Ele me olhou de um jeito
Que me fez desentender
Eu tinha quase que dezoito
Mas acabava de nascer
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O dono daqueles olhos negros era um homem alto, cabelos até os ombros (pretos como os olhos), vestes negras, de ar imponente que beirava a impiedade; Clarisse percebia naquele homem toda uma atmosfera soturna, e isso a atraía muito.
O homem levantou-se da poltrona e calmamente, em poucos passos, aproximou-se de Clarisse; ainda de pé olhou para a jovem sentada no tapete. Ela por sua vez olhava-o, como era alto e impunha autoridade! Na verdade os olhos de ambos, naquela cena quase que estática, queriam tragar o outro, eles perceberam que estavam iniciando um momento de Legilimência, porém Clarisse dando-se conta disso usou a Oclumência. Depois de fechadas as mentes, ele esboçou um sorriso pelo canto da boca e finalmente falou com sua voz grave e aveludada:
- Aprecia o preparo de poções pelo que vejo.
- Sim. – e por sentir certo tom irônico acrescentou – Preparo não somente as que são de domínio de todas as bruxas, mas as que exigem total precisão e perspicácia. Conheço poções tão poderosas as quais bruxos que levam a Ordem de Merlin desconhecem.
- Se for verdade o que diz, a senhorita é uma raridade entre esses jovens sem nenhum talento Srta. ...
- Sunshine.
- Então estou frente a mais nova integrante da Ordem.
- Receio que ainda não. Dumbledore achou melhor não me admitir por enquanto. – calou-se ao lembrar-se dos motivos que levaram o diretor de Hogwarts a fazer tal escolha.
Ele abaixou-se e sentou ao lado de Clarisse, fitando impassível a jovem, disse em um tom que ela entendeu como sendo sincero:
- Eu realmente sinto muito pelos seus pais.
Sem saber o que dizer, Clarisse respondeu um velado:
- Obrigada.
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Tudo se passou num instante
Entre um piscar e um olhar pra trás
E aquilo que eu era antes dele
Sumiu, não voltou jamais.
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Ela já estava engarrafando a última dose de Amortentia quando o homem quebrou o silêncio:
- Percebi que a senhorita domina a Oclumência.
- Sim, realmente possuo este dom, mas não foi muito educado da sua parte tentar entrar na minha mente Sr. ...
- Snape. – diante da postura da jovem teve a sensação de estar frente a uma digna sonserina e, sorrindo pelo canto da boca continuou. – A partir do dia 1º de setembro serei seu mestre de Defesa Contra as Artes das Trevas e seu professor particular de Oclumência.
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E eu tentei falar com ele,
Pensei que era assim
Nos filmes, nas telenovelas
Mas eu gostava é de gibi
Mas eu não sei
Se eu vou
Terminar sozinha.
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- Que interessante. Dumbledore falou-me rapidamente sobre eu ter um professor de Oclumência. – disse Clarisse com uma malícia quase imperceptível – É diretor de alguma casa professor?
- Sonserina, e... – acrescentou em um tom que Clarisse entendeu ser amigável – enquanto o período letivo não começar não há necessidade de tratar-me por “professor”, somente o sobrenome já é suficiente.
- Certo Sr. Snape. – ela pegou o seu kit e seus frascos de Amortentia. Levantou-se – Foi realmente um prazer conversar com o senhor.
O bruxo também ficou de pé, Clarisse ficou impressionada com sua agilidade, ele possuía movimentos rápidos e precisos; deduzira que ele deveria ser um oponente com quem valesse a pena lutar em um duelo; ele com seu ar impassível disse a jovem:
- Posso dizer o mesmo Srta. Sunshine.
- Boa noite Sr. Snape.
- Boa noite.
Quando Clarisse deu as costas a ele, o bruxo inesperadamente falou:
- Eu quis poupar a senhorita de ter o trabalho de prepará-la – e tirou do bolso um frasco contendo, o que Clarisse reconheceu ser, a poção para dormir sem sonhos. – Acho que já teve muita atribulação para um único dia.
- Obrigada. – disse ela enquanto pegava o frasco – E Sr. Snape... – acrescentou em tom leve enquanto começava a virar-se para a escada – creio que me enganei quanto ao senhor entrar na minha mente. A partir de agora, durante as aulas também, será sempre bem-vindo.
Os dois lançaram sorrisos enviesados e Clarisse finalmente subiu, graciosamente, os degraus até seu quarto. Gina àquela altura encontrava-se no mais profundo sono; Clarisse entrou e ficou contemplando a noite pela janela enquanto sua mente vagava nos mais diversos pensamentos: seu pai, sua mãe, seus amigos, a banda, a rapidez como tudo aconteceu, a Ordem da Fênix, Snape, Miguel; ela ainda namorava o loiro de olhos castanhos, foi estranho perceber como o bruxo que conhecera a pouco na sala havia varrido o namorado de sua mente. A surpresa maior de Clarisse foi perceber que não considerava mais Miguel como namorado. A lua reinava crescente, assim como os brincos de Clarisse que, após contemplá-la por horas, tomou a poção dada por Snape.
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E logo que cheguei em casa
Peguei o meu violão
Com três acordes, mi, si, lá
Eu fiz essa canção
Dizendo que ele era impiedoso e eu
Morrendo de tesão
De sua boca mentirosa
O que era sim dizia não.
E o que o jornal anunciava
Eu não prestava atenção
Pois tudo que me importava
Estava agora num refrão...
Que dizia: Ei!
Uou!
Ei!
Você quer ficar comigo?
Há uma chance
Há uma chance de você querer ficar?
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Música desse capítulo:
-> Quase que Dezoito* (Nando Reis)
* Com algumas modificações
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