Thai, sei o que vc passou, diversas vezes li capítulos de fics que me levaram a beira das lágrimas e estava diante de meus chefes.... mas fazer o que neh, fics tem essa função, nos levar aos extremos....Bom aqui está o derradeiro capítulo, o ultimo...... quero agradecer seus reviews, foram maravilhosos e não me deixaram desistir de vir postar todos os capitulos..... um beijo enorme e nos vemos em As Coincidências de Nossas Vidas.
Epilogo
- Está bem melhor assim, Severus. - Disse Dumbledore sorrindo de orelha a orelha.
- Eu gosto das minhas velhas e negras vestes. – Resmungou.
- Hoje não é dia para suas vestes de sempre. Hoje é seu dia. Imagino o quanto deve estar contente.
Dumbledore, por mais incrível que pareça, conseguiu sorrir mais ainda quando Snape rosnou em sua direção. Era uma diversão e tanto fazer aquilo com ele. E era mais interessante ainda ver o quanto ele se esforçava para disfarçar sua felicidade que queria sair pela sua boca. Sabia que seu mestre de poções estava muito feliz aquele dia, mas escondia de todos, inclusive dele mesmo.
Snape ainda se olhava no espelho com uma sobrancelha erguida quando três batidas na porta o tiraram de seus devaneios. Com apenas um aceno de mão a porta se abriu e Harry entrou devagar e timidamente. Ainda que estivesse tudo bem entre eles, aquele era Snape e ele jamais deixaria de ser quem é. Todo cuidado era pouco perto daquele homem.
- O que quer, senhor Potter?
- Vim avisar que já está na hora. Ela já está chegando.
- E não podemos ir para lá quando ela chegar?
- Severus, sabe muito bem como são as tradições. - Disse Alvo colocando a mão em seu ombro e o empurrando para a porta.
Dumbledore e Harry iam a frente com passos rápidos como se estivessem ansiosos demais e não poderiam agüentar mais alguns minutos nas masmorras. Snape, por sua vez, estava receoso e seus pés por vezes vacilavam e quase davam meia volta. Ele queria aquelas masmorras, queria ficar nelas até tudo acabar. Quando chegaram perto do salão principal, fechou os olhos para fingir que não estava vendo os arranjos na porta e nem Pirraça que jogava um pó que demoraria muito para sair da roupa.
- Eu ainda não acredito que estou aqui. Não poderia ser uma coisa simples?
- Hermione é uma grifinória, nada para ela pode ser simples. E ela é mulher, sabe muito bem como elas são.
- É, eu sei. - Disse respirando fundo e entrando no salão repleto de alunos e convidados. - Eu não conheço tanta gente.
- A senhorita Granger é muito importante no Ministério e uma grande amiga do mundo bruxo, teria mais pessoas se eu não houvesse impedido.
- Parece que devo minha vida a você.
- Não é para tanto e hoje eu irei me divertir tanto com você que não será necessário me pagar nenhuma divida. Suas caras e bocas já são o suficiente.
- Obrigado.
Todos no salão levantaram-se para aplaudir Snape que voltara a assumir o posto de mestre de poções levando Hermione para ocupar o lugar de professora de estudo dos trouxas, mesmo que ainda correspondesse ao Ministério da Magia. Ele entrava vestido com uma belíssima veste cinza confeccionada por Madame Malkin e seus cabelos estavam brilhando caindo sobre seu ombro com alguns fios brancos reluzentes. Todos conheciam o professor, mas nem todos haviam visto as cicatrizes de seu rosto que hoje ele mostrava para quem quisesse ver. Claro que estavam muito melhor que há dez anos, parecia muito com as cicatrizes de Lupin, eram finas e, graças a Madame Pomfrey, sumiriam em breve. Hermione sempre dizia que ele não tinha o porquê esconder, aquilo fazia parte dele, e ela gostava delas, gostava muito.
Alguns rostos lhe eram muito familiares. Neville continuava com seus dentes avantajados e a cara de desengonçado, mas parecia mais confiante e, se possível, bonito. Ao seu lado estava Luna Lovegood, a loirinha segurava firmemente sua mão e sorria para o teto onde provavelmente estava vendo alguma criatura mágica existente somente em sua cabecinha fértil. Muitos ex alunos novamente ocupavam lugar no salão e batiam palmas para Snape como se sempre o adorassem. Snape os amaldiçoava mentalmente por sua falsidade descarada.
É claro que a primeira fila seria ocupada por aqueles que ela achava serem importantes demais para sua vida. E não podia negar que eles eram mesmo. Para quem nunca teve uma verdadeira família, os Weasley o acolheram muito bem depois que voltou para o mundo bruxo, até mesmo ganhara um suéter de Molly que guardara no fundo de seu guarda roupa.
Finalmente chegou ao final do salão e se posicionou em seu lugar. Harry e Rony se posicionaram ao lado de suas parceiras, Gina e uma prima distante Weasley. Ele suspirou e olhou em volta. Do lado dela estavam seus amigos e seus pais, do seu lado estavam professores e aurores. Não havia ninguém interessante para chamar. Ninguém importante para contar. Era a noite dela, apesar de estar feliz, era dela. A escola inteira estava ali por ela, não por ele.
Snape pensava nisso o tempo todo, como se fosse um mantra para tirar o seu nervosismo que tanto tentava controlar. Mas não foi fácil controlá-lo quando as portas do grande salão se abriram novamente e uma música começou a ser tocada no fundo. Era regida por Flitwick e seu coral.
A música acompanhava o sorriso dela, e apesar de cheio, o salão estava vazio para Snape. A única pessoa que ele podia ver era ela, só conhecia ela, só importava ela.
Hermione sorria iluminando seu belo rosto com uma maquiagem leve feita por Gina, seus cabelos estavam presos com uma tiara no alto deixando os cachos caírem soltos em seus ombros. Um castanho brilhoso que ofuscava a visão. Seu rosto tímido corou ao ver Snape a encarando como se nunca a tivesse visto.
Muitos olhos direcionavam-se para a grande barriga que Hermione trazia dentro de um belo vestido tomara que caia. Ela sorria e segurava as lágrimas que teimavam em tentar cair enquanto seguia em direção a Snape acompanhada de seu pai trouxa. Pirraça agora jogava pétalas de rosas no tapete vermelho por qual Hermione caminhava.
Ao chegarem perto um do outro Snape sentiu a eletricidade de sempre aflorando por seu corpo.
- Entrego minha filha a você Severus, quero que cuide muito bem dela.
- Não se preocupe, senhor Granger. Não há no mundo uma preciosidade mais bem cuidada.
O senhor Granger sorriu mais uma vez para a filha e foi se posicionar ao lado de sua mulher e sua neta. Dayra, agora com onze anos, sorria para a mãe e para Snape.
Os olhos negros não conseguiam esconder a felicidade que transbordava em brilho. Hermione sorria e tentava segurar as lágrimas que estavam conseguindo escapar pelos cantos. Snape ofereceu seu braço e a levou até a frente onde Alvo estava posicionado com uma bela vestimenta azul com estrelas douradas brilhando.
Todos se sentaram e Alvo limpou a garganta.
- Estamos aqui hoje para celebrar a união sagrada entre Hermione Granger e Severus Snape.
Snape não soube em que ponto do longo e excêntrico discurso de Dumbledore ele parou de escutar e prestar a atenção nela. Só voltou a ouvi-lo quando teve que dar a famosa resposta.
- Você Severus Prince Snape aceita Hermione Jane Granger como sua legitima esposa para amá-la e respeitá-la, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença até que a morte os separe?
Os convidados franziam a testa perante os votos que Dumbledore ditava, muitos jamais haviam visto um casamento trouxa, mas Hermione fizera questão de seguir a tradição de sua família. Todos aquietaram quando Snape abriu e fechou a boca duas vezes. Suas mãos seguravam as dela com firmeza e antes de responder ele deu um sorrisinho que sabia que somente ela saberia identificar.
- Sim.
Dumbledore virou-se dessa vez para Hermione que sorria radiante.
- Você, Hermione Jane Granger, aceita Severus Prince Snape como seu legitimo esposo para amá-lo e respeitá-lo na alegria e na tristeza, na saúde e na doença até que a morte os separe?
- Sim. – Disse Hermione prontamente.
- Podem trocar as alianças.
A aliança dourada que Snape cuidadosamente colocava em seu dedo tinha o desenho de uma cobra gravada em sua extensão e seus olhos eram duas belas esmeraldas. Hermione pegou a aliança na almofada que um primeiranista trazia e olhou fundo nos olhos dele colocando a aliança dourada com o desenho de leão com os olhos de rubi em seu dedo gelado. Pela primeira vez para muitos naquele salão, Snape estava sorrindo.
Era tão intenso o olhar dos dois que mal conseguiam ouvir o diretor falando.
- Se alguém tem algo contra essa união, que se pronuncie agora ou se cale para sempre.
Um silêncio irritante baixou no salão e todos se olhavam, ninguém era louco o bastante para falar algo, nem mesmo os gêmeos que tanto brincavam com essa louca união na TOCA. Snape era capaz de matar quem abrisse a boca.
- Sendo assim. – Continuou Dumbledore. – Eu os declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva.
Snape aproximou-se devagar sentindo o coração pulsar mais forte a cada segundo. Levou sua mão até o rosto dela e afagou sua bochecha afastando uma mecha de cabelo que se soltara, colocou a outra mão em sua cintura e acariciou a barriga grande com os dedos. Seus olhos negros não eram mais túneis fundos e vazios, eram preenchidos e brilhosos, seus traços não eram mais carregados de amargura e solidão.
- Eu te amo. – Disse baixinho passando o dedo nos lábios dela. – Te amo demais.
Seus lábios finos e gelados encostaram-se aos lábios quentes dela causando uma explosão de emoções que agora não eram mais estranhas para ele. Já sabia o que era o amor e agora gostava dele. Sua mão deslizou entre os cabelos dela trazendo-a mais para perto enquanto ouvia os aplausos e vivas dos estudantes.
- Vamos para a festa então. – Disse Dumbledore.
Eles sorriram e passaram por todos novamente. Todos sorriam e pareciam felizes por eles. Para Snape era esquisito saber que alguém estava feliz por que ele estava feliz. Saíram pelo tapete vermelho e se dirigiram para o campo de quadribol. Estava belo com enfeites feitos pelos elfos domésticos que até mesmo tinham um carinho com Hermione. Claro que Snape sabia que o diretor obrigou-os a serem agradáveis com ela, afinal eles odiavam quando ela tentava libertá-los. Mas hoje Hermione não pensava em elfos domésticos, hoje ela só pensava no homem que estava ao seu lado. Seu esposo.
Se sentaram em uma mesa redonda onde estavam alguns convidados como professores e os pais de Hermione. Uma banda desconhecida que foi convidada para tocar estava distraindo os alunos com músicas altas e com batidas demais para ser apreciada por Snape. Os elfos traziam comida de minuto em minuto e garantiam que nada faltasse nas mesas.
- Professor Snape. – Chamou Harry ao seu lado. – Me permite dançar uma música com Hermione?
- É claro que ele permite. – Disse Hermione levantando-se. – Ele não gosta de dançar, mas eu sim.
- Ele não poderá fugir muito, logo a valsa nupcial começará.
Para pesadelo de Snape, Harry não estava mentindo, em alguns minutos a banda chamou os noivos para o meio do campo e começou a tocar uma valsa lenta e bonita.
- Coloca sua mão na minha cintura. – Sugeriu Hermione.
- Acha que só porque passei anos de minha vida recluso em uma masmorra sem ter contato com um amor eu não sei dançar?
- Sim, mais ou menos isso.
- Não me conhece muito então.
Como um verdadeiro mestre, Snape a levou por toda a pista de dança. Seus passos eram precisos e seus cabelos voavam quando ele girava. Hermione apenas sorria deixando ser levada por ele.
Logo Dumbledore roubou a noiva para dançar e Snape voltou para sua mesa. Os pares se formaram e muitos estudantes brigavam para dançar com Hermione. Snape não se importava com isso, sabia que só queriam ficara a sós para perguntar a ela como conseguiu se casar com ele.
Um elfo lhe trouxe mais champagne e ele apreciou seu momento solitário com o copo e a mesa vazia.
- Dança comigo, senhor?
Snape sentiu um calafrio passar por sua espinha como se um fantasma houvesse pousado a mão em seu ombro. Aquela voz era parte de seu pesadelo constante, o pesadelo de todos os dias. Devagar virou o corpo rígido e olhou para a dona daquela voz apenas para sentir mais arrepios ao afirmar as suas duvidas.
Ela estava ali, parada ao seu lado. Era uma mulher agora. Seus olhos eram duros, mas ela sorria levemente. Seus cabelos vermelhos eram brilhosos e caiam pela suas costas balançando com a leve brisa. Ela se aproximou devagar e levou a mão até o rosto de Snape. Paralisado como estava, o professor apenas observou a mulher passar os dedos pelas cicatrizes ao lado de sua boca e em seu olho.
- Você parecia mais perigoso anos atrás.
- Samantha.
- Sim.
- O que...- Não conseguiu dizer o resto.
- Eu te pedi uma dança. Sei que você é um homem que respeita uma mulher e não irá me negar isso.
Ela pegou sua mão e o levou até o meio da pista, quando achou um lugar ideal parou e se aproximou colocando sua mão no ombro dele e a dele em sua cintura. Snape não se movia e Samantha tinha que guiá-lo.
- Parece que viu um fantasma. Deve estar pensando como uma menina que você violentou anos atrás veio parar no seu casamento.
- Sim. Eu não estava pensando isso. Estava pensando no motivo que a trouxe aqui. Mas apenas um vem em minha cabeça.
- Vingança. – Sorriu a mulher enquanto se aproximava mais. – Mas esse não é o motivo. Vim te agradecer.
- Você é masoquista então.
- Não. Não tive nenhum prazer em ser violentada por você.
- Então é louca.
- Quase fiquei. Naquela noite em que você visitou meu quarto, eu me senti machucada, violentada e desprezada. Senti nojo de você, senti repulsa, mas senti mais raiva por você ter me deixado viva sentindo meu corpo dolorido e sangrando.
- E, no entanto, você quer me agradecer? Isso só me faz acreditar mais ainda que você é masoquista ou louca.
- Talvez, mas depois daquele dia, ou melhor, depois de anos de depressão e nojo de mim mesma, eu tive uma visita muito curiosa. Para ser mais exata foi há quase dois anos atrás. Uma mulher. Sua mulher. Ela foi me visitar para falar do que havia acontecido, falar o porquê você fez aquilo, me explicar as razões de tudo que aconteceu.
- Fiz porque quis.
- Fez porque foi obrigado. – Falou Samantha com firmeza. - Na hora em que ela me disse isso, eu gritei, a chamei de louca e desvairada. Mas ela continuou a falar, mesmo comigo gritando como uma louca e pedindo para ela ir embora. Foi no meio da gritaria que eu ouvi que você foi obrigado a fazer aquilo.
- Não fui não. – Disse Snape sério lembrando-se dos momentos que jurara esquecer, ele parou de dançar e apenas olhava para os olhos verdes dela. - Eu não fui obrigado, eu podia ter negado, mas eu fiz.
- Se você negasse, ele mataria você. Matando você, esse mundo não teria chance de se salvar. Um ato leva a uma conseqüência e uma conseqüência leva a outra. É uma pilha de dominó e você era a primeira peça que jamais deveria cair, ou então ruiria tudo e todos. O seu livre arbítrio era falso, você jamais foi livre, pois o seu coração sabia que deveria fazer o certo mesmo que fosse necessário violentar e matar. Esse era o certo. Era o seu certo. Parece que todos os outros conhecem sua vida melhor que você e acreditam mais em você do que você mesmo.
- Eu já disse que fiz porque quis.
- Ele me mataria. – Disse Samantha não ligando para o que ele havia dito. - Se você não fizesse, ele me mataria. E não precisei que alguém me dissesse isso. Se você negasse, ele iria te mostrar outra pessoa, outra menina, talvez mais nova e ingênua e me mataria por não servir para você.
- Eu quase a matei.
- Mas não matou. Eu estava no caminho dos comensais e do próprio Voldemort. Era meu destino passar por isso ou morrer. Você pode ter acabado com minha inocência, mas você me salvou, e eu precisei de alguns anos para saber disso. Eu não estaria aqui se não fosse você, talvez ninguém estivesse aqui se não fosse por você. Você é um herói Snape, por mais que não goste e não acredite nisso, você é um herói. Não é fácil fazer o que é necessário e talvez você só tenha conseguido pelas coisas ruins que lhe aconteceram quando criança. Sim, ela me contou tudo. – Disse Samantha quando Snape olhou para Hermione a alguns metros de distância. – Eu precisava saber para poder entender. Cada um tem um destino e um motivo para estarem aqui. Sei que é injusto e cruel, mas talvez, somente talvez, esse era o seu motivo, ser o alicerce de toda essa guerra. Aquele sem cuja ajuda ninguém poderia vencer.
Eles haviam parado de dançar já fazia algum tempo e apenas ficaram se olhando até que Samantha estendeu sua mão passando por seu rosto novamente. Ele fechou os olhos quando ela ficou nas pontas dos pés e beijou suavemente a bochecha marcada.
- Você é uma boa pessoa, Severus Snape. Obrigada.
Ela envolveu os ombros dele em um abraço apertado sentindo os braços hesitantes e trêmulos corresponder ao aperto. Ela beijou o pescoço dele e sussurrou em seu ouvido
- Seja muito feliz Severus, ela te merece e muito. Obrigada novamente.
Eles se afastaram e os olhos verdes de Samantha piscaram uma última vez enquanto sorria, depois eles foram embora para nunca mais serem vistos. Após alguns anos Snape procurou saber sobre ela e descobriu que se casara com um advogado, teve três filhos e se mudou para uma cidade tranqüila no interior de Londres. Jamais voltou a vê-la.
- Tudo bem Severus?
- Hermione, você deveria estar dançando com seus amigos.
- Não quero estar com eles, quero estar com você.
A festa foi grandiosa. Os noivos receberam mais cumprimentos dos convidados e tiraram fotos para o profeta diário. Dayra se divertia com os primeiranistas que logo teriam que voltar para seus dormitórios e os estudantes mais velhos dançavam com as músicas da banda.
- Você se saiu muito bem hoje, Severus. – Disse Hermione em seu ouvido. – Pensei que teria um ataque com toda essa gente lhe dando atenção.
- Quem disse que eu não tive? Por que acha que estou sorrindo tanto? Estou tendo um ataque de Potterismo.
Hermione riu alto.
- Acho que já podemos sair daqui. Estou cansada. Essa barriga está me matando.
- Eu disse para fazer a cerimônia depois do nascimento.
- Não, eu quero já estar casada quando chegar a hora.
- Não tem necessidade.
- Para mim tem. Oh! Ele se mexeu. - Hermione colocou a mão de Snape bem em cima do lugar onde antes levou um chute da criança dentro de seu ventre. - Está muito agitado hoje por causa da música
- Que péssimo gosto. Vou ensiná-lo a apreciar o leve sabor da música clássica, assim como os livros de minha biblioteca particular.
- Eu sei que ele será um perfeito Snapezinho.
Snape fez uma careta para o apelido de seu filho e acariciou novamente a barriga de nove meses de sua mulher.
- Vamos sair logo daqui.
Discretamente os dois saíram do campo de quadribol e foram para as masmorras. Snape a carregou no colo com um pouco de dificuldade e a deitou na cama de dossel, retirando seu sapato.
- Não precisava ter me carregado. Estou enorme de gorda. Sei que foi difícil.
- Carregar a mulher ao entrar na casa até o quarto é uma tradição nos casamentos trouxas. Eu não queria que você não tivesse isso. Agora, eu sei que gosto de você nua, mas esse vestido está tão perfeito que acho que não irei tirar.
Hermione sorriu, mas logo seu sorriso se transformou em uma careta horrível quando o grito de dor ecoou pela parede do quarto.
- Severus, acho que... que vai nascer.
Outro grito.
Snape a colocou deitada e arrumou os travesseiros. O liquido da bolsa estourada molhava a cama enquanto Snape tentava fazer Hermione se acalmar.
- Não me mande me acalmar e chame alguém.
- Dobby!
- Sim mestre. – Disse o elfo aparecendo ao lado da cama.
- Vá até o campo de quadribol e chame Madame Pomfrey, diga que o bebe está nascendo.
- Sim, senhor Snape.
Poucos minutos se passaram até Madame Pomfrey abrir a porta do quarto e entrar correndo sendo seguida por Dumbledore, McGonagall e os pais de Hermione.
- Pelo amor de Merlin, Severus, o que houve?
- Ele está nascendo.
Parecia que toda a festa havia sido transferida para os corredores das masmorras e era possível ouvir os professores tentando evitar que os alunos entrassem.
- Hermione querida. – Disse Pomfrey medindo sua temperatura e sua pulsação. - Ficará tudo bem. Você passou por isso uma vez, vai conseguir passar novamente. Vamos lá, respire fundo. Eu preciso que todos vocês saiam.
- Não irei sair.
- Severus, eu sei que é sua mulher, mas preciso que fique lá fora, aqui dentro ficará somente Minerva e a senhora Granger. Você acabaria me atrapalhando. Por favor, quanto mais rápido saírem, mais rápido ela terá o bebe.
Snape estava pronto para retrucar quando Hermione gritou novamente. Seus olhos estavam fechados e ela suava.
- Vamos Severus, temos que saber quando não somos desejados no recinto. – Disse Dumbledore.
Snape saiu bufando e esperou no corredor que já estava ocupado por diversos alunos que o observavam, porém Dumbledore fez com que todos fossem embora. Snape estava prestes a amaldiçoá-los. Após algumas horas, os professores restantes estavam cansados e muitos pediam que fossem avisados sobre o nascimento, pois estavam voltando para seus dormitórios. No fim, restaram apenas Snape, o senhor Granger, o senhor Weasley e Dumbledore, além de Rony e Harry. Esgotado e preocupado, se sentou no chão e encostou a cabeça na parede fria. Em suas mãos ainda segurava o véu do vestido dela. O senhor Weasley sentou-se ao seu lado e colocou a mão gentilmente em seu ombro.
- Calma Severus. Esse nervosismo é normal. Por mais filho que nós tenhamos, caso Molly fique grávida novamente, eu sentirei esse embrulho no estomago também, mas tudo ficará bem. Hermione é saudável e logo você sentirá a felicidade de carregar seu filho nas mãos.
O tempo demorou a passar, mas ninguém arredou o pé de onde estava. Cada grito de Hermione era um pulo no coração de Severus. Dayra tinha ficado com Gina, mas não conseguia dormir e exigiu ficar com Snape, fazendo a ex grifinória levá-la até as masmorras. A menina se aproximou e sentou-se ao lado dele apoiando a cabeça em seu peito, enquanto segurava sua mão.
- Mamãe ficará bem? – Perguntou a menina com a voz quebrada.
- Sim. – Disse Snape puxando-a para seu colo e a abraçando, Dayra escondeu o rosto em seu pescoço. – Claro que vai ficar.
Depois de mais três horas de gritos e muito desespero, Snape, que estivera o tempo todo com o rosto escondido no véu amassado em suas mãos, ouviu ao fundo um pequeno choro. Fino e distante, mas era um choro. Um choro de bebe. Ele levantou os olhos quando Minerva abriu a porta e saiu limpando a mão suja de sangue em uma toalha.
Ela sorriu.
- Parabéns Severus, você é pai e em dobro. São gêmeos. Uma menina e um menino saudáveis. Os dois com dois quilos e meio.
Snape acordou Dayra levemente e se levantou olhando seriamente para a mulher a sua frente. Todos a sua volta deram vivas e ele sentiu muitos tapinhas amigáveis em suas costas assim como o abraço de Dayra em sua cintura.
- Posso vê-la?
- Claro. Ela está descansando no quarto.
Snape entrou devagar. Hermione estava na cama amamentando o que pareciam ser dois amontoados de cobertor.
- Oi.
- Oi Severus.
Snape se sentou na cama e olhou para eles. Era estranho, não sabia o que fazer ou falar. Somente naquele momento se deu conta de que era realmente pai de dois seres minúsculos. Devagar e com receio ergueu a mão e tocou no rosto de um deles. Era tão frágil. Os bebes não se davam conta de sua presença, mas ele os via e estava admirado. Seus olhos brilhavam e seu sorriso se ampliava conforme se aproximava e os tocava sentindo pela primeira vez na vida uma emoção tão grande que não cabia nele.
Após alguns minutos Dayra entrou no quarto e subiu na cama se aproximando devagar de Snape, enquanto olhava para as duas pequenas criaturas.
- Dois. – Disse a menina.
- Somos sortudos. – Disse Hermione sorrindo para a menina - Puxei o gene de minha família, há gêmeos entre a família de meu pai. Somos sortudos.
- Sim somos. – Concordou Snape ainda sem afastar o olhar das crianças.
- Temos três filhos lindos. – Disse Hermione sorrindo para Dayra que olhava seus irmãos com curiosidade.
- Eu era assim quando eu nasci?
- Não. – Respondeu Snape sentando-a em seu colo e a abraçando. - Você era especial, é única.
- E eles são dois.
- São.
Nenhuma outra palavra foi dita. Snape acariciava seus filhos e Hermione apenas descansava enquanto eles terminavam de mamar.
Depois de saciados, os pequenos Snapes bocejaram e dormiram. Snape pediu ajuda de Madame Pomfrey para colocá-los no pequeno berço, afinal, não tinha muita pratica para carregá-los. A enfermeira ainda ficou alguns minutos verificando se estava tudo bem com Hermione e dando instruções sobre os cuidados que eles precisariam ter dali em diante. Com ajuda de feitiços rápidos, Hermione estava banhada e pronta para dormir em sua cama confortável e limpa. Snape ficou admirando os bebes no berço até que Hermione o chamou e ele se deitou ao seu lado olhando em seus olhos e sorrindo de leve.
- Onde está Dayra? – Perguntou Hermione
- Eu a levei para a cama. Ela estava dormindo no sofá.
- Não sei como consegue agüenta-la, ela está enorme.
- Se eu consigo agüentar todo o seu peso com apenas um braço e em pé quando você inventa aquelas posições doidas e acrobatas, acho que consigo agüentar uma criança magrinha como ela.
- Tudo bem, já entendi. – Disse Hermione rindo. – Só quero ver quando ela for sua aluna. Não poderá favorecê-la como fazia com Malfoy.
- Nunca favoritei Malfoy.
- Que mentira!
- Que seja, eu não vou favorecer Dayra em nada. Ela tem que merecer os pontos e notas. E digo a mesma coisa para você. Afinal você sempre deixava o Weasley copiar sua lição.
O dia já estava bem claro quando Hermione e Snape pararam de conversar sobre coisas banais e voltaram a atenção aos bebes que acabavam de mamar novamente. Dayra acabara de aparecer com cara de sono e subindo na cama da mãe. Ainda bem que era domingo.
- Já escolheu os nomes? – Perguntou Snape voltando a se deitar após colocá-los de volta nos berços. Um deles teve que ser conjurado de última hora.
- Não, não quero escolher sozinha. Me dá uma sugestão.
- Posso dar um nome para o menino? – Perguntou Dayra se deitando no meio dos dois e puxando o braço de Snape para abraçá-la.
- Claro que pode. – Respondeu Snape beijando sua cabeça e apertando mais perto dele. Aquela menina era seu sonho e preciosidade. Jamais poderia se separar dela. Faria de tudo para que ela não soubesse de nada sobre sua vida de espião e mais ainda que jamais tivesse que passar por nada que todos passaram. Ele iria protegê-la para sempre e iria receber em troca só o sorriso nos olhos dourados.
- Quero que se chame Lucian. Eu acho bonito, era o nome de um amiguinho meu no mundo trouxa.
- E a menina? – Perguntou Hermione.
- Eu pensei em colocar de Samantha – Disse Snape olhando para sua esposa e a vendo olhá-lo profundamente - Mas não acho que seja apropriado.
- É muito apropriado – Disse Hermione mexendo na pulseirinha que Snape nunca tirou de seu pulso. – Eu gosto, ela se tornou uma grande mulher, bonita. Nossas filhas também serão assim e nosso filho será um homem de honra igual o pai.
Snape sorriu e se inclinou para beijá-la ouvindo um risinho baixo de Dayra. Naquele dia ele soube que jamais teria uma vida escura como antes. Ele estava finalmente completo.
Fim.