Nick Granger Potter: como vc vai ver no post, se resume a uma palavra: i.......... ...
Bjus...
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Penúltimo capítulo....
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- Joe acha que descobrir que sou um Potter ilegítimo é como ganhar na loteria - Sam disse, com certa irritação.
Era o primeiro encontro de Hermione com o irmão desde que ela saíra de Londres, e do momento da chegada de Sam surpreendia-se ao notar a semelhança do rapaz com Harry. Quanto mais o examinava, mais atônita ficava por nunca ter percebido a semelhança entre o homem e o menino, os cabelos negros, os olhos verdes. Sua mãe não era tão morena. Os malares e a agressiva inclinação do queixo eram puramente Potter. Como pudera ser tão cega com o que estava a sua frente?
- Por exemplo, olhe para tudo isto aqui! - Sam lançou uma vista d’olhos ao redor. Estavam numa das salas de Montague Park, a menos opulenta de todas, porém mesmo assim luxuosa demais para ele. - Eu disse a Harry, viver como um rei é como vivem os Potter. Veja a caixinha de rapé... sessenta mil libras, e pensar que há pessoas sem casa e passando fome pelas ruas!
Hermione podia imaginar como Harry, um capitalista dos pés à cabeça, receberia aquele discurso.
- Você pode não concordar com o que eles têm e censurar como vivem, mas não se esqueça de que foi o dinheiro dos Potter que salvou a vida de papai - disse Hermione.
- Naturalmente que apreciei isso. Mas é que não posso mais pensar nele como pai - Sam comentou. - Ele disse que posso chamá-lo de John, se eu preferir.
- Oh... Sam! - Hermione pensava com tristeza em como essa atitude do irmão ferira o pobre homem. - Ele se comportou como um verdadeiro pai para você durante dezesseis anos. Não é alguma coisa?
- É, mas nunca me amou como amou você. Não, não discuta porque é a pura verdade, e também não pode me culpar por eu me sentir assim - Sam fitou-a com olhar triste. - Cresci sabendo que não era o filho com que John Granger sonhara. Por que acha que me dediquei tanto ao esporte mesmo detestando aquilo tudo? Apenas para ser o que ele queria que eu fosse.
Hermione engoliu as palavras impulsivas que ia pronunciar em defesa do pai. Sam tinha de se abrir com alguém, e ficou contente por esse alguém ser ela.
- Sabe qual foi meu primeiro pensamento no instante em que John me disse que eu não era seu filho? - Sam continuou a falar.
- Não.
- Graças a Deus não tenho de ser jardineiro. Você sabia que eu era assim tão superficial?
Hermione estava estarrecida com o que ouvia. O menino afetivo e reservado que conhecera anos atrás transformara-se num homem que ela precisava conhecer outra vez,
- Eu era um desajustado. Até mamãe... que sempre me elogiava quando me via sentado desenhando o tempo todo, era uma pessoa de mente estreita. Vivi rodeado de pessoas de mente estreita.
- Sam... por favor, não fale assim,
- Você, menina bastante inteligente para continuar na escola, foi forçada a parar de estudar a fim de aceitar um emprego insignificante porque estaria fora de seu lugar se estudasse mais. Se quer saber, Hermione, foi um alívio para mim descobrir que não sou um Granger.
- Entendo - Hermione declarou porque podia ver o que fora a vida para ele.
Os genes dos Potter, fortes e agressivos, que vibravam sob a superfície tranqüila de Sam, apenas esperavam a oportunidade e a liberdade para entrar em erupção. Ele era inteligente, profundo, e odiara aquela opressão de humildes perspectivas.
- O único problema é... - ele sorriu - que não tenho certeza de poder enfrentar o desafio de ser um Potter, ainda que ilegítimo.
- Só precisa ser você mesmo - Hermione abraçou-o com força e suspirou. - Eu amo você, Sam. Só desejo que tenha paz interior e fique feliz de novo.
- Nenhum adolescente admite ser feliz, Hermione. Olhe, tenho muito trabalho a fazer para meu projeto de arte. Diga-me onde vou me instalar e a vejo mais tarde.
Hermione ficou radiante por ele ter decidido passar a noite lá, sem discutir. Quando o pai de Joe o deixara na villa, Sam deixara a mala na porta indicando assim que não iria ficar. Contudo, o irmão seguiu-a escada acima. No patamar, observou os quadros das paredes.
- Quem é esse homem? - perguntou, parando diante de uma tela de um senhor idoso.
- Pode ser um de seus antepassados... mas não tenho idéia. Harry poderá lhe dizer.
- Sim, mas... aposto que esse velho é outro milionário Potter - Sam respondeu e acompanhou Hermione ao quarto que lhe fora reservado. - Nunca vou me acostumar neste meio, irmãzinha. Essa turma é toda louca por dinheiro e dedicada a grandes negócios. Eu sou um artista.
- Por que não se acostumaria a esse meio? - Hermione protestou. - Os Potter também apreciam arte.
- Fico contente por você tirar Harry da tristeza que o consome casando-se com ele e fazendo-o mudar de vida.
- O que quer dizer com isso?
- Tenho falado muito com Harry no telefone ultimamente - Sam confessou. - Ele me explicou como as coisas vão indo com vocês dois.
- Ele explicou... o quê? - Hermione cruzou os braços e encarou o irmão com ar beligerante.
- Hermione... você tem dado trabalho a ele. Seja honesta com Harry - Sam insistiu. - É claro que o rapaz é inseguro, e você não pára de alimentar essa insegurança. Ele nem mesmo tem certeza de que você aparecerá na igreja na sexta-feira.
- Verdade? - Hermione absorveu esse novo ponto de vista sobre Harry com certa dificuldade.
- Por que acha que ele sugeriu que eu me mudasse para cá, se não para que evitasse sua fuga antes do casamento? Ao menos eu poderia avisá-lo.
Hermione desceu as escadas devagar. Harry com medo de que ela fugisse? Sentiu-se como se o sol voltasse a aquecê-la. Ele lhe telefonara quase todos os dias enquanto em Roma e em Nova York, mas a conversa fora sempre muito impessoal. Não se referira mais ao casamento depois que ela mandara que cuidasse da própria vida quando lhe perguntara se havia comprado o vestido branco. Mas Hermione gostara de saber que Harry se importava com ela a ponto de se sentir inseguro.
Naturalmente que Harry não podia ser inseguro, Hermione refletiu melhor. Apenas inventara essa história para persuadir Sam a ir para Montague Park. Sam vinha insistindo que, quando saísse da casa de Joe, voltaria a viver no chalé, mesmo vazio. Para conseguir que Sam fosse morar com os Potter, Harry fingira insegurança e pedira uma ajuda da qual realmente não precisava. Essa foi a conclusão de Hermione.
John só receberia alta do hospital um dia antes do casamento. Maud ficara em Londres ao lado dele. Ambos aceitaram a aposentadoria adiantada que Harry lhes oferecera. Não idéia de John, mas de Maud. Harry já providenciara uma casa na aldeia para os antigos empregados e um carro pequeno. Ele foi muito generoso, Hermione reconheceu quando soube, e ficou com os olhos cheios de lágrimas. Devia ser a mulher mais mimada do mundo achando que poderia ter amor e paixão, romance e generosidade, ao mesmo tempo.
Lá estava ela com cartões de crédito agora, tendo a possibilidade de morar em três diferentes residências e possivelmente quatro ou cinco, iria ter um marido atraente e que ela amava mais que qualquer coisa no mundo. E daí se ele ainda acreditava que o vendera por cinco mil libras quando tinha dezoito anos? Harry parecia não mais se importar com o caso.
Sentada agora lia uma revista sobre assuntos de maternidade, o que mais a absorvia no momento. Enquanto examinava cada item ouviu um ruído na porta da frente e vozes ecoando no hall.
- Santo cielo! - reboou uma voz masculina assustadora.
- Sou James Potter. Está tentando me dizer que não sou mais bem-vindo na casa de meu filho?
O sangue de Hermione correu gelado nas veias. Quase caindo do sofá correu até a porta para olhar ao redor, aterrorizada. A nova governanta contratada por Ron Weasley tentava se desculpar.
- É que o sr. Potter não quer que a srta. Granger seja perturbada.
- Não vou perturbá-la. Apenas quero vê-la. - James Potter resmungou, parado na porta como um enorme urso branco, pronto a atacar. - Ela não pode estar na cama a esta hora.
Hermione ficou encostada na parede atrás da porta, quase sem respirar. Teve outro choque quando, após o breve silêncio, soou uma voz muito conhecida sua. A de Harry.
Harry? De onde surgira Harry? Naquele momento, Hermione não se importava com aquele detalhe. Para ela, havia sido como um cavaleiro vindo a seu auxílio. Recuperou a coragem e espiou. Harry e o pai trocavam insultos em italiano. Hermione não entendia nada mas viu que não podia ser uma conversa amistosa. Imaginou que logo teria de intervir.
- Olhem... não sei por que toda essa gritaria. Mas, por favor, parem com isso - Hermione pediu ansiosamente, e no silêncio que se seguiu os dois homens a fitaram, com expressão de embaraço. - Sam está aqui e tenho certeza de que vocês não querem que ele os ouça gritando desse jeito.
- Está brincando? Esse é o estilo Potter de conversar! - Sam comentou. O rapaz se encontrava no meio da escada, a atenção concentrada no velho Potter. Harry estava muito pálido.
Hermione quase gemeu, pois não poderia ter imaginado quadro pior para Sam se encontrar com o pai legítimo pela primeira vez.
- Cena típica - disse Harry, lançando ao pai um olhar de raiva. - Você chega aqui como um touro solto apesar de minhas recomendações.
- Não seja tão cerimonioso assim. Afinal, estou podendo olhar de frente para meu filho mais novo pela primeira vez na vida - James protestou. - Outras vezes em que vi você, Sam, não quis encará-lo com medo de me trair. Agora nem ao menos sabia que estava nesta casa. Vim para conversar com sua irmã.
- Já lhe disse como me sentia sobre isso... - Harry comentou.
- Seu pai pode falar comigo quando desejar - Hermione interrompeu-o. - Qualquer coisa tem de ser melhor do que essa sensação desagradável que possa existir entre nós.
- É isso mesmo, Harry - James Potter concordou. - E você não precisa voltar correndo para casa a fim de proteger Hermione. Somos uma família agora, ou seremos a partir de sexta-feira. Desça Sam, e junte-se a nós. Mas, se não quiser, tudo bem.
- Fala ainda mais alto do que Harry - Sam disse a seu verdadeiro pai, com fascinação. - Deve ser duro para você pronunciar cada palavras em surdina.
- Acha que eu grito? - Harry perguntou a Hermione, envolvendo-a com um braço. E só naquele instante ela percebeu que tremia. - Desculpe, eu não sabia que você estava tão perto. Apenas não queria que James a perturbasse, cara.
Um a um, em fila, todos entraram na sala, onde havia espaço suficiente para que não fosse necessário ficarem muito perto um do outro. Tão logo Hermione sentou-se James afundou-se no sofá. Sam foi para perto de uma das janelas e Harry ficou junto à lareira. Hermione achou-o atraente como sempre e não podia tirar os olhos dele.
- Bem, então por onde devemos começar? - James indagou.
- Eu gostaria de saber a verdade sobre você e mamãe - Hermione perguntou ao futuro sogro. - Ela já nos deixou, por isso não posso lhe perguntar. Por favor, seja franco.
- Está louca perguntando isso? - Harry repreendeu-a.
- Se eu tivesse tido coragem, teria perguntado antes - Sam enviou à irmã um olhar de apreciação.
Endireitando os ombros, James respondeu:
- Talitha e eu tivemos o que se pode chamar de união feliz. Descobrimos logo que havia muito mais do que sexo. Ela foi o amor de minha vida e com ela senti-me completo.
- Fala sério? - Hermione ergueu a cabeça, mostrando-se surpresa com a confissão.
James fitou Harry, que tinha uma ruga na testa. Depois voltou sua atenção a Hermione:
- Nós nos amamos de fato e por algum tempo o resto do mundo não existia. Éramos egoístas e isso não posso negar. Quando Talitha me contou que estava grávida de meu filho pedi a Lílian, a mãe de Harry, que me concedesse o divórcio. E talvez apenas naquele momento percebi quanta dor eu já havia causado.
- Oh... - Hermione olhou para Harry a fim de ver como ele recebia a revelação. - Seu pai estava decidido a se divorciar? - ela sentiu o coração apertado ao observar a fisionomia transtornada de Harry. - Eu não devia ter falado sobre isso. Fui uma idiota sugerindo que conversássemos...
- Não! - dessa vez foi Harry quem discordou. - Eu precisava ouvir essa história também. Somente gostaria de ter sabido de tudo três meses mais cedo - ele disse dirigindo-se ao pai.
- Você estava irritado demais para me ouvir. Como lhe confessei na ocasião, Lílian teve uma crise nervosa. Não posso dizer que vi qual seria minha obrigação. Foi Talitha quem insistiu em terminarmos, que não tínhamos direito de causar tanta dor, que cada um de nós possuía filhos a considerar... e, não importando como tentei fazer com que ela mudasse de idéia, Talitha nunca mais me viu e nem falou comigo.
- Mamãe era muito firme em suas decisões sobre qualquer assunto - Sam se manifestou, quebrando o tenso silêncio em que caíra. - Pensei que você fosse um bon vivant que usava minha mãe só para seu prazer - Sam disse a James. - Mas vejo agora que não foi assim. Machucou-se também.
James levantou-se, endireitou os ombros e disse a seu filho mais velho:
- Antes de arriscar não ser mais bem-vindo nesta casa, devo admitir que o que fiz a Hermione cinco anos atrás...
- Oh, isso não importa agora - Hermione interrompeu-o, achando que Harry já estava bastante envergonhado por ter sido forçado a ouvir como sua mãe, Lílian, abandonara James porque a própria amante de James tomara a iniciativa de terminar com o affair. Harry afastou-se da lareira e disse:
- Eu gostaria...
- Vocês estão querendo entrar num assunto que não tem nada a ver comigo - Sam lançou um olhar ao grupo ali reunido.
- Estarei na cozinha remexendo na geladeira para ver o que há para comer. Se precisarem de mim, me encontrarão lá. Estou morrendo de fome - e retirou-se. James começou a se acalmar.
- Sam sabe de tudo sobre seu caso? - ele perguntou a Hermione.
- Não, e não lhe contarei.
- Você ameaçou demitir o pai de Hermione, não foi? - Harry fitou o pai com fúria. - Hermione vem me contando a verdade, e você mentiu para mim. Por quê?
- Sua mãe ainda estava viva. Eu não podia trazer a filha de Talitha a casa para se encontrar com Lílian. Ela não agüentaria. Havia o segredo sobre Sam também. Entrei em pânico.
- Que direito tinha você de trazer seus erros para minha vida? - Harry protestou.
- Nenhum - James respondeu logo. - Mas você e Hermione estavam namorando havia tão pouco tempo que achei que um se esqueceria do outro bem depressa. Obviamente, estava errado.
- Se não posso confiar em meu próprio pai, em quem posso confiar? - Harry revidou, bastante aborrecido.
- Sinto muito. Pensei que você fosse se virar contra mim se descobrisse tudo sobre Talitha e Sam - James retirou-se da sala.
- Vá atrás dele - Hermione insistiu. - Se eu posso perdoar James, você também pode. Por que está tão zangado, afinal? Não ficou tão desesperado quando nos separamos!
- Você acha que todos os Potter põem no jornal suas desgraças? - Harry lhe perguntou, com amargor. - Meu pai destruiu nosso relacionamento, mentiu para mim sobre você e ameaçou-a... Nunca poderei perdoá-lo por isso.
- Então pense em Sam - Hermione lhe pediu. - Sam confia em você. Se houver algum desentendimento seu com James, ele vai querer saber por quê.
- Não estou com disposição para esquecer o que sofremos, não por culpa nossa, cinco anos atrás - Harry frisou cada palavra. - Eu amava você. Fiquei estarrecido com o que aconteceu entre nós!
- Você... me amava? - Hermione arregalou os olhos. - Mas sorriu quando eu disse que era melhor nos separarmos como amigos.
- Quanto mais sofro, mais eu escondo - ele ergueu a cabeça. - Pensa que deixaria que você visse que estava me magoando? Falou como se achasse que éramos simples amigos, comportou-se como se eu não significasse nada para você.
- Não sabia como me comportar - lágrimas escorreram pelas faces de Hermione que não conseguiu mais falar. Atormentava-a a lembrança de que ferira Harry sem se dar conta do fato, e sofria ao constatar que ele também a amava. - Eu sabia que o amava, apesar de termos estado juntos por apenas algumas semanas.
- Algumas semanas perfazem tempo suficientemente longo. Naquela noite em que a levei para casa, quando você tinha dezesseis anos, sua mãe na verdade me despachou - Harry explicou. - Enquanto me retirava resisti com esforço à necessidade de lhe pedir que não fosse muito severa com você, e acho que ela percebeu...
- Mamãe despachou você?! - Hermione exclamou, atônita.
- Eu não precisava ser prevenido de que você era jovem demais para mim. Sabia disso. Mas sua mãe queria ter certeza de que eu não ignorava que ela sabia do meu interesse por você, apesar de tudo. Portou-se como uma tola, mas achei-a engraçadinha porque a cena foi em meu favor - Harry comentou. - Achei-a muito graciosa.
- Graciosa?
- Estava linda mas não sabia flertar. Era como uma menina de dez anos tentando se comportar como uma mulher fatal.
Ela corou muito.
- Mas, voltando ao assunto de antes... se você me amava, se me amava quando eu tinha dezoito anos, por que me sujeitou àquela cena horrível no restaurante, naquela noite? Deixando que eu o visse beijando a tal da ruiva?
- E eu não me admiraria se você se sentasse à mesa conosco e me desejasse boa sorte - Harry declarou, sem o remorso que ela esperara ver. - Mas acabou sendo uma das piores noites de minha vida.
- Bem, e não foi uma das melhores da minha - Hermione retrucou com calor. - E estou esperando por um pedido de desculpas, pois você foi realmente cruel!
- Fui cruel?! - Harry exclamou, surpreso. - Você me maltratava o tempo todo e esperava que eu ainda passasse umas horas em sua companhia como se nada houvesse acontecido?
Hermione pensou sobre esse outro aspecto da situação e disse:
- Eu queria passar cada minuto de minha vida com você. Nunca o maltratei por prazer, foi sempre algo quase inconsciente.
- Porém eu não sabia disso. Queria lhe provar que eu podia ser tão indiferente quanto você parecia ser. Então fui para casa depois do escritório e me embriaguei. Sou um Potter até a medula dos ossos no que diz respeito ao amor. Naquela noite me convenci de que minha vida estava arruinada.
- Você estava... bêbado?
- Sim. Cheguei ao restaurante antes de você, sentei-me e disse para a turma que iria beber mais. Aí todos os meus amigos ficaram muito penalizados e amaldiçoei seu nome várias vezes, Hermione. A ruiva viu você chegar e me agarrou. Pensei que ela quisesse me ajudar a salvar as aparências...
- Harry! - Hermione sussurrou, trêmula. - Fui uma tola. Não posso nem pensar que o tenha magoado tanto!
- Mas Fiquei furioso quando James me contou sobre as cinco mil libras, alguns dias mais tarde. E naturalmente as mentiras de meu pai mataram meu desejo de ir atrás de você.
- Mal posso acreditar que me amava naquela ocasião, Harry - Hermione suspirou. - Na verdade, não posso agüentar que, apesar de você me amar, ainda nos separamos - Harry a fez se deitar no sofá. - Fez enorme diferença para mim você não ter jogado tudo fora, não ter me posto de lado em sua vida, embora ainda não entenda por que motivo não me contou nada sobre a ameaça de James.
- Tive medo de fazer isso. Pareceu-me que, o que quer que acontecesse, minha família sofreria. Daí eu ter achado mais prudente ficar quieta - Hermione estava perdida nos olhos profundos de Harry que transmitiam desejo mas ao mesmo tempo terna intensidade. - Vamos nos casar em quarenta e oito horas e mal posso esperar - ela murmurou.
Harry afastou-se então um pouco de Hermione, ali deitada no sofá.
- Dío mio... o que estou fazendo?
- Nada que eu não deseje - ela respondeu, puxando-o para perto de si.
- Tenho de voar para Nova York.
- Como? - Hermione sentou-se e agarrou-o pelo pescoço, segurando com força uma mecha dos cabelos negros dele.
- Esta foi uma breve visita, cara raia. Vim porque sabia que meu pai decidira vir aqui esta noite, e não ignorava que você tinha medo dele.
- Não mais. Não vá - Hermione suplicou.
- Preciso - ele beijou-lhe a palma das mãos, e levantou-se. - Você tem de instalar Sam na casa. E não podemos nem pensar em fazer amor no sofá, como adolescentes.
- Não... - ela concordou com certo embaraço, mas não queria deixá-lo ir.
Harry foi até a porta e voltou. Abraçou-a e deu-lhe um beijo apaixonado.
- Quarenta e oito horas - disse.
- Você está bem? - Hermione perguntou quando ele bateu com o ombro na beirada da lareira de mármore.
- Sinto mais dor em lugares onde eu não gostaria de mencionar, bella mia - Harry resmungou.
Ele partiu e Hermione foi procurar Sam, mas a cozinha estava às escuras. Só quando desceu ao subsolo ouviu as gargalhadas do irmão.
Sam se encontrava na sala de jogo. James não havia ido embora, conforme ela imaginara. Com um taco na mão ensinava ao rapaz a arte do bilhar. Depois de ter visto pai e filho se dando tão bem, saiu na ponta dos pés deixando-os em paz.
Harry a amara quando ela estava com dezoito anos, e fora maravilhoso ela ter descoberto isso havia pouco. O que ele iniciara uma vez, fizera uma segunda vez. Ficara desesperado quando romperam de novo, Hermione descobrira também minutos atrás. Sim, ele a amava, realmente a amava depois das seis semanas... embora sem sexo. Talvez se tivesse decidido ficar fora da cama dele em Corfu por mais de uma hora após sua chegada, daria nova vida ao amor. Assim era Harry.
Então, em retrospecto, mesmo que tivesse desejado muito fazer amor no sofá, dava graças ao bom Deus que negócios houvessem tornado isso impossível. Talvez resistir um pouco era o segredo, talvez Harry precisasse de um desafio. Só que iria ser difícil encontrar um jeito para esse desafio, uma vez casados.
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snif, snif... tah acabando....
Continua...
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