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31. O "correio" chegou


Fic: Labirinto


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capítulo 31 – O correio chegou



Resumo do cap. anterior – Harry, Rony e McKinley se juntam a Mestre Lao, um antigo professor de aurores e espadachim que vive como um simples fazendeiro numa região montanhosa na China. Os dois rapazes vão aprender a dominar a arte da espada com o mestre, que também conta com dois discípulos, Jin e Mei. Em paralelo, Gina volta para Hogwarts e no dia do seu aniversário se encontra com Draco Malfoy. O ex-capitão do time da Sonserina dá presentes para a garota e tenta se aproximar mais dela. Mas Gina ainda pensa em Harry. Na China, Harry sente a falta da jovem, porém continua impregnado pelo desejo de vingança. Isso ainda é muito forte nele. Mestre Lao capta que a aura do rapaz está maculada e diz que ele terá um ano para se recuperar. Num desafio, Harry perde para Mei, a aluna brilhante de Lao, e isso serve para dar-lhe uma lição de humildade. Mei, por sua vez, se mostra interessada em Rony. E Harry, que carrega consigo o pingente com os cabelos ruivos, imagina que não existe ninguém mais solitário do que ele.













Rony estava mergulhado no sono quando a porta de seu quarto se abriu repentinamente. Embora estivesse escuro e gelado, o rapaz saltou das cobertas quentinhas no mesmo instante. Seus sentidos estavam mais aguçados desde que começara a se preparar com McKinley e Lao.

- Quem está aí? Lumus!

As lanternas de seu quarto se acenderam de imediato e o ruivo se surpreendeu ao ver uma garota de cabelos castanhos olhando para ele com um aspecto severo.

- Ronald Weasley, francamente, sua imaginação para inventar senhas é péssima!

- Mione?! Como conseguiu entrar? E o que está fazendo aqui?

- Não fuja do assunto. Quem te conhece um pouco que seja, sabe que você é louco pelos Chudley Cannons. Qual foi meu primeiro palpite quando vi que você selou a porta? Nossa, tive de queimar meus neurônios – ironizou, cruzando os braços no peito. – Chudley Cannons!

- Arre, por que você está tão brava assim? – disse, enfiando os dedos na cabeleira para ajeitá-la. - Ok, você é um gênio. Matou a charada de primeira. Está satisfeita agora?

- Satisfeita? Rony, você precisa melhorar a segurança. Qualquer um poderia entrar aqui se fizesse algumas perguntas inocentes para seus antigos colegas de Hogwarts. Só isso. Você está sendo óbvio demais!

- Tá certo. Você tem razão. Aliás, quando não tem? – perguntou com sarcasmo, pegando o relógio para conferir as horas. Eram 6h30. – Por mil dragões, você me fez acordar antes do tempo. Eu podia ter ficado ainda 15 minutos na cama. Afinal, o que você está fazendo aqui?

- Eu não podia perder tempo! Dumbledore me mandou aqui para chamar a sua atenção. Você precisa se empenhar mais nas práticas. O Harry em seis meses está tão bom com a espada que já pode ser considerado quase um espadachim. E você?

- Não sou tão bom quanto ele. O cara realmente tem o dom! Mas, em compensação, eu consigo ser mais sensível do que o Harry. Sou melhor para captar cheiros e sons e saco mais as texturas. Com mais um pouco de treinamento, serei capaz de dizer se você usou hidratante ou não nesta manhã – brincou. – Agora que você me acordou, vê se me dá licença para eu trocar de roupa.

- Está me expulsando? – perguntou com nervosismo.

- Claro que não, mas eu preciso de um pouco de privacidade.

- Está frio lá fora...

- Muito bem. Fique aí, então, mas olhe para o outro lado.

- Até parece que eu vou ficar olhando... ohhh – perdeu o ar de espanto. Rony tirou a calça do pijama com o propósito de deixar a garota sem jeito. A camisa era comprida e cobria inteiramente a roupa íntima. – Você não tem mesmo respeito.

Hermione ficou de costas. E Rony ficou imaginando se ela tinha aprovado suas pernas. Sabia que estavam fortes. Os exercícios que vinha praticando, a arte da espada e as aulas de McKinley mexiam bastante com seus músculos. E nisso ele tinha certeza que estava melhor do que Harry e Jin, dois sujeitos magros por natureza. Mas a garota não se pronunciou.

- Pode se virar. Já não tem problema – disse, ainda com o peito nu, o que aparentemente não abalou a jovem.

- Quando é você vai começar a se comportar como um homem e não como um moleque? – disparou, erguendo a sobrancelha, numa expressão muito séria.

Ele se aborreceu um pouco com a dureza daquelas palavras. De repente, ouviu um som diferente do habitual. Pareciam asas.

- Mione, você está escutando isso?

- Isso o quê? E é você que não está escutando. Por que não me responde?

- Porque não é uma pergunta que mereça resposta, ora. Você veio aqui para me dar bronca, é?! Isso não seria nada estranho vindo da sua parte.

Hermione abriu os braços e fez uma cara de incredulidade.

- Que ataque infantil! É sempre assim. Você não quer amadurecer. Quer ficar eternamente como o garotinho de Hogwarts. Cresça, Rony.

- Eu cresci, se que é que você não percebeu – disse, ficando em frente à garota. Estava, de fato, mais alto do que a média.

- Só no tamanho. Continua fazendo bobagens como se fosse um moleque.

- Dê um exemplo – provocou, colocando um braço na parede em que Hermione se apoiava. Estava muito perto dela. E desejou abraçá-la.

- Você não é capaz de verbalizar o que sente por mim.

Rony recuou. Ficou sem fala. Para disfarçar, colocou o casaco, ainda mudo.

- Que atitude é essa? Até o Neville ia aproveitar o momento para se aproximar e confessar que gosta mesmo de mim.

- Ficou louca? E que papo é esse?! Você tem namorado! Um campeão de quadribol! Um cara que ganha uma fortuna! Um sujeito... brilhante – ironizou, enquanto fazia a cama se arrumar sozinha e o pijama dobrar-se para entrar debaixo do travesseiro.

- Rááá! É isso. Por causa da sua sensação de inferioridade, nem tentou arriscar. Mais uma das suas bobagens. O máximo que ia acontecer era eu dizer não.

- Isso já seria o suficiente para acabar comigo! – disparou. Respirou fundo. – Vamos parar de falar sobre isso. Daqui a pouco tenho de sair para chamar o Harry.

- Muito bem. Fuja. Só vou te lembrar uma coisa: é feio brincar com o sentimento das pessoas. Então, trate de avisar a essa moça que você gosta de outra pessoa.

- Essa sua mania de querer me dar ordens é que é uma coisa muito feia! – bufou. – E além do mais eu não tenho nada com a Mei.

- Tá na cara que ela está interessada. Não seja tonto de deixar a coisa rolar e na última hora ter de se explicar. É melhor você esclarecer logo que gosta de mim.

- Ohhh, desconhecia esse seu lado arrogante. Acha que não posso gostar de outra pessoa, que só posso gostar de você?! A Mei é bem bonita, doce, me ouve e, olha só, nunca briga comigo. A gente se entende como... humm... como adultos. Não é isso que você quer que eu me torne?! – observou, sarcástico.

Os lábios de Hermione tremeram.

- Você tem de falar para ela que gosta de mim – disse, titubeante. Parecia insegura.

- A verdade é que eu não preciso. Você tem alguém. Eu estou livre. Posso me envolver com quem eu quiser.

- Não enquanto sentir o que sente por mim – rebateu num tom de voz mais baixo. E insistiu, já sem tanta convicção. – É melhor você dizer que gosta de mim.

- Só porque você quer...

- Diz que você gosta de mim... – murmurou, num estilo totalmente oposto ao que iniciara a conversa.

O alarme do relógio disparou e Rony despertou assustado. Esfregou os olhos. Não havia sinal da garota. Mas tinha sido um sonho tão intenso que seu coração estava acelerado. Engoliu em seco. A distância de Hermione estava começando a lhe incomodar vivamente. Nos últimos sete anos, tinha se acostumado à presença dela e ficar assim tão longe estava ficando angustiante. Vestiu-se rapidamente e foi até o quarto de Harry. Bateu na porta e em seguida usou a senha para entrar.

- Pomo dourado – disse e concluiu que Hermione estava certa. As senhas eram muito óbvias para quem os conhecia.

Assim que Rony entrou viu que Harry já estava de pé. Ele olhava com interesse algo pela janela do quarto. O ruivo perguntou o que era.

- Edwiges e Pichi estão fazendo uma festa. Estão voando de um lado para o outro já faz um tempinho.

- Ah, então eu ouvi mesmo barulho de asas. Bem que eu falei para a Mione.

- Hein?

- Nada. É que eu sonhei com ela e no sonho falei que estava escutando esse barulho, mas ela nem ligou para o que eu disse – respondeu sem graça.

- Claro que você sonhou com ela. Hoje faz seis meses que a gente deixou a Toca. O nosso “correio” está aberto. E você deve estar esperando alguma mensagem da Mione, não é?!

Rony mexeu na cabeleira.

- Lógico. Somos amigos!

- Ah, pára com isso – impacientou-se Harry, despindo o pijama. Ao contrário de Rony, não tivera sonhos. Aliás, mal dormira. O coração estava carregado de dúvidas. Se Gina escrevesse pedindo desculpas pelo que fez, seria maravilhoso. “Mas e se não escrevesse?”, perguntou-se um tanto aflito. De toda forma, não poderia desejar mais nada. Não enquanto não resolvesse sua pendenga com Belatrix. Nesse instante, suspirou. Não tinha avançado nada em seu plano de vingança. Não tinha a menor idéia de onde ela estava e não podia fazer avanços num lugar tão isolado como aquele. Sentia-se preso. E amargo.

- Oh-ho, alguém acordou mal humorado... – tripudiou Rony. – Muito bem. Já que as corujas estão a postos, que tal levar logo as mensagens? Eu tenho as minhas preparadas faz tempo.

- Eu não tenho nenhuma. Não vou escrever para ninguém.

- Como assim? Não entendi.

- Não vou escrever. Não quero! Isto aqui não é um intercâmbio. Eu tenho um objetivo e é nisso que vou me focar – respondeu com voz de indiferença.

- Sei muito bem qual é o objetivo: Belatrix! Ok. Não vou fazer mais comentários. Te vejo na mesa do café – e saiu.

Harry sentou-se na cama para amarrar o tênis. Deu o laço e se jogou no colchão de novo, mirando o teto. Com um movimento dos dedos, fez com que um pergaminho amassado saísse da lata de lixo. Abriu-o e releu o que tinha escrito na noite anterior, antes de se deitar. “Gina, já estraguei um bom número de pergaminhos e esvaziei um tinteiro tentando escrever para você. Tentando porque até o momento não encontrei as palavras certas. Tudo bem. Vai assim mesmo. Quero te contar que, com todas as coisas ruins que aconteceram entre a gente, sinto sua falta. Não falo mais como o candidato a namorado. Seu gesto de jogar o pingente (e também o que eu sentia) no lixo foi bem eloqüente. Por isso, não se preocupe. Não vim tratar disso. Aliás, nestes seis meses consegui esquecer um pouco daquele dia. O que sinto falta é da amiga que tive um dia. Em ambientes solitários como o que estou, a gente aprende a valorizar os risos e as conversas do passado. Ainda não entendo por que você me prejudicou naquela hora. Por quê? Mas acho que minha bronca vai passar um dia. Até lá, espero que você dê uma resposta convincente para minha pergunta. Torço que você esteja bem. Está vendo? Não sou um mau sujeito.”

Voltou a amassar a carta e a arremessou de volta para a lata. “Não posso mandar isso. Tá muito ‘oh, pobrezinho de mim’. Não preciso me humilhar”, pensou. Vestiu o casaco e saiu do quarto decidido a não mandar correspondências pela Edwiges. “Se a Gina me escrever, lamentando o que aconteceu, aí eu vou responder.”







*****







Luna Lovegood andava sossegadamente pelas ruas de Hogsmeade. Era mais um dia livre que tinham na vila bruxa. Estava para entrar numa loja, quando sentiu um braço puxá-la por trás. Draco Malfoy a encarava com os olhos cinzentos expressando preocupação.

- Onde está a Gina? Ela não respondeu à minha coruja desta semana.

- Oi, Draco. Nossa, a mulher está muito estranha nos últimos dias. Tensa, angustiada. Ontem, ela me contou que escreveu para a Toca, perguntando de todos. Falou assim, tentando ficar na boa. Mas desconfio que tem mais coisa aí.

- Por que ela não veio hoje?

- Ela disse que talvez receba uma coruja hoje ou amanhã. Por isso a Gina não virá para Hogsmeade neste final de semana. Vai ficar em Hogwarts mesmo. E, vai por mim, a mensagem deve ser algo realmente importante porque ela tá uma pilha.

- Interessante. Você acha que pode ser do Potter? Será que ela escreveu para o Potter? – perguntou sem disfarçar o azedume. – Porque ele está viajando há tanto tempo que já está na hora de voltar. Ele pode ter voltado, não pode?

- Ai, que bonitinho. Você está com ciúmes. Sossegue! Acho que ele não voltou. Meu pai disse que o Harry deve ter sido mandado para uma missão secreta na Sibéria. Alguns bruxos de lá garantem que viram na região uns hichivious rastejantes que, todos sabem, são muito perigosos quando começam a devastar a tundra. Ficam raivosos mesmos. E quem melhor para lidar com esse tipo de criaturas do que o Harry?

- Hichivious rastejantes?! O que é isso? Ah, deixa para lá. Então, você acredita que ele não voltou? A Gina comentou algo parecido ou deixou escapar uma dica disso?

- A Gina nunca fala do Harry. Exceto se você perguntar dele.

- Sei. Mais ou menos como eu quando minha mãe me pergunta o que tanto faço em Hogsmeade...

- É verdade. Você não perdeu nenhum final de semana nosso. Este é o sexto e você está aqui! Mas por que você falaria do Harry quando sua mãe te pergunta sobre Hogsmeade?

- Não é isso! Quis dizer que eu nunca falo da Gina para a minha mãe quando ela pergunta sobre Hogsmeade. Entendeu aonde quero chegar?! Não é porque ela não fala dele que ela não pensa nele. É isso! Não tenho tempo a perder.

- Onde você vai correndo desse jeito?

- Para Hogwarts.







*****







O dia estava chegando ao fim nas montanhas onde Harry e Rony treinavam com McKinley. O frio atrapalhava a concentração, mas pior que isso era sentir o quanto os rapazes ansiavam pelas mensagens.

- Concentração é o segredo, meus caros – ponderou o professor, surpreendendo os dois ao surgir por trás de uma árvore após o treino de táticas de observação.

- Ok. O senhor nos pegou mais uma vez – murmurou Rony, decepcionado.

- Não é de se admirar. Afinal, vocês estão com a cabeça longe.

- O Rony está. Não eu – rebateu Harry, enquanto apalpava o cabo da espada como se estivesse adiantando aos dois a intenção de continuar treinando naquela noite.

McKinley olhou para o relógio e assobiou. O dia tinha passado. Perguntou a Harry se ele estava disposto mesmo a treinar. A temperatura caía e também o ânimo de Rony e do professor. Diante disso, o bruxo respondeu que podia se limitar a fazer uma caminhada pela montanha.

- Uau! Que pique – bocejou Rony, demonstrando cansaço.

Logo seu estado de espírito mudou da água para o vinho. Com um grito, apontou o céu. Duas corujas se aproximavam. O rapaz retirou a toca, arrepiando os cabelos vermelhos. Abriu um sorriso largo, copiado pelo professor.

- Rony, o que você tanto aguardou está chegando. Veremos se Pichi trouxe também alguma notícia para mim – comentou McKinley, que enviara uma longa carta para Dumbledore por meio da coruja de seu assistente.

Sem querer demonstrar ansiedade, Harry engoliu em seco e permaneceu quieto, acompanhando o vôo regular de Edwiges. Rony e McKinley riam com as evoluções amalucadas de Pichi.

- Espero que isso não signifique que minha coruja esteja sem carga – brincou o ruivo. – Ei, Harry, seu pedaço de gelo, você não está contente de ver o “carteiro”?

Harry apertou o cabo da espada. Seis meses tinham se passado desde o rompimento com Gina. Agora saberia se a garota ainda nutria algo por ele. Por um segundo, desejou muito ter enviado uma mensagem. Qualquer uma. Nem que fosse um simples “olá”. Edwiges estava bem perto e ele estendeu o braço com firmeza. A ave pousou e mostrou que havia um pacote preso em suas garras. O estômago de Harry se contraiu.

- McKinley, a carta maior é sua! – berrou Rony, tirando sarro. Ele tinha aberto o pacote carregado por Pichi e entregou um pergaminho comprido para o ex-auror.

Edwiges piou, intrigada por Harry não pegar seu pacote. “Conta aí, cara. Quem te escreveu?”, perguntou o amigo. Harry finalmente abriu o pacote e encontrou três pergaminhos. O primeiro era de Hermione. Deixou para ler depois. O segundo era uma carta dos gêmeos. Enfiou no bolso. Só faltava uma. Rompeu o lacre com os dedos nervosos. Vinha da Toca, mas exibia no final uma assinatura cheia de floreios: Artur Weasley. Revirou o pergaminho. Não havia uma linha em que aparecia a caligrafia arredondada da caçula da família.

- Rapazes, vamos ler as mensagens dentro de casa. O frio está de congelar pingüim.

Com o coração do tamanho de uma noz, Harry concordou. Soltou Edwiges e ouviu Rony chamá-lo.

- Então, de quem são as suas cartas?

- Ah, da Mione, dos gêmeos e do seu pai.

- Fred e Jorge? Bandidos. Eles não me escreveram – comentou, fingindo braveza. – Eu recebi da minha mãe, claro! Do meu pai, da Mione...

- Que bom! Finalmente, alguém toma uma atitude – ironizou, apressando os passos. Queria se trancar em seu quarto.

- Silêncio! O que o McKinley vai pensar?

Harry fez uma careta que pretendia ser divertida. McKinley já estava na frente, doido para se abrigar do frio.

- E também recebi uma mensagem da Gina... – continuou Rony.

- Verdade? – perguntou Harry à queima-roupa, sentindo o estômago se contrair de novo.

A cara fechada de Harry fez com que o ruivo reagisse.

- Nem começa. Ela é minha irmã. Quase que não contei por causa dessa sua raiva. Por Merlin, esqueça o que aconteceu – pediu, sem a noção do que realmente perturbava o amigo.

- Ah é?! Como? – explodiu. “Droga, por que essa dor? Não quero ficar mal por causa disso”, refletiu enquanto a garganta se fechava pela amargura de descobrir que, afinal, ela escrevera para alguém. Mas não para ele.

- Meus caros, que barulheira é essa? – bronqueou McKinley. – Vamos. Estou com vontade de um chá bem quente.

- Tome a minha cota, se quiser. Eu vou andar por aí – respondeu com os olhos ardendo. Afastou-se rapidamente em direção a uma estrada na montanha que costumava percorrer na companhia de Mestre Lao.







*****







Gina fechou o livro que retirara duma estante da biblioteca. Tinha lido cinco vezes o mesmo parágrafo e não conseguia se lembrar de nada. Olhou pela janela. O céu estava limpo, sem nuvens. Fincou a cabeça nas mãos apoiadas na mesa. No final das contas, não tivera coragem de escrever para Harry. Desconfiava que isso poderia ter sido um erro, mas não tinha mais jeito de consertar a possível falha. “Se ele escrever, posso ter alguma esperança de que a gente vai voltar a se falar como antes. Tomara que ele tenha entendido que eu estou sempre do lado dele”, suspirou.

Cansada do ambiente tedioso da biblioteca, a garota decidiu se arriscar do lado de fora. No frio, o lago não ficava atraente. Mesmo assim resolveu caminhar à beira da água. Calculou que ninguém iria importuná-la ali. Arrumou o cachecol, devolveu o livro e vestiu as luvas. Estava perto das árvores que ladeavam o lago quando ouviu seu nome. Surpreendeu-se de ver Draco. O rapaz usava um grosso sobretudo, destacando-se na paisagem.

- Quanta elegância. Tem audiência marcada com Dumbledore? – tripudiou.

- Você sabe que vim por outro motivo.

Gina já não ficava vermelha com as investidas do jovem de cabelos platinados. Porém ainda abaixava os olhos se percebia que ele tentava dizer algo mais romântico.

- Não vou perguntar o motivo – murmurou, querendo fugir de situações comprometedoras.

Mas Draco não era homem de desistir facilmente. Entabulou uma conversa amistosa e inofensiva. Era sempre assim que fazia para não afugentar a garota. Percebeu de imediato que ela não conseguia manter-se atenta. Perguntava sobre coisas que tinha acabado de comentar. “Há algo de estranho aqui”, imaginou. Sua suspeita se confirmou no minuto seguinte. Gina arregalou os olhos quando distinguiu um ponto negro no céu. Era pequenino, mas teve a capacidade de fazer tremer os lábios da moça. O fato aumentou a desconfiança de Draco. Ele, entretanto, fez que não notou. Procurou manter o tom de voz inalterado. Ela fazia força para se concentrar nas palavras, mas as tais tinham o poder de se embaralhar na mente. “Como? Você pode repetir?”, pediu mais de uma vez até que não se conteve.

- Errol! – chamou ao ver que a coruja de sua família pousara numa árvore ainda distante dela.

A ave deu um salto desengonçado e voou de modo tão desajeitado que se chocou em outra árvore. Gina correu até a coruja e a ergueu, apesar de ainda estar tonta. Draco observou que Errol estava velho demais para viagens longas. Mas a garota mal escutou o bruxo. Puxou com delicadeza um pergaminho que estava na pata direita do pássaro. Apertou o papel em sua mão, ansiosa para ler, porém com receio de que Draco pudesse enxergar algo. O rapaz resolveu a questão.

- Eu posso ficar aqui com Errol e dar uma revigorada nele enquanto você lê. Por que não dá uma volta para ficar mais à vontade? – sugeriu.

Gina balançou a cabeça e se dirigiu ao lago, com o coração aos pulos. Precisava ficar longe dos olhos de Draco. Viu que o rapaz acariciava a cabeça de Errol e, então, se apoiou numa árvore, ocultando-se dele. Abriu o pergaminho e deixou um “ah” de desapontamento escapar. Rony relatava seus dias junto a um velho espadachim chinês, contava de seu trabalho, falava de seus progressos. Escreveu o nome de Harry três vezes, porém não havia referência a lembranças enviadas por ele. Gina dobrou o pergaminho com cuidado e o guardou no casaco. O peito estava apertado. “Não vai chorar, hein, Gina Weasley?! Você já suspeitava que ele não escreveria”, repetiu mentalmente. Andou em círculos por alguns minutos. Necessitava de um tempo para se recompor.

Enquanto aguardava o retorno da moça, Draco agiu como um autêntico Malfoy. Acariciou a cabeça de Errol e falou calmamente tudo o que lhe vinha à mente.

- Certo, amiguinho. Não sei o que você trouxe para a Gina e isso é muito chato. Só que pior do que ficar imaginando coisas é ter a impressão de que ela esconde algo de mim. Perguntar o que escreveram para a minha garota não será suficiente para me tranqüilizar. Ah, Errol, Errol, você não tem idéia do quanto estou batalhando para ficar com essa mulher. Por isso, não vou permitir que o idiota do Potter me atrapalhe a vida mais do que já atrapalhou. Não, senhor. Portanto, todas as mensagens que você trouxer para ela, você as trará primeiro para mim. E fará o mesmo com as cartas que a Gina escrever. Todas! Imperius!

Errol piscou os olhos e emitiu um piado fraco. Draco guardou a varinha no bolso, que sacara discretamente.

- Você compreendeu tudo, não é, meu bom e velho Errol?! Ótimo. A Gina está voltando. Disfarce.

Draco continuava acariciando a cabeça da coruja. Pálida e com um brilho úmido nos olhos, Gina se abaixou para ver como estava o bichinho.

- Humm, você parece melhor. Bom trabalho, Draco.

- Obrigado. Acho que fiz mesmo um bom trabalho – respondeu, sorrindo. Depois de um curto silêncio, ele a encarou. – Pode me contar as novidades ou é assunto muito íntimo?

- Não é nada espetacular. Ahn, é uma carta do Rony. Ele está estudando para ser auror, como eu já te contei. O que não falei é que não é em Londres. Ele está meio longe de casa. Por isso, está escrevendo para nos manter atualizados. Meu irmão resolveu que juntaria duas coisas numa só: o gosto de viajar com os estudos. Daí, ele viajou...

- Como o Potter.

- Nã-não. É diferente. O Har... – gaguejou, incomodada por pronunciar o nome dele depois da decepção recém sofrida. – O Harry tem dinheiro e pode ir para onde quiser. Eles não estão juntos – mentiu.

- Ele já te escreveu?

- O Rony? Acabou de escrever. É a primeira...

- Estou falando do Potter.

- Não. E nem vai. O mundo é tão grande e tem tanta coisa para se ver. Ele não vai ter tempo para escrever... para... mim. Eu... eu nem sou a melhor amiga dele. É a Hermione – respondeu, com um sorriso forçado, que morreu logo.

Gina mordeu os lábios e balbuciou que estava com dor de cabeça e iria se deitar. Deu uma palmadinha em Errol, agradecendo a carta. Ergueu-se para se despedir. Ainda ouviu Draco dizer que a veria no mês seguinte, em Hogsmeade. Ela assentiu e retornou para o castelo.







*****







McKinley e Rony estavam entrando na casa de Mestre Lao quando viram Mei aparecer com um prato de bolo inglês. A garota ofereceu a delícia para ambos, mas o professor recusou, alegando que iria preparar uma boa xícara de chá primeiro e partiu para a cozinha assobiando. Rony estava ansioso para ler as cartas, porém não iria deixar a garota parada ali, com o prato na mão. Sentou-se numa cadeira e aceitou um pedaço.

- Está muito bom. Onde arranjou o bolo? Conjurou?

- Eu que fiz. Pedi a receita para uma tia. Gostou mesmo?

- Sim, claro. E agora vou gostar ainda mais já que foi você que fez.

Mei riu e olhou para Rony com uma expressão de satisfação.

- Minha tia não entendeu esse meu interesse repentino. Num dia nem queria falar inglês e no outro peço uma receita dessas.

- E o que você disse para ela? – perguntou, servindo-se de mais uma fatia.

- Que conheci dois ingleses muito agradáveis que me fizeram mudar de idéia em relação ao meu preconceito. Ah, antes que você estranhe por ter falado de vocês, explico que não dei seus nomes. Mestre Lao nos instruiu a nunca revelar quem são vocês realmente. Eu inventei que vocês são turistas trouxas.

- Obrigado, Mei! Você é realmente uma garota muito legal.

Ela abriu outro sorriso.

- Quer que eu prepare um chá para você?

- Que é isso? Aí seria abusar da sua gentileza. Não quero incomodar.

- Ficar perto de você nunca é um incômodo.

Rony lembrou imediatamente do sonho e dos avisos de Hermione. No entanto, permaneceu de boca fechada. Como se tivesse pressentido o que se passava na cabeça do ruivo, Mei perguntou se tinham recebido as cartas que esperavam.

- Recebemos de Dumbledore, dos meus pais e irmãos e da Hermione.

- Ah, a garota que estava sempre com vocês.

- A própria.

O rapaz abaixou os olhos por um segundo. Mei acompanhou o movimento.

- Sente falta dela?

- Sim. Ahn, dela e de outras pessoas. Você não sente falta dos seus?

- Um pouco. Mas eu também fico feliz de conviver com... vocês.

Não falaram nada por um minuto. Podiam escutar McKinley tagarelando com Jin na cozinha. De repente, Mei se aproximou do bruxo e o beijou levemente. Rony não reagiu e a garota se afastou um pouco embaraçada.

- Mei, acho que a gente não deve... – começou.

- Você gosta dessa moça. Eu sinto isso quando fala dela.

Rony sentiu as orelhas esquentarem.

- Nunca disse que gosto...

- Não precisa. Para mim está claro que gosta.

- Bem, se está tão claro assim por que me beijou? – perguntou, atrapalhado.

- Porque eu quero tentar ficar com você. Nós estamos aqui. Ela, não. Você aprecia minha companhia, não é?! Eu aprecio a sua. Muito. Você tem as qualidades que julgo importantes num homem.

- Err, você está sendo gentil. Eu não sou excepcional. Sou um cara comum, cheio de defeitos e sem ter onde cair morto.

- Você é o cara comum mais doce que já conheci.

- A Mione nunca diria isso – desabafou. – Para ela, eu sou tão sensível quanto um hipopótamo.

- Então, ela ainda não te viu como eu vi.

Rony sorriu dessa vez. Era bom ser elogiado por uma garota bonita. Mas na seqüência voltou a se recordar do sonho. “Mei, fico lisonjeado, só que eu não posso... bom, não dá... É que para a gente ter algo agora... eu não sei. A verdade é que ainda não consegui tirar a Mione da cabeça.” Confessar isso foi difícil para o jovem. E encarar os olhos tristes da moça também. Mei, entretanto, engoliu o orgulho para perguntar se haveria mal em tentar de novo mais para a frente. O rapaz ficou abalado. O que poderia acontecer dali em diante?

- Nunca fui bom de adivinhação. Deixe que o tempo responda. Desculpe, não me queira mal. Tenho de ir e ler as mensagens – e dizendo isso dirigiu-se para seu quarto.







*****







Harry andava pisando duro. Estava angustiado, nervoso, inquieto. “Ela se esqueceu mesmo de mim. Durou pouco o que sentia”, pensava com amargura. As idéias se sucediam com rapidez e ele caminhava feito um autômato. “Por que estou com raiva? Tudo acabou naquele dia”. Mas não era bem assim. Ainda tinha esperança de que Gina lhe escreveria pedindo desculpas e falando de seu arrependimento. A esperança, porém, sumiu no minuto em que Rony contou que recebera uma carta da irmã. “Ela sabia que eu ia descobrir. Fez de propósito. Se ela se importasse comigo, se pensasse em mim, teria escrito. Deveria partir dela a iniciativa da reconciliação. Foi ela que jogou primeiro o pingente”. Tocou o cordão e puxou a medalhinha para fora. “Inútil. Foi isso que a Gina disse. E é inútil mesmo. De que vale carregar isto aqui se não simboliza mais nada?” Tentou arrebentar a correntinha com um safanão, mas apenas feriu o pescoço. Irritado, sacou a espada e desferiu um golpe contra um galho que surgira em sua frente. Aquilo lhe fez bem e passou a distribuir espadadas a esmo enquanto subia a montanha. Depois de um tempo, entretanto, nem isso fazia diferença. “Maldição! Essa dor no peito não vai embora!” E arremessou a espada com força na direção de uma moita. Ela ficou fincada no solo, balançando. Harry passou a mão pelo rosto. Não tinha percebido que chorava. Limpou os olhos, com fúria. “Não vou ser ridículo. Esquecerei tudo. Vou esquecer que ela existe”. Puxou a espada de volta com as mãos trêmulas. “Não vou perder mais tempo com bobagem. Tenho de me concentrar em apenas uma mulher, Belatrix. Ela, sim, sei que não se esqueceu de mim”. E com um grito de raiva, destruiu um arbusto ressequido pelo frio. A espada fez com que ele se desmanchasse como pó.

Seu grito ecoou na região. E Harry viu nitidamente uma longa coluna de fumaça que acabara de escapulir de uma parede rochosa. Já tinha passado por ela algumas vezes durante as caminhadas noturnas com Mestre Lao. Era a primeira vez, no entanto, que percebia uma fenda disfarçada pelas imperfeições da parede. Atraído pela fumaça, o bruxo seguiu decidido até o local, com a espada em punho. Passou pela fenda e iluminou o espaço. Havia uma larga galeria por onde corria um rio estreito. Decidiu acompanhar o leito, desconfiado de que podia estar na caverna do velho dragão. Andou por uma passarela natural, escorregadia e sinuosa. Avançou sem fazer ruídos, espantado de não encontrar armadilhas. Sua espada branca refulgia na escuridão. Súbito, uma legião de escorpiões saiu debaixo das pedras cobrindo o chão tal qual um tapete negro e vivo. Harry não se impressionou. De sua espada, saiu um jato de luz azulada, congelando as criaturas. O rapaz prosseguiu, esmagando escorpiões com suas botas. Em seguida, uma nuvem de morcegos caiu sobre ele. Harry desferiu um golpe no ar que fez um vento carregá-los para fora da caverna.

- É isso? Porque se for é muito fácil – provocou, imaginando que o dragão deveria estar vigilante.

Uma pedra imensa despencou do alto e Harry a transformou num balão de ar, que estourou com a ponta da espada. Prosseguiu confiante até se deparar com uma cascata. A água do rio escorria por uma parede íngreme, de difícil escalada. Mesmo assim o jovem fez pouco caso do desafio. “Não pode ser tão simples”, desdenhou, girando o corpo para todos os lados, em busca de mais perigos. Foi quando viu uma enorme cabeça de dragão surgir no alto da cascata. Dois olhos amarelos o fitavam com curiosidade. Do focinho pendiam fios prateados compridos. A pele estava coberta de placas, marcas e cicatrizes. Pelo menos a parte que podia ser vista. Naquele momento, Harry percebeu que não tinha planejado nada. Atacaria? Ou esperaria algum movimento do monstro? Seu objetivo, desde o início, era procurar extrair da criatura um meio de localizar sua inimiga. Afinal, o dragão tinha captado o fim da energia maligna de Voldemort. Não deveria ser complicado para ele rastrear o paradeiro de Belatrix, braço-direito do lorde das trevas. Antes de tomar qualquer atitude, entretanto, Harry ouviu uma voz em sua mente.

- “Abaixe a espada!”

- Você consegue ler pensamentos? – espantou-se, notando que o dragão permanecia com o focinho bem apertado.

- “Não. Capto a energia das pessoas. E posso me comunicar telepaticamente.”

- Como consegue isso?

- “Não sou um dragão comum. Tenho mais poderes do que os da minha espécie. Sou do tempo em que grandes magos mantinham sob controle o poder da magia negra”.

- Eu acabei com Lorde Voldemort!

- “Eu sei. Por isso, permiti que entrasse aqui sem maiores problemas. Aquilo por que passou foi apenas uma brincadeira. O que deseja de mim?”

- Quero encontrar uma pessoa: Belatrix Lestrange. Pode localizá-la?

O dragão semicerrou os olhos. E pediu que Harry subisse até onde estava. O animal se afastou da cascata e dos olhos do bruxo. Ele arremessou a espada como se fosse uma lança, fazendo-a passar por cima da cascata e se fincar no chão. Por magia, fez surgir uma corda encantada que se enrolou firmemente no cabo do que era sua varinha transfigurada. Então, com um impulso subiu a parede com facilidade. Assim que chegou no alto, notou que as pernas estavam mergulhadas na água. Havia um largo poço que o separava do dragão, que estava deitado na posição de esfinge numa área seca e coberta de palha.

- “Eu não sou guia. Não posso ajudá-lo a localizar quem você deseja.”

- Por que não? Você descobriu quando Voldemort se foi.

- “Voldemort era inencontrável. Assim como você é atualmente. Eu só consigo sentir as energias das pessoas, e não identificar o lugar onde é emitida. Isso se o bruxo usar a magia correta para se tornar inencontrável. Belatrix sabe usá-la. Aprendeu com o mestre dela.”

- Maldita! Covarde! Ela está se escondendo de mim – gritou, enfurecido, fazendo uma onda gelada percorrer a caverna.

O dragão sacudiu a cauda e labaredas surgiram em diversos pontos para aquecer o ambiente. A criatura abaixou a cabeça e fez com que seus olhos amarelos ficassem na altura do rosto de Harry. Eles se fecharam quase por completo, mas o rapaz conseguiu se ver refletido nas pupilas do formidável animal.

- “Você pode encontrar pistas no Labirinto. Já tentou?”

- Eu não sei do que está falando – sibilou, irritado por não ter a resposta que tanto queria.

- “O Labirinto poderia te ajudar. Sabe como chegar até ele?”

- Não. O que é isso? Como faço para chegar lá?

- “Pergunte aos bruxos mais velhos. Eu não tenho a menor obrigação com você.”

A ira de Harry aumentou. Seus olhos escureceram. Apertou com firmeza a espada.

- Aviso que não é prudente me menosprezar...

A criatura rosnou baixinho e ergueu a cabeça. Os olhos se acenderam e sua voz soou mais grave.

- “Posso te dar uma amostra do que é o Labirinto. Prepare-se!” – e de suas narinas saiu uma fumaça branca e densa.

Harry começou a tossir e conjurou um lenço para cobrir parte de seu rosto. A água borbulhava e dela subia um odor indefinível.

- Por Merlin, você vai se arrepender! – vociferou.

Calou-se assim que se viu num corredor escuro. Tocou uma parede e teve a sensação de que ela estava coberta de hera. Andou sem destino até que encontrou uma sala onde uma mulher o aguardava. Era Belatrix. Harry rilhou os dentes. A fumaça não se dissipava e provocava ardor nos olhos e nas narinas. O bruxo piscou, incomodado. E a Comensal riu, vendo-o sem ação. Aquilo funcionou como estopim. Harry partiu para o ataque e desferiu um golpe contra a figura odiada. Para sua surpresa, a energia despendida voltou-se contra ele. Harry amparou o rebote com a espada. Belatrix sorriu maldosamente. O rapaz tentou golpeá-la mais uma vez. De novo, veio um contra-ataque poderoso, que, embora tivesse sido bloqueado pela varinha transfigurada, o fez cair na água borbulhante que invadira a sala. Intrigado, ele se levantou rapidamente, sacudindo suas roupas e retirando o lenço encharcado do rosto. Isto fez com que a Comensal soltasse uma gargalhada estrepitosa, reacendendo a fúria de Harry. A temperatura caiu drasticamente e ele desceu o braço num movimento diagonal que poderia cortar Belatrix pela metade. Desta vez, porém, o rebote atingiu o jovem. Apesar da dor aguda, executou outro ataque de espada. Atordoado, não conseguiu desviar-se do contragolpe, que também o derrubou. Contudo, Belatrix continuava zombando dele. A mulher não parecia ferida. Harry se levantou com dificuldade, cuspindo sangue. Não entendia o que estava acontecendo. Além disso, a fumaça o atordoava. Decidiu usar a magia que tão bem dominava. “Estupefaça!”, gritou. Antes de conseguir conjurar um escudo, o feitiço como que ricocheteou e atravessou seu corpo. Foi demais para ele. Caiu de borco na água.







*****







- Ele está abrindo os olhos.

- Pelas chagas de Cristo crucificado...

- O quê????

- É uma expressão trouxa, Rony. Veja, Harry está consciente.

Harry moveu a cabeça na direção das vozes e sentiu todo seu corpo doer. Estava enjoado e com frio. As pálpebras pareciam tão pesadas que por pouco não desistiu de encarar seus amigos.

- Como vim parar no meu quarto?

- O velho dragão avisou Mestre Lao. E nós fomos te buscar – respondeu Rony. – Mas acho que o recado não era tão necessário. Você deixou uma trilha de destruição pelo caminho. Era só segui-la. Cara, isso não foi nada simpático da sua parte. Não pode sair detonando a vegetação das redondezas. Você sabe que nosso anfitrião é chegado na natureza.

- Tem razão. Vou pedir desculpas assim que me recuperar. Inferno. Tudo dói... – e gemeu.

- Estou vendo que uma das próximas lições que darei será tratamento para dores e feridas causadas por magia. Você tem sorte de não ter se afogado. Se o dragão não tivesse te tirado do poço agora você estaria mortinho da silva.

- Como? – estranhou o ruivo. – Já sei. Outra expressão trouxa.

- O dragão falou de algo chamado Labirinto. Ele me mandou para o Labirinto?

- Não. Ele criou a ilusão do Labirinto. Quando você entrou no poço foi como se entrasse num dos caldeirões que usavam nas aulas do Snape – explicou McKinley. – Se alguém entra naquela água pode virar objeto de experiências.

- Eu vi Belatrix – parou para gemer de novo. - Ela me atacou de um jeito que ainda não entendi.

- Você se atacou. Para se proteger, o velho dragão utiliza uma cerca mágica. Todo feitiço que você arremessou ricocheteou na barreira encantada. Pelo que ele contou, você se saiu bem no início, conseguindo se defender. Mas você enfrentou um adversário forte: você mesmo. Não se esqueça, Harry. Sua magia é muito poderosa. Para o bem ou para o mal.

- O que é o Labirinto, McKinley?

O professor inflou as bochechas e soltou o ar com estrépito.

- É um lugar para onde você não poderá ir. Não enquanto estiver nesse estado. Lembra-se do Espelho de Ojesed? Bom, o espelho é estático e tem seus riscos. Só que o Labirinto tem mais. Ele também reflete o que vai por dentro do espírito. Mas isso pode ser perigoso quando guardamos muitos medos, rancores, sentimentos negativos, Harry. Isso porque quando se está no interior dos corredores é possível que a ilusão domine a tal ponto que você queria agredir o que vê pela frente. Mais ou menos como aconteceu na caverna.

- Você disse que o dragão criou uma barreira que reflete os feitiços.

- No Labirinto não há barreira refletora. Mas ele é um labirinto. Quem se perde lá dentro, jamais volta.

- E quem o criou?

- Um mago francês do passado. Um sujeito maluco. Tão doido que desapareceu na própria invenção. E tão poderoso que ninguém nunca conseguiu desmanchar o Labirinto. Ele é guardado há anos por seus descendentes. Mas chega de conversas. Rony, faça com que ele tome a poção que preparei. Com licença, Harry. Preciso contar ao Mestre Lao que você despertou.

McKinley saiu do quarto e se dirigiu aos aposentos do chinês. A porta se abriu lentamente. Lao estava sentado junto à lareira que aquecia seu dormitório. Devido à cegueira do velho espadachim, não havia luzes no quarto e o escocês teve de acostumar a vista à escuridão.

- Harry melhorou?

- Sim. Vai ficar alguns dias de cama. E só.

- Só?! Algo me preocupa bastante, sir McKinley – observou Mestre Lao. - Harry chegou com a aura maculada. Foi recuperada um pouco ao longo destes meses. Havia dias em que estava quase pura. Mas nesta semana ela se tornou azul. Algo deprime terrivelmente o seu pupilo. Tente descobrir o que é porque esse estado não é saudável, ainda mais para quem está com tanta energia desequilibrada. Isso o torna mais suscetível à força das trevas. E elas se manifestaram hoje. Nesta noite, o dragão presenciou o momento em que a aura de Harry se tornou negra. Algo que eu não presenciei até agora. Diante disso, meu caro, sugiro que redobremos nossos esforços. Não queremos perder alguém tão promissor para o lado obscuro da magia.

Com um suspiro, McKinley concordou. Tinha certeza de que não seria fácil descobrir o que deprimia Harry. O rapaz se fechara havia muito tempo. E isso significava que levaria muito tempo também para ajudá-lo a vencer o labirinto em que se encerrara.








Mais uma vez nao revisei. Sorry!



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