Narcisa Malfoy salvara a vida de Harry Potter. Isso ninguém pode - nem podia - negar. Se sua resposta à pergunta do Lorde das Trevas fosse "Ele está vivo", o Lorde poderia ter lançado outro feitiço no garoto, e matá-lo de vez, impossibilitando a vitória do lado do bem. Mas não. Ela tinha salvo a vida do Salvador Potter, fazendo com que ninguém desistisse da luta pelo bem, da luta contra Tom Riddle e seu assassinato. Por isso, Narcisa tinha direito a um prêmio, o prêmio que ela quisesse, e ela não fora boba de escolher qualquer um. Escolhera uma das Relíquias da Morte - a Pedra da Ressurreição.
Tudo aconteceu no momento em que Voldemort caminhava para se vangloriar de ter assassinado Harry Potter. A procissão levara alguns minutos, então ela abaixou-se e pegou, do chão, a pedrinha. Ela sentira uma aura mágica em torno da relíquia e a pegara. Guardara debaixo das vestes e caminhara completamente desengonça, pois a pedra a incomodava. Quando ela chegou em casa, tratou de guardar em um lugar a tal pedrinha. Não usara-a, pois não sabia quais poderes a pedrinha tinha - e nem sabia se a pedra tinha poderes. Só a reconheceu como relíquia da morte tempo depois, não no momento do furto.
Agora ela estava ali, assombrada. A pedrinha havia sido roubada. Ela sentou-se na cama e suspirou. Não imaginava quem poderia ter sido o ladrão, uma vez que acreditava que não havia ladrões na sua casa. Será que alguém entrara lá apenas para surrupiar a Pedra da Ressurreição? Não, não podia ser. Somente Draco conhecia esse segredo de Narcisa. Certa vez, o garoto, mexendo nas coisas da mãe, achara a pedra e perguntara para ela o que era. Narcisa hesitou um pouco e contou o que era. E completou:
- Se você contar a alguém, eu vou me chatear bastante, Draco.
Acreditava na mudança do filho. Harry Potter o salvara uma vez, na Sala Precisa, e ela conhecia a história. Talvez, naquele momento, Draco tivesse mudado. Como qualquer mãe, ela acreditava no melhor do filho. Draco gostava da confiança da mãe, porque não possuía a confiança de mais ninguém, nem mesmo do próprio pai. Lúcio Malfoy mudou drasticamente com o filho depois que descobriu que o garoto nunca fora um comensal da morte de verdade. Como se o cargo trouxesse honra para a família Malfoy, Lúcio ignorava o filho, visivelmente chateado com a mentira. Por este motivo, Narcisa achava que Draco havia mudado.
Então, Narcisa fitou o esconderijo da pequena pedra, procurando-a novamente, sem sucesso. O ladrão, fosse quem fosse, era muito esperto, e não deixara um único vestígio para trás. Narcisa sentou-se na cama no quarto aonde estava (o quarto do casal) e ficou pensando em quem poderia ser o ladrão.
***
Draco Malfoy estava se sentindo mal. Não devia ter traído a confiança de sua mãe e roubado a Pedra da Ressurreição, mas o fez, e tinha tido um por quê. Estava apenas seguindo na sua longa busca pelo poder. A sua atitude fora covarde, sim, mas era preciso. Ele precisava agir daquela maneira para conseguir poder, mais poder. A pedrinha estava começando a pesar no seu bolso. A culpa de ser um ladrão era horrível, sim, mas era precisa. Estava seguindo para mais um roubo. Aí só faltaria uma única relíquia para ser sua.
***
Harry Potter não se desfez da capa-da-invisibilidade. Era um presente para ele, ele a ganhara no Natal. A Capa o ajudara muitas vezes antes. Era – para ele – a última relíquia da morte, e ele não se desfizera dela. A capa estava guardada em um guarda-roupa, na sala. Ele morava em Londres, longe do Mundo Bruxo. Vivia com Gina e seus filhos, mas estes estavam em Hogwarts. Gina estava grávida de uma menina e estava na casa de seus pais, mas Harry estava no trabalho. Era o momento perfeito.
Draco entrou, sorrateiro, na casa e abriu o armário. A capa estava lá, ele sabia. Foi tocando em tudo e a achou. Estava segurando o nada. Ele pegou-a e saiu, mas não sem bagunçar a casa antes. Ateou fogo em tudo e saiu, rindo. Ninguém nunca descobriria que ele esteve ali.
Ele desaparatou em sua casa, e escondeu a capa-da-invisibilidade. Sorriu. Duas das três relíquias estavam com ele. Agora era encontrar a Varinha das Varinhas, nem que tivesse de matar Potter para obtê-la.