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6. Montecchio


Fic: Yellow - Dramione


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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A semana passou normalmente. Os alunos estudavam, interagiam entre si e tentavam se divertir, na medida do possível. O orfanato deixou de ser o principal tópico de conversação já no dia seguinte, ali as coisas aconteciam muito rápido. Hermione continuava olhando as estrelas toda noite, Harry e Gina ainda iam verificar de vez em quando para a segurança da garota. Já Draco continuava a observá-la sem que desconfiassem disso. Os dias cumpriam seu papel indo e vindo, até que o sábado chegou.


Após uma boa noite de sono, Harry acordou com o cabelo bagunçado como sempre. Não fazia diferença tentar arrumar, então ele só aceitou e seguiu sua vida. Tinha coisas mais importantes para se preocupar, ainda mais hoje. Se espreguiçou na cama, bocejou e pegou seus óculos na mesinha ao lado ao sentar. Por estranho que pareça, Ron já estava acordado e mirava a própria imagem refletida em uma colher. Questão um: Por que Ron estaria acordado tão cedo se sempre era o último a acordar? Questão dois: Que perfume era aquele que parecia vir do ruivo? E questão três: Será que Ron andava por aí com uma colher para sempre estar pronto para comer? Harry não sabia, mas preferiu não perguntar de imediato. Teria uma vida toda pela frente para aprender mais a respeito das esquisitices dos amigos. Então resolveu fazer o que a sociedade obriga e interagir.


- Bom dia, Ron. Tudo bem?


O objeto que tão bem representava a amplitude emocional de Ronald Weasley caiu no chão causando tanto estardalhaço quanto podia, o que não era muito. Ele ficou sem jeito e se assustou, olhou para o amigo ainda na cama e respondeu.


- Oi, Harry. Sim, e você?


- Um pouco preocupado com a possibilidade de alguém do grupo matar outro colega, porém esperançoso no ser humano. Por sorte eu e a Mione estamos juntos e só há um sonserino conosco. Poderia ser pior.


- Claro, Malfoy e vocês dois. Isso definitivamente não vai dar certo e você sabe. Só me faça um favor. - Ele ficou subitamente sério, como se lembrasse de algo de repente. Harry só pôde perguntar do que se tratava. - Cuide da Mione, sim? Você sabe como Malfoy é, e eu não quero ter que quebrar a cara dele após ela fazer isso por que seria covardia. E depois do que houve naquela maldita mansão eu seria capaz de deixar aquele imbecil na Ala Hospitalar por dias se ele ousar chamá-la de sangue-ruim.


- Não se preocupe, ela sabe se cuidar. E eu tentarei acalmar os ânimos, se necessário.  


- Ah, e por favor...  Não mencione nossa conversa.


- Não sei por que vocês ainda me pedem segredo. - Harry recolocou os óculos na mesinha e foi tomar banho. - Deveriam saber que eu sou confiável a essa altura do campeonato. É claro que não direi nada.


- Vocês?


Ouviu no momento exato em que fechava a porta. Precisava se policiar, pois deixou subentendido que outra pessoa lhe confiou um segredo, e Hermione era uma suspeita óbvia. Parte da coisa de se guardar um segredo é não deixar escapar que sabe um segredo. A primeira regra do Clube da Luta, ele pensou. Pois bem, tomaria cuidado. Quando terminou sua higiene e foi pegar a roupa para se vestir, Ron já tinha ido. Colocou uma roupa trouxa, como foi recomendado fazer, e saiu para o café da manhã.


Desceu e resolveu esperar Gina, já que não teria muito tempo com ela hoje. Namoravam em uma poltrona do salão comunal da Grifinória, a garota em seu colo. Até Hermione aparecer e cantar inocentemente.


Bring, bring


(Traga, traga)


Bring your flowered hat


(Traga seu chapéu florido)


We‘ll take the trail marked


(Nós tomaremos o caminho marcado)


on your father‘s map


(No mapa do seu pai)


Oh, kiss me


(Oh, beije-me)


Beneath the milky twilight


(Sob o crepúsculo enevoado)


Lead me out on the moonlit floor


(Conduza-me pelo chão enluarado)


- Palhaça! - Gina disse ao lançar uma almofada que estava ali perto, fazendo a outra rir ao ser atingida no rosto. - Quer me matar do coração?


- Por mim você pode viver por muito tempo beijando meu amigo, sabe? Eu só não quero presenciar isso sempre, me desculpe.


- Vou te arranjar um namorado, Mione, assim você deixa o namoro dos outros em paz.


- Boa sorte com isso, eu não pretendo facilitar.


- Ah, isso foi um desafio?


- So kiss me... - Respondeu e conseguiu fechar o quadro da Mulher Gorda a tempo, um pouco mais e seria atingida por outra almofada voadora.


O casal continuou com as carícias por mais alguns instantes, depois desceram para tomar café da manhã. Gina teria o sábado livre para fazer o que quisesse, já Harry só esperava voltar ao castelo sem maiores preocupações. Tinha a convicção que isso seria quase impossível, mesmo assim resolveu ser imparcial para resolver as brigas que naturalmente aconteceriam. Era o mais ajuizado ali, levando em consideração que os outros parceiros de grupo pareciam regredir dez anos em maturidade quando estavam juntos.


Chegando ao Salão Principal viu que já se formava uma pequena aglomeração ali. Era um sábado bonito, então os alunos que tinham o dia livre queriam aproveitá-lo nos jardins. Um sol agradável dava as caras, e era visível a faixa amarela no gramado bem cuidado. Os alunos que queriam aproveitar o dia e os que queriam esperar o horário de aparatação ali mesmo volta e meia se esbarraram, mas logo o professor chegou para pôr ordem. A Harry só restou comer e aproveitar os momentos finais ao lado de Gina, de quem se despediu com um beijo apaixonado.


E assim, no dia marcado todos estavam perto dos grandes portões de Hogwarts para aparatar e sair da propriedade. O sétimo ano das casas com a maior rivalidade do castelo estavam juntos, seus grupos já formados. O professor Adams aparatou com um trio de cada vez, já que as lareiras do orfanato Destiny Child estavam com problemas após uma magia não intencional de uma das crianças. O meio de transporte mostrou vantagens também por que os alunos foram obrigados a ficar próximos durante a aparatação e enquanto esperavam por isso. Os estudantes tentavam adiar sua vez o máximo possível, com aqueles três não foi diferente.


- Garoto loiro e companhia, eu vi vocês - Vince os chamou.


- É Malfoy.


- Vulgo, a Incrível Doninha Albina Saltitante. - Hermione não fez questão de falar baixo.


- Cabelo de Vassoura. - Draco devolveu.


- Esses dois se amam, não acha? - o professor perguntou a Harry, que se contentou em rir.


Após a conhecida sensação que a aparatação causava, eles soltaram as mãos. Vince voltou para o colégio e eles ficaram ali. Estavam em um quintal com gramado, haviam brinquedos trouxas e do mundo bruxo. Harry viu um balanço com dois lugares se movendo com magia, enquanto dois garotos brincavam alegres. Ouviu o som de aparatação que trouxe novamente Vince, mas dessa vez com Elizabeth Morrison, Neville Longbottom e Blásio Zabini. O último cumprimentou Draco com um meneio de cabeça e entrou nas dependências do orfanato.


- Engraçado como o conceito de família muda de pessoa para pessoa. - Hermione disse pra ninguém específico. - Pode ser um pai e uma mãe, um tio ou uma avó, um irmão de consideração ou um amigo. - na última parte virou-se para Harry. - É algo em que se pensar.


- Tem razão. Estou feliz com a família que tenho e a que escolhi.


Após bufar, Draco olhou na direção de duas crianças que pareciam ter oito anos, no máximo. Era perceptível que eles estavam brigando, apesar da distância. O garoto tomou a iniciativa de ir até eles e a Harry e Hermione só coube trocar um olhar e segui-lo. Quando chegaram perto viram Draco se agachar e perguntar os nomes dos internos.


- Joseph.


- Anne.


- Sou Draco. - Quando os pequenos riram do nome, o loiro sorriu de lado e disse. - Vocês riem agora, mas meu nome significa muitas coisas. Imaginem um dragão enorme voando no céu, ainda acham engraçado?


Eles pararam de rir e a menina disse que na verdade era assustador.


- Sim. - Draco parecia ter orgulho daquilo. - Agora me digam, por que estavam brigando?


- Ele não me deixa em paz! - ela abraçou a boneca de pano que segurava.


- Eu odeio essa menina.


- Tudo bem, mas por quê?


- Ela é muito chata.


- Chata? Isso é terrível.


- Você é outro garoto malvado, igualzinho a esse aí. - Anne acusou.


- O que ela faz que te irrita? - Draco continuou como se não tivesse ouvido.


- Ah, ela está sempre no meu caminho. E quer que eu brinque com essa boneca feia, eu não gosto de bonecas.


- E o que pretende fazer para ela o deixar em paz? Se livrar da boneca resolveria a situação?


- Malfoy! - Harry estava indignado com a cara de pau do garoto em espalhar sua maldade pelo mundo, ainda mais em duas crianças. O garotinho olhou receoso para o grifinório, mas ainda assim respondeu.


- Acho que resolveria sim, tio Draco.


- Ah, com certeza. Ela gosta da boneca, não é? Anne vai chorar muito, garotão.


- Já chega, Malfoy! Céus, tenho tanta pena da garota que aceitar ficar contigo... Você deveria ser proibido por lei de chegar perto de alguém menor de idade. - Hermione não pôde ouvir aquilo calada.  


Diante da dúvida de Joseph, Draco continuou, dessa vez com uma voz mais branda.


- Ela choraria muito, não é? Ficaria muito triste, talvez até parasse de te procurar. É isso que quer?


- Não, ela não precisa sofrer. - E disse relutante - Vamos, sua chata, eu brinco com essa boneca horrível. Mas amanhã vamos brincar de carrinho, está bem?


- Sim. - Anne respondeu e saíram felizes da vida sem se despedir dos mais velhos.


Draco olhou para Hermione e levantou as sobrancelhas ao ficar de pé, ela ainda o avaliava com as mãos nos quadris.


- Muito bonito, Draco Malfoy. Você será um péssimo pai, sabia disso?


- Já vi piores, Granger. - E foi embora fazendo-a perceber a besteira que tinha feito. David Granger jamais sacrificaria a própria filha em nome de um ideal, já Lucio fez exatamente isso.


- Oh, droga! - A garota lamentou enquanto o seguiam novamente. Maldita regra que os obrigava a ficar juntos.


Quando iam entrar no edifício, viram que uma loira um pouco mais velha que eles estava no portão interno com os olhos fixos em uma prancheta.


- Bom dia. Sobrenomes?


- Malfoy, Potter e Granger. - O loiro informou. Isso fez com que a funcionária erguesse o olhar como se duvidasse do que ouviu. A atenção dela foi imediatamente para a testa de Harry.


- Temos celebridades aqui, que honra. - a moça chamada Sheila, segundo a etiqueta do uniforme indicava, disse sorridente. - Senhor Potter, é um prazer. E senhorita Granger, a nova queridinha da comunidade bruxa... Que bela roupa! É um prazer enorme receber vocês dois aqui hoje, queridos.


- Obrigada. - Hermione disse incomodada. - O professor Adams mencionou que os grupos teriam uma área específica para circular, certas partes do orfanato para ver. Por favor, onde devem ficar Granger, Potter e Malfoy? - deu bastante ênfase ao sobrenome do garoto que até agora foi ignorado por Sheila. Essa, em compensação, assumiu uma postura arrogante ao responder.


- Vocês dois devem ir até a cozinha ajudar na organização das refeições e depois poderão circular normalmente e interagir com as crianças. Dois heróis de guerra deveriam ter mais privilégios, peço desculpas. Mas ainda assim os dois...


- Os dois... - Hermione foi para o lado de Draco e entrelaçou o braço no dele, puxando-o para perto. - No caso eu e meu namorado, vamos nos despedir primeiro. Eu me recuso a entrar aí até que lhe peça desculpas. E não adianta fingir que não está vendo, não tem como ignorar a cabeleira quase branca e esse nariz empinado dos Malfoy.  


Um ataque de tosse de Harry fez o mais novo casal e Sheila olharem para onde ele estava.


- Precisa de alguma coisa, senhor Potter? - A funcionária quis saber.


- Gostaria de falar com o professor Adams, por favor. - o garoto conseguiu dizer depois de muito custo.


- Sinto muito, houve um acidente e ele foi para a Ala Hospitalar de Hogwarts. Posso ser útil em mais alguma coisa, querido?


- Pode me trazer um copo d‘água, por favor? Não estou me sentindo bem.


- Mas é claro. Só um instante.


- Granger, o que está fazendo? - Quando a moça saiu, o loiro finalmente se pronunciou. - Perdeu o resto do juízo?


- Fique quieto senão termino com você na frente de todos, Doninha.


- Me explique o que houve senão eu é que termino com você.


- Por Godric, garoto! Você pode ser um cretino noventa e cinco por cento do tempo em que está acordado, já ter me levado ao limite por milhares de motivos diferentes e me feito considerar a hipótese de ir parar em Azkaban por diversas vezes, mas... - finalmente respirou, chegando a suspirar e olhar o garoto profundamente. - Eu não vou deixar que te destratem por preconceito. Que seja por você ser um perfeito idiota, a pessoa mais arrogante que eu conheço ou só por ser tão... você, Malfoy. Preconceito não.


Draco considerou fortemente se tratar de uma pegadinha toda aquela situação, mas não conseguia acreditar na hipótese para valer. Até o Potter os olhava cauteloso, parecia tentar decidir em que acreditar.


- Não preciso que ninguém me defenda.


- Oh, não se preocupe. Eu não estou defendendo você, seu idiota. Estou defendendo algo em que acredito. Qualquer tipo de preconceito é errado.


- Desculpem interromper, mas alguém acabou de tirar a foto de vocês com braços dados e se olhando tão intensamente. - disse Harry com os braços cruzados e um sorriso cínico no rosto. Pôde ver Hermione incrédula o observar, e continuou. - Por um momento imaginei Montecchio lendo um jornal com vocês dois na capa. Seria curioso, não, Mione?


A morena ficou mais pálida que o sonserino ao seu lado. O braço que ainda segurava o de Draco escorregou, mas não por alguém ter os fotografado. Foi puro choque, a simples possibilidade de Draco se dar conta do verdadeiro significado daquelas palavras. Mataria Harry, não tinha jeito. Todo o esforço em mantê-lo vivo ao longo dos anos havia sido em vão.  


- Ora, se a sabe-tudo não arranjou um namorado... - Mas o loiro não percebeu.


- Cale a boca, estou avisando.  


- O que foi? Deve ser alguém completamente descompensado para te aturar, Granger. Está com vergonha, é isso?


- Descompensada estava eu em te ajudar.


- Eu não pedi sua ajuda! E continuaria vivo mesmo que não fizesse essa cena patética.


- A única coisa patética que consigo imaginar agora é você, seu estúpido.


- Ok, já chega. Vou embora, não aguento mais. Vocês vem comigo ou preferem mostrar ao mundo seu amor e perder pontos na matéria por nos separarmos? - Harry perguntou visivelmente incomodado. Tanto as brigas constantes que tinha que presenciar quanto o que Sheila fez o deixou irritado. E agora estavam todos olhando.


- Harry, você não cansa de quebrar as regras, por um acaso? E para onde pensa que vai? - Hermione quis saber.


- Do que está falando? Nós não fomos proibidos de ir para a parte trouxa da cidade. E digo mais, McGonagall talvez até ficasse feliz se soubesse. O intuito não é extinguir o preconceito contra trouxas?


- Era para ficarmos no orfanato.


- Depois do que houve com aquela funcionária e com os olhares para o casal mais incomum de Hogwarts?


- Harry Potter, eu vou te bater.


- Por ter razão? E até parece que você não quebrou regras também.


- Se está falando de Hogwarts, eu precisava salvar nossas peles. Nós precisávamos… Constantemente! Isso não quer dizer que eu serei uma infratora a vida inteira. Você melhor do que ninguém deveria saber que até dormindo atrai confusão. Quer mesmo procurar por aí?


- Ah, então agora a senhorita vai dizer que não adora uma confusão e não é um imã talvez até maior que eu?


- Como é?


- Mione, por favor. Eu te adoro, muito mesmo. Mas parece que nem a lei da gravidade você quer burlar. Seu medo de altura deve ser por isso. - Hermione o olhava lívida e considerou atentar contra a integridade do amigo de alguma forma. Não gostava de ter seu orgulho ferido. Ainda mais na frente de Malfoy, que escolheu justo aquele momento para voltar a conversa.


- Merlin, me leve! Vocês dois são tão terrivelmente patéticos que…


- Por que não vai... - a voz de Harry foi suplantada pela reclamação de Hermione.


- Mas que mania idiota é essa de se meterem na minha vida? - ela olhava feio para os dois garotos e com a mão na cintura. - Podem parar! O próximo que fizer isso vai se arrepender profundamente. - e rumou para o portão nos fundos do orfanato. Saiu pisando duro, os garotos só podiam segui-la.


- Ah, que maravilha, Potter. Irritou essa insolente e agora vamos vagar por aí.


- Você é o próximo.


- Quanta maturidade!


Ela os esperava no outro lado da rua, mas quando os rapazes chegaram na calçada recomeçou a andar.


- Mione, a regra era juntos. Quer mesmo ir contra uma regra da escola?


Harry recebeu uma expressão neutra dela, e isso costumava ser pior que uma ameaça por escrito. E assim os três que se tivessem escolha não dividiriam o mesmo espaço foram em direção a Londres trouxa. O dia mal havia começado para eles.


 

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