Hermione foi buscar Ron no dormitório dele. Desceram para tomar café da manhã, mas os elfos ainda não haviam posto a mesa. Minerva McGonagall estava de pé onde Alvo Dumbledore costumava ficar quando pretendia fazer um anúncio. A mulher, severa e justa, volta e meia respondia alguma coisa a um novo professor que ia até ela. Rúbeo Hagrid recuperou seu posto de professor de Trato das Criaturas Mágicas e estava muito feliz com a gravata borboleta e a tentativa de pentear o cabelo, tudo feito para a ocasião. Houve uma reunião prévia entre o corpo docente e a diretora em que foram discutidos a maioria dos detalhes do que viria a seguir. O horário da manhã foi escolhido justamente para surpreender e pegar todos em um novo dia, assim os ouvintes não seriam influenciados por qualquer experiência negativa que não fosse um eventual pesadelo. Quando o Salão Principal estava cheio de alunos, Minerva se pronunciou.
- Bom dia a todos. Reuni vocês, alunos e funcionários, para dar algumas notícias. Nossa rotina será alterada nos próximos dias. O motivo naturalmente é a recente guerra. Esse ano letivo é essencial para Hogwarts, pois é o primeiro após tanta tragédia. Os alunos terão suas aulas hoje, na primeira os respectivos professores explicarão com detalhes o próximo evento. Os alunos do primeiro ao terceiro ano terão uma palestra sobre Lord Voldemort e os perigos e consequências de se mexer com magia das trevas - Houve um intenso burburinho quando o nome do bruxo das trevas foi dito. - Não temam esse nome, queridos, ele não pode mais fazer mal algum. Dos quartanistas em diante irão visitar um orfanato bruxo e de fato ver o estrago feito depois de tudo. Sei que muitos tomaram as frentes de batalha, mas é preciso alertar de todas as formas possíveis que o que houve foi monstruoso. Por último, teremos um novo memorial e uma festa de harmonização entre as casas. Obrigada pelo seu tempo. Tenham um bom dia, queridos.
Mal a diretora acabou de falar, todos os alunos resolveram se pronunciar também. As reações foram diferentes, pois enquanto alguns estavam empolgados para tudo aquilo e reconheciam a necessidade de prevenir que outro Lorde das Trevas surgisse, também tinha quem achava que aquilo era a maior perda de tempo e que os iria estressar à toa. Draco Malfoy só queria uma coisa: esquecer que tudo aquilo aconteceu. Ser o aluno popular, temido e respeitado já estaria bom para ele. Voldemort ficou na Mansão Malfoy, se Draco fosse obrigado a assistir uma palestra sobre a vida do bruxo das trevas, com certeza daria um jeito de faltar. Felizmente sua fuga não seria necessária, mas de uma ida a um orfanato era mais difícil escapar. Porém ficou calado enquanto seus amigos conversavam sobre a festa.
Como tinha que ser, a vida seguiu. Com ou sem conversas, os estudantes terminaram de comer e foram para suas aulas. O primeiro horário da Grifinória naquele dia seria de Defesa Contra as Artes das Trevas juntamente com a Sonserina. Desde o primeiro dia do ano letivo, os alunos foram avisados que teriam uma quantidade maior de aulas mistas, até mesmo para compensar o fato que a matéria Estudo dos Trouxas agora seria obrigatória para todos os anos. Se antes eles foram obrigados a aprender sobre isso com Aleto Carrow para saber que os trouxas eram lixo e assim deveriam ser tratados, segundo o Comensal, o intuito agora era mostrar que a única diferença entre bruxos e trouxas é a magia.
Os dois Weasley que ainda estudavam ali seguiram pelos corredores conversando amenidades, juntamente com Hermione e Harry, até o momento em que a ruiva beijou o namorado em despedida e foi para sua aula de Poções. Devido ao envolvimento que Ron e Hermione tiveram, por vezes eles se sentiam constrangidos perto um do outro. Isso se repetia quando ficavam sozinhos ou em ocasiões em que o Trio de Ouro estava completo. Portanto foi só Gina sair que o clima leve e descontraído foi junto, deixando Harry literalmente entre aqueles dois. Estava entre a cruz e a espada, as opções não eram boas.
Entraram na sala do professor Adams e se separaram, pois não bastassem as aulas serem mistas, as duplas também tinham que ser. Hermione fez par com uma morena com cara de poucos amigos, Harry sentou-se com Blásio Zabini enquanto Pansy Parkinson foi a única opção de Ron, que ficou parado vendo os amigos escolherem os respectivos lugares. O professor escrevia na lousa quando eles entraram, mas agora já estava com um pergaminho em mãos e o analisava com o cenho franzido. Aquele era o primeiro ano de Vince Adams ali lecionando, pois quando aluno, pertenceu a Corvinal. Inteligência realmente era uma característica de sua personalidade, mas o traço marcante era o bom humor. Vince tinha cabelos curtos, encaracolados e na cor castanho claro. A pele era levemente bronzeada, mas os olhos de um azul claríssimo o faziam parecer ter menos que os seus bem vividos quarenta e cinco anos. No entanto, o jeito compenetrado que olhava para o pergaminho através de seus óculos para a leitura fez os jovens ali o avaliarem com expectativa enquanto ele não dizia o que havia de errado. Até ele pigarrear, varrer a sala de aula com o olhar e dizer.
- Bom dia para vocês. Vejo que já fizeram duplas sortidas, que orgulho. No entanto, vamos mudar isso hoje. Levantem-se e vão todos lá para trás, os trios que eu chamar podem escolher uma mesa e se acomodar. Façam o favor.
E assim eles fizeram, se entreolharam com desconfiança e aguardaram o professor falar de novo.
- Ok, vamos lá. Não decorei o nome de todos ainda, então colaborem. Neville Longbottom, Blásio Zabini e Elizabeth Morrison.
Neville foi resignado para uma mesa no meio da sala, sendo seguido por Zabini e a garota que fazia dupla com Hermione alguns minutos antes.
- Muito bem. Agora Ronald Weasley, Theodore Nott e Pansy Parkinson.
Ron seguiu os sonserinos, e ao sentar lançou um último olhar derrotado aos amigos. Já Hermione estava apreensiva, mas seu nome não foi dito mais cedo por causa disso. Torcia para que pelo menos ficasse no mesmo grupo que Harry ou Alice, ela era uma aluna com alguma dificuldade, mas muito simpática. Dificilmente conseguiria isso de algum sonserino.
- Simas Finnigan, Parvati Patil e Mike Donohue. Vamos, vamos... Marion Lancaster, Dino Thomas e Eneas Burke.
- Isso é um pesadelo - O sonserino Burke declarou.
- Não está nem perto, querido aluno. Hermione Granger, Harry Potter e Draco Malfoy.
As conversas paralelas imediatamente pararam. Hermione olhava cética para o senhor Adams.
- Não é possível, deve haver algum engano.
- Engano algum, ninguém vai trocar de grupo. Agora Stacey Macmillan, Patrice Donovan e Alice Brooke.
Hermione ouviu enquanto encarava uma mesa vaga, se preparando psicologicamente para todo o período em que teria de conviver em contato direto com o Malfoy. Sentar ali era aceitar o seu destino. E como se o mero pensamento o trouxesse, o garoto parou atrás dela.
- A sabe-tudo não sabe sentar em uma cadeira? Não vou ficar esperando a sua boa vontade de cooperar.
- O que você disse, garoto?
- Ah, então além de insuportável ainda é surda?
- Parem os dois. Agora! - A voz irritada não era do professor, e sim de Harry. - Ninguém aqui está feliz com essa escolha, mas temos que aceitar.
- Como se fosse humanamente possível aturar essa coisa.
- Mione, pare. E você também, Malfoy.
- Eu não disse nada, Cicatriz.
- Mas pensou. Eu não gostei disso tanto quanto vocês, acreditem. Mas acho que somos perfeitamente capazes de não matar ninguém até o fim do que quer que seja o trabalho.
- Hey, vocês três. Sentem-se, não é difícil - Vince disse enquanto ia em direção a própria mesa.
- Damas primeiro - Harry deu passagem a Hermione. - Eu fico no meio para impedir que vocês se atraquem. Entre a cruz e a espada mais uma vez... Menino Dragão, por favor.
- Perdeu o juízo, Potter? - Draco perguntou indignado.
- Não, mas não garanto continuar são até o fim dessa parceria.
- Você é louco - A amiga também estava inconformada.
- Capuleto, você deveria me agradecer por estar aqui. Alguém precisa ter bom senso.
- Capuleto? - Draco não aguentou de curiosidade. - Agora se tratam por apelidos?
- Saudades do seu apelido, Doninha? - A garota respondeu, deixando Harry exasperado. Mas não pôde dizer nada, pois a risada do novo professor chegou até eles.
- Ora, ora... Grifinórios e sonserinos discutindo, que novidade. Mas já que estão organizados, podemos ir para a parte importante. Haverá alguns eventos valendo nota e o motivo é a guerra. Soube que boa parte de vocês lutou contra bruxos muito mais velhos e malignos, meus parabéns. Mas isso será tão difícil quanto, as consequências do mal por vezes duram muito tempo. A turma de vocês vai visitar um orfanato bruxo exatamente como estão agora, esses serão seus parceiros. Vocês farão essa atividade juntos, e a nota também será em conjunto. Há uma regra muito importante sobre isso: não se separem. Se fizerem isso perderão pontos para suas casas e mais coisas serão obrigados a fazer grudados. Tiro meu chapéu imaginário para McGonagall, pois isso será ótimo de assistir. Alguma pergunta?
- Por que se diverte tanto com nossa desgraça, professor? - Theodore Nott perguntou, arrancando uma gargalhada de Adams.
- Eu estive um bom tempo viajando pela América, mas estudei nesse castelo. Fui monitor da Corvinal e já perdi as contas de quantos sonserinos e grifinórios peguei brigando. Certa vez dois alunos se enfiaram dentro de um armário de vassouras para brigar, nem magia usaram. É curioso ver que isso não mudou depois de tanto tempo, realmente uma pena. Mas ainda tenho esperança que as coisas melhorem, me julguem.
- E quando é a visita?
- Daqui uma semana. Vistam roupas comuns, não queremos assustar as crianças. Sobre o orfanato acho que é só, mas se preparem para a festa e o memorial. Agora que tal pararmos com a conversa e focar nos estudos? Que tal apostarmos quem se sai melhor nos N.I.E.M.s?
Com isso deu por encerrada a discussão sobre os eventos do colégio por ora e tratou de explicar a matéria. Mas mal sabia o novo professor que dentro daquela sala muitos precisavam de outras defesas, do que somente das artes das trevas. A esperança poderia acender uma fagulha tão perigosa quanto.