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2. Ainda É Cedo


Fic: Mil Pedaços


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Capítulo 2 – Ainda é cedo




No café da manhã do dia seguinte, tentou achar a menina em meio a multidão. Sabia que a menina era da Corvinal por causa da cor de seu uniforme.


- Sentindo-se culpada? – riu Mandy.


- Pareço? – ela respondeu tentando disfarçar.


- Parece – Mandy voltou a comer o prato de ensopada, com ar de deboche – devia uma vez na vida deixar o orgulho pra trás.


E enfim viu quem queria entrando no salão. A Desconhecida sentou-se ao lado de uma outra garota, que Gina conhecia por causa do quadribol, mas nunca dera muita atenção a ela, e começou a contar algo. A amiga fez uma careta de nojo e passou os olhos pela mesa da Grifinória, até se encontrar com os de Gina, e cutucou a Desconhecida, que olhou também. Gina abaixou a cabeça, corando. Estavam cochichando sobre ela, e com certeza não era coisa boa. Mandy não se conteve e começou a rir da cara de boba de Gina, que começava a ficar irritada com a gracinha da amiga.


- Xiu! Pare de dar trabalho! – disse ela, ficando mais vermelha. Pegou a amiga pelas vestes e arrastou-a para fora da Salão – pelo amor de Merlin!


- Ai sem graça! – disse Mandy, ajeitando-se – deixa eu ser feliz.


- Vá ser feliz lá com seus bichinhos – sibilou Gina, rindo.


- Vá ser infeliz lá com suas xícaras e borras de café! – brincou Mandy e saiu cantarolando para sua aula com Hagrid, enquanto Gina ia subindo as escadas rumo à sala de aula de Adivinhação.


Odiava ter que cuidar de animais, e odiava mais ainda ter que agüentar as aulas de Adivinhação. A professora charlatã, as alunas histéricas, os gritinhos e o cheiro horroroso da sala só faziam a má vontade da garota aumentar. Lamentando-se pela péssima escolha da matéria, foi subindo em direção á Torre onde era a sala de aula. Já fazia dois anos que ela cursava essa matéria e até hoje não tivera um lampejo de saber o que iria acontecer. Não previu nem um segundo que Voldemort voltaria no ano passado, nem que o Torneio Tribuxo era uma furada. Ela sabia que nada disso era responsabilidade dela saber, mas mesmo assim sentia-se irritada por ser tão impotente. Era tão nova e tão inútil naquela guerra que estava por começar. Sentia medo por seus pais, seus irmãos, e pelos poucos amigos que tinha, e sentia medo por Harry Potter, apesar de tudo que haviam passado. Era agora a hora que tanto esperavam, a hora de ser forte, no entanto, naquele momento, Gina estava desiludida, e sentindo-se sozinha. Os outros estavam tão ocupados sendo úteis, e ela só era deixada de lado, como uma criança. Talvez esse fosse o problema de Gina, a solidão. A solidão deixou a garota antes simpática em uma pessoa grossa.


Uma lágrima rolou dos olhos da menina, e logo ela não conseguia segurar o choro que vinha. Entrou em uma sala de aula, a fim de que ninguém visse a sempre forte Gina Weasley naquele estado. Ficou ainda mais irritada com sua atitude, se esconder, fingir algo que não era. 


Conseguiu controlar-se, e saiu da sala, mas já estava atrasada para a maldita aula inútil. Odiava se atrasar pra qualquer coisa que fosse, mesmo que para a aula. Sentou-se no corredor deserto e desatou a ler um livro chato sobre poções reanimadoras. Era ano de NOM’s e cada hora desperdiçada no horário letivo significava para Gina uma hora a menos no horário de diversão que ela estabelecia. Tentava, mas simplesmente não conseguia se concentrar no livro. A solidão voltou e com ela as lágrimas.


- Pare, imbecil! – sibilou ela com as mãos nos olhos. Não percebeu quem vinha vindo alguém, só sentiu aquele cheiro, aquele cheiro que a atraia de um modo diferente. Levantou os olhos evergonhada.


- O que foi? – perguntou a outra, espantada por vê-la chorando.


- Não é nada, me deixe sozinha – respondeu ela com a voz embargada e escondendo o rosto entre os braços.


- Não.. – respondeu a Desconhecida, ignorando que talvez Gina pudesse ter um de seus ataques de raiva – se você queria privacidade para chorar, talvez devesse ter escolhido um lugar melhor do que um corredor onde todo mundo passa – ela sorriu e sentou-se ao lado de Gina – e meu nome é Bianca Galuppo.


- Gina Weasley


- Eu sei


- Eu não sabia o seu


- Talvez eu não seja muito popular – disse Bianca. Um sorriso escapou dos lábios de Gina – então, o que te aflige, pequena?


- Sou maior que você!– disse Gina como uma criança.


- É só um modo de ser simpática – riu Bianca – bom, eu estou vendo que você não está afim de contar teus problemas pra desconhecidas. Vou indo, então. Até depois, Gina Weasley!


E levantou-se para seguir o caminho que fazia antes, mas antes de virar o corredor, Gina chamou-a de volta:


- Espere! Eu...sinto muito por ontem. Por ter sido grossa. Sabe como é, eu estava meio irritada. De qualquer jeito, não precisava descontar em você. É só que... – Gina parou de falar. Quase deixou escapar que fora mal-educada com ela por achar que tinha sentido algum tipo de atração por ela.


- Tudo bem - a outra disse – Todos nós temos nossos dias ruins.


Ela virou-se e foi embora, e Gina não pôde ver o sorriso nos lábio de Bianca.


A aula seguinte era de Transfiguração, em aula conjunta com a Corvinal. Luna, com toda a sua excentricidade, era uma das pessoas que Gina admirava naquela escola. A indiferença da garota quanto ao que as outras pessoas pensam era tudo o que Gina queria sentir. Só de pensar em poder ser fraca, insegura e infeliz abertamente deixava a garota arrepiada. Jamais poderia confessar aos outros seus pensamentos estranhos, seus sentimentos quanto a tudo. Mas para Luna ela podia. Sentia que podia confiar na menina, mesmo que ela parecesse um pouco esquisita. Mandy não estava na sala.


- Luna?


- Oi – respondeu a corvinal concentrada em um livro de capa rosa. A Prof. McGonagall apontava a varinha para o quadro negro e tentava explicar aos seus alunos do quinto ano como se transformava objetos grandes com sucesso.


- Você já se sentiu estranha? – Gina perguntou, desanimada – assim, perto de pessoas que você nem conhece?


Luna levantou os olhos do livro.


- Está se apaixonando por alguém? – ela perguntou, com seus olhos abertos, como se ela sempre estivesse surpresa.


- Não, não! Não é isso! – Gina riu, envergonhada – é só que..sei lá. Esquece.


- Você parece apaixonada – disse a outra e voltou os olhos para o livro.


- Por que? - disse, surpresa.


- Está pensativa hoje.


 


Gina não respondeu. Continuou a pensar, que era só o que ela sabia fazer, e o que segundo Luna, estava em escala maior hoje.


Só no almoço Gina encontrou Mandy novamente. Para a infelicidade de Gina, os únicos lugares vagos eram perto de Harry, Rony e Hermione. Ela não se sentiu nem um pouco com vontade de ter que conversar com o trio maravilha. Hermione e seus papos sobre livros, deveres e estudo eram entediantes. Rony só falava bobagem, e Harry só sabia elogia-la. Se espremeu contra um menino e tentou conversar com Mandy.


- Então, vai me dizer o que aprontou hoje?


- Er – começou a outra – nada.


- Como nada? – indagou Gina.


- Só andei por aí – ela respondeu, começando a se servir de batatas assadas.


- Você não vai me contar mesmo?


- Eu estou te contando! – disse Mandy irritada.


- Se mentir é contar então é melhor você não falar nada – retrucou Gina, se irritando.


- Eu não preciso dar satisfações a você, Gina! – Mandy falou alto – eu não preciso te contar cada passo que eu dou, só para você poder me controlar.


A ponta das orelhas de Gina ficaram vermelhas. Hermione parou de ler seu livro e olhou para as duas, assim como Harry. Gina olhou para a amiga, visivelmente magoada com a explosão e com as palavras que ela tinha acabo de dizer. Sem dizer nada, levantou-se e foi para os jardins.


- Controlar! Como seu eu precisasse te controlar. Não é minha filha, nem minha namorada! – disse baixinho pra si mesma – como se fosse verdade!


Jogou a mochila na grama embaixo de uma árvore e sentou-se, triste e irritada. Estava tão entretida em seus pensamentos que não reparou que alguém vinha em sua direção. Só viu que a observavam quando um par de pés molhados parou ao seu lado. O doce perfume invadiu suas narinas.


- Você está sempre sozinha? – perguntou Bianca, olhando ao redor. Todos almoçavam e só as duas ocupavam o vasto jardim. Gina demorou um pouco para responder.


- Quando você me acha eu estou – respondeu ela com um sorriso amarelo.


- Sempre que eu te acho você parece brava – ela riu. Gina riu também.


- Sempre que eu te acho você está sorrindo.


- Sorrir é bom, Gina – Bianca respondeu, sentando-se ao lado da ruiva – mas sério, por que você está aqui sozinha?


- Briguei com minha amiga – disse Gina, triste.


- Não vou te perguntar o porquê. Mas posso dizer que logo se resolve, pequena.


- Ela não entende – disse Gina – e pare de me chamar de pequena.


- Por que, pequena? – disse Bianca, provocando e rindo.


Gina desistiu de falar alguma coisa e acabou rindo com Bianca.


- Você está simpática comigo hoje. Nem parece a menina que todos falam.


- Eu.. – disse Gina, murchando. Não queria conversar sobre aquilo com aquela menina que inspirava tanta coisa nela. Seus olhos encheram-se de lágrimas – eu não sou exatamente o que falam.


- Ah, me desculpe! Eu não deveria ter falado isso, foi insensível – disse Bianca, parecendo arrependida.


Gina deixou as lágrimas caírem. Já não compensava mais fingir que era forte, Bianca já conhecia seu ponto fraco. A mão de Bianca deslizou para perto da dela, e Gina sentiu um arrepio quando seus dedos encostaram de leve no braço de Gina. Eles foram descendo até a mão, e entrelaçaram-se com os dedos da ruiva. Era um toque suave e doce. A outra mão de Bianca foi até seu joelho e ficaram lá.


- Qualquer dia você me conta o que sente, ok? – disse a morena. Seus olhos cor-de-mel fitando os olhos de Gina. Ela levantou-se e foi rumo ao castelo, deixando Gina com cara de boba para trás.


O toque que havia recebido deixou Gina extasiada. Parecia que tinha tomado um choque nos dedos, e que haviam afetado seu cérebro. O perfume da garota em seus pensamentos. Se imaginou beijando a bochecha da outra, e depois indo para o lábios. Deu um pulo ao chegar nessa parte. Chacoalhou a cabeça e tentou esquecer o que pensava.


Mal pisou no mármore do saguão de entrada do castelo e viu Mandy subindo as escadas. A amiga olhou para trás, parecendo arrependida, mas Gina desviou o olhar e seguiu o caminho contrário ao de Mandy. Não ia dar o braço a torcer, seu orgulho não deixaria. Foi até a cozinha ver se conseguia alguma coisa para comer com os elfos.


As duas semanas seguintes foram tranqüilas para Gina, apesar de ela e Mandy ainda não tiverem feito as pazes, e agora só trocavam algumas palavras de manhã e nas aulas.  Luna passou a ser vista com a ruiva mais frequentemente agora. Sempre estavam enjauladas na biblioteca ou no jardim, onde ninguém pudesse incomodá-las. Gina havia decidido que tentaria evitar a Bianca o máximo que pudesse, seus sentimentos pela garota não podiam ser alimentados de modo algum. Além do mais, para que criar fantasias com alguém que ela nem conhecia direito, e que devido às circunstâncias, seria difícil de ter alguma relação? Agora só se encontravam pelos corredores e entre as trocas de aula, e bem que Bianca tentou algum tipo de aproximação com Gina, mas esta se limitava a ser simpática apenas.


Um dia andava sozinha pelos corredores depois do jantar, e acabou não tendo como escapar da menina, que a emparelhou assim que tentou passar despercebida no meio dos colegas grifinórios. Foi puxada pelo braço rudemente, e se separou de Luna, que sibilou algo como “Até logo”, com um sorriso misterioso. Gina tinha se esquecido completamente de perguntar para Luna sobre a ex-Desconhecida, já que estavam na mesma casa, a amiga poderia contar-lhe algumas coisas sobre Bianca. Mas agora não tinha mais importância.


Foi levada até o segundo andar, com pressa, e sem explicações. Pararam no corredor, com uma Gina ofegante querendo explicações.


- Andou me ignorando? – disse Bianca, parecendo não gostar da idéia e nem de querer receber a confirmação de suas suspeitas.


- Não, eu só não tive tempo de te falar com você – mentiu Gina, corando.


- Você mente muito mal – falou Bianca, aborrecida. Gina pensou na tradição de que os alunos da Corvinal são os mais bonitos, e chegou à conclusão de que fosse ou não verdade, o mito parecia se aplicar á garota que estava na sua frente.


- Não estou mentindo – retrucou Gina. Odiava que a chamassem de mentirosa, mesmo sendo verdade naquele caso.


- Relaxe, não precisa ficar na defensiva. Não estou cobrando nada de você, só queria uma explicação. Sou muito chata? – disse a morena, não conseguindo ficar sem fazer alguma piadinha. Gina riu.


- Não, não. Mas eu...


- Sou cheia de reticências?


- Na verdade, eu não sei o que falar para você – disse Gina, envergonhada.


- Minha presença te incomoda? Porque sinceramente é o que parece. Mal olha para mim enquanto falo com você.


Gina ficou mais vermelha. Sempre fora sociável, mas justo com ela não conseguia se controlar. Cedia á sua atração.


- Olhe para mim – disse Bianca.


Gina levantou os olhos e pôde ver os de Bianca, que tinham um brilho delicado que Gina não conseguia descrever. Seu coração começou a bater depressa e suas mãos começaram a suar. Bianca passou a mão em seu rosto e em sua nuca, chegando cada vez mais perto com os lábios entreabertos. Estavam quase se beijando quando Gina voltou á realidade do que estavam fazendo no meio do corredor onde qualquer pessoa que passasse poderia vê-las. Tirou a mão de Bianca de seu rosto, segurando-a delicadamente.


- Por favor, ainda é cedo – ela implorou com os olhos fechados. Bianca suspirou e baixando a cabeça foi em direção ao fim do corredor.


- Amanhã nos falamos, pequena.


E sumiu pelas escadas deixando uma Gina sem saber o que fazer para trás.


O dia seguinte inteiro Gina tentou não cruzar com Bianca, mas parecia que todo lugar que ia dava de cara com a garota tirando sarro dela. Isso só fazia a vergonha de Gina aumentar gradativamente. Em uma dessas vezes Luna percebeu a gracinha que a colega de casa fazia com a amiga.


- Então você conhece a Galuppo – disse ela, mais afirmando do que perguntando.


- Diria que sim – respondeu Gina mesmo assim.


- Cuidado com ela, ela gosta de brincar com os outros – avisou a loira, em tom despreocupado.


- Como assim?


- Nunca ouviu falar do modo com ela trata os garotos? – riu Luna, como se fosse algo muito engraçado. Gina sentiu o estômago afundar.


- Não – respondeu ela – de qualquer modo, sou uma garota.


Luna riu. Gina não achava graça da situação. Logo depois surgiu a dita cuja por trás dela, parecendo estar de divertindo muito com alguma coisa que só ela parecia saber.


- Weasley! – gritou sorrindo.


- Galuppo – resmungou Gina, aborrecida.


- Vamos conversar hoje? Ou a senhorita vai fugir? – disse ela sem se importar com o que Luna pensaria.


- Seu conceito de conversar é bem diferente – respondeu Gina. Bianca sorriu largo.


- Métodos mais legais de se conversar, Weasley. Mas então, ás 17h apareça lá na estufas no jardim. Não fure.


E foi embora, mais feliz do que quando chegou. Luna continuou entretida em seus pensamentos e não fez um comentário ou pergunta sequer sobre o que as duas falavam. Ela só abriu a boca para falar de Mandy.


- Andei falando com sua amiga. Ela parece querer esclarecer as coisas com você, Gina. Ela veio me procurar, me pedindo ajuda para fazer você falar com ela.


- De noite eu converso com ela. Já tá na hora de acabar com essa palhaçada – disse a ruiva, com o pensamento longe, lá nas estufas e no relógio que marcaria 17h só daqui duas horas.


As horas não passavam. Gina leu, estudou, jogou xadrez com Rony, e ainda teve que conversar com Harry, que insistia em tentar ser seu amigo, perguntando sobre sua vida, seus problemas e sempre dizendo que poderia contar com ele para o que fosse. Agora eu não quero mais a tua ajuda, pensou Gina rabugenta. Se bem que não seria ruim te ter, mesmo que sejam anos depois, ela continuou pensando. Essa grande confusão agora se instalava na mente de Gina. Harry parecendo cada vez mais apaixonado, e ela se interessando por uma garota. A lógica dizia que era o Harry quem ela devia se entregar, tentar amá-lo de novo, mas seu coração queria que experimentasse algo com Bianca.


O relógio finalmente bateu 16:45 e Gina levantou-se de um pulo. Despediu-se de um Harry choroso e desceu as escadas até o jardim tentando se controlar, mas era difícil não pensar na tal “conversa” que a outra queria ter com ela. Chegou à estufa principal e sentou-se no banco, esperando. Nem sinal de Bianca. Os minutos passavam e Gina começava a ficar irritada. A frase de Luna ecoando na sua cabeça. Já pensava em alguns desaforos para falar quando a encontrasse quando duas mãos vindo por trás fecharam seus olhos. O perfume de Bianca impedia que Gina achasse que era outra pessoa senão ela.


- Oi! – disse a morena, simpática. Virou e sentou-se do lado de Gina.


- Oi. Queria falar alguma coisa?


- Quero – respondeu Bianca – bom, eu sei que a gente nem se conhece direito, e eu nem sei se eu posso confiar em você, mas eu quero que você saiba que eu estou gostando muito de você. Não diga nada – disse ela quando Gina tentou falar algo - eu sinto em você uma menina que precisa de ajuda, de alguém. E eu preciso disso também, por isso acho que eu me identifiquei contigo. Não quero te pressionar, nem fazer você correr com medo de mim.


Gina escutou em silêncio, sentindo-se estranha. Seriam as palavras da garota verdadeiras ou ela só queria enrolá-la? Lembrou-se de Luna novamente. Palavras falsas eram algo que Gina conhecia muito bem, e não estava em condição de agüentar mais algum baque ou decepção em sua vida.


- E o que você quer afinal? – Gina perguntou.


- Eu quero que você pense sobre isso. Sobre mim.


 


A face branca de Bianca enrubesceu e ela baixou os olhos, pela primeira vez desde que Gina passou a reparar nela.


- Eu não posso, Bianca – choramingou Gina – eu não posso pensar em você, porque quanto mais eu pensar, mais confuso tudo vai ficar. Eu não posso.


-Você pode, basta querer.


Bianca virou-se mais e passou uma mãe por trás de Gina e colocou a outra em sua barriga, em um semi-abraço, e sussurrou em seu ouvido:


- Você quer?


A respiração dela na orelha de Gina provocava arrepios. A cena toda tinha uma certa tensão sexual. Querer Gina queria, mas tinha medo de ceder. A mão de Bianca passeava agora pelo braço da ruiva, que se limitou a passar o braço envolta do tronco da outra. Os lábios úmidos de Bianca agora roçavam na bochecha de Gina, a mão de volta me sua barriga e a outra brincando com os cabelos de vermelhos que estavam soltos. A boca de Bianca foi até o queixo de Gina, subindo devagar para roubar um beijinho dos lábios entreabertos da garota, que baixou a cabeça. Bianca suspirou.


- É tarde, Galuppo, vamos subir – disse Gina, se arrumando. Bianca tinha uma expressão decepcionada, mas mesmo assim seguiu Gina.


- Se safou de novo, né pequena? – ela disse em um tom meio amargo. Gina não respondeu – eu espero que você pense sobre o que eu falei. É importante para mim.


“É importante para mim também!” gritava dentro de Gina, mas a única coisa que conseguiu dizer foi um “Vou pensar sim”. A morena virou para o lado oposto quando chegaram ao Saguão de Entrada, sem ao menos olhar para trás.


Gina continuou seu caminho pensando na sua tarde e agora se lembrando que teria que conversar com Mandy. Do jeito que as coisas estavam não dava mais. Entrou na sala Comunal decidida e subiu para o dormitório sem ao menos dar atenção às saudações de Harry.


O cheiro de Bianca continuavam perseguindo-a.

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