Thaiana, na verdade quando eu escrevi nem reparei que havia escrito a mesma cena em pontos de vista diferentes, percebi só depois, mas também faz tempo que escrevi...... mas parece que ficou bom, porém agora vamos logo saber o que está dentro daquela sala neh.... bjusss
Capitulo 32 – O confronto
Hermione piscava seus olhos diversas vezes não conseguindo entender o que via.
Era um sonho? Um pesadelo?
Seja o que for era irreal, louco e maníaco.
Era uma visão que entrava em sua carne e transbordava em suas veias. A fazia tremer, suar, temer. Era a encarnação do ódio, do inferno. Era Lúcifer nos olhos dele, era um anjo caído.
O teatro era grande servindo de átrio para a recepção que o demônio esperava para dar aos seus convidados.
- Olá, olá, olá, minha amada Hermione. Quanto tempo.
Os dentes brancos de Robert brilharam na luz fluorescente que iluminava seu corpo deformado e nu.
O belo homem de cabelos pretos e olhos dourados era agora um pedaço de carne podre rindo no palco de seus pecados. Dava para se lembrar do Moddy ao olhar para o rosto dele, pois assim como o auror, o olho dourado não estava ali, tinha apenas um buraco negro. Seus cabelos pretos, tão leves que voavam no vento, estavam falhos e ralos. A boca rosada estava puxada para baixo em uma careta eterna e seu corpo inteiro estava queimado, sua pele repuxada pelas cicatrizes.
A guerra.
O grito.
- Hermione!
A explosão e depois a morte.
- Você morreu! Com aquele feitiço.
- Resposta errada meu amor. Eu nunca estive morto. Aquele feitiço passou raspando por mim, mas eu bati a cabeça ao cair no chão. Por um reles momento perdi a consciência, apenas alguns segundos.
Hermione tremia lembrando-se do dia fatídico.
- O teto do andar caiu sobre mim me deixando preso. Eu vi vocês irem embora e me deixarem. Eu senti meu corpo queimar aquele dia, quando a escola explodiu com a invasão dos malditos comensais. Eu estava queimando e ninguém foi me acolher, eu sentia o cheiro de minha própria carne torrada e a única coisa que eu pensava era que não era digno o suficiente para morrer. Mas alguém teve piedade de mim e eu aguardo com satisfação o dia de encontrar quem me deixou jogado em um hospital trouxa com aquelas memórias e peles novas como se eu pudesse simplesmente mudar de vida.
Ele deu um passo para frente e Hermione recuou automaticamente.
- Mas sempre fui inteligente. Consegui sair daquele lugar em alguns meses. Meu corpo melhorava com rapidez, mas ainda assim ficou totalmente deformado. Entretanto, eu sou um bruxo, podia fazer uma poção que me disfarçasse. Foi o que fiz. – Citou quase sentindo orgulho. – Com um pouco de magia e feitiços obliviate, consegui me passar pelo querido e amável medibruxo do ST’Mungus. – Ele suspirou erguendo o pescoço como se estivesse cansado. – Posso até mesmo dizer que estava bem, jamais me lembrei de você. Algo em minha mente bloqueou a sua imagem. Mas então você apareceu no ST’Mungus e tudo simplesmente explodiu em minha cabeça. Todos os nossos momentos juntos. E então eu soube que estava apenas esperando você, durante todo esse tempo.
As luzes pareciam acompanhar o corpo de Robert enquanto ele descia lentamente os degraus da pequena escada do palco, pequena demais para retardar a aproximação. Logo ele já tocava com seus dedos queimados na pele macia de Hermione.
Sua pele parecia queimar junto com o toque dele. Era ardente, doloroso. Seu peito fechou-se e já não conseguia mais respirar. Ele fedia.
Robert aproximava-se mais fazendo-a sentir o hálito podre dele. Seu corpo nu era maior do que quando o viu antes, estava com mais músculos e menos pele. Era horrível e estava quase encostando ao seu.
- O que é isso? – Perguntou Robert sussurrando em seu ouvido – Uma arma? Acha que pode me matar com uma arma?
- Você não tem poder suficiente.
- Desde quando eu preciso de poder para dominá-la?
Hermione foi jogada na parede quando a varinha, que não percebera que estava nas mãos dele, lançou o feitiço sem que ela sequer imaginasse. Ela sentiu o corpo arder como se um chicote batesse em sua pele a jogando na parede onde as mãos dele se postaram em seu pescoço.
Ele ria a olhando nos olhos enquanto apertava suas mãos. Olhos que perdiam o seu fogo. Sua respiração fora totalmente cortada, a mão dele apertava seu pescoço com força fazendo-a sentir o sangue parando de circular pelo seu corpo, sua cabeça doía. Seu corpo adormeceu, ela iria desmaiar, mas de repente as mãos afrouxaram e a soltaram.
Robert sorriu mais abertamente com sua careta quando sentiu a ponta de uma varinha em sua nuca.
- Snape! Agora a festa está completa.
Hermione caiu no chão sem ar quando o corpo dele se virou para encarar os olhos mortais do comensal da morte com a varinha apontada para seu rosto.
- Laine!
Os olhos negros de Snape encararam o único olho dourado naquele rosto repulsivo.
- Acho que me precipitei ao pensar que não veria mais a sua presença desprezível.
- Posso dizer o mesmo, senhor Laine.
- Por que essa cordialidade toda Snape? – Perguntou Robert com um sorriso estranho no rosto – Sei que quer me matar, deseja isso desde o primeiro momento em que nos vimos, quando percebeu que Hermione me queria.
Snape seguia pela linha circular que Robert traçava sem tirar os olhos dele. Dentro dele o que mais queria era matá-lo, matá-lo o mais rápido o possível, esmagá-lo como a um inseto, mas precisava saber onde estava Dayra.
- Sabe Snape, eu sempre tive pena de você. Tão solitário e manipulado por Dumbledore. Você por um acaso já teve a sorte de escolher sozinho algo de sua vida? – Perguntou Robert girando a varinha ainda apontada para o comensal
- Eu escolhi matá-lo.
A varinha de Snape fez um leve movimento, mas a risada grave de Laine o fez parar imediatamente.
- Você não fará isso meu caro Snape.
- Deve imaginar que estou ansioso para saber o motivo senhor Laine.
- O malvado professor de poções sabe o que é dar uma detenção, sabe como se fazem julgamentos injustiçados, sabe castigar, mas esse professor seria capaz de deixar que uma criança como ela – Apontou para o alto – Morresse?
O grito de Hermione entrou no corpo de Snape como se adicionasse fogo em suas veias, fogo que refletia em seu olhar.
No palco, pendurada de cabeça para baixo em uma cruz invertida estava Dayra. Seus braços abertos enunciavam os puxões e apertos feitos pelas mãos de Laine. Hermione chorava não conseguindo tirar os olhos de sua filha, sua miniatura, sua vida, mas por um minuto apenas a risada de Snape a fez olhar para ele.
- Por qual motivo acha que me importo com a vida dela? É apenas mais uma vida. Acha mesmo que me importo?
- Acho.
- Subestima meus sentimentos, senhor Laine. Não sou o Dumbledore.
- Eu sei, afinal Dumbledore nunca se apaixonou pela mãe de Dayra, a minha mulher.
- Deveria ter mais cuidado com o que te pertence.
- Acho que sim. Que bom que existe o “achados e perdidos Snape”. Epa! Acho melhor baixar essa varinha. Eu não sou idiota. Sabia que viria atrás de mim, então me precavi. Eu vi você no hospital com a menina, vi o quanto o professor de gelo se derreteu pelos olhos da criança. Então, pensando nisso, lancei um feitiço nela. Qualquer feitiço que jogar em mim será revertido para ela – Ele riu alto vendo a surpresa de Snape – Exatamente Snape, eu não sou tão forte quanto antes, mas sei fazer um feitiço e foi fácil saber que feitiço fazer visitando uma única vez a biblioteca do hospital, não é incrível? – Perguntou rindo parecendo um gênio que descobriu algo muito importante. – Não é incrível que mesmo sem poderes extraordinários como os seus, eu consegui ter essa ligação com a pirralha? Não pode me enfeitiçar Snape.
- Não – Disse a voz arrastada de Snape – Não posso
A varinha quicou algumas vezes no chão antes de parar bem longe de Snape. Hermione o olhou sem entender, mas os olhos negros dele estavam calmos e duros. Não pareciam assustados e até um sorriso brincava em seus lábios.
- Severus? – Sussurrou Hermione franzindo a testa
O fantasma negro de Snape caminhou lentamente até perto de Laine e sorriu malignamente. Algo estava sendo planejado em sua mente, algo insano e com certeza, perigoso. Hermione tinha medo.
Os dedos brancos dele brincaram com a pulseirinha de Samantha e começaram lentamente a tirar a capa esvoaçante. De tão encharcada as pontas derramavam as gotas d’água.
Em nenhum momento Snape olhou para Dayra, suas mãos simplesmente tiraram o casaco e colocavam dobrados em cima de uma cadeira. No fim restou apenas sua camisa branca com as mangas arregaçadas.
- Já foi um comensal Laine?
- Desculpe, nunca recebi um único chamado do seu clube.
- Para ser um comensal, não basta ter essa marca - Mostrou o braço esquerdo onde a marca mexia-se calmamente na pele alva - É preciso conhecer a essência de ser um comensal. É necessário saber as conseqüências de seus atos e ter amor...amor pelo sangue, pelos gritos, pelos olhos desfocados de medo. É uma paixão que te consome a alma, é inexplicável. Sabe o que é isso? Essa chama inflando pelas veias?
Robert diminuiu um pouco o seu sorriso vendo Snape se aproximar tão devagar do rosto dele.
- É ser aquilo que mais dá medo em um pesadelo, é ser aquele ser que jamais desejaria, é sentir sua própria dor e pedir por mais. Isso é um comensal.
Robert estendeu a mão e tocou de leve as marcas no rosto de Snape. Velhas cicatrizes quase apagadas. Traçava a linha que passava pelo seu olho e a que entortava a sua boca.
- Monstro por monstro.
- Cicatriz por cicatriz.
As mãos de Snape envolveram o pescoço de Robert o jogando longe no grande palco iluminado, Hermione tapou a boca quando Robert lançou uma maldição em Snape que por pouco não foi atingido, o feitiço fez vários assentos voarem enquanto Snape, que não poderia usar magia, dava a volta no palco e pensava o que iria fazer para ajudar a menina. Ao chegar na parte de trás do palco Snape olhou para Dayra, provavelmente ela fora colocada a pouco tempo naquele lugar, o que era a sorte dela, pois Snape sabia que o sangue não teria força para correr pelo seu corpo se permanecesse daquela forma, ele tinha que agir.
- Acha que pode me vencer assim Snape? - Perguntou Robert virando-se quando Snape pulou em cima dele tentando atingi-lo – Você pode até ser poderoso, um comensal e bruxo exemplar, mas não é nada sem sua varinha.
O corpo de Snape bateu em uma coluna quando foi jogado no ar pelo feitiço não verbal de Robert, estava em completa desvantagem sem a varinha, sabia disso, mas não iria desistir. O mestre de poções se mexeu e sentiu seus ossos estralarem enquanto sua cabeça rodava, mas o ato fez seu sangue correr mais rápido em seu corpo e o cheiro do corpo queimado dele o chamava, era irritantemente gostoso.
Ele levantou e andou até próximo de Robert que mantinha a varinha erguida apontando diretamente para o peito de Snape. Mas um feitiço passou raspando sua cabeça, vindo de onde Hermione estivera a apenas um segundo, aquele misero momento de distração foi o necessário para Snape poder derrubar Robert no chão e o manter preso enquanto pisava em seu peito e na mão que segurava a varinha, um rosnado baixo saiu da garganta de Snape.
- Estou começando a achar que gosta de ficar por baixo senhor Laine!
Um sorriso brotou no rosto de Laine e seu braço livre bateu com força nos joelhos de Snape o fazendo gritar e cair.
- Quem está por baixo agora Snape? - Perguntou Robert segurando o colarinho da camisa de dele e o trazendo para perto enquanto o outro gemia de dor pelo joelho fraturado - Está doendo Snape? Está? Oh tadinho de você, estou com tanta pena Snape, tanta pena. O grande e imponente Snape, o morcego das masmorras, o comensal temido. Você não está mais tão temível não é?
Snape sentiu o sangue na boca quando o punho acertou seu queixo. Seus olhos arderam com o soco na boca do estomago, mas mesmo com o joelho quebrado e as costelas ardendo em protesto, suas mãos voaram para o rosto já deformado de Robert o fazendo jorrar sangue pelos lábios e mais uma vez o levou ao chão. Já não era mais bruxo e bruxo, nem homem e homem, eram dois animais, primitivos. Snape sentia aquele monstro querendo rasgar a sua pele e sair.
Hermione não conseguia mexer-se um único centímetro, seus olhos arregalados de medo focalizaram a imagem de Snape desvairado em cima de Robert batendo em seu rosto, deformando o que já não se conseguia distinguir.
Era o ódio, era o medo irreal, era irracional, era Snape.
Os cabelos negros pingavam suor e sangue quando parou de bater e tentou sair de cima dele pensando que o tinha eliminado, mas seu corpo fora novamente jogado no chão.
De bruços e com a cabeça para fora do palco ele sentia o peso de Robert em suas costas segurando suas mãos.
Estava sem poder, não tinha sua varinha, e o que ele era sem varinha? Nada
Seus músculos paralisaram, seu sangue foi direto para seu cérebro impedindo que seus pensamentos fossem concretizados. Agora Snape só conseguia ver gotas vermelhas de sangue que caiam de sua boca no chão impecavelmente elaborado.
Os pés de Robert apertaram os ossos do joelho de Snape o fazendo gritar como se um feitiço cruciatus fosse lançado em seu coração. A voz de Robert soou baixinha em seu ouvido.
- Você não é nada Severus Snape.
A cabeça de Snape foi violentamente batida no chão e o sangue escorreu pelos olhos, embaçando sua visão. Mas seus ouvidos captaram cada tremida da voz de Hermione gritando enquanto era arrastada por Robert para fora do salão.
Snape ficou ali, no escuro, de costas sentindo-as protestar, doer, arder. Seu joelho estava estilhaçado e ele sentia cada pedacinho de seu osso quebrado dentro de sua pele. Seus olhos estavam vermelhos pelo sangue que deslizava de sua cabeça.
Por um momento ele era suas próprias vítimas, feitas em um momento de obrigação. Um momento de puro ódio de si mesmo. Ele era Samantha e todos os outros que durante anos viu serem mortos pelas suas mãos ou comando.
Ele era nada.
Um nada solitário.
Um nada que mal respirava.
Solitário.
Os gritos dela se afastavam.
Solitário.
Seu corpo não se mexia.
Solitário.
Sua mente o prendia.
Solitário.
- Snape.
A voz pequena e fina vinha de cima como se um anjo estivesse descendo do céu mais belo para lhe dar sua sentença de morte. Porque afinal de contas ele estava morto, não estava? Já havia morrido faz tempo. Por mais absurdo que tivesse sido o pensamento de que ainda existia vida dentro de si ele sabia que estava morto.
- Snape.
A voz continuava a lhe chamar, mas não estava chegando perto, continuava no mesmo lugar, no alto, pendurada de cabeça para baixo.
Dayra.
A razão por qual veio. A criança que dependia dele. E ele, o que estava fazendo? Desistindo? Em sua mente vieram imagens torturantes.
Lillian sorrindo como um raio de sol. Potter acenando lentamente com a cabeça ao inocentá-lo com as lembranças de Alvo que também sorria para ele.
Dayra o abraçando com medo de um pesadelo, mas sem temer seus negros olhos.
E finalmente Hermione, bela com seus cachos soltos em seus ombros, voando ao vento. Ela sorriu triste para ele, triste como se jamais fosse vê-lo.
Daria essa tristeza para ela? Faria com que ela chorasse sua partida novamente?
Desistiria de todos eles?
Hermione era arrastada pelas escadarias do prédio. Sua varinha a muito fora jogada pela janela. Por sorte passaria a ser apenas um galho aos olhos dos trouxas que circulavam o prédio em busca de informações sobre o grande acontecimento. Podia ouvir o barulho das sirenes na rua enquanto era puxada cada vez mais para o alto.
O corpo de Robert deixava rastros de sangue pelos degraus à medida que suas feridas abriam-se pelo esforço de levar Hermione.
Ela já havia desistido de tentar se livrar das mãos dele, Robert era forte demais para uma pessoa magra como ela. Depois de um longo tempo sendo arrastada pelas escadas, sentindo seu corpo doer cada vez que batia nos degraus, uma porta foi aberta e o ar gelado da noite a atingiu fazendo-a tremer pelo corpo molhado da água esguichada no prédio.
Foi difícil saber onde estava, mas finalmente conseguiu distinguir a imagem do para-raio e da lua logo em cima dele.
Estavam no telhado.
- Robert? Robert o que está fazendo?
De repente seu corpo foi suspenso no beiral do telhado. Hermione podia ver somente as luzes dos faróis dos carros da polícia. Era alto demais ali e sua varinha estava em algum lugar perdida lá embaixo.
- Robert, por favor, não faça isso.
- Hermione, meu amor. Sabe que sempre te amei.
- Eu sei, eu sei! - Disse desesperada olhando para baixo - Eu também te amei Robert, acredite.
- Eu sei. Mas sabe, como eu sempre te disse, não era sua mente que eu queria.
- Eu te dei o que você queria.
- Não, você me entregou seu corpo, mas era vazio, oco. Eu te queria inteira Hermione. Mas você queria se entregar a outro.
O vento bateu mais forte contra seu rosto lacrimoso e Hermione sentiu como se a própria morte lhe fizesse uma caricia em suas bochechas.
- Robert, entenda, não é assim.
- É sim, Hermione.
- Robert, pense em Dayra. Ela precisa de nós, nós dois. Os pais dela.
- Dayra? Acha que me importo com ela?
- É sua filha.
- Hermione, a única mulher que importava para mim era você! Mas você não me queria. Você queria à ele, você desejava à ele, então morra junto com ele.
O corpo de Hermione balançou violentamente quando os dedos de Robert começaram a se abrir
- Eu não faria isso se fosse você, senhor Laine.
Snape subira com dificuldade os degraus marcados pelo sangue de Robert e agora se encontrava em pé apoiado em uma perna só, com o rosto sangrento e uma arma empunhada em seu braço tremido. Não fazia a menor idéia de onde estava sua varinha.
- Ora, ora, ora, não é que o senhor Snape é mais forte do que imaginei, quer brincar como Hermione quis é? Aposto que nem ao menos sabe mirar isso direito, você é patético.
- Severus - Sussurrou Hermione.
- Quieta sua vadia. Não sabe que se não for minha não será de mais ninguém?
- Tudo isso é medo de admitir que perdeu, Laine? - Perguntou Snape enquanto chegava mais perto de seu inimigo.
- Eu não perdi nada Snape. Ela não me quis, mas negou a você também. Pelo menos o corpo dela eu tive.
Snape mancava enquanto se aproximava deles. Hermione segurava nos braços de Robert e rezava baixinho pedindo para que os dedos de sua mão não se abrissem.
- Aposto que nunca sentiu a textura desse corpinho não é? Nossa, nem sabe o quanto é prazeroso sentir os pêlos se arrepiando, aspirar o cheiro que emana quando o corpo estremecesse de prazer. Vou sentir falta de possuí-la, mas ela pediu, então não vou me arrepender.
O braço de Robert balançou novamente para fora do prédio, mas a risada de Snape o fez virar rapidamente para encontrar a arma devidamente apontada para sua cabeça.
- O seu azar é que sou filho de um trouxa que de tanto me bater, fez com que eu aprendesse a atirar, para poder matá-lo um dia. E a semelhança que vejo entre vocês dois está me deixando louco.
O barulho do tiro ecoou pela noite negra quando a bala alojou-se na cabeça de Robert o fazendo cair no vazio do espaço que o levava para o chão. A cena foi rápida e apavorante. Hermione ouviu o barulho do disparo e de repente seu corpo começou a cair. Ela sentiu as mãos da morte a puxando para si. Ela sabia que estava terminado. Tudo estava acabado. Ela iria morrer. Até mesmo aceitava o fato de morrer, no entanto que Dayra estivesse bem, ela se salvaria. Snape poderia cuidar dela. Poderia ficar com ela, estava em boas mãos.
Mas parecia que Snape não queria se despedir tão cedo que sua amada. Sua mão pegou rapidamente em sua blusa a puxando, mas logo se soltou e Hermione conseguiu se segurar na perna dele quando Snape quase caíra junto. A única coisa que os seguravam era a mão de Snape no beiral. Ele gritou quando sentiu os ossos de sua perna desgrudarem um do outro, mas não soltou as mãos do beiral. Respirou fundo e tentou subir, mas era peso demais para ele.
- Hermione! Hermione, acalme-se e me ajude.
Hermione não parava de olhar para onde o corpo de Robert colidira com o concreto.
- Hermione, preciso que suba pelo meu corpo e vá para o telhado.
- Não, eu não....vou conseguir, não vou.
- Vai sim sua grifinória, vai sim. Precisa fazer isso, eu não vou agüentar muito tempo. Suba.
- Não Severus.
- Suba Hermione, agora.
- Não.
- SUBA!
- Está bem. - Disse tremendo.
Sua mão se soltou da perna de Snape e tentava encostar na beira, mas era alto demais
- Suba em meus ombros.
- Tá.
Hermione subiu nos ombros de Snape e de lá pulou para a segurança do telhado.
- Severus, Severus! Vem, me dá sua mão.
Severus Snape era puro cansaço.
- Vem Severus, por favor, é só pegar minha mão,vem.
Os olhos de Snape se fecharam e por um momento Hermione pensara que ele tinha desistido que tinha se entregado a morte, deixá-la levar seu corpo como havia tentado levar o dela. Mas no momento seguinte a mão de Snape apertou a sua. Hermione o agarrou com força e puxou o corpo pesado. Snape gemeu quando Hermione puxou sua perna e se largou no chão respirando o ar puro que entrava com dificuldades em seu pulmão.
A mão de Hermione afastava seus cabelos grudados pelo sangue seco que escorreu de sua cabeça e beijava seus lábios machucados.
- Conseguimos. Pensei que te perderia. - Disse chorando e beijando ele.
Snape ignorou a dor em seus lábios e a beijou com voracidade.
- Acabou?
- Sim, acabou. - Disse Snape beijando-a novamente. - Você tem que ir buscar a Dayra.
- Eu sei, mas e você? Não posso deixá-lo sozinho.
- Hermione, eu sou um comensal da morte. Vivia com o Lord....
- Está bem, está bem, eu vou, mas já volto. - E com um último beijo desatou a correr escada abaixo.
Snape sorriu triste e olhou para o céu. A dor aguda em seu abdômen lhe era bem familiar.
Hemorragia interna.
Ao contrário das outras vezes, ali ele não tinha um elfo, Madame Pomfrey e nem ST'Mungus para lhe ajudar. Estava longe de tudo. Era só esperar agora.
Mais uma vez ele olhou para o céu.