
A Decisão
O relógio digital da mesa da cabeceira indicava 12:04. O sol brilhando na janela do quarto estava tão forte que parecia berrar. Gina não se sentia nem um pouco melhor do que na noite anterior. Havia jogado a sandália no Harry e atirado o dinheiro na tia, gritando: "Saia da minha vida!" Para completar, ainda atirara um travesseiro no tio quando ele a seguiu até o quarto, para tentar conversar.
Fizeram bem em deixá-la dormir, nas últimas doze horas. Mas não podia continuar escondida na cama; tinha de se levantar e enfrentar o inevitável. Precisava entender-se com a tia e ainda arrumar as malas para pegar o avião na manhã seguinte. Contudo quanto mais pensava nessas coisas, mais ela queria afundar-se no travesseiro. Além disso, estava-se sentindo horrorosa. Os cílios superiores estavam grudados nos inferiores. Os dentes pareciam cobertos de pipoca caramelada, os olhos inchados de tanto chorar, e ainda estava com a roupa com que fora à Disneylândia.
As sacolas de compras estavam espalhadas pelo chão, do jeito que as jogara na hora da raiva, na noite anterior. Achavam-se repletas das lembranças que Harry comprara para ela. Ou melhor, que sua tia havia financiado para que ele comprasse. O quarto estava uma bagunça. Ela estava péssima. Sua vida era uma confusão só. .
Esse é o problema das explosões temperamentais, dissera-lhe Paula um dia. Quem acaba tendo de arrumar tudo depois é a gente mesmo, e é humilhante.
O mais humilhante para Gina naquele momento foi ver a Bíblia nova aberta como um leque; caíra de uma das sacolas. Envergonhada, escorregou da cama e pegou a Bíblia e se pôs a alisar as páginas amassadas.
- Desculpe, sussurrou ela. É que não acho nada disso certo. Por que minha tia me fez de boba assim? Por que o Harry concordou em fazer o que ela queria? E por que tenho de ir para casa amanhã? Agora as coisas nunca vão dar certo entre mim e o Harry.
Gina percebeu que estava conversando com Deus como se fosse a coisa mais natural do mundo, da mesma forma como vira seus amigos falarem com ele.
- Não sei qual é o meu problema. Só sei que estou perdendo o controle das coisas. Parece que tudo ao meu redor está desmoronando. O que foi que eu fiz de errado, Deus?
No silêncio que se seguiu, uma lembrança atingiu-a como uma flecha: o pesadelo de semanas atrás. Ao recordá-lo, todos aqueles sentimentos voltaram, derrubando-a como uma onda em toda sua força. Era como se ela estivesse novamente dependurada na borda de um barco. Os tentáculos de algas marinhas estavam se enrolando nela, cada vez mais apertados. Estava vivenciando aquela sensação de terror novamente: o momento em que tinha de resolver se entraria no barco ou se deixaria as algas puxá-la para o fundo do mar. Só que desta vez estava acordada, e o sonho agora era a realidade que estava vivendo. Não dava para ignorá-lo.
Como o Harry dissera, Jesus era o barco. E se ela quisesse ir para o céu (ou para o Havaí, como Harry havia exemplificado), tinha de entrar no barco.
Gina compreendeu o que tinha de fazer, e teria de ser agora. Ajoelhou-se ao lado da cama, inclinou a cabeça e fechou os olhos. Falou alto, mas com voz calma.
- Deus, eu sei que o que falta em minha vida é você. Quer dizer, eu tenho ouvido falar de você minha vida inteira, mas não o conheço como o Harry e a Hermione dizem conhecer. E quero conhecê-lo pessoalmente. Entra em minha vida, Senhor. Perdoa os meus pecados e entra em minha vida agora mesmo. Prometo que todo o meu coração será seu pra sempre. Amém.
Abriu os olhos e virou-se para ver seu reflexo no espelho Não parecia diferente de quando se levantara da cama: cabelo desgrenhado, roupas amassadas, olhos de guaxinim (por causa do rímel manchado). Mas por dentro sabia que havia mudado. Nada de loucura emocional, nada disso. Simplesmente estava limpa. Segura. Feliz. Ela sorriu e abraçou a Bíblia. Acabara de entrar no barco, e a aventura estava prestes a começar.
A primeira grande onda a enfrentar seria a tia Marta.
Tomou banho e vestiu-se rapidamente. Encontrou os tios sentados na varanda, tomando chá gelado. Em silêncio, Gina passou pela tia e sentou-se na espreguiçadeira, perto da cadeira do tio. Os dois agiam como se ela não estivesse ali, esperando que ela desse o primeiro passo.
- Sobre ontem à noite... começou Gina, esfregando as mãos. Eu... eu lhes devo um pedido de desculpas.
- Não, querida, disse Marta, virando-se para ela. Reconheço que eu é que tenho que me desculpar.
Bob continuou em silêncio, mas franziu a testa como se não soubesse o rumo que essa conversa iria tomar.
- Eu tenho muita culpa nisso tudo, prosseguiu Marta, e não sei se poderei me perdoar por não tê-la preparado para sua primeira experiência...
- Bem, continuou Gina, procurando as palavras certas pra dizer. Não é que você não... quer dizer, acho que eu é que não deveria ter esperado tanto do Harry. É que eu pensei que ele queria estar comigo só porque gostava de mim, mas...
- Não, Gina, não se culpe assim. E não culpe o Harry. A culpa é minha. Eu deveria ter previsto isso e tê-la preparado melhor.
- Só que dói, tia. E me sinto tão tola. Tão usada...
- Sim, concordou Marta. Os homens podem fazer com que a gente se sinta assim, principalmente na primeira vez...
- O que você quer dizer com "os homens podem fazer com que a gente se sinta assim"? perguntou Cris, em tom de guerra. VOCÊ me fez sentir assim, tia Marta!
- EU a fiz sentir assim? Como é que eu posso tê-la feito sentir-se usada?
- Dando ao Harry todo aquele dinheiro e subornando-o para que me levasse à Disneylândia! Marta encarou-a meio espantada.
- Quer dizer que todas aquelas lágrimas ontem à noite eram por causa disso?! Os gritos e aquele tumulto todo eram simplesmente porque eu ajudei a financiar seu passeio de aniversário?
- Sim, respondeu Gina, encarando-a. O que você pensou que fosse?
- Nem queira saber o que ela pensou, disse Bob interferindo. Ela não sabe mais como é a inocência da juventude. Tem assistido a novelas demais. Está com a mente desvirtuada.
- Não mesmo, Bob! Eu não gosto quando você diz essas coisas! Eu realmente estava preocupada, achando que a Gina tivesse tido sua primeira experiência sexual com um jovem, sem que eu a tivesse preparado melhor! E estava sentindo-me culpada.
Gina estava aturdida. Ela preocupada com a possibilidade de Harry beijá-la, e sua tia imaginando que eles tivessem ido para a cama!
- Desde que você chegou, eu não fiz outra coisa senão inundá-la de carinho, continuou Marta. Tenho lhe dado tudo que uma moça pode desejar. Seu tio e eu temos feito muitos sacrifícios por você. Se essa é a gratidão que recebemos, então talvez seja melhor mesmo você ir embora amanhã. Quem sabe, assim que estiver em casa, valorize mais tudo que compramos para você!
Gina teve vontade de correr para a tia, primeiro abraçá-la e depois bater nela! Como é que ela pode pensar de maneira tão distorcida?! Como é que pode torcer tanto os fatos, jogando toda a culpa em cima da sobrinha? Contudo em parte Marta estava certa. Gina aceitara facilmente todas as roupas, os jantares em restaurantes e os passeios.
- Tia Marta, começou Gina com cuidado, esperando derreter o olhar gelado da tia. A verdade é que tem algumas coisas que não se pode comprar no shopping.
Quando acabou de dizer isso, lembrou-se da canção de Debbie Stevens: "Você não encontra em lojas". Agora entendia o sentido da letra da música.
- Mas, acrescentou depressa, estou muito agradecida por tudo que vocês têm feito por mim. De todo coração. Nunca me esquecerei destas férias. Foram as melhores férias da minha vida!
Marta não respondeu. Ficou olhando para o mar, com os lábios apertados de ira.
- Não tenho mais nada para dizer, Ginevra.
- Sinto muito, disse Gina quase chorando. Sinto muito ter sido um problema assim tão grande pra vocês.
- Você sabe que nós dois gostamos demais de ter você aqui conosco, disse Bob, estendendo o braço e apertando o ombro de Gina. Por que você não aproveita sua última tarde aqui e vai ver seus amigos na praia?
- Não sei se quero ver o Harry! Nem sei o que dizer se ele aparecer!
- Claro que quer! Além do mais, é sua última chance. Aproveite-a ao máximo, meu bem. A propósito, será que isto por acaso é seu? indagou mostrando a sandália que ela havia jogado na direção de Harry.
- Sim, respondeu envergonhada, pegando o calçado.
- Vai sim, sugeriu Marta. Você precisa acertar as coisas com ele antes de ir embora.
- Tenho de acertar as coisas com você também, disse Gina com ternura.
- Está tudo perdoado, respondeu Marta, com um sorriso amarelo.
Gina correu para a tia e abaixou-se para abraçá-la. Rindo, meio sem jeito, como se não estivesse acostumada a demonstrações de carinho, Marta abraçou-a também.
- Agora vá.
Ela soltou a sobrinha e arrumou o cabelo que havia saído do lugar.
Vinte minutos mais tarde, Gina estava andando na areia, pensando no que poderia encontrar perto do quebra-mar. Cho estava em Boston. Cedrico morto. Mione provavelmente estaria trabalhando. Harry... quem sabia o que Harry estaria fazendo?
Afinal de contas, pensou, ninguém pagou para ele passar a tarde comigo hoje. Por que ele haveria de estar por perto?
Olhou os surfistas na água, mas ele não estava entre eles. Aproximou-se da turma que costumava andar com Harry, mas as únicas pessoas que conhecia eram Helen, Rony e Lillian.
Lembrando-se de como se sentira "sobrando" na noite do concerto, Gina hesitou, sem saber se queria mesmo enfrentar a galera. Mas era tarde demais. Eles já a tinham visto e acenavam para que se aproximasse.
- Oi, Gina, disse Rony. Você acaba de desencontrar-se do Harry. Ele passou a manhã toda aqui. Disse que vocês se divertiram pra "caramba" na Disney.
- Caramba? brincou Lillian. Ninguém mais fala "caramba" hoje em dia.
- Mas o Rony fala! disse Helen com uma risadinha. A Mione contou que ela e o Harry lhe deram uma Bíblia. Isso foi muito legal.
- Oh! Legai! Essa é uma palavra super moderna, brincou Rony.
Helen embolou uma camiseta e jogou nele.
- É, disse Gina, tentando parecer tranqüila. Foi muito bom. Ela queria contar-lhes sobre sua decisão de entregar a vida a Cristo, mas não sabia como.
- Nós vamos fazer um churrasco hoje à noite, anunciou Rony. Você não gostaria de vir também?
- Onde vai ser?
- Lá naquela churrasqueira, disse Helen, indicando uma churrasqueira logo à frente. Cada um traz alguma coisa, e a gente senta, conversa, canta... é mais ou menos assim. É parecido com o nosso grupo da igreja, mas tentamos não ser fechados. Michelle, Rony e eu viremos. O Harry disse que talvez viesse e, se vier, trará o violão.
- O Harry toca violão? perguntou Gina.
- Cê não sabia? E toca bem, viu!
Durante as duas horas que se seguiram, Gina ficou conversando com Helen, enquanto Rony surfava com sua prancha de Body Board. Ficou deitada de costas o tempo todo, para bronzear bastante o rosto. Assim, quando descesse do avião, todos veriam que ela estivera na Califórnia.
Lá pelas cinco, Gina foi em casa pegar umas salsichas para grelhar e um moletom.
Na mesa, ao lado da porta da frente, havia uma carta para ela. A princípio pensou que fosse a letra da Paula, mas depois percebeu que era da Cho. Pensando bem, fazia tempo que a Paula não lhe escrevia. Deixa pra lá. Amanhã estaria em casa e em breve poderia contar à amiga tudo sobre a Disneylândia, a catástrofe com o Harry e a entrega de seu coração a Jesus. Tantas coisas tinham acontecido em tão pouco tempo!
Sentou no primeiro degrau e leu a carta rapidamente. Parecia que Cho estava um pouquinho melhor do que demonstrava na carta anterior, mas talvez fosse por causa de um novo namorado que mencionava. Até a avó o aprovava. Um universitário de nome Everett. Mas todo mundo o chamava de Bret. Ela parecia mais feliz, mas Gina ficou pensando quanto tempo isso duraria.
Colocou a carta de volta no envelope e resolveu que escreveria para a amiga quando estivesse no avião. Agora ela achava que tinha algumas respostas a oferecer-lhe. Ter Jesus no coração fazia com que não se sentisse mais só. Não precisava mais tentar decifrar as coisas sozinha. Cho precisa desse Amigo, pensou. Alguém que não a abandone.
Abriu a porta do quarto e encontrou o tio guardando uma calça jeans dela numa mala.
- Espero que não se importe, disse ele. Acho que vamos ter de arrumar umas caixas ou outra mala. Parece que vai voltar para casa com mais coisas do que trouxe!
- Não precisa fazer isso, tio. Eu arrumo mais tarde.
- Bem, sua tia fez uma reserva às seis e meia no restaurante Five Crowns, e eu pensei em adiantar um pouquinho as coisas para você.
- Ah, não! suspirou Gina. Eu ia para a praia com o pessoal. Estávamos planejando assar salsichas pra fazer cachorro-quente. Nós temos mesmo de ir ao restaurante?
- Acho que ela queria que sua última noite aqui fosse especial.
- Se eu puder passar com meus amigos, é que vai ser especial! argumentou Gina.
- Bem, disse Bob, com os olhos brilhando. A gente faz o seguinte: você sai bem quietinha pela garagem, e eu coloco uma sacola com as salsichas na escada, na porta dos fundos. Não se preocupe com sua tia. Eu dou um jeito de amansá-la.
- Você é radical!
Gina deu um abraço apertado no tio.
- Radical? Isso é bom?
- Com certeza!
Passou alguns minutos diante do espelho, arrumando o cabelo. Borrifou água fria no rosto e passou um pouco de gel de aloe vera sobre a pele queimada. Parecia mesmo uma garota da Califórnia: bronzeado escuro, cabelo clareado pelo sol.
Assim que eu puder vou mudar-me para a Califórnia, pensou. Talvez possa cursar a faculdade aqui.
Era ali que se sentia em casa agora. Não estava mais ligada a vacas, nevascas e tudo o mais lá do Wisconsin. Estava muito mais interessada agora em palmeiras e pranchas de surfe.
Passou rímel, pegou o moletom e ficou na porta dos fundos esperando a sacola de salsichas prometida. Bob entregou-a com uma piscadela, e ela correu para a fogueira que já crepitava, preparada pela turma na praia. Mione estava lá, arrumando os espetos para assar as salsichas. Miúda e bonitinha, Mione tinha um sorriso fácil e enormes olhos castanhos. Gina tinha se esforçado tanto para não gostar dela, mas agora percebia o quanto sentiria sua falta.
- Gina! O Harry me disse que você vai ter de ir embora amanhã. Não acredito! falou jogando os espetos de lado e abraçando a amiga. Vamos sentir sua falta.
Gina olhou rapidamente à sua volta. Harry ainda não chegara. Sentia-se desapontada e aliviada ao mesmo tempo.
- Obrigada, respondeu, abraçando Mione. E obrigada pela Bíblia com a capa tão bonita que você fez. Gostei demais!
- Mesmo? Fico feliz. Depois do nosso rápido encontro de ontem, fiquei sem saber se deveria entregá-la a você ou não.
- Ainda bem que entregou. O Harry vem?
- Não sei. Brian, sabe se o Harry virá?
- Ele esteve aqui hoje cedo quando falávamos sobre o encontro, mas não disse nada.
- Quem sabe o que o "Sr. Imprevisível" fará? acrescentou Michelle.
Falou bem, pensou Gina.
Durante cerca de uma hora ela ficou olhando, esperando que o Harry aparecesse. Contudo não sabia bem o que diriam um ao outro se ele viesse. Depois de algum tempo, entretanto, parou de se preocupar com ele e tentou tirá-lo da cabeça. Todo mundo estava tratando-a muito bem e estava fácil divertir-se.
- Se o Harry não vier com o violão, a gente canta assim mesmo, disse Hermione.
O sol desaparecia na linha do horizonte como uma imensa bola alaranjada.
O grupo de onze jovens ajuntou-se em volta da fogueira, começando a cantar músicas que Gina nunca ouvira antes. Algumas eram suaves, outras mais animadas. Contudo todas falavam sobre o Senhor, ou melhor, eram canções que eles cantavam para Deus. A letra de uma das músicas era um versículo bíblico:
Buscai primeiro
O reino de Deus
E a sua justiça,
E as outras coisas vos serão acrescentadas
Aleluia, aleluia.
Este é o lugar mais lindo do mundo, pensou Gina. Que noite perfeita! Seria tão bom se o Harry estivesse aqui... Se não tivéssemos acabado a noite passada daquele jeito.... Mas este céu límpido, essa brisa, essas músicas confortantes... Tudo isso é tão maravilhoso! Não quero ir embora! Quero ficar! Não podem me obrigar a ir!
Michelle deve ter notado as lágrimas de Gina brilhando à luz da fogueira, porque se inclinou para ela e cochichou:
- Provavelmente vai ser duro para você ir para casa. As lágrimas faziam arder a pele queimada de sol, do rosto de Gina.
- Não quero ir embora!
- Vai dar tudo certo, você vai ver!
O cântico que cantaram em seguida era inspirado em outro versículo bíblico:
"Lançando sobre Deus a nossa ansiedade,
Pois Ele tem cuidado de nós.
Toda a minha ansiedade lanço sobre ti.
Os meus fardos deixo a teus pés.
Quando não souber como agir,
Entregarei meus cuidados a ti."
Gina nunca sentira o coração tão cheio de alegria como agora.
O grupo permaneceu em torno da fogueira até o último pedaço de lenha virar brasa. Então cada um orou. Alguns oravam pela família, outros pela conversão dos amigos, outros ainda agradeciam a Deus pelo que ele fez por eles. Gina foi a penúltima a orar e, para sua surpresa, as palavras saíram com facilidade.
- Querido Senhor, quero lhe agradecer por ter entrado na minha vida hoje de manhã. Esteja com minha família, ajudando-nos com os problemas que estamos enfrentando agora, e por favor, esteja comigo na minha viagem de volta amanhã. Amém.
Rony, que deveria orar em seguida deu um abraço em Gina e perguntou:
- Você fez isso mesmo?
- Isso o quê?
Gina abriu os olhos assustada. Todo mundo estava olhando para ela.
- Você convidou Jesus para entrar em sua vida hoje de manhã?
- Sim, respondeu, surpresa com a reação do pessoal.
Todos falavam ao mesmo tempo.
- Mas isso é ótimo! Que maravilha! Que legal! Temos orado tanto por você!
Ajuntaram-se todos ao seu redor e a abraçaram. Gina ficou admirada com a alegria que eles estavam demonstrando. Nunca se sentira tão amada e aceita como naquele momento.
Seria tão bom se o Harry estivesse ali também! Era horrível não saber se o veria novamente. Depois daquela cena de ontem, então... Não fazia idéia como poderiam resolver aquela questão, mas sabia que conseguiriam, se tentassem.
Ficaram ainda em volta da fogueira já meio apagada até todos começarem a sentir o frio do vento noturno. Lá pelas onze, Rony acompanhou-a até em casa.
- E então, aproveitou bem o verão? perguntou, passando a mão no cabelo curto.
- Acabou depressa demais.
- Estou feliz por ter conhecido você; e mais feliz ainda porque você tornou-se cristã. Não vai se arrepender nunca.
- Será que Deus ajuda mesmo a gente quando as coisas vão mal? perguntou Gina.
- Sim, mas ele não tira as dificuldades. Ele nos ajuda a passar por elas. Além do mais, todas as situações difíceis nos ajudam a crescer. A gente aprende a depender dele e não de nós mesmos. Pelo menos é isso que acontece comigo, disse Rony, quando se aproximavam da escada na entrada da casa.
- Sabe do que eu vou sentir falta? De escutar as pessoas falando sobre Deus com tanta facilidade e naturalidade. Aprendi muito com todos vocês nestas férias. Lá na minha cidade não tenho amigos que amem a Deus como vocês.
- Bom, parece que você vai ter de falar com eles. Comece o seu próprio grupo de amigos de Deus.
- Amigos de Deus? repetiu ela.
- É, ou qualquer outro nome que você queira dar ao grupo. Pra começar basta uma pessoa.
Era tão fácil conversar com o Rony! Por que ela não gostava dele do jeito que gostava do Harry? Ele era gente boa, bonito e muito atencioso, mas havia um "algo mais" no Harry.
Harry. Por que não era ele que estava ali com ela, em vez do Rony? Ela havia estragado o relacionamento deles ao jogar a sandália nele.
- Preciso entrar, disse Gina, tremendo um pouco por causa do ar frio. Até logo! Espero ver você novamente algum dia. Rony lhe deu um rápido abraço e disse:
- Aqui, ou no céu, se não te encontrar antes.
Gina riu e entrou. Encontrou o quarto totalmente limpo. Suas roupas estavam em três malas novas, abertas no chão. Havia um bilhete de seu tio no travesseiro:
"Espero que tenha se divertido. Você terá de tirar alguma coisa da mala para usar na viagem amanhã. Acordo você às seis para que tenha tempo de se aprontar.
B."
Gina não conseguia dormir. Havia tantas questões em sua mente... Por que Harry não apareceu no churrasco? Será que o verei novamente? Por que tenho de ir para casa? Por que a vida é tão complexa? Ficou exausta tentando encontrar as respostas.
Afinal, entregou os pontos. Resolveu simplesmente confiar no que Rony lhe dissera: que Deus a ajudaria a enfrentar as dificuldades, em vez de removê-las.
- Tudo bem, disse Gina em oração. Acho melhor depender do Senhor para me ajudar nessas frustrações todas, senão vou acabar enlouquecendo tentando entender tudo isso.
Em seguida, entrou debaixo da coberta e começou a cantar baixinho "Toda a minha ansiedade lanço sobre ti. O meu fardo deixo a teus pés..."
Adormeceu antes de terminar a música.
Na manhã seguinte Bob bateu em sua porta às 6:02.
- Temos de sair daqui a uma hora, Gina. Me chame se precisar de alguma coisa.
Ela tomou um banho e se vestiu, ainda meio tonta. Os ouvidos zumbiam como se um aviãozinho de brinquedo estivesse dando voltas ao redor de sua cabeça.
Depois de arrumar o cabelo, enfiou o último dos cosméticos na mala e, abrindo a porta, gritou:
- Estou pronta!
Marta apareceu no corredor.
- Tem certeza de que pegou tudo, querida?
Estava elegantíssima num conjunto amarelo e azul-marinho. Parecia friamente calma, e nada em sua atitude lembrava o conflito de ontem. Aparentemente Bob havia dado um jeito no problema do restaurante, mas Gina, prudentemente, achou melhor não tocar no assunto.
- Sim, mas não consigo carregar estas malas. Estão pesando como chumbo!
Bob levou as malas para o carro uma a uma e acomodou-as no porta-malas.
Quando o carro estava descendo a rampa de entrada da garagem, Gina, chorando, deu uma última olhada na casa e na praia, e pensou no Harry mais uma vez. Estava tudo acabado: as férias, seu primeiro amor...
O carro parou no sinal fechado. Era o mesmo cruzamento que ela e Harry haviam atravessado no passeio de bicicleta dupla. Harry. Só pensar nele dava uma dor no coração! Gina engoliu em seco, tentando desfazer um nó na garganta.
- Estou de farol aceso? perguntou Bob a Marta.
- Não.
- Então por que o cara atrás de mim está piscando os faróis e abanando as mãos? Gina virou-se.
- É o Harry! Fique parado aí!
- Mas querida, o sinal acabou de abrir! protestou Marta.
Gina saltou do carro e correu até a "Kombi Nada". Harry desceu da kombi, deixando o motor ligado, e entregou-lhe um pequeno buquê de cravos brancos. Sua flor predileta! Como ele sabia? Será que havia conversado com sua tia de novo? Nessas alturas, não estava nem se importando mais.
- Ainda bem que você parou, disse Harry, com um sorriso que fazia aparecer as covinhas. A buzina da "Nada" não quer funcionar hoje.
- Obrigada pelas flores.
- De nada. Ei! A Mione me telefonou ontem e contou que você aceitou a Cristo!
- Sim! disse Gina, baixando timidamente o olhar. Finalmente tudo fez sentido, e percebi que era hora de entrar no barco como você havia dito.
- Você nem imagina o quanto estou feliz! Tenho estado tão chateado com a história do Cedrico... Mas saber que você tornou-se cristã é o fato mais animador que poderia me acontecer no momento.
Olhando mais uma vez seu rosto forte e bronzeado, Gina tentava desesperadamente memorizar tudo nele: os olhos tão intesamente verdes, as covinhas, o cabelo preto totalmente desalinhado.
O motorista do carro atrás de Harry, cansado de esperar, deu a volta, passou por eles buzinando e atravessou o sinal amarelo.
- Acho que precisamos ir, disse Harry, com um daqueles seus maravilhosos sorrisos confiantes. Meu endereço na Flórida está no cartãozinho das flores. Não prometo escrever muito, mas se você me escrever, prometo responder.
- Tudo bem, concordou ela, esforçando-se para não chorar, e sussurrou: Até logo, Harry.
Ele se inclinou, lá no meio da avenida, na frente de todo mundo, e lhe deu um beijo suave nos lábios. Um beijo breve e terno. O tipo que vem somente do amor inocente, cuja memória dura para sempre.
- Vou sentir sua falta, murmurou Harry.
- Eu também vou sentir sua falta!
Harry ergueu o olhar e mudou o tom de voz.
- Sinal verde de novo. Precisamos ir.
- Até logo! gritou ela, correndo para o carro. Prometo escrever.
Bob acelerou, deixando a "Kombi Nada" para trás no sinal fechado.
Por alguns instantes reinou profundo silêncio no carro, enquanto Gina encostava os lábios no buquê de cravos, relembrando aquele primeiro beijo.
- Bem, disse Marta com satisfação. Só para você saber, eu não tive nada a ver com esse encontro.
- Não mesmo? disse Gina com voz leve e em tom sonhador. Como ele soube que cravos brancos eram meus prediletos?
- Kismet, declarou Bob.
- O que é isso?
- Algumas coisas são simplesmente inexplicáveis. Você tem de entender que há uma força superior comandando tudo.
- E há mesmo! concordou Gina. Eu o conheço pessoalmente.
- Bem, isso é muito bonito, querida. É uma forma simpática de se pensar em Deus.
Marta abaixou o quebra-sol para verificar a maquiagem no espelhinho.
- É mais que isso. Eu fiz uma promessa a Deus nestas ferias.
Prometi a ele todo o meu coração. Agora confio nele e espero que ele faça aquilo que achar melhor na minha vida.
- Isso é ótimo, querida, disse Marta apertando os lábios. Mas o meu conselho é: não exagere nessa visão religiosa da vida. Quem controla o seu destino é você. Não adianta ficar esperando que Deus faça aquilo que você mesma pode fazer.
- Você está certa, Marta, concordou Bob. Como eu lhe disse há algumas semanas, "A ti mesma sê fiel". Cris riu baixinho e passou os cravos no rosto.
- Tentei ser fiel a mim e seguir minha própria cabeça, mas comecei a me afundar. Prefiro seguir a vontade do Senhor. É muito melhor! Além do mais, agora tenho certeza de que vou chegar ao Havaí.
Marta deu uma olhada meio de lado para Bob, e cochichou:
- O que será que ela quer dizer com isso?
O olhar de Bob dizia: "Sei não".
Gina apenas sorriu e passou os cravos na ponta do nariz, sentindo o perfume doce e forte.
Uma alegria indizível brilhava dentro dela. Suas férias na Califórnia iam-se acabando como a maré que se afasta, deixando tesouros na praia de seu coração e mudando sua vida para sempre.
F I M
N/T: Oi galerinhaaaaaaa linda do meu coração! Desculpa a demora e que estou muuuuuuuuuito enrolada com a Facu, com a minha própria fic e etc.
Postei o ultimo cap dessa fic que me abençoou tão grandemente durante toda a minha adolescência.Ela tem continuação e logo começarei a postá-la a fic se chama Segredos e Surpresas. E voce já pode encontra nesse link:
http://fanfic.potterish.com/menufic.php?id=30930
Gente to deixando o meu msn quem quiser me add para falarmos de fic e etc é:
carolreisz@gmail.com
Sintam-se a vontade
Gente preciso de uma beta URGENTEEEEEEEEEEEEE ( assim os cap saíram mais rápido, alguém se candidata???)
Vamos aos comentários
patty black potterOi Pati!!!Primeiro quero dizes que adorooooooooo sua fics e perguntar pq parou de publicar ousada conquista ?????????? Hum rsrsrsrs Então gostou dessa fic ? Já leu qts livros da Robin ??????? Bjs fica com JESUS
NATALIA REISOi Naty!! Tudo bem com vc ? spero que sim, então gostou do cap final ??? O que será que os pais da Gi fizeram ela correr para casa ? Hum...mais detalhes na próxima fic rsrsrs Bjs te aguardo lá
Maari V. Potter Oi sumidaaaaaaaaa!! Tudo bem com vc ? Gostou do cap final ? Te espero na continuação dessa fic bjs fica com JESUS
marcela h. Posteiiiiiiiiiii rsrsrs. Então gostou do cap? O que achou do final da Gi e Do Harry. Só posso te adiantar uma coisa esse casal prometeeeeeee rsrsrs Bjs guria fica com DEUS
Yumi Morticia voldemort Oi Yumi! Tudo bem querida, então gostou do fim dessa fic ? Olha tem muitaaaaaaaaa continuação e espero que vc continue gostando bjs fica com Deus
Judith Oi Ju! Sim tive que mudar ,pois essa fic tem 12 livros de continuação entã já viu né muitaaaaaaaaa fic rsrs então opitei criar uma conta somente para essas fic, mas então gostou do cap final ? Bjs fica com JESUS
ISAOi Isa rsrsrs e eu sei que pais aqueles né,mas eles tinha um bom motivo ?!? RS leia a continuação vc descobrira o pq daquilo tudo! Bjs fica com JESUS
verenaPosteiiiiiiiiiiii gostou ?
wanda Oi Wanda !!! Tb chorei qdo o Cedrico morreu...gosou da fic ? até a próxima fica com JESUS
Diana Watson Oi Di! Tudo bem ? Desculpa a demora ,então gostou do fim ele entregando as flores para ela ???bjs querida ate a próxima
fica com JESUS
Maari V. Potter Oi Mari, desculpa a demora então gostou do fim ? Te espero na continuação bjs fica com JESUS
Bianca Oi Bianca que bom que gostasse da fic. Então que vc mais gostou na fic ?Bjs querida te espero na próxima.fica com JESUS
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