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ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

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6. Capitulo 6


Fic: Conde Camponês


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capítulo VI

Andando nervosamente pelo chalé, Gina pressionava o estômago como se o gesto pudesse amenizar o súbito mal-estar.

Casada.

Na alegria e na tristeza.

Até que a morte nos separe.

As palavras dançavam em sua mente com terrível insistência.

Estava quase entrando em pânico.

Ao longo dos anos, havia recebido muitos pedidos de casamento. Alguns elegantes, outros apaixonados, e uns poucos desesperados. Até estivera comprometida com Draco, ainda que por pouco tempo e em segredo.

Entretanto nenhuma dessas propostas provocara-lhe apertos no coração ou dificuldade para respirar.

Talvez o pedido de Harry a tivesse tocado mais profundamente do que os outros.

De repente, sentiu-se perdida no meio de uma tormenta, sem saber que direção seguir.

Respirando fundo, alisou o vestido e ajeitou o decote antes de sair do chalé. Não tardaria para sentirem sua falta, e a última coisa de que precisava era seu pai saindo à sua procura e armando uma cena desagradável.

Caminhando apressada entre as roseiras e cuidando para evitar os espinhos, não percebeu um homem alto encostado negligentemente na fonte de mármore. Assustou-se quando ele interceptou-lhe os passos.

— Ora, ora, se não é a Princesa de Gelo!

Com um sobressalto, Gina olhou para o homem com quem desejara se casar um dia.

A costumeira pontada de prazer ao vê-lo não aconteceu. Seu coração nem mesmo falhou. Estranhamente, irritou-se com a súbita aparição.

— Draco. O que está fazendo aqui?

Elegante no seu paletó azul, um dos muitos confeccionados para combinar com seus olhos, Malfoy avaliou-a com intensidade.

— Eu ia lhe fazer a mesma pergunta.

Gina abanou-se com o leque que levava preso à cintura.

— Está muito abafado dentro do salão. Vim respirar um pouco de ar puro.

— Você precisa ser mais cuidadosa. Não é seguro uma jovem bonita vagar por aí sozinha.

Ela ergueu as sobrancelhas. Desde quando Draco pregava cautela?

— Dificilmente eu estaria em perigo a apenas alguns passos do salão de baile!



Os lábios de Malfoy se abriram num sorriso sarcástico.

— Há todo tipo de homens desclassificados freqüentando a sociedade hoje em dia. E alguns deveriam voltar ao estábulo de onde vieram.

Gina suspirou. Deveria esperar tal provocação. Durante meses, permitira que Draco lhe fizesse a corte, e apenas alguns dias depois do rompimento, seu nome já estava sendo ligado a outro homem.

— Suponho que esteja se referindo a lorde Harrington.

— O Conde Camponês.

Ela mordeu o lábio.

— Draco, compreendo que esteja magoado, mas não deve culpar lorde Harrington. Ele não é responsável pelo fato de meu pai não ter concordado com o nosso casamento.

— É revoltante a maneira como esse caipira fica rosnando ao seu redor, parecendo um cachorro no cio. Alguém precisa ensiná-lo como deve tratar seus superiores.

Apenas por ainda sentir-se culpada, ela não o esbofeteou.

— Nós não somos superiores a lorde Harrington, Draco. Afinal, ele é conde,

— O sujeito não serve para lustrar as nossas botas.

Gina contou até dez. Em inglês, francês e italiano, por precaução.

— Você nem o conhece! Ele é um homem de bem.

— Homem de bem! — Uma expressão de desgosto cobriu o rosto de Draco. — Meu Deus! Ouvi rumores que você está encorajando as atenções de Harrington, mas eu me recusei a acreditar. Não pode estar interessada naquele pateta!

Gina ergueu o queixo. Não tinha intenção de discutir seu relacionamento com Harry. Não até descobrir o que fazer com aquele homem obstinado.

— Simplesmente não quero que um inocente seja prejudicado por conta dos meus pecados. Se você tiver que ficar furioso com alguém, esse alguém sou eu.

Seguiu-se um breve mas tenso silêncio. Depois, inesperadamente, Draco segurou-a pelos ombros.

— Você estava aqui com ele?

— Draco...

O olhar dele se deteve no rosto corado e no penteado levemente desfeito.

— Você permitiu que ele a beijasse?

— Solte-me, Draco!

— Que idiota eu fui! — Ele a apertou com mais força e puxou-a. — Todas aquelas noites em que estivemos juntos e sozinhos, eu a tratava como se você fosse uma criança frágil. No entanto, o que você queria, na verdade, era ser tratada como uma vagabunda!



Gina ficou estarrecida. Aquele não era o Draco que conhecera. O homem encantador, atencioso, gentil que a havia pedido em casamento. Ela queria dar um murro no nariz desse Draco desconhecido.

— Basta! Solte-me imediatamente!

— O que é isso, Gina? Os carinhos de um verdadeiro cavalheiro a ofendem? Você prefere as apalpadelas daquele camponês imbecil?

Ela tentou desvencilhar-se.

— Prefiro que me deixe em paz.

— Ah, não. Mereço uma compensação por você ter me tapeado durante meses para, de repente, descartar-me como se eu fosse um monte de lixo. — E inclinando a cabeça com óbvia intenção de beijá-la, finalizou: — Você me deve, querida.

— Solte-me ou eu grito!

— Acho que não, meu amor.

Draco pressionou os lábios nos dela e, por um momento, Gina ficou rígida. Ela devotara horas intermináveis sonhando estar nos braços dele e com seus beijos. Agora, porém, tudo o que queria era fugir de Draco.

— Chega! — Gina o empurrou com força. E passou a mão nos lábios. — Sinto muito se o magoei e arrependo-me por deixá-lo acreditar que nos casaríamos. Mas isso tudo é passado. Eu gostaria que continuássemos amigos.

Descontrolado, Malfoy apontou para o salão.

— Volte para o seu fazendeiro e à sua vulgaridade, lady Gina. Vocês se merecem!

Ela não hesitou. Saiu correndo, deixando-o sozinho com sua raiva.

xxxXXXxxxXXXxxx

Harry deixou a tribuna, depois de apresentar suas propostas consideradas radicais. Voltou ao seu lugar sentindo os olhares dos nobres, alguns com hostilidade e outros com velada aprovação.

Era a sua segunda sessão. A primeira, de introdução como o novo conde de Harrington, havia sido mais tensa e cheia de pompa.

Sorriu ao lembrar-se do ritual quase ridículo que terminara com o juramento e a assinatura que o tinha transformado num nobre da Coroa.

Até o último momento, esperara que, de repente, alguém o acusasse de ser uma fraude. Mas como nada havia acontecido, sentira-se mais fortalecido para prosseguir na luta por seus ideais.

Ao discursar na tribuna, dera o primeiro passo. Porém não sabia se deveria orgulhar-se de sua coragem ou arrumar a mala e voltar para Kent, antes de ser escorraçado pelos velhos aristocratas.

Assim que saiu do prédio da Câmara dos Lordes, encontrou Sirius à sua 

espera.

— Que discurso apaixonado, meu amigo! Quase me levou às lágrimas.

Com um sorriso, cumprimentou o amigo. O sorriso se alargou ao notar o paletó vermelho e o colete amarelo-pálido que somente Sirius se atreveria a usar para misturar-se aos homens mais poderosos do mundo.

— Eu esperava persuasão, e não paixão para convencer homens como você — Harry respondeu.

— Acredito que você exagerou na dose de persuasão, meu amigo. Faltou pouco para lorde Jenkins interromper seu discurso e ordenar o resgate de todos os oprimidos das malévolas garras dos senhores de terras.

Harry encolheu os ombros.

— Alguém deve falar pelos mais necessitados.

— Certo, mas você deve ficar alerta para não ser apunhalado pelas costas. Entre os aristocratas mais velhos, ainda há quem acredita possuir direitos divinos sobre a vida e a morte das pessoas.

Harry suspirou. Até quando os orgulhosos nobres acreditariam poder repetir os erros do passado sem pensar nas conseqüências?

Decidido a não prosseguir com a conversa ali no meio da calçada, ele sugeriu:

— Almoça comigo, Sirius?

— Um convite tentador que terá de ficar para outro dia. Anna está com desejo de comer morangos. Vou revirar Londres e levar para casa todos os morangos que eu encontrar!

— Tarefa difícil — Harry respondeu rindo. — Boa sorte, amigo.

— Ria à vontade. Seu dia chegará.

Uma imagem delicada de mulher ruiva com lindos olhos mel surgiu na mente de Harry.

— Espero que sim, Sirius. E que seja logo!

Sirius franziu o cenho.

— Harry...

— Vá comprar os morangos para Anna. Tenho idade suficiente para cometer os meus próprios erros.

— Sem dúvida. Cuidado, meu amigo. Não são apenas os conservadores que gostariam de vê-lo apunhalado pelas costas.

Deixando o misterioso conselho no ar, Sirius despediu-se e seguiu seu caminho. Harry meneou a cabeça.

Ah, a paternidade deixa um homem abobado, pensou caminhando em direção à carruagem.

— Lorde Harrington?

Um frisson percorreu-lhe o corpo. Harry voltou-se devagar e conteve-se para reprimir as reações instintivas.



— Lady Gina. — Foi forçado a pigarrear. — O que a traz aqui?

— Meu pai comentou que você discursaria hoje na tribuna.

— Você estava na galeria?

— Estava. Você foi muito...

— Apaixonado? Radical? Agressivo?

— Eloqüente — ela o corrigiu.

— Você não teme que eu possa derrubar o governo da Inglaterra com as minhas idéias revolucionárias?

Dando uns passos à frente, Gina tocou-lhe o braço.

— Não sei se você percebeu que agora partilho seu desejo de ajudar os menos afortunados.

Harry percebera. A beleza dela vinha de dentro e iluminava-a por inteiro.

— Percebi. — Com o propósito de poupá-la dos olhares curiosos, ofereceu-lhe o braço. — Posso levá-la para casa?

Gina refletiu por alguns segundos antes de concordar com um gesto de cabeça.

— Se isso não o desviar do seu caminho...

— De forma alguma.

Ela olhou para a carruagem aberta.

— Você veio com o seu criado?

— Ele insistiu para acompanhar-me. Parece que um título de nobreza limita a capacidade de um homem controlar algo tão perigoso como uma parelha de cavalos!

Um brilho divertido dançou nos olhos castanhos.

— Então, vou dispensar minha criada. Pode esperar um momento?

— Esperarei. — A voz enrouquecida demonstrava sua ansiedade. — Eu a esperarei pelo tempo que for necessário. É uma promessa.

— Harry... Voltarei logo.

Recusando-se a permanecer na calçada como um espantalho, ele caminhou até a carruagem.

Queria desesperadamente acreditar que a presença de Gina no Parlamento fosse um sinal de interesse por ele. Afinal, uma manhã ouvindo debates políticos não era o divertimento preferido das mulheres.

Gina retornou alguns minutos depois, e logo percorriam as ruas movimentadas de Londres.

— Você está muito quieta — Harry quebrou o silêncio que durava desde que haviam subido na carruagem.

Ela fitou-o com olhar perscrutador.

— Por que quer se casar comigo?



Harry engasgou com o choque causado pela inesperada pergunta.

— Eu poderia enumerar várias razões, todas perfeitamente sensatas. — Segurando as mãos de Gina, afagou-as. — Mas vou resumir todas numa única, a mais importante. Apaixonei-me por você, muirnin.

Ela piscou, mas não desviou o olhar.

— Como pode ter certeza?

— Bem, é amor ou loucura. Quero crer que seja amor.

— E se você estiver enganado? E se depois do casamento descobrir que não sou a mulher ideal?

Harry não entendia o medo da jovem. Quantas mulheres na sua posição se preocupariam com a aprovação dele?

— Gina, não haverá um só dia que não desejarei você ao meu lado e nem uma só noite sem que eu a queira na minha cama. Minha única dúvida é se você chegará a me amar como eu te amo.

— Eu gosto de você, Harry.

Não era a declaração efusiva que ele esperava, mas conseguiu disfarçar a decepção com um sorriso. Aproximou-se mais e sentiu o calor das pernas dela nas suas, através do tecido das roupas. Harry tirou as luvas e, depois, as de Gina. Acariciou-lhe a mão e pressionou-lhe levemente o pulso.

Gina poderia esconder tudo, menos a pulsação acelerada. Já era um começo...

— O que devo fazer para convencê-la do meu amor?

Num gesto aparentemente casual, Gina inclinou-se roçando os seios em seu braço. No mesmo instante, Harry esqueceu de respirar.

— Suponho que você poderia compor odes à beleza dos meus olhos ou, talvez, matar um ou dois dragões.

Os dedos dele deslizaram pela curva do braço de Gina.

— Só dois? Há maneiras bem mais agradáveis de lhe provar o meu amor.

Ela fixou o olhar nos lábios de Harry.

— Agradáveis para quem?

A imagem de Gina deitada debaixo dele, com as pernas enroscadas em seus quadris, brilhou na mente de Harry.

Era uma fantasia constante e cada vez mais difícil de ser ignorada.

— Para ambos, espero.

Ele sentiu-a estremecer levemente.

— Você disse que não... não faríamos mais isso.

— Fui um tolo. Por favor, Gina, diga que vai se casar comigo e acabe com o meu sofrimento.

O sorriso da jovem foi enigmático.

— Preciso pensar mais um pouco antes de assumir um compromisso.



— Você está mesmo determinada a me enlouquecer. — Respirando fundo, Harry tentou acalmar-se. Por mais que seu corpo exigisse, ele não poderia abraçar sua futura esposa numa carruagem aberta e no meio de Londres. — Posso falar com seu pai?

Gina ficou rígida. Harry sentiu uma pontada de medo.

— Permita que eu converse com ele antes — ela murmurou. Uma estranha expressão tomou conta de seu rosto.—Não gostaria de surpresas desagradáveis.

— Surpresas?

Ela balançou a cabeça com força.

— Não é nada. Apenas acho melhor eu conversar com meu pai antes de você se apresentar.

Harry não a questionou. O que realmente importava era ela ter concordado em considerar sua proposta.

— Muito bem. — Esperando não estar sorrindo como um tolo, perguntou: — Você vai à recepção dos Dellington esta noite?

— Receio que não. Minha mãe está resfriada, e meu pai tem um jantar político ao qual não poderá faltar. Sem acompanhante, não poderei sair de casa.

— Que pena.

— É mesmo. — Houve uma breve pausa antes de o sorriso cativante voltar aos lábios de Gina. Harry pressentia que estava em perigo. — Terei que me distrair de alguma maneira — ela prosseguiu. — Uma tarefa difícil. Detesto trabalhos manuais, e eu era o desespero do meu professor de piano.

— Verdade?

— Decididamente, sim. — O sorriso não desapareceu nem por um instante. — Parece que não terei nada para fazer, a não ser dar uma volta solitária pelo jardim.

Harry suspirou.

Oh, céus!

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Gina havia decidido aceitar a proposta de casamento de Harry.

O mais surpreendente, porém, era que parecia uma coisa perfeitamente natural. Como se sempre soubera que isso acabaria acontecendo.

— Você desconfia que a sra. Blackwell envenenou a comida, minha querida?

Gina ergueu a cabeça e encarou o pai, sentado à sua frente.

Poderoso aristocrata que comandava um pequeno império, o duque de Lockharte estava, como sempre, vestido com discreta elegância e com o cabelo grisalho impecavelmente penteado.



Com esforço, ela conseguiu afastar seus conflitantes pensamentos. Somente um tolo se envolveria numa discussão com o pai, estando com a mente em outro lugar.

Demorara vinte e dois anos, mas aprendera a lição.

— Desculpe, como disse?

Recostando-se na cadeira, o duque fitou-a com olhar astuto.

— Você está de cara fechada e remexendo a comida há mais de meia hora. Imaginei que, talvez, esteja pensando que a criadagem deseja envenená-la.

Gina sorriu e empurrou o prato.

— Estou sem fome.

— Meu Deus! — Lockharte ergueu uma sobrancelha. — Se você perdeu o apetite, é porque está preocupada com alguma coisa. Não quer me contar do que se trata?

O momento chegara. Gina endireitou os ombros.

— Lorde Harrington deseja pedir minha mão.

— É mesmo?

Ela não se impressionou com tom suave da voz do pai. Isso significava que, como sempre, ele estava a um passo na frente dela.

— O senhor não parece surpreso.

O duque forçou um sorriso.

— Não sou tolo, Gina. Sei muito bem que você fez de tudo para atravessar o caminho do Conde Camponês.

— Eu pedi ao senhor para não chamá-lo com esse nome horrível.

— E eu lhe pedi para ficar longe desse intruso. Parece que nenhum de nós gosta de obedecer às ordens mais simples.

Ela empurrou a cadeira e levantou-se.

— Eu obedeceria se suas ordens tivessem um mínimo de sentido. O senhor não tem o direito de insultar Harry. Não o conhece como eu.

— Suas palavras me soam familiares, Gina. Você não disse exatamente isso em relação a lorde Malfoy?

Gina apertou os lábios ao lembrar-se da discussão com Draco na noite anterior.

— Suponho que eu mereça isso, meu pai. O senhor tinha razão. Eu não conhecia Draco como imaginava.

O duque levantou-se e parou ao lado da filha. Fitou-a com um brilho perigoso no olhar.

— Há alguma coisa que eu deva saber, minha querida? Alguma coisa que exija um encontro ao raiar do dia?

— Não. — Ela segurou o braço do pai, — Não há necessidade de tal absurdo.



— Talvez você esteja certa. Malfoy não vale o sacrifício de eu me levantar de madrugada. Um cafajeste como ele encontrará o fim que merece.

— Harry não é como ele.

— Como pode ter tanta certeza?

Gina poderia citar muitas razões para justificar sua certeza. Determinação. Generosidade. Paciência. Lealdade.

— Como o senhor soube que queria se casar com a mamãe?

Seguiu-se uma breve pausa antes de Lockharte pigarrear.

— A decisão não foi minha. Nossos pais combinaram o casamento quando ambos estávamos ainda no berço. Foi a vontade do rei. Era um procedimento muito comum naquela época.

— O senhor foi obrigado a se casar?

O duque encolheu os ombros.

— Tratou-se de uma obrigação, sim, mas confesso que nunca me arrependi. Não foi um casamento por amor, porém somos felizes juntos. Nosso relacionamento está durando muito mais do que a maioria.

Gina não duvidou das palavras do pai.

— O senhor acredita no amor?

— Acredito que muitas pessoas confundem atração por amor. A atração é passageira, e o verdadeiro amor nasce do respeito, da amizade e afeição mútua. — Ele a perscrutou com expressão de curiosidade. — Você acha que está apaixonada por esse homem?

Gina refletiu por alguns segundos. Harry a amava. Ele amava Gina, e não lady Gina, a filha do duque de Lockharte, um dos melhores partidos da Inglaterra. Não a temida Princesa de Gelo.

— Sim, eu o amo — admitiu com um sorriso confiante.

— Como você amava Draco?

— Meus sentimentos são bem diferentes. Com Draco, tentei me convencer de que estava apaixonada porque eu queria a liberdade e as aventuras que ele me oferecia. Com Harry, porém, fiz o possível para não me apaixonar. Ele absolutamente não é o marido que eu desejava. — Ela suspirou. — Mas não consegui controlar meus sentimentos. Harry pode não ser refinado ou aventureiro e nem está desesperado para impressionar a sociedade, mas possui a incrível habilidade de me fazer feliz apenas estando perto de mim.

O duque tocou no queixo da filha.

— Gina...

— Se o senhor pretende discorrer sobre os defeitos de lorde Harrington, meu pai, poupe sua saliva. Ele não é libertino e nem caça-dotes. E muito menos está impressionado com o fato de eu ser filha de um duque.

— Sempre há quem o considere um intruso, sem mencionar o fato de Harrington ter feito muitos inimigos no Parlamento. Como esposa dele, você enfrentará desfeitas e insultos.



Desvencilhando-se, Gina colocou as mãos na cintura.

— Desfeitas e insultos como ser ignorada por lady Michaels porque o senhor chamou o marido dela de palhaço? — ela perguntou sem levantar o tom de voz. — Ou por ter sido proibida de ingressar na Ladies Horticultura Society porque tia Muriel se embriagou e acusou todas as senhoras de espiãs francesas que usavam as reuniões para passar suas informações? Ou...

— Basta, Gina.

— Talvez seja Harry quem deve ponderar se deseja ou não ser prejudicado com a minha presença.

Apesar do sorriso relutante, o duque fitou-a com olhar severo.

— Isso não é um jogo frívolo, minha filha. Uma vez casada, não há como alterar sua escolha.

Por um momento, ela imaginou que as palavras do pai a deixariam em pânico. Afinal, era a decisão mais importante de sua vida.

O que sentiu, porém, foi uma grande alegria no coração.

— Estou muito consciente da seriedade da minha decisão, meu pai. — Gina deu um passo à frente e apontou o dedo em riste no nariz do duque. — Vou me casar com Harry. E se o senhor tentar me impedir, eu lhe provarei quanto sou sua filha!

Um sorriso indecifrável curvou os lábios do duque.

— Não duvido, minha filha.

xxxXXXxxxXXXxxx

A noite estava perfeita.

Quente e com uma brisa leve e perfumada. Céu estrelado. Lua cheia que cobria o jardim com um brilho prateado.

Uma noite de sedução.

Seria uma noite de sedução se Gina não estivesse sozinha no pequeno jardim-de-inverno localizado nos fundos do jardim.

Trajando um penhoar de seda, ela andava, impaciente, pelo piso de mármore.

Pensava em Harry e em tudo que havia descoberto com os beijos e os carinhos dele. Sensações que ela conhecera somente depois que o conde entrara em sua vida.

Como se pressentisse a presença de Harry, voltou-se rapidamente e viu a silhueta máscula, bloqueando a entrada. Céus, como podia um homem tão alto mover-se tão silenciosamente?

— Harry! Até que enfim! Já estava com medo que você não viesse.

Apoiado no batente da porta, ele se deliciava com a visão daquele corpo delgado que o penhoar de seda mal escondia. Gina estremeceu com a tensão que se espalhou pelo ar.



— Eu disse a mim mesmo que não viria. — A voz de Harry soou grave e enrouquecida.

— Por quê?

A luz da lua, as feições dele pareciam envoltas numa aura de mistério. Porém o brilho dos olhos e o sorriso revelavam que não estava controlando as emoções, como queria que Gina acreditasse.

— Se vou pedir sua mão a seu pai amanhã, não seria correto seduzi-la esta noite nos jardins da casa dele.

Ela aproximou-se o bastante para sentir o calor do corpo de Harry.

— O que o fez mudar de idéia?

Ele afagou-lhe os cabelos rubros.

— Eu já estava à porta de lady Dellington quando as minhas mais nobres intenções desvaneceram-se no ar. — A mão de Harry desceu até a nuca de Gina. — Certo ou errado, nada me faria ficar longe deste jardim hoje.

Gina arrepiou-se com as sensações que lhe corriam pela espinha.

— Ainda bem. Você me poupou do escândalo de chegar à casa de lady Dellington e tirá-lo à força do salão de baile.

— E o que você faria depois, muirnin?

— Penso que começaria por aqui. — Ela tirou as luvas de Harry e jogou-as de lado. Depois, tocou os botões de marfim do paletó. Com mãos trêmulas, abriu-os e puxou o paletó. Os olhares de ambos se encontraram.

Com uma mão, Harry enlaçou-a pela cintura e, com a outra, fechou a porta.

— Um começo muito agradável — ele murmurou. — E agora?

— Ainda faltam muitas peças.

Ofegando, Harry se deixou despir. Gina prendeu a respiração ao ver o dorso nu iluminado pelo luar. Ao contrário dos nobres, ele era um homem acostumado com trabalho braçal. Por isso, tinha músculos bem definidos e pele bronzeada. Um homem viril esculpido para atingir a perfeição.

As mãos dela acariciaram os pêlos finos que cobriam o peito de Harry. Não imaginava encontrar tanta beleza num corpo masculino. Curiosa, afagou os mamilos, que se enrijeceram de imediato.

— Gina... — ele gemeu, Segurando-lhe as mãos.

— Estou sendo atrevida demais?

— Não! Você nunca será atrevida demais comigo.

— Então, me ensine a te amar.

— Você não imagina quantas noites sonhei com este momento, muirnin. Nos meus pensamentos, sou seu amante desde o instante em que a beijei.

— Espero tê-lo satisfeito nos seus sonhos.

— Quase mais do que eu poderia suportar. Mas nada se compara à realidade.

Gina respirou fundo quando suas mãos tocaram o cós da calça. Num 

movimento rápido, Harry abriu o botão, e os dedos dela se fecharam ao redor da rigidez de sua masculinidade.

— Oh! — Harry deixou escapar um gemido abafado, fechando a mão sobre a dela, como se quisesse guiá-la nas carícias sensuais.

— É gostoso?

— Gostoso demais. E parece que a noite vai terminar antes mesmo de começar. — Com firmeza, ele puxou a mão de Gina e a pousou em seu peito.

Ela ia protestar, mas foi impedida por um beijo faminto. Enlaçando-o pelo pescoço, correspondeu ao beijo com a mesma paixão e urgência.

Harry deslizou as mãos pelo corpo de Gina até abrir o cinto do penhoar de seda. Depois, tomou-lhe os seios com as mãos.

— Harry...

— Quero você, Gina — ele murmurou com os lábios grudados nos dela. — Quero que seja minha.

— Eu sou sua, Harry.

— Minha... — Ele a fitou com olhos ardentes. — Sim, minha, finalmente!

Gina nunca se sentira tão pequena e frágil como se sentia nos braços de Harry. Ele a transformara numa mulher que, finalmente, compreendia o poder do amor e do desejo.

Harry deitou-a cuidadosamente no sofá. Gina observou-o descalçar as botas e tirar o resto da roupas. Suspirou.

Ele era tão bonito!

Uma combinação magnífica de músculos rígidos e elegância que faria qualquer mulher tremer por antecipação. Até mesmo uma mulher que possuía apenas uma vaga noção do que estava por acontecer.

Ajoelhando-se ao lado dela, Harry tirou-lhe o penhoar.

— Gina, você precisa ter certeza do que quer — preveniu-a. — Não suportarei se você se arrepender depois.

O penhoar de seda deslizou para o chão, deixando-a apenas com gargantilha e chinelos. Ela estremeceu de ansiedade. Como Harry poderia falar em arrependimentos?

— Harry, isto é o que eu quero. Mais do que tudo no mundo. — Gina segurou o rosto dele com as mãos. — Podemos continuar antes que eu morra de frustração?

Harry a beijou de leve na boca.

— Nem pense nisso, muirnin. Tenho planos para o nosso futuro que a requerem bem viva.

— Então, salve-me.

— Com prazer, milady. — Afastando-se um pouco, Harry acariciou-lhe os ombros e a curva dos seios. Seu corpo reagiu de imediato. — Você é tão bonita, Gina... Perfeita.



Inclinando a cabeça, ele beijou um dos mamilos. Com o corpo arqueado, Gina gritou de prazer. Por mais que sonhara em fazer amor com aquele homem, não estava preparada para tantas sensações arrebatadoras.

Enquanto sugava prazerosamente ora um seio, ora outro, Harry traçava uma trilha de fogo pelos músculos trêmulos de seu abdômen. O sangue parecia lava incandescente que inflamava o desejo que pulsava entre as pernas.

Com movimentos sensuais, os dedos dele chegaram ao ponto mais íntimo de sua feminilidade.

— Por favor, Harry...

Ela o agarrou pelos ombros. Havia entrado numa espiral e sentia-se arrastada para fora do mundo, e tudo que ficara eram as sensações das carícias.

— Oh... — Gina gemeu ao ser tocada no ponto exato do prazer.

— Assim? — Ele começou a movimentar o dedo num ritmo lento, mas constante. Cada investida inflamava-lhe a ansiedade, e Gina ofegava.

— Oh, sim... sim...

— Olhe para mim, querida.

Com esforço, ela abriu os olhos e sustentou o olhar de Harry, as mãos agarradas às almofadas e os dentes cerrados. Uma força poderosa crescia dentro de Gina, que temia desmaiar a qualquer momento.

— Harry... por favor...

— O que você quer, Gina? Diga-me?

— Você... Quero você!

De repente, os movimentos cessaram, e o corpo dela se enrijeceu. Não! Harry não poderia rejeitá-la quando estavam tão perto, tão íntimos.

— Harry, eu preciso de você.

Ele fechou os olhos, aparentemente hesitante. Depois, com um gemido abafado, deitou-se sobre ela.

Gina suspirou de prazer ao sentir o peso do corpo másculo pressionando-a contra as almofadas.

O amor que sentia por Gina pulsava no corpo e na alma de Harry.

Por isso, seus carinhos acendiam o fogo dentro dela. Sentiu-o estremecer ao pressionar-lhe as nádegas, estimulando-o.

Harry fitou-a com o olhar vidrado pelo desejo.

— Diga que é real, muirnin. Diga que não é apenas um sonho.

— Não, não é um sonho, meu amor.

— Meu amor — ele repetiu, enternecido. — Você me ama?

— Para toda a eternidade.

— Você tem o meu coração em suas mãos, Gina. Não haverá volta para nenhum de nós.



Gina sentiu a força da masculinidade pronta para penetrá-la. Fechando os olhos, tentou concentrar-se na sensação da ereção de Harry introduzindo-se em sua úmida intimidade. Sentiu quando ele parou na barreira de sua inocência.

Mas foi apenas por um momento. Em seguida, com uma firme investida, ele estava por inteiro dentro dela.

O grito que Gina deixou escapar foi mais de surpresa do que de dor. Harry beijou-a na curva do pescoço.

— Isto é... maravilhoso — ela murmurou ainda ofegando.

— Estamos apenas começando, meu amor — ele prometeu antes de beijá-la nos lábios.

Instintivamente, Gina começou a acompanhar o ritmo do corpo de Harry. A doce intimidade de tê-lo dentro de si era indescritível e magnífica. Pareciam ser uma só alma.

Enroscou as pernas nos quadris de Harry, abrindo-se para a aceleração dos movimentos. Contorcia-se sob o corpo dele. Cada movimento excitava-a ainda mais, empurrando-a para o intolerável.

Ao chegar no limite, seu corpo se contraiu e, com um forte espasmo, foi arrastada para dentro de um turbilhão.

Seu grito suave misturou-se aos gemidos de Harry no momento em que, juntos, chegaram ao sublime êxtase.

O tempo passou, um momento ou uma eternidade, antes de Harry se deitar e puxá-la para os seus braços. Suspirando, Gina repousou a cabeça no peito dele.

— Gostaria de encontrar palavras para expressar o que sinto, Gina. Nunca pensei sentir o que sinto por você.

Ela sorriu, roçando os lábios na pele de Harry. Ele não precisava de palavras. Seus carinhos revelavam todo seu amor.

— Espero que isso signifique que você quer se casar comigo, milorde — Gina brincou. — Receio ter me tornado viciada em seus beijos.

Harry a abraçou com força.

— Nada me impedirá de torná-la minha esposa, muirnin. Nem mesmo Deus.

Um estranho pressentimento provocou arrepios na espinha de Gina.

Absurdo, talvez. Mas, de repente, ela preferia que Harry não tivesse provocado o destino com negligência e pouco caso. Era a maneira mais certa para atrair infortúnios.

Nota: Fala sério! Esse Harry é tudo de bom e mais um pouco... calores meninas, calores!

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Bjs.



Ara.

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