– Bom dia, Gina – Lance cumprimentou a capitã. Estava no pátio, enquanto a ruiva estava no alto da fortaleza.
– Bom dia, Lance – Gina cumprimentou-o. – Sem treino por hoje?
– Não – o menino negou. – O mago Dumbledore está me esperando no ginásio e, quando acordar, lady Granger vai continuar as lições sobre arco e flecha.
– Então vá para não se atrasar – Gina gritou em resposta. – Almoçamos juntos.
– Tudo bem – Lance assentiu e sumiu ginásio adentro.
– Hermione ainda dorme? – fez Ronald, surpreso, aproximando-se da irmã.
– Não faz muito tempo que se recolheu, na verdade – Gina corrigiu. – Passou a noite na guarda.
– Mas não é atribuição dela! É...
– É minha, eu sei – a ruiva concordou com o irmão. – Mas ela veio ontem à noite e mandou que eu me recolhesse. Disse que ela ficaria com o turno da noite e pediu que eu assumisse somente agora pela manhã.
– Harry tem razão... ela deve ter batido a cabeça quando caiu daquele dragão! – Ronald murmurou, fazendo uma careta.
– Assumiu o turno de Diggory? – Gina quis saber.
– Todos temos que dormir alguma hora – o ruivo disse, sorrindo, antes de se afastar para a ronda.
† – † – †
Hermione levantou-se somente após o almoço. Alimentou-se de algumas frutas, pinhão cozido e ovos estrelados na pedra que alguma criada deixara em seus aposentos.
Antes de se recolher, mais cedo, pedira que Dumbledore treinasse Lancelot em seu lugar e avisasse o menino que quando ela acordasse retomaria as lições com arco e flecha. Pretendia, porém, levá-lo para ver Ventania na floresta antes de continuar o treinamento.
Deixou seus aposentos já com vestes de couro e botas. Os cabelos estavam presos nas mesmas tranças que usava mais cedo. Levava seu arco e o cilindro cheio de flechas, além de sua espada para qualquer emergência.
Antes mesmo que alcançasse as escadarias que levavam ao pátio, percebeu o menino fazendo companhia a Gina Weasley. Ela parecia se divertir com algo que Lancelot dizia. O garotinho lhe sorria e ela afagava-lhe os cabelos antes de puxá-lo contra a cintura para um abraço. A ruiva deu uma gostosa gargalhada e voltou a olhar para Lancelot, que ainda a abraçava e esticava o pescoço para encará-la. Então, ela beijou-lhe o topo da cabeça e o soltou.
Draco Malfoy se aproximou e cumprimentou o menino com um afago nos cabelos loiros. Quem os visse, facilmente poderia deduzir que eram uma família – exceto pelo fato de que Gina teria que parir aos dez anos de idade se fosse mesmo mãe de Lancelot.
Hermione desceu as escadarias e chamou:
– Vamos, Lancelot?
Observou-o despedir-se do casal e correr em sua direção. Seguindo o exemplo dos dois, afagou-lhe os cabelos e deixou que a mão repousasse em seu ombro para guiá-lo portões afora.
– Onde vamos, lady Granger? – quis saber o menino.
– Vamos nos encontrar com Carlinhos. Lembra-se que ele disse que você precisava ir todos os dias ver Ventania? – Hermione explicou, paciente.
– Lembro.
– Muito bem. Iremos para a floresta – a morena sentenciou.
– E quanto às lições de hoje?
Hermione esboçou um sorriso no canto dos lábios.
– Será nosso segredo – disse. – Aguarde e verá.
Ao alcançarem a clareira onde Carlinhos os aguardava, Lance perguntou:
– Carlinhos, você dorme aqui no mato?
– Não, garoto – Carlinhos respondeu, rindo-se. Até mesmo Hermione rira da pergunta de Lance. – Há uma cabana mais para dentro da floresta onde guardo os meus equipamentos. Nela há uma boa cama, um fogão a lenha e uma chaleira. É suficiente para me virar.
– Carlinhos gosta de viver perto dos dragões, Lancelot – Hermione explica. – O mestre que o ensinou, Rubeos Hagrid, amante das criaturas fantásticas.
– Hagrid diz que devemos viver perto das criaturas que domamos para entender os seus hábitos – Carlinhos disse.
– E onde está esse Hagrid? – Lance perguntou.
– É possível que esteja atrás de um novo bichinho de estimação – Carlinhos brincou. – Mas chega de conversa. Vamos alimentar o seu dragão ou não?
– Vamos! – Lance prontamente concordou, aproximando-se de Ventania com cautela. Acariciou-lhe o focinho e entregou um pouco de carne à boca.
Uma hora mais tarde, Hermione o conduzia para outra clareira, onde várias árvores pareciam carregar seus próprios alvos.
– Que lugar é esse?
– Eu criei esse lugar para quando quisesse treinar sozinha, sem interrupções – Hermione contou. – Vê aquela flecha? É de Gina. Provavelmente andou atirando do alto da fortaleza em um de meus alvos. Ela gosta de se exibir.
– Como sabe que é de Gina? – quis saber Lance.
– As flechas de cada arqueiro carregam a sua marca. Nós as talhamos. Há um padrão – Hermione explica. – Veja, as flechas de Gina carregam penas tingidas de vermelho amarradas com fios dourados. Suas rêmiges são retas, como as minhas. As pontas são compridas e arredondadas. – Ela arrancou a flecha do alvo e mostrou-lhe do que falava. – Agora veja as minhas flechas...
Hermione tirou uma flecha de seu cilindro e mostrou a Lance, que tomou-a e manuseou com cuidado e atenção.
– Sua flecha parece ser mais curta – ele comentou.
– Algumas eu faço mais curtas, para que sejam menos flexíveis e mais certeiras – ela explicou.
– Você usa penas azuis...
– Penas de pavão.
– Amarradas a fios de cobre.
– Você reconhece os metais? – Hermione soou surpresa.
– Vovô Amis trabalhava com metais. Ele era ourives, mas também transformava metais em fios... fios de ouro, fios de cobre... – contou o menino. – Os fios de cobre mantêm a sua pena mais segura do que os fios de barbante cobertos pelo tecido dourado que Gina usa.
– Sim – Hermione limitou-se a concordar. – O que mais observa?
– A ponta de sua flecha é arredondada de forma côncava, enquanto a de Gina é convexa. A sua parece um V mais acentuado, como o cálice que protege o receptáculo de uma flor-de-lótus, a de Gina parece um U com uma ponta, como um tridente invertido.
– Tem um bom olho, garoto – Hermione elogia. – As flechas de Gina têm esse formato para que sirvam tanto para a caça quanto para a guerra. São eficientes na penetração, cortam muito bem a carne, são difíceis de serem removidas sem que provoquem um ferimento ainda pior e funcionam mesmo contra armaduras.
– E o formato das suas?
– Gosto destas que descreveu como se fossem um cálice de uma flor-de-lótus por serem mais finas e mais baratas, ótimas para somente treinamento, porém são fracas numa guerra. Quando vamos à guerra, adoto flechas com as bordas também afiadas em formato de folha. São mais caras, mas causam mais estrago – explicou a morena, sorrindo de lado. – Há as flechas de ponta bodkin, que todo arqueiro adota, e eu e Gina não fugimos à regra. Cedrico Diggory faz uma coleção delas. São ótimas contra armaduras e cotas de malha.
– Há tantos tipos assim?
– Ficará surpreso em saber a infinidade de possibilidades que um arqueiro tem quando se fala em escolher suas flechas – Hermione disse, sorrindo. – Que tal acertarmos alguns alvos agora?
– Legal – Lance sorri e os dois iniciam as lições do dia.
† – † – †
Hermione levantou-se no horário de sempre, antes mesmo de amanhecer. Preparou-se, fez seu desjejum e vestiu a armadura, e desceu para o pátio, onde aguardaria Lancelot e Harry para o treino com espadas.
Nenhum dos dois apareceu, porém. Nem mesmo quando o sol já subia o céu.
– Gina – chamou.
– Sim, Hermione? – a ruiva prontamente respondeu.
– Lancelot – resumiu a morena. – Onde está?
– Harry o levou logo cedo para caçar – Gina disse, inocentemente.
– Como assim Harry o levou para caçar? – Hermione fez, irritada.
– Ei, não tenho culpa – a capitã apressou-se em se defender. – Devem voltar logo. Imagino que Harry saiba que ele tem treino.
– É exatamente esse o problema – a guerreira disse antes de dar as costas, realmente brava, e adentrar o Castelo.
Já passava e muito da segunda grande refeição do dia quando Harry retornou ao Castelo anunciando aos quatro ventos que o jantar era por conta de Lance e dele. Hermione não esperou que ele chegasse muito além do saguão do Castelo para descer as escadarias às pressas, segurando o vestido para não tropeçar. Os cabelos ondulavam às suas costas no ritmo de sua pressa.
– Lady Granger – Lance cumprimentou, sorrindo.
– Lancelot – Hermione o cumprimentou, esforçando-se para retribuir o sorriso e demonstrar que não era com ele que estava irritada. Passou direto pelo menino, batendo com força no peito do moreno que vinha logo atrás. – QUEM TE DEU O DIREITO DE LEVAR LANCELOT?
– Está louca? – Harry fez.
– ESTOU, ESTOU SURTADA, LOUCA, ESTOU O QUE VOCÊ QUISER! – ela fez, aos gritos. – FIZ QUESTÃO DE DEIXAR BEM CLARO ONTEM À NOITE QUE PARTICIPARIA DAS LIÇÕES DE DUELOS DE ESPADAS QUE DARIA AO GAROTO. E O QUE VOCÊ FAZ? DESAPARECE! VAMOS CAÇAR, LANCE! – ironizou. – E O TREINAMENTO? JÁ NÃO O ATRASAMOS O SUFICIENTE POR CONTA DE SEUS ACIDENTES? RESOLVEU QUE PODERIA SIMPLESMENTE PASSAR POR CIMA DE MINHA AUTORIDADE E LEVÁ-LO...
– Qual o problema? Ele deve aprender a caçar, é uma atividade desempenhada por todos os guerreiros deste Castelo, tanto quanto acertar flechas e pontas de espadas nos inimigos.
– O que está acontecendo por aqui? – Ronald quis saber.
– Ron, não se mete – Gina pede, a certa distância. – Sai daí.
– E SE ALGO TIVESSE ACONTECIDO A ELE? – Hermione continuou, sem ligar para as interrupções. Parecia, na verdade, que sequer ocorreram, pois ela atropelou as falas dos irmãos. – SE QUISER SER PEGO EM UMA EMBOSCADA, VÁ SOZINHO! O MENINO FICA. ELE NÃO PARTICIPARÁ DE SEUS LAPSOS DE IRRESPONSABILIDADE. ESTOU CHEIA DELES! – E deu as costas ao moreno, aproximando-se de Lance: – Vamos, Lance. – E, tomando-lhe o coelho e o pernil que ele trazia, um em cada mão, entregou-os a Ron antes de guiar o garoto escadaria acima.
Harry ria da morena e balançava a cabeça negativamente enquanto o fazia.
† – † – †
Sirius e Remus estavam num bar com Zoleiman quando um tipo estranho entra no bar. O sujeito trajava um pesado casaco e tinha um ar de louco. Ele se aproximou do balcão e pediu uma cerveja para logo após perguntar:
– Sabe se há algum caçador pela região? – questiona o sujeito ao rapaz que o servia.
– Está precisando de um? – Sirius já se envolve no papo.
– E o senhor seria...? – devolve o homem.
– Eu e meu amigo somos caçadores de primeira – Sirius fala, convencido.
– E o senhor estaria interessado em mil moedas de ouro? – pergunta o sujeito.
– O que eu precisaria caçar para conseguir as moedas? – Sirius demonstra interesse.
– Uma harpia.
– Uma harpia? Para que deseja uma harpia? – Agora Sirius parecia sentir-se diante de um louco.
– Eu sou um colecionador e quero ter uma harpia empalhada em minha sala antes que os guerreiros de Merlim exterminem todas.
– Por duas mil moedas eu a trago para você.
– Se ela vier viva, eu pago – fala o sujeito apertando a mão de Sirius para fechar o acordo.
Sirius então retorna a mesa e informa Remus que eles têm uma nova missão. E essa pagaria muito bem.
Enquanto eles iam para aquela maluca caça, Zoleiman disse que os aguardaria na taverna, pois algumas coisas ali ainda precisavam de sua atenção.
† – † – †
A missão desta vez era capturar uma harpia e entregá-la a um rico colecionar de objetos exóticos. Por algum motivo ele tinha um fascínio por empalhar criaturas diversas.
– Sirius, onde vamos encontrar uma harpia? – pergunta Remus – E viva ainda por cima?
– Eu conheço um lugar, confie em mim – responde Sirius, sorrindo convencido.
– Confiar em você? – faz Remus, desconfiado. Confiar em Sirius naquelas missões não era exatamente indicado.
– Sim, confie em mim, quando foi que eu te coloquei em uma furada?
– Quer mesmo que eu lembre todas?
– É... Deixa pra lá... Mas pode acreditar, dessa vez não tem erro – Sirius diz.
– Que Merlim nos proteja – ora Remus.
Os dois estavam voando havia tempos quando avistaram um castelo antigo, em ruínas. O lugar era sombrio e nada parecia crescer por ali.
– Você só pode estar de brincadeira... – Remus faz, descrente.
– Não – Sirius devolve sem pestanejar. – É o melhor lugar para conseguirmos um bicho desses.
– Logo no covil delas! – Remus choraminga. – E, para piorar, num covil de harpias servas de Voldemort... – continua resmungando. – E eu ainda acreditei que não era roubada.
– Vamos, vai ser fácil – Sirius tenta animar o amigo. – Entramos, pegamos uma e saímos voando para bem longe daqui.
– E como vamos pegar uma sem virarmos comida de harpia, gênio? – Remus indaga irônico.
– Simples – Sirius afirma como se tirasse um coelho da cartola. – Eu entro lá, espanto elas pra fora e, quando uma passar por você, você coloca esse saco na cabeça dela e depois nós a amarramos – Sirius conta o plano com a simplicidade de quem fala do clima.
– Eu só não entendi uma coisa – Remus comenta.
– E o que seria?
– Em que parte do plano a gente se livra das harpias que você irá atormentar e evitamos uma morte dolorosa?
– Isso fica a critério de o quão rápido você voa.
– Ainda me pergunto por que eu aceito vir com você nessas encrencas.
– Porque essas encrencas te rendem muitas, muitíssimas moedas de ouro e também pela aventura. Se James estivesse aqui, ele já estaria lá dentro espantando elas.
– James estaria em casa, com Lilian, tentando colocar Harry na linha.
– Isso também – Sirius pondera. – Meu afilhado que deveria participar de algumas dessas
– Sabe que ele nunca deixaria Hermione cuidar de Hogwarts sozinha.
– Infelizmente eu sei – Sirius resmunga. – E a culpa é todinha de Dumbledore.
– Já que vamos morrer com esse seu plano maluco, posso sugerir que adentremos o covil à noite?
– Sim, pode ser – comenta o outro, de modo displicente.
Quando anoiteceu, Sirius entrou com cautela no covil daqueles seres que tanto lhe atormentavam a vida, mas só a ideia de ele as atormentar agora, já valia o risco.
Quando entrou no covil, viu que muitas estavam adormecidas enquanto algumas se ocupavam em comer a carne que um dia pertencerá a um boi. Era realmente repugnante aquele lugar. E quando avistou Bella limpando aquele chão e Rodolfo tentando defendê-la daqueles monstros, não pode deixar de rir. Precisava contar isso ao afilhado. Foi então que uma ideia louca passou-lhe pela cabeça.
Montou em seu grifo novamente e passou voando a toda sobre a cabeça de Rodolfo. O grifo com suas garras capturou o homem e saiu voando com ele. As harpias, surpreendidas com aquilo, começaram a voar em seu encalço, esquecendo a deliciosa tarefa de atormentar Bella e vendo a chance de atormentar o cara da espada. Um bando de harpias voou para cima de Sirius. O aventureiro desviava de todas e ria, enquanto Rodolfo, sem nada entender era balançado para lá e para cá.
Enquanto Remus esperava que Sirius atraísse as harpias para a armadilha, ele observava em volta quando viu um baú de porte médio escondido entre algumas pedras. Olhando mais de perto, notou se tratar de uma arca usada para guardar ouro. Explorando mais um pouco, ele percebeu que aquele buraco nas pedras era uma caverna em que as harpias guardavam os tesouros que saqueavam dos homens que capturavam.
Incapaz de resistir, Remus pegou a arca e prendeu em seu grifo. Foi quando ouviu as harpias vindo. Ele se posicionou, meio atrapalhado, e ao ver uma asa batendo, ele pulou em cima do ser que voava e tapou-lhe a cabeça. Quando olhou, estava em cima do grifo do amigo. Sirius se debatia para livrar-se do saco que tinha na cabeça.
– Ótimo, Remus, agora me cubra de penas e me entregue ao homem, ele irá adorar a harpia Sirius Black, a espécie mais rara de todas – fala com sarcasmo.
– Desculpe, Sirius, mas nessa escuridão, fica difícil.
– O que acha de pegar alguma dessas que estão voando aí atrás?
– Da pra me soltar? – gritou Rodolfo ainda pendurado no ar pelas patas grifo.
– O que ele faz aqui? – pergunta Remus.
– Longa história, depois te conto – diz Sirius.
Remus então pula de volta para seu grifo e sai em perseguição das harpias. Assim que uma passa acima de si, Remus levanta o saco e prende a cabeça dela. A harpia desorientada para no ar e Remus acerta uma bela cacetada na cabeça da ave, que desmaia. Pronto, agora era só amarrá-la e levá-la.
Enquanto isso, ao ver o amigo ser bem sucedido, Sirius solta Rodolfo. As harpias vão ao encontro para pegá-lo. E o grifo de Sirius sai voando enquanto Rodolfo tentava fazer aqueles seres deixarem-no em paz.
Quando amanheceu, Sirius e Remus já estavam de posse de seu valioso ouro.
† – † – †
Assim que pegaram o dinheiro, os dois aventureiros se dirigiram de volta para a taverna em que Zoleiman os aguardava. Chegando lá, cada um pegou seu caneco de cerveja e Remus finalmente perguntou:
– Agora pode me explicar que história é essa de levar Rodolfo Lestrage para um passeio?
– As harpias estavam interessadas nele – responde Sirius com naturalidade.
– E o que ele fazia lá? – questiona Remus.
– Acho eles foram promovidos a camareiros de covil de harpia – diz Sirius rindo.
– Esta falando sério? – Zoleiman entra na conversa.
– Bella limpava o chão igual uma gata borralheira e o seu fiel maridinho estava ocupado demais lutando contra as harpias – Sirius explica com gracejo. – Pelo que notei, várias delas queriam levá-lo para seu ninho – fala o maroto e arranca diversos risos dos dois companheiros.
– Harry e Hermione precisam saber disso – Remus lembra.
– O humor de meu afilhado ficará ótimo ao saber disso – Sirius pensa.
– Então vamos voltar ao castelo – Remus diz. – Precisamos levar estas notícias a eles.
Um homem em desespero entra na taverna em que Sirius, Zoleiman e Remus estavam bebendo. O rosto trazia marcas de insônia e a preocupação era notável em seu rosto.
– Zoleiman, graças ao bom Deus que o encontrei – diz o homem.
– O que aconteceu, sir Ulrich? – pergunta Zoleiman.
– A carruagem com minha filha foi sequestrada – o homem que atendia por sir Ulrich responde – foram homens dele, do demônio.
– E por que tanto me procuras?
– Sei que conhece caçadores de recompensa e estou disposto a pagar o peso deles em ouro se me trouxerem minha menina de volta.
– Iremos trazer sua filha de volta – se intromete na conversa Sirius. – E depois a gente acerta o ouro.
– E quem seria o senhor?
– Sirius Black, o caçador de recompensas.
– Traga-a de volta e terá o seu ouro.
– Vamos, Remus.
– Vamos onde?
– Salvar uma donzela em perigo.
E lá vão os dois aventureiros na direção que Ulrich havia indicado. Aquele dia não poderia estar sendo melhor para Sirius, alem de receber um bom ouro, ainda resgataria uma bela jovem e chutaria a bunda de Comensais.
Voando nos grifos, não demorou a avistarem a carruagem que corria pelo campo em direção a fortaleza do demônio.
– Vamos atacar de surpresa – Sirius começa a contar o plano. – São apenas quatro, eu pego a moça e você corta a garganta deles
– Por que é sempre você quem pega a moça?
– Porque eu sou o bonitão aqui.
– Vamos logo com isso, então.
Os dois partem para cima da carruagem. Remus, de espada na mão, corta as gargantas enquanto Sirius arromba a porta da carruagem e pega a garota. O bonitão, pensando que se daria bem, quando vê o rosto da garota, se assusta. Ele nunca havia salvado uma mulher tão feia quanto aquela. O melhor mesmo era levar ela para o pai e pegar o ouro.
– Vamos logo, eu quero meu ouro – Sirius chama Remus que ria da cara de decepção do amigo.
Quando chegaram ao bar, o sujeito lhes entregou dois sacos de ouro e partiu com a filha.
– E eu pensando que salvaria uma bela donzela – Sirius comenta enquanto se sentava e bebia um conhaque.
– Ele pediu para vocês salvarem a filha, não o dragão – brinca Zoleiman.
– Chegamos um pouco tarde para impedir que o dragão a devorasse – ri Remus.
Continua...