Cabeça erguida, pensamento positivo e passos confiantes em direção ao portão de desembarque. Nada poderá estragar a minha semana. Nem mesmo ele com aqueles olhos que transmitiam o charme e a elegância que só aquela família possuía.
Eu estava tão bem, tão segura de mim mesma nos últimos anos. A distância me ajudou a superar todos os traumas e inseguranças que rodeavam o meu “problema” com relacionamentos. Mas, aí vêm aqueles dois e resolvem me tirar do meu posto de psicóloga renomada e me arrastar de volta a Inglaterra só por um capricho, que eu considerava ser uma inutilidade nos dias atuais, nomeado de casamento.
Claro que eu podia dizer “não”. Eu podia negar a minha presença com todas as forças, usando de meus melhores argumentos para adiar o momento do reencontro, pra quem sabe... Nunca. Mas eu não podia, e nem conseguiria, deixar de ir ao conjugue dos meus melhores amigos, mesmo abominando aquele ato.
A porta de vidro estava logo à frente. Era só atravessa-la e sentiria o ar gélido e aconchegante da minha amada Inglaterra de volta em minhas narinas. O outono era uma estação magnifica, marcada pelas chuvas e folhas caídas. A estação em que os amantes escolhiam se entregar ao sentimento mais puro e belo que a humanidade já se permitiu sentir.
Pensando desta maneira, não estava parecendo eu. Sim, sou uma romântica, mas não do tipo incorrigível, que acredita no príncipe encantado, na levantadinha do pé no primeiro beijo, no casamento perfeito ou mesmo no “felizes para sempre”.
Eu acreditava no amor, como qualquer outra pessoa nesse mundo cruel e cético. Só não acreditava que ele poderia sorrir para mim, como fazia para as mulheres e homens dos filmes tão idealizados pelas pessoas que se assumiam românticos incorrigíveis. Infelizmente, ou felizmente - com o decorrer da narrativa vocês me respondam -, eu estava errada. O amor sorria para qualquer pessoa, sendo ela a mais sádica e malvada ou a mais ingênua e gentil. Sim ele atingia essas pessoas, e acreditem se quiser, Eros (ou cupido, para os romanos) me flechou e eu deixei o amor escapar por entre meus dedos, por ser ingênua de mais, insegura de mais e egoísta de mais.
Atravessei. Fechei meus olhos, tomei coragem e atravessei a barreira que me separava do mundo. Do meu mundo. E lá estavam eles, sorridentes e apaixonados, trocando calor humano, abraçados um no outro. Me esperando.
– Julie! – seu gritou soou alto por entre o barulho das buzinas dos carros na rua, e das turbinas dos aviões logo atrás de nós. Rose correu para mim com os braços estendidos e lágrimas nos olhos. A abracei, depositando a minha saudade de cinco anos em seu corpo, me permitindo chorar também. Afinal de contas, sentia tanta falta daquela ruivinha e dos abraços apertados que trocávamos na época do colégio.
– Rose, poderia, por favor, soltar a minha melhor amiga para que eu pudesse dar-lhe um abraço também? – aquela voz. Oh! Aquela voz, que saudade. Saudade daquele som rouco que emanava de sua garganta e que me consolava nos momentos de angustia e dúvida.
Desvencilhei-me do abraço de Rose e sorri como uma criança boba quando encontrava aquele brinquedo tão amado. Minha face trazia um sorriso largo e um olhar sonhador, porque bem a minha frente estava um dos meus objetos mais estimados e apreciados. Meu melhor amigo.
– Scorpius! – exclamei e corri pro abraço. Pulei nele e entrelacei minha perna em sua cintura, quase o derrubando, nos derrubando no caso - porque eu não era a pessoa mais magra do mundo-, mas Scorpius me sustentou e me abraçou fervorosamente, do mesmo jeito que fazíamos sempre.
– Tá certo, senhorita Holmes. Solte meu noivo e vamos pra casa, ok? – Rose falou em tom de brincadeira e me deu um tapa na bunda para que descesse logo. E assim o fiz.
– Senti falta de vocês. – desabei e eles me abraçaram forte, os dois de uma vez, me fazendo relembrar os velhos tempos.
– Ei, Jules. Guarde suas lágrimas, tem mais gente com quem desperdiça-las. Principalmente com uma loira nervosa que está desde as 5:30 da manhã te esperando lá em casa. – Scorpius limpou as lágrimas teimosas que escorriam do meu rosto, pegou minha mala e entramos no carro. Rose foi atrás comigo, me contando todas as novidades dos últimos cinco anos. Relatando sobre as aventuras de sua enorme família e de suas próprias aventuras, junto com o resto da turma e principalmente, junto de Scorpius.
– Julie, eu estou tão feliz que você veio. Tão feliz que aceitou o convite para ser madrinha minha madrinha.
– Eu não perderia esse casamento por nada, Rose. Muito menos essa chance de ser sua madrinha. É uma honra para mim.
– Quando você nos avisou que viria, Jules, eu fiquei surpreso. – Scorpius declarou dando uma olhada no retrovisor e me encarando, indiretamente, com aqueles olhos nublados e misteriosos. Arqueei as sobrancelhas, o induzindo a se explicar – Porque com tudo que passamos, e pelo que aconteceu, eu achei que você nunca mais iria voltar.
– Aquilo é passado, Scorp. O que passou, passou. Eu já esqueci. – proferi convicta e retribuindo o olhar astuto que Scorpius me lançava. Aquele era o nosso jogo para descobrir se mentíamos. Sustentávamos o olhar um do outro esperando que o mentiroso vacilasse ou o que queria descobrir desistisse. Sempre fui boa com aquilo, até quando eu estava mentindo não deixava os outros descobrirem. Só perdia pra duas pessoas.
Scorpius vacilou, voltou à atenção para a estrada e eu respirei aliviada. Abaixei minha cabeça rapidamente e murmurei um “Pelo menos acho que sim”, o que acabou com minha armadura de durona e de menina esquecida. Rose havia notado o meu fraquejo diante a declaração de Scorpius e eu sabia que ela iria me questionar se era aquilo mesmo que sentia. E decidi esperar calada, até chegarmos à casa dos dois. E eles resolveram fazer o mesmo.
[...]
Scorpius estacionou o carro na garagem de uma casa com a frente toda revestida em pedras, com dois andares. Fiquei admirada com a beleza e tamanho daquela casa, e não havia nem entrado. Aquela, com toda certeza, não era a mansão dos Malfoy, mesmo tendo porte para ser, eu já havia ido à casa dos pais de Scorpius. E muito menos a casa dos Weasley, Rose vinha de uma família simples, eles não eram do tipo que gostavam de esbanjar, mesmo se pudessem. Então só tinha uma conclusão de quem eram os donos.
– Essa casa é de vocês? – perguntei com a boca aberta, ainda surpresa com aquilo. Rose e Scorpius assentiram sorrindo. – Essa casa é incrível.
– Espere até ver o interior. – Rose retrucou me arrastando para dentro da casa e deixando Scorp pegando a minha mala. A porta fez um estrondo ao ser aberta pela a dona da casa. Minha boca se abriu mais. Meu queixo estava caído com a graça e a perfeição daquele lugar. Saí andando sem rumo, admirando cada misero detalhe do lar, que durante uma semana seria meu. Colocando minha cabeça pra dentro de cada entrada que havia naquele hall de entrada, decorado com tantos quadros de Rose, Scorpius e a turma, incluindo eu.
Enquanto meus olhos e minhas mãos vasculhavam cada canto daquele corredor um quadro me chamou atenção. Bastante atenção na verdade. Tudo por causa de quem estava neles. Eu me lembrava do dia, do lugar, da hora em que aquela foto foi tirada, do porque ela havia sido batida, e tinha uma leve suspeita do porquê de ela estar pendurada naquela parede. Mas antes que eu pudesse confirmar a minha hipótese senti dois braços me agarrarem por trás e me prender num abraço apertado, do qual eu não conseguia retribuir ou descobrir quem era. Mas a voz soou no meu ouvido, um suspiro de saudade e alegria me deu as Boas Vindas.
– Bem Vinda em casa, Jules. Sentimos muito a sua falta.
Notas: E aí? E aí? Gostaram? Bom, espero que sim. Um aviso, essa história está sendo postada também no Nyah! Fanfiction. Caso tenham conta por lá, aqui o endereço "http://fanfiction.com.br/historia/385031/A_Melhor_Amiga_Do_Noivo_Hiatus" É isso pessoinhas. Deixem suas opiniões abaixo :D