
Capítulo 04
No relógio já passava das 16h, ao saírem do píer em direção as outras ruas da cidade perceberam o movimento intenso. As lojas estavam cheias e as pessoas andavam, a maioria tiravam fotos do que parecia ser pontos turísticos. Com o movimento crescente na rua, tornou-se difícil entrar em um taxi, fazendo os três optarem por uma caminhada o que resultou na passagem de mais meia hora, até que depois de perguntar para muitas pessoas onde poderia se encontrar o hospital St. Mary eles finalmente se viram na frente do local. A arquitetura era simples, mas não deixava a desejar para o porte da cidade.
A recepção era toda no tom branco e azul bem claro. Logo na entrada podia se ver um enorme balcão em mármore. Do outro lado se encontrava uma recepcionista que recebia a todos com um sorriso, os três se dirigiram a ela.
-Bem vindos ao St. Mary. Em que posso ajudá-los?
-Eu tenho esse crachá e bem, queria saber o que eu vim fazer aqui com ele... Estamos procurando um amigo.
- Deixe-me ver, senhor. – Draco entregou o crachá para a mulher, que eficiente olhou o banco de sistema que estava no computador. – Vocês estiveram aqui. Visitaram o quarto 14.
-Isso é ótimo. Vamos lá.
-O paciente foi transferido, e vocês não tem autorização para entrarem. – Nesse momento um dos médicos que passava reconheceu os três que estavam parados na recepção.
-Ai está os bagunceiros da madrugada. Vamos, venham comigo. – Os três seguiram o médico pelo corredor longo até uma porta, chegando lá viu o amigo deles, Harry. - O exame de sangue ficou pronto hoje pela manhã. Encontramos vestígios de Rohypnol. Com certeza isso foi responsável pela loucura de ontem, junto com o álcool.
-Mas que porra! Fomos drogados! – Harry que estava na cama se sobressaltou ao ouvir o que o outro médico dizia. - Nossa, não me lembro de pegar uma ressaca assim há anos...
-Drogados? Rohypnol é uma droga?
-Boa noite Cinderela, Droga do estupro... Tem muitos nomes. – Comentou o médico.
-E... Bem, alguém comeu meu...– Alarmado Harry se pronunciou, o médico olhou o prontuário que estava na ponta da cama.
-Não, os exames mostram que esta tudo bem. Vou assinar aqui e vocês podem sair. Seu amigo vai se recuperar bem... Apesar de não ter usado os instrumentos necessários para a retirada do dedo. Tratamos a tempo de evitar que houvesse infecção ou tétano. – O médico assinou o prontuário e saiu da sala.
-Quem será que nos drogou? Vocês viram Nevil... Porra eu arranquei meu dedo? – Harry olhou imediatamente para os dedos da mão, viu que todos estavam ali. Então viu o pé enfaixado.
-Estou com seu dedo, esta dentro da minha mochila. – Ronald pegou a mochila e abriu, tirando o dedo e jogando para Harry que pegou e ficou olhando.
-Eu não acredito que fiz isso... Mas por que diabos eu arranquei meu dedo?
-Vocês não se lembram de nada, mesmo? O Rony apostou que você não era um médico bom o suficiente para arrancar o próprio dedo. – Desirrée disse e ao ouvir o que ela falou Harry pulou para fora da cama para bater em Ronald, mas foi impedido pelo loiro.
-Calma cara, não vai adiantar matar o Rony agora.
-Mas foi por culpa sua... Você o desafiou a colocar um piercing no mamilo. – Novamente a mulher falou e ao final tampou os lábios em uma risada. Ronald arregalou os olhos e em seguida levantou a camisa e viu o piercing com vários strass.
-Mas que porra! – Exclamou e os outros caíram na gargalhada. Harry então aproveitou para ir ao banheiro para tirar a roupa do hospital e vestir a sua.
-Cara, sua cara ta hilária. Astória vai te matar. – Disse Harry rindo do amigo - Você ta parecendo o personagem Duas Caras do Batman.
-Isso ta ardendo! Vocês nem tem noção...
-Onde está Nevill?
-Não sabemos, pensamos que ele estivesse com você. Estamos ferrados.
-Talvez ele esteja no Cruzeiro.
-No seu celular tem 12 chamadas não atendidas da Hermione.
-Puta que pariu! – Harry passou a mão nos cabelos e pegou o seu celular com o amigo – Preciso retornar. – Ele discou o numero enquanto todos ficaram em silencio e caminhavam para a saída. – Oi amor!
-HARRY JAMES POTTER! EU LIGUEI MAIS DE 50 VEZES. POR QUE VOCÊ NÃO ATENDEU ESSE MALDITO CELULAR?
-Você sabe como são os garotos amor, eles pegaram o celular e esconderam... Só achei agora...
-Como vocês são infantis. Astória e Ginny não estão nada felizes. Espero que ao menos você seja responsável e traga Neville na hora certa para o casamento. Está tudo bem aí? Espere... Ginny quer falar com o Nevill.
-NÃO! – Se apressou a dizer.
-Por que não? Passe para ele agora Harry. Quero falar com meu noivo.
-Fizemos um acordo de não deixar o noivo falar com a noiva até o dia do casamento... Sabe como é, coisa de homem. – Uma baixa reclamação foi ouvida do outro lado da linha. – Tchau Ginny! – Rapidamente desligou antes que as indagações e exigências voltassem. – Elas estão furiosas!
-Precisamos achar o Nevill ou ai sim elas ficarão furiosas! – Rony disse parando para amarrar os sapatos, enquanto os outros olhavam para ele. Nesse momento foram se ouvidas freadas bruscas e portas batendo.Viram duas camionetes totalmente negras pararem em frente a eles e delas desceram seis homens, sem nenhum diálogo seguraram os rapazes e a garota e os jogaram para dentro das camionetes.
-Mas que porra! O que foi dessa vez?!
-O senhor Thomas Marvolo quer conversar com vocês.
-Quem é esse? – Harry perguntou olhando acusador para os amigos.
-O dono do cruzeiro e da cobra.
-Que merda você fez Ronald?
-Cala a boca. – O capanga os repreendeu, e o resto da viagem até a o cruzeiro foi em silêncio. Ao chegar lá, para não alarmar os outros, foram pela passagem dos funcionários. Empurrados até a suíte quando entraram as luzes estavam ligadas.
-Aqui estão eles. Só achamos os três. Essa garota estava com eles. – Empurrou os três homens, mas ainda continuaram segurando a mulher.
Thomas Marvolo ainda estava de terno, foi possível ser visto pelos rapazes assim que lentamente ele virou a cadeira para encara-los. Seu queixo estava sendo amparado pelas pontas de seus dedos que estava apoiado graças ao cotovelo encostado no braço da cadeira.
-Malfoy, Potter e Weasley. – A voz foi baixa, mas ainda sim podia se transmitir toda a frieza que a ira proporcionada a cada novo sobrenome dito. – Vou perguntar uma única vez. Onde está a minha mulher e a minha cobra?
-Não estamos com a cobra. – Draco se pronunciou depois de engolir em seco. O homem se levantou da cadeira e andou pelo quarto devagar.
-Acham mesmo que eu não iria ver na câmera vocês sequestrando minha esposa Bellatrix e minha cobra Nagini?
-Você ouviu? Ele a chama de Nagini... Fofinha combinava mais com ela. – Ronald sussurrou baixo para Harry, mas como resposta recebeu um chute de um dos capangas.
-Sr. Marvolo, nós fomos drogados, não nos lembramos de nada... – Harry disse tentando amenizar a tensão.
-Srta. Dellacour pode ir. Agora mostre a filmagem. - Assim que terminou a frase, um dos capangas foi até o DVD e colocou a filmagem.
FILMAGEM START
AM 03:15 – Sábado, 18 de julho de 2009.
“Quatro jovens, todos de ternos e com copos de bebidas nas mãos estavam passando no corredor, mas pararam ao verem a porta do quarto entreaberta. O ruivo foi o primeiro a entrar seguido pelos outros três que esbarraram nas coisas do bar.
- Shiu! –O ruivo fez olhando para os outros enquanto seguravam as gargalhadas. Cautelosamente andou, apesar de estar cambaleando, até a cama onde se podia ver a cobra entre os lençóis. Tirou um rato branco de sua mochila e deixou perto da cobra. Assim que notou que um bote foi dado na presa, imediatamente o animal branco foi engolido. - Coloquei sonífero para Fofinha. –Sorriu se divertindo.
Draco começou a mexer nas gavetas da suíte e encontrou uma cheia de calcinhas, tirou uma de renda preta fina, segurando as alças e esticando. – É daquela gostosa dos peitões... Ela deve ficar uma delícia.
Rony rindo se aproximou do quadro que tinha uma pintura da mulher e com a mão simulou que estava excitando seu órgão genital. – Oh! Vai Bella! Peitões...Vem fazer espanhola.
Neville que estava perto de um coqueiro arriou as calças e urinou na planta enquanto Harry olhava no lixo do quarto, gargalhou por um longo período enquanto procurava algo para tampar os dedos e assim pegar o que estava no lixo, jogando assim em Draco.
-Porra Harry, não quero essa porra! – Com nojo Draco tacou em Neville,depois começou a rir sem parar e precisou se escorar na gaveta que acabou por desprender derrubando-o no chão. Neville sentiu a camisinha cair em sua cabeça e balançou até que ela foi parar colada ao espelho que tinha no quarto, deixando um rastro branco.
-Tenho certeza que essa porra vale mais que a minha... Vou vender no mercado negro. – Ronald disse procurando algum saco plástico dentro da mochila – Merda, não tenho nada onde colocar... Fica pra próxima... Tchauzinho Espermas do Thominhas.
Os quatro se retiraram do resinto levando com eles a cobra.
FILMAGEM PAUSE
Assim que o vídeo foi pausado os três engoliram em seco e entreolharam-se. Thomas estava parado, em pé a frente deles, podia se ver perfeitamente a veia que formava em sua testa, mostrando o quão furioso o homem estava pela filmagem recém vista.
-Invasão de privacidade, destruição de patrimônio privado, roubo e sequestro... – Todos sentiram a atmosfera ficar mais densa a cada nova acusação. – Estou no direito de foder com todas suas miseras vidas. – Ao pronunciar a palavra “foder” Thomas passou uma das suas mãos tremulas de raiva nos cabelos. – Mas ainda não acabou... – Deu o play novamente no DVD e passou cinco minutos a frente quando deixou o vídeo prosseguir na normalidade
FILMAGEM START
AM 03:39 – Sábado, 18 de julho de 2009.
A porta estava aberta quando a mulher passou por ela e encontrou o quarto em completa bagunça. Imediatamente seus olhos se focaram na cama onde procurou a cobra e não achou, no momento em que a mesma ia pegar o telefone, outro homem entrou no quarto, seu rosto coberto por um capuz e sua roupa era semelhante a um dos meninos do grupo. Esse chegou por trás da mulher, agarrou-a pela cintura e quando ela ia se debater colocou um pano em seu rosto, tampando sua respiração e depois de alguns segundos seus braços ficaram moles e ela desfaleceu aos braços do homem. Segurando-a saiu do quarto.
FILMAGEM PAUSE
-Não fomos nós que pegamos sua mulher. – Se defenderam assim que o vídeo foi parado.
-Olhe nas outras câmeras.
-No momento do sequestro, por alguma razão, todas as câmeras do cruzeiro falharam.
-O que estamos vendo então?!
-O meu quarto é de conteúdo privado. – Thomas respondeu friamente.
-Que sacana, ele grava e depois deve ficar olhando. – Ronald sussurrou baixo, mas ainda não tinha sido em um tom o suficiente. Assim que terminou de falar viu Thomas em sua frente, mal ergueu o rosto e recebeu um tapa com os dedos que estalou por todo o cômodo, deixando marcado.
-Não vou tolerar mais nenhum tipo de graça. Quero minha mulher e minha cobra. Vocês tem... – Olhou o relógio de pulso. – 12 horas, ou eu tomarei as medidas necessárias.
Assim que terminou de falar, um sinal com a mão fez com que os capangas tirassem os rapazes do quarto.
-Porra! Agora sim estamos ferrados! Precisamos achar o Neville.
-É capaz dele matar a gente se não entregarmos a mulher no horário.
-Eu avisei que a Fofinha não era dele...
-Como assim?
-Chow, um asiático nos encontrou quando estávamos saindo do píer. Disse que a lancha era dele e a cobra também. Já tínhamos problemas com o seu sumiço e de Neville, então não me importei em entregar a maldita cobra. – Draco dizia e caminhava apressadamente em direção à cabine-suíte deles.
-E agora? Como o acharemos? Vocês tem alguma pista?
-Não consigo pensar em nada. – Disse Draco depois de abrir a porta e encontrar a suíte bagunçada. No bar tinha várias garrafas de cervejas em pilhas, enquanto no chão roupas estavam espalhadas. Os quadros que enfeitavam o ambiente estavam mal colocados na parede e a luz piscava insistentemente. -Vamos tomar um banho e talvez assim consigamos pensar em algo e arrumar essa bagunça. Depois de muitos minutos a suíte já estava mais apresentável e com isso em sequência os três tomaram banho e se trocaram.
-Vamos subir. – Chamou Ronald levando todos para o bar que estava vazio. Os três sentaram em uma mesa e foram atendidos, pedindo doses de uísque. – Por que está tão vazio?
-Hoje na cidade, tem uma festa a fantasia onde os prêmios são bem altos, praticamente todos os hospedes foram ou irão. Estava na sugestão do folheto de atrações. – Explicou a atendente servindo o copo dos rapazes.
-Obrigado. – Os três agradeceram pelas informações e pelo atendimento. Ficaram em silencio se encarando por um tempo enquanto bebiam. Harry então se levantou e seguiu para o piano de calda, começou a tocar em um ritmo estranho enquanto começava a cantar, acompanhando a melodia.
“O que as cobras sonham quando deitam um pouco para dormir? Elas sonham com um banquete de ratos que em vão tentaram fugir. Não esquenta vamos resolver, vamos levar ao Thomas e a sua cama pode crê, então vamos achar o nosso amigo Nevill e nele dar um abraço apertado e forte. Nevill Nevill Nevill ohhh Nevill Nevill… Mas se tiver sido morto por viciados, nós estaremos bem ferrados.” ¹
Assim que Harry terminou Ronald se levantou e olhou para os amigos. – Preciso contar algo para vocês... Sobre ontem à noite.
-O quê? Lembrou-se de algo?
-Eu me atrasei, porque antes de embarcarmos parei para comprar ecstasy... Mas eu não sei o que houve...
-Que merda Ronald! O que você fez?!
-Mas ecstasy não causa esse efeito. – Harry constatou. – O médico falou que era boa noite cinderela.
-Eu sei... Por isso estou tão confuso... Nunca aconteceu isso antes, eu já cheguei a tomar três em uma única noite.
-Que traficante de merda! Não sabe nem vender droga direito. – Irritou-se Draco
-Pense pelo lado positivo, ao menos sabemos quem nos drogou e que não foi com nenhuma intenção ruim.
-Lado positivo? Estamos totalmente ferrados! Neville sumiu e ainda tem a merda da cobra e a mulher do Thomas para piorar!
-Ao menos ninguém comeu seu cú. – Ronald respondeu e Draco foi para bater nele, mas Harry o segurou.
-Cala a boca Ronald. Não vai adiantar nada... Procurem alguma pista... Não se lembram de mais nada?
-Tem aquele numero de telefone que encontrei no meu bolso na praia. – Ronald enfiou a mão na mochila a procura e entregou a Harry um papel amassado.
-Vou ligar, não é nenhum numero conhecido. – Pegou o seu celular e discou os números, esperou alguns segundos até se ouvir a voz do outro lado, colocou no viva-voz.
-Quem me incomoda? – Ao ouvir a voz imediatamente o loiro e o ruivo reconheceram o dono. Era o asiático.
-Chow, queremos a cobra de volta. – Uma risada sarcástica foi ouvida do outro lado da linha.
-Querem um acordo? Uma troca?
-Sim, onde podemos nos ver para negociar.
-No píer, às 20h30min. Não leve a polícia. Ou não falarei onde está seu amiguinho...
-Espera! Você... – Mas a ligação foi desligada. – ELE ESTÁ COM O NEVILL.
-Ótimo, fazemos o que ele pede e estamos livres. – Aliviou-se Draco passando a mão nos cabelos.
-Vamos para o píer.
Sem mais delongas os três se dirigiam ao local combinado, já tinha escurecido quando eles saíram do cruzeiro. Esperaram o taxi já que a noite parecia que o transito tinha melhorado e seguiram para o píer.
_________________ The Hangover ✌ _________________
PS¹’: Bem, acompanha a musica do Harry, é meio que uma paródia da original, tentamos encaixar o ritmo. http://www.youtube.com/watch?v=z-jDBg8dvPk