Thaiana, obrigada pelo comentário... estamos indo ai para os ultimos capitulos.... espero que goste.... bjussss
Capítulo 28 – Um intruso na noite
- Mamãe?
- Oi meu amor, estou aqui, minha Dayra, estou aqui.
- Mamãe, o que houve?
- Nada meu amor, você está bem. Vamos para casa logo. Os medibruxos estão fazendo exames em você e depois poderemos ir para casa, agora descanse.
- Quanto tempo estou aqui?
- Faz dois dias meu amor, você dormiu durante esse tempo por causa das poções, mas ainda precisará ficar aqui mais um tempo.
- Fica aqui comigo?
- Eu não sairei daqui.
Dayra voltou a dormir sentindo os efeitos da poção dada por Hermione, uma poção que ela conhecia, a poção que sua mãe tomava para não acordar de noite gritando como muitas vezes. A poção sono sem sonhos.
Hermione continuou segurando a mão de sua filha durante um tempo e chegou a dormir também, porém foi acordada pela chegada do doutor responsável. O medibruxo a chamou da porta e Hermione levantou a cabeça encontrando um homem alto de cabelos castanho escuro, olhos extremamente azuis e um sorriso simpático, por algum motivo os olhos dele brilharam estranhamente ao olhá-la.
- Senhorita Granger? – Chamou o homem com sua voz macia e baixa.
- Sim, sou eu.
- Então a senhora é a mãe da pequena Dayra Prince Granger. Prazer sou Aidan Evan.
- Prazer doutor.
- Todas as vezes que apareci a senhora não estava aqui, ou não era momento de visitas, por isso só pude me apresentar agora. Vamos ver então a pequena Dayra, sua filha tem um bonito nome. – Disse aproximando-se e examinando a menina. – De quem é o nome Prince? Normalmente os nomes têm apenas o sobrenome da família, mas o seu é Granger e o dela também. Então, pela lógica, ou o nome Prince é do pai, ou ela não foi registrada com o nome do pai.
- Não sei se isso é relevante para a saúde de minha filha. – Disse Hermione franzindo a testa desconfiada dos questionamentos do medibruxo.
- Me desculpe. – Disse o medibruxo sorrindo. – Foi apenas curiosidade.
- Tudo bem, me desculpe, não quis ser grossa. – Disse Hermione esfregando o rosto com as mãos. – Estou muito estressada por tudo isso. Ela não é registrada no nome do pai e Prince é o nome de uma pessoa que considero muito. – A bruxa franziu a testa ao ver o medibruxo apertar os lábios desmanchando o sorriso - Posso saber se isso é importante para o tratamento dela?
- É sim. – Respondeu virando-se de costas. – E muito.
Hermione respirou fundo e olhou para Dayra, estava cansada demais para perder tempo com perguntas de um doutor que não tinha mais o que fazer a não ser dar em cima das mães de pacientes, pensou Hermione imaginando ser aquilo uma cantada.
- Como ela está doutor?
- Está bem, vai ficar mais algumas noites aqui.
- Tudo bem, espero que ela melhore logo, só isso. Vou ficar aqui então.
- Senhorita Granger. Dayra tomou uma poção forte, vai dormir a noite inteira. Deve descansar também, ela precisa de você. Vá para casa, tome um banho e durma bem. Amanhã quando chegar ela provavelmente estará dormindo ainda.
- Mas e se...
- Não se preocupe. Se acontecer algo a senhora saberá automaticamente.
Hermione olhou novamente para a cama onde a menina estava e teve que concordar com o medibruxo. Precisava mesmo de um bom banho para descansar.
- Acho melhor mesmo, mas não vou demorar, mesmo dormindo eu quero estar ao lado dela.
- Eu entendo. Vou deixar avisado na recepção que a senhorita irá voltar, assim não precisará assinar o formulário de novo.
- Obrigada.
O medibruxo abriu um novo sorriso e se aproximou tocando de leve o ombro de Hermione, ela não gostou do toque e muito menos da sombra que passou no fundo dos olhos azuis dele, alguma coisa a incomodava e essa sensação não sumiu, mesmo após ouvir a voz macia dele.
- Não se preocupe com ela, nós cuidaremos bem da sua filha.
Hermione franziu a testa novamente, por fora ela sabia que era besteira e que o senhor Evan só estava tentando ajudar, fazer seu trabalho. Mas por dentro ela sentia todos os alarmes acionados indicando que estava trilhando um caminho perigoso.
Porém Hermione apenas balançou a cabeça, estava realmente cansada e o que sentia deveria ser apenas um reflexo de ser mãe. Afinal Dayra jamais ficou doente, jamais teve que deixá-la em observação no hospital, aquilo devia ser somente preocupação.
Pensando assim ela apenas sorriu de leve e foi embora, se tivesse respeitado e seguido seus instintos, Hermione jamais teria sentido a ira do desespero.
Mas ela não seguiu e em sua mente revisava o encontro de algumas horas atrás. Ele estava lindo, como sempre fora, quase não mudara, ainda usava um feitiço para tapar as cicatrizes que Voldemort lhe causara e por isso ela não sabia como estava verdadeiramente o seu rosto, mas seus olhos, aqueles olhos negros, estavam vazios, mais vazios que nunca.
Dentro de sua banheira, com um copo de vinho em suas mãos. Hermione chorou, chorou a falta dele, a ausência dele, ausência que ela colocou em sua vida. Em poucos anos conseguiu afastar-se de todos. Rony, Harry, Gina, todos seguiram sua vida no mundo bruxo, mas ela se escondeu no mundo trouxa querendo afastar de sua mente a sua vida no mundo bruxo, as tristezas, a solidão. No fim acabou conseguindo seu objetivo, afastou-se de tudo e de todos, começou sua vida do zero, quase se esqueceu de sua vida bruxa, era lembrada apenas pelo trabalho no ministério e por visitas esporádicas aos velhos amigos em pontos de encontros estratégicos. Mas jamais conseguira esquecer ou se afastar do amor que criou por ele, que cultivou por ele, apenas o deixou adormecer, ficar inerte até aquele momento em que o sentiu dentro do quarto de hospital. E ainda assim continua afastando-o de si.
- Burra – Xingou-se na escuridão de seu banheiro.
Hermione bufou e descansou a cabeça no encosto da banheira adormecendo levemente enquanto pensava que logo estaria de volta na companhia de Dayra, assim não a deixaria sozinha. Mas ao contrário do que pensava, Dayra não estava sozinha, estava muito bem acompanhada.
A respiração da menina estava lenta e baixinha, quem a visse pensaria, a princípio, que estava morta. Mas ele sabia que não estava, conseguia ouvir a respiração difícil. Ela mexia-se pouco e suava muito. O homem limpava cada gota que caia de seu corpinho, afastava seus cabelos grudados na testa e a cobria quando a via tremer de frio.
Dayra sonhava com um homem alto que lhe chamava carinhosamente, mas diferente de sua voz, o rosto dele era frio, grotesco, assustador. Ele a chamava e estendia a sua mão para ela. Ela tinha medo dele, muito medo. Corria para o lado oposto, mas quando virava em um corredor ele estava lá estendendo sua mão para ela.
Ela correu, correu, tentou fugir, mas no fim se viu nos braços dele.
- Olá Dayra – Ele disse baixinho em seus ouvidos – Eu esperava por você.
Dayra gritava na cama e se mexia. Ele tentava segurá-la, mas ela se contorcia.
- Granger,acorde. Droga garota, acorde!
- Não, me solta, por favor.
- Granger!
- Por favor – Sussurrou ao acordar assustada e se jogar nos braços dele abraçando-o com força – Por favor, não me machuque.
Dayra escondia o rosto na curva do pescoço do homem e chorava respirando com rapidez. Seus braços apertavam com força seu corpo contra o dele. O perfume que saia dos cabelos negros a acalmavam aos poucos, mas ainda estava muito nervosa pelos olhos do homem no sonho, sua voz grossa rindo dela. Seus braços automaticamente apertaram mais o pescoço dele. Ela queria que ele a abraçasse, mas os braços dele não se moveram a princípio, ele apenas ficou imóvel esperando que ela se acalmasse e quando sentiu o peito da menina evidenciando a respiração mais calma ele tocou seu braço delicadamente tentando soltá-la, mas Dayra apenas se aproximou mais não querendo largá-lo.
- Cadê a mamãe?
- Sua mãe vem logo, agora se deite, por favor.
Dayra obedeceu após ouvir o tom que definia uma ordem transbordar nas palavras que saiam de sua boca, afastando-se devagar ela saiu do colo do homem sentado na cadeira ao lado e voltou para a cama cobrindo-se até o queixo. Seu corpo deu uma pequena tremida, se ela dormisse acabaria sonhando novamente e talvez não tivesse ninguém para acordá-la ou alguém em que pudesse se agarrar e sentir-se protegida em seus braços.
De repente enquanto estava pensando no medo que crescia aos poucos dentro de si uma luz acendeu no quarto e seus olhos dourados pousaram no homem sentado na cadeira ao lado. Sua expressão era séria, seus lábios finos estavam estreitos e seus olhos negros aparentavam raiva, impaciência e alguma outra coisa que a menina julgou ser dúvida.
- Eu conheço o senhor – Disse a menina levantando-se ainda tremendo um pouco, mas afastando aos poucos suas preocupações.
- Fui eu quem a trouxe para o hospital e se não quiser que meu esforço em mantê-la viva tenha sido em vão, sugiro que deite-se.
Dayra obedeceu, pois sabia que o homem acabara de lhe dar uma ordem clara. Porém em sua mente ela processava os traços finos daquele rosto tentando recordar-se onde o tinha visto. Após alguns segundos ela arregalou os olhos e se lembrou da foto que sua mãe guardava embaixo do travesseiro após chorar muito olhando para ela. Sua mãe, ela não estava ali ao seu lado. Uma angustia bateu forte no peito de Dayra e a menina se deitou novamente.
- Quero ir para casa.
- Não pode, ainda precisa ficar aqui mais alguns dias. Fez uma coisa muito perigosa, bebeu uma poção que poderia tê-la matado.
- Eu sei.
- Já imaginou como sua mãe ficaria se isso acontecesse?
Dayra olhou surpresa para ele e viu a preocupação estampada nos olhos escuros, imediatamente imaginou a imagem de sua mãe a olhando naquela cama de hospital. Lembrou-se dos momentos em que mesmo quando triste aqueles olhos a amavam. Os olhos castanhos tão diferentes de seus, dourados. Os olhos de sua mãe.
- Por que está chorando? – Perguntou Snape franzindo a testa.
- Porque eu sou uma menina má. Fiz a mamãe chorar, ela me odeia agora, eu sei que ela me odeia, ela veio aqui me ver, mas sei que está brava comigo.
- Granger – Disse Snape baixinho mexendo-se na cadeira sem saber ao certo como poderia dizer algo que a deixasse mais calma. Respirando fundo ele supriu sua mente de paciência e se aproximou dela ficando com seu rosto perto da menina – A senhorita deu um grande susto nela, e devo confessar, em mim também. Sua mãe chorou muito por você, mas foi porque te ama. Ela te ama muito, de uma maneira que a senhorita não conseguirá entender agora – Terminou não entendendo o motivo de sentir-se tão bem ao lado da menina, o suficiente para tratá-la gentilmente sentindo o quanto era doce o olhar dela.
- Por que ela não está aqui então?
- Ela precisava descansar, ficou aqui o tempo todo. Daqui a pouco ela está de volta e você deveria estar dormindo.
- Não quero dormir.
- Precisa.
- Tenho medo – Confessou esticando o braço e tocando a mão dele sabendo que se sentiria segura – Tenho medo do homem dos meus sonhos.
- É só um sonho.
- Não é não, eu sei que não é – Puxou a mão dele, trazendo-o mais para perto ao ponto de apenas sussurrar – Eu sei que o homem dos meus sonhos está por aqui, eu o sinto. Não quero ficar sozinha, fica aqui comigo, por favor, senhor.
Snape hesitou, durante os dois dias em que ela ficará inconsciente naquela cama ele estava ali, no quarto, no canto escuro, apenas a observando, vendo a Hermione que existia naquela pequena, se torturando com lembranças antigas e com sonhos futuros, sonhos que descartava rapidamente antes que se fixasse em sua mente e o fizesse sofrer mais ainda. Ele sabia que não deveria ficar ali, muito menos agora que ela estava acordada. Ele deveria ir embora e se afastar dela, Dayra era a principal ligação com Hermione, através da menina ele via a mãe e sabia que isso não era bom. Não, ele não devia. Suspirando forte ele fechou os olhos por um momento e tomou a decisão que achava mais favorável ao seu sofrimento, ele iria embora, logo depois de um compromisso que teria naquela noite, dentro de uma hora, após isso iria sumir novamente, desaparecer e se trancar em amargura. Ele não podia ficar ali, vendo Dayra, se lembrando de Hermione. Hermione que estava tão linda, com os traços mais adultos, mas com os mesmos olhos brilhantes e o mesmo perfume em sua pele. Ah! Hermione, como podes ser tão bela? Perguntou-se Snape antes de olhar de volta para Dayra e ver seus olhos dourados. Eles poderiam ser pretos, mas o destino não permitiu isso, eles eram dourados iguais o de.... Não, Dayra não era igual à ele, ela era igual a Hermione, pura e ingênua. Não deveria ficar ali, não deveria ficar ao lado dela vendo seus olhos dourados e seus cabelos volumosos. Era tortura, ele sabia disso e ainda assim queria dar a resposta que ela queria ouvir.
- Tudo bem, eu ficarei, mas precisa se deitar e descansar.
- Está bem.
Dayra deitou-se se cobrindo até o queixo, mas deixando seu braço para fora, pois ainda segurava a mão do professor que se encostou completamente na cadeira esperando que ela dormisse.
- Obrigada por ficar.
Como poderia negar um pedido dela. Uma cópia de sua amada, filha dela. Era impossível dizer não para aquele rostinho inocente. Era a pura Hermione, igual quando a conheceu pela primeira vez no primeiro ano do trio de ouro.
- Por que eu? – Deixou a pergunta escapar - Não me conhece, eu poderia fazer algo com você assim como o homem de seus sonhos. Confia demais nas pessoas, não deveria.
- Mamãe te ama muito, isso já o torna digno de minha confiança.
Snape sorriu de lado e ficou observando-a começar a dormir. “Mamãe te ama muito” Ele conseguia ouvir a voz de Dayra lhe dizendo isso repetidamente enquanto segurava a pequena mãozinha que começava a relaxar enquanto sua mente a levava para o mundo dos sonhos. Ela dormiu calmamente sendo velada por Snape, mas um pequeno fio de consciência a deixou alerta, ELE também a estava velando.
Dayra sentiu levemente quando a mão grande e quente de Snape a soltou, no fundo de sua mente ela sabia que ele estava saindo. Quando tudo estava calmo ela sabia que ele tinha ido embora. Mas logo seu corpo se arrepiou com uma presença no quarto. A porta fez um barulho mínimo ao fechar acordando-a, Dayra abriu os olhos e tentou ver quem era, estava escuro demais.
- Senhor?
- Olá Dayra.
A menina sentou-se assustada, aquela voz era a mesma do sonho, a mesma do homem que a assombrada, mas estava muito escuro ali, ela não sabia onde ele estava. Ainda com medo Dayra levantou-se da cama, mas uma tontura a fez cair, a poção que o médico a fez tomar começou a surtir efeito. Ainda assim, com a visão turva e os reflexos comprometidos, Dayra tentou levantar apoiando-se na cama, devagar ela tentou se aproximar da porta, mas uma risada a fez parar.
- Onde pensa que vai?
Dayra gritou quando sentiu algo pesado em sua perna quebrando seus ossos. Ela olhou para trás e o viu, viu seu rosto, não era o homem dos seus sonhos, mas os olhos eram iguais. Ela gritou, mas nada adiantaria, um feitiço abafador fora colocado naquele quarto. Ela tentou gritar novamente, mas uma varinha foi apontada para sua garganta e ela não conseguiu ouvir sua voz.
- Acha mesmo que vou deixá-la escapar? – Ele perguntou pisando mais na perna da menina – Depois de tanto tempo eu finalmente consegui encontrá-la sozinha. Foi muito difícil conseguir pegá-la, aquele urubu vivia aqui e quando não era ele era a sua maldita mãezinha. Não chore, shh, fique quietinha, assim será melhor.
Uma luz amarela atingiu o peito de Dayra e a menina sentiu seus olhos pesarem, o feitiço não verbal a fizera desmaiar no chão gelado daquele quarto.
- Isso, durma, durma pequena.
Tudo sumiu e ela foi levada para onde ele estendia sua mão em seus sonhos.