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7. CAPÍTULO VII


Fic: Sexy Demais Para Casar - UA - HH


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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**RE**: garanto q ele naum vai fikar nem um poko feliz... e também naum vai deixar simplesmente passar...
camila de sousa: é ótimo saber que está gostando... a Parvati é msm uma figura, né?!?
Nick Granger Potter: é muito bom saber q vc continua aki... bem, suas perguntas esse e o próximo capítulo respondem... realmente, TCC acaba com a vida da gente, né??? me add lah...

Ufa! Finalmente!!! Desculpe a demora pra postar... tava terminando meu TCC... entreguei o último relatório ontem... agora é só fazer as correções... como tô de folga, vou adiantar a adaptação das fics, e prometo postar pelo menos a cada dois dias... como "Lorde do Deserto" tah acabando, vou postar uma nova até o fim de semana...
Mas chega de falar... Vamos ao post...
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— Ai! — Harry protestou, ao cair no chão. — Por que fez isso?
— Você tem de ir embora — Hermione insistiu, ajeitando a roupa amarrotada.
— Ir embora? — ele repetiu, confuso. — Está brincando, certo?
— Não.
Ela se levantou de um pulo.
A situação fugira ao controle, e ela permitira que aquilo acontecesse. Deixara-se levar pela paixão. E algo mais.
Havia se apaixonado por Harry Potter. Um homem que valorizava a honestidade, não tolerava mentiras, reprovava apostas e detestava surpresas. Um homem que acreditava que ela fora honesta com ele. Um homem que nada sabia sobre a aposta incriminadora que Hermione fizera com Severus.
Não havia a menor possibilidade de que o honrado Harry compreendesse que ela o seduzira apenas para provar sua ca¬pacidade de conquistar homens. Mais do que nunca, Hermione desejou ter simplesmente ignorado Severus e seu desafio infantil.
Porém, ela agora via-se forçada a aprender uma amarga lição: apostas e romance não combinavam.
Sentado no chão, Harry a fitava com ar desconfiado.
— Qual é o problema? — perguntou.
— Não posso fazer isso. Talvez seja melhor não voltarmos a nos encontrar.
— Isso só pode ser uma brincadeira de mau gosto! — ele declarou com impaciência, antes de se levantar. — Um minuto atrás, você estava se entregando por inteiro para mim. Vai dizer que imaginei sua reação as minhas carícias? Que foi forçada a continuar até o fim?
— Não — Hermione desviou o olhar. — Sinto muito. Não posso explicar.
— Tente.
Hermione não poderia tentar, pois estava ocupada demais com a tentativa de não chorar diante de Harry, para ser capaz de explicar alguma coisa. Além disso, explicar significaria contar-lhe a verdade, o que ela não faria por nada no mundo. Sabia que estava agindo como covarde mas, naquele momento, não suportaria ver a censura nos olhos dele. Assim, disse o que, com certeza, o faria ir embora dali, depressa.
— Estou apaixonada por outra pessoa.
Como esperava, dois minutos depois, Harry se fora. Ele nem mesmo bateu a porta. Ao contrário, fechou-a com cui¬dado controlado.
— Ligue mais tarde — Parvati balbuciou ao telefone.
— Não desligue! — Hermione gritou do outro lado da linha, sentando-se na cama. — Preciso de sua ajuda.
— Sabe que horas são?
Hermione consultou o relógio de cabeceira.
— Sete horas da manhã.
— De domingo, meu dia de folga — Parvati gemeu.
— Você me telefonou ontem, às sete.
— O que é isso? Pura vingança?
— Não. Puro pânico.
— Não gostei de ouvir isso — Parvati resmungou. — Ao que parece, trata-se de algo que vou compreender melhor depois de ter ingerido uma boa dose de cafeína. Espere um instante enquanto vou apanhar o telefone sem fio... Pronto. Estou me dirigindo para a cozinha. Já liguei a cafeteira. Até que o café esteja pronto, tente começar pelo início e fale devagar e com clareza. Lembre-se de que está falando com alguém prestes a entrar em estado de coma.
— Está tudo terminado — Hermione anunciou em tom dramático.
— É esse o início?
— É o fim.
— Eu disse para começar pelo início.
— Não voltarei a me encontrar com Harry. A situação fugiu inteiramente a meu controle. Eu jamais deveria ter concordado com essa aposta. Acho que fiquei temporariamente louca.
— Não creio que essa defesa seja aceita em um tribunal.
— Não me fale em tribunal! Isso me faz lembrar de Harry.
— Esqueça o início — Parvati decidiu. — Vamos direto ao ponto. O que está acontecendo?
— Vou desistir da aposta.
— Não pode fazer isso! Se desistir, vai perder.
— Não me importo.
— É fácil falar, quando não se tem quinhentos dólares em jogo!
— Não deveria ter apostado tão alto, se não pode dispor dessa quantia.
— Quem é você? Representante dos Apostadores Anônimos? — Parvati retrucou, irritada. — Falo sério quando digo que você não pode desistir. Todas as mulheres da WMAX estão contando com você. Faz idéia do inferno em que Severus vai transformar nossas vidas, se você desistir, agora? Nunca mais teremos paz. E não é só isso. Ele vai espalhar rumores sobre como a apre¬sentadora do programa sobre relacionamentos mais ouvido em Chicago não é capaz nem sequer de cuidar de sua própria vida amorosa. Estou lhe dizendo, não pode voltar atrás.
— Parvati, ouça. Não posso continuar com isso.
— Algo aconteceu, ontem à noite. O que foi? Harry não atacou você, atacou?
— Não. Se houve algum ataque, foi de minha parte.
— Ele protestou?
— Não.
— Então, não foi ataque. Foi sedução.
Bem, era verdade, mas havia mais. Harry roubara seu coração.
— Acontece que não se trata mais de um jogo. A situação ficou séria. Acho que estou apaixonada por ele.
— E o que há de errado com isso?
— Tudo. Sabe o que ele disse? Que uma das coisas que mais admira em mim é minha honestidade.
— Ah, não! Não contou a ele sobre a aposta, contou?
— Não. Será que você não percebe? Eu o enganei desde o início.
— Nesse caso, espere alguns meses, ou melhor, alguns anos, antes de contar a ele. Tenho certeza de que vocês vão rir muito, quando contarem a história a seus filhos e netos.
— Pensei que pudesse manter a situação sob controle, mas vejo que me enganei. Estou perdida!
— Calma, calma. Conte-me o que aconteceu nas últimas vinte e quatro horas. Ontem você estava indo muito bem.
— Harry e eu terminamos a noite em meu sofá.
— Qual é o problema?
— Eu gostei.
— É bom ouvir isso.
— Gostei demais.
— Acredite, é impossível gostar demais desse tipo de coisa.
— É possível quando seu coração corre perigo.
— E o que você fez?
— Disse a ele que não poderia voltar a vê-lo. E contei outra mentira: disse que estou apaixonada por outra pessoa. Para encobrir minha primeira mentira, tive de inventar a segunda. Pensei que não fosse doer, mas está doendo muito.
De maneira surpreendente, Parvati conseguiu compreender o que se passara.
— Meu Deus! É pior do que eu pensava. Apaixonar-se por ele não fazia parte do plano, garota.
— Pensa que não sei disso?
— Tem certeza de que não são apenas seus hormônios fa¬lando mais alto? Afinal, você o conhece há pouco tempo.
— Lembra-se das brincadeiras que costumo fazer com os ouvintes, sobre amor à primeira vista?
— Claro.
— Pois bem, desta vez, a brincadeira é comigo mesma. E não estou achando a menor graça.
Hermione estava prestes a explodir em lágrimas. A voz de Parvati tornou-se mais gentil.
— Acha que ele não compreenderia, se você lhe contasse a verdade?
— Não. Acredite, Harry não acharia engraçado. O conheço o suficiente para saber disso. E ele acabaria descobrindo tudo. Não tive escolha. Precisava pôr um fim na história, antes que danos maiores fossem causados.
— Mas, se ele for o homem de sua vida... — pela primeira vez, Parvati pareceu incerta.
Hermione teve vontade de esconder a cabeça sob o travesseiro e chorar.
— Talvez sejam apenas os hormônios, afinal — murmurou.
— E talvez a terra seja quadrada. Não acredito nisso.
Hermione suspirou.
— Nem eu.

— Você está sintonizado em "Amor no Ar" e nós vamos conversar com Annie, de Aurora. Vamos lá, Annie.
— Estou ligando para falar de um rapaz que mora em meu edifício. Na primeira vez em que o vi, no elevador, tive a certeza de que ele era o homem de minha vida. Sei que você não acredita em amor à primeira vista...
Hermione lançou um olhar furioso para Parvati, através do vidro que separava as cabinas. Como se já não fosse difícil enfrentar aquela segunda-feira, agora ela ainda tinha de suportar as alfinetadas de sua produtora.
— Bem, Annie, na verdade, mudei de idéia com relação a essa questão. Agora, sinto-me inclinada a admitir que, talvez, exista mesmo amor à primeira vista. Portanto, você se apaixonou por esse rapaz na primeira vez em que o viu. Seu coração disparou, e você sentiu algo parecido com um nó no estômago — Hermione passara a conhecer muito bem tais reações. — Qual é o problema?
— Acha que é mesmo amor o que sinto por ele?
— Só você pode saber. Conte-me o que está sentindo — Hermione pediu, enquanto digitava em seu terminal de compu¬tador: Você é uma mulher morta, Parvati!
Ao mesmo tempo que prestava atenção aos comentários da ouvinte, Hermione refletia que Parvati selecionara aquela ligação pro¬positadamente, na esperança de fazê-la mudar de idéia quanto a se encontrar com Harry de novo e não desistir da aposta.
Depois de Annie explicar com detalhes tudo o que seu amado a fazia sentir, Hermione sentiu-se obrigada a admitir que ela e a ouvinte estavam sofrendo dos mesmos sintomas.
— Ao que parece, você o ama de verdade, Annie — falou, assim que a outra fez uma pausa.
— Estou apavorada, pois há uma coisa sobre mim que ainda o contei a ele — Annie confessou com voz trêmula.
— O que não contou?
— Que, na verdade, sou um homem.
Hermione recuperou-se a tempo de acionar a fita com um "Ah, não!" gravado, antes de dizer:
— Bem, talvez isso seja mesmo um problema, Annie. Mas, como tentei explicar a uma amiga de raciocínio muito lento, um dia desses — fez uma careta para Parvati —, a verdade sempre vem à tona, de um jeito ou de outro. Boa sorte para você e
seu príncipe encantado, Annie.
Assim que os comerciais entraram no ar, Parvati abriu a porta da cabina.
— Juro que não sabia que Annie era homem. Espero que não pretenda usar isso contra mim — falou, antes de fazer mais uma tentativa de convencer a amiga a continuar com a aposta.
— Esqueça — Hermione interrompeu-a.
— Pense em tudo o que fiz por você.
— Estou pensando... em Omar, em você no restaurante, pouco antes de minha colisão com o carrinho de sobremesas...
Sem saber o que dizer, Parvati deu de ombros e voltou à cabina de produção.
— Estamos de volta com... — Hermione verificou seu ter¬minal de computador — ...Bob, de Burbank. No que podemos ajudá-lo, Bob?
— Antes dos comerciais, você falou sobre a verdade vir à tona. Fiquei me perguntando qual é a real importância da honestidade em um relacionamento.
— Depende das circunstâncias. Se ela lhe perguntar se pa¬rece muito gorda quando usa um determinado vestido, talvez a honestidade não seja a melhor opção. Mas, se ela perguntar se você está saindo com outra mulher, então tudo fica diferente.
— Está dizendo que honestidade não é necessariamente importante?
— Se você não tem medo da verdade, então não precisa se preocupar.
Hermione, porém, tinha medo da verdade. Também temia estar apaixonada por um homem que prezava o controle que tinha sobre a própria vida e detestava mentiras e surpresas.
— E quanto a detetives particulares? — Bob perguntou. — Acha justo uma mulher contratar um detetive para me investigar?
— Se você não tem nada a esconder, a investigação não revelará coisa alguma, além do fato de que você e sua parceira estão enfrentando um problema com relação a confiança mútua. Talvez seja uma boa idéia conversar com ela a respeito, Bob. Obrigada por ter ligado. — Hermione pressionou o botão para outra linha telefônica. — Alô, Sue, de Streamwood.
— Gostaria de saber por que os homens são tão sensíveis às críticas femininas. Não quero ferir os sentimentos dele, mas toda vez que saímos juntos, ele se comporta de maneira tão grosseira, que tenho vontade de morrer.
— Não morra, Sue. Precisamos de todos os nossos ouvintes sintonizados na WMAX. Que tipo de coisas ele faz?
— Fica muito irritado quando tento corrigir sua falta de boas maneiras. Diz que eu deveria aceitá-lo como é.
— Alguns especialistas dizem que os homens reagem mal às críticas femininas porque isso os faz sentir inseguros. Tente dizer a ele quanto aprecia homens com boas maneiras. Quem sabe, assim, você consiga convencê-lo, Sue. Agora, vamos falar com Val, de Vernon Hills. Você está no ar.
— Eu estava ouvindo seu programa quando você conversava com outro ouvinte, sobre detetives particulares. Contratei um detetive para investigar meu namorado e, agora, tenho medo de que ele fique zangado se descobrir.
— Por que você contratou um detetive?
— Meu namorado costuma sumir por uma semana e, quando aparece, não me diz onde estava. No início, tentei investigar eu mesma, mas ele me descobriu e tive de inventar uma porção de mentiras. Então, decidi contratar um profissional.
— Bem, Val, só posso dizer que certas coisas devem mesmo ser cuidadas por profissionais. Desejo-lhe boa sorte. E isso encerra nosso programa de hoje. Voltaremos amanhã, com "Amor no Ar", onde os relacionamentos são agitados, mas não abalados.
Tirando os fones de ouvido, Hermione massageou as têmporas. Que dia! E, ainda, teria de conversar com Severus. Resistindo à tentação de bater com a testa na mesa de controle, reuniu as anotações e artigos que sempre levava consigo para a cabina.
Quando não recebiam ligações suficientes para preencher o horário do programa, Hermione discutia diferentes aspectos dos relacionamentos amorosos. Para isso, mantinha-se atualizada sobre o material lançado sobre o assunto todos os dias. Naquela tarde, porém, não haviam faltado ligações.
A prioridade, agora, era desistir da aposta. Teria de falar com Severus antes que o programa dele começasse, uma hora mais tarde. Encontrou-o na lanchonete, comendo um sanduíche e fumando charuto, ao mesmo tempo.
— Severus, é proibido fumar neste edifício — lembrou-o.
— Por que não registra uma queixa na delegacia? — ele retrucou, rindo da própria piada.
— Precisamos conversar, Severus — Hermione anunciou, fran¬zindo o nariz por causa da fumaça —, sobre a aposta.
— O que tem a aposta? — Severus inquiriu de boca cheia.
— Acho que devemos suspendê-la.
— Quer dizer que admite que perdeu?
— Não. Acho que devemos considerar um empate e acabar com a aposta agora mesmo. Foi estupidez termos começado com isso.
Parvati certamente espalhara a notícia do que Hermione pre¬tendia fazer, pois um minuto depois, a lanchonete estava re¬pleta de gente: Linda, Connie, Miguel e muitos outros. O que Hermione imaginara como uma conversa particular, dava sinais de estar se transformando em um verdadeiro espetáculo.
— Estupidez? — Severus repetiu com uma gargalhada. — Se foi estupidez, então, por que todas essas pessoas apostaram tanto dinheiro?
— Não quero discutir com você, Severus.
— Será a primeira vez, em se tratando de uma mulher.
— Ora, deixe-me acertá-lo, ao menos uma vez! — Parvati gritou de um canto.
— Se não conseguiu ganhar Harry Potter, você perde, e eu ganho. Muito simples, não acha? Vocês, mulheres, precisam aprender a enfrentar a derrota como os homens, em vez de ficarem choramingando pelos cantos— tirou uma baforada do charuto e riu. — Você, especialista em relacionamentos amo¬rosos? Ora, vamos! Você não sabe nada sobre os homens. Vou lhe dizer por que perdeu a aposta: porque, quando chegou o momento, simplesmente, não sabia o que fazer!
— Ah, mas eu sei muito bem o que fazer — Hermione agarrou o charuto e arrancou-o da mão de Severus, antes de mergulhá-lo no café que ele bebia. — Pronto! Já fiz! Como já disse, é proibido fumar neste edifício.
— O que está acontecendo? — Bev perguntou, ao entrar na lanchonete.
— Estávamos discutindo o fato de que uma certa aposta acabou empatada, e todos receberão seu dinheiro de volta — Hermione respondeu.
— Parece boa idéia — Bev concordou.
— Só porque você estava perdendo — Parvati retrucou.
— Você ainda tem o dinheiro que lhe deram, não tem? — Hermione sussurrou ao ouvido da amiga.
— Bem, anunciaram uma liquidação na Nordstroms... — ao ver a expressão de pânico no rosto de Hermione, Parvati acres¬centou: — É brincadeira. É claro que tenho o dinheiro. Vocês aceitam cheque, não é, pessoal?
— Quero receber em dinheiro — Severus declarou.
— Certo. Vou até o caixa automático, lá embaixo.
— Iremos com você. Não vou permitir que fuja com nosso dinheiro.
— Não sou desonesta como você, Severus — Parvati argumentou, indignada.
Ele sorriu.
— Como posso saber?
Parvati e Severus ainda discutiam, quando saíram, seguidos pela maior parte dos apostadores.
— Fico contente que todos tenham reagido tão bem — Bev comentou, depois que os outros saíram.
— Não tive a intenção de causar problemas para ninguém — Hermione falou, sentindo-se embaraçada.
Afinal, a culpa era toda dela. Se não houvesse concordado com a aposta, nada daquilo estaria acontecendo. Ela não teria conhecido Harry nem se apaixonado por ele. Já sentia saudade, depois de um dia apenas.
Bev deu-lhe um tapinha nas costas.
— Sei que não queria causar problemas. Sem mágoas por eu ter apostado em Severus?
— Sem mágoas — Hermione concordou.
Como poderia sentir qualquer coisa, quando todos seus sen¬timentos concentravam-se em Harry e não davam o menor sinal de se tornarem menos intensos. Porém, ela estava determinada a superá-los.

— Pensei ter ouvido você dizer que a situação estava sob controle — Muriel queixou-se, de braços cruzados, sentada so¬bre a geladeira da lanchonete.
— E estaria, se esses dois tivessem um mínimo de bom senso — Betty replicou, irritada.
— Se não estou enganada, você deu bom senso em excesso a Harry, quando ele ainda era um bebê — Hattie lembrou-a.
— Aquele incidente não teve nada a ver com a separação dos dois — Betty defendeu-se. — Foi Hermione quem atrapalhou meus planos. Como eu poderia imaginar que ela teria uma crise de consciência?
— Não foi culpa de Hermione se nós a fizemos aceitar a aposta — Hattie corrigiu. — Nem se fizemos o táxi parar na porta da boate onde Harry toca. E, ainda, interferimos com a chuva...
— Chuva? — Muriel indagou. — Aquilo foi um dilúvio!
— Está com ciúme porque realizei a magia do tempo, que você nunca conseguiu aprender.
Betty parecia prestes a atacar as duas com sua varinha mágica.
— Essa discussão não nos levará a lugar algum. Precisamos nos concentrar no que devemos fazer, agora.
— Não acha que já fizemos demais? — Hattie inquiriu, vi¬sivelmente nervosa. — Sabemos que não devemos interferir.
— Unir uma pessoa a sua alma gêmea é bem mais difícil do que parece — Betty declarou, ainda irritada.
— Assim como sermos fadas-madrinhas de trigêmeos — Mu¬riel concordou, retirando de um dos bolsos do colete uma edição da revista USA Today. — Esse artigo diz que houve um au¬mento considerável no número de nascimento de trigêmeos. Como se não soubéssemos disso! Há décadas não tenho uma boa noite de sono.
— Betty ignorou a queixa.
— Darei uma semana aos dois. Se, até lá, eles não tiverem resolvido a situação por si mesmos, tomarei as providências necessárias.
— Ah, meu Deus! — Hattie estremeceu. — Não podemos fazer isso. Fazer chover é uma coisa, mas... e quanto às regras?
Betty deu de ombros.
— Regras existem para serem quebradas.
— Já quebramos uma porção de outras coisas — Muriel lembrou com um bocejo. — Talvez devêssemos acrescentar al¬gumas regras à lista.

Harry não comia naquele restaurante com freqüência, pois ficava muito longe do tribunal. Naquele dia, porém, recebera um telefonema urgente dizendo-lhe que se encontrasse com o chefe da promotoria, ali. Assim, lá estava ele.
Era possível que o assunto fosse sua promoção. Apesar da distração momentânea provocada pela maluca com uma decla¬ração de amor escrita nas pálpebras, Harry conseguira fazer um discurso de encerramento convincente. Os jurados haviam chegado ao veredicto de culpado.
Pensar em distrações, naturalmente, levou Harry a lembrar-se de Hermione. Poderia ter jurado que ela era honesta a toda prova. E tinha certeza de que ela o queria. Por que outra razão teria reagido as suas carícias com tamanha intensidade? Tal reação não indicava que ela pudesse estar interessada em outra pessoa. O que estaria acontecendo, de fato?
Harry não era o tipo de homem que perde tempo, sonhando com uma mulher. Seu senso prático não lhe permitia aquilo. Geralmente, quando queria uma mulher, ela era sua.
Porém, não havia nada de comum em Hermione. A primeira vista, não tinha nada de especial, mas a voz dela o fizera olhar pela segunda vez. E Harry gostara muito do que vira.
Os relacionamentos que tivera até então haviam sido calmos e controlados. Nada de paixões ardentes. Não estava acostu¬mado a lidar com mulheres que, de repente, encontravam-se atoladas em chantilly, ou que tentassem levá-lo a uma roda-gigante. A alegria de viver de Hermione o fizera pensar no que havia perdido, ao longo de todos aqueles anos.
Sentia falta dela e a queria de volta. Desejava-a mais do que nunca. Hermione fora como um sopro de brisa da primavera em sua vida metódica.
Quando ouviu a voz dela, pensou que viesse de algum rádio, ligado por perto. Então, deu-se conta de que vinha da mesa ao lado, separada da sua por uma grande jardineira. Através da folhagem densa, era possível perceber-lhe a agitação.
— Eu disse que essa aposta não era boa idéia — Hermione dizia.
— Você poderia ter ganho a aposta e, ainda, conquistaria o solteiro mais sexy de Chicago, se não houvesse entrado em pânico — retrucou outra voz feminina.
Ganhar? Harry sentiu o sangue gelar em suas veias. Alguém havia apostado que Hermione não seria capaz de ganhar o sol¬teiro mais sexy da cidade? Lembrou-se de que ela lhe pergun¬tara o que achava de apostas. Na ocasião, Harry não dera importância à conversa, mas agora...
— Você venceu as etapas um e dois, jantar fora e patinar — a outra mulher continuou. — Só faltou beijá-lo na roda-gigante, mas você estava prestes a conseguir, quando aquele temporal desabou e estragou tudo.
Harry lembrou-se com clareza de quanto Hermione insistira para que fossem até Navy Pier e subissem na roda-gigante. Acreditara ser mais um exemplo da natureza espontânea de Hermione. Porém, tratava-se de um exemplo de quanto ela podia ser diabólica.
Ao longo de todos aqueles dias, Harry pensara que Hermione era diferente das outras mulheres, que o viam como mero pe¬daço de carne. Pensara que ela tinha algo a lhe ensinar sobre a vida. Ora, ela o ensinara, sim, de que ele era um idiota e que ela não passava de uma grande mentirosa. E tal lição ele certamente não esqueceria. Nem perdoaria.
— Então, você e Harry foram para sua casa e se atiraram no sofá, o que deve ter sido ótimo para você, mas não contou pontos para a aposta — a mulher acrescentou.
Harry não tinha estômago para ouvir mais. Fora enganado de diversas maneiras. Teria Hermione se divertido ao contar para a amiga os detalhes do que se passara entre eles, no sofá?
Um outro pensamento ocorreu-lhe. Teria Hermione algo a ver com a presença dele ali? Talvez ela fizesse questão de que ele a ouvisse zombar do que acontecera.
O único motivo pelo qual Harry encontrava-se naquele res¬taurante era o recado que encontrara em sua secretária ele¬trônica, supostamente deixado pelo chefe da promotoria, di-zendo-lhe que o encontrasse lá. No entanto, o outro não apa¬recera. Agora, Harry sabia por quê.
Se tivesse o hábito de apostar, apostaria que seu chefe jamais deixara recado algum. Mas, além de detestar apostas, não per¬doava mentiras com facilidade. Detestava ser feito de bobo, devido aos anos de brincadeiras de mau gosto que seu irmão costumava fazer com ele.
Depois de atirar algumas notas sobre a mesa, Harry saiu do restaurante. Em vez de um almoço de negócios, acabara engolindo um bocado indigesto de realidade.
O segundo golpe foi desferido à noite, quando Harry chegou em casa e deparou com o pai a sua espera... com uma pequena mala na mão.
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Continua...

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Comentários: 1

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Enviado por Diênifer Santos Granger em 06/12/2013

PUTA MERDA HARRY! ESCUTA A CONVERSA TODA!
OMG! OS PAIS DELES SE SEPARARAM! OMG! 

Nota: 5

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