5 de Setembro, 08:52AM
Minerva McGonagall, olhava para os objetos postos sobre sua mesa. Escutou atentamente a revelação de Hermione guardando cada detalhe. Ela voltou a encarar a menina que bebia um copo de suco de abobora oferecido pela diretora da escola.
– Creio que seu discurso foi muito esclarecedor Srta. Granger - falou a bruxa – Mas essas mensagens parecem vindas de uma pessoa que o Sr. Weasley mantinha um contato mais... – ela pensou por um instante antes de continuar – Intimo e eu duvido que o Sr. Malfoy...
– Eu peguei isto no quarto dele Profª McGonagall – Hermione a cortou apontando para o jornal que agora se mostrava como uma pequena lousa branca – E a última pessoa a retirar o livro da biblioteca também foi ele. É muita coincidência a senhora não acha?
O silencio tomou conta da sala. Demorou alguns segundos, que pareceram minutos a Hermione, para Minerva voltar a falar.
– Sim Srta. Granger, mas...
– Malfoy também não estava fazendo ronda nesse horário - cortou novamente a morena – E a senhora sabe que ele, como monitor-chefe, poderia muito bem ter desviado qualquer outro monitor de seu caminho.
– Sim, mas...
– Profª, estamos perdendo tempo! - Hermione falou sem nem ouvir a mulher a sua frente – Tem que mandar uma coruja para os aurores e...
– Hermione, por favor - pediu Minerva – Draco Malfoy não poderia ser o assassino de Ronald Weasley! - revelou com suas feições sérias.
– Mas Pro...
– Não - a diretora ergueu uma das mãos pedindo para que ela parasse de falar imediatamente – Tenho consciência que alunos venham julgando o Sr. Malfoy e outros alunos da Sonserina culpados, assim como alguns julgam que a senhorita tinha alguma coisa envolvida no crime, mas Draco Malfoy não poderia ser o assassino porque na noite da morte do Sr. Weasley, ele se encontrava na minha sala discutindo assuntos particulares.
– Mas a senhora já pensou que ele pode...
– Srta. Granger - interrompeu –, Ronald Weasley foi assasinado por volta das onze e meia da noite de acordo com o laudo que aurores me apresentaram. Neste mesmo horário Malfoy ainda se encontrava em minha sala e saiu da mesma a meia noite em ponto e mesmo se não tivesse, é impossível ter sido feito algo sem deixar pista alguma.
Hermione ficou surpresa com a revelação. Não podia ser possível. Todas as provas estavam ali na frente dela, como Minerva não as viam? Malfoy havia feito algo sim.
– Mas eu encontrei isso no quarto dele - a mais nova apontou para uma das lousas – E a outra estava em baixo da cama de Rony. A senhora diz “por volta”, quer dizer que pode ter sido a meia noite.
McGonagall suspirou.
– Tenho certeza que o Sr. Malfoy deve ter alguma explicação esclarecedora para tal coisa - a diretora sentou-se em sua cadeira – Até porque, como eu disse antes, as mensagens parecem terem vindo de alguém muito mais intimo de Ronald Weasley.
A menina bufou.
Já começava a se irritar. Queria gritar para a diretora que mandasse logo uma carta para os aurores pedindo que investigassem mais afundo agora. Malfoy era culpado por isso e tinha que pagar.
– E já que se encontra tão disposta para querer dar uma de justiceira Srta. Granger, acredito que também esteja disposta a frequentar as aulas do dia - a mais velha falou decidida quando Hermione se levantou da cadeira onde se encontrava – E avise o Sr. Malfoy também, já que lhe dei permissão para faltar às aulas e ficar de olho na senhorita.
– Claro Profª McGonagall - retrucou a menina deixando sua voz soar seca e irônica. Ela não avisaria.
Recolheu as coisas que havia posto em cima da mesa da diretora e as enfiou na sua bolsa. Saiu da sala e desceu correndo as escadas da gárgula mal acreditando no que havia acontecido.
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5 de Setembro, 12:05PM
– Como ela pode defender um ser imundo como esse? - Gina Weasley cochichava ao lado de Hermione no corredor de acesso para o Salão Principal.
Hermione havia contado tudo a amiga. Pensou em contar para ela e Harry quando estivessem juntos, poupando-a de ter que repetir as mesmas palavras duas vezes. Gina havia ficado inconformada com a atitude da diretora. Havia dado ideias até de ameaçar a mesma, para que mandasse logo uma coruja aos aurores e contasse tudo que Hermione havia descoberto, mas a morena, sempre com a voz da razão, a alertou que não seria sensato ameaçar a diretora da escola onde estudavam e chegou à conclusão de que elas mesmas deveriam manda uma coruja ou tentar alertar o QG sobre isso de algum jeito. Eles poderiam investigassem mais a fundo e descobririam que ela estava mesmo certa e mandariam Draco Malfoy para Azkaban, junto de seu pai.
Seu coração estava apertado desde manhã, depois que sairá da sala de Minerva, e mal conseguia prestar a atenção nas aulas. Havia até recebido um questionamento de Horácio Slughorn, um grande fã da garota, sobre seu comportamento na aula. Ela não respondia as perguntas e nem se interessava em prestar atenção no que fazia em seu caldeirão, o que a fez cometer um erro grande, deixando a sala toda fedendo. Muitos riram inclusive Malfoy - que ela realmente não sabia como ele soubera que eles teriam que frequentar as aulas -, mas não ligava. Assim que conseguisse provar, ele estaria em Azkaban e quem estaria rindo era ela.
Nunca um desejo de vingança agarrou-se tanto a ela como naquele momento. Fora uma crueldade o que haviam feito com Rony e ela queria que pagassem. Nunca nada a fez se sentir assim. Não sabia o quanto doía perder alguém tão próximo quanto o ruivo. Havia perdido milhares de pessoas na guerra, mas nada foi tão forte assim. Até mesmo quando Fred se foi, ela não ficará assim, mas afinal, Ronald Weasley era seu melhor amigo e por quem era apaixonada há muito tempo.
– Como está Harry? – perguntou querendo desviar o assunto da conversa. Sua cabeça estava a milhão e ela precisava conversar sobre outra coisa.
– Oh! Harry aparenta estar melhor, mas isso não deixa de mostrar que continua deprimido, aliás, todos nós estamos, mas não podemos deixar de seguir nossas vidas, não é? - Gina parecia realmente certa sobre suas palavras, mas Hermione via o olhar triste que a tomou no segundo seguinte.
A morena não respondeu à ruiva, mesmo querendo lhe fazer mais perguntas sobre o amigo. Queria perguntar por que Harry havia faltado às aulas ou por onde andava, mas apenas continuou seguindo ao lado dela para o Salão Principal.
Quando entraram no local, muitos alunos já se encontravam em suas mesas para a segunda refeição do dia. Os olhares se viraram para ela enquanto sentava à mesa da Grifinória com Gina.
– Eu odeio isso! - exclamou Hermione.
A ruiva a encarou surpresa, sem compreender suas palavras.
– Eles me olhando Gina. É ridículo! - explicou – Acham que eu tive algo a ver com a morte de Ron – Hermione não só parecia chateada, como estava. Colocou os cotovelos sobre a mesa e apoio a cabeça nas mãos – Como podem achar que estou envolvida nisso?
Gina respirou fundo antes de se virar para a amiga.
– Mione, nós sabemos que você não tem nada haver com isso. ‘Se lembra de quando Voldemort voltou e todos falavam que Harry era louco para depois verem que ele falava a verdade? É a mesma coisa! Não se preocupe, as pessoas só veem os que elas quere ver.
Hermione bufou.
Ela sabia que era verdade, mas isso não deixava de deixa-la frustrada por todos acharem que teria algo com a morte de seu melhor amigo. Extremamente ridículo. Inacreditável.
Antes que as garotas pudessem comer algo, corujas entraram voando pelo salão. Claro que nenhuma delas se preocupou, quando recebiam corujas, normalmente sempre eram de Molly Weasley, em datas especiais ou em dias alternativos para saber como eles estavam. Sabiam que a mulher deveria estar péssima ainda, então nem sequer tiveram alguma esperança que receberiam alguma. Foi quando uma coruja que tinha a cor de fuligem voou e aterrissou em frente a elas que a duas levantaram a cabeça para observar a majestosa ave que lhes trazia um papel. Hermione rapidamente tirou o rolinho das pernas da coruja que voltou a alçar voou para fora do local.
As duas se entreolharam curiosas.
– Abre logo Hermione! - ralhou Gina apressada.
Ela abriu o papel apreensiva e passou os olhos pelas palavras ali escritas em uma caligrafia caprichada demais.
“Se divertindo bancando a detetive Sangue-Ruim?
Não tente bancar a espertinha, Granger. Estou sempre um passo a sua frente.”
A ruiva ao seu lado curvou-se para poder enxergar as palavras e assim que conseguiu as ler, sua boca se abriu em um perfeito “O”. Piscou milhares de vezes antes de olhar para a amiga esperando por uma explicação.
Hermione virou o verso do bilhete verificando se não havia mais nada, depois que constatou que era só aquilo olhou para a Gina e mordeu os lábios.
– Malfoy! - exclamou – Ele sabe que fui até Minerva, com certeza deve ter notado que o jornal atrás do espelho sumiu e eu sou a única que sabe a senha da nossa sala - raciocinou rapidamente ainda pasma com o que acabará de ocorrer. Levantou-se da cadeira e olhou para mesa dos professores vendo que a diretora não se encontrava ali – Gina, preciso falar com McGonagall - e antes que a ruiva pudesse articular alguma palavra, saiu correndo em direção ao sétimo andar.
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5 de Setembro, 12:30PM
Já esperava ali fazia alguns minutos, mas as pessoas que ocupavam a sala de Minerva McGonagall antes de sua chegada continuavam ali com suas vozes altas, deixando com que Hermione as escutasse.
“Minerva, sabe que é importante para todos saberem, ainda mais os pais dos alunos” ouviu a voz de um homem soar.
“Não preciso que faça mais alarde sobre o caso Sr. Ruffles” a diretora respondeu naquele seu mesmo tom severo o qual sempre usara.
“Você não entend...”.
“Eu compreendo verdadeiramente os motivos que o levam a querer divulgar a morte de Ronald Weasley em jornais, mas não permitirei e nem lhe darei nenhum detalhe sobre o acontecimento, então, por favor, Ruffles, pegue sua chave de portal e volte para onde não deveria ter saido para me chantagear.”
Vozes não foram mais ouvidas, a única coisa que se pode escutar minutos depois de calarem-se, foi o clique da porta se abrindo diante da menina. McGonagall olhou em seus olhos e suspirou.
– Espero que não esteja aqui para mais alguma acusação Srta. Granger - informou a velha bruxa de vestes verde-esmeralda.
Hermione deixou a mostra o papel e o desenrolou passando-o para McGonagall. A mulher passou os olhos pelas palavras diversas vezes antes de entreabrir a boca e encarar a morena a sua frente.
– Não sei quem lhe deu isso, mas estou certa que foi uma brincadeira de muito mau gosto.
Claro que ela não acreditaria. Porque Hermione ainda insistia em abrir os olhos da diretora da escola? Sabia que defenderia Malfoy mesmo tendo todas as provas do mundo contra o bruxo, mas o real motivo para isso era desconhecido para ela. Porque Minerva não conseguia enxergar que era ele? Ele havia matado Rony e ela não fez nada com todas as provas que havia esfregado em sua cara.
Hermione bufou.
– Eu não acredito! - falou – Eu estou colocando todas as provas que foi ele bem debaixo do seu nariz - continuou e a outra a encarava severamente – Como você pode ser tão cega a ponto de não enchergar? Aliás, eu nem sei o motivo de protegê-lo tanto! É como se soubesse quem o matou e não o quisesse revelar.
Por um momento, a menina pensou que levaria uma bela detenção seguida de uma suspesão de dias, mas quando as feições de Minerva relaxaram e mulher fechou os olhos parecendo pensar nas próximas palavras que pronuncia e quando conseguiu o que saiu foi algo reconfortante para Hermione.
– Irei acatar seu pedido Hermione, espero que esteja satisfeita. Os aurores irão receber o recado.
E depois de dias, ela finalmente conseguiu colocar um sorriso no rosto.
Um grande.
Um sorriso de vitoria.