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33. O último dos inseparáveis


Fic: Labirinto


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Resumo do cap. anterior – Passado um ano de exílio, Gina descobre que Harry jamais soube que ela tinha usado as mechas de seu cabelo para localizá-lo em Nephasta. Por isso, decide escrever para o rapaz. Por sua vez, o jovem bruxo, após um desafio em que derrota Mei, sonha com a garota e percebe que seu orgulho é o que mais o prejudica. Também escreve para Gina. Mas Draco intercepta as cartas e não permite que nenhum dos dois receba as mensagens. Com o coração partido, Mei se despede de Rony e o aconselha a abrir o coração para a moça que ama. Hermione conta a Gina que Vitor Krum pensa num compromisso mais sério. A caçula dos Weasley a encoraja a perguntar a opinião de Rony a respeito. Os exilados partem da fazenda de Mestre Lao. Antes, Harry se encontra com o velho dragão, pede desculpas por seus erros, mostra-se humilde e recusa a oferta de uma visão do Labirinto. Satisfeito com as respostas, a criatura lendária confere à varinha de Harry, transfigurada em espada, mais poder do que ela já tinha. Harry, Rony e McKinley tem outro destino pela frente.



O sol ardeu nos olhos de Harry. Fazia tempo que não tinha aquela sensação de calor. Observou a paisagem ao redor e ficou satisfeito de ver um bosque de árvores frondosas e uma grama cortada bem rente. Era diferente do cenário em que vivera no último ano. A região montanhosa de Mestre Lao era bonita, mas carecia daquela temperatura agradável de verão por ser muito alta. Rony soltou um assobio curto.

- Belo lugar, McKinley. Onde estamos?

O professor piscou para os rapazes e camuflou os malões com um piparote da varinha. Em seguida, guardou-a no bolso da calça.

- Aqui, todo cuidado é pouco.

- Comensais? – alarmou-se o ruivo, vasculhando os cantos.

- Não. Estamos num parque público, o Tiergarten. Isto, meus caros, é Berlim! – comentou alegremente. – Não se preocupem. Este pedaço aqui é encantado. Eu não iria abrir o portal nas áreas que os trouxas costumam lotar. Em todo o caso, sempre é possível que um deles ultrapasse a linha mágica de isolamento sem perceber.

- Berlim? O que estamos fazendo aqui? Achei que a gente tinha de se esconder – estranhou Harry. – E um centro urbano como este não tem cara de esconderijo.

- Pois foi exatamente nisso que pensei. Os Comensais provavelmente vão te procurar em possíveis esconderijos. Não vão imaginar que você escolheria uma cidade grande como Berlim. Seria ousadia demais. Vamos apostar nisso – disse, caminhando rumo ao bosque. – E além do que, o preparo deste ano vai incluir uma parte importante dos estudos mágicos. Quer dizer, eu considero assim e Dumbledore também. Os aurores de hoje não dão muita bola para isso.

- Do que se trata? – perguntou Rony, puxando disfarçadamente seu malão para seguir McKinley.

- Alquimia! Eu ensinarei novas poções e um grande mago daqui contará tudo o que puder a respeito dessa ciência hermética.

- Dumbledore era amigo de Nicolas Flamel... – começou Rony.

- Nicolas Flamel? Ele estava só interessado na pedra filosofal. Deixou todo o resto praticamente de lado – pronunciou-se um homem de cabelos longos e brancos e de reluzentes olhos azuis. – Mas era um excelente alquimista!

- Herr Gutmann! Há quanto tempo? Você está um pouco mais barrigudo. Deve ser culpa da cerveja trouxa – riu o escocês. – Deixe-me apresentar meus amigos e alunos, Harry Potter e Rony Weasley.

- Muito prazer, herr Weasley. Finalmente posso cumprimentá-lo, herr Potter. O que fez pelo mundo bruxo ao eliminar Você-Sabe-Quem foi fantástico. Meu nome é Dieter Gutmann, mago, alquimista, pesquisador de feitiçaria alemã, guardião dos segredos da Ordem dos Inseparáveis e, vá lá, defensor da boa cerveja trouxa, a nossa – anunciou divertido e com forte sotaque o homem que surgira de repente.

- Uau! O que quer dizer herr? – espantou-se Rony, depois de se soltar do forte aperto de mão do bruxo. – E o que é a Ordem dos Inseparáveis?

- Herr é senhor em alemão. O resto eu conto depois. Acompanhem-me que eu levarei vocês a minha casa – respondeu, andando com passos miúdos e apressados.

O trio se viu rapidamente diante de uma casa de aparência simples. Quando entraram na sala, encontraram uma série de quinquilharias, livros amontoados, pedras espalhadas por todos os cantos. Rony se lembrou de imediato da cabana de Hagrid. Num poleiro, uma coruja escura abriu os olhos pretos com lentidão. Soltou um som chiado tão baixo que mal foi ouvida. De dentro de suas gaiolas, Edwiges e Pichi responderam com mais energia.

- A sua coruja está doente? – perguntou Harry, notando a diferença.

- Não. É que Maier já é muito velho e está cansado. Sentem-se, por favor. Querem uma xícara de chá ou um suco bem refrescante? Hoje está fazendo calor – disse Dieter Gutmann, enxugando o suor da testa com um lenço.

Enquanto os malões foram removidos para os quartos e Edwiges e Pichi foram soltas para esticar as asas, o alquimista afastou a papelada que atulhava a mesa central da sala e serviu sucos e alguns biscoitos. Também trouxe uma gigantesca garrafa térmica de café e canecas.

- Desculpem-me se não sou um bom anfitrião. Não costumo receber muitas visitas. Mas como meu querido ex-aluno me pediu...

- Ex-aluno?

- Ja! McKinley, não contou a eles que você estudou alquimia comigo?! Não tem do que se envergonhar. Você não foi um aluno muito dedicado, mas eu entendo. Rapazes, ele chegou aqui com a cabeça longe, numa certa moça que conheceu na Escócia – tripudiou, para depois ficar sério. – Naquela época, não compreendia como isso podia afetar a mente de uma pessoa realmente interessada em aprender. Mas desde que perdi Anya não fiz grandes progressos. Nem deveria mais me considerar um membro da ordem.

- Sossegue, Dieter. Também não é assim. Explique para o Harry e o Rony o que é a Ordem dos Inseparáveis. Eles ainda não sabem do que você está falando.

Dieter Gutmann encheu uma caneca com café. Olhou para os dois jovens com uma expressão intrigante.

- É incrível como certas histórias são apenas conhecidas nos bastidores. Olhe para nós. Estamos falando de um grupo criado em 1577 e que, em tese, foi destruído pelos nazistas. Em tese, porque restamos eu, minha mãe e Anya. Em todo o caso, imagino que vocês, rapazes, nunca tinham escutado antes a respeito da Indissolubilisten, como também chamávamos a ordem. Era uma sociedade secreta dividida em cinco graus. Nunca cheguei ao quinto e jamais chegarei. Teria de estudar muito para atingi-lo. E a morte de minha mulher foi um duro golpe para mim.

- Como ela morreu? – questionou Harry, servindo-se de café.

- Comensais. Vinte anos atrás fomos atacados. Os aliados de Você-Sabe-Quem vieram atrás da Archa e nós tentamos fugir. Ohhh, quer dizer, eu tentei fugir e levar Anya comigo. Mas minha mulher, que sempre foi mais corajosa, decidiu voltar porque não queria entregar os segredos da Indissolubilisten assim. Eu disse para ela “deixe o baú. Um dia nós poderemos resgatá-lo e eles vão demorar a entender os nossos papéis”. Só que Anya tinha muito medo de Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado. Achava que ele arranjaria um meio de decifrar os segredos. Anya conseguiu recuperar a Archa e despachá-la por Maier. Porém não escapou dos bruxos das trevas. Ahnn, perdoem-me. Sou muito emotivo. Eu não era desse jeito antes de... – resmungou o alemão, puxando o lenço de novo, desta vez para enxugar os olhos. – Nós, da Ordem, nunca fomos bons na defesa contra a magia negra. Sempre nos dedicamos a estudar os elementos da Terra e as forças da natureza. Éramos pacíficos como ovelhas. É por isso que a sociedade foi tão facilmente destruída pelos nazistas e pelos bruxos que apoiavam a causa nazista.

- Eu não sabia que havia bruxos entre os nazistas.

- Herr Potter, há muitos anos que existem bruxos que defendem que nosso mundo pertence aos de sangue puro. Você-Sabe-Quem e os Comensais da Morte representam isso. Bruxos como eles, se pudessem, diriam que desejam uma raça ariana, exatamente como Hitler queria.

- O senhor pode falar Voldemort. Ele já morreu...

- Nein! Enquanto viver, jamais pronunciarei esse nome maldito. Por culpa dele, Anya se foi e eu estou condenado a viver escondido. Durante muito tempo, fui caçado pelos Comensais. Eles desconheciam o paradeiro de Nicolas Flamel. Dumbledore o protegeu muito bem. Mas os bruxos das trevas sabiam que eu poderia produzir uma Pedra Filosofal. Por isso, eles vieram atrás de mim.

Harry e Rony arregalaram os olhos, espantados. McKinley percebeu que seus pupilos estavam perdidos na história.

- Você não está sendo muito claro, Dieter. É melhor que eu explique direito. Bom, vocês entenderam que a Indissolubilisten é uma sociedade muito antiga. O detalhe é que nem todos eram bruxos. Havia trouxas também. Ela foi criada aqui, na Alemanha. Mas como era um grupo muito fechado, aos poucos foi se extingüindo. Já havia poucos membros quando os nazistas a destruíram, mandando seus integrantes para campos de concentração. O pai de Dieter, herr Gutmann, não era bruxo. E frau Guttman, a mãe do nosso anfitrião, não conseguiu libertá-lo. Ela escapou levando consigo Dieter e Anya, a filha de um casal de feiticeiros da ordem que foi aniquilado pelos bruxos nazistas. E também conseguiu levar a Archa, um baú que contém todo o conhecimento produzido pelos Inseparáveis. Um desses conhecimentos é justamente a produção da Pedra Filosofal, a pedra que permite a imortalidade. Vários alquimistas tentaram criar uma, mas ninguém tinha conseguido chegar lá até que Flamel teve sucesso. Essa é a história corrente. Só que a Indissolubilisten também descobriu o meio de obter a pedra. E seus membros decidiram não fabricar uma. A ordem nunca almejou a imortalidade.

- O que aconteceu depois que vocês fugiram dos nazistas? – inquiriu Rony.

- Vivemos durante um tempo no campo. Esperamos acabar o horror nazista. Minha mãe não me deixou desanimar. Insistiu que eu estudasse e até seus últimos dias me estimulou a pesquisar. Graças a ela, atingi o quarto grau, o que se dedica ao trabalho alquímico. Bem, minha mãe e Anya, que chegaram ao terceiro grau, me incentivaram a procurar herr Flamel para me aprimorar. Eu ainda era jovem quando o procurei. Tivemos uma longa conversa. Esclareci alguns pontos e continuei meus estudos. Casei-me com Anya e já estava bastante avançado em meus trabalhos quando minha mãe morreu. De velhice. Ela estava na cama, já sem muitas energias, e eu sugeri produzir uma pedra. Qual?! Frau Gutmann se recusou e ainda brigou comigo. Disse que fazia tempo que aguardava pelo momento em que reencontraria meu pai. Então, que eu não tentasse adiar mais essa ocasião. Ela se foi, sorrindo. O Ministério da Magia alemão ficou sensibilizado e resolveu me dar esta casa, que estava abandonada, pelo reconhecimento da importância da Indissolubilisten. Isso saiu em nosso jornal bruxo. Na época, fiquei feliz com a notícia. Que tolice. Anos depois, quando a guerra começou, os aliados de Você-Sabe-Quem falaram a nosso respeito para o líder deles. E fomos atacados numa noite. É isso!

- Isso quer dizer que os Comensais sabem onde o senhor vive?

- Mudei a casa de lugar dentro do parque, herr Potter. E a escondi. O fiel do segredo é meu antigo aluno, Thelonius McKinley. Pensei que você tivesse esquecido, meu caro.

- Esquecer? Mesmo que você tenha me desacreditado diante de meus alunos, eu costumava prestar atenção a algumas coisas, sim. Talvez não a todas as lições. Mas eu me recordo, por exemplo, o dia em que você usou a pedra filosofal em Maier.

- O quê? – perguntaram juntos Harry e Rony, voltando a atenção para a coruja que estava de olhos fechados, dormitando.

- É verdade. Você estava aqui quando decidi criar a pedra. Anya não gostou muito da idéia. Dizia que era arriscado. Mas eu respondi que confiava no meu aluno. Antes que me julguem mal, rapazes, vou contar por que fiz isso. Meu pai me deu Maier quando fiz dez anos. Vocês sabem que uma coruja pode viver até 40 anos, dependendo da espécie. Minha coruja já estava velha e eu não queria perder este companheiro tão fiel. Então, fiz o que podia. Até hoje eu utilizo a pedra para dar mais vida a Maier. Ela está guardada na Archa.

- Então, Anya estava mesmo certa em lutar pela Archa! Nas mãos de Voldemort, isso teria sido uma calamidade – inflamou-se Harry. O rapaz, no entanto, notou o desconforto que provocara na sala e se apressou em se desculpar. – Lamento, eu falei demais...

- Não se lamente, rapaz. Você falou a verdade. No meu medo de arriscar a vida de Anya e a minha também, desisti de tudo muito facilmente. Não sou um grande bruxo, mas não deveria ter permitido que minha mulher fosse sozinha enfrentar os Comensais. Nós deixamos nossa casa e, completamente desorientados, desaparatamos perto dos escombros de uma igreja nas proximidades daqui que foi quase destruída durante a segunda guerra. Eu queria bolar um plano de fuga, só que não consegui me concentrar, tão apavorado estava. A igreja me recordou os nazistas e o duro período que passamos. Perdi o controle e mergulhei em delírios provocados pelo desespero. Anya me avisou que retornaria e eu, que estava surdo pela loucura do momento, não entendi. Quando recuperei a lucidez, Maier apareceu com a Archa e eu fui atrás de minha mulher. Ela estava à beira de um lago, sem vida. Foi lá... lá que... que... a enterrei – gaguejou, passando o lenço pelos olhos. – Ach! Isso pede uma boa cerveja. Espero que vocês apreciem uma verdadeira bier! Nada dessa cerveja amanteigada que é bebida de criança.

- Ei, não comece a embebedar meus alunos. Eu os trouxe aqui para que aprendam sobre alquimia – protestou McKinley, fazendo troça para quebrar o clima.

- E aprenderão. Vou ensinar tudo que sei. Quem sabe vocês acabam entrando para a Indissolubilisten?! Aí, não seria mais o último dos Inseparáveis - e deu uma risada mais animada.




*****




Gina saiu da cabine telefônica, ajeitou a mochila com material do curso de auror e deixou para trás o acesso ao Ministério da Magia. Caminhou alguns metros até que viu um rapaz de cabelos louros encostado numa parede de tijolos aparentes de uma velha fábrica. A garota fez um aceno para o jovem, convidando-o a se juntar a ela. Prosseguiram com passos tranqüilos.

- Um dia você vai se cansar, Draco. Não sei por que insiste em me esperar na saída.

- Não sabe mesmo?

- Ah, já faz tempo que você está nessa e ainda não conseguiu nada – comentou, num tom debochado.

- Sou paciente. Acho que vou ser recompensado qualquer dia desses. Deixa que eu carrego sua mochila.

- Não precisa. Vou ficar constrangida...

- Pode até ficar vermelha. Ninguém liga para a gente mesmo – disse o rapaz, rindo enquanto colocava a mochila nas costas. – Como foi a aula de hoje?

- A cada dia melhor. Estou muito entusiasmada. Sei que este é só o começo, mas eu realmente estou adorando. Tem tanta coisa que eu desconheço. E tem as aulas de defesa pessoal. É incrível!

- Estou vendo que você será uma auror e tanto. Mas vamos mudar de assunto. Que tal sair comigo na noite do seu aniversário para a gente comemorar?

Gina não respondeu de cara. Colocou a mão no bolso traseiro da calça jeans e retirou um bilhete de metrô.

- A estação já está perto... Se você quiser desaparatar aqui, não tem problema. Não tem ninguém olhando.

- Bééé. Resposta errada. Vou refazer a pergunta.

- Eu entendi! Só não quis responder. É que... Ah, Draco, a gente se entende como amigos. Não quero que saia disso.

- O que é um jantar para dois amigos como nós?! É isso que estou pedindo, Gina. Nada demais. Ora, você vai fazer 18, a punição do Ministério da Magia vai cessar e você estará finalmente livre para aparatar e desaparatar. Não é motivo mais do que suficiente para comemorar?

- Draco, desde Hogwarts você vem tentando...

- Eu sei o que estou tentando, Gina. Já fui muito claro a respeito do que sinto por você. Mas não forcei nada. Não pense que agora é que eu vou forçar.

- As pessoas estão começando a comentar.

- Que pessoas? Seus pais? É normal. Afinal, desde o início do curso eu venho te buscar todos os dias e te acompanhar até o Caldeirão Furado para você poder usar o pó de Flu.

- A Hermione também estranhou. E tem alguns colegas do curso que já me perguntaram se você é meu namorado. Eles não acreditam que não existe nada entre a gente. Ou, então, acham que um dia a gente vai ter algo.

- O que te incomoda? São os comentários? Ou a possibilidade de um dia a gente...

- Que possibilidade? De onde você tirou isso? Eu te vejo como uma companhia agradável que...

- Companhia agradável? Gina, eu não estou aqui para ser uma “companhia agradável” – cortou o rapaz de cabelos platinados. Ele bufou. – Tem horas que eu tenho mesmo vontade de desistir...

- Pode desistir da minha amizade, se quiser. Não tenho como te prometer nada mais do que isso – murmurou, apoiando-se na entrada da estação do metrô. – Obrigada. Posso levar a mochila agora.

- Por que você não é mais direta? Se quer me dispensar, vá em frente. Diga – desafiou Draco, devolvendo a mochila para a garota.

- Não quero te dispensar. Que idéia! A gente está indo tão bem sem envolver essa discussão. O que eu quero dizer é que não quero dar nenhum passo adiante. Somos amigos. E isso é ótimo para mim. Faz tempo que você tem me ajudado a me sentir menos sozinha. Tenho que te agradecer por isso. Por todas as gentilezas e cuidados. Só que isso não significa que a gente vai ter algo a mais, Draco. Então, vamos deixar as coisas como estão.

O rapaz cruzou os braços e encarou a jovem.

- Posso entender o que está por trás disso? Por que as minhas tentativas de algo a mais te incomodam tanto? Eu sou repulsivo? Ou você está esperando por alguém?

Gina ficou vermelha.

- Eu não tenho ninguém.

- Eu sei disso! Quero saber se você está apaixonada por alguém e está esperando que essa pessoa tome alguma atitude.

- Não – mentiu, sentindo que o rosto pegava fogo. – Não estou esperando nada. Já esperei no passado, mas isso faz tempo.

- Verdade?

- Ai, que conversa chata. Detesto esse papo! – exasperou-se. – É melhor parar esse assunto por aqui. Pensando bem, acho que vou embora. Não estou legal hoje. Até amanhã.

- Não virei amanhã – respondeu, fazendo a garota franzir a testa.

- Não? Tem compromisso?

- O meu papo é detestável. Um simples convite para sair causa aborrecimento. Eu sou uma “companhia agradável”. Puxa, eu devo ser muito chato para você. Pode ficar tranqüila. Não quero te encher a paciência mais do que já enchi – desabafou, dando as costas para a ruiva e seguindo no sentido contrário.

Gina ficou espantada. Foi até Draco e o segurou pelo ombro.

- Desculpe! Eu não sei como agir com você! Só não quero que você tenha ilusões.

- Você já tem o suficiente por nós dois, não é?! Diga: ainda gosta dele? E não faça essa cara de quem não está entendendo. Eu estou falando dele, sim. Harry Potter!

- Como você sabe? – perguntou num fio de voz.

- Eu te conheço, Gina. Já te observo faz muito tempo. Em Hogwarts eu saquei o que você tenta esconder. Pode ter conseguido com todos, menos comigo. Mas vou te mostrar algo bem sério: onde ele está? Por que não está aqui, do seu lado? Por que não te procura? Ele está viajando pelo mundo?! Grande coisa! Deve estar conhecendo um monte de outras garotas.

- Você não entende...

- Não mesmo! Porque se eu estivesse no lugar dele, daria um jeito de ficar por perto sempre. Se eu fosse o Potter, não deixaria você se sentir sozinha. Eu tomaria conta de você, Gina! Afinal, quem ama, cuida!

As palavras foram despejadas com calor. Draco abaixou a cabeça, enfiou a mão nos bolsos e se despediu sem olhar para o rosto da garota. Gina não encontrou o que dizer. Entrou no metrô com uma sensação de oco no peito. E com uma dúvida no coração.




*****




Narcisa Malfoy folheava uma revista ao ouvir o som de seu filho aparatando no hall da mansão. Observou o relógio. “Humm, ele chegou mais cedo do que o costume”. Draco entrou na sala, disse um sonoro “boa noite” e foi direto ao bar onde havia toda a sorte de bebida que desejasse. Pegou um copo, serviu-se de uísque e se atirou no sofá sem abrir a boca.

- Não gosto de te ver bebendo assim, querido.

- Qual o problema? Meu pai bebia quase todos os dias.

- Você é ainda muito jovem.

- Certo. Um dia sou muito jovem. No outro, já estou em idade de casar – ironizou. – Os conceitos mudam muito rápido nesta casa.

- O que foi que te deu hoje? Os negócios não vão bem? Você sabe que eu posso contratar um administrador geral. Não precisa se matar de trabalhar.

- Não estou me matando – resmungou. – E os negócios vão bem. Para ser honesto, sou melhor nisso do que o meu pai.

- Se não são os negócios, o que é que está te perturbando?

- Nada, mãe, nada. Eu só tive um dia ruim – respondeu, mas imediatamente resolveu colocar em prática uma idéia que vinha bolando. – E como foi o seu dia? Alguma novidade?

- Estou pensando em fazer uma viagem curta. Paris, talvez. Nada demais.

- Interessante. É bom para espairecer. Viajar faz bem. Não vê aquele sujeito metido, o Potter?! Ele está viajando até hoje.

Os olhos de Narcisa brilharam.

- Você sabe que eu não suporto esse rapaz. Por que tem de falar dele? Pouco me importa por onde ele anda.

- Só falei porque soube recentemente que ele está viajando pelo mundo na companhia daquele bruxo ralé que é amigo dele, o Weasley. E olha que engraçado: os dois estão juntos com um velho professor de Hogwarts, o McKinley. Essa é uma informação que nem o Profeta Diário tem. Por que será que uma viagem tão espetacular desse trio tão famoso é desconhecida de todos?

- Não tenho idéia. Mas isso não me interessa nem um pouco – sublinhou Narcisa, voltando a folhear a revista.

- Evidente! Para nós, isso não interessa. A quem poderia? Talvez aos Comensais restantes. Para eles, seria uma pista e tanto – e assobiou. – Por Merlin, isso me lembra da encrenca da qual nos livramos. Ainda bem que os antigos companheiros do papai não rondam mais nossa casa.

- É como eu vivo dizendo, Draco, os Comensais só nos trouxeram problemas. Agora, me conte como descobriu que os três estão viajando juntos. Espero que não tenha sido com a garota Weasley. A garota que você vê diariamente – emendou com uma voz gelada.

Draco não alterou seu semblante.

- Mandou alguém me seguir? – riu. – Não era necessário. Se tivesse me perguntado...

- O que você tem com ela?

- Nada. É só uma estranha amizade. Mas eu a descartei hoje. Uma moça simplória como ela não é capaz de compreender que uma amizade é apenas uma amizade.

Narcisa torceu levemente os lábios pintados de vermelho.

- Um conselho, meu filho. Se você pensa em se “divertir” com ela, divirta-se. Aceitarei isso apesar de julgar que esse tipo de gente é a pior escolha que você pode fazer. Bruxos ralé como os Weasley, para usar suas palavras, podem ser bem grudentos, mesmo que eles saibam desde o início que o que existe é somente... diversão! Mas depois que esse “joguinho” tiver terminado, trate de se livrar logo dele.

Draco bebeu mais um gole de uísque e viu sua mãe subir até o quarto. Sorriu. Assim como ele não conseguira enganá-la a respeito de Gina, Narcisa não o enganou. “Nessa viagem, tenho certeza que ela vai dar um jeito de avisar a Belatrix. Vai falar desses detalhes que eu peguei nas cartas interceptadas”, pensou, virando o copo com satisfação.




*****




Por um minuto, Gina ficou parada perto da estação de metrô. Fazia uma semana que não via Draco. A discussão a deixara insegura. Pensara muito em Harry e em sua história mal resolvida com o rapaz. De algum modo, Draco estava certo. Ele tocara num ponto sensível. Gina não se conformava com a falta de uma resposta à carta que enviara no semestre anterior. Isso rondou sua cabeça todos aqueles dias. “Harry não é assim. Não é possível que tenha reagido com tanta frieza à minha mensagem”, raciocinava.

Era véspera de seu aniversário, o último dia em que precisaria se dirigir até o Caldeirão Furado para usar o pó de Flu. Saiu da estação e caminhou de cabeça baixa, com a mente fervilhando. Concentrada em avaliar seus sentimentos por Harry – continuavam fortes, muito fortes –, não percebeu os gritos abafados que vinham de um beco próximo à estalagem bruxa. Andou mais alguns metros até que viu uma mulher correr desesperada em direção a ela. Gina levou uma trombada e as duas foram parar no chão. A garota bem que tentou se levantar, mas a estranha começou a gemer de dor e pavor, agarrando-se em sua camisa.

- Por favor, me ajude! – gritou.

- O que foi? – perguntou, tensa. Gina se ergueu e deu uma mão para a mulher. Mas ela soltou outro grito e se arrastou para trás, ainda sentada.

- Achou uma amiga? Não adianta. A mocinha não vai te defender. E se a ruivinha quiser, também vai sobrar para ela – ameaçou um homem que vinha com uma corrente grossa na mão.

- O que é isso?! Solte essa corrente! Não vê que ela está assustada? – replicou Gina, espantada com a cena que estava se desenrolando.

- Timmy, eu juro que não fiz nada de errado – soluçou a mulher. – Não é minha culpa.

Gina encarou a estranha e reparou, horrorizada, que ela tinha uma enorme marca roxa no olho direito e arranhões no pescoço e no braço. A garota a puxou com força para que pudesse ficar de pé. Em seguida, a amparou.

- Não sei o que está acontecendo. Mas qualquer que seja o problema, você não pode agredir ninguém – disse irritada para o homem.

- Lola sabe bem o que fez. E eu não estou agredindo ninguém. Estou punindo! – e enrolou uma ponta da corrente na mão. – Agora solte a minha namorada, ruivinha.

- Não seja ridículo! – respondeu, procurando sua mochila com os olhos. Lá estava sua varinha.

- Muito bem. Então, você vai levar junto o castigo – e avançou, exibindo uma cara sádica.

A jovem bruxa soltou a mulher, que gritava de terror. Correu para pegar a mochila e a girou pelas alças, fazendo a bolsa se chocar violentamente contra o rosto do agressor. Ele deu um berro. O material do curso de auror era pesado. Gina não perdeu tempo. Puxou o zíper e enfiou a mão atrás de sua varinha. O homem jogou a corrente para trás, mas não conseguiu lançá-la contra a ruiva. Draco tinha surgido de repente e segurou a corrente na hora em que Timmy a movera para trás. Por magia, fez com que o homem caísse de costas.

- Covarde! Vou te ensinar a nunca bater numa mulher! – e deu-lhe um chute potencializado por feitiçaria que fez o homem voar contra uma parede. Timmy desmaiou no mesmo instante.

Gina ficou boquiaberta. Draco olhou rapidamente para ela e se dirigiu primeiro à mulher agredida.

- Acalme-se. Ele não vai acordar tão cedo – e a abraçou enquanto Lola chorava copiosamente. – Venha, vamos ajudar a moça que te socorreu.

No entanto, Gina já estava de pé, com os olhos bem abertos, demonstrando o espanto de encontrar o rapaz de cabelos platinados ali, e naquela situação. Ajeitou os cabelos e fechou a mochila, tomando o cuidado de esconder a varinha que chegara a puxar para se defender.

- Você aqui? Como foi...

- Eu estava no Caldeirão Furado, te esperando. Aí, ouvi os gritos e saí para ver o que estava acontecendo. Mas vamos deixar esses detalhes de lado. Precisamos fazer algo com esta moça. Qual o seu nome?

- Lola – fungou a mulher. – Eu não sei o que deu no Timmy. Ele é muito ciumento, só que desta vez ultrapassou o limite do suportável.

- Ok, Lola. Você vai fazer o seguinte. Vá até uma delegacia e procure ajuda. Não deixe isso ficar assim. É importante denunciar a agressão. Depois, vá até sua casa e, se puder, dê um tempo fora. Fique com alguma amiga até que as coisas se ajeitem. Certo?

- Como eu vou até uma delegacia? – choramingou.

Draco estalou os dedos e logo surgiu um táxi. Piscou para Gina com a intenção de auxiliá-lo a disfarçar que conseguira isso por magia.

- Olha que sorte! Um táxi! Tome aqui algum dinheiro – disse, retirando do bolso uma quantia cujo valor Gina nem suspeitava. – Deve ter o suficiente para você pagar essa viagem e mais a viagem até a sua casa. Avise a polícia onde aconteceu tudo. Tenho a impressão que vai dar tempo de os homens chegarem aqui antes que ele acorde – e a encarou de súbito. – Ou você quer que eu te acompanhe?

A mulher enxugou as lágrimas. Agradeceu, acrescentando que poderia se virar sozinha na delegacia. Assim que o táxi partiu, Gina se virou para o rapaz.

- Depois daquela discussão, achei que nunca mais te veria. Faz uma semana que você não dá as caras.

- Não sou de guardar rancor – sorriu. – Trouxe um presente para você. Não queria perder a chance de te encontrar no Caldeirão Furado e fazer uma surpresa.

- Você me surpreendeu mesmo. – retribuiu o sorriso. - Fiquei feliz de você ter aparecido. Não somente porque você ajudou aquela mulher, mostrando como consegue ser solidário. Mas porque eu já estou muito acostumada com a sua, hummm, “companhia agradável”. Eu não queria perdê-la de jeito nenhum.

- Gina Weasley, isso são modos?! Foi por causa dessa expressão que a gente discutiu e olhe você repetindo essas palavras.

- É uma piada de risco. O Fred e o Jorge vivem fazendo isso. Mas entenda que eu quis tirar sarro de mim. Se você não gostou, vou enterrá-la para sempre.

Draco se aproximou e estendeu as mãos para arrumar a camisa de Gina que ficara desalinhada devido aos puxões que recebera da mulher. Ficou satisfeito de reconhecê-la. Era a que dera para a garota no aniversário passado.

- Pode usá-la, Gina. Quem não compreende seu humor, não merece ficar do seu lado. E permita-me dizer que você ficou linda nessa camisa.

A bruxa sentiu o rosto esquentar e recuou para não ficar tão próxima de Draco.

- Foi a que você me deu no ano passado.

- Eu sei! Vamos, mocinha elegante – disse, colocando uma mão em seus ombros enquanto caminhavam em direção ao Caldeirão Furado.

- Eu ainda não tinha usado ainda. Reparou que também coloquei os brincos que você me mandou quando eu estava no sexto ano de Hogwarts?

O rapaz não sabia do que se tratava. Nem poderia. Eram os brincos que Harry enviara para Gina com uma mensagem sem assinatura. O presente que comprara pouco antes de a guerra começar e que despachara com um bilhete em que escrevia que Gina era uma garota especial. A caçula dos Weasley não desconfiara que o admirador secreto era na verdade o apanhador da Grifinória, que até aquela ocasião não tinha se declarado para ela. Para Draco, porém, essa possibilidade logo se desenhou na mente. Decidiu esconder o palpite.

- Os brincos?! Claro, claro. Eles ficaram perfeitos! Ahn, eu trouxe outro par. Às vezes, sou repetitivo. Perdão. Mas você vai ver que o modelo é muito mais bonito – desconversou. – Não abra aqui. Melhor deixar para vê-los em sua casa. Não queremos atrair mais atenção do que atraímos hoje, não é?!

- Certo, Draco. Vamos tomar alguma coisa?

- Não posso, Gina. Eu lamento. Combinei de jantar com minha mãe e já estou atrasado. Tenho de ir.

- Quer aparecer em casa amanhã?

- É isso mesmo que estou ouvindo? Você está me convidando para te visitar em casa?

- Pode ir, se quiser. Não vai ter nada excepcional. Mas você será bem-vindo!

- Infelizmente não poderei. Só espero que isso não elimine meu nome da próxima lista de convidados. Ainda mais que eu não sou uma pessoa muito apreciada pelos teus irmãos.

- Esquece isso. Quem poderia ficar contra você depois do que fez hoje? Você mostrou que tem valores realmente importantes, Draco. Fiquei orgulhosa, sabe?! Bom, mas melhor ir. Ah, e quando a gente se vê de novo?

- Daqui a uma semana, Gina. Posso escrever para você e te convidar para um chá inofensivo?

- Lógico – sorriu a jovem.

Despediram-se. Draco desaparatou e surgiu numa lanchonete com ar de abandono. Atrás do balcão, havia uma garçonete que fazia as unhas e um homem gordo com avental que via um jogo de futebol na TV. E nos fundos, uma mesa ocupada por três pessoas. O ex-capitão da Sonserina andou rapidamente para lá. Parou diante do grupo, enfiou a mão no bolso e sacou a carteira.

- Muito bem. A encenação foi quase perfeita. Exceto pelo fato de você ter tentado acertar a garota – vociferou, jogando um punhado de notas na mesa.

- Ela me agrediu primeiro. E eu não ia bater de verdade. Só queria dar um susto – resmungou Timmy.

- Você deve estar muito a fim dela, hein, bonitão – observou risonha Lola, com o rosto lavado e sem a maquiagem roxa que tinha utilizado no olho direito. – Nem achei que a mocinha valia tanto assim. Mas gosto é gosto.

Draco olhou com desprezo para Lola.

- Dispenso seus comentários.

- Não ligue para ela, chefe! Quando precisar de nossos serviços, estamos aí – cortou um homem de boné, o que se passara por um motorista de táxi.

- E se precisar de algum servicinho especial, eu posso ajudar – sorriu Lola, com malícia. – A ruivinha não tem jeito de ser muito ativa...

- Se algum dia for falar de novo nela, demonstre respeito – irritou-se. – Essa é a mulher que eu escolhi! Aliás, quer saber de uma coisa? Não precisarei mais dos serviços de vocês.

O rapaz se afastou, furioso, e os três começaram a dividir o dinheiro. Mal pegou sua parte, Timmy deu um safanão em Lola.

- Por causa da sua inveja, perdemos um bom cliente. Onde é que a gente encontra outro igual? Paga adiantado e completa o resto rapidinho.

- Você não guardou o endereço dele? O telefone?

- Quê? Essas caras com grana nunca deixam. Não tenho a menor idéia de quem é o sujeito. Que droga, Lola! Você estraga tudo – resmungou.




*****




Fazia um frio colossal naquele final de janeiro. Hermione esfregava as mãos enquanto olhava o quadro negro no qual o professor passava uma lista de poções que deveriam ser preparadas na aula seguinte. Anotou com cuidado e fechou a agenda com um suspiro. Acabara de ver o lembrete gritante que colocara para aquele dia. “Escrever uma carta para o Rony”. As letras mudavam de cor e tamanho constantemente, obrigando-a a pensar na mensagem. A de Harry já estava pronta havia dias. Mas onde encontraria coragem para perguntar ao rapaz ruivo tudo o que desejava?

- Mione, esta é a segunda vez que te chamo! Que tal me ensinar hoje à noite a fazer a poção que cessa a hemorragia em troca da fórmula que limpa os ouvidos? – perguntou debochada uma aluna da sala de Hermione.

- Desculpe, Sarah. O frio me desconcentra. Ahn, eu não vou poder te ajudar. Tenho algo pra fazer nesta noite.

- Humm. Vai sair com o Krum? Que chique que você é. É amiga do Harry Potter e namora um jogador de seleção! É verdade que bem podia ser da nossa seleção! Mas já está bom demais. Ele é famoso, está fazendo o nome dele e ganhando dinheiro. Quem quer mais do que isso, um marido bacana e rico?! Ele vai poder te dar tudo e mais um pouco.

- Nem penso nisso. Poderia me casar com alguém sem tanto dinheiro que não me incomodaria.

- Enlouqueceu? Prefere um zé-ninguém a um cara como o Krum? Não me interprete mal. Eu não sou esse tipo de pessoa que só pensa em dinheiro. Mas convenhamos se o marido é rico, melhor – e riu, fazendo piada. – Eu não quero saber de pobre! De pobre, basta eu.

Hermione pensou nas vezes em que Rony parecia se sentir bastante incomodado por não ter condições financeiras favoráveis.

- O meu amigo Rony, por exemplo, não tem dinheiro. Mas é uma pessoa incrível. Ele vale pelo que ele é!

- Claro que sim! Um sujeito como ele pode até servir para namorar, mas para casar, tem de ser do Krum para cima – e soltou outra risada. – Olha só o que eu estou dizendo? Como se fosse possível trocar o Krum pelo Rony. Ai, eu sei que ele é seu amigo e que eu só o vi pelas fotos nos jornais. Mas vamos ser sinceras. O Rony pode ser um herói nacional, só que não tem nem metade do charme do Harry. Imagine se for comparado ao Krum? Nossa, ele é meio largado... Não, certamente, ninguém em sã consciência faria tal troca.

Aquilo mexeu com os brios da estudante.

- Também não é assim! O Rony é apaixonante. Você só disse isso porque não o conheceu. Se conhecesse, aposto que iria ficar apaixonada – disparou. Em seguida, mordeu os lábios. – Não. Melhor que você não o conheça.

Hermione deixou a colega ainda na sala. Desaparatou de St. Mungus indo parar em seu quarto. Jogou sua bolsa na cama, dirigiu-se à escrivaninha e pegou a pena e um pergaminho. Sabia que tinha mais aquela noite para escrever. No dia seguinte, o correio dos exilados seria aberto. Dumbledore já avisara aos Weasley que as mensagens deveriam ser encaminhadas à agência central bruxa da Lapônia, onde Edwiges e Pichi se encontrariam com Errol e Fawkes para trocar os pacotes com recados. Como sempre fazia, a garota teria de enviar suas mensagens para a Toca e de lá partiria Errol, carregando as cartas da família e as suas. Influenciada pelo diálogo que travara com a colega do curso de medibruxaria, resolveu partir logo para o “ataque”. Escreveu sem parar.

“Oi, Rony. Como vai? Comigo, está tudo bem. Com minha família, também. Meu curso vai de vento em popa e tiro notas excelentes. No verão, fez calor. No inverno, fez frio. Reparou que nossa correspondência é sempre assim? Trata de amenidades como se fôssemos dois vizinhos na sala de aula. Eu sei que nós fomos exatamente isso. Mas eu achei que alguma coisa tinha mudado entre a gente. Imaginei que nossa correspondência seria mais... profunda. Enfim, vamos falar de nós! Vamos falar de coisas que não falamos. Por exemplo, já saiu com alguém? Você se interessou por uma dessas caras novas que deve estar conhecendo nessas andanças? Por que nunca fala disso nas suas cartas? Não confia em mim para se abrir desse jeito? Bom, eu confio em você e vou me abrir. O Vítor continua sendo meu namorado (aliás, você nunca pergunta como vai meu namoro. Qual a razão?). Esses dias, ele veio até mim com um anel de presente. Não era um anel qualquer. Era um de noivado. O Vitor quer se casar comigo. Na hora, eu tomei um susto. Apesar do nosso longo namoro, não ficamos muito tempo juntos. Ele tem os compromissos profissionais e eu tenho o curso. Acho que por isso nunca tinha pensado em me casar com ele. De verdade. É difícil essa situação. Eu gosto do Vitor, mas não o amo. Venho descobrindo isso pouco a pouco. Não sei como te explicar, só que eu sinto que ele não é o homem para mim. Minhas colegas de curso vão querer me matar. Elas vivem comentando que ele é gentil, bonito, bem de vida. Porém, na minha opinião, além do sentimento, o importa mais num relacionamento é a cumplicidade. Já confessei que não amo o Vitor. Confesso também que não sinto que ele seja meu cúmplice. Cúmplices eu tive em Hogwarts: você e o Harry. Harry é como meu irmão. Você? Não sei dizer. Voltando ao assunto, o Vitor está aí, apaixonado e querendo se casar comigo. Meus pais gostam da idéia, minhas colegas aprovam, o mundo parece querer que eu responda sim. Você conhece algum motivo que me leve a responder não? Seja sincero, Rony. É só isso que peço. Um abraço.”

Assim que terminou de ler o que escrevera, Hermione enrubesceu. Pronto, tinha dado um passo. Deixava nas mãos dele a resposta que daria a Vitor. Selou a carta e com a varinha na janela convocou uma coruja bruxa. Ela veio em menos de um minuto. A garota retirou uma moeda e a colocou numa bolsinha pendurada na ave. Deu inúmeras recomendações para que sua mensagem chegasse direito à Toca. Viu a coruja se distanciar. O coração batia apressado. “Será que o Rony está tão preocupado com o correio quanto eu? Capaz que não! Aquele monstro insensível”, disse em voz alta, procurando brincar para relaxar.

Mas Rony estava realmente preocupado. Matutava que dentro de mais algumas horas, Pichi sacudiria as asas diante de sua janela, cobrando as cartas. O rapaz enfiou os dedos na cabeleira. “Por mil dragões, como é difícil escrever o que eu quero”. Os dias passados ao lado de Dieter Gutmann vinham sendo ótimos, mas recentemente algo o incomodara. Depois de ouvir o alemão falar em Anya mais uma vez, o ruivo tentara fazer uma piada. “Isso que é amor, herr Gutmann! Se dependesse do senhor eu só conheceria um nome feminino, Anya. Nem o primeiro nome da sua mãe você cita”. O alquimista abriu um largo sorriso em sua cara redonda. “Eva! Eva Gutmann. Um belo nome, assim como Hermione, que você está sempre declinando. Por sinal, também não sei como se chama sua mãe”. Harry dera uma gargalhada com o comentário e Rony afundara na cadeira. Não adiantara justificar-se respondendo que vivia falando em Mione porque sentia falta da ajuda que ela lhe dava com os trabalhos de Hogwarts. Até McKinley disfarçara uma risadinha. “É só isso. Qual é? Não acreditam em mim”, perguntara já roxo. Os três tinham balançado a cabeça negativamente e voltaram a gargalhar. Isso o fez pensar que, de fato, Hermione não saía de seus pensamentos.

O pergaminho continuava em branco. Depois de rememorar os acontecimentos, Rony tomou a decisão de contar o que se passara. Relatou tudo o que podia. Desde o dia em que chegaram à casa de Dieter até o dia em que todos se riram dele por pronunciar o nome de Hermione em excesso. Após esse trecho, Rony embatucou. Olhou pela janela. “E se para ela isso for simplesmente patético?” Sem achar a resposta, optou por continuar a mensagem no mesmo espírito com o qual a iniciara.

“Mione, você sabe, às vezes eu exagero um pouco. Se eu tivesse ficado calado depois da brincadeira do alemão, tudo bem. Mas dei uma esquentada desnecessária e virei motivo das chacotas. Só que – andei pensando – eles até que têm razão. Claro que sua ajuda seria muito importante para mim. Ao seu lado, eu me sinto até mais inteligente. Porém, eu não preciso do seu auxílio para continuar meu treinamento. Estou dando conta disso e, creio, você ficaria orgulhosa do meu progresso. O que está pegando mais é a falta que eu sinto da sua companhia. Tem dias que a sua ausência me desnorteia. É como se eu precisasse de você todos os dias. Não é maluco isso? Você vivia brigando comigo, me dando duras... mas até disso eu sinto falta. Juro que eu não queria sentir essa coisa estranha que me bate de vez em quando. Querer, infelizmente, não é poder. Espero que você esteja bem. Porque se você estiver, eu estarei! Com saudades, Rony”.

O jovem bruxo abriu a janela e assobiou para chamar Pichi. A coruja surgiu num segundo, agitada como sempre. Rony pegou seu pacote de cartas, acrescentou a que acabara de escrever para Hermione e apontou o dedo em riste para o pássaro.

- Pichi, vou te entregar as mensagens agora que é para ninguém descobrir que eu escrevi para a Hermione. Pode ser bobagem da minha parte, mas quero me preservar. Ok? E vê se não perde minha correspondência porque esta é especialmente importante. Tenho certeza que na hora em que vocês trocam as mensagens, a Edwiges nunca se atrapalha. Por isso, olha lá, hein, Pichi.




*****




A noite estava coalhada de estrelas e não havia lua. Mas estava bonita. Era essa a impressão de Harry, armado com uma fumegante caneca de chocolate para enfrentar o frio no jardim de Dieter Gutmann. Ficou sentado num banco durante bons minutos até que o anfitrião apareceu.

- Ora, ora. Gosta de observar as estrelas mesmo quando a temperatura está baixa, hein, rapaz?!

- Não é sempre, herr Gutmann. Mas hoje fiquei com vontade.

O homem deu um de seus largos sorrisos.

- Seu amigo está no quarto. Deve estar escrevendo para a tal garota. McKinley me contou que é amanhã que suas corujas poderão buscar a correspondência. Ele também foi se dedicar às cartas. Você não?

Harry ergueu a cabeça em direção às estrelas. Seus olhos verdes brilharam.

- Se o senhor tivesse me perguntado isso no dia em que cheguei, a resposta seria não. Diria que não tenho ninguém para quem escrever.

- Ah é? E a resposta agora é outra?

- Sim. Ouvir o senhor se referir com tanto carinho à sua esposa me fez pensar num certo... aspecto da minha vida.

- Humm, o aspecto seria uma garota?! – inquiriu Gutmann, curioso. – Se for, vai ser uma surpresa. Você nunca fala nada a respeito.

O rapaz levantou-se do banco e caminhou pelo jardim, sem se afastar do alquimista. O alemão confiara a eles segredos da Ordem. Por que não lhe confiaria seus segredos?

- Não falo porque hoje não tenho nada com ela. E isso me afeta bastante ultimamente. Essa garota é a irmã do Rony. Ninguém sabe disso, nem ele.

Os olhos pretos de Gutmann ficaram tão abertos que se assemelharam aos de sua coruja.

- Eu não imaginaria. Por que não conta para o Rony? Ele ficaria contente de saber que a irmã dele e seu melhor amigo estão juntos.

- É que quando eu comecei a gostar da Gina, o Rony não queria que ninguém se aproximasse dela. E eu estava marcado pela profecia que ligava meu destino ao de Voldemort. Não tinha como ficar com alguém porque essa pessoa poderia correr riscos. Então, durante muito tempo, escondi o que eu sentia por ela. Foi uma fase difícil! E praticamente não tivemos nada. Exceto um beijo. Errr, é embaraçoso falar disso. Mas vou resumir. Bom, depois de muita confusão na minha vida sentimental, teve a batalha na campina perto de Hogwarts. Foi quando percebi que meu sentimento pela Gina era muito mais forte do que eu queria aceitar. Voldemort invadiu o meu corpo e me obrigou a atingir Dumbledore com uma maldição imperdoável. Não deu para evitar e a lancei. Apesar de não eu estar preparado para essa magia, feri o professor. Em seguida, Voldemort quis que eu fizesse o mesmo com a Gina. Consegui resistir porque vi que eu amava aquela moça. Era impossível me obrigar. Ofereci minha vida em troca. E isso me salvou. Voldemort não suportou a energia que liberei.

- Depois de um momento desses vocês só poderiam ficar juntos. Ficaram?

- Não. Essa luta foi terrível. Perdemos o Hagrid. Ele era meu amigo e eu tenho um carinho especial por esse cara – respondeu com a voz embargada. – Ainda dói me lembrar do que aconteceu. O resultado é fiquei louco. Queria vingança de todo jeito e resolvi que tudo mais ficaria de lado.

Gutmann fez uma careta. Era claro que tinha achado uma péssima idéia.

- Calculo que tenham te dito que a vingança é um caminho perigoso.

- Sim. Disseram. Até a Gina falou isso.

- Garota sensata. Gostei dela – sorriu o homem.

- Pois é. Eu é que sou cabeçudo. Mas na véspera do meu 18º aniversário, finalmente nos acertamos. Abandonei o plano de vingança temporariamente por causa dela. Teria feito qualquer coisa que a Gina pedisse. Mas Voldemort voltou e acabou com meus projetos. Ele e Belatrix acabaram com tudo... – e a voz de Harry morreu na garganta.

O silêncio durou segundos.

- Err, ainda não entendi por que hoje vocês não estão juntos.

- Nós brigamos. Eu estava transtornado e discuti com a Gina por uma bobagem. Infelizmente, só percebi que era bobagem mais tarde. Naquele dia, ela me puniu de um modo bastante duro. Jogou o que eu sentia por ela no lixo. Gina é um doce, mas quando esquenta... – comentou, com um sorriso triste. Prosseguiu após pigarrear, uma maneira de aliviar o bolo formado na garganta. - Depois de Nephasta, minha vida ficou de cabeça para baixo. Herr Gutmann, o senhor não tem idéia como é difícil agüentar as pancadas que eu levo. Não sei porque o universo me odeia tanto. O que eu sei é que, com todas as voltas que o planeta deu, com todas as porradas que tomei, com todas as dores que tive de suportar, nada altera um aspecto da minha vida: que meu coração pertence unicamente a essa moça. É mais ou menos como a sua história com Anya. A diferença é que eu acabei sozinho.

- E o que você vai fazer para resolver isso, meu jovem?

- Escrever. No semestre anterior, eu mandei uma carta para a Gina pedindo desculpas pelas minhas burradas. Ela não respondeu e eu fiquei arrasado. Talvez eu tenha provocado mágoas demais. Vou tentar mais uma vez e espero sensibilizá-la desta vez. Alguma resposta eu mereço!

- Muito bem, Harry! Se ela gostar de você a metade do que você gosta dela, vocês vão reatar.

- A Gina gostava de mim. Como fui duvidar disso naquele dia? Burrada. Outra burrada. Sabe, acho que o gesto que me fez desconfiar dos sentimentos dela só pode ter sido uma reação à minha estupidez. Deve ter sido isso. Não é?! E também teve o meu orgulho que me impediu de esclarecer as coisas. Só que eu não sou mais assim. Eu melhorei muito, herr Gutmann. Amadureci. Percebo as mancadas. Estou disposto a corrigir os erros. Meu único medo é ter demorado demais para agir. E se algo mudou para ela?

- Fará essa pergunta na carta?

- Sim. E vou reafirmar o que sinto.

- E quando vai contar para o Rony o que se passa entre vocês dois?

- Depois da resposta dela. Se for a que espero.

Dieter Gutmann lançou-lhe um olhar carinhoso, de pai.

- Será, Harry. Muito do que você falou agora me lembra minha história com Anya. Também demorei para me acertar com minha querida. Mas depois disso, ficamos juntos. E estamos assim até hoje. Ela, em outra dimensão. E eu, aqui. Não importa. Um dia nos reencontraremos. Acredito que o mesmo vai acontecer com você e Gina. O destino não pode ser tão cruel.

- Tomara que não. Tomara – respondeu Harry. E ergueu seus olhos verdes mais uma vez para as estrelas.















































Nossa, formatar um texto tão longo dá trabalho. Bom, aguardem para esta semana a continuação do capítulo mais longo desta história... Sorry, people. Mas eu precisava colocar alguns detalhes para justificar certas coiss. Bjs.

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