente ficaram sem expressão.
- Chamei? – a morena continuou parada no meio da calçada, olhando-o surpresa. – Não percebi. Agora vamos que estamos perdendo tempo. – e a puxou novamente pelo braço e quase a jogou no banco de passageiro. Era a segunda vez na semana, em menos de dois dias, que era chamada de Hermione. Olhou para fora do carro, vendo as pessoas e prédios passaram como um borrão, de tão rápido que Harry dirigia.
Quando atravessaram as portas do tribunal ela percebeu porque Harry fez tanta questão de coloca-la em roupas de marca. Nunca tinha visto um tribunal tão luxuoso. Harry mandou que ficasse na primeira fileira de seu lado, enquanto ele se dirigia a frente. Infelizmente, por mais que ela soubesse de advocacia, não entedera uma palavra do julgamento. Era em japonês. O cliente de Harry também parecia perdido, mas nada comentou. Mas isso não tirou a elegância e ousadia com que Harry, com um ótimo influente em japonês, desenrolou o julgamento. A morena achou que já tinha se passado mais de duas horas quando o juiz finalmente deu uma pausa e pareceu dar algum veredicto final. Harry pareceu feliz e as pessoas que conseguiam acompanhar a língua aplaudiram. Logo após ela se aproximou dele, enquanto o cliente parecia mais aliviado. Eles conversavam baixo e o cliente logo parou de falar, diante da presença dela. A morena até o achou atraente. Suas feições pareciam ter sido desenhadas milímetro por milímetro e seu cabelo era de um tom loiro acinzentado impecável. Vestia um armani que ela teve certeza que era feito sob medida. Harry que fechava sua maleta deu um suspiro.
- Tudo bem. Ela entrou no lugar de Baxer. – explicou Harry ao cliente. – Liam, esta é Rachel Chase, Rachel este é Liam Ness. – os dois se cumprimentaram com apertos de mão e Liam lhe reservou um sorriso especial a ela.
- Foi realmente uma pena o que aconteceu a Baxer, a senhorita chegou a conhece-lo? – perguntou Liam, pondo as mãos no bolso enquanto o restante das pessoas saiam do tribunal.
- Só de vista. – disse simpaticamente, Liam então lhe deu outro sorriso.
- Estava aqui falando com Harry que ele terá que jantar comigo esta noite para me traduzir todo esse falatório de hoje... não gostaria de ir junto, srta. Chase? – convidou ele, e Harry pareceu achar uma boa idéia.
- Será melhor mesmo, já que ainda tenho que coloca-la por dentro de algumas coisas. – concordou ele. – Nos vemos as oito então? – a falta de espera de Harry por sua resposta a irritou novamente.
- No Spezzatino? - Harry assentiu com a cabeça e Liam deu outro sorriso a morena e saiu. Quando restaram somente os dois a morena soltou.
- E seu eu tiver outro compromisso? – Harry nem se deu o trabalho de encara-la.
- Você ira desmarcar. – disse simplesmente, seguindo pra fora do tribunal.
- Pensei que não iria controlar minha vida. – retrucou nervosa.
- Não iria controlar sua vida pessoal. Isso é estritamente profissional. – num tom de encerramento. Mas ela continuou.
- Nem ao menos tenho roupa para ir. – na verdade ela queria ir, mas não gostou do modo como ele decidiu por ela.
- Cordélia poderá acompanhar você até outra loja depois do expediente. E por favor, - nesse momento ele virou-se para ela de modo a encarar – pare de falar. Minha cabeça dói. – voltou a andar, deixando ela sem palavras.
- Sabe que para um homem com sua classe, poderia tentar ser menos grosseiro. – a morena voltou a andar em seu encalço, e Harry nem ao menos se deu o trabalho de responder. O caminho de volta para a empresa foi silencioso e tenso. Quando desceram do carro, a morena bateu com força a porta e seguiu para o elevador o mais rápido que pode, enquanto Harry ainda andava a direção do mesmo. Sua última visão dele, antes das portas se fecharem, fora a fúria em seus olhos por ela ter passado a sua frente.
Eu particularmente gostei do primeiro capitulo. :)
Ainda vai ter muito mais por vir, e vocês saberão porque Harry tem esse desprezo por ela. E a cabeça de Hermione ainda via dar muitas e muitas voltas.
Bem, ainda é só o começo e eu espero que gostem.
Não se preocupem, não vou abandonar a Lost Memories, que já está no final, só quero esperar um pouquinho por ela, pra ficar do jeito que eu quero.
Obrigada!
E comentem gente! Por favor!
Beijos.
|