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26. A dor das lembranças


Fic: A decisão de Hermione Granger


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Gente, desculpem-me, postei o 26 no lugar do 25.... estava faltando um capítulo inteiro.... sorry mesmo... Já arrumei o 25 e aqui está o 26.... vou postar o 27

bjusss

 


Capítulo 26 – A dor das lembranças


 


 


Eu nunca fui do tipo que se apaixonava assim


Eu não sabia que o amor mandava tanto em mim


Eu não pensava que eu seria o sonho de alguém


Agora em meu coração falta o seu amor


Falta essa paixão


 


O mundo caiu no instante em que eu me vi sem você


Eu não me toquei


Eu só acreditei que o amor fosse fácil de se esquecer


Eu errei... eu tenho tanta saudade...


 


Sinto falta de você dizendo que eu te fiz feliz


Eu tô colhendo a tempestade que eu mesma fiz


Será que um dia desses vou te encontrar


Só pra te dizer que foi com você


Que aprendi a amar


 


O mundo caiu no instante em que eu me vi sem você


Eu não me toquei


Eu só acreditei que o amor fosse fácil de se esquecer


Eu errei... eu tenho tanta saudade...


 


Aqueles mesmos pesadelos a assombravam todas as noites. As luzes dos feitiços, os gritos, as mortes. Ainda não entendia por que sempre via Severus morrer no lugar de Robert e aquele enigma a deixava nervosa por não saber notícias do ex-professor. Nunca conseguira simplesmente esquecê-lo, sempre revivia os breves momentos em que ele a tocava e muitas noites sonhou com o dia em que se entregou a ele. Mas todos os sonhos terminavam da mesma maneira, com Robert, a guerra e a morte. A grande batalha acontecera há nove anos e ainda assim ela se arrepiava cada vez que pensava naquele dia. O dia em que finalmente Voldemort morrera para sempre. Em que o terror fora derrotado e o dia em que o mundo bruxo pôde novamente respirar tranquilo.


O dia em que Harry conseguira cumprir a profecia e evitar que Voldemort voltasse novamente do mundo dos mortos. O dia em que os olhos dourados de Robert assumiram as cores de uma lua nova. Foi há nove anos, mas ainda parecia ter sido ontem.


Cansada de reviver o pesadelo em sua mente, Hermione levantou-se colocando o roupão de seda e as pantufas que ganhara de sua mãe. Calmamente ela desceu para a cozinha, pegou uma xícara de café e foi para a sala sentando-se no beiral da janela. Ali podia ver o movimento da rua, ainda bem fraco já que era cedo demais. O interior de Londres era um lugar calmo e tranquilo para se morar, ao contrário do centro tumultuado. Hermione agradecia por poder trabalhar para o Ministério da Magia respondendo as correspondências do Departamento de Regulação e Controle das Criaturas Mágicas sobre novas leis que devem ser criadas para esses seres que há tanto tempo foram descriminados. Não queria ter que aparecer no Ministério e trabalhar em casa era um alívio enorme. 


Ela suspirou pensando em como sua vida mudara desde o dia fatídico.


Ainda era muito cedo e Hermione deitou-se novamente, dessa vez no sofá aconchegante que comprara recentemente em uma loja de antiguidades. Ela olhou para o porta-retratos que estava na mesinha de centro e sorriu pegando-o para ver mais de perto a foto que colocara ali há pouco tempo. Era uma foto de aniversário tirada no ano anterior, uma das fotos que ela mais gostava. Sorrindo fraco devolveu o quadro para a mesinha e adormeceu olhando aqueles olhos dourados.


Os mesmos olhos dourados que, no dia seguinte a tarde, entravam pela porta pesada da nova botica da esquina. Um sino no alto da porta tocou anunciando a chegada de um cliente.


- Um momento. – Disse uma voz grossa nos fundos do recinto.


Os olhos dourados olhavam com curiosidade extrema para os recipientes que continham ingredientes jamais encontrados em qualquer outra botica da cidade. Os dourados olhos brilharam ao perceber que aquela botica era de origem bruxa e não trouxa. Claro que havia ali elementos trouxas, mas também havia a magia que encobria os outros ingredientes, exatamente aqueles que os trouxas não apreciariam como aranhas, pés de sapo, ararambóia, pedra da lua, olhos, essências estranhas e viscosas, ervas de plantas desconhecidas entre diversas outras coisas.


Tudo naquele lugar era o suficiente para fazer brilhar os olhos dourados.


- Sim? – Disse o homem alto aparecendo atrás do balcão carregando um pequeno vazo que colocou com cuidado em uma prateleira antes de se virar.


  O homem vestia uma roupa simples, calça social com camisa branca, tinha olhos gentis e era bem alto. Ao virar-se para ver qual cliente havia entrado em sua loja, seus olhos se depararam com uma linda menina o olhando com curiosidade, naquele momento seu coração parou por alguns segundos ao ver o brilho dourado dos pequenos olhos e a intensidade de seu olhar.


- Boa tarde, senhor, minha mãe pediu para comprar essas coisas. – Disse a menina entregando um papel para o homem que analisava não o papel, mas os seus olhos dourados.


- Desculpe perguntar, senhorita, mas quem é a sua mãe? – Perguntou em tom de interesse.


- Desculpe, senhor, mas mamãe me disse que não posso dar informações para pessoas estranhas.


- Muito inteligente de sua parte obedecê-la.


A menina franziu a testa, mas esperou o homem ir até uma prateleira e pegar os ingredientes pedidos, não havia muitas coisas no papel, somente algumas ervas que os trouxas compravam para fazer chá contra algumas doenças e viroses.


- Aqui está. – Disse ele entregando uma sacola para a menina e pegando o pagamento sem tirar os olhos dela.


- Obrigada.


Os olhos dourados saíram pela pesada porta e os olhos do homem continuavam olhando para a porta até que o sininho parou de tilintar. Somente após isso o homem balançou a cabeça afastando certas lembranças e foi para um cômodo no fundo da botica.


Hermione estava na cozinha experimentando o molho de tomate que borbulhava na panela quando alguém entrou pela porta da frente.


- Mamãe, mamãe.


- Ei, calma apressadinha.


A menina de cabelos grossos e volumosos cor de cobre abria os braços e corria em direção à mãe que a pegou no colo e a rodou dando-lhe um beijo gracioso nas bochechas rosadas. O riso alto ecoou pelos cômodos da aconchegante casa. Hermione ria junto com sua linda filha que só não era igual a ela na cor dos olhos, dourados igual aos do falecido pai.


- Você está muito crescida sabia, logo logo não conseguirei mais te pegar no colo. – Hermione riu quando a menina fez um biquinho. - E então meu amor, comprou o que a mamãe pediu?


- Comprei, está na sacola em cima da mesa na sala.


- Que bom, muito obrigada. E como é a nova botica?


- Bem legal, na verdade é uma botica bruxa mamãe, eu pude sentir a magia.


- Sério? Ainda bem, estava precisando de alguns ingredientes para fazer algumas poções e não queria ir ao beco diagonal.


- Mamãe quando poderei fazer magia?


- Somente quando completar onze anos e for para a escola.


- Eu vou para Hogwarts não é mamãe.


- Se você quiser. Mas te mostrei as outras escolas também, é você quem decide, tem até o ano que vem.


- Certo. Lá tem bastante coisas interessantes, na botica.


- É mesmo? E o que tinha lá de tão interessante?


- Tinha alguns vidros esquisitos, com olhos, sapos, aranhas, tudo em vidros com poções. Parecia até mesmo aquela sala de aula que você me conta que tem em Hogwarts.


- E que se você quiser poderá vê-la um dia.


Hermione fez carinho na cabeça da menina e foi até a janela da sala


- Meu amor, onde é essa botica? Quero ir lá, quero comprar os ingredientes para minhas poções.


- Fica na rua de trás, na esquina.


- Hummm, e quem é o dono?


- Não sei, é um moço esquisito, alto, parece um gigante, ele estava com uma roupa social, mas no cabide tinha uma capa toda preta e grandona, aposto que ele deve parecer um morcego ao usá-la.


- Morcego? – Repetiu baixinho ainda olhando para a rua. – Bom, está na hora do almoço, vamos lá lavar essas mãozinhas para podermos comer.


- Está bem mamãe.


- Ei, não está se esquecendo de nada?


A menina voltou correndo e deu um estralado beijo em sua mãe que sorriu vendo-a subir correndo para o banheiro em seu quarto. Hermione foi até a janela novamente e olhou para o final da rua. Um ponto de interrogação se formava em sua testa.


- Será?


Deixou-se levar pelo profundo desejo de reencontrar seu professor, ver novamente os negros olhos, ver que estava bem e que seus pesadelos eram apenas pesadelos. Nada mais que isso, não eram como antes, quando tinha aquela ligação com ele. Mas, mais forte que o desejo de vê-lo, era o desejo de novamente beijá-lo e se entregar aos seus braços igual a única vez em que fez isso, a única vez em que, verdadeiramente, fez amor com um homem. Robert era só um risco em sua vida, de sua história com ele a única coisa boa fora sua filha e após isso nenhum homem entrara em sua história. Sua vida era sua filha e seu trabalho.


Seus devaneios foram interrompidos quando a menina voltou e a abraçou pelas costas dizendo que estava com fome.


- Vamos comer mamãe, estou com fome.


- Eita criança comilona, parece até o tio Rony.


Hermione riu ao lembrar-se dos amigos de que tinha se afastado, os via apenas algumas vezes ao ano quando era aniversário da menina ou dos filhos de Harry e Rony, fora isso ficava afastada do mundo bruxo. Nem ao menos tocou em sua comida enquanto que a menina devorou seu almoço. Crianças, sempre se alimentam bastante para depois perder o dobro enquanto correm pela rua. Mas as crianças daquele bairro não eram tão agitadas, nada ali era agitado, tudo estava na maior calmaria. Era por isso que logo após o almoço estavam as duas deitadas no sofá enquanto assistiam a um programa de televisão.


Mas enquanto a menina estava de olhos arregalados com o documentário sobre a pré história, Hermione estava com a mente longe e nem ao menos tinha os olhos focados na televisão, não estava prestando a devida atenção para quando a menina perguntasse ela lhe respondesse corretamente as perguntas feitas.


Seus pensamentos continuavam na botica da esquina e nas ideias mirabolantes que surgiam em sua mente. A esperança mais uma vez crescia em seu peito, mesmo depois de nove anos. Após a menina bater palmas em frente ao seu rosto ela decidiu prestar atenção a tudo e continuou deitada fazendo carinho em seus cabelos espessos até que ela dormisse. Hermione queria muito carregar a menina até sua cama, mas com nove anos ela já era bem grande e pesada, por esse motivo Hermione agradecia ser bruxa, afinal era muito mais fácil usar um feitiço de locomoção e levá-la até sua cama cobrindo-a com sua coberta rosa. Ela sorriu antes de dar um beijo carinhoso na testa da menina e descer para a sala com a mente voando por lembranças antigas e que tentava esquecer.


Seus braços tremeram, pois, mesmo que lá fora estivesse sol, ali dentro estava muito frio, tão frio quanto as masmorras do grande castelo, a única diferença era que ali não tinha um professor de poções. Hermione mordeu o lábio inferior, fazia muito tempo que não pensava nele, fazia tempo que apenas se deixava levar pelos seus pesadelos e depois os esquecia, apenas porque não queria se machucar, não queria ver a verdade que durante anos seu próprio reflexo lhe atirou em seu rosto.


Fechando a blusa Hermione dirigiu-se para a janela da lavanderia. Nunca aquela janela fora tão visitada. Virada para o lado mais feio da rua, onde poucos carros passavam e as árvores não cresciam. Novamente ela mordeu o lábio e olhou em direção a escada que levava ao quarto de sua filha somente para depois olhar novamente para o fim da rua. Uma coisa era certa, nove anos se passaram, a criança tornou-se mulher, uma bela mulher, mas a curiosidade que sempre lhe aflorara quando ainda tinha poucos anos de idade, jamais lhe abandonou. Foi assim que ela se olhou no espelho ajeitando o cabelo e a roupa, deixou um bilhete caso a menina acordasse e pegou sua chave com um chaveiro de um livro, uma vassoura e um pomo de ouro.


O nervosismo era tanto que nem ao menos trancou a porta quando saiu indo para a rua mais vazia do bairro. O coração começou a bater mais forte enquanto chegava mais e mais perto da botica da esquina. Ao se aproximar Hermione percebeu que aquele era um lugar bem antigo, sua arquitetura deveria datar do século XVIII, ao contrário das casas ao redor, já que os moradores derrubaram as antigas e construíram casas grandes e espaçosas com arquitetura moderna. Mas a botica não era assim, ela era rústica e bela, suas janelas eram grandes, em algumas havia vitrais muito bonitos de plantas, mas eram difíceis de ver, pois as janelas eram cobertas por cortinas cor vinho, provavelmente para proteger os ingredientes que estavam lá dentro. Quando Hermione parou na frente da botica, viu que a porta era grande e pesada, viu também que havia um letreiro onde estava simplesmente escrito Botica em letras verdes. Nada mais que isso.


Ela hesitou com a mão no ar, mas no fim engoliu o receio e bateu três vezes na porta aguardando uma resposta. Enquanto aguardava, lembrava-se das várias vezes que batera três vezes nas portas de Hogwarts. Velhos hábitos nunca mudam.


Ninguém lhe atendeu, nem mesmo depois de bater novamente. Estava quase indo embora quando sua curiosidade falou mais alto de novo e ela abriu a porta entrando no recinto. O cininho fez barulho e a porta fechou com um baque seco deixando-a em um lugar escuro, gelado e abafado, quase claustrofóbico. Ela deu dois passos adiante e olhou para as prateleiras, havia muitas poções em vidros e coisas esquisitas que ela jamais viu.


Mas não eram as coisas esquisitas que lhe chamavam a atenção e sim a botica em si. Seus olhos até mesmo lacrimejaram ao perceber que tudo naquele lugar era igual à Snape, até mesmo o cheiro era igual ao dele, aquele cheiro de ervas que só um mestre de poções como ele tinha. Ela nem mesmo olhou para os livros na prateleira, pois provavelmente estariam arrumados da forma como ele gostava, por assunto e depois por ordem alfabética.


Era frustrante estar ali, ela sentia a aura de obscuridade e mistério que aquele lugar transmitia e isso lhe dava medo, pois era praticamente a essência dele. Ele. Tudo ali a levava para ele, para as lembranças dele, para a masmorra dele, as poções dele, os olhos dele, para ele.


Por um momento ela fechou os olhos e lembrou-se da noite que tanto demorou em esquecer, os toques que tentava não sentir. Ele voltou à sua mente com toda a força. Podia senti-lo perto, brotando em seus olhos como lágrimas cristalinas desabando em penhasco de angústia.


- Severus...


- Sim?


O coração de Hermione quase saltou de seu peito quando a voz grossa do homem falou bem atrás de si. Ela pulou encostando-se à prateleira quando virou para o balcão com uma mão em seu peito que subia e descia violentamente e a outra na varinha em seu bolso.


- Desculpe senhora. – Disse o gentil homem olhando-a por cima de seus óculos redondos com seus olhos castanhos. – Não foi a minha intenção assustá-la, pode guardar a varinha.


- Sabe que eu sou bruxa?


- Claro que sei, todo bruxo reconhece o outro, por causa dos níveis de magia. Você deseja um copo de água? Eu realmente peço desculpas se lhe assustei.


- Não, tudo bem, não tem problema. Eu me assustei sem nenhuma razão, acho que estava distraída.


- Sim, foi o que pareceu. Pelo que vi a senhora gosta dos espécimes que temos aqui. São importados.


- Hãã... claro... eu adorei, sinceramente me lembrou muito uma pessoa que eu conhecia.


Hermione sorriu e olhou para o homem atrás do balcão aparentava ter mais de oitenta anos, o que para a idade bruxa quer dizer que ele ainda estava muito bem fisicamente. Seus cabelos estavam começando a rarear e a careca a aparecer, seus olhos eram castanhos e muito gentis. Hermione estava muito ocupada tentando afastar a imagem do antigo professor de sua mente para perceber o a testa franzida do homem enquanto olhava para a porta dos fundos da botica.


- Onde arranjou esse peixe? - Perguntou Hermione olhando um pequeno aquário que jurava já ter visto em Hogwarts na sala pessoal de Snape.


- Esse? Deixe-me ver. – Disse o homem aproximando-se para ver melhor. – Ah! Esse é um espécime muito raro de peixe de água doce, tem um nome complicado que infelizmente não me lembro agora. Não é um ingrediente, apenas um bichinho de estimação. Se não me engano ele foi comprado há alguns anos em uma feira de exposição de animais.


 Hermione o olhou atravessado por um momento, aquelas feiras clandestinas eram o que mais deixava-a com raiva, seu sangue fervia ao pensar nas atrocidades que se faziam com os animais, mas pelo menos o peixinho estava bem no aquário.


- Bom, em que posso ajudá-la senhora?


- Chame-me de senhorita. – Sorriu. – Eu não sou casada. Por sorte. – Disse baixinho essa última parte contando que a idade do homem o impedisse de ouvir esse tom de voz.


Hermione franziu a testa novamente ao olhar para ele. Seria um sorriso nos olhos daquele velhinho? Não, com certeza era apenas impressão da vista cansada dela. Aqueles formulários sobre as novas leis para duendes a estava matando.


- Vocês são novos por aqui, certo? – Perguntou querendo mudar de assunto e descobrir mais daquele lugar.


- Na verdade não. Essa botica existe há muito tempo, porém não abríamos para o público, apenas exportávamos para outra cidade, mas esse ano meu patrão resolveu abrir nossas portas para o público depois de quase dez anos fechados. Assim poderíamos chamar mais clientes e aumentar os lucros. Claro que os trouxas não vêem isso como a botica que a senhorita está vendo. Para eles essa botica parece uma farmácia de manipulação.


- E qual é o nome do seu patrão? - Perguntou Hermione muito interessada na pessoa responsável por aquele lugar.


O tom de voz de Hermione saíra um pouco alterada, quase chorosa, desesperada por ouvir aquele nome, rezando internamente para que os lábios rachados do velho lhe desse a resposta que viera buscar.


- Leon Accer, é um homem fechado, misterioso e conservador. Normalmente não fica aqui, está sempre viajando, viajou hoje há apenas duas horas e parece que só volta semana que vem, enquanto isso eu ficarei aqui tomando conta do lugar.


Hermione não sentiu quando as primeiras lágrimas começaram a escorrer.


- Senhorita? Está tudo bem?


A grande porta bateu com força quando a mulher saiu com os cabelos esvoaçando no vento forte. Seus passos corridos eram seguidos ao longe pelos olhos do bom velhinho.


Ela correu para dentro de casa e trancou a porta antes de escorregar e abafar o grito que sua alma tentava soltar. O frio da casa só aumentava e a fazia sentir que ela estava vazia. Devagar ela levantou e foi até a janela da sala que estava aberta e deixava o vento entrar com força bagunçando seu cabelo. Ela se encolheu no sofá com uma almofada e chorou por ser tão tola a ponto de pensar, de ter um pingo de esperança que fosse ele. Ah, há quanto tempo desejava vê-la uma única vez, saber como ele está. Mas ele sumira há dez anos, como poderia encontrá-lo se nem mesmo Dumbledore ou o próprio Voldemort conseguiu isso?


Talvez ele estivesse morto.


- NÃO! - Gritou Hermione para o nada


 Não poderia suportar pensar que ele pudesse sequer estar machucado, quanto mais morto. Não, ele tinha que estar vivo, mesmo que jamais o visse, ele tinha que estar respirando.


Hermione suspirou, demorou anos para conseguir parar de pensar em Snape e de uma hora para outra ele voltava aos seus pensamentos com violência, grudando em sua mente. Doía tanto pensar nele, lembrar que ele estava em suas mãos, lhe disse que a amava e ela o deixou a mercê da sorte da vida. O abandonou e agora o queria, agora sentia o peso da solidão, agora se arrependia. Como era cruel o querer do toque daquelas mãos tão firmes, grandes e geladas, ou do mel daqueles lábios finos, porém quentes.


Entretanto, mais cruel que sentir essa falta, era saber que jamais teria tudo isso de volta e a culpa era somente dela, afinal, fora ela a pessoa que destruiu o coração do professor que tanto amava a ponto dele simplesmente desaparecer sem deixar rastros. E tudo isso por não conseguir aceitá-lo como ele era, não ter coragem de enfrentar seu comensal e nem se esforçar para tentar.


As vezes o fácil é o mais doloroso. Ela escolhera o fácil há muitos anos e por muitos anos foi difícil esquecer os olhos negros.


O tempo não foi capaz de apagar seu amor por ele, ela ainda era apaixonada, como quando era apenas uma adolescente, mas agora era uma apaixonada solitária.


- Severus, me perdoa.


 

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