— Levante-se, saxã. Os olhos eram tão gélidos quantos os mares do norte. O tom autoritário não admitia protestos. Gina o obedeceu. Seus joelhos tremiam tanto que teve receio de não conseguir ficar em pé. A violência que ele emanava a aterrorizava ao extremo. O que Alvo dissera?
Um guerreiro capaz de decepar a cabeça de um homem só com o olhar.
Gina estremeceu. Dado o humor do homem naquele momento, foi fácil acreditar em tal boato.
Harry se abaixou para pegar a adaga, dessa vez tomando cuidado para não ficar de costas para sua oponente. Testou o peso da arma na mão e admirou o cabo delicadamente enfeitado com pedras preciosas. Então, encaixou a adaga no cinto e voltou a encarar Gina.
— Gosta de nos acusar de ladrões. Mas talvez seja você a ladra. De quem roubou essa faca, saxã?
Gina permaneceu em silêncio. Não valia a pena contar-lhe. Ele a tacharia de mentirosa.
— Se eu fosse você, mulher, não me provocaria mais. Agora me diga. De quem é essa adaga?
Apesar da tremedeira, Gina respirou fundo e angariou coragem.
— É minha — declarou. — Eu a ganhei de meu pai.
— Seu pai! — Harry riu. — Saxã, deve me achar o mais tolo dos tolos. Esta adaga só poderia pertencer a um homem ou mulher de posses.
— Isso mesmo — ela concordou. — Meu pai!
— Por favor, seja mais específica. Quem é seu pai? Gina cerrou os lábios.
Harry praguejou.
— A verdade, saxã! Agora!
— Certamente deve tê-lo conhecido, normando — Gina declarou em tom mordaz. — Afinal, o senhor de Weasley morreu sob sua espada.
— O quê? Quer dizer que seu pai era Arthur?
— Exatamente!
— Seu pai morreu em batalha, é verdade. Mas não sob minha espada. — Ele a estudou por um instante. — E conheci a filha de Arthur. Ela usava botas macias para proteger os pés, não tiras de couro. Seu vestido também era do mais rico tecido, não um trapo velho.
— Não sou uma ladra. — Gina endireitou os ombros, ciente da roupa que usava. — Você pediu a verdade. Foi o que lhe dei. Se acredita ou não em mim, é problema seu! — De alguma maneira, ainda lhe restava um pouco de orgulho e dignidade. — Agora, normando, posso retornar à aldeia? — Ela se virou para partir.
— Não, saxã. Espantada, Gina se deteve.
— Você me ouviu. Não pode retornar à aldeia.
Ele parecia satisfeito consigo mesmo, Gina pôde ver.
— Você virá comigo — Harry declarou. A boca de Gina ficou seca.
— Para onde? — murmurou.
— Ora, para Weasley.
— Weasley! — Ela não conseguiu esconder o choque. — Para quê?
Ele então sorriu de forma perigosa. Gina sentiu o coração disparar. Ele pretendia puni-la por sua insolência. Sabia que estava prestes a viver o horror.
— Talvez você esfregue o chão. Ou ajude os criados na cozinha. Ou cuide dos animais no curral. Ora, poderia até servir meus cavaleiros — o sorriso malicioso aumentou — durante a noite.
— Não! — Lágrimas ofuscaram-lhe a visão. — Não serei sua escrava.
— A servidão não é uma desgraça.
— A desgraça é servi-lo!
— E mesmo? — Ele cerrou os dentes. — Por quê?
— Porque é normando.
— É verdade. Sou um normando que agora é seu senhor e conquistador. Aceite o fato ou viva para lamentá-lo.
— Tenho escolha, por acaso? — Gina praticamente berrou.
O tom tornou-se mais arrogante.
— Escolha? Claro que não. Esteja certa de uma coisa, mulher. A escolha é minha.
E assim seria.
Gina logo descobriu que Harry não era dado a lorotas. Ordenou que ela caminhasse à frente. Seguiu-a montado em seu cavalo negro, que resfolegava sem parar. Tinham quase atingido a extremidade da floresta quando uma idéia lhe ocorreu. Nas proximidades havia um lugar onde as árvores eram baixas e numerosas, o que impedia qualquer um de atravessá-las a cavalo. Gina se encheu de esperança. Se pudesse correr entre as árvores, Harry não conseguiria alcançá-la sobre aquele animal gigantesco.
Melhor teria sido não tentar.
Ele a agarrou com extrema facilidade e a jogou na sela. Gina conteve a onda de pânico, pois nunca aprendera a montar. Além disso, nada pôde fazer quando Harry a puxou pela cintura, colando-a ao tórax musculoso. A proximidade era tamanha que podia sentir a respiração do normando em seu próprio corpo.
Chegaram a Weasley ao entardecer. Tão logo atravessaram a paliçada de madeira, ele só puxou a rédea do cavalo quando atingiram o centro do pátio, rodeado pelas muralhas.
De alguma maneira, Gina conseguiu escorregar da sela e tombar no chão arenoso, arranhando as mãos e os joelhos. Mas não se importou. Tudo o que queria era se livrar daquela proximidade odiosa.
O desespero a assolava. Naquela manhã, dissera a Alvo que desejava ir a Weasley a fim de se certificar da segurança de Padma. Contudo, não imaginara entrar no domínio como prisioneira.
Estremeceu de medo. Ainda lembrava-se do sonho. Rezou para que fosse uma visão do passado e não do futuro... seu futuro.
Havia caído nas mãos do homem que temia acima de tudo e tal destino a assolara por causa da própria insensatez.
Sobressaltada, percebeu que Harry havia desmontado. Sentiu os olhos azuis a observá-la. Ele então entregou a rédea do animal a um jovem magro. O rapaz possuía os mesmos cabelos negros que seu senhor. Seria filho do normando? A pergunta, porém, se desfez assim que dedos firmes seguraram seu braço.
— Por aqui, saxã.
Ele a guiou pelo pátio. Havia cavalos e soldados normandos em todos os cantos, mas Alana reconheceu alguns rostos, como o do ferreiro e o da lavadeira. Ninguém a encarou. Aliás, todos trabalhavam cabisbaixos e quietos. O clima era severo e submisso. Somente os normandos se davam ao luxo de rir.
De soslaio, ela notou vários cavaleiros fitando-a com explícita malícia. Um deles cochichou algo no ouvido do amigo, que soltou uma gargalhada sonora. Gina sentiu o rosto corar. Nem sequer olhou para Harry. Sem dúvida, os soldados acreditavam que ela se deitaria com seu senhor.
Determinado, ele a levou até o hall. A lareira estava acesa e havia mais cavaleiros reunidos à mesa, que ocupava boa parte do espaço, e outros tantos recostados às paredes.
Foi então que Gina avistou Padma. Ela caminhava em direção à porta que dava acesso à cozinha, alojada em uma construção independente do grande hall.
Sem ligar para o homem a seu lado, Gina correu até a irmã.
— Padma! — gritou, emocionada. Incrédula, Padma se deteve ao vê-la.
— Gina! Como...
— Oh, Padma! — Gina a abraçou. — Fiqueitão preocupada com você. Não sabia se estava viva ou morta.
Padma fez menção de falar, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, uma sombra as envolveu. Gina já sabia quem se aproximara por trás dela. Virou-se para encará-lo.
Harry a ignorou e se dirigiu a Padma.
— Conhece esta mulher?
— Sim, meu senhor. — Padma olhava apenas para o chão. — É Gina.
— Então seu nome é Gina. — Harry sorriu. — Senhora, meus cavaleiros a encontraram caçando na floresta, embora os aldeões houvessem recebido a ordem expressa de permanecer em suas casas. Ela certamente teria me esfaqueado com esta adaga, se eu não a tivesse rendido a tempo. E ainda contou-me uma história ultrajante... de que a arma lhe foi dada por Arthur, de quem ela alega ser filha.
Embora quisesse gritar que aquilo tudo era verdade, Gina se conteve. Que Padma confirmasse o fato. Talvez assim ele acreditasse.
Padma, entretanto, permaneceu em silêncio. Tamanha hesitação fez com que Gina a encarasse. A irmã, afinal, não era dada a incertezas. Somente então percebeu que, pela primeira vez, Padma não se mostrava tão altiva em sua nobreza. As faces estavam sujas e a touca de tecido, torta. Manchas de gordura escureciam a frente do vestido. Alguns fios de cabelos haviam escapado da trança. Gina nunca a vira tão desarrumada.
— Senhor — Padma enfim manifestou-se —, não é mentira. Ela é minha meia-irmã, dois meses mais velha que eu.
— Dois meses mais velha! — Harry exclamou. — Como é possível?
— Arthur é nosso pai. Mas minha mãe era Rowena, que faleceu na guerra. A mãe de Alana era Molly, uma camponesa da aldeia. Gina não foi criada no castelo. Somente eu fui.
Mais uma vez, Gina sentiu o poder daqueles frios olhos azuis. Ela o encarou sem ocultar o desdém.
— Então você não é filha legítima de Arthur. Agora Padma parecia ansiosa para falar.
— Não, senhor. Ela não é.
Ele continuou a fitá-la. Gina manteve-se firme. A expressão de Merrick nada revelava acerca do que estivesse pensando.
— Muito bem — finalmente disse. — Vá com sua irmã e faça-se útil — ordenou. — Decidirei seu destino mais tarde.
A princípio, Gina pensou seriamente em desobedecê-lo, aquele animal arrogante! Mas não era de sua natureza ser tão rude. E, além do mais, já havia abusado da paciência do normando e talvez não tivesse a sorte de sobreviver, caso o desafiasse novamente.
Depois de fitá-lo com orgulho, virou-se e seguiu a irmã.
Na cozinha, os preparativos para a ceia estavam em andamento. Padma lhe entregou uma faca e começaram a cortar cebolas e repolho.
— Dizem que ele escraviza os sobreviventes — Gina comentou em voz baixa.
Padma suspirou.
— É verdade. Ele capturou os que fugiram. A nós foi dada uma escolha: servi-lo ou ir para a prisão.
— E quanto a você?
Os olhos castanhos de Padma cintilaram de tristeza.
— Também tive a oportunidade de escolher meu destino, trabalhar na cozinha ou ficar aprisionada.
— Mas você é filha de Arthur! — Gina expressou sua indignação.
— Harry é o senhor de Weasley agora e só me resta obedecê-lo. — Padma meneou a cabeça. — Não temos escolha. Os normandos vieram para ficar. Dizem que o duque Guilherme se apossou de toda a Inglaterra e se proclamou rei.
Era espantoso ver quão resignada Padma estava. Gina a examinou com desconfiança.
— Ele a espancou, não foi? Ah, aquele canalha! Padma, vou...
— Não, Gina, ele não me espancou. Na verdade, Harry me disse que quando sua irmã, Hermione, chegar da Normandia, não precisarei mais trabalhar na cozinha. Poderei servi-la como criada.
Gina bufou. Era impossível não notar as mãos avermelhadas de Padma. Não estava acostumada ao trabalho pesado e, certamente, como criada ela poderia se cuidar melhor.
— Para que esperar? Não pode servir a esposa dele? Uma mecha dos cabelos pretos de Padma tombou sobre o rosto, escondendo o sorriso matreiro da jovem.
— Ele não tem esposa.
— Mas... vi um rapazola que sem dúvida deve ser filho dele, pois é muito parecido...
— É o sobrinho, Collim. Ele é escudeiro de Harry. Hermione, a irmã de Harry, é mãe do rapaz.
Depois disso, ambas voltaram ao trabalho. Embora as mãos estivessem ocupadas, Gina sentiu certo peso no coração. E, ao mesmo tempo, uma sensação de conforto a acalentou. Seu pai estava no céu, tal qual sua mãe, para viver com os anjos. Talvez agora pudessem ficar juntos no firmamento, algo que lhes fora impossível na vida terrena. E, apesar de lamentar a morte, de Arthur, era um alívio saber que Padma estava viva.
E enquanto havia vida, existia esperança.
As horas seguintes passaram em um nevoeiro indistinto. Os normandos fizeram a ceia e as irmãs os serviram. Gina realizou incontáveis percursos do hall à cozinha, carregando pesadas bandejas de comida e cerveja. Seus braços e ombros doíam por causa do peso. Padma também parecia esgotada.
Os normandos eram totalmente rudes. Ela tentou, sem sucesso, evitar as mãos gordurentas que agarravam seu vestido e decote. No fundo, queria estapear aqueles glutões, mas temia ser espancada. Assistira com horror quando uma jovem derrubara uma bandeja de gulodices aos pés de um soldado e sofrerá tal destino. Gina, portanto, preferiu suportar o assédio e ignorá-los.
Anoiteceu e tochas foram acesas. Estava a caminho de buscar mais cerveja quando alguém a segurou pelo braço. Ela se virou e deparou-se com o cavaleiro que encontrara na floresta, Draco.
Os olhos ávidos do normando a percorreram. Gina estremeceu de medo.
— Diga-me, minha amada. Harry a satisfez?
— Solte-me!
Draco a puxou pela cintura.
— As normandas dizem que ele é bem-dotado como um touro e tão resistente quanto o animal. Por isso, elas caem a seus pés. Mas eu a satisfaria muito mais, se me deixasse.
Gina encarou Harry, que se achava sentado à mesa mais alta. Ele os observava sem emoção. Draco se virou para ver onde o olhar de Gina se fixava. Soltou-a imediatamente, mas não antes de beliscar-lhe o braço.
— Ainda não terminamos.
Aliviada, Gina fugiu dele. Ao longo da noite, lançou olhares ansiosos em direção a Harry, mas ele não lhe deu atenção. Quanto aos normandos, o apetite por comida só excedia a ânsia por bebida. Porém, pouco a pouco, o barulho constante de vozes e risadas começou a diminuir. A maioria dos normandos se recolheu e outros se estatelaram nas mesas e bancos. Roncos de embriaguez invadiram o ar.
Foi nesse instante que Gina atinou para o fato de que não havia ninguém no hall. Nem mesmo Harry. Se elas fugissem, nenhuma alma normanda perceberia...
Padma se aproximou, bocejando.
— Podemos encerrar agora. Tenho uma cama de palha no alojamento dos criados que se encontra no porão — ela contou, descontente. — Pode ocupar a enxerga ao lado da minha
— Tem razão. Podemos encerrar agora mesmo. — Gina segurou as mãos da irmã. — Padma, ninguém vai ver, se resolvermos fugir ainda hoje! As sentinelas devem estar tão embriagadas quantos estes homens. — Ela sentiu a ansiedade crescer. —Vamos fugir dos normandos... de Harry! Talvez não tenhamos oportunidade melhor que agora. Padma esquadrinhou o hall.
— Harry não está aqui — Gina atestou. — Certamente ele já se recolheu.
— Não sei, Gina...
— Padma, pense! Quer ser para sempre uma escrava?
— Claro que não! Mas... Oh, talvez você esteja certa.
— Estou, sim, Padma. Não podemos mais nos demorar.
— Para onde iremos?
— Não importa! Talvez para York. Não vê? Quero libertar você, não... nós duas do jugo desse normando. Agora apresse-se. Quando eles acordarem, teremos de estar bem longe daqui.
Um brilho de esperança cintilou nos olhos de Padma.
— Eles pegaram a maior parte de meus pertences, mas escondi várias bugigangas embaixo do meu catre. Se pudermos esperar um minuto, vou buscá-las. Talvez possamos vendê-las.
Juntas elas desceram a estreita escada que levava ao porão. A maioria dos criados já havia se recolhido. Padma entrou no quarto úmido e correu até sua cama de palha. Enquanto ela procurava seus tesouros, Gina vigiava o corredor.
— Pronto. — Padma voltou instantes depois.
— Vá na frente — Gina sugeriu. — Você conhece o domínio melhor que eu.
O hall estava às escuras. Havia apenas brasas fenecendo na lareira. Os que lá estavam dormiam profundamente. Gina olhou para trás. Ninguém as seguia. Seu coração acelerou. O portal em arco que dava acesso ao pátio achava-se somente a poucos passos de distância. Em breve, alcançariam a liberdade.
De repente, Padma parou. Gina quase trombou na irmã.
— Não pare, Padma! Temos de nos apressar...
— Creio que não, saxã. Vocês duas não vão a lugar nenhum esta noite... ou em qualquer outra noite.
Gina ficou paralisada. Frustrada, engoliu um grito de revolta. Por Deus, era Harry!
Ele praticamente ocupava todo o espaço da saída em forma de arco. A boca de Gina ficou seca. Faíscas mortais pareciam sair dos intensos olhos azuis.
— Estou curioso, senhoras. Quem planejou a fuga? Padma não titubeou na hora de entregar a irmã.
— Foi idéia dela, senhor. Eu jamais teria feito isso, se não fosse por ela!
— É verdade — Gina confirmou. — Não a responsabilize.
Claramente contendo a raiva, Harry encarou Padma.
— Saia.
Padma correu como se os cães do inferno a perseguissem. Embora desejasse fugir com a irmã, Gina permaneceu onde estava, trêmula de medo. Havia tentado escapar e, sem dúvida, Harry não trataria a questão com leveza.
— Então você já criou um problema. Achou mesmo que conseguiria fugir?
O tom de voz suave não escondia a raiva. Gina manteve a pose. Não mostraria medo nem diante de Harry nem de qualquer normando.
— Sim!
— Pode se esconder no fim do mundo, saxã, e ainda assim irei encontrá-la.
— E daí?
— E daí você desejaria nunca ter me conhecido — Harry rosnou.
Um tremor a percorreu. Naquele instante, ela o odiou com todas as suas forças, já que tamanha arrogância não possuía limites.
— Fique sabendo, normando, que não suplicarei por misericórdia porque sei que não tem nenhuma!
— Misericórdia? Mulher, você está viva. Sua irmã está viva. Muitos de seu povo estão vivos. Somente aqueles que ergueram suas espadas contra nós morreram. E lhe digo mais, saxã, seu destino e o de sua irmã poderiam ter sido piores. Talvez caísse nas garras de um mestre mais cruel que eu.
Como Gina nada dissesse, ele sorriu com sarcasmo.
— De seus olhos saem faíscas, saxã. Se pudesse me matar com elas, estou certo de que eu já estaria em minha sepultura. Ainda bem que não mais está com sua adaga.
— Você roubou minha adaga, normando — Gina acusou-o com atrevimento. — Mas saiba que sou muito boa com arco e flecha.
— Um aviso — Harry concluiu, frio. — Eis outro aviso para você, saxã. Não tolerarei mais nenhuma tentativa de fuga. Se isso ocorrer novamente, juro que vai se arrepender.
Gina arrepiou-se. Se ele pretendia matá-la, por que prolongava o tormento?
— Maldito seja! — ela exclamou. — Por que não ficou na Normandia? Se não fosse por você, meu pai ainda estaria vivo!
— Entendo que esteja enlutada, saxã. Nada mais será como era antigamente. Como lhe disse esta manhã, somos os conquistadores e vocês são os conquistados. E assim que são as coisas. Vocês, ingleses, devem nos aceitar ou então haverá mais derramamento de sangue.
— Aceitá-los? Nunca! Então, se quer me matar, faça-o agora!
Ele gargalhou a valer.
— Acho que não, saxã. Eu e você ainda não terminamos. E posso pensar em coisas muito mais prazerosas para fazer do que matá-la.
Lentamente Harry a circundou e se deteve diante de Gina. Estavam próximos demais. Ele não se mexia, mas os olhos azuis tomavam liberdades que nenhum outro homem jamais ousara tomar.
O terror a engoliu. Sabia o que o normando pretendia. Quando a tocasse novamente não seria mais com os olhos. Não, seria com o poder das mãos.
Gina sentiu-se gelar por dentro.
— Por favor — murmurou quase sem voz. — O que quer de mim?
Ele sorriu como se lesse cada pensamento dela.
— Creio que já sabe, saxã.
— Não. Você não pode...
— Posso, sim. — O sorriso demoníaco aumentou. — Agora sou o dono de Weasley. Pertence a mim tudo o que era de Arthur. E tais posses incluem você, saxã.