O dia ainda nem havia amanhecido quando uma severa Hermione adentrou o quarto do jovem Lancelot.
– Lancelot, está na hora. Vamos! Levante-se e me encontre no pátio assim de o primeiro raio de sol adentrar o castelo.
– Mas está muito cedo, titia – fala o garotinho loiro que dormia, ou melhor, estava perdido no meio de todas aquelas cobertas e travesseiros da enorme cama de dossel em que ele estava deitado.
– Titia? – Hermione estreita os olhos – Nunca mais me chame de titia, está me entendendo? – fez, o seu tom de forte reprimenda. – Lancelot! Assim como os outros, deve me chamar sempre por lady Granger – instrui, severa. – E quando for se dirigir a mim, que seja por senhorita. E não reclame, seu treinamento começa hoje e não temos tempo a perder. Então, levante-se, vista-se e coma alguma coisa. O treino será duro.
– Sim, senhorita – encolhe-se o pequeno Lance. – Eu estou indo.
– Ótimo, estarei no pátio à sua espera. – E Hermione deixa o quarto, deixando o menino novamente imerso num breu.
O jovem Lance se levanta, lava o rosto e coloca as roupas que haviam sido deixadas por Dumbledore na noite passada. Ele desceu, foi até a cozinha, onde as cozinheiras lhe ofereceram um reforçado desjejum, claramente já instruídas pelos guerreiros.
O menino estava desfrutando de seu café quando um raio de sol entra pela janela.
– Ops, estou atrasado – diz, a boca cheia, e levanta-se, deixando a mesa, correndo para o pátio.
† – † – †
– Vejo que já esperando pelo moleque – fala Harry ao encontrar Hermione no pátio. A morena já trajava sua armadura de batalha.
– Sim – Hermione limita-se a responder. – O treinamento dele começa hoje e eu não pretendo perder tempo.
– Vai dar espada e armadura para ele hoje? – Harry debocha.
– Ainda não – Hermione responde, séria. – Ele não tem a menor noção de combate. Irei ensinar ele a usar um arco e flecha. Estou de armadura para não acabar com uma flecha no peito.
– Entendi – Harry assente, mas o seu tom é de puro deboche. – Medo de uma criança! E ainda se acha a melhor para treiná-lo...
– Não tenho medo dele, mas considero o poder dele. É uma criança que matou cem Comensais. Tanto que deixarei o treinamento mágico ser iniciado por Dumbledore.
– Por que ele? – Harry questiona, agora assumindo um tom sério. – Já somos os maiores feiticeiros do Castelo.
– Esqueceu a surra que levou no mês passado? – Hermione pontua.
– Foi culpa sua e sabe disso.
– Não me culpe por suas derrotas, e ele nos venceu com méritos próprios. Além disso, ele é um Mago. Não igualamos seu poder. Quem sabe, quando tiver 100 anos, você se torne metade do mago que ele é.
– Não ficarei ouvindo insultos – Harry corta. – Sairei para caçar hoje. O que gostaria de comer no jantar, milady? – pergunta, novamente debochando.
– Frango – responde Hermione.
– Ótimo, trarei um porco do mato – Harry sentencia, sorrindo, e deixa o lugar.
Nesse momento, os servos do castelo começam a trazer os alvos como Hermione havia solicitado.
O primeiro raio de sol adentrou o castelo e nada de Lance aparecer.
† – † – †
Harry e Ron travavam um duelo de espadas em outro recinto, sendo acompanhados por Draco Malfoy, Gina Weasley, Dino Thomas e Simas Fanning. Estavam embalados em uma sequência que parecia interminável de ataques e defesas bem sucedidas.
– Vamos, Potter, você é melhor do que isso! – Draco debochou.
– É, Harry, pare de fazer corpo mole e termine de uma vez com isso – Gina brincou. – Não me obrigue a ir te derrubar.
Harry investiu com mais força contra o comandante e também amigo e até poderia ter vencido o duelo se não o tivesse interrompido após ver de relance um intruso a poucos metros da pequena arquibancada onde os demais guerreiros estavam sentados.
– Pare! – Harry gritou, erguendo uma mão para impedir que Ron o atacasse. – O que está fazendo aqui, moleque? Não deveria estar com a sua mentora?
– Harry, não seja tão du...
– Cale-se, Gina – Harry interrompeu a ruiva. – Lady Granger o aguarda no pátio e você está atrasado.
– Desculpe, senhor, eu estava procurando o pátio e...
– E veio parar em meu recinto por engano – Harry fez. – Típico. É para onde são atraídos os guerreiros que querem aprender com o melhor. Mas vá. Tem sorte de não haver armas voando aqui por hoje. Poderiam ter-lhe arrancado a cabeça.
– Sim, senhor – o menino fez, assustado, dando passos para trás, quase tropeçando nos próprios pés. – E-eu já estou indo, se-senhor...
Quando o menino sumiu pelo portal de pedra, Harry voltou-se para os demais guerreiros. Ria-se.
– Ele vai voltar.
– Ele estava quase mijando nas calças, Potter – Draco Malfoy fez. – Terá sorte se ele não sair correndo a próxima vez que o vir.
– Ele vai voltar – Harry garantiu.
† – † – †
Ao chegar ao pátio, o menino, que corria esbaforido, avista uma sua mentora. As feições da guerreira eram duras. Ela estava realmente brava, ele observou.
– Está atrasado – repreende Hermione quando o menino chega em sua frente.
– Me desculpe, senhorita – Lance diz.
– Espero que não se repita.
– Não irá – garante o garotinho.
– Então vamos começar – fala Hermione. – Irei ensiná-lo a atirar de arco e flecha hoje, será bom para que ganhe força e coordenação, além da pontaria.
– Sim, senhorita.
– Venha até aqui – chama Hermione. – Esta vendo aqueles alvos? – O menino assente com a cabeça. – Seu objetivo é acertar o centro. Como hoje é o primeiro dia e imagino que nunca tenha atirado, iremos usar arcos mais leves, portanto, de menor distancia. – E entrega um arco para o jovem – Primeiro, coloque isso no seu braço esquerdo. – Entrega para o menino um protetor de couro que ele prende no braço como ela havia prendido no dela. – E coloque isso na mão direita. – Hermione coloca um outro protetor para seus dedos na mão direita e é imitada pelo menino. – Agora, fique de lado, posicione sua perna esquerda a frente de sua perna direita, deixe seu corpo perpendicular ao alvo. Pegue uma flecha e a encaixe no arco. Assim. – Mostra Hermione e o menino vai repete seus movimentos. – Estique o braço esquerdo em direção ao alvo, sem mexer o resto do corpo. Com o braço direito, continue segurando a flecha no arco e puxe o braço até que seu polegar esteja encostado abaixo de seus lábios. Deixe o cotovelo arqueado. Agora respire bem fundo e mantenha as costas retas. Fixe seus olhos no alvo e solte a flecha – instrui Hermione e solta a própria flecha, acertando bem no centro de seu alvo.
O pequeno Lance então segue as instruções de Hermione, mas, como é de se esperar, seu primeiro tiro atinge o chão.
– Tente de novo – fala Hermione sem expressar qualquer emoção.
O próximo tiro foi muito alto e, assim, várias flechas foram disparadas, com Hermione sempre repetindo a mesma frase: “De novo”. Vez ou outra, ela corrigia as falhas do menino, mas em sua maioria, ele demonstrava muito talento. Tanto que antes de o sol se pôr, o jovem Lance colocou aquela que seria a primeira de muitas flechas no centro do alvo.
– Está bom por hoje – diz Hermione. – Pode parar. Por hoje, acredito que esteja bom.
Quando ela enfim o liberou, o menino estava exausto.
† – † – †
– Ei, Potter – Gina chamou ao adentrar o grande aposento.
– Gina – Harry fez.
– Estão comentando pelo Castelo que trouxe um belo porco para o jantar – Gina disse.
– Melhor do que frango – Harry riu e Gina o acompanhou.
– Está me devendo um bom duelo – a ruiva cobrou.
– Pensei que o tivesse concedido ontem.
– Não faça menos de mim – ela disse, séria, arqueando uma sobrancelha. – Sei que deixou que eu o derrotasse e que levou dez moedas de ouro por isso.
– Aí você se engana – Harry negou. – Malfoy quem apostou vinte moedas de ouro que você venceria o duelo.
– Das quais, dez pararam em seu bolso – Gina insistiu. – Não me faça de tola, Potter – ela puxou a própria espada e estendeu a sua ponta para o queixo do moreno.
– Opa, opa, opa – Harry fez. – Não me parece digno atacar um oponente em desvantagem, ruiva.
Ele deu um passo atrás e puxou a própria espada, cruzando-a com a da ruiva, no exato momento em que o menino Lancelot apareceu no portal de pedra.
– Ora, ora – Harry disse, baixando a espada. – Talvez eu deva cobrar aquelas dez moedas que ainda estão com o seu amado – brincou com Gina, que bufou.
– Não pense que esquecerei – a ruiva disse antes de se retirar, bagunçando o cabelo do menino ao passar. Lance engoliu em seco e deu um passo a frente, na direção de Harry, que também vinha em sua direção.
– Eu acertei o alvo – Lance contou, erguendo os olhos para o guerreiro.
– Nunca diga que eu disse isso, mas... Você aprendeu com a melhor – Harry fez, fazendo uma careta ao dizer aquelas palavras.
– Você gosta dela, não é? – Lance fez.
– Senhor – Harry corrigiu, severo. – E não se atreva a repetir isso, nem em sonho, ou corto-lhe a língua.
– Desculpe, senhor – Lance estremeceu. – A sua espada é bonita.
– As espadas da Casa de Excalibur sempre serão as mais imponentes – Harry disse. – Venha, pegue-a.
O menino pegou a espada, sem jeito, e sentiu o braço ceder.
– Segure a lâmina com a outra mão – Harry instruiu, a voz grave.
O menino apressou-se em apoiar a lâmina com a outra mão, tomando cuidado de não segurá-la.
– Pelo menos teve a decência de não deixá-la cair e não se cortar – Harry resmungou. – Vá se lavar, moleque. O jantar é em breve – disse e recebeu de volta a espada das mãos do menino.
Em silêncio, observou-o sumir pelos corredores antes de seguir para o seu próprio aposento.
† – † – †
– O menino claramente nunca segurou uma espada antes na vida! – Harry fez, seu tom exasperado. – Hermione é uma grande guerreira, ainda que eu deteste admitir, mas não opera milagres!
– Há de ser paciente, Harry – Dumbledore disse. – Ele é uma criança e até dois dias atrás não sabia que carregava o destino do mundo nas costas. Devo dizer, inclusive, que não me será estranho se ele ainda não tiver compreendido isso.
– Ele não tem muito tempo – Harry rebateu. – Nós não temos muito tempo.
– Sei que não temos muito tempo, mas estou certo de que o menino estará pronto quando a hora chegar.
– E de que hora estamos falando, Dumbledore? – a voz de Severo Snape se fez presente.
Harry lançou um olhar significativo a Dumbledore e bufou. Detestava o hábito sorrateiro de Snape, e detestava ainda mais a sua petulância e insistência em se meter no que não era de sua conta.
– Eu devo ir, senhor – Harry disse a Dumbledore. – Gostaria de tratar com Hermione antes da refeição.
– É claro, Harry – Dumbledore assentiu e Harry se retirou, acenando brevemente com a cabeça para Snape ao passar por ele.
– Vejo que retornou ao Castelo. Quando chegou, Severo? – Dumbledore disse, dirigindo-se a Snape.
– As horas já varavam a madrugada, senhor – o homem respondeu. – Pude perceber que tem sido um dia agitado no Castelo
– Oh, sim, temos um novo morador – Dumbledore assentiu.
– Presumo ser o menino de quem falavam antes de minha chegada – Severo disse.
– Sim.
– Hm – fez, fingindo desinteresse. – Potter não é exatamente um exemplo de paciência e autocontrole, mas poucas vezes vi alguém que não fosse Hermione Granger tirá-lo completamente dos eixos.
– Exatamente a mesma Hermione Granger que costuma colocá-lo novamente nos eixos, se me permite observar – Dumbledore observou. – Algo me diz que ele precisa aprender a lidar com o fato de não estar no controle da situação pela primeira vez na vida.
– E quem está? Granger ou o menino?
– O destino, Severo.
– Ora, vamos, Alvo, não me venha com suas divagações...
– O menino é ninguém menos que aquele a quem a profecia se refere, Severo, e quem ele é realmente ainda é a nós um mistério – Dumbledore elevou a voz uma oitava, impondo-se. – Hermione Granger foi incumbida de seu treinamento...
– É claro que ela não permitiria que outros o fizessem – Snape fez, interrompendo a fala de Dumbledore, que forçou a voz uma oitava acima.
– ... uma vez que, ao que tudo indica, o menino pertence à Casa de Gárgula.
– Então temos um membro do clã de Gárgula vivo? – Snape fingiu desconhecer a informação. – Me parece interessante.
– Ele não estava no vilarejo quando o clã foi completamente destruído – Dumbledore pontuou. – Mas, sim, estamos diante de um novo milagre.
† – † – †
Quando Lance entrou no salão para jantar, Harry e Hermione já estavam sentados a mesa, apenas o esperando.
– Boa noite, sir Potter e lady Granger – cumprimenta o menino.
– Boa noite, jovem Lancelot – fala Harry.
– Boa noite, Lancelot – cumprimenta Hermione. – Sente-se e aprecie o jantar.
– Obrigado – agradece o garoto.
– Espero que goste de javali – fala Harry. – Está fresco. Eu cacei hoje.
Os três destampam seus pratos e então Harry começa a comer com longas mordidas e muitas garfadas na carne que estava em seu prato. O rosto ia ficando vermelho. A cada garfada, ele ingeria vinho. Passado um momento, passou a bebericar da água que ali estava.
Lance comia tudo que havia em prato, enquanto observava ao pé do olho o homem que encabeçava a mesa enrubescer e esfregar a testa com insistência, como se estivesse suando. Harry começa a tossir, ao passo que Hermione esboça um sorriso de lado e finge preocupação, dando-lhe tapinhas nas costas.
– O que diabos colocaram – mais uma tosse – nessa comida?
– Parece-me muito boa – Hermione diz enquanto continua com os tapinhas. – Está a seu gosto, Lancelot?
– Sim, senhorita – o menino disse antes de dar generosa mordida na carne.
– O que há, Harry?
– Pi – e ele torna a tossir. – Pim – mais uma vez. – Diabos, PIMENTA!
– Oh, sim, muito bem temperada a carne, não? – Hermione faz, sorrindo.
– Maldita! – Harry resmunga e bebe um generoso gole de água.
– Quer frango, Harry? – ela oferece, finalmente parando com os tapinhas.
† – † – †
Enquanto Hermione se divertia à custa de Harry no castelo, o Lorde das Trevas estava reunido com Bellatrix Lestrage e seu marido para planejar um novo ataque.
– Um traidor não pode ficar impune, meu mestre – fala Bella.
– É claro que não – concorda o Lorde – Eu quero a cabeça de Regulus Black.
– Eu a trarei para o senhor – garante Rodolfo, marido de Bella.
– Bom, muito bom. E aquele nojento convento em que ele se esconde deve ser destruído – fala o Lorde. – Que ninguém saia vivo, para que sirva de exemplo.
– O convento de Erabon? – pergunta Bella, o rosto sem cor.
– Sim – o Lorde sibilou.
– Mas, milorde, o convento está bem guardado pelas tropas de meu adorado sobrinho – Bella argumenta.
– Mate-o também – Voldemort dita, como se fosse a solução mais óbvia. – Ele também nos traiu ao se apaixonar por aquela menina a quem chamam de chefe da guarda de Hogwarts.
– Mas, milorde, e lady Narcisa? – questiona Rodolfo, seu fiel cavaleiro.
– Ela irá superar – fala Voldemort. – Lucius baniu o filho e ela aceitou. Não vejo problema algum. Agora vão.
– Sim, milorde – os dois assentem em uníssono e se retiram.
– Senhor, Snape acaba de se juntar a nós – a esganiçada voz de Peter Pettigrew se fez presente.
– O que está esperando para fazê-lo entrar, verme?
– Sim, senhor – a voz respondeu, trêmula.
– Meu lorde – Snape cumprimentou ao adentrar o aposento e parar de frente para o homem que atendia por Lorde das Trevas.
– O que tem para mim, Severo? – o Lorde questionou.
– Como pediu que eu o informasse, Granger e Potter têm se mantido no Castelo, senhor. Potter somente se ausentou para caçar ao final da manhã de hoje, mas retornou antes do fim da tarde – Severo contou. – Potter tem se dedicado a inflar o próprio ego e Granger ao treinamento de um jovem guerreiro.
– E quanto aos Soldados de Merlim que se aventuraram no vilarejo destruído?
– Foi como encontraram o vilarejo, senhor, destruído e reduzido a cinzas – Severo resumiu.
– O que significa que estava certo ao supor que não foram simples Soldados a derrotar meus homens – o Lorde pensou alto. – Seja meus olhos e ouvidos, não saia de perto daquele velho babão até descobrir o que ele sabe sobre a magia que fez cair cem Comensais da Morte.
– Sim, senhor – Severo assentiu.
– Vá. – E o Lorde das Trevas deu as costas ao subordinado.
Continua...
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N/A Coveiro: Esse capitulo foi escrito em parceira com minha amiga Ingrid D. Quem gostou, comenta.
N/A2 : Gostaria de agradecer aos comentários que temos recebido. Eles servem de inspiração para mais e aguardem que muitas surpresas virão.