Draco acordou, no outro dia, de madrugada. Ele sabia que só dormia seis horas por dia; ele acordava, normalmente, às duas da manhã. Ele se levantou com cuidado, para não se machucar nos móveis; a casa não tinha luz, era um breu.
Ele seguiu para o banheiro luxuoso da casa. A água ficava quente com o toque da varinha. Ele entrou e a hidromassagem começou. Draco jogou os sais de banho na água e ali ficou.
Draco mudara muito o seu jeito. Antes, em Hogwarts, era implicante – especialmente com os sangues-ruins e com Harry. Mas agora, fora de Hogwarts, tinha admitido um ar sombrio. Não se podia esperar nada. Ele era um ex-aluno da Sonserina mesmo dava para se notar. Sonso como uma cobra e tão sombrio quanto uma penumbra.
Seu modo de falar era arrastado e sussurrante, como o de Voldemort. Seus cabelos continuavam alvos, como nunca – era a única parte do seu corpo que não era tingida de um negro profundo – mas ainda assim era um alvo querendo ser acinzentado.
Ele terminou o banho e se examinou, frente ao espelho. Era um homem bonito, forte e bem-dotado de corpo. Possuía um aspecto invejável. Ele gostava disso – ele era extremamente vaidoso.
Colocou a túnica preta sob o corpo nu e saiu do banheiro. Ele não andava pela casa, nu, apenas dentro do quarto e dentro de seu banheiro. Tirou a túnica e colocou uma cueca. Ele ouviu, ao longe, o ressoar de um sino – eram três horas. Recolocou a túnica e, por cima desta, uma capa preta – seu corpo estava todo tampado.
Atravessou o corredor que dava para a porta de saída e abriu-a. A forte ventania pegou Draco de surpresa. Não esperava uma noite tão gelada. O vento forte e o frio indicavam chuva. Draco levantou a varinha e, balançando-a, disse:
- Expecto Patronum.
Uma cobra surgiu, da varinha. Draco deu ordens para avisar ao resto dos Comensais que a reunião começara. A cobra balançou de leve a cabeça e saiu, rastejando no vento, e deixando um leve rabo de brilho, enquanto seguia.
Draco seguiu. Havia uma pequena lanchonete trouxa no caminho. Draco entrou.
- Boa noite, estamos fechando – disse uma moça, muito bonita, sem olhar para Draco. Ela manteve-se fixada no trabalho.
- Boa noite – replicou Draco – Eu gostaria de ficar aqui, até os meus amigos chegarem.
A mulher olhou para Draco – coisa que ainda não fizera – e pensou se ele teria saído de um desses filmes de vampiros. Ela fez uma careta risonha para as roupas, mas encantou-se com o belo e jovial rosto do homem. Ela balançou a cabeça, levemente.
- Não posso, senhor. Estamos fechando.
- Imperio. – sussurrou ele, com sua voz rascante. A palavra saiu de forma amedrontadora dos lábios carnudos de Draco.
A mulher sacudiu a cabeça, levemente.
- Você vai deixar-me esperar os meus amigos. E vai mandar quem estiver lá dentro embora, ouviu?
- Sim. – disse a mulher e, sorrindo, adentrou a porta reservada para funcionários.
Os Comensais começaram a chegar de todos os lugares, avisados pela cobra, que ia à frente. Draco fez sinal para seu patrono, que entrou no restaurante, trazendo consigo os Comensais.
- Cumpri meu dever. – disse o patrono.
- Obrigado – respondeu Draco.
O patrono se desfez no ar, arrumando uma cor avermelhada, enquanto sumia.
- Boa noite – disse Draco – O que eu tenho para dizer é o seguinte, meus caros: nós vamos começar a nossa guerra hoje. Eu quero, pessoalmente, matar o Ministro. E aí, quando eu matá-lo, vou tomar o Ministério. E então eu vou comandar o Mundo da Magia, junto com vocês. Quando eu detiver todo o poder, vou começar o meu projeto: dar-lhes a vida eterna, em troca da vossa gratidão. Vocês estão comigo?
- Até a morte – disseram todos, fazendo uma mesura.
Draco elevou a varinha até a linha dos olhos e começou:
- Incendio! Saiam daqui, todos vocês! FOGOMALDITO!
Todos os comensais começaram a gritar:
- Partis Temporous! – e passavam por dentro do fogo.
Tudo foi se consumindo. A lanchonete, de repente, não parecia mais uma lanchonete. Quem poderia dizer que não fora um acidente com o gás? Draco sorriu. Estava tudo dando certo, tudo. Àquele dia o ministério seria seu!