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7. Surpresas de Natal


Fic: Labirinto


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Naquela manhã, Hermione acordou tarde. Ficara conversando até tarde com Gina. Por isso, demorou-se mais tempo na cama. Viu a amiga despertar, trocar de roupa e descer. Mas ela decidiu se dar o direito de ter preguiça. Não podia negar que sempre se sentia muito bem na Toca. Ter preguiça, por exemplo, não era comum em seus dias em casa. “Deve ser influência do Rony”, brincou. Então, visualizou o rosto do colega. Ele tinha deixado o cabelo crescer, para desespero da senhora Weasley, mas Rony não se abalou com a reação materna. Hermione achava que ele estava mais bonito assim. “Mais bonito? O Rony não é bonito”, pensou em seguida. Ela se deitou de bruços e ficou matutando. “Também não é feio”, concluiu. Àquela altura, ouviu a voz dele do lado de fora da casa.

- Fred, vamos montar dois times de quadribol. O tempo está limpando.

“Quadribol! Rony só se preocupa com quadribol”, bufou Hermione, ainda deitada. Para ela, o esporte era a única coisa a que ele dava realmente atenção. Principalmente nos últimos dias. Aborrecida, decidiu descer.

Na cozinha, encontrou Gina às voltas com um livro de receitas. Gui também estava lá, interessado num prato que a irmã acabava de descrever.

- Bom dia, Mione - cumprimentou a ruiva, alegremente.

- Bom dia. Eu ia me levantar mais cedo, mas me deu uma preguiça. Acho que fui contaminada pelo Rony.

- Coitado. Hoje ele acordou cedo - disse Gina.

- Ele achou que a nossa árvore estava muito simples. E foi até a mata tentar arranjar uma melhor - acrescentou Gui.

- Ele não podia ter feito alguns feitiços? - perguntou Hermione, servindo-se de café.

- Podia. Eu mesmo sugeri uns, mas ele não quis saber - respondeu Gui, mordendo uma maçã que tinha acabado de fazer aparecer.
Foi quando Rony surgiu esbaforido.

- Gui, o céu está claro. Dá para jogarmos uma partida de quadribol. Fred, Jorge e Carlinhos já estão nos esperando lá fora. Vamos, Gina? Oh, olá, Mione.

- Olá... - respondeu, azeda pela demora em receber o cumprimento.

- O que vocês estão combinando? - interrompeu Percy, que entrou na cozinha.

- Quadribol. O que mais? - adiantou-se Hermione, comendo o último pedaço de torrada.

- Ótimo, eu também quero jogar. Hoje acordei bastante disposto.

- Você? Mas você quase sempre recusa - espantou-se Gina.

- Bom, hoje não vou recusar.

- Desse jeito os times não vão ficar iguais - ponderou Gui.

- E quando isso foi problema nesta casa? - replicou Percy.

Rony fez uma careta. Queria uma partida equilibrada. Por um segundo, cogitou chamar seu pai. Outra idéia se formou em sua mente, entretanto.

- Mione, nunca te pedi nada, não é mesmo?

- Fora ajudar nas lições, você quer dizer.

- Bom, além disso, jamais te pedi qualquer coisa, certo? Que tal me dar um presente de Natal especial? - perguntou com os olhos brilhantes fixos na garota.

- O que você está pensando, Ronald Weasley? Não estou gostando desse seu jeito - respondeu.

Era mentira. Gostara bastante daquele olhar. E do fato de ele lhe pedir algo especial.

- Jogue quadribol com a gente!

- Acordar cedo não te fez bem. Que idéia sem pé nem cabeça!

- Ei, quem te contou que eu acordei cedo? Esquece. Joga com a gente, vai? Eu prometo que você vai gostar.

- Eu não sei voar direito. E eu não sou boa nem para fazer gol, nem para desviar balaço, nem para defender. Como eu sei que aqui vocês não usam o pomo, não vão precisar de apanhador. Ainda bem. Porque eu seria uma péssima apanhadora.

- Se você jogar as equipes vão ficar iguais. Olha, o Harry não está aqui e eu não queria recorrer ao meu pai...

- Ah, é por isso que você me chamou, então? Muito bem. Minha resposta...

- Não! Espera um minuto. Deixa eu me explicar - interrompeu o rapaz, colocando uma de suas mãos sobre a boca de Hermione.

Rony logo a retirou. Estava um tanto embaraçado devido ao gesto impulsivo. E ela também.

- Ok. No começo, foi isso aí que você disse. Mas agora, não. Eu quero mesmo te mostrar como o quadribol é gostoso. Eu sei que você vai acabar curtindo. É só pegar um pouco mais de confiança. Eu fico do seu lado.

- Como é que você vai ficar do lado dela se você é o goleiro? E se ela for parar no outro time na hora de sortear?

- É simples, Percy. Eu vou para onde a Mione for. E eu fico perto dela o máximo que puder. Para orientar. Depois, eu tenho certeza que ela vai se virar bem sozinha - respondeu o rapaz.

Os irmãos concordaram com a proposta. E olharam para a visitante, aguardando um sinal afirmativo. Ela hesitou. Estava encantada com o cuidado de Rony, mas temia fazer um papelão.

- Por minha causa, o time vai perder...

- Não me interessa se o time vai perder. O que me interessa é ganhar sua confiança. E ganhando sua confiança sei que a gente pode vencer.

- Está bem. Só não digam depois que eu não avisei.

Ela mal terminou a frase e Rony a agarrou nos braços, erguendo-a levemente enquanto dava urros de alegria. Ainda sem soltá-la, ele bateu a palma da mão na de Gui, Gina e Percy. Hermione sentiu a pulsação acelerar.

- Te assustei? Desculpa. Bom, eu te espero lá fora - disse, soltando-a.




*****




Hermione estava quase voltando atrás na resposta. Gina pegou uma vassoura e ganhou altura num piscar de olhos. Gui conjurou a sua e logo se instalou nela, voando suavemente. Carlinhos, Fred e Jorge atiravam a goles de um lado para o outro. Percy surgiu com a sua, reluzindo de tão limpa. A garota engoliu em seco. Rony se aproximou trazendo duas vassouras.

- Rony, eu a-a-acho que não vou conseguir. Não sou boa nisso.

- Relaxe. Subir na vassoura você sabe, não é?
Ela o olhou, aterrada. Ele se arrependeu da piada. Segurou na mão dela.

- Ei, eu estava brincando. Quando a piada é ruim, o melhor a fazer é esquecê-la. Use a minha. Eu pego esta reserva.

A garota subiu na vassoura e foi subindo: dois metros, dois metros e meio, três. Estava nervosa. Rony ficou do seu lado. Transmitiu-lhe algumas instruções de vôo e deu dicas do jogo. Hermione prestou atenção máxima às explicações, mas seu coração continuava batendo forte.

- Quer que eu te acompanhe no vôo? Encosta a sua vassoura na minha. Agora, a gente se senta sobre as duas. Primeiro, você. Vem que eu estou segurando.

Hermione se ajeitou atrás do rapaz da maneira que pode, apoiando uma das mãos no ombro dele. Por pouco não soltou um grito quando a vassoura oscilou, mas Rony virou o rosto para ela com um sorriso, lembrando-lhe que ele estava ali. Em seguida, o rapaz passou a perna sobre a outra vassoura. Não era muito confortável voar daquele jeito. Ele tinha de fechar as mãos em torno dos dois cabos ao mesmo tempo.

- Agora, nós vamos voar em círculos, para você pegar o jeito de comandar a vassoura. Coloque suas mãos sobre o cabo como eu estou fazendo.

- Isso eu sei fazer, Rony.

- Só que você não segura com a firmeza necessária. Vou colocar minhas mãos por cima das suas. Sinta.
Ela sentiu. As mãos dele estavam quentes e pressionavam com firmeza suas mãos.

- Tenho de fazer essa pressão?

- Tem, senão você não consegue controlar a vassoura direito. E sem controlar direito, não dá para fazer as manobras. Percebeu que não é questão de força? É de jeito. Olha como a Gina voa bem. E ela não deve ser mais forte do que você.

- Eu sempre fiz errado, então - disse, erguendo os olhos para o alto, onde a caçula Weasley fazia piruetas, sob a perseguição de Fred e Jorge.

- Bom, vou soltar suas mãos. E vou colocar as minhas um pouco mais para a frente. Quanto mais inclinar seu corpo sobre a vassoura, mais rápido ela vai. Preparada para controlar o vôo? Eu vou conduzir no começo e depois você comanda.

Rony se inclinou sobre a vassoura e pediu que ela fizesse o mesmo. Ao sentir o peso do corpo dela sobre o seu, sentiu uma onda de calor. Mas se concentrou para mostrar à amiga como voar direito. O rapaz fez curvas e depois um zigue-zague, ganhando altura sem chamar atenção para o fato. Aos poucos, ele afrouxou a pressão e deixou o comando com Hermione. Ela repetiu alguns dos movimentos de Rony e percebeu que podia sim, conduzir uma vassoura sem os solavancos aos quais estava habituada.

- Ah, se eu tivesse aprendido assim desde o princípio...

- Mione, não sei porque nunca pensei em te ensinar antes. Você tem jeito para o vôo.

- Você acha? Ou só está falando isso para eu não desistir do jogo?

Ele riu.

- Não percebeu ainda que isso vale muito mais do que um jogo? Eu estou conseguindo mostrar pra você porque gosto tanto disto aqui.

- Eu sempre soube que você gosta...

- Não é isso. Eu nunca consegui te mostrar o que eu sinto por... qualquer coisa... O lance do Perebas no terceiro ano foi mais ou menos assim. Eu queria te dizer que eu senti de verdade pelo sumiço dele, mas você não acreditou em mim.

- Eu acreditei. Juro.

- Mas custou, né?! Tudo bem. Eu não sou bom em me expressar mesmo. Que tal um mergulho?

- Não, a gente não está muito alto... Ohhh, a gente está muito alto! Rony, não estou pronta...

- Vamos dar mais uma volta e depois mergulhamos. Acompanhe o que faço que você vai aprender esse movimento. Ok? Confie em mim.
Hermione tremeu. Só que aceitou o desafio. Ela fez a vassoura voar em círculo e então sentiu que Rony assumiu o comando. Ele jogou o corpo ainda mais para baixo. Ela também se debruçou. As vassouras estavam com as pontas viradas para o chão e mergulharam. O vento frio zunia em seus ouvidos. E o solo se aproximava rapidamente. Mas a sensação era inebriante.

- Faz de conta que a vassoura é a extensão do seu corpo. Você pode controlá-la... E assim que eu me sinto quando estou voando. É ótimo. Queria que você sentisse o mesmo, Mione - disse o rapaz em meio ao mergulho.

A garota tinha a impressão de estar numa montanha russa. E nesse instante se libertou do medo. Era delicioso voar!

- Uhuuuuuuuuuuuuuuuuuu. Rony, eu sinto o mesmo que você - riu.
Sorrindo, o rapaz ergueu a ponta da vassoura e fez com que ela subisse. Aos poucos recuou o corpo, diminuindo a velocidade do vôo e baixando rumo ao solo. E logo ele e Mione aterrissavam.

- Quer tentar sozinha?

- Melhor do que isso. Acho que já podemos jogar.
Hermione subiu na vassoura e deu impulso com muito mais segurança do que no início. Assim que se juntou aos outros Weasley recebeu palmas.

- O Rony pode virar instrutor de vôo. Ele é bom nisso! - comentou Carlinhos.




*****




A partida já estava no final. Sem o pomo em disputa, os Weasley tinham estabelecido dois tempos de 25 minutos e um intervalo de dez para descansar. Rony, Mione, Fred e Gui jogavam na mesma equipe. Estavam perdendo, mas isso não os incomodava. Eles gargalhavam dos desvios extras que o goleiro era obrigado a fazer. Os meninos do outro time se divertiam em arremessar o balaço contra Rony, já que ele proibira os irmãos de atingir Mione.

- Mesmo com eles perdendo tempo com toda essa sacanagem, não estamos conseguindo vencer. Vamos lá, Mione. Força! - gritou Fred, arremessando a goles.

Hermione a capturou e tratou de girar para o lado esquerdo, buscando Gui. Gina correu até ela. Assustada, a garota lançou a goles. Mas sem força suficiente. Gui mergulhou para pegá-la e Jorge atirou o balaço contra ele. Porém Hermione não percebeu o movimento do gêmeo e mergulhou também. O balaço atingiu em cheio a ponta da vassoura da jovem. A vassoura girou para um lado com violência. Hermione gritou e tentou segurá-la, mas fez um gesto tão brusco que ela girou para o outro. Seus dedos escaparam do cabo e a garota perdeu o equilíbrio. Despencou de uma altura de seis metros. E do nada Rony apareceu, capturando-a no ar. Atitude nobre. Pena que tola. Carlinhos já estava com a varinha na mão para amortecer a queda da amiga. Rony sentiu uma fisgada forte no ombro no momento da captura, mas agüentou firme a dor. Puxou Hermione para sua vassoura e foi descendo até o chão, enquanto a segurava com firmeza pela cintura.

- O-o-brigada, Rony. Pensei que eu ia me esborrachar...

- Você não ia, Mione. Eu já estava pronto para lançar um feitiço de amortecimento. Mas tudo bem. O Rony tem mais pinta de herói do que eu - brincou Carlinhos.

- Cale a boca. Eu não fiz isso para bancar o herói. E se quer saber, eu me machuquei.

- Sinto muito. Ah, como eu sinto. O que posso fazer para ajudar?

- Não precisa fazer nada, Mione. Minha mãe cuida disso. Eu só queria que você tivesse gostado do jogo.

-Gostei.

- Mesmo com esse final?

- Sim. Você prometeu que eu ia gostar. E você cumpriu a promessa.

- Então a derrota e essa dorzinha chata valeram a pena. Com licença que agora eu vou procurar minha mãe para dar um jeito no ombro.
Hermione viu Rony jogar a vassoura para a irmã com o braço são e entrar correndo na casa. “Tem dias que ele é tão fofo”, suspirou.





*****




O jardim dos Chang era um dos orgulhos da família. Madame Kitty é quem se encarregava diretamente dele. Depois do almoço, Harry e Cho ficaram naquela área, conversando sobre a variedade de arbustos, flores e árvores do local. O que era muito melhor do que a “distração” da manhã. Uma sessão de fotografias para apresentar os parentes mais ilustres dos Chang, conforme Kim dissera. E também um passeio pelas alas daquele pequeno palacete bem situado em Londres. “Somos uma das poucas famílias bruxas que pode se movimentar bem pela capital. Estamos protegidos dos nossos vizinhos, que não percebem o feitiço de ilusão que circunda a casa”, explicou a mãe de Cho.

Tudo tinha sido um suplício para Harry até aquele momento. Mas passear pelo jardim estava sendo agradável. No começo, Kim esteve com eles, mostrando o pequeno lago que o avô de Cho criara quando a menina nascera. “Você deve ter notado como temos orgulho desta mocinha. Ela é realmente encantadora. Sorte do homem que se casar com ela”, brincara Kim, deixando o rapaz desconcertado. A mulher se despediu alegando que tinha compromissos agendados.

Quando finalmente Harry pensou ter visto cada pedaço verde do jardim, Cho o levou de volta ao lago. Lá se depararam com madame Kitty que alimentava as carpas com um movimento discreto da varinha. Aos pés dela, cinco gatos de cores diferentes.

- Só agora estou vendo os gatos. Eles não andam dentro de casa?

- Não. Minha avó tem mania de limpeza e não quer que nem mesmo eles circulem pela casa depois de terem passado o dia no jardim.

- Ué, ela não gosta de gatos?

- Mas Kitty gosta mais de limpeza, organização e disciplina. Não tolera bagunça. Não se preocupe com isso. Sabendo disfarçar bem, ninguém se dá mal com ela.

- Entendi a indireta.

- Ah, vá. Você não é um modelo de organização e disciplina. Você nem sabe o que vai fazer da vida.

- Eu sei muito bem. Vou ser auror.

- Auror? Você nunca me disse isso antes. Por que auror? Você tem condições de virar ministro da Magia um dia. Harry, você é realmente famoso e querido pelos bruxos.

- Só posso ser auror. É o meu destino.

- E quem disse isso?

- Eu disse. E nunca antes me questionaram a respeito da minha decisão.

- Talvez tenha faltado coragem às pessoas.

Harry ficou aborrecido, mas se conteve. A verdade é que Cho ainda estava conhecendo seus gostos, preferências, maneiras de pensar...

- Não me lembro de ter algum covarde entre os meus amigos.

- Arre. Não foi isso que eu disse. Às vezes você fica bravo à toa. Por isso é que nem sempre dá para falar com você. Eu só acho que você pode se dar melhor na vida.

- E qual o problema de ser auror?

- Nenhum. Mas é quase a mesma coisa que querer ser policial.

- Aurores não podem ser comparados a policiais. Eles trabalham duro para que nós, bruxos, possamos viver sem a sombra das trevas sobre as nossas cabeças - argumentou, contendo a irritação crescente.

- Ok, Harry. Então, banque o James Bond e resolva os problemas do nosso mundo.

- Pela sua brincadeira parece que você ainda não compreendeu o perigo que representa Voldemort.

- Não diga esse nome na minha casa, Harry! Atrai más energias. E eu sei muito bem que o perigo existe. Mas são tantos bruxos na perseguição de Você-Sabe-Quem que você virar auror não é necessário. Para que se expor mais ao risco?

- Eu não vou fugir...

- Mas não precisa correr atrás...

- ... das minhas responsabilidades.

- ... do perigo.

- Cho, é melhor a gente mudar de assunto.

A garota andou de um lado para o outro até que parou diante dele com o rosto corado.

- Hum, tem uma coisa que você ainda não sabe. Eu não tive... coragem... de te falar na última vez que a gente se viu em Hogsmeade.

- O que é?

- Eu... bom, minha mãe me colocou num concurso... é um concurso muito besta, mas que ela adora... Ela já participou dele quando era jovem e ficou em segundo lugar. É o Miss Magia. Conhece?

- Nunca tinha ouvido falar até que li ontem uma nota no Profeta Diário - respondeu, lembrando-se que precisava discutir essa notícia com ela.

- Você leu essa nota?! Ah, que vergonha. Eu queria morrer quando vi... aquilo. Mas não é minha culpa.

- Aquilo me deixou muito preocupado.

- Por que? - perguntou, com um ar inquieto.

- Porque ninguém pode saber de... de... nós dois.

Foi a vez dela ficar brava. E a garota não fez questão de esconder a bronca.

- Por que?

- Porque Voldemort e os Comensais estão atrás de mim.

- Você não tem de pensar assim. Eles estão longe daqui. E é só você não aparecer no meio do caminho deles, não é? Meu pai sempre diz que para se meter em encrencas basta procurar por elas.

- Tem encrenca que procura pela gente - respondeu, sem a menor vontade de contar a profecia para Cho.

- Só se você quiser.

- Tá certo. Esquece isso também.

Os dois ficaram sentados olhando para o lago. Madame Kitty não estava mais por perto. Mesmo assim, eles não trocaram palavras por alguns minutos.

- Você nem perguntou do concurso.

- Desculpe. Err, quando ele acontece?

- Em fevereiro, perto do Dia dos Namorados.

- Ah, tem tempo até lá. E você precisa demonstrar habilidade com feitiços? Quer treinar comigo?

- Harry, Miss Magia é um concurso de beleza, não de feitiçaria.

- Eu achei... Bom, o “magia” me enganou. Eu sabia que era de beleza. Mas é só de beleza?

- Não. A escolhida tem de mostrar que tem bons princípios, bom caráter, que é aplicada e generosa. É como um exemplo para as próximas gerações de bruxinhas - riu. - Mas eu não sei se tenho chance de vencer.

- Claro que tem. Você é uma das garotas mais bonitas que eu conheço.
Cho riu, satisfeita.

- Isso não vale. Você só conhece as garotas de Hogwarts. E, tirando umas duas ou três bonitinhas, as outras não poderiam nunca participar do Miss Magia.

Harry não respondeu. Queria saber quem eram as tais “bonitinhas”. Pensou que Gina podia ser uma delas. O que ela estaria fazendo na Toca?





*****




Os Granger já estavam a caminho da Toca, quando Rony surgiu na sala depois de ter passado o resto do dia trancado no velho galpão onde as vassouras eram guardadas. Todos já tinham tomado banho e se aprontavam para a ceia. Apenas ele se atrasara. O rosto mostrava alguns arranhões e a roupa estava amassada e suja.

- Rony, você andou se arrastando por aí? - perguntou a senhora Weasley, que vestia um conjunto verde de saia e blusa e mais um enorme camafeu preso à roupa.

- Tive mais trabalho para completar minha obra do que eu imaginei no começo. Mas acho que ele ficou muito bom.

- Filho! É assim que pretende ficar durante a ceia? - espantou-se o senhor Weasley, que normalmente não ligava para a vestimenta dos outros.

- Que trabalho foi esse que te ocupou a tarde e a noite, Rony?

Era Hermione que descia as escadas. O rapaz se virou para respondê-la, mas ficou mudo. A garota usava um vestido longo vermelho que moldava bem seu corpo. A vasta cabeleira fora presa com um laço simples.

- Mione, minha querida, que linda você está! - comentou a senhora Weasley.

Ela sorriu sem jeito. Em seguida, olhou para Rony fingindo braveza.

- Isso que você fez deve ser realmente importante para ter te atrasado tanto. Rony, você nem tomou banho!

O rapaz pediu um minuto. De frente para a mirrada árvore de Natal que estava num canto da sala, executou um feitiço fazendo com que ela sumisse. A velha árvore dos Weasley era mágica e só se materializava em dezembro. Entre os enfeites, estavam bonecos de fadas e duendes que cantavam sozinhos e que dançavam em torno do tronco com vozes esganiçadas e gastas pelo tempo. Era de fato deprimente ouvi-los. E também era triste olhar para um boneco de dragão que tinha uma asa quebrada. O papel dele na árvore bruxa era manter acesa a estrela do topo. O problema é que o dragão passava a maior parte do tempo dormindo e o brilho da estrela freqüentemente oscilava sem que ninguém prestasse atenção nisso.

- Que ótimo, maninho. Você se livrou desse trambolho.

- Fred, essa árvore eu ganhei da minha mãe!!! Ela nos acompanha há tantos Natais!

- Molly, a gente nem olhava mais para ela. É melhor mesmo ficar sem árvore a ter uma que não faz a menor falta.

- E foi para isso que você passou todo o tempo no galpão? Para treinar esse feitiço? - debochou Jorge.

- Querem ficar quietos - respondeu Rony, que voltou a se concentrar e executou outro feitiço fazendo surgir no lugar da mirrada árvore um pinheiro natural comprido, largo e carregado de pequeninos objetos coloridos.
Todos se assombraram. Hermione arregalou os olhos, encantada com a beleza da árvore. Então, notou algo diferente.

- Ei, ela não é mágica. É uma árvore como a das famílias trouxas. Os enfeites são reais. Mas... e o pisca? Como...

- Para isso eu tive de usar magia. Essa árvore não é 100% trouxa por causa disso e por causa do feitiço que apliquei para manter as folhas verdes e frescas por mais tempo do que o natural. E eu tive de transportá-la com outro feitiço. Mas eu a montei com as minhas mãos. Copiei de uma revista que a Luna me mostrou uma vez.

- Que idéia legal, maninho. Só me diga por que fez isso em vez de comprar uma árvore bruxa, como nós faríamos se você tivesse dito.

- Porque essa é a primeira vez que os Granger vêm passar o Natal conosco. Achei que seria simpático se a gente oferecesse algo parecido com o que eles estão acostumados.

- Ela é maravilhosa, Rony. Obrigada pela atenção e pelo cuidado que teve com a minha família - disse Hermione, emocionada.

O rapaz exibiu um largo sorriso. Sentia que podia explodir de felicidade naquele minuto.

- Teremos, pelo que imagino, o melhor dos Natais na Toca - completou Gui.

O toque da campainha interrompeu a conversa. Sabiam que eram os Granger. Rony lamentou que tivesse demorado tanto no preparo da árvore. Tentou se lembrar de algum feitiço que desamarrotasse suas roupas. Antes de achá-lo, a porta foi aberta, dando passagem à senhora Granger, ao senhor Granger e... a Vitor Krum! Os homens da família Weasley arregalaram os olhos.

- Olá, todos. Desculpem, mas trouxemos o Vitor que apareceu em casa na hora que estávamos saindo. Ahn, querida, ele conseguiu uma liberação de última hora - disse o senhor Granger para a filha, espantada de ver o namorado na Toca.

- Não tem problema. Quanto mais gente, melhor. Gosto da casa cheia - chilreou a senhora Weasley.

- Que surpresa! Um jogador de seleção entre nós! - comentou animadamente Carlinhos em voz baixa para Gina.

A caçula olhou discretamente para Rony. O irmão estava duro, sem expressão no rosto. Depois, Gina procurou Hermione. Ela viu a amiga ficar vermelha e dar um beijo leve em Vitor, que novamente estava vestido com elegância.

Acompanhado da namorada, o jogador se aproximou do rapaz após cumprimentar os demais.

- Como vai, Rony?

- Vou indo, obrigado.

- Feliz Natal!

- Pra você também.

- Peço desculpas por aparecer assim. Eu não viria, mas os pais da Mione insistiram. Os meus pais foram passar o Natal na América Latina com uns amigos. Eles são loucos pelo calor tropical. E eu não conseguiria ir até lá.

- Sem problemas. Não precisa se justificar. Agora, por favor, me dê licença que tenho de me arrumar. Eu não sou este lixo que você está vendo.

Hermione tencionou pedir que ficasse. Eles já tinham ficado tão pouco tempo juntos naquele dia. “Quem liga para a aparência”, pensou em dizer. Mas Rony já tinha se afastado e subia as escadas rumo ao quarto.




*****




Na casa dos Chang, a ceia foi servida com toda a pompa e circunstância. Harry descobriu que havia outro elfo ajudando Pin. Mas ninguém se preocupou em dizer-lhe o nome. A família estava usando roupas de festa e o rapaz se sentiu deslocado por não ter qualquer peça que combinasse com a elegância das pessoas. De todos, Kim e Cho eram as mais arrumadas. Cho trazia todos os fios do cabelo bem presos num coque. O vestido e a sandália era prateados. Kim fizera uma longa trança que caía sobre as costas. O vestido que usava era de veludo azul. Madame Kitty recorrera a um longo preto. E o senhor Chang estava de casaca. Havia outros homens e mulheres, amigos e parentes da família. Os únicos jovens eram Harry e Cho.

- É uma festa bem adulta, não é?

- Sempre é. Dificilmente, os filhos desses casais passam o Natal com os pais. Eles preferem viajar em turma.

- E você não é convidada?

- Claro que sou! Quando fiz 17, fui finalmente liberada para as viagens. E viajei. Mas desta vez resolvi ficar.

- Como? Você me disse que seu pai não te deixou passar o Natal em outro lugar.

- Bom, isso foi uma mentirinha.

- O QUÊ?

- Tenha modos, Harry. Fiz isso para ter você aqui. E, além disso, eu não ia querer passar o Natal na casa dos Weasley e encontrar lá a Hermione.

- O que tem os Weasley e a Hermione? - perguntou furioso.

- Eu sabia. Basta falar na Hermione para você ficar nervoso. O que é que você tem com ela, afinal? - replicou a garota, com as mãos na cintura e o rosto contorcido de raiva.

- Eu não tenho nada. Ela é minha amiga. Assim como os Weasley.

- O Rony não é uma pessoa agradável. Mas tudo bem. Ele não é o problema. O problema é a Hermione, que não sai do seu pé - teimou Cho.

- O Rony é ótimo. E não tem nada a ver essa história com a Mione. Não é dela que eu gosto.

- E de quem é, então?

Harry embatucou. Tinha se metido numa armadilha criada involuntariamente por ele no afã de defender a amiga. Seria fácil responder que gostava dela, Cho. Mas mudou de idéia.

- Da Minerva McGonagall. De quem poderia ser? - disse, mal-humorado e se dirigindo à mesa, pois Pin estava anunciando que a ceia seria servida naquele instante. “Salvo pelo gongo”, pensou.




*****




A meia-noite soara. Um enorme relógio badalou na casa dos Chang. Era a hora dos presentes. Harry e Cho trataram de pegar os seus sob a árvore. A garota pegou uma caixa pequena com um laço vermelho vistoso. Dentro, havia uma corrente com um pequeno unicórnio de prata que se movia graciosamente.

- Quando quiser que ele pare de se mexer, é só pedir. Ele é muito dócil - explicou o rapaz.

- É lindo! Adorei - disse entusiasmada, não se importando em beijá-lo na frente dos convidados.

Harry pensou que deveria agradecer a Hermione pelo acerto na escolha do presente. A amiga tinha sugerido a corrente e ainda tinha ido com ele comprar o mimo na véspera de viajarem. Depois que Cho terminou de desembrulhar seus outros presentes, o rapaz começou a abrir os dele. Cho tinha dado uma bonita jaqueta de couro de dragão. Harry teve de vesti-la ante os olhares insistentes da garota.

- Eu sabia que você ia ficar bem - comentou, orgulhosa.

Ele agradeceu com um sorriso. Cho fez menção de pular sobre o pescoço dele, mas Harry apontou com os olhos para Kitty, que os observava à distância. Ela fez um muxoxo, porém ficou quieta. Harry pegou os outros presentes que recebera enviados por corujas que não vira durante o dia. A senhora Weasley enviara a costumeira blusa de lã, cuja estampa era uma partida de quadribol. Lembrou-se com saudade do verão passado, quando a família inteira se juntara ao jogo.

- Meio desengonçada essa blusa. Ops, desculpe. Nem sei de quem é.

- É da senhora Weasley.

- Ela te manda presentes? Que gentil.

- A senhora Weasley me considera membro da família.

- E esses de quem são?

- Fred e Jorge me mandaram uma caixa de sapos de chocolate do sono... “Para dar para alguém que possa estar atrapalhando seus dias de folga”. É bem o estilo deles. Rony me enviou a camisa nova do Chuddley. Hagrid, doces da Dedos de Mel. Hum, este é da Hermione.

- Um livro sobre aurores?! Só podia mesmo ser um presente dela - resmungou, enciumada.

- É. Deve ser muito bom.

- E este? Também é dela? - sibilou Cho, irritada pelo comentário de Harry.

- Não sei de quem é. Normalmente, recebo presentes dessas pessoas. De mais ninguém - respondeu, abrindo um pacote pardo e simples.

- Um cachecol?! Será da senhora Weasley? Olha, tem um bilhete.
E antecipando-se ao rapaz, ela pegou o manuscrito e o leu em voz alta. - - “Feliz Natal, Harry. Neste ano, no seu aniversário, me senti realmente chateada de não ter dado nada. Bom, espero que este cachecol, que eu mesma fiz, seja útil. Da amiga Gina.” Hum, tal mãe, tal filha. Tomara que pelo menos ela saiba tricotar - brincou.

- Isso não é engraçado - respondeu.

Segurou o cachecol nas mãos, sentindo-se arrasado por não ter comprado nenhum presente para a “amiga”. Àquela altura, os Weasley deveriam estar abrindo os embrulhos e Gina concluiria que ele não pensou nela. “Mas isso não é verdade. Não paro de pensar nela”, disse para si.








Demorou para sair este capítulo. Tive um problema no computador. Devo postar o próximo daqui a uma semana, com mais Rony, Mione, Gina, Harry e... Cho (desculpem-me os que não curtem a personagem, mas ela ainda está na história). E quero reiterar: eu sou H/G forever. Aguardem pela reviravolta na fic.

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