Thaiana, que bom que estou dando esse efeito em vc que já havia lido a fic, quer dizer que é boa mesmo.... estamos acho que no penutimo capitulo..... vamos ver o que vai rolar
Ceci96, valeu mesmo pelo comentário, fico sempre muito feliz em saber que outras pessoas leem e gostam da fic.... obrigada mesmo.... bjussss
Capítulo 31 – Percepções atrasadas
POV Hermione
Me diga como eu vou respirar sem ar
Se eu morrer antes de acordar
Isso foi porque você me tirou a minha respiração
Estar perdendo você é como estar vivendo em um mundo sem ar
Não posso dizer, nem explicar, o sentimento que explodiu dentro de mim quando soube o que houve com minha filha. O ódio que imperou em meu peito quando ouvi aquele nome repulsivo.
Eu sabia que era ele. Cada olhar em minha direção com olhos de um falso médico, cada palavra, cada insinuação escondida. Eu deveria ter percebido. Mas já se passou dez anos, quase onze. Minha mente se desligara totalmente dele, o esquecera, o transformara em uma sombra de meus pesadelos.
Eu ouvi os médicos me oferecendo ajuda, mas como poderiam ajudar? Enfrentar um bruxo louco e maníaco, totalmente perigoso quando eram apenas medibruxos inocentes?
Não. Eles não podiam fazer nada.
Só havia uma pessoa a quem eu poderia pedir ajuda. Uma única alma no mundo teria condições de devolver minha filha. Eu fui até lá, eu andei devagar demais até a porta de madeira e não me surpreendi ao ver a placa na porta.
Ele não estava preso a nós, ele era livre para ir onde quisesse, mesmo que minha filha estivesse no hospital, sozinha e adoentada.
Ele nunca me pertenceu e quando quis fazer parte de mim, entregar seu coração aos meus cuidados, eu o dispensei.
Sou burra mesmo.
Deve ser por isso que estou sofrendo como uma condenada, nada deveria dar certo para mim, pois sou egoísta o suficiente para não o aceitar, para não o querer como ele é.
Eu mereço isso.
Sentei um momento nos degraus da entrada e olhei para o céu, a lua estava alta e bela, uma lua cheia que transbordava luz. Fechei meus olhos lentamente me lembrando do dia em que trabalhávamos no laboratório dele, sozinhos, como parceiros.
Ele ainda estava disfarçado para que os ex comensais não o pegassem, era bonito até, loiro e tudo o mais que qualquer garota gostava, mas não era igual a ele mesmo.
Todos diziam que ele tinha o disfarce perfeito. Eu era a única que conseguia vê-lo através daquele novo rosto. Só eu era capaz de ver os seus verdadeiros olhos atrás das lentes azuis. Eu conseguia ver o meu Severus.
Me encolhi quando a brisa fria da noite me atacou como castigo e me lembrei do sobretudo dado por ele, o mesmo que eu estava usando agora.
Ainda exalava o seu perfume doce de ervas. Ainda me fazia sentir suas mãos tocando nele, me esperando para colocá-lo em meu corpo, sua mão levemente roçando em minha pele sensível.
Eu tinha que ir atrás dele.
Tinha que tentar.
Só ele poderia ou a outra parte dele.
A parte que eu não queria lembrar, a parte que era melhor esquecer e a parte que eu precisava aceitar e conviver.
Eu estou aqui sozinha
Não quero partir
Meu coração não se move, está incompleto
Quero que haja um jeito para que eu possa fazer você entender
Mas como você espera que eu
Viva sozinha ? Entenda-me
Porque meu mundo gira ao seu redor
É tão difícil para eu respirar
Em um segundo eu já estava naquele local, em um segundo eu olhava para aquele monte de gente imaginando onde ele estaria, em um segundo descobri que minha vida tinha sido toda errada, em apenas um segundo.
Claro que olhariam atravessado, eu não estava vestida a caráter para uma festa como aquela, mesmo que meu vestido fosse bonito, mas não tão bonito assim. Eu era uma sem teto perto daquelas damas da alta sociedade.
È claro que minha vestimenta iria chamar a atenção dos guardas de lá, já até esperava por isso, minha varinha estava em minha mão escondida no bolso de meu sobretudo. Eu precisava encontrá-lo e nada me impediria. Nada.
Então fiz a única coisa que parecia correta no momento, andei junto com as damas e os nobres senhores que riam de sua fortuna. Misturei-me com a grande multidão e fui para o grande salão iluminado com os belos lustres e com quase todas as mesas ocupadas.
Era um grande evento.
Me senti mal por isso. Era a noite dele, uma noite que jamais teve em Hogwarts ou em outro momento de sua vida, a noite em que iriam realmente levar seu trabalho a serio, prestigiá-lo como deveria ser prestigiado. Eu sentia até vergonha de estar ali e pedir aquilo, mas a precisão era maior, um pouco abaixo do desespero, mas ainda assim grande.
Eu fiquei em um canto e esperei.
Todos se aquietaram, olhavam para frente, para a pessoa que iria falar ao microfone. Eu prestava atenção em cada rosto procurando por ele. A princípio eu não o achei, pensei em desistir, era loucura, mas então eu o vi.
Estava sentado em uma mesa com várias outras pessoas, maioria mulheres lindas.
Claro que não o vi antes, não teria reparado no belo homem de cabelos claros, olhos azuis e pele morena se não tivesse visto o vazio em seu olhar. O vazio que sempre vi no olhar dele, o brilho apagado que permanecia constantemente ofuscando seus olhos. Era ele. Conhecia aquele olhar bem demais para errar.
Alguns minutos se passaram e eu ainda o observava. Os lábios duros, o olhar sem nexo, a sobrancelha levantada demonstrando algum pensamento se formando, suas mãos mexendo de nervosismo e sua expressão de desdém para as mulheres atiradas ao seu lado. Eu senti ciúmes. Ele era meu, dentro de mim ele era meu, para mim, e eu sabia que somente para mim, ele era meu.
Finalmente ele se levantou, deu alguns sorrisos falsos e apertou a mão de alguns. Eu precisava agir. O tempo estava acabando e com ele a vida de minha filha.
Me diga como eu vou respirar sem ar
Não posso viver, não posso respirar sem ar
É assim como eu me sinto quando você não está aqui
fica sem ar, sem ar
Eu estava em águas profundas,
Me diga, como você vai ser sem mim?
Se você não está aqui, eu não posso respirar
Estou sem ar, sem ar...
- Severus! – A voz saiu quebrada.
Ele parou e demorou alguns segundos para se virar, ele reconheceu minha voz, sabia que era eu antes de se virar, ele tinha que me olhar. Meu coração parou, eu senti cada batimento mais fraco que o outro até não haver mais batimentos. Minha mão suou.
Por que depois de tanto tempo ele ainda causava isso em mim?
Senti meu corpo nu nesse momento. Ele estava me olhando, verdadeiramente me olhando. Olhou o mais profundo que pôde e me ignorou como se não me conhecesse.
Cínico.
Desafiei, continuei, eu não era de desistir quando já havia começado algo.
Meu coração ainda não batia e parecia querer sair pela minha garganta.
Insisti.
Ele me levou para uma sala, seu camarim. Que perfeito, sozinhos.
Zombei com seu nome enquanto forçava meu coração bater de novo.
Cinismo de novo.
“Pare com isso, por favor.” Pedi mentalmente, minha voz agora falhava.
- Como pode ter tanta certeza disso? – Ele me perguntou depois de eu afirmar quem ele era.
Eu sabia o que ele estava fazendo. Tentando ser outra pessoa para esquecer quem ele era mesmo. Fingindo não me conhecer quando havíamos nos visto há pouco tempo no hospital.
Foi nesse momento que senti as lágrimas virem de dentro. Là do fundo, as lágrimas que havia guardado há tanto tempo, as lágrimas que havia guardado para ele. Elas vieram em uma enxurrada de culpa, medo e dor, mas eu as segurei, não permiti que caíssem.
Foi com medo que me aproximei dele, cautelosamente, lendo cada movimento de seus olhos, captando as ondas de nervosismos que emanavam de seu corpo. Eu dizia como o conhecia, mas nem ouvi minha voz sair, só olhava para ele, só via ele, só queria ele.
Minha mão tocou seu rosto moreno e sentiu a textura de sua pele. Não era a mesma. Mas era ele.
Fechei meus olhos e respirei fundo. Aproximei-me mais. O mesmo perfume, meu coração estava congelado dentro de mim, sem qualquer reação. Eu esperava pelo momento em que eu também cairia sem reação. Falecida pela dor.
Eu caminho, eu fujo
Eu pulo, eu vôo
Logo fico longe do chão, flutuando até você
Não há gravidade para me segurar
Sendo sincero
Mas de alguma maneira eu ainda estou viva por dentro
Você levou minha respiração, mas eu sobrevivi
Eu não sei como
Mas eu nem me importo
- Só tem um jeito de saber.
Foi o que eu disse antes de me aproximar devagar, tremendo da cabeça aos pés.
Como pode um homem fazer isso? Ele não podia ser real, ninguém conseguiria fazer até os fios de cabelo tremer por sua presença. Os meus tremiam.
Senti medo e insegurança quando finalmente meus lábios encostaram-se aos dele.
De congelado, o meu coração passou para combustão em um milésimo de segundo. Queria sair pelo meu peito e voar livremente entre o mundo desconexo onde eu vivia. Meu sangue correu pelo meu corpo tão rapidamente que fiquei tonta. O perfume dele entrou em meus pulmões como o único ar que eu podia respirar me salvando da morte lenta em que eu estava me enfiando.
De repente eu estava nos braços dele, agarrada em seus cabelos negros, sentindo a textura de sua pele macia, apreciando seus toques leves e maliciosos, matando a saudade que me consumia.
De repente éramos nós, beijando-nos como se jamais fossemos nos ver, como se fossemos morrer naquele momento. Nada impedia que suas mãos me tocassem, me explorassem. Não respirávamos, nosso ar era o outro, nossa vida era o outro. Me vi sendo levada para o infinito e de repente ela me veio a cabeça forçando-me a voltar. Olhei em seus olhos e a vi. Tão frágil, tão sozinha, sofrendo.
- Dayra?
Ouvir o nome de minha filha nos lábios dele era mais dolorido do que um dia pensei que seria. Era tão egoísta sentir isso, mas eu a sentia como nossa. Ela era nossa.
- Me ajude.
Pedi em silencio, mas ele leu meus olhos, sabia que eu precisava dele, que ela precisava dele. A promessa saiu da boca dele como se me dissesse que iria me trazer uma bala do mercado da esquina, mas eu acreditei, ele traria minha Dayra de volta.
O noticiário começou e eu gaguejei. Toda a minha força se foi e eu estava indefesa em seus braços, chorando por ela.
E então ele se foi.
Ele foi para ela.
Eu fiquei. Estava cega, surda. Não estava ali. Quando finalmente acordei com o grito do policial, a única coisa que quis foi sumir. Sentia a adrenalina subir pelo meu corpo.
E depois a arma já pesava em minhas mãos. Eu os deixei para trás e fui para o encontro da morte. Eu sabia que não poderia com ele, nunca pude, talvez por isso sofri tanto, as marcas em meu corpo tentavam me fazer lembrar todos os dias quem ele era.
Mas eu não podia deixá-los.
Eu fui
Mas como você espera que eu
viva sozinha? Entenda-me
Porque meu mundo gira ao seu redor
É tão difícil para eu respirar
Me diga como eu vou respirar sem ar
Não posso viver, não posso respirar sem ar
É assim como eu me sinto quando você não está aqui,
Estou sem ar, sem ar
Estava em águas profundas
Me diga, como você vai ser sem mim?
Se você não está aqui, eu simplesmente não posso respirar
Estou sem ar, sem ar...
Ele já estava lá. Eu não devia temer, mas tremia de medo pela presença dele, pelo olhar dele, olhar que me lembrava o passado.
Samantha.
O nome dela sempre esteve em minha mente, gravado a ferro e fogo. Foi quando vi a pulseirinha no pulso dele. A pulseira de prata que eu praticamente joguei em sua cara quando a raiva inflamou em minhas veias me fazendo culpá-lo e julgá-lo. Ele nunca a tirou, carregou consigo como um lembrete de seus pecados. Era como uma chama de sua dor que se acendia sempre que se sentia curado. Ele nunca se curaria.
Eu era uma tola.
Ele se ia.
Caminhava lentamente pela água como se nada o impedisse, como se nada temesse.
Eu o segui devagar. Mas parei no começo do corredor.
Por algum motivo minhas pernas travaram e eu não pude continuar junto com ele.
A arma pesou e eu cai.
Ele se fora, a porta se fechou e eu não conseguia respirar.
Sem ar, ar
Oh...
Sem ar, ar
Sem...
Sem ar, ar
Oh..
Não mais...
A falta de ar era dolorida e incomoda. Eu não conseguia ver a parede ao meu lado, não sentia a água molhando meu corpo.
Eu estava no meu torpor mais profundo.
Procurava dentro de mim um lugar para me esconder, eu precisava fugir disso tudo, me encolher em um canto e esperar.
Se eu tivesse sorte a policia iria me achar e eu seria internada em um hospício para definhar o restante de minha vida.
Sofrer por ter desistido.
Fechei os olhos. Eu ainda não respirava.
“Levanta ”
Alguém falava comigo.
Mas eu não conseguia compreender direito.
Aquela voz tão macia, assim como a mão que me tocava.
“Mamãe levanta, tem que ajudá-lo”
Tudo escureceu e eu senti Dayra em meus braços. Ela me olhava com carinho e sorria de leve. Mas suas mãos logo se afastaram de mim e tudo clareou. Eu não estava mais com ela, eu estava deitada na água do corredor do teatro, a arma ainda na minha mão.
Eu sentia as gotas dos esguichos caindo em cima de minhas costas, era gelado, mas era bom. Parecia um chicote me obrigando a levantar enquanto escorria pelo restante de minha pele.
Eu respirava. Eu sentia o ar entrando em meu peito, me liberando de minha prisão pessoal.
Eu podia ver novamente e o que via era a porta no final do corredor.
Mas de alguma maneira eu ainda estou viva por dentro
Você levou minha respiração, mas eu sobrevivi
Eu não sei como
Mas eu nem me importo.
Fui para ela, praticamente corri, abri e nada que vi ou já passei em Hogwarts ou em qualquer outro lugar me preparou para aquilo.