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Visualizando o capítulo:

8. 8. Mas que sorte, hein?!


Fic: Acostumada com ódio 1 - EU JÁ TINHA ME ACOSTUMADO COM O ÓDIO


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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N/A: eu NUNCA MAIS vou prometer nenhum capítulo pra tão pouco tempo a não ser que eu tenha o capítulo já betado nas minhas mãos. Voto perpétuo D: Sério, foi o maior vacilo com vocês e isso não se repetirá, juro *--* por favor, se comovam com a minha carinha de gatinho do Shrek *--*
 Mas o que foi que aconteceu dessa vez, vocês devem se perguntar... Acontece que, além de eu demorar pra escrever (--' assumo a responsabilidade D: ), aconteceu alguma coisa que a beta não me mandava o capítulo... Rezem pra que ela esteja bem!
 Enfim, eu, numa tentativa de me redimir, eu tenho aqui duas fotos que vocês vão gostar...
  
São duas caras de c* da titia Bella que vocês tanto pediram KKK Espero que isso ajude um pouco na hora de vocês pensarem na minha morte... D:
 Também considerem que eu demorei pra postar porque fiquei com suspeita de dengue, e, viiiish, tanta coisa aconteceu :P E lembrem de que eu escrevo outra fic também, fic que NINGUÉM leu até agora. Por favor, gente. É uma fic legal, tem cenas picantes e... E o resto vocês descobrem aqui: http://fanfic.potterish.com/menufic.php?id=42320 não custa nada ir lá e deixar uns recadinhos... ;D
Ah, e eu fui ver o site do Beco Diagonal e eu percebi que eles não postaram meu capítulo inteiro, então teve que colocar a parte do capítulo que não foi num capítulo novo, mas ainda é o capítulo 7 ;D
Bem, vamos ao capítulo que eu escrevi com tanto carinho e que vocês vão comentar com tanto carinho *O*

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Bufei entediada enterrando meu rosto em minhas mãos.


 Não acredito que eu tinha feito aquilo. Como eu, na minha mais perfeita consciência, consegui convidá-lo para passar o Natal comigo? Como... ? O ser mais insensível da terra , o ser que me impedia de ser feliz, o ser que havia sido extremamente grosso comigo, o ser que era um futuro comensal, com certeza, e filho de comensais. Ele, a pessoa mais idiota do mundo... E eu o convidei só para salvá-lo. Eu sabia que se ele não fosse para lugar nenhum, ele estaria ferrado.


 Bem, agora ele já estava ferrado. Os comensais já tinham visto que Malfoy preferiu ajudar uma sangue-ruim a seguir ordem deles. Eles sabiam que algo estava acontecendo e não deixariam quieto.


 Era tanta coisa para eu pensar... E ainda tinha que pensar num jeito de chegar em casa inesperadamente sem levantar dúvidas. Ah, os machucados não ajudavam em nada.


 Me levantei da cabine que estava dividindo com Malfoy, uma cabine mais escondida para ninguém nos ver, e fui em direção a porta.


 -Aonde você vai? – perguntou Malfoy com a voz rouca desencostando a testa do vidro da janela. Obviamente estava tentando dormir para não ter que falar comigo, e talvez para esquecer os problemas.


 -Banheiro. – respondi curta e grossa abrindo a porta da cabine delicadamente. Eu não podia fazer muito barulho.


 Sorrateiramente fui até o banheiro e me tranquei lá.


 -Céus! – exclamei no momento em que me olhei no espelho.


 Eu estava horrível! Olheiras arroxeadas se encontravam abaixo dos meus olhos, que, no momento, estavam inchados e levemente avermelhados. Minha boca estava rachada por causa da falta de hidratação, cheia de machucados e quase sem cor. Meus cachos, que antes estavam perfeitos, agora estavam bagunçados de qualquer jeito e visivelmente sujos. Todo o meu corpo se encontrava machucado.


 Eu não convenceria meu pai daquele jeito.


 Dei um suspiro longo e desanimado antes de ligar a torneira e começar a lavar meu rosto. Depois, com meus próprios dedos, comecei a desembaraçar os fios mais rebeldes e visíveis. Eu só precisava disfarçar por um tempo, mesmo. Depois eu tomaria um banho em casa decente em casa.


 Bufei envergonhada do que iria fazer. Comecei a dar leves tapinhas na minha bochecha para ver se eu pegava um pouco de cor. Sucesso! Apertei com força um lábio contra o outro para lhe darem mais cor. Eureca! Agora eu estava mais apresentável.


 Quando coloquei minhas mãos na maçaneta para sair, eu vi, pelo vidrinho do banheiro, Gina, Harry e Rony conversando. Tentei ouvir melhor a conversa... Não peguei muitas coisas com sentido. Parecia que Gina tentava animar Harry e Rony, sem muito sucesso no começo, mas depois ela falou algo que os fez rir abertamente. Os três foram se afastando e entraram numa cabine bem longe da que eu estava.


 Saí do banheiro e rapidamente voltei para a cabine.


 -Você está bem melhor, mas... – Malfoy me avaliou bem antes de continuar – Acho que um pouco de água não vai melhor seu estado.


 Me sentei emburrada no banco, o ignorando totalmente.


 -Vai me ignorar, é? – perguntou ele agora um pouco mais exasperado – Vai mesmo me ignorar?


 -Malfoy, isso não é nenhum tipo de encontro romântico entre nós dois... Nós não temos que conversar. – respondi seca – Fique no seu canto que eu fico no meu, e, se tivermos alguma sorte, a gente consegue não olhar um para o outro.


 Impossível. Pensei comigo mesma. Ele estava lindo com os cabelos loiros bagunçados e com alguns machucadinhos que davam um ar sexy nele. Os olhos estavam mais claros do que nunca. Impossível não olhar para ele. Balancei a cabeça tentando enterrar esses pensamentos na cova que, em breve seria minha. Com certeza eu estaria morta depois que eu chegasse em casa.


 Tentei desviar o olhar para as vacas que estavam lá fora. Inutilmente tentei contar as manchas de uma delas enquanto o trem ainda estava sem muita velocidade.


 Por um tempo eu fiquei entretida nesse meu joguinho ‘conta manchas’, mas depois Malfoy continuou a falar, mostrando que ele queria mesmo era torrar a minha paciência.


 -Sabe, eu convidei Pansy para o Baile... – começou ele naquele tom que, acho que nas teorias dele, devia me deixar com ciúmes. Se ciúmes for a vontade de jogar alguém do trem nesse momento enquanto ele ainda está movimento, então sim. Estou morrendo de ciúmes – Ela disse ‘sim’.


 Engoli em seco. Calma, Hermione lembre-se que ciúmes são vontades insaciáveis de modos de matar alguém, só isso... Ignore-o. Apenas... Ignore-o.


 -Mas quem diria ‘não’ para alguém como eu? – perguntou ele naquele tom convencido e sonserino que eu odiava – Óbvio que nenhuma menina seria doida para...


 -Malfoy. – falei seca sem encará-lo, contando mentalmente de 10 a 0 para não cometer um ataquezinho de ciúmes naquele instante. Mas, pra quê, mesmo? Por que eu ainda tentava resistir a essa vontade de espancá-lo? Eu digo: viva a guerra! Viva aos homicídios dos loiros! – Se você tem alguma vontade incontrolável e urgente de falar com alguém, por favor, fale com a parede. Suspeito que ela vá ser mais atenciosa que eu. Mas, se não estiver a fim, faça algo de útil, para variar, e vá ao banheiro lavar o rosto... – eu o encarei pela primeira vez – Você está horrível –menti – e eu não quero o meu pai fazendo perguntas... – e completei mais para mim mesma do que para ele – Ter ele perguntando o que um menino fazia lá em casa já vai ser por demais estressante.


 -Não se preocupe, Granger. - Ué?! Agora é ‘Granger’? Vai entender... – Tenho certeza que meu charme vai convencer seu pai. – ele comentou galanteador.


 -Espero que convença mesmo. Eu não quero ter sua cabeça pendurada na minha parede da sala de jantar. Sabe? Igual àquele alces e veados de filmes americanos... – estremeci só de pensar na idéia. Ugh, seria horrível! Provavelmente eu jogaria tomates nele todos os dias.


 -Eu já te falei como seu sendo de humor é exótico, Granger?


 -E eu já te falei em quantas posições exóticas a minha mão pode se encontrar na sua cara? – alfinetei assassina – Vá.logo.se.limpar.Malfoy. Eu não quero ter que dar duas explicações ao meu pai... Ele vai começar a achar que estou abrigando pobres mendigos loiros...


 Malfoy foi até a porta da cabine e eu o alertei.


 -Cuidado. Olha se não tem ninguém no corredor primeiro, por favor. Ninguém pode ver que eu estou aqui com você e acho que você não quer que as pessoas saibam que você está dividindo o mesmo ar que a sangue ruim.


 Ele bufou e, devagar, abriu a porta da cabine. Depois que ela estava completamente aberta, ele virou para mim e deu um sorriso cínico e ergueu as sobrancelhas, como se dissesse “está bom para você agora?” e saiu da cabine.


 Suspirei pesadamente e deixei minha cabeça pender para trás. Me acomodei bem folgadamente no banco e fechei os olhos. Com sorte eu dormia.


 Pensei em tudo... Em Harry, Gina Rony, meus pais, essa guerra, Malfoy, a vida que eu tinha antes e a vida que eu estava tendo agora.


 -Onde eu fui parar? – murmurei distraída comigo mesma.


 -Como disse?! – perguntou a voz confusa de Malfoy.


 Abri os olhos imediatamente. Encontrei dois olhos bem azuis me encarando curiosamente. Quando ele tinha entrado na cabine?


 -Hm, nada, Malfoy. Eu estava falando sozinha. – e me ajeitei de novo no banco. Maldita posição desconfortável.


 -Seus pais não vão achar estranho você chegar de repente em casa com um menino que você... – ele pareceu pensar bastante nas palavras que ia usar – Bem, você deve ter falado muito mal de mim, seus pais não vão estranhar em nada?


 -Claro que vão. – respondi ainda sem encará-lo – Eu ainda não pensei numa desculpa convincente. Nem mandei uma coruja para eles ainda.


 Ele não respondeu nada, apenas respirou pesadamente.


 Eu o encarei direito pela primeira vez desde que ele chegou do banheiro. Seus cabelos ainda estavam desarrumados, mas de um jeito proposital. O rosto estava lavado, o que clareou seu tom de pele em três vezes. Mas os machucados... Ainda estavam lá. Na minha opinião o corte na sua boca o deixava incrivelmente sexy, e combinava com meu corte (não que eu quisesse algo combinando entre nós), mas acho que meus pais não pensariam do mesmo modo.


 -Nós temos que dar um jeito nesses machucados... – comentei ainda analisando-o – Quanto menos nós parecemos machucados, menos eles vão perguntar... Eles sabem da guerra. Agora... Como nós vamos fazer isso... Essa é a questão. – olhei para a janela e tentei adivinhar onde estávamos – Não estamos mais em terrenos mágicos. Não tem como nós fazermos algum feitiço sem sermos mandados até Azkaban.


 Malfoy se levantou e pegou seu malão. Eu o olhei sem entender nada e ele deu um sorrisinho de lado. Hermione, você está brava com ele! Brava! Ah, eu preciso colocar esse meu lado perva pra dormir.


 -O que você está fazendo, Malfoy? – perguntei tentando ser a mais fria o possível enquanto ele se sentava do meu lado, abria o malão e pegava uma camisa velha.


 -Vamos cobrir os machucados para os seus pais não perguntarem. – ele falou rasgando um pedaço da camiseta.


 -Ah, óbvio. Porque se eu estiver totalmente enrolada nos tecidos dessa sua camiseta é aí que eles não vão perguntar. Realmente, essa idéia foi muito boa, Draco.


 Como é que eu disse? Eu disse Draco? Por favor, Merlin, me diga que eu não disse ‘Draco’! Eu não chamei essa fuinha sem coração de Draco, chamei?


 É, pelo jeito que ele parou de mexer na camiseta bruscamente, é porque eu falei. Céus! Nós tivemos a maior discussão e eu ainda o chamo de... De Draco?


 Quando eu percebi que ele começou a levantar a cabeça, eu desviei o olhar para a porta. Nossa, a porta me parecia tão interessante no momento, tão cheia de vida, tão maravilhosa, tão... Tão distrativa! Tão melhor do que olhar para os olhos do Malfoy que, no momento, estavam fuzilando minha nuca.


Quanto tempo mais nós teríamos de viagem? Quanto tempo mais eu poderia fugir antes de ficar 10 dias na mesma casa que ele?


 -Por quanto tempo você vai ficar fugindo disso? – perguntou Malfoy com sua voz rouca ao pé do meu ouvido. Engoli em seco.


 -Fugir do que? – perguntei ainda olhando para a porta – Eu não estou fugindo de nada. – Na verdade eu estou sim, e aí, vai encarar, é?!


 -Sabe, Hermione – a menção do meu nome me fez estremecer – ironia e sarcasmo talvez combinem com você, mas se fazer de boba não é nem um pouco a sua cara. – percebendo que eu tinha ficado imóvel, ele continuou – Eu já tinha visto que egoísmo faz parte de quem você é, mas agora eu estou vendo que você também é medrosa... – Lágrimas, fiquem no meu canal lacrimal, ok? Não caiam, não caiam.


 -Eu, medrosa? – perguntei resistindo a vontade de me virar – Não sou covarde, pelo menos.


 -Está insinuando que eu sou covarde? – perguntou ele perigosamente ainda no meu ouvido.


 -Não estou insinuando nada! – falei num tom mais alto enquanto me virava. Merda, péssima idéia. Nós estávamos perto demais e eu acabei ficando ofegante. Estávamos muito perto mesmo. Nossos olhares ficaram comprometidos por uns dez segundos, e às vezes Malfoy olhava para minha boca, como se considerasse me beijar, e quando finalmente pareceu que ele faria alguma coisa, eu fui mais para trás. Por uma fração de segundo seu olhar ficou emburrado, mas depois ele mudou para o habitual olhar convencido e desafiador – Na verdade, eu acho que eu deixei bem claro que você é um covarde.


 -Eu não sou covarde e... – começou ele tentando se defender. Mas eu deixei ele continuar? Eu deixei? Óbvio que não deixei. Já estava cansada de ouvir as defesas sem nexo dele.


 -É covarde sim! Você quer que nós coloquemos as cartas na mesa? Ótimo! Então vamos colocar as cartas na mesa! – expressões antigas, favor voltar para o tempo de vocês, sim? – Você não acha nem um pouco covarde da sua parte usar aqueles golpes baixos que você usou? Nem um pouco covarde chegar enquanto eu tentava descansar, e começar a me estressar? Me desgastar? Nem um pouco covarde da sua parte fazer todo aquele discurso ridículo apenas para eu não ficar com Harry? Só porque eu não quero ficar com você isso não quer dizer que eu não possa ficar com ninguém! – eu pude ver ele contrair o maxilar de raiva – E... E invadir a minha mente? – ele recuou um pouco – Não foi nem um pouco covarde fazer aquilo? Aliás, com quem você aprendeu isso, hein?- ele engoliu em seco – Você aprende isso nas aulas de aprendiz de comensal, é?


 -Suspeito que isso não seja da sua conta. – falou ele com desdém – E se você considera “falar a verdade” um ato de covardia, então eu acho melhor você rever seus conceitos, porque eles estão muito errados. Isso que dá quando eu tento pensar no melhor das pessoas, eu só me ferro. – Eu o encarei incrédula.


 -Você?! Pensar no melhor para os outros?! Só se for para você! Você só quer impedir a minha única chance de ser feliz! – balancei a cabeça – Você não quer que eu seja feliz!


 -Não quero que você seja feliz com outro! – ele falou agarrando meu ombro, do mesmo jeito que eu fiz na enfermaria, mas ele fez com o propósito de me fazer olhar atentamente para os olhos dele.


 -E isso não é egoísta?! Você só pensa em você! E você mesmo admitiu que não me ama. Qual é o objetivo de me impedir de amar outra pessoa?


 -Então você admite que sou eu quem a impede de amar o Potter? – ele perguntou depois de um tempo de uma forma sádica, tirando suas mãos de meu ombro – E, de qualquer maneira, talvez eu não te ame, mas eu...


 Eu pensei que ele completaria a frase, mas, ao invés disso, ele começou a enrolar um machucado no próprio braço.


 -Quem está fugindo agora, hein? – alfinetei – Você não me ama, mas você o que, hein? – ele deu um nó perfeito com sua camiseta em volta do braço e eu me irritei. Aquele nó me irritou, tamanha a perfeição em que ele estava. Parecia que o nó ria da minha cara por ele ser perfeito e eu ser uma atormentada. É, sou muito atormentada mesmo, cheia de problemas! E você é o que mesmo, hein? Ah, É MESMO, apenas um ! Um NÓ! Apenas um nozinho de camiseta fajuta de um Malfoy! Eu se fosse você não teria tanto orgulho de ser uma camiseta do Malfoy e estar no braço dele. Ah, mas eu nunca vou ser você, e você sabe por quê? Porque você é um nozinho e eu sou uma humana! Você acha que tem moral para cima de mim, mas não tem. Aaaaah, mas não tem mesmo! Olha, se você continuar rindo de mim eu vou esfregar essa sua... Sua nozeira aí no rosto da Nojenta Parkinson! Ah, agora viu que a coisa tava feia e se escondeu no seu cantinho, não?!


 Mas que porr* é essa? Eu estou aqui, esperando uma resposta do Malfoy, olhando mortalmente para um nó e tendo uma briga mental com ele. Mas quem é que briga com um nó?! Ah, sim! A atormentada aqui.


 Malfoy me encarava confuso. Acho que ele esperava que eu olhasse mortalmente para ele, e não para o nó. Ele falou algo que eu não entendi, talvez fosse a minha resposta.


 -O que você disse? – perguntei encarando ele. Malfoy abriu a boca duas vezes antes de falar friamente.


 -Eu ando muito entediado, e te ver sofrer desse jeito me anima um pouco. Sabe, ver a sabe-tudo que se denominava forte, enfraquecer desse jeito... Era uma coisa muito rara. Ver você indecisa sobre quem você ama e sobre quem você devia odiar é realmente algo que me tira da monotonia do dia a dia. – Lutei contra a vontade de não esfregá-lo na cara da Nojenta Parkinson do mesmo jeito que ameacei o nó alguns instantes atrás.


 -Malfoy, quando você vai colocar na sua cabeça que eu não estou indecisa entre você e o Harry. – empinei o nariz – É preciso ser uma pessoa muito burra para ficar indecisa entre você e qualquer pessoa desse mundo.


 -Prazer, Granger. – não entendi o que ele quis dizer com aquilo – Eu sou o irresistível Draco Malfoy e você deve ser a menina mais burra desse mundo. – ele me olhou com falsa pena e eu o fuzilei com os olhos. Com sorte eu ativava os meus poderes de visão raios x e conseguia queimar o olho dele. Yeah,baby! – Claro que você está em dúvida! Você mesma admitiu!  


 -Eu admiti que você, talvez, num momento de extrema loucura, me impeça de amar o Harry. Mas eu nunca falei que estava em dúvida. – abaixei um pouco o tom de voz – Eu nunca amaria alguém como você. – falei lembrando as palavras que ele havia dito para mim.


 -Estamos quites então. – ele falou simplesmente. Aquilo criou uma raiva enorme dentro de mim, mas eu tentei disfarçar isso.


 -Ótimo. É isso que você chama de ‘colocar as cartas na mesa’?


 -Eu nunca falei nada sobre “colocar as cartas na mesa”! – ele realmente fez as aspas... AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH IDIOTAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!


 -Malfoy, não se faça de burro, você entendeu muito bem o que eu quis dizer. Então é pra isso que você me provocou? Pensei que nós iríamos parar de fugir... – Coloquei um dedo no queixo e franzi o cenho, fingindo que estava pensando – Então isso é fugir do que tem que ser conversado? – abandonei a expressão pensativa – Então você inventou tudo isso só para falar de novo que não me ama? – ri secamente – Malfoy, não sei se você já percebeu, mas eu já entendi isso! Não precisa ficar repetindo que não me ama como se eu precisasse do seu amor... Na verdade, eu fico grata por não ter o seu amor. Malfoy, obrigada por não me amar. – dizendo isso eu dei um sorriso, aqueles sorrisos falsos que as atendentes de banco geralmente dão para os clientes.


 -Se estivesse tão certa do que diz, não ficaria sonhando comigo... – ele murmurou, provavelmente para si mesmo, mas eu acabei escutando.


 -O que você disse?! – ele virou assustado para mim – Eu não... Não sonhei com você! – na verdade, eu tinha sonhado sim, mas qualquer pessoa com senso, uma pessoa tipo eu, nunca admitiria isso para uma serpente, nesse caso: Draco Malfoy – E, mesmo que eu tivesse sonhado, o que não é verdade, não teria jeito de você saber, já que tais sonhos, ou melhor dizendo já que seriam com você, pesadelos, se armazenam na minha cabeça.


 Ele desviou o olhar para a porta da cabine e então tudo se encaixou.


 É tão óbvio que ele tentaria desviar a culpa.


 Tudo era tão óbvio agora, mas tão óbvio, que eu me sentia uma tonta por não ter percebido isso antes.


 Malfoy andava me espionando. Sim, enquanto eu estava na enfermaria ele tinha me espionado. Argh, que ódio! Me lembrei da tal pessoa que estava escondido atrás da porta da ala-hospitalar. Maldito Malfoy! Por isso ele sabia que o Harry tinha me chamado para o baile e que eu havia dito sim. Eu andei sonhando com ele porque ele estava invadindo minha mente enquanto eu dormia, e isso acabava fazendo com que eu sonhasse com ele... Por isso que as fontes dele estavam tão confiáveis. Eu era a tal fonte super confiável.


 Eu fiquei pasma. Nem com raiva eu consegui ficar. Era realmente algo muito baixo. Ele tinha não só direito aos fatos, como tinha direito às minhas opiniões. Era algo tão... Tão... Tão indigno de um ser humano, que a cada momento que se passava eu pensava que ele realmente era imune a qualquer coisa que um ser humano podia oferecer.


 -Malfoy, isso foi muito baixo... Realmente muito baixo. – murmurei olhando para os meus pés. Eu não conseguia encará-lo naquele momento. Eu não conseguia pensar num jeito de dividir a casa com ele por uns dez dias. – Invasão de privacidade... – ergui a cabeça contra a minha vontade, mas a cabeça dele continuava baixa – Muito baixo... – ele me olhou com uma expressão dura, mas não me olhava diretamente. Na verdade, o olhar dele parecia distante, mas quando ele olhou nos meus olhos, a expressão dura acabou por fraquejar – Mesmo para você.


 Eu o encarava do mesmo jeito que ele me encarava. Bem, talvez não do mesmo jeito, porque ele nunca conseguiria carregar no olhar a decepção que eu carregava, mas, mesmo de jeitos diferentes, a intensidade era a mesma. Pesada, sufocante.


 Desviei o olhar e soltei o ar ao perceber que tinha parado de respirar. Mesmo sem olhar eu pude perceber que ele me encarava sem saber o que fazer, algo um pouco raro para um Malfoy, mas ele se encontrava nessa situação, algo que eu acharia cômico em outra situação. Nessa situação em que eu me encontrava agora? Com guerras, brigas, ameaças de morte, fugas, mentiras e falsidades? Nada me parecia cômico.


 -E então o que a gente vai fazer? – ouvi ele dizer atrás de mim. Eu sabia sobre o que ele estava falando.


 -Você vai ter que ficar na minha casa, não? – perguntei estressada ainda encarando a porta – Pelo o que eu saiba, você não tem para onde ir.


 -Não diga como se você estivesse sendo obrigada a me hospedar na sua casa. Até onde eu lembre, foi você quem me convidou para ficar na sua casa. – me virei totalmente estressada.


 -Custaria tanto para você falar um ‘não’?! Você sabe em quais condições eu fiz aquele convite estúpido? Condições de desespero! Você devia conhecê-las... Sua mãe estava em totais condições de desespero quando deixou você ficar vivo, eu imagino.


 -Eu não fico na sua casa então, se for tanto sacrifício para você! – ele bufou estressado.


 -Ah, é, bem... – Por que eu estava olhando para os lados procurando uma resposta, hein? Será que alguém podia fazer favor de tirar essa bunda da cadeira, parar de ler essa fic inútil e me dar uma resposta?! Er, quero dizer... Desculpa Nana Mont, não me mate nesse capítulo, ok?! Eu adoro sua fic e ela não é inútil! (N/A: bajulação barata é o que há, baby!) – Ótimo! Pois não fique na minha casa, então! – ele deu um riso triunfante e olhou para a minha cara. Eu não estava rindo com ele, na verdade eu estava muito séria e magoada. Ele abriu a boca umas hilhões de vezes antes de realmente emitir algum som que não fosse um gaguejo.


 -Ahn, você está me expulsando da sua casa? Você realmente está me expulsando da sua casa?!


 -Mas é claro! – a minha indignação acabou por aumentar a minha voz em uns dez tons, a deixando extremamente fina – Ou você acha que depois de tudo isso eu ainda vou deixar você na minha casa?! Você realmente acha que eu quero você entrando na minha mente enquanto eu durmo?! Na verdade, o que eu mais quero agora é que você caia nos trilhos desse trem e que sua ‘querida cabecinha’ seja esmagada numa intensidade tão forte que até os urubus da China vão sentir o seu cheiro podre. - WTF? ?????!!!!!


 -Apesar de eu achar muito ridículo esse modo que você enxerga a tortura... – começou ele entre dentes – Eu vou ignorar esse pequeno incidente. – ele sorriu cínico antes de continuar – Onde é que eu estava com a cabeça quando eu cogitei passar dez dias na casa de uma sangue ruim? – naquele momento as minhas mãos já deviam estar sangrando tamanha a força que eu apertava minha unha contra elas – Como eu pude me expor desse jeito ao aceitar passar uns dias junto da sua família de trouxas! – todo o meu auto controle se explodiu naquele momento. Ou pelo menos o que restava dele.


 -OLHA AQUI, MALFOY! VOCÊ PODE ME CHAMAR DO QUE QUISER, VOCÊ PELO MENOS JÁ CONVIVEU UM POUCO COMIGO E EU ESTOU AQUI PARA ME DEFENDER...- levantei num salto estratégico e me pus em sua frente, mesmo ele estando sentado – MAS VOCÊ NUNCA MAIS, - coloquei um dedo no seu rosto e sua expressão, antes  – ESTÁ ENTENDENDO, NUNCA MAIS DIGA UMA PALAVRA SOBRE A MINHA FAMÍLIA! VOCÊ NÃO SABE NADA SOBRE ELES! NADA! – ele também se levantou numa fúria só. Talvez ter apontado o dedo para a cara dele não tenha sido uma idéia brilhante.


 -E VOCÊ SABIA ALGUMA COISA DA MINHA FAMÍLIA ANTES DE... – antes de fazer o que eu nunca fiquei sabendo, pois o trem parou bruscamente e quem é que caiu em cima de quem? Precisa responder quem caiu em cima do infeliz?!


 A posição era totalmente constrangedora, principalmente durante uma discussão. Malfoy, quando caiu, bateu a cabeça na parede. Eu caí com cada perna minha de um lado de seu quadril e com as mãos apoiadas no seu peito. Mas não era aquela coisa linda de se ver... Quero dizer, era o Malfoy! Nunca seria uma coisa linda de se ver!


 Malfoy estava com o rosto virado por causa da pancada na parede, meu rosto estava aninhado no seu peito, junto com as minhas mãos, mas eu mudaria aquilo rapidinho... Antes eu só iria... Er, sentir mais uma vez aquele cheiro delicioso que aquele ser repugnantemente malfólico emanava. Tinha cheiro de... Eu não sabia dizer direito o que era. Era um cheiro profundo, inexplicável, mas era... Gostoso. Aquela merda de cheiro daquele merda de garoto era gostoso e reconfortante.


 Senti a mãos de Malfoy pousarem na minha cintura. Eu devia estar com ódio, mas aquele gesto me fez sentir segura. Levantei o olhar para ele. Meu cabelo atrapalhava um pouco por estar bagunçado, mas Malfoy parecia não se importar com isso. Seu cabelo também estava bagunçado, mas isso o deixava bonito, diferente de mim, que parecia uma louca foragida de Azkaban quando estava assim.


 Eu o encarei sem saber o que fazer. Cadê o ódio quando eu preciso?! Cadê aquela vontade de aguçar os sentidos dos urubus da China?! Mas eu encontro essas vontades?! Claro que eu não encontro. O que eu encontro é aquela vontade louca de beijar Malfoy como se ele não fosse um Malfoy. Ele sentia a mesma coisa. Só pelo olhar dele eu podia perceber isso. Era aquele momento em que ele ficava totalmente sério, mas continuava com todo o charme, e alternava seu olhar da minha boca para meus olhos. Era aquele momento em que eu podia sentir seu desejo só por olhar nos seus olhos. Mas era inevitável. Nós estávamos perto demais. Nossas respirações estavam misturadas demais. A razão era algo desconhecido naquele momento. A razão não se encaixava no momento em que estávamos juntos.


 Mas, não... Harry! Não, eu não podia fazer aquilo. Eu não podia sentir aquilo! Aquele desejo era inaceitável. Aquela vontade de ter meus lábios tomados por ele era totalmente inadmissível. Tudo aquilo era insano demais.


 Parecia que ele tinha se esquecido da nossa discussão também, porque foi se aproximando lentamente, porém sem hesitar, do meu rosto. Eu não podia deixar aquilo acontecer. Mesmo um lado insano e... Estúpido dentro de mim querendo, eu não podia deixar. E, aliás, eram desejos carnais. Algo totalmente diferente do que eu sentia por Harry.


 Eu não podia cometer o mesmo erro novamente só porque eu tinha um desejo. Não podia estragar tudo. Não podia por tudo a perder.


 Na situação em que estávamos, nós poderíamos fingir que nada aconteceu. Talvez seguir a vida ignorando esse episódio. Mas, se nós déssemos algum passo sequer para esse erro, seria um caminho sem volta. Ficaria marcado para sempre. Eu não podia deixar aquilo acontecer.


 Com um toque delicado empurrei seu peito. Para quê delicadeza? Eu o odiava! Odiava Draco Malfoy! Odeio Draco Malf... Não. Eu não o odiava mais. Talvez eu tenha o odiado há alguns tempos atrás. Antes de ele mostrar quem ele podia ser. Antes de ele mostrar que, mesmo fingindo, ele podia ser uma pessoa boa. Eu mesma tinha dito isso. Se você pode fingir que é algo, então você pode ser algo. E Malfoy, mesmo entre fingimentos, podia ser uma pessoa boa. Talvez eu o odiasse antes de nós termos nos beijado.


 E inimigos não se beijam.


 Inimigos não trocam esse ato de carinho. Não há carinho entre inimigos. E inimigos se odeiam.


 Malfoy não era meu inimigo e eu não o odiava.


 Mas isso não significava que eu sentia algo de bom por ele. Talvez eu não sentisse nada demais por ele. Talvez Malfoy só fosse um garoto qualquer na rua. Talvez ele só fosse um garoto bonito num bar. Talvez ele só fosse... Talvez ele não fosse nada para mim e nem para ninguém. Mas uma coisa que não éramos, era inimigos. Eu não considerava ele como um inimigo mais. Talvez eu o considerasse como um... Um Malfoy qualquer. Mas eu não podia ter um caso com um Malfoy. Eu não podia ter nada com ele.


 Respirei fundo antes de distanciar dele. Ele me encarou um tanto confuso, mas depois voltou para o seu jeitinho cafajeste de sempre.


 -O que aconteceu? – eu sussurrei depois de me tocar.


 A situação tinha ficado tão constrangedora entre nós dois que eu nem tinha prestado atenção direito no que tinha acontecido. Eu sabia que não devíamos ter chegado. Não era preciso ser nenhuma perita em viagens, apenas era preciso viajar onze vezes no mesmo trem para saber que ainda faltava um pouco para chegarmos na estação. E o trem nunca parava tão bruscamente assim.


 Alguma coisa estava absurdamente errada.


 Malfoy tirou sua varinha do bolso e ficou em posição de ataque.


 -Ótima idéia, Malfoy. Realmente brilhante. E você quer ir para Azkaban agora por usar magia fora dos terrenos mágicos, ou você prefere depois de um chazinho com os comensais? – perguntei irônica enquanto pegava a varinha dele – E você nem sabe o que aconteceu. – ele veio na minha direção tentando pegar sua varinha, eu apenas levava-a de um lado para um outro para ele não conseguir pegar – Às vezes o trem parou por causa de uma pedrinha no caminho. – Ele parou de tentar pegar sua varinha. MERDAAAAAA, O MAMUTE VIROU MERDAAAAA!!! Ok, música errada. Que música eu escolho para: put* que pariu, eu coloquei a varinha atrás de mim e ele se posicionou na minha frente com os braços meio que me enlaçando e estamos muito perto? (Coloque o ritmo da sua preferência) OOOH YEEEEEAAAAH! EU ESTOU ABSURDAMENTE PERTO DO MALFOY, OH YEAH, OH YEAH! ISSO VAI DAR MERDA, OH YEAH, OH YEAH! EU ESTOU CRIANDO NA MINHA MENTE UM LIVRO COM VINTE FORMAS DIFERENTES DE ENLOUQUECER UM MALFOY, OH YEAH, OH YEAH! E COM CERTEZA TEM ALGO DE ERRADO COMIGO, OOOOOOOOOOOOH YEEEEEAAAAH!!! YEAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHH (momento Christina Aguilera com direito a bateria) YEAH!


 -O trem parou por causa de uma pedrinha no caminho? – ele repetiu pausadamente em tom cético – Esse trem leva centenas de bruxos por eu não sei por quantos anos e você acha que... Uma pedra... Uma pedrinha fez o trem parar desse jeito?


 -Qual a sua teoria, gênio? – perguntei ainda sem me distanciar dele. Não é que eu não queria me distanciar dele, era só que... Eu não queria me distanciar dele. Merda, o que estava acontecendo comigo?


 -Comensais. – ele falou simplesmente me mandando o seu melhor olhar misterioso.


 Nem parecia que nós tínhamos brigado há uns três minutos atrás. Nem parecia que a Terceira-Guerra Mundial estava prestes a começar há trem minutos atrás. Nem parecia que eu queria sua cabeça com uma melancia na boca, (maçã é coisa do passado. Legal mesmo é melancia na boca, oh yeah!) servida para ansiosos trasgos montanheses. Tenho certeza que seus desejos em relação a mim não eram muito diferentes disso. Agora só parecia que nós queríamos descobrir o que tinha parado aquela merda de trem.


 Mas, infelizmente, ele estava certo (merda, ele tava certo de novo), e isso foi comprovado no momento em que vários alunos começaram a correr e a gritar como desesperados pelo trem.


 Eu queria ficar e lutar. Queria muito poder dar um bom soco na vaca da Bellatrix. Sim, era óbvio que aquela vadia louca cuspida por uma ratazana estava lá. Ela era a queridinha do Voldemort. Ah, aquela vaca...


 Mas naquele momento eu podia pensar sobre a queridinha do Voldemort? Óbvio que eu não podia. Mas tudo foi tão rápido, mas tão rápido, que eu nem pude ser educada para dizer ‘tchau’ nesse intrigante papo comigo mesma. Não, eu fui interrompida por um grito histérico vindo de alguns vagões a frente, vindo de, ninguém mais ninguém menos que a vadia cuja. Ops, dita cuja.


 -TENTANDO FUGIR, SEUS COVARDES?! – Malfoy parou o que estava fazendo e me encarou – REALMENTE ACHARAM QUE VOCÊS IAM FUGIR?! RÁPIDO, SEUS INÚTEIS... – fui até a porta da cabine e a empurrei delicadamente. Estrategicamente me esgueirei para fora e, diante todo aquele caos, ninguém percebeu minha presença, muito menos Bellatrix, que se encontrava muito na frente. Pude ver Rony e Gina puxarem Harry para dentro da cabine, silenciosamente. Ele com certeza queria lutar, mas seria a mesma coisa de ele se vestir de garçonete e falar “sou o jantar de Voldemort, hoje”. Bellatrix parou um pouco para respirar antes de continuar – PEGUEM O BEBEZINHO DO POTTER... – ela respirou mais algumas vezes e uma expressão assassina tomou conta de seu olhar – EU PEGO A SANGUE-RUIM...


 Fudid******, fudid******! Fudid****... Hoje eu to fudid*! E hoje eu to fudid*...! Ok, eu sempre quis ter uma trilha sonora da minha vida.


 Meu sangue ferveu no momento em que nossos olhares quase se encontraram. Um pouco antes de meu olhar se encontrar com o dela uma mão me puxou bruta urgentemente para dentro da cabine de novo e a fechou num baque surdo. O meu único alívio foi que vários alunos faziam isso agora, não levantaríamos suspeitas.


 -Você ta louco?! – perguntei para Malfoy, que agora estava absurdamente perto de mim.


 -Você ta louca?! O que você acha que tava fazendo?! – bufei e revirei os olhos. Céus, não era óbvio?!


 -Eu não sei se você realmente prestou atenção nos meus movimentos... Mas estava mais do que óbvio, até para um trasgo caterrizado, que eu estava indo atacar a vaca da sua titia! – finalizei com uma voz parecida com a da titia Bella.


 -E você pretendia dar uma chave de braço nela, ou ia asfixiar ela com seus humildes cachos?! – perguntou ele com falso interesse, eu apenas revirei os olhos diante essa atitude infantil.


 E o que Malfoy fez? Ele me deu suporte emocional ou algo do tipo? Rá, óbvio que não. Acho que não ficou explícito que ele era um MALFOY! Mas eu não esperava que ele pegasse uma camiseta do malão, enrolasse sua mão nela e QUEBRASEE A JANELA DA NOSSA HUMILDE CABINE!!


 -Malfoy, o que você está fazendo?! – perguntei horrorizada sem me preocupar em controlar meu tom de voz.


 -Eu não sei se você realmente prestou atenção nos movimentos lá de fora... – começou ele me imitando – Mas a Bellatrix está atrás de você e, sabe, eu não sou um terapeuta, mas acho que pelo o jeito que ela falou ela não quer fazer boas coisas com você.


 -Daí a solução é quebrar a janela do trem?! Malfoy, isso é vandalismo!


 -Não acredito que num momento desses você pensa em vandalismo! – ele exclamou espantado, mas depois suavizou a expressão e revirou os olhos – Rápido, me dê a sua mão, eu vou te ajudar a sair... – eu não saí do lugar.


 -Eu vou ficar e lu...


 -Hermione, você não vai ficar e lutar! Você viu o que você causou lá em Hogwarts só por atacar Bellatrix? Você vê o que você causa quando não pensa direito?! – gritou ele estressado e urgente – Você quer mesmo estragar tudo e entregar o Potter?! Acho que não é isso que você quer, ou é?!


 Merda, ele estava certo! Eu tinha que admitir que as minhas chances contra a Vacatrix não eram tão altas assim. Eu estava incapacitada de usar minha varinha e num trem empelotado de gente. Quais eram as minhas reais chances? No mínimo zero. E se Bellatrix conseguisse me raptar? Com certeza daria um surto de ‘eu sou o herói de tudo’ no Harry e ele se exporia demais. Exporia todo mundo.


 Malfoy me estendeu a mão e eu a rejeitei. Muitos gritos eram ouvidos em toda a parte. Subi no banco para poder sair de um jeito melhor, mas parei no meio do caminho.


 -Malfoy, pegue as nossas malas!- gritei me virando para ele – Como você espera que nós vamos para casa sem as coisas?! – um brilho iluminou seu olhar, e algo me dizia que eu havia falado merda.


 -Irmos para sua casa? Nós dois? – respirei fundo calmamente. “Calma, Hermione... Pense que essa é uma boa ação e...” manter Malfoy vivo nunca seria uma boa ação “Hunf... E você vive reclamando de quanto Merlin não é bom com você, e que você acha que ele não gosta de você. Às vezes, desse jeito, você acaba conseguindo um lugarzinho com Merlin depois que você morrer” rá! A última coisa que eu quero é encontrar Merlin.


 -Malfoy, antes que eu me arrependa, pegue as drogas das malas. – disse cerrando os dentes.


 -Engraçado... – comentou ele de modo divertido (mesmo diante da situação em que encontrávamos) – Eu estou com a sensação de que ouvi isso antes.


 -Exato. O que prova que eu realmente tenho problemas. Agora, rápido, me passe os malões para eu poder jogá-los para fora.


 Eu esperava menos cavalherismo do Malfoy, mas ele pegou os malões rapidamente e os jogou janela afora.


 -Malfoy, seu animal cuspido! – gritei incrédula – Cuidado com as minhas coisas!


 Será que eu já ouvi falar de uma expressão chamada ‘péssima idéia’? Será que eu já ouvi mesmo? Porque eu parecia um daqueles caras gordos de filmes americanos, que depois de comer vinte e sete sanduíches de carne seca soltava um pum atrás do outro. Mas eram uma péssima idéia atrás da outra.


 Eu não sei se eu tinha falado alto demais. Ou se o silêncio tinha reinado no trem. Ou talvez a expressão ‘animal cuspido’ não era bem vista nos dias de hoje. Bem, eu não sabia o que eu tinha feito, mas, mesmo ao longe, pude ouvir uma voz infantilizada.


 -Awwwwwwwwn, então parece que alguém quer fugir daqui? – Malfoy percebeu em que situação nós nos encontrávamos. Como eles tinham descoberto, eu não sabia também, mas eles tinham descoberto. Senti uma mão na minha bunda, me empurrando para fora. Olhei para Malfoy, o repreendendo. Ele apenas mordeu um pouco o lábio inferior e deu de ombros – Que tal fazer isso com o trem em movimento?!


 Bellatrix era, definitivamente, uma mulher de palavra.


 E eu a odiava profundamente por causa disso.


 O trem, mais do que rápido pegou velocidade. Mas não foi aquela coisa aos poucos... Não. O trem ficou muito rápido, eu nem conseguia distinguir mais a paisagem lá fora.


 -MALFOY, COMO EU FAÇO AGORA?! – perguntei desesperada enquanto tentava me segurar na janela para não cair – O TREM ESTÁ MUITO RÁPIDO!


 -PULA! – eu o olhei com estranhamento. Era aquilo mesmo que eu tinha ouvido? Tinha sido aquilo mesmo? Aquele... Animal de teta tinha falado para eu pular de um trem em movimento?! – AGORA!


 Sem aviso prévio (pelo menos eu não considerava a palavra ‘agora!’ como um aviso prévio) Malfoy abriu espaço, me enlaçou pelo ombro com seus braços e pulou. 


 Tudo tinha sido tão... Rápido, tão surpreendente, que eu nem tinha realmente entendido o que tinha acontecido. Eu tinha rolado desgovernadamente na grama com Malfoy grudado em mim. Tinha ralado todas as partes do meu corpo possíveis. Tinha conseguido dar uma mínima olhada para o trem, que agora estava bem longe, e ver Bellatrix ainda nos procurando.


 Eu me encontrava deitada na grama mal cortada com a respiração totalmente descompassada. Olhei para a direita procurando meu malão, que estava a alguns metros de mim. Ótimo. Como se não bastasse pular de um trem em movimento eu ainda precisava pegar meu malão e ir com ele, a pé, até a minha casa.


 Senti uma respiração tão descompassada quanto a minha há alguns metros de mim, mas do lado oposto dos malões. Mas que maravilha, Malfoy tinha sobrevivido! Agora eu já podia comemorar em grande estilo.


 -Hmmm... – Malfoy gemeu – Você está bem, Hermigranger?


 Hermigranger? Por acaso aquilo tinha sido uma tentativa de não falar meu primeiro nome?


 -Estaria melhor se tivesse pulado da porta da frente. – murmurei tentando ignorar o pequeno episódio desse meu novo nome.


 -Nós temos que levantar. – disse ele com esforço – Daqui a pouco vai escurecer e as coisas vão ficar piores.


Eu o ignorei e fechei os olhos, tentando dormir. Qual é, o chão daria uma ótima cama, sabe. Com aquela grama mal cortada e seca que pinicava os melhores lugares, aquela maciez toda, sabe? Ain, que delícia de cama.


 -Rápido, levanta. – abri os olhos com esforço e me deparei com a mão do Malfoy estendida para mim. Apertei-a.


 -Prazer, eu sou Hermione Granger, e você deve ser... Ahn, meu dono que me dá ordens, por acaso? – Perguntei com sarcasmo. Ele soltou um ‘haha, engraçadinha’ e me puxou pela mão.


 A última coisa que eu queria era ir caminhando carregando um malão para abrigar um Malfoy na minha humilde residência. Mas, ah! Que cabeça a minha! Desde quando Merlin liga para o que eu digo? Ele caga baldes para minha opinião.


 


 


 Apesar do nosso cansaço evidente, nós conseguimos chegar à Londres, vivos. Não trocamos nenhuma palavra durante o trajeto, até porque estávamos cansados demais para abrirmos a boca, e, se o fizéssemos, provavelmente discutiríamos feio.


 -Táxi! – gritei quando já estávamos numa parte mais movimentada de Londres. Um táxi parou e o taxista deve ter estranhado dois adolescentes, no meio da noite, machucados e com malões, mas, se estranhou, não comentou nada – Obrigada...


 Falei o endereço da minha casa, mas no meio do caminho eu mudei de idéia.


 -Ahn, será que você podia dar uma paradinha na farmácia antes de nos levar para casa, por favor?


 O taxista resmungou alguma coisa e fez uma manobra arriscada para a esquerda, a caminho da farmácia. Malfoy me olhou confuso, eu apenas murmurei um ‘você já vai entender’ e me ajeitei de novo no meu lugar.


 Agradeci e pedi para ele esperar um pouco, enquanto entrava na farmácia e comprava alguns remédios, gaze, esparadrapo e maquiagem. Entrei no táxi, meio atrapalhada com todas aquelas sacolas.


 -Toma, faça bom proveito disso. Escute bem, se minha mãe perguntar, e acredite, ela vai perguntar, diga que você teve algum acidente no quadribol, nada grave, entendeu? – sussurrei para Malfoy para o gordo motorista não ouvir, mas pude ouvir o curioso murmurar consigo mesmo ‘quadribol? Isso é alguma comida?’. A minha vontade foi responder ‘sim, inteligência. Ele teve um acidente com comida! Porque, sabe, os índices de morte por acidentes alimentares anda muito alto hoje em dia’.


 -E o que você vai falar para a sua mãe, rainha das mentiras? – perguntou ele debochado enquanto pegava algumas coisas da sacola. Apertei um lábio contra o outro... O que eu falaria para a minha mãe?


 -Er, bem... Eu digo que... Que... – O que eu poderia dizer para os meus pais sem eles desconfiarem de nada? – Que Madame Hooch pediu para eu ajudá-la e que eu tive que dar uma aula para o primeiro ano, mas que eu acabei caindo da vassoura... – Comecei a passar um pouco de maquiagem no meu rosto para dar uma disfarçada – Mas eu explico que eu não caí a muitos metros do chão – Malfoy fez uma careta, segurando o riso.


 -E você acha que essa é uma boa desculpa? – ele, pelo jeito, não conseguiu segurar por muito tempo e deu uma risada – Granger, você é péssima na vassoura. – eu empinei o nariz com desdém.


 -Sou mesmo, mas meus pais não sabem disso. E não é como se eu fosse um monstro em cima de uma vassoura, ok? Eu consigo pelo menos ficar em cima de uma sem cair. – o motorista começou a passar a mão no cabelo, visivelmente constrangido – Er, brincadeirinha nossa, hehe.


 -Ah, sim, claro. É só que... – ele riu nervoso. Ele não tinha achado que nós éramos sãos, com certeza – Chegamos.


 Agradeci e paguei o taxista. Saí rapidamente do carro para pegar os malões, mas Malfoy já tinha feito isso. Antes de o carro ir embora, perguntei as horas.


 -Dez e quinze. – ele respondeu antes de sair correndo com o carro.


 -Bem... – suspirei sem humor nenhuma – Boa sorte para nós.


 Fomos caminhando até a porta da frente. Os únicos sons ouvidos eram os das rodas dos malões e das cigarras no meu jardim. Bati na porta delicadamente. Três toques leves e divagares, quatro rápidos e fortes. Esse era o CP da nossa casa, vulgo ‘código de porta’. Depois que uma vizinha foi seqüestrada depois de abrir a porta, a minha mãe ficou desesperada e com medo de isso acontecer conosco, então criou esse pequeno código para nós sabermos se é alguém da casa ou não, como se isso fosse nos proteger dos tão temidos seqüestradores. Fala sério, se eles realmente quisessem nos seqüestrar, eles arrombariam a porta!


 -Carter? – ouvi minha mãe chamar dentro de casa, provavelmente do quarto dela (N/A: bem, a titia Jô não colocou o nome dos pais da Hermione nos livros, apenas se referiu a eles como ‘Sr. e Sra. Granger’ mas é meio ridículo a própria esposa chamar o marido de senhor alguma coisa, não acham? Então eu só coloquei esses nomes para ficar mais coerente na história (: ) – Será que você poderia abrir a porta, por favor? – ouvi o barulho da escada rangendo, provavelmente era o meu pai descendo as escadas – Ma-mas olhe quem é primeiro... Usaram o nosso CP, mas Mione não vem para cá! Er, cuidado, querido! – pude ouvir meu pai rir jovialmente da sala de estar.


 -Relaxa, amor, não é nada!


 Ouvi o barulho das chaves destrancando a porta. A emoção de ver meus pais era tanta que agarrei a mão de Malfoy por um insante, mas, depois que percebi o que tinha feito, puxei minha mão rapidamente.


 -Aranha. Na sua mão. Já está morta, não se preocupe. – sussurrei fazendo a cara mais idiota que consegui.


 -Ah, claro que sim. – comentou ele com graça.


 A maçaneta finalmente girou e a porta se abriu, revelando um homem de cabelos um tanto quanto grisalhos e totalmente surpreso.


 -Hermio... – meu pai olhou para trás animado – Ei, Joan, você não vai acreditar em quem está aqui!


 -Er... Surpresa! – comentei com um sorriso amarelo enquanto abraçava meu pai.


 -Quem seria a uma hora des... – pude ver minha mão descendo as escadas e acabando de passar batom. Os dois estavam muito elegantes, papai usava um terno e minha mãe um vestidinho branco e um salto – Hermione! – minha mãe quase caiu da escada e saiu correndo na minha direção – Filha, minha querida, o que faz aqui?! Pensei que você não viesse!


 -Eu não vinha... – falei enquanto abraçava minha mãe – Mas então eu pensei... “Por que não passar o natal com a minha família?”


 -E por que não trazer um amigo junto, não é? – Comentou meu pai um pouco emburrado – Pensei que Harry fosse moreno e usasse óculos... – Malfoy fez uma cara de nojo por uma fração de segundo, provavelmente odiando a idéia de ser comparado com Harry, mas depois assumiu um ar galante.


 -Ah, pai, mãe, esse é o Malfoy – apresentei sem graça – Ele... Ahn, ele não ia ter com quem passar o natal e eu lembrei que ninguém devia passar essa data tão especial sozinho. – minha mãe me olhou com uma sobrancelha para cima – Os pais dele tiveram uma viagem de emergência para fazer... Sabem... Negócios. E nesse ano Hogwarts teve que fechar durante o natal por causa do baile que vai ter. Eu me preocupei com ele passar o natal sozinho.


 Ufa! Oscar para mim por conseguir sair tão rápido de uma dessas.


 -Prazer – minha mãe sorriu solidária e deu um beijo em Malfoy. Ela tinha caído na mentira – Eu sou a Sra. Granger, mas você pode me chamar de Joan – eu a olhei com uma cara de “não, mãe. Ele não pode te chamar de Joan porque ele não é meu namorado” – E esse é o meu marido, senhor Granger, mas não tem problema se quiser chamá-lo de Carter. Saiba que você é mais que bem vindo aqui na nossa casa.


 -Prazer. Obrigada pela hospitalidade. – ele deu um sorriso que fez minha mãe suspirar. Ugh, eu não sabia que Malfoy conseguia ser tão educado assim com trouxas – Sabem, eu andei me perguntando porque Hermione é tão bonita, mas agora eu já vejo a resposta. – e sorriu galante.


 Argh, sério quem caí nessa? Sabe quem caí nessa? Minha mãe, que estava achando o Malfoy a perfeição em pessoa.


 -Obrigada, querido. E eu vejo que Hermione me puxou e sabe como escolher. - CUMÁ?


 -Ah, n-não, mãe. Nós não... – comecei a apontar com urgência de mim para Malfoy e de Malfoy para mim – Não namoramos. – olhei para cima e murmurei – Merlin!


 -Como disse, querida? – perguntou meu pai, visivelmente desinteressado – Por que vocês não entram?  - ele perguntou, hospitaleiro.Por dentro eu fiquei: NÃÃÃO, PAI, VOCÊ DEVIA PEGAR UMA PISTOLA E ATIRAR NA MODESTA TESTA DO MALFOY, E NÃO SER LEGAL COM A GENTE! –  Está frio aqui fora.


 Eu e Malfoy entramos em casa, ofegantes. Por que aquele animal não tentou negar também qualquer tipo de relacionamento entre nós dois? Agora só falta a minha mãe acreditar que os temos alguma coisa.


 -Jesus Cristo, o que aconteceu com vocês?! – perguntou minha mãe assustada – Estão todos machucados e... E esfarrapados e... E sujos e...


 -Calma, mãe! Não foi nada! – e comecei a contar as mentiras para ela, que pareceu acreditar, mas meu pai só ficava mais carrancudo a cada palavra.


 -Eu sabia que aquela escola é perigosa... – resmungou meu pai.


 A verdade era que meus pais queriam me tirar de Hogwarts depois que souberam da guerra. Não queriam ter seu querido anjinho machucado, e, desde então eles encasquetaram que Hogwarts era perigosa e que eu tinha que sair de lá. Tradução: eles estavam insinuando que eu não sabia me cuidar. Por isso que eu não queria voltar para casa. Eles iam tentar me obrigar a ficar e, provavelmente iam até me prender no quarto, só para eu não voltar para lá.


 -Pai, não foi nada sério, tudo bem? Eu estou bem, Malfoy está bem. Todos estamos bem. – falei tentando tranqüilizar meu pai e rapidamente mudei de assunto – Mas, o que vocês acham de a gente ir para a cozinha? Eu estou morrendo de sede.


 Nós quatro fomos até a cozinha e eu e Malfoy pegamos um como d’água. Malfoy se sentou com a minha família, mas eu continuei em pé, ao lado da geladeira.


 Minha mãe começou uma espécie de questionário com Malfoy, o metralhando com perguntas de todo o tipo. Meu pai apenas a ouvia atentamente, e Malfoy as respondia com a maior educação.


 Dei mais um gole na água e continuei a bebendo lentamente. Pude ouvir um pouco da conversa da minha mãe.


 -E você está namorando alguém, Malfoy? – minha mãe demonstrava muito interesse nessa pergunta.


 -Bem, apesar de a pessoa não querer admitir... – ele me olhou e deu um sorriso falso. Qual é, Parkinson adoraria admitir qualquer tipo de relacionamento com a fuinha, ele só estava querendo pagar o Romeu apaixonado – Eu e Hermione estamos namorando.


 COMO ASSIM?!


 Meus pensamentos foram transmitidos ao mundo com uma bela água cuspida da minha boca.


 A minha mãe explodiu de alegria depois daquela falsa declaração de Malfoy e, para a minha surpresa, meu pai deu um leve sorriso.


 -Minha filha, você não tinha me falado nada!  - minha mãe saiu correndo para me abraçar – Eu sabia que tinha coisa, só pelo jeito que ele estava te olhando! – hm... Olhar mortal é romântico o suficiente para a minha mãe? – Bem que eu estranhei você trazer algum menino para cá... Ah, eu nem acredito! Eu disse que você sabia escolher bem!


 E o que eu podia fazer? O máximo que eu pude fazer é assentir desanimada. Apesar do fato de eu ter que matar Malfoy depois (que peninha!), aquela foi uma boa desculpa para a minha volta repentina.


 -É exatamente por isso que eu vim, mamãe... – com meu maior esforço eu sorri – Eu queria que você conhecesse meu... Ca-han, querido namorado ao vivo.


 -Mas isso é ótimo! – minha mãe foi abraçar meu pai, e enquanto ela estava de costas eu fiz um sinal para Malfoy, o querido dedo universal, e mandei um olhar assassino para ele, que apenas riu divertido – Então nós não temos que nos preocupar em sair...  – ela se virou para mim e eu rapidamente abaixei minha mão – Sabe, filha, eu e seu pai estávamos a meses querendo assistir a uma peça de teatro que começa daqui a meia hora... Nós não sabíamos que você vinha, e eu queria muito fazer algo com você, mas você sabe... Os ingressos são muito caros e esse é o último dia da peça aqui em Londres. Depois nós teremos que ajudar a sua tia para algumas coisas de natal... Bem a cara dela, então nós só voltamos amanhã, talvez na hora do almoço – Detalhe que nós só comíamos às duas e meia – Eu pensei que você ficaria triste, mas agora que eu vejo que vocês queriam era mesmo um tempo sozinhos. – ela deu uma risada forçada, mas eu pude ver que ela estava feliz. – Mas se comportem, sim?


 -Claro, mamãe. – Contanto que nesse tempinho juntos eu possa matar ele, por mim tudo ótimo – Ahn, se vocês não se importam... – Fui até o armário e peguei alguns pacotes de batatinha e alguns sucos – Nós vamos subindo. A viagem foi longa. – peguei o meu malão e Malfoy pegou o dele – Vamos, Malfoy?


 -Filha... Ele é o seu namorado... Ele se chama mesmo Malfoy? Acho que já ouvi esse nome por algum lugar, mas era um sobrenome – Talvez tenha sido em uma das vezes em que eu cortava meu travesseiro com uma faca enquanto lançava maldições para Malfoy.


 -Claro... – suspirei amargamente – Vamos, Draco? – é claro que o abestado se divertia com a situação.


 -Deixa que eu levo os malões... – ele sorriu enquanto pegava os malões – Carter, Joan... Boa peça.


 E com isso nós subimos, mas ao invés de entrar no meu quarto eu entrei no quarto dos meus pais.


 -Ahn, você dorme numa cama de casal? – ele franziu o cenho – Você realmente é vírgem?


 -Malfoy, seu idiota! Esse quarto não é meu, e a minha vida sexual não te interessa! – joguei um travesseiro nele – Como você foi falar aquilo para os meus pais? – ele não se agüentou e começou a rir. O riso dele... Ele parecia um menino de treze anos rindo, era realmente lindo, tirava qualquer aspecto Malfoy que ele podia ter.  Tentei não pensar nisso e lembrar que ele era um Malfoy.


 -Você tinha que ter visto sua cara!


 -Malfoy, isso não tem graça! Por que você fez aquilo? Agora meus pais vão achar que nós estamos namorando!


 -Eu fiz aquilo porque eu sabia que ia ser divertido. E foi bem melhor do que aquela sua desculpa besta de que você se preocupou comigo... Por Merlin, de onde você tirou aquilo?


 -Malfoy, você é um completo idio... – ouvi passos se aproximando do quarto – Malfoy, cala a boca e encosta na parede.


 -Por quê? – ele se encostou na parede – E eu nem to falan...


 -Você sabe o significado das palavras ‘cala a boca’? – coloquei minha mão sobre a sua boca. Nos encolhemos na parede e pude ouvir minha mãe falar lá de fora.


 -Querido, a porta!


 Um pouco depois disso a porta do quarto dos meus pais se fechou completamente. Ufa, se meus pais me pegassem com Malfoy dentro do quarto deles, eles me matariam.


 -Pronto. – falei depois de um tempo e fiz um favor para minha sanidade e saí de perto de Malfoy, Estávamos muito perto – Agora será que da para você sair logo daqui?


 -Nossa, que hospitalidade... Qual seria o motivo para eu sair daqui? – perguntou ele divertido.


 -Primeiro que a casa é minha. Segundo que eu vou tomar banho aqui.


 -Você tem certeza que você achou que esse seria um bom motivo para eu sair? – ele perguntou safado.


 -Malfoy, sai daqui! – joguei um travesseiro nele e ele ergueu os braços se rendendo.


 -Tudo bem, tudo bem... – ele riu – Eu saio, mas eu volto.


 Ele foi até a porta e eu já me preparava para tirar minha camiseta, mas ele não saia logo dali.


 -Malfoy, você quer que eu te ensine como abrir uma porta trouxa? – perguntei rindo enquanto abaixava a camiseta. Ele se virou para mim com o cenho franzido.


 -Tente a vontade... A porta está trancada. 

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N/A: O que acharam?? Tudo bem, eu sou um cocô de autora, admito, mas vocês lêem mesmo assim, então eu sou um cocôzinho de autora chique e amado :D
 Eu vou ser breve hoje nessa N/A, porque tenho que escrever e fazer mais coisitchas, mas vou responder aos comentários mesmo assim ;D
 Floreios e Borrões:
 Anna Przybitowiscz: Haha, bateu o recorde de tamanho de comentário ;D Calmaaa, eu aceito ameaças, mas você não sabe onde eu moro, então você NUNCA ia fazer qualquer besteira, até porque se você me achasse voce não resistiria à minha cara de gatinho do Shrek, então você não resistiria *--* Relaxe... Pode ameaçar sem medo kk AWN! AMOU?? SÉRIO MESMO? ASSIM EU GAMO NOS COMENTÁRIOS KK Enfim, minha cara, a Mione é uma menina muito confusa... Só lendo pra saber kk MEU DEUS! EMOCIONEI QUANDO FALOU QUE ERA UMA DAS MELHORES :D TIPO, É UMA HONRA E, FALANDO SÉRIO, A MINHA FIC SÓ É O QUE ELA É POR CAUSA DE VOCÊS :D ENTÃO OBRIGADA PRA VOCê E PARA TODAS :D  E OBRIGADA PELA PARTE EM QUE FALA QUE EU ESCREVO BEM E TALS E QUE A BIPOLARIDADE É UMA BOA COISA NA FIC :D KKK a Mione é confusa... Não tente entendê-la ;D A propósito... AMO COMENTÁRIO QUILOMÉTRICOS KKK
 
 Débora Granger Potter Malfoy: minha cara... Falei com você pelo msn hahah enfim, aqui está o capítulo.. Demorei, mas finalmente eu postei ;D Aqui está a cara de c* virgem da titia Bella :D Espero que tenha gostado ;)

 Katie Black: Louca pra ler? Haha assim me mata kk Oks, NÃO SUMO MAIS kkkk Relax no drama :P Eu fico muito feliz mesmo em saber que você e mais outras leitoras riram bastante com esse capítulo, sério (: kkk se ela nã quiser o Draco daí a gente vê e tenta negociar uma divisão por igual, contanto que eu fique com MAIS KKKK Que bo mque você amou e obrigada por ter dado um tempinho pra comentar, como sempre (: O capítulo ta aqui, espero que tenha gostado desse também :D
 
 BecoDiagonal:
 Alice: Haha, obrigada pelos elogios e por me acompanhar sempre. Amei você ter amado kk espero que tenha amado esse também ;D 
 
 Nyah!Fanfiction:
 O Nyah tem um sistema em que você responde diretamente aos comentários, então, se você é de lá, as respostas estão lá :D AAAAAH  e particular aqui com vocês, porque eu sei que tem mais gente lendo, mas voces não comentam... Poxa, o que custa? Só me faz mais feliz e não me obriga a fazer a carinha do Gato de Botas (haha viu. eu sei o nome dele) Pensem nisso, leitores-fantasma.

  
 Querem falar comigo diretamente? naahmont@hotmail.com   Querem ver meu site? www.nanamont.webnode.com   Querem comentar muito nesse capítulo? A caixa seduzente aí embaixo está em busca de palavras KK 
 Beijos e até capítulo que vem :D

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Comentários: 2

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Enviado por Katie Black em 07/03/2012

Adoreei o cap, esse foi hilário! Morri de rir aqui, primeiro com a briga mental com o nó, depois com as músicas que Hermione tava cantando (baixou a cantora nela hoje kkk), e com essa invenção de Draco deles estarem namorando! Ainda tô me recuperando aqui... kkkk
Só quero ver como vai ser esses dois debaixo do mesmo teto por dez dias.... ah eu vou rir muuuuito!! Esse "namoro" vai causar é problema, isso sim! E que estória é essa de divisão igual com a senhorita ficando com mais??? Por causa desse atraso 70% de Draco é pra MIM!!! O resto você pode ficar, eu deixo, e só porque eu amo essa fic! kkkk
Tá vendo? Até no comment eu tô morrendo de rir! PRECISO COM URGÊNCIA do next cap, esses dois aí trancados vai ser muuita onda, e risada garantida! E não demore dessa vez! Bjoooos 

Nota: 5

Páginas:[1]
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Enviado por Anna Przybitowiscz em 04/03/2012

HAHA... A porta 'tá trancada, bah a Hermione se ferrou (ou não né, o Draco é lindo quem não ia querer ficar trancado com ele?). Mas em fim eu estava aqui pensando que a sanidade mental da Hermione é pior que a minha (acredite isso é muito ruim), já que ela estava discutindo com um nó, mas tudo bem cada um com a sua sanidade mental. Pois bem agora falemos do capitulo: Ficou perfeito :) me arrisco a dizer que foi um dos melhores, mas porém entretanto o capitulo demorou muito pra sair o que me dá um bom motivo pra eu ter vontade de te atirar da torre de astronomia, mas claro que eu não vou fazer isso porque eu preciso saber como toda a história vai terminar. Bom eu poderia ficar aqui falando as inumeras qualidades da fic e como eu amo essa fic, mas eu estou com sono obviamente não foi por ter lido esse capitulo e sim porque eu estou a quase 24 horas sem dormir, e bem você já deve estar cansada de ler os meus comentários (nem eu consigo ler eles) então eu infelizmente não vou poder fazer um comentário maior que o anterior. Bom pra finalizar o capitulo está perfeito e eu espero que já que você terminou ele em um momento critico espero que não demore pra sair o capitulo seguinte. Beijos e até o próximo capitulo.

Nota: 5

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