Não houve uma manhã sequer em que Hermione não acordasse pensando em Draco. Desde que seu filho nasceu e a enfermeira de Saint Mungus disse “Que menino lindo!”, ela teve certeza que tinha recebido um sinal de que deveria lutar pelo seu amor.
Uma condenação eterna em Azkaban só não era pior do que o beijo do dementador. Foram dois anos de sofrimento, sem saber ao certo se amava alguém que um certo tempo odiou. Ele sentia que, em algum lugar do mundo, uma parte dele crescia livremente, correndo pelos campos verdes da primavera da Grã Bretanha. Seu filho, Draco James Granger, estava prestes a completar na idade os anos de agonia de seu pai.
Num pesadelo agonizante Hermione desperta. Ela sonhara que Draco Malfoy iria receber o beijo do dementador. Sentindo que aquilo não era apenas um sonho, ela apressadamente arrumou seu filho, pegou o recipiente que o elfo doméstico de Draco lhe entregara e partiu rumo á Ilha de Azkaban.
Diga meu nome Então eu saberei que você está de volta Você está aqui de novo Por um tempo Oh então nos deixe compartilhar As lembranças que somente nós poderemos compartilhar juntos Me diga sobre Os dias antes do meu nascimento Como nós éramos quando crianças
Chegando lá, seus piores temores estavam prestes a serem concretizados. Draco estava preso pelos pulsos à parede, enquanto o dementador aproximava-se. Com os olhos cheios de lágrimas, Hermione gritou. O pequeno Draco chorou. Parecia que ele reconhecera o perigo que seu pai estava correndo.
_ Srta. Granger. – diz o Ministro da Magia, pedindo ao dementador que esperasse um instante – O que faz aqui?
_ Eu trouxe a prova da inocência de Draco Malfoy. – responde Hermione, enxugando suas lagrimas enquanto estendia o frasco para que o ministro pudesse pegá-lo. Todos conheciam a história de Hermione, e resolveram verificar os pensamentos de Malfoy em relação à ela e á Voldemort.
_ Tragam a penseira!
Abrindo delicadamente o frasco e despejando um pouco de suas memórias, o Ministro pôde contemplar o último momento em que Draco esteve com Hermione antes de ser preso.
Draco a olhava firme, era a chance que tinha de lhe lançar a maldição da morte e acabar de vez com a sangue-ruim. Mas por que seus dedos tremeram de encontro a sua varinha, ao mesmo tempo em que sua garganta e sua mente insistiram em saber se ela estava bem?
Antes que Draco articulasse qualquer palavra, ele viu os lábios dela se mecherem e um feixe de luz vindo direto de sua varinha atingir-lhe no peito. Com o impacto daquele feitiço em seu peito, Draco caiu a uma distância razoável dali, mas não sem antes olhar fundo nos olhos dela e perceber que era ela quem o completava. Constatou, naquele instante que sem Hermione ele se sentia incompleto ...
Você toca minha mão E as cores se tornam vivas No seu coração e na sua mente Eu cruzei a fronteira do tempo Deixando o hoje para trás Pra ficar com você novamente
Espantados e admirados com a atitude de Malfoy, O Ministro permitiu que Hermione fosse até ele. Draco James correu até seu pai, abraçando-o com carinho. Com serenidade, ele não pôde deixar de notar a incrível semelhança entre a criança e ele.
_ Então... – diz Draco, um pouco fraco – Ele é meu filho?
_ Sim. – responde Hermione, pegando o pequeno Draco no braço.
_ O nome dele... é...
_ Draco James Granger.
_ Deu meu nome a ele?
_ Queria ter-te perto de mim de qualquer modo.
_ Como aquelas lembranças foram parar no frasco? Lá só havia as lembranças de antes daqueles momentos.
_ As lembranças são minhas...
Todos podiam ver a serenidade nos olhos do Malfoy. Não havia necessidade de condenação alguma. Somente libertar Malfoy e deixá-lo viver com sua família, pois ele agora tinha coisas muito mais importantes por quem lutar: a felicidade de seus entes queridos.
Nós respiramos o ar Você se lembra como costumava tocar minha mão Você não estava consciente Suas mãos ainda continuavam Você simplesmente não sabia que eu estava aqui Isso machucou muito Eu rezo agora pra que em breve você se liberte para onde você pertence
Meses depois, todos já sabiam da inocência de Draco. Finalmente, Draco James Granger tornou-se Draco Malfoy Jr e já sabia ler e escrever com menos de três anos. Uma família muito feliz eles puderam ser. Nada mais impediria a união da “sangue-ruim” e do “cara-de-doninha”. Os tempos difíceis haviam acabado.
Por favor diga meu nome Lembre-se quem eu sou Você vai me encontrar no mundo de ontem Você vai ficar a deriva novamente Tão longe da onde estou Quando você me perguntar quem eu sou Diga meu nome As cores vão viver de novo No seu coração e na sua mente Eu cruzei as fronteiras do tempo Deixando o hoje pra trás Pra ficar com você novamente
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