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1. Arquivo JK


Fic: Tomando as Rédeas do Destino


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capítulo 1 | Arquivo JK


Hermione corria apressada pelos corredores do Ministério da Magia, não pegava bem para uma alta funcionária do Departamento de Leis Mágicas, porém a bomba que estava em sua mão, mais precisamente dentro da pasta com a inscrição "Ultrassecreto", não a deixava pensar neste detalhe. Entrou sem bater na sala de seu melhor amigo, Harry Potter, torcendo para que ele estivesse lá.


Distraído pelo pergaminho a sua frente, o moreno não pareceu perceber a invasão. Só reparou que não estava mais sozinho, quando a porta bateu contra a parede.


— Hermione? — ele pulou, se levantando e indo até a amiga — Está tudo bem? O que foi que aconteceu? Está machucada?


 — Não fisicamente, eu acho. — Responde indo se sentar na cadeira à frente da mesa dele. — Senta aqui. — Pede apontando a outra cadeira de visita.


— Mione, o que foi que aconteceu para você invadir a minha sala desse jeito? — ele se sentou na cadeira apontada, a encarando seriamente, arqueando uma sobrancelha — Você não costuma invadir assim. Está me deixando preocupado, querida.


— Harry, como você sabe o mundo é regido por deuses. Porém, não sei se é do seu conhecimento, mas há seres mágicos, incluindo bruxos, com a capacidade de se conectar com o mundo dos deuses. — a surpresa dele a fez seguir a diante. — Alguns recebem ruídos em forma de profecias, outros conseguem até falar com alguns deuses, depende do grau do dom do ser mágico.


— Você não está brincando, não é? — ele a encarava sem piscar, procurando por algum sinal de que ela tentava lhe pregar uma peça. — Deuses, Hermione? — vendo que ela continua séria, decidiu concordar. — Ok, acho que entendi, vamos para a surpresa número dois.


— Sabe Keira, minha amiga do Departamento de Mistérios? — a pregunta é respondida com um aceno afirmativo — Ela é responsável por arquivar informações trazidas pelos mensageiros, como chamam os seres mágicos que a serviço do Ministério da Magia tentam contato com o plano divino, e ela teve acesso a uma informação inacreditável... Não é do feitio dela vazar qualquer coisa, mas nesse caso ela julgou de vital importância e me mostrou o arquivo. — relata mostrando a pasta, a mão muito trêmula, o ar ainda parecia faltar a seus pulmões em quantidades aceitáveis.


— O que tem no arquivo, Hermione? — questiona, preocupado com as reações da mulher. — Já estou esperando você anunciar que Voldemort pode voltar do mundo dos mortos...


— Basicamente, que a tecedora do destino chamada de JK admitiu para outra entidade divina que errou ao tecer nosso destino. Disse que por pura teimosia, gosto ou realização pessoal, errou ao me casar com Rony e não com você. — As palavras saíram com dificuldade, praticamente em choque, mas encontrando forças para passar a pasta a ele para que lesse por si mesmo.


— Hãn, desculpe? — ele ergueu a cabeça rápido, dando um mau jeito no pescoço no percurso. Gemendo, a encarou chocado. — Que besteira é essa?


— Leia! Está tudo aí! — Diz passando a pasta a ele.


Ele se focou na pasta. Esperava que fosse uma brincadeira, mas o selo do Ministério estava por toda as folhas, mandando sua teoria de que tudo se tratava de uma pegadinha para os ares. Com cuidado, leu todas as informações contidas no pergaminho em suas mãos.


— Primeiro deuses e agora isso? — ele franziu o cenho — Qual é o intuito de trazer essa informação agora? Depois de... quantos anos? — ergueu o olhar para a mulher na sua frente. — Desculpe, estou tentando assimilar tudo isso, mas, estou tendo muita dificuldades! — largou a pasta e se levantou, foi para a parte atrás da sua mesa, onde o espaço era mais livre e o permitia perambular, tentando entender a situação por completo.


— Ao mesmo tempo que é chocante e não faz sentido, faz todo o sentido! — Hermione diz levando as mãos ao rosto, arrumando o cabelo nervosamente.


O homem parou de andar e se voltou incrédulo para ela. — Agora vai me dizer que está cogitando essa loucura? — ele olhou em volta, parecendo só perceber naquele momento que estava em pé. — Não sei você, mas preciso de uma bebida. Quer também? Não tenho nenhum dos vinhos que você gosta, mas tenho uísque de fogo, que é a melhor opção pra essa situação. Nada de suave nos ajudaria agora... — foi até o pequeno bar no canto esquerdo, se servindo e olhando-a esperando por uma resposta.


— Acho que cabe, mas põe gelo. — pede ainda tentando processar aquilo tudo.


— Agora, já que você obviamente começou a ponderar sobre essa maluquice toda, o que quer fazer com isso? — perguntou, apontando para a pasta largada sobre a mesa.


Hermione aceitou o copo e bebeu um gole, fechou os olhos sentindo a garganta queimar, porém isso pareceu a fazer respirar melhor. Manteve os olhos fechados um momento pensando na pergunta de Harry, que ecoava as próprias preocupações. Viu que Harry fazia o mesmo, compenetrado em suas questões.


— Você é feliz? Essa é a vida que você sempre sonhou ter? — Pergunta após alguns minutos em silêncio.


— Ah, não vale. Fiz uma pergunta primeiro. — resmungou encarando o copo. Suspirou levantando os olhos para ela. — Eu gosto da vida que eu levo...


— Mesmo? — pergunta se lembrando das conversas que costumavam ter às vezes, geralmente quando conseguiam almoçar juntos num restaurante não muito longe do ministério.


— O que você quer que eu diga, Mione? — disse com um suspiro pesado, procurando por mais uma dose. Indicou a garrafa na sua direção como oferta de mais um drink. — Que minha vida é uma droga, e que talvez essa maldita bomba pode estar começando a fazer mais sentido do que deveria?


— Não é bem assim, certo? Há os momentos bons, os ruins... eu sei lá. Gina é a esposa que você sempre desejou? — pergunta pensativa, aceitando mais uma dose.


— Claro que tivemos momentos bons. Passamos pelos péssimos também. Mas isso se chama casamento, certo? — ele lhe entregou a nova dose, se largando na cadeira, olhando o teto e ponderando como se explicar. — Se eu acho que a Gina é a esposa que eu sempre desejei? Não, não tenho certeza se parei em algum ponto para pensar como seria a minha esposa num futuro... — ele balançou a cabeça olhando para a garota. — Mas ela é a minha esposa, mãe dos meus filhos. Assim como Rony é o seu marido e o pai dos seus filhos. Ele lhe faz feliz, Herms? É o marido dos seus sonhos?


— Sempre brigamos muito por bobagens, achava que a coisa dos opostos se atraírem que todos falavam poderia ser sério... Acontece que nossas brigas, geralmente, eram por pensar diferente sobre os pontos em questão. Sermos amigos e termos uma história juntos facilitou a superar os problemas, mas se eu pensar bem, não superamos, apenas cedi. Entende?


O moreno a encarou surpreso. — Você nunca me falou nada disso, querida. Ao que você se refere, exatamente?


— Sabe quando todas aquelas cartas com convites chegaram e comentei com você empolgada sobre trabalhar no Departamento de Mistérios? Nunca mencionei, mas desisti porque Rony acreditava que eu precisava de um trabalho num escritório com horário de entrada e saída e não algo possivelmente perigoso e sem hora. Não seria indicado pra uma boa dona de casa.


— E você aceitou isso? — Harry tentou controlar a expressão, mas foi difícil imaginar Hermione compactuando com uma coisa dessas. — Hum, mas esse é o mesmo cara que pirou quando soube que Gina aceitara o convite para ser jogadora do Arpias... — ele sacudiu a cabeça descrente. — É ridículo, e você sabe disso. Primeiro que você não seria uma péssima dona de casa só por trabalhar fora...


— Já que falou em quadribol, sabe por que ele deixou a carreira? — pergunta quase rindo, servindo-se de sua 3ª dose de uísque.


— Começo a temer a pergunta, mas já que começamos vamos até o final disso. — ele piscou um olho para ela, divertido, servindo-se também. — Me conte. Por que ele deixou a carreira, e vou dizer aqui que foi uma surpresa. Sempre achei que era o que ele queria.


— Resumindo, descobri que ele me traía, não como se tivesse um caso, mas havia sempre essas festinhas organizadas pelos jogadores solteiros com mulheres bonitas e algumas profissionais. Pela primeira vez em anos eu o coloquei contra a parede e disse que se não saísse, iria embora com meus filhos. — admite um pouco envergonhada, lembrava bem daquele dia.


— Ele o que? — abaixou o copo, chocado. — Ele não faria isso... Ele fez? Como aquele idiota pode te trair? Depois de tudo…


— Você nunca se perguntou por que Fleur o afeta tanto? Aliás, não é como se fossemos parecidas. — responde amarga.


— Isso é… — Harry a encarou sem saber como reagir. Tirou os óculos, controlando um acesso de fúria que surgia de Merlin sabia onde, esfregou o rosto e repôs os óculos. — Eu quero ir até a mesa dele e mandá-lo para o St. Mungus. — ele levantou o olhar para a amiga. — Por favor, posso fazer isso? Aliás, me irrita saber que nunca soube disso. Não sou confiável?


— Eu imaginei que isso afastaria vocês e, como ele prometeu largar o quadribol, resolvi deixar em segredo. Nosso casamento nunca mais foi o mesmo, não que antes fosse às mil maravilhas, mas tínhamos momentos realmente felizes, agora mal nos vemos ou ficamos sozinhos.


— Eu não entendo, Mione. Você é uma das mulheres mais bonitas daqui, não é segredo que muitos dos homens solteiros ou casados se perdem quando você entra numa sala, e não é só pela sua inteligência... Acho que isso responde se Rony a faz feliz. Por que não o deixa e vai procurar sua felicidade? As crianças preferem ver você alegre do que ver você triste, mas casada por conveniência... Elas não são bobas.


Ele se levantou, tinha que andar, estava furioso com seu melhor amigo.


— Sempre achei que era uma crise e o tempo curaria as feridas, poderíamos tentar de novo, mais sábios e amenos. Você e Gina já passaram por uma crise assim?


— Me deixe dizer, antes que é claro que isso nos afastaria por um tempo. Você é tão minha amiga quanto ele, talvez até mais, fico do seu lado quando está certa. Casando com você, ele assumiu a responsabilidade de ajudá-la a ser feliz... Traí-la não faz parte do acordo. Que diabos Ron tinha na cabeça?


Passado o acesso de fúria, voltou a se sentar, terminou sua dose e serviu-se de mais, também serviu a amiga.


— Já tivemos nossas crises. — começou, a encarando seriamente. — Teve um tempo que ela ficou tentada à traição... acho que se uma coruja não tivesse caído nas minhas mãos, ela o teria feito. — ele deu de ombros, brincando com o copo. — Nem tudo é perfeito. Conversamos, eu a magoei e ela me irritou, mas no fim concordamos em deixar tudo para trás. Não foi como antes, mas então Lily nasceu... — ele suspirou cansado — Acho que mudei o foco. A energia que eu reservava para deixá-la feliz, fazer surpresas e essas coisas eu redirecionei para os meus filhos...


— Achei que seus piores problemas fossem a fixação dela por badalar, o gosto dela pela fama, luxo... O temperamento de vocês nunca pareceu bater muito realmente. — Comenta resolvendo não beber mais, já sentia-se mais altinha que o recomendado.


— Oh, isso. A fixação... a quase traição veio por esse jeito. Ela ainda badala, arranjou um trabalho que a pague para isso em datas pré-fixadas. Eu sugeri a carreira como por brincadeira, quando ela começou a ficar em crise porque iria ser cortada do time, mas quando levou a sério não vi problemas. Ela viaja o mesmo tanto que antes, então essa parte não seria nenhuma grande dificuldade, não quando assumi o comando do QG... Mas no final, acabou suprindo a necessidade dela por fama e festas, todo o glamour que eu não permitiria meu nome a lhe ajudar a conseguir. Ela não pode reclamar do acordo, assim como também não posso. Foi o meio diplomático que arranjamos de resolver a situação. — ele deu uma risadinha — Ela tem os filhos bem vestidos, alimentados e de boa aparência, não que não se esforce para isso. São todos bem educados, na maioria das vezes, uma casa bonita e bem provida. Além de ter um marido importante e levar o sobrenome Potter. — ele franziu o cenho — Isso soou mais amargurado do que eu pretendia. Mas enfim, sim temos problemas quanto as nossas divergências, mas acho que arranjamos um jeito de arrumá-las.


— Quer sair daqui? Não quero encontrar ninguém conhecido agora, ouvir perguntas. — Sugere um pouco receosa, a olhada no relógio mostrava que em pouco tempo acabaria o horário de expediente.


— Acho que comer é uma boa ideia. Tem alguma objeção quanto a isso? Ingeri mais álcool do que eu costumo, e soa como um bom plano não ser pego meio bêbado no meio do horário de trabalho... — ele ajeitou a mesa com poucos movimentos, hesitando em pegar o arquivo confidencial e guardá-lo na sua maleta. — Sair daqui é uma ideia brilhante, Hermione.


— Conheço um hotel discreto e com boa comida, eu pago. — Hermione diz se levantando e não disposta a mudar de ideia.


— Nada de sexo no primeiro encontro, mas aceito o jantar.


— Não fique tão confiante tão cedo, nem sabe o que estou pensando pro jantar. — Rebate no mesmo tom provocador que mesclava charme e divertimento, a brincadeira amistosa deixando o clima mais leve depois da bomba.


— Ainda afirmo que nada de sexo no primeiro encontro, mas você pode tentar, não vou me ofender. Mas se continuar desse jeito, o beijo de boa noite promete. — rebate no mesmo tom.


Hermione apenas ri, não poderiam continuar a brincadeira fora do escritório. Seguiu na frente evitando olhares e rezando para não dar de cara com Rony, não iria conversar com ele antes de arrumar aquela bagunça.


O hotel para qual foram era reservado, apesar de ser quatro estrelas, totalmente afastado das áreas bruxas, com um chef de cozinha promissor e um gerente que Hermione conhecia e, portanto, seria discreto na hora de fazer a reserva do quarto. Escolheu a cobertura, era mais privado, espaçoso e tinha mais de um quarto, portanto parecera a escolha perfeita.


— A comida virá em poucos minutos. — Hermione diz após desligar o telefone, retirava os sapatos para se pôr mais à-vontade no sofá.


— Quer esperar pelo jantar para continuarmos?


— Lembrou de algo mais? Algo que confirme as impressões de JK? — pergunta curiosa.


— Confirme? Não, acho que não. E você? — pede, enquanto tirava o paletó, e se sentava numa poltrona de frente para a morena.


— Lembro que a coisa entre vocês era bem física. Quando foi que você soube que era mais que isso, quando decidiu que era ela?


Harry se engasgou, sentia que ficara vermelho. — Você é mesmo boa em interrogatórios, não é?


— Faz parte de ser mulher e ter uns chifres. — lembra com certo amargor, porém já sem erguer qualquer defesa.


— OK, primeiro não considerava físico. Eu obviamente me sentia atraído por ela, mas Merlin sabe que nunca fui cafajeste. Estava a meio caminho de me apaixonar na época... — ele bagunçou ainda mais os cabelos. — Acho que nunca tive o famoso estalo de 'nossa essa é a mulher da minha vida'. Eu me dava bem com a Gina, amava ela, e achava que era assim com ela. Ficamos juntos por muito tempo, o natural era seguir em frente, e fazer o pedido. — ele fez uma breve careta — Então eu fiz. Mas então, quando foi a sua epifania com Ron?


— Passamos por muita coisa na guerra, você e Gina pareciam firmes, as pessoas esperavam aquilo de nós... sei lá, parecia natural, quando ele fez o pedido eu não vi por que dizer não.


— Olhando para trás, parece que ficamos muito confortáveis com toda a situação e nunca pensamos em seguir por outro caminho, não parece?


— Uma manipulação típica de uma tecedeira? Será que é assim?


— É, quer dizer, nunca nem pensei em como seria minha vida sem estar envolvido romanticamente com a Gina. E pela sua expressão assumo que também nunca o fez, pensando em Rony. — ele a encarou, concentrado. — O mais lógico agora seria questionar como seria se a tal JK tivesse nos juntado...


— Consegue pensar nisso? Não soa tipo bolo de carne com calda de chocolate?


Argh pra comparação. Absolutamente nojento. — ele estremeceu, arrancando um sorriso da bruxa. — Mas esse não é todo o objetivo do que estamos fazendo? Tentar entender por que de repente Harry e Gina assim como Rony e Hermione são errados juntos, e que o destino deveria ter sido escrito como Harry e Hermione?


— Talvez. Quando acha que teria acontecido? Digo, caso ela tecesse diferente?


— Numa escala de tempo? — Harry apertou a ponte do nariz — Você absolutamente não faz nenhuma pergunta fácil, não é? Eu não tenho ideia do quando. Mal cheguei no “o quê?”. Vamos você, me ajude aqui. Sinto como se estivesse contribuindo com mais do que estou recebendo.


Antes que Hermione respondesse, a campainha soou e ela ia se levantar, mas Harry se antecipou e ergueu-se rápido com a varinha em punho, hábito adquirido após a guerra, e foi atender. Guardou a varinha enquanto abria caminho para o funcionário do hotel deixar a comida e se despediu dele com uma boa gorjeta.


— O que é isso tudo, Hermione? — pergunta, olhando inseguro para o jantar. — Não prestei atenção quando fez o pedido...


— Até parece que não sei o que você gosta. — desdenha da pergunta já tirando as coberturas, queria comer logo para se sentir menos tonta pela bebida.


Harry preferiu não responder, revirou os olhos e ajeitou seu prato, talvez um pouco irritado por que ela realmente pedira pratos que ele gostava.


Ficaram algum tempo comendo em silêncio, mas Harry não conseguia parar de pensar na pergunta feita anteriormente pela amiga.


— Você não respondeu. Qual seria o tempo, segundo a tecedeira, para ficarmos juntos?


-Eu não sei, fico pensando em datas... na guerra talvez? -Arrisca pensativa.


— Assumindo que por guerra você queria dizer quando seu marido nos hãn... abandonou? — questionou, desconfortável. Não gostava de relembrar daquele tempo e com as novas facetas de Rony que vinham à tona, não seria difícil repensar sua amizade com ele.


— Eu sei, muito clichê Hollywoodiano né? Além disso, certamente com todas as preocupações e problemas, não haveria o menor clima pra romance. — Responde abanando a cabeça, percebendo o quão estúpido aquilo soara.


— Sei que erámos novos, mas imagino que se durante o colégio podíamos ter reparado no outro de forma romântica. Digo, erámos jovens e apesar dos problemas, tivemos nossas paixonites por algumas pessoas... — ele parou, ponderando — Merlin, será que teríamos durado tudo isso?


— Uma data, em quais dos anos que estivemos lá? — Pergunta curiosa.


— Realmente não tenho uma data. Mas houveram rumores desde que chegamos ao quarto ano. E ok, já que estamos nisso, nosso quarto seria o ano icônico de Harry e Hermione. Então digamos que seja o quarto. Será que você me aturaria por todos esses anos? — diz rindo da ideia. — Foi a primeira vez, acredito, que alguém pensou em nos ver como um casal. Então faz sentido a indicação.


— Ow, Rita Skeeter. — diz com um tremor, tinha péssimas lembranças da época. — Lembro que naquele ano você estava interessado em Cho Chang... quando foi que você começou com a paixonite por ela?


— Não, nada de me pôr no microscópio. — ele levantou uma sobrancelha a encarando firmemente — Ou vou começar a indagar sobre você e Vítor. Ou sobre Córmaco. Que tal? Posso largar mão do cavalheirismo...


— Eu sou um livro aberto. — rebate em discreto desafio.


— Oh, Merlin. — Harry sentiu uma pontada atrás dos olhos, talvez fosse por isso que seu olho esquerdo entrara em tique nervoso. — Por que temos que terminar o dia assim? Eu podia muito bem estar em casa, descobrindo o que foi que Lílian aprendeu de novo no colégio... — ele pressionou o olho esquerdo, na esperança que parasse. — Mas ok, então já que você está me dando carta branca. — ele parou, soltando o olho, que felizmente voltara ao normal. — Eu entendo a lógica distorcida que te levou a convidar Córmaco para sair... Como você levou essa história, por que Córmaco não ficou exatamente contente depois que vocês, hãn, romperam?


— Pra rompermos precisaríamos ter nos relacionado, algo que nunca aconteceu. Aliás, eu nem sei por que o convidei, só o vi e acabei convidando... na verdade quando paro pra pensar no meu sexto ano quase não me reconheço, estava tão impulsiva, agindo tão fora de mim... talvez a tecedeira estivesse passando por algum momento ruim da vida e resolveu descontar mim. — comenta quase rindo da teoria que parecia quase irreal, afinal divindades não passavam por crises pessoais, certo?


-Ok então, Córmaco foi um rompante causado por uma deusa fora de si... E Vítor? Ele não parecia uma escolha ruim, até mesmo se prontificou a mudar de país por você...


— Acho que Vítor foi pra mim o que a Cho foi pra você, ambos nos ajudaram a crescer, amadurecer nossas visões sobre o que é um relacionamento. Engraçado que ambos terminamos pelos mesmos motivos e nós dois nunca paramos realmente pra pensar nisso, né? Digo, Vítor tinha ciúmes de nós dois e não do Rony.


— Talvez eles tinham razão, afinal você me chamou certa vez de interessante e desejável. Não Rony. — disse rindo, ao lembrar-se da cena. — Na verdade, deixou isso claro em mais de uma ocasião! — acrescentou, zombeteiro.


— Eu estava sendo sincera, você estava a cada ano mais popular com as garotas... Lembra de quando você e Cho tiveram uma briga e eu falei que você deveria dizer pra ela que me achava feia? Você não disse que era bonita, mas deixou claro que não me achava feia.


— Eu era um idiota, não era? — ele riu, balançando a cabeça. — E eu nunca achei você feia... só não sabia como dizer que você era bonita, sem parecer retardado. — ele deu de ombros. — Não sem Rony ter um ataque do coração em seguida, em todos os casos. Quando você me chamou de gostoso, em alto e bom tom, anos depois, realmente achei por um segundo que ele ia cair duro...


— Não confunda as coisas, não foi gostoso nesse sentido, por mais que seu ego brade o contrário. Tão pouco acho que qualquer relação entre nós começaria com algo tão físico, até porque nossa amizade nunca foi física. Seria mais em uma situação delicada, mais emotiva, como no 4° ano onde só eu estava ao seu lado.


— Desculpe, alguns daqueles seus abraços foram realmente físicos. — ele fingiu massagear as costelas, como se ainda as sentisse doer. — Mas sei do que vocês está falando. É como se mesmo sendo adolescentes, fossemos aquele tipo de casal que já viveu décadas juntos... Como quando você me implorou para ir à festa do Prof. Slugue, para não ficar sozinha. Sabia que o que você queria, na realidade, era de alguém que a mantivesse longe de McLaggen...afinal muitos dos nossos amigos iriam estar lá também...


— Acha que o sexto ano é a chave? Ano em que as coisas deveriam ter seguido por um caminho e acabaram sendo forçadas pra outro?


— Se realmente estivermos falando em como deveríamos ter ficado juntos, soa o próximo passo lógico. Quer dizer, o quinto deveria ser considerado como o alerta de que estávamos indo pelo caminho errado, então deveríamos ter acordado no sexto. — ele franziu o cenho, confuso. — Portanto, sim, ele deve ser considerado como o ano da guinada inesperada. Não é assim?


— Não sei, acho que o verão foi muito amansador de nossas frustrações e redirecionamento pra outras coisas. Acho que o colapso em si veio antes... mas qual o momento?


Ponderando sobre o assunto, ele foi até o pequeno frigobar que ficava na cozinha. Enquanto examinava suas opções, repassou seu quinto e sextos anos mentalmente. Ainda estava pensativo quando voltou para a sala, com duas garrafas de água, colocou uma à frente da morena, na mesinha de centro. Depois de tomar um gole lento da garrafinha, olhou para a morena.


— Sabe, lembra quando briguei em definitivo com Cho? — ele franziu o cenho olhando para a garrafinha em suas mãos. — Eu cheguei a mencionar isso? Enfim, Cho sempre teve a teoria de que eu, na verdade, sempre desejei você. Fico me perguntando o que aconteceria, se ela tivesse falado isso e todas aquelas besteiras sobre você, na sua frente... Do jeito explosivo que eu estava, era bem capaz de acabar querendo provar que ela estava certa, mesmo que não estivesse, beijando você. Sim, definitivamente seria uma coisa que eu faria, se a situação aparecesse.


— Acha que um beijo seria o suficiente pra dar o insight? Isso é um pouco superestimado, não é? — Pergunta divertida, e tendo terminado o jantar, indo com sua garrafinha até o sofá.


— Você está esquecendo do quanto era obtuso! Acho que esse seria o único jeito de me fazer parar e pensar sobre nós num contexto romântico. Eu sempre soube que era uma garota, não era retardado à esse ponto, mas sempre vi mais o lado amigável da nossa relação... Quando comentavam sobre nós como casal, achava que estavam loucos e logo descartava a ideia, então, sim, acredito que um beijo me faria enxergar que amizade não era nossa única opção...


— Não sou tão boa nisso, Harry, sinto te desapontar. De todo jeito, teria sido engraçado ver a cara da Cho.


— O que me lembra, que você uma vez também afirmou categoricamente que eu era bom em matéria de beijos. — ele riu abertamente. — Vou retribuir o favor, com anos de atraso e dizer o mesmo, Herms. — afirmou, piscando um olho, maroto.


-Obrigada pelas palavras gentis, mas elas não mudam o fato. -Diz gentilmente.


Harry a encarou surpreso demais. Aquela era, seguramente, a maior besteira que ouvia em muito tempo. Acabou rindo, sua amiga era mesmo só muito encanada, não? Podia ser a bebida falando, mas pensou que talvez devesse ajudá-la com o assunto todo, gostava de ser um bom amigo, e estar lá para ela. Por que não mais uma vez?


Com esse pensamento em mente, se levantou sem que ela notasse, e se sentou ao lado dela. Sem parar para pensar uma segunda vez, com delicadeza fez com que ela o encarasse, e sem dar chances para que ela reagisse, a beijou.


Sentiu uma resistência no início, mas com o afago que fazia no rosto dela, e a suavidade do beijo, a sentiu relaxando. Só então mordiscou o lábio inferior dela, na parte mais cheia, deslizando a língua pelo lugar, fazendo-a arfar, surpresa. Aproveitou a chance, para aprofundar o beijo, e tirar de uma vez por todas, essa ideia maluca da cabeça dela.


Gemeu baixinho quando sentiu as unhas dela se afundarem em seu pescoço, tomou isso como um sinal de que abusava, mas como ela subiu as unhas pelo seu couro cabeludo, pressionando seus cabelos, ele continuou exatamente onde estava. Deixou a dianteira, abrandando o ritmo e deixando com que ela tomasse a frente, para que se sentisse confortável.


Se afastou quando o ar faltava, mordiscando seus lábios uma vez mais. Sorriu ao encará-la, arfante.


— Agora sim posso dizer com toda a certeza que você não beija nada mal, Mione. — afirmou, sorrindo, mas preparado para levar um tapa se fosse necessário.


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N/A: Essa shortfic surgiu na madrugada em que a entrevista de JK Rowling a Emma Watson começou a repercutir fortemente na internet. Pam e eu comentávamos empolgadas, inclusive por ter sido a interprete de Hermione a trazer a questão à tona, quando a inspiração bateu forte e começamos a escrever. Para quem nos conhece, já deve ter identificado qual parte foi escrita por quem, mas para quem não conhece, Pam tem feito o papel de Harry e eu o de Hermione.


N/A²: Como viram o impacto da notícia em nossos personagens? Acham que reagiram bem? Imaginam reação diferente? Comentem! Os próximos capítulos já estão prontos e só postaremos com muitos comentários.

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Comentários: 6

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por Mariana Thamiris em 06/03/2014

OMG
Super DIVA divina essa fic!!!
ADOREIII 

Nota: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por Saito em 28/02/2014

wow, fantastica a ideia de vcs, muito boa mesmo. Esse primeiro capitulo devo dizer que me deixou bastante curioso para saber como serão os outros. 
Parabéns continuem assim  

Nota: 1

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Enviado por Lediane Werner em 26/02/2014

Por mais que eu ache que o Harry e a Gina combinam, concordo que sempre ficou a duvida de como seria se o par dele fosse a Mione. Gostei de ver eles, como adultos, analisam a questão e pesam os pros e contras. Estou curiosa para saber como vai terminar essa conversa deles no hotel. 

Nota: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por Venatrix em 25/02/2014

Putz, adorei... uma maneira adulta de tratar a cituação, muito bom. 
eu definitivamente acho que a Tia Jô deveria ter colocado os sois juntos, eu pulei tanto quando vi essa noticia na net... foi uma otima noite aquela :D
Vou aguardar ansiosamente o desenrolar dessa historia :D

Nota: 1

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Enviado por hellen granger em 09/02/2014

Sempre achei que esse casal era perfeito que tinham sido feitos um para o outro...
negava o fato que eles nao ficariam juntos...
ainda mais no quarto livro.. minha esperança aumentou... aei veio o quinto livro minhas esperanças diminuiram.. e o sexto livro acabou comigo... mas o que eh mais engraçado que qndo assistimos so os filmes pensamos que eles vao fica juntos, acho que pelo fato dos atores terem bastante quimica... 
sem contar que a gina dos filmes eh totalmente sem sal... sem falar dos beijos que ela da no harry...
muito sem graça... até entendo o lado da jk acho que deixando o rony com a hermione e o harry com a gina formariam uma grande família...
O q ela nao percebeu eh que hh eh apaixonante que formam um casal tao melhor que hg ou rh...
Nunca gostei do rony.. acho ele invejoso e idiota eh o mais fraco do trio.. acho que a mione merecia muito mais.. 
e a gina nos filmes eh muito sem sal.. nos livros ela eh um pouco melhor.. nas suas fics ate gosto dela, vcs a descrevem mais atrevida e sem papas na lingua par perfeito para o draco...
o harry nao eh o personagem perfeito eh explosivo, afoito e inconsequente.. quem melhor q a mione para domar essa fera.. rsrsrsr. eles tem quimica, sao fofos e inseparaveis...
antes tarde do que nunca neh jk... viu a burrada que fez...
agora so as meninas para corrigir seus erros.. os impiedosos.... 
parabens novamente.. vcs sao fantasticas.. aguardando os outros... 

Nota: 5

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Enviado por Hécate em 04/02/2014

Preciso dizer? Adorei, a maneira adulta como foi tratada a situação, acho que o que muita gente gosta de esquecer é que o Ron é leal, mas tem uma seria tendencia a fazer merda. Eu sempre acreditei que o romance de Ron e Hermione estava fadado ao fracasso, quem disse que brigar o tempo todo é sinal de que um relacionamento vai dar certo? Pra mim pode ser um grande indicativo de como vai descer ladeira abaixo. Já Harry e Gina, eu nem vou comentar comentando xD, não tem quimica, quer dizer, Harry sempre a viu como a irmãzinha do melhor amigo e então do nada se apaixona? Não comprei a ideia, mas enfim. Adorei a maneira como a historia esta sendo conduzida e espero ansciosamente que historia tome o rumo certo.

Nota: 5

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