Capítulo 38
-Então, Hermione... Você está bem?
Erguendo a vista de sua taça, a morena encontrou Vitória a encarando com ar suspeito. – Hm, yeah – reafirmou, postando a bebida na mesa. - Estou bem. Foi apenas um mal súbito, honestamente.
-Oh, é que você saiu tão abruptamente, ficamos preocupados.
Hermione sorriu gentilmente. – Sinto muito por tê-los preocupado.
-Então – Hugo falou lentamente e Gina se pôs em alerta, esperando uma deixa. - Sua saída não tem nada a ver com a amiga de Harry? – Hugo perguntou maliciosamente. Gina mordeu o lábio inferior. Oh! Hugo era tão previsível.
A ruiva então se pôs em ação: riu com ganas quase se engasgando, trazendo a atenção pra si. -Desculpem. Desculpem! – insistiu ainda rindo-se sob os olhares perplexos. – É só... nossa, isso foi tão – respirou fundo.
-O que é tão engraçado?
Mas a mulher bruxa ainda ria, incapaz de pronunciar qualquer coisa. Harry, parecendo muito divertido, tomou a palavra. – Eu acredito que Gina ache hilariante sua suposição de que Hermione tenha ciúmes de Jenna...
-E por quê? Hermione está acima de coisas mesquinhas como ciúme? – Hugo zombou.
-De forma alguma – Hermione contrapôs por sua vez, rindo.
-A verdade é que foi Jenna quem me abriu os olhos sobre Hermione – Harry encolheu os ombros.
-Oh? – Vitória parecia interessada.
Harry, então, passou a contar a suposta anedota do tempo em que “Jenna o ajudou a entender seus sentimentos”.
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Gina praticamente a arrastou consigo quando puseram os pés de volta à casa. – Desculpe Harry. Preciso ter um pequeno tête-à-tête com nossa querida Mione – lhe ofereceu uma piscadela. – Você pensou mesmo que iria escapar? – murmurou ao ouvido da amiga, sua mão postando-se sobre o ventre de Hermione.
A morena sorriu, tocando com a sua a mão da amiga. Deixando-se ser levada – Eu não estou certa, Ginny. Foi apenas um mal estar – ela comentou por conta dos olhares penetrantes de Vitória a suas costas.
-Você é um gênio do mau.
-Eu sei! – elas riram juntas, afastando-se. Novamente saindo da casa, para os jardins.
Quando Gina estava certa de que estavam longe de qualquer ouvido, a ruiva encarou Hermione em expectativa. – O que diabos Jenna lhe disse para fazê-la enxergar a luz?
A morena virou os olhos para o tom da amiga, mas respondeu de toda forma. – Ela terminou com Harry porque achava que nós-
-Que a estavam traindo? – a interrompeu irritada. – Típico!
-Não, Ginny! E o que quer dizer com típico?
-Oh, por favor, Hermione. – foi a vez de Gina virar os olhos. - Todas as namoradas de Harry sempre a odiaram. Vamos lá, era uma questão de tempo até Jenna implicar com você e a completa e absoluta falta de limites. Com um esgar, a morena a fitou mordendo o lábio inferior. – Não me olhe assim, às vezes vocês chegam à obscenidade.
-Ginny!
-Eu não vou me desculpar por dizer a verdade, querida. Além do mais, isso não é importante. O que ela disse então? Se não a acusou de ter roubado seu noivo e coisas do tipo?
Hermione suspirou, deslizando os dedos por entre os cabelos. – Em outras palavras, ela disse que apesar de ser apaixonada por Harry e saber que ele a amava... ela não acreditava que poderia lidar com nossa “relação” ao longo prazo. Jenna acreditava que Harry e eu tínhamos algo não resolvido... Um “e se” e segundo ela, eventualmente, isso iria acabar destruindo o relacionamento deles.
-E então pensou bem sobre isso e viu o “e se” entre vocês?
Hermione riu, meneando a cabeça negativamente. – Não.
-Mas...
-Entrei em pânico no momento em que ouvi a voz daquela mulher, Gina. E então, nós estávamos naquele banheiro e ela estava me congratulando pelo casamento e tudo que eu podia pensar era “Merlin, por favor, nunca deixe que ela sequer suspeite do quão insignificante é esta aliança em meu dedo”. Meu Deus, eu estava com tanto medo. Tanto ciúme... Ela não tinha direito de aparecer outra vez. Ele é meu. – Hermione encarou a amiga com um sorriso depreciativo. – É uma coisa horrível de dizer, eu sei--
Gina sorriu com orgulho apertando Hermione num abraço, interrompendo-a. – Finalmente – se afastou para fitar Hermione de maneira insinuante. - Vai se declarar para ele?
-Absolutamente não.
-Hermione!!
-Por Deus, Gina. Acalme-se! Eu preciso de um plano primeiro – Hermione comentou marotamente e mordeu o lábio inferior tentando impedir que seu sorriso crescesse. – Harry nem vai saber o que o atingiu.
Gina gargalhou.
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Hermione mal havia fechado a porta do quarto que dividia com Harry, quando a voz do moreno a atingiu. – Então... uma conversa secreta com Jenna.
Seu tom parecia desinteressado e Hermione sorriu para si mesma enquanto caminhava devagar pelo quarto, até encontrar Harry, já de pijama, sentado na cama.
-Ela veio me parabenizar pelo casamento – Retirando os sapatos de salto alto, a mulher comentou fazendo uma pequena careta, meneando a mão esquerda para mostrar a aliança. – Jenna é extremamente perceptiva – acrescentou, sentando-se num canto da cama para encará-lo de frente.
-Oh.
-Sim. Eu... – Hermione observou o espaço entre eles sobre a cama, sua mão deslizando pelo local como se quisesse organizar, tirando qualquer vinco. - Eu não disse a verdade a ela, Harry – e então encontrou o seu olhar, observando atentamente sua reação.
O moreno franziu o cenho em confusão. – Por que diria?
-Jenna foi alguém importante para você. Eu não deveria ter mentido pra ela. E... quero dizer, bem, nossa farsa não deveria ir tão longe. Eu só... Agora que penso melhor, talvez você quisesse que eu lhe contasse a verdade. Sinto muito, mas não é como se pudesse ir ao seu encontro e perguntar o que desejava que eu fizesse.
-O quê? Não. Mione, não. Está tudo bem. Sério. Não é como se Jenna e eu pudéssemos voltar de onde paramos – Harry suspirou. - Ou quiséssemos – acrescentou depois de um instante. – Honestamente, está tudo bem.
-E onde exatamente vocês pararam? – ela ergueu a sobrancelha.
Harry espirou. – Você já sabe, não é?
Hermione encolheu os ombros. - Talvez eu tenha sido “um pouco” desagradável com sua ex... O que a levou a um pequeno estado de confusão. Uma coisa levou a outra e de repente eu estava sabendo muito mais gostaria – ela fez uma pausa. - Por que nunca me contou?
-Pra ser franco, no inicio eu estava de coração partido, Hermione. Eu a amava. E por um tempo eu achei que ia tê-la comigo para sempre. E era doloroso, você sabe? Era doloroso até mesmo pensar, que dirá falar, sobre como Jenna achava que meu amor não era o suficiente. Então, com o tempo, eu só não queria tornar ao assunto. Era mais fácil simplesmente ignorar.
A morena se aproximou e fechou sua mão sobre a dele. – Sinto muito.
O moreno riu apesar de si mesmo. – Está vendo, é também por isso que não queria te contar – Hermione o fitou em confusão e ele apontou com a mão livre seu rosto. – Sua expressão de culpa. Eu sabia que você ia acabar se responsabilizando. Não é sua culpa, Mione.
-Ela disse que nós...
Harry afastou a mão da dela, alcançando com as mãos os lados do rosto da amiga. – Não é sua culpa – reafirmou, puxando-a para si e apertando um firme beijo em sua fronte. – Entendido?
Hermione o encarou sem dizer nada. Com um ar resignado, finalmente assentiu. – Entendido.
O homem sorriu. – Ótimo. Próximo tópico: então agora estamos supostamente grávidos?
O sorriso dele era perverso e, Hermione estremeceu resmungando:
-Eu já me arrependo – amargamente – por ter tido esta ideia.
-Não sei... Parece promissor – Ele a trouxe para si, apertando seus lados até que ela guinchasse em ultraje, se contorcendo para se afastar, sem conseguir conter mais as risadas.
-Harry, pare imediatamente! Seu bastardo! – Hermione anelava fortemente, tentando se controlar e parar de rir. Ela não tinha forças para se afastar enquanto ele continuava a lhe fazer cócegas. Se contorcendo e o estapeando, ela passou a implorar. – Por favor. Por favor. Harry.
–Eu acho que nosso primeiro falso bebê merece uma comemoração. Não, é imperativo que comemoremos! Nós deveríamos! – ele continuou ignorando os safanões que Hermione, já sem ar, lhe dispensava. – Você acha que posso te fazer gritar tanto quanto a noite anterior? – ele parou abruptamente se movendo para encontrar seus olhos, a prendendo sob si.
A morena estava tão vermelha e tão ofegante, lutando para recuperar o ar, que levou alguns instantes para registrar as palavras do amigo. De olhos arregalados, Hermione observou Harry lhe sorrir de maneira ladina movendo as sobrancelhas de forma ridícula.
-Harry!
-O que? É um marco. Nós não podemos deixar passar em branco, Hermione. Pense no Junior!
-Eu te odeio.
Harry ergueu a sobrancelha. - Não foi o que você disse quanto eu estava bem embaixo--
-Bem, você é muito... articulado com a língua – concedeu, interrompendo-o. E riu ligeiramente sob o olhar surpreso dele. Ela adorava ver sua expressão quando dizia algo inesperado... – Era o que queria ouvir, Harry? Sobre quão competente o é? – perguntou calmamente. – Pois muito bem. Bastante competente. Eu daria um... nove.
Ofendido, Harry empurrou a si mesmo um pouco mais sobre ela. A perna que estava entre as dela se movendo devagar para o lado e para cima, de forma a afastar uma das pernas dela, erguendo seu vestido e permitindo que ele se alojasse mais confortavelmente. Hermione arquejou suavemente sob o novo contato.
-Mentirosa.
Ela não disse nada, encolhendo os ombros apenas para irritá-lo. Por um instante, isso pareceu funcionar.
-Eu acho que posso fazer melhor que um nove – Harry disse por fim, ponderativo. – E, Merlin, se aquilo foi um nove... – ele tornou para ela, seus olhos escuros. – Como deve ser seu olhar quando atinge um dez?
Prendendo o ar, a mulher tartamudeou nervosamente:
- Não precisa provar nada, você sabe? Um nove é muito bom.
-Mas Mione – ele praticamente fez beicinho. – Eu quero ver um dez - Com os lábios entreabertos outra vez, incapaz de decidir o que dizer, Hermione observou Harry sem reação. O rosto do moreno se abrindo num sorriso torto que se transformou rapidamente em uma gargalhada enquanto, meneando a cabeça de forma negativo, ele saia completamente de cima dela.
-Oh, sua cara! Não se preocupe, sua pequena mentirosa. Vou manter minhas mãos – ele pausou. - E lábios para mim mesmo – Harry franziu o cenho. – Bem, pelo menos quando estivermos a sós.
Hermione esperava que sua expressão não tivesse mudado enquanto sob o olhar de Harry. Honestamente.
Ainda não era tempo de falar a verdade. Algo similar a: “Não se preocupe com isso Harry, você não precisa se restringir se depender de mim. De forma de nenhuma. Pra falar a verdade, eu lhe concedo o direito de me tocar todo tempo. E em qualquer lugar. Com as mãos, a boca. Qualquer coisa realmente”.
-Você é tão bom pra mim, Harry – ela zombou por fim, erguendo-se da cama e dirigindo-se ao armário. – Estou exausta – bocejou, dirigindo-se ao banheiro com uma muda de roupa.
Depois de uma breve ducha, ela voltou ao quarto. - Meu Deus, o dia de hoje foi insano, sinto como se minha energia tenha sido drenada – ela murmurou sonolenta arrastando-se sobre a cama. - Boa noite, Harry – apertando um beijinho em seus lábios, a morena se deitou. Espreguiçando-se na cama com um ronronar de puro agrado, ela encontrou Harry a fitando com um sorriso. – O que foi?
-De volta com os pijamas tradicionais, eu vejo – ela estava usando novamente uma de suas camisas. Harry tinha quase certeza, na verdade, que era a camisa que ele usara no restaurante àquela noite.
-Uhum. Confortáveis – murmurou se aninhando sob o edredom, seus olhos se fechando sem permissão. – Cheiram bem.
A última coisa que Hermione ouvira antes de cair no sono, fora um divertido “Obrigado, Mione”.
(Continua)
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N/a: Obrigada pelos comentários. Desculpem os erros, capítulo nunca betado.
Espero que continuem se divertindo por aqui.