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17. Capítulo XVII


Fic: The Devils bride - Epilogo postado


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Oi, oi povo!! Bora ler mais um capítulo?
Carla Cascão: Um só sabendo o que acontecerá, vamos torcer para que Draco chegue a tempo. Você acha que era necessário a Hermione tomar a poção?
RiemiSam: Você também acha que a Hermione deveria tomar a poção? Hum....
É, o McLaggen é um covarde de marca maior. Ele vai aprontar um pouco mais ainda...
Thalassa: Calma, logo mais o Draquinho aparecerá ^^
Landa MS: Seja bem vinda! Fico muito contente que esteja gostando da história.
Obrigada pelos toques, como não tenho beta acaba passando alguma coisa mesmo, olho tanto o texto preocupada com tantas coisas, mas meus olhos acabam ficando viciados e acontece esses deslizes... Obrigada ^^
MRC: Pois é, nessa época os casamentos eram arranjados, muito provavelmente o amor ficava em segundo, ou até mesmo em terceiro plano. Já imaginou viver nessa época? Não sei se conseguiria...
Sobre o idiota do McLaggen, calma tudo se resolve no final, RS
 
 
Lembre-se, comentar nunca é demais!
 
Bjs, uma boa leitura!





*****





 
A coragem e a fibra de Hermione de pouco ajudaram. Embora McLaggen não mais ameaçasse com a espada, não havia nada que pudesse fazer a não ser se agarrar à crina do cavalo enquanto fugiam em disparada. Se caísse, seria pisoteada pelos outros animais.
Ao entrarem na floresta, McLaggen diminuiu a velocidade do galope e fez sinal para que o grupo de homens se dispersasse. Surpresa, ela percebeu que o barão planejara cada detalhe da operação e que, apesar de todos os cuidados tomados, devia temer os soldados de Dunmurrow porque continuava a correr como um louco.
A esperança de ser resgatada logo era muito pequena e apesar de se esforçar, não conseguia pensar num plano, para se safar daquela situação. A proximidade do corpo de McLaggen lhe causava náuseas terríveis, impedindo-a de raciocinar com clareza e cada segundo que passava a deixava mais distante de Dunmurrow.
Fechando os olhos, a morena tentou relaxar até que, finalmente, a imagem do marido lhe veio à mente trazendo um, pouco de ordem ao caos interior. Ao pensar em Draco, no poder e no amor que ele lhe tinha, sentiu a calma tomar conta de seus sentidos sobressaltados, como se, por um milagre, a força de Malfoy a amparasse em meio a tanto desespero.
Mais serena, concluiu que nada podia fazer no momento, ou pelo menos, até que parassem para um descanso rápido. Talvez aí... conseguisse escapar. McLaggen era cruel sim, porém não tão inteligente quanto ela. Contudo, será que seu intelecto superior poderia prevalecer à força das armas?
Finalmente McLaggen parou, os ouvidos atentos, a espada outra vez de encontro ao pescoço da sua presa. Hermione prendeu a respiração. Entretanto, além do barulho das folhas e do canto dos pássaros, não se escutava nada. Ninguém os perseguia. Os outros três cavaleiros que os acompanhavam riram alto, cheios de confiança. Logo deixavam a floresta para trás e ganhavam o campo aberto, direto ao encontro do pequeno exército, fortemente armado, que os aguardava.
Por um breve instante a castanha sentiu as esperanças se renovarem achando que a tropa viera de Dunmurrow. Porém logo tornou-se óbvio que aqueles homens não pertenciam ao castelo de Draco e nem a Belvry. Eram soldados de McLaggen, que agora ria e gritava, entusiasmado pela vitória fácil.
Amargurada pela descoberta, tentou não se entregar ao desespero enquanto o barão a colocava no chão e lhe amarrava os pulsos com uma corda.
― O que é isso, meu lorde? ― indagou um dos homens.
― Pensei que você tivesse vindo salvar uma dama.
― A dama precisou de uma pequena persuasão ― o barão respondeu seco. ― Ela foi enfeitiçada por aquele demônio do Malfoy.
Tão logo o nome de seu marido foi mencionado, Hermione percebeu a onda familiar de murmúrios que a reputação de Draco sempre levantava.
― Cavaleiro Vermelho! Esta é a mulher dele? ― um dos soldados perguntou.
― Já ouvi falar do barão Malfoy ― falou outro homem fazendo o sinal da cruz. ― Dizem que tem parte com o próprio diabo.
― Bobagem. ― para mostrar seu completo desdém, McLaggen cuspiu no chão, junto aos pés da castanha.
― Cavaleiro Vermelho não passa de uma sombra e só Deus sabe há quanto tempo não é visto por alguém. Ou está morto ou não passa de um velho fraco, incapaz de sustentar o peso da própria espada.
― Pois eu lhe digo que ele é jovem, forte e poderoso além da sua imaginação ― falou muito calma. ― Com certeza já sabe o que você fez e vai caçá-lo implacavelmente.
― Ele não sabe de nada! ― McLaggen levantou a mão para esbofeteá-la e desistiu, começando a rir. ― Vou possuí-la tantas vezes, e com tanto ardor, que logo você esquecerá da existência de Malfoy.
Alguns homens riram e outros pareceram se sentir desconfortáveis. Foi a esses últimos que ela se dirigiu, embora mantivesse os olhos no barão.
― Marque bem minhas palavras, McLaggen. O Cavaleiro Vermelho virá e arrancará o seu coração para comê-lo.
De repente a lenda de Malfoy pareceu se tornar uma coisa viva e pronta para explodir no grupo como uma ameaça pairando no ar. Vários homens deram um passo para trás.
― Fique quieta! ― berrou. ― Ou vou surrá-la até deixá-la sem sentidos. ― ele virou-se para os soldados e ordenou: ― Parem com esses murmúrios idiotas e coloquem essa vaca num cavalo. Vamos para casa.
 
 
 
Gregory Goyle ergueu o elmo e olhou os campos vazios, os olhos treinados procurando sinais de McLaggen. Vagarosamente, esfregou o pescoço, como se já sentisse a cabeça sendo decepada. Sendo o responsável pela segurança da propriedade, com certeza era isso mesmo o que ia acontecer, caso não encontrasse o barão.
Malfoy o tinha ordenado proteger o castelo e zelar, em especial, pelo bem-estar da lady de Dunmurrow.
Entretanto ele falhara. Alguém conseguira entrar e sequestrar a castelã debaixo de seus narizes. E, de acordo com um dos servos, fora aquele filho da mãe do McLaggen, o mesmo que enviara um desafio direto a Malfoy.
Somente o mais covarde dos homens seria capaz de atrair um cavaleiro para o campo de batalha enquanto roubava a esposa dele pelas costas. Parecia-lhe algo impensável, contudo acontecera. Goyle passou a mão outra vez pelo pescoço, pensando que se não trouxesse lady Malfoy de volta, seria um homem morto. O pior é que já anoitecia e haviam perdido o rastro dos agressores.
― Crabbe! ― ele gritou. Imediatamente um soldado aproximou-se, para receber a ordem que todos temiam. ― Cavalgue à nossa frente, direto para Belvry, até encontrar o barão Malfoy. Diga-lhe que McLaggen raptou nossa lady.
― Sim, senhor ― Crabbe respondeu, empalidecendo. Os que conheciam o temperamento de Draco tinham medo de executar a tarefa, porém não havia como evitá-la. O barão tinha o direito de saber. ― Eu vou avisá-lo. ― O soldado tomou as rédeas do cavalo e saiu em disparada.
 
 
 
Hermione mudou de posição no chão duro. Há dias estavam cavalgando enlouquecidos, como se as próprias criaturas do inferno estivessem ao seu encalço, ou à sua frente. Embora McLaggen jurasse não temer o Cavaleiro Vermelho, ele obrigava o grupo a galopar numa velocidade brutal. Sinal de ansiedade, claro. A castanha continuava falando sobre a chegada iminente do marido para salvá-la e apesar dos comentários debochados do barão, percebia que ele não ficava imune à ameaça.
Por outro lado aquela correria era bem-vinda, pois quando a noite chegava McLaggen estava tão cansado que conseguia apenas comer e dormir. Algumas vezes o surpreendia fitando-a, cheio de desejo, e sabia que cedo ou tarde o barão tentaria possuí-la.
O fato de ser mulher de outro homem e estar carregando um filho no ventre não significava nada para alguém destituído de honra.
Ela não tinha dúvidas de que fora deixada em paz até o momento apenas porque McLaggen estava exausto e também porque o orgulho e a arrogância do barão o impedia de estuprá-la na frente de seus homens. Ele se considerava bonito e elegante demais para dormir com uma mulher ao relento além de não suportar a ideia de ter que se impor à força diante de testemunhas. Pelo menos enquanto durasse a jornada estaria salva, a menos que o irritasse além dos limites.
Entretanto, quando chegassem ao seu destino, McLaggen se sentiria livre de quaisquer amarras. Ansiosa diante do futuro, Hermione colocou as mãos sobre o ventre num gesto protetor, pedindo a Deus que o Cavaleiro Vermelho não demorasse muito.
Era o máximo que podia fazer, já que não sugira nenhuma chance de tentar escapar e, quando chegassem ao castelo de McLaggen, a vigilância seria redobrada. Durante o dia cavalgava com os pulsos amarrados e, à noite, dormia cercada pelos homens do barão.
A castanha olhou ao redor, analisando o grupo. Todos pareciam adormecidos, exceto os dois homens designados para montar guarda. Um deles vigiava os arredores, enquanto o outro a observava. Não conseguia imaginar um plano capaz de enganá-los... Vencida pela exaustão, adormeceu.
De repente alguém a tocou de leve, acordando-a. Era o guarda designado para vigiá-la.
― Venha ― o homem murmurou. ― Vou ajudá-la a escapar.
Hermione apoiou um cotovelo no chão, o coração batendo descompassado no peito. Escapar? Como?
― Depressa! ― ele insistiu, os dedos grossos penetrando-lhe a carne.
Esforçando-se para ficar de pé, conseguiu enxergar o rosto do soldado, porém em vez de uma fisionomia confiável, descobriu um sorriso maldoso e desdentado. De repente imaginou-se fugindo com aquele homem apenas para ser violentada e morta em seguida. O pavor era tanto que começou a tremer.
Ao sentir as mãos imundas forçando-a a ficar de pé, ela pensou em gritar, mas antes mesmo que conseguisse emitir qualquer som, um movimento intenso rompeu o silêncio da noite. Imediatamente o soldado jogou-a no chão e desembainhou a espada. Ofegante, a castanha procurava entender o que estava acontecendo.
Palavrões. Muitos dos homens estavam praguejando enquanto outros riam. Alguns seguravam armas, embora não houvesse nenhuma ameaça no ar.
― Maldito seja você, por ser tão imprestável ― McLaggen falou irritado. ― Aquele veado daria uma ótima refeição.
― Eu não poderia matar um veado branco, meu lorde. Trás má sorte.
― Seu estúpido! Você é tão ignorante que chega a ser imbecil! Não tem inteligência nem para pensar com a própria cabeça!
― Então era um veado branco? ― Hermione indagou no silêncio que se seguiu.
― Qual o problema se fosse? A carne seria tão saborosa quanto qualquer outra.
― Aquele veado branco não era para ser morto e devorado. Era um sinal do Cavaleiro Vermelho. Meu marido está para chegar.
Por um instante a castanha achou que havia forçado o barão para além dos limites e que a casca de falsa civilidade iria finalmente se romper.
― Alguém faça esta vaca calar a boca ― McLaggen ordenou furioso. Como ninguém se mexesse, preocupados com a possível chegada do Cavaleiro Vermelho, ele mesmo tomou a iniciativa. ― Vamos, me dê aquele trapo ali. ― depois de amarrar um pano imundo na boca de Hermione, o barão deu-lhe um tapinha no rosto e murmurou ― Seja boazinha, querida, e muito breve estará sugando algo bem mais agradável.
 
 
 
Draco ergueu o elmo e passou a mão na testa para limpar o suor. Depois de aguardar dias e dias qualquer sinal do exército de McLaggen, haviam resolvido procurar a tropa inimiga e depois de encontrá-la, fizeram-na recuar sem derramamento de sangue. A vitória fora fácil demais, tão fácil que lhe cheirava a uma armadilha. Porém, até o momento, McLaggen não dera as caras.
Uma vez que fora o barão quem lançara o desafio, Draco suspeitava de traição. Hermione o avisara que seu antigo vizinho não era capaz de lutar de forma limpa, seguindo os preceitos da honra. Na verdade ela o implorara para permanecer em Dunmurrow. E agora não conseguia evitar uma sensação estranha, como se alguma coisa estivesse, realmente, muito errada.
A chegada repentina de um dos soldados deixados em Dunmurrow pouco contribuiu para melhorar o seu humor. Talvez o desafio fosse um engodo, apenas uma maneira de afastá-lo das suas terras. Se aquele filho da mãe do McLaggen tivesse atacado o castelo enquanto Hermione estava lá dentro...
― Meu lorde ― Crabbe começou, o rosto pálido voltado para Malfoy ― meu lorde, o barão McLaggen sequestrou sua esposa.
O urro que irrompeu do peito do Cavaleiro Vermelho foi tão violento que fez estremecer seus próprios homens. Draco levantou a espada, como se pretendesse atirar Crabbe para fora do cavalo com um só golpe. Foi então que Blaise se aproximou.
― Para onde ele a levou? Está pedindo resgate? ― Zabini indagou, a voz controlada acalmando a ira de Malfoy e fazendo-o baixar o braço.
Trêmulo, Crabbe procurava se manter firme na sela, agradecendo silenciosamente a intervenção do vassalo, pois de outra forma talvez já estivesse morto. Entretanto, ao fitar o Cavaleiro Vermelho, sentiu um pesar enorme.
O sofrimento estampado no rosto de Draco era tão intenso que se tornava doloroso de testemunhar.
Malfoy amava a esposa. Sem saber como lidar com o peso daquela revelação, Crabbe desviou o olhar, não querendo se intrometer na privacidade do barão.
― Não sabemos ― o soldado respondeu afinal. ― Sabemos apenas que ele veio nesta direção e presumimos que esteja a caminho de Belvry. Uma serva afirmou que se trata de McLaggen, entretanto nenhum resgate foi pedido.
― Talvez agora ele esteja pretendendo nos arrastar para uma armadilha ― Blaise sugeriu.
― Agora? ― a voz de Draco vibrava de ódio. ― Ele já me arrastou para uma terrível armadilha, aquele filho da mãe!
 
 
 
Hermione quase caiu da montaria, um cansaço insuportável drenando cada gota de sangue das suas veias. Se ao menos pudesse dormir! Apesar dos pulsos amarrados e da boca seca e inchada, ainda tapada pelo trapo nojento, sentia que seria capaz de dormir para sempre. O bebê sugava o resto das suas energias e a velocidade com que vinham cavalgando era demasiada... Quando será que McLaggen iria deixá-los parar?
Obrigando-se a abrir os olhos, ela olhou ao redor. Já estava quase anoitecendo, graças a Deus. De repente reconheceu um riacho que corria ao longo da estrada. Estavam se aproximando de Belvry.
Um desespero profundo ameaçou engolfa-la. A completa exaustão, física e emocional, a impedia de lidar com as perguntas que lhe toldavam a mente. O que McLaggen faria agora? Será que pretendia ir para o próprio castelo ou se instalar em Belvry de uma vez por todas? Onde estaria Draco? O modo confiante como o barão se comportava sugeria a ausência de qualquer possível ameaça.
Claro que o grupo de vinte homens, fortemente armados, poderia enfrentar o ataque de uma pequena brigada. Mas e Draco? O nome do marido não lhe saía da cabeça.
Será que McLaggen não levava em consideração a existência do exército do Cavaleiro Vermelho ou era simplesmente tolo demais para ter cautela? Quem sabe estariam caminhando direto para uma armadilha? Neste caso, melhor ficar alerta para se afastar da linha da abate assim que preciso, pois não tinha nenhuma intenção de ser morta por engano.
A esperança da castanha ganhou novo alento quando surgiu um cavaleiro solitário. Já estava anoitecendo e as árvores ao redor poderiam servir de ótimo esconderijo para outros soldados. Porém McLaggen não demonstrava menor preocupação com o aparecimento do desconhecido. Seguro de si, ameaçou:
― Saia do caminho ou vou parti-lo em dois.
O cavaleiro não se moveu um centímetro.
― Por acaso você sabe que está nas terras dos Granger?
Hermione espreitou o estranho, a excitação inicial da lugar ao medo. Vestido para a guerra e usando um elmo que lhe cobria todo o rosto, o cavaleiro poderia ser dos homens de Draco sim, mas então por que não dissera que as terras pertenciam a Malfoy?
― Estas terras são minhas, idiota! E é melhor sair daqui antes que eu corte sua cabeça fora! ― os soldados de McLaggen cercaram o desconhecido e a castanha teve pena do coitado que estava para ser assassinado a sangue frio.
Naquele instante, gritos irromperam por detrás das árvores enquanto vários homens aproximavam-se a galope. Embora não pudesse dizer exatamente quantos, ela tinha certeza de que eram o suficiente para subjugar grupo de McLaggen. Exausta como estava, ainda assim conseguiu afastar-se um pouco, para não ser pega no meio da luta.
Se o primeiro pensamento de Hermione havia sido em relação à sua segurança, no momento seguinte só pensava em fugir dali. Como não tinha a mínima ideia de quem eram esses homens, não podia se arriscar entregando-se à incerteza. Procurando raciocinar depressa, decidiu atravessar o riacho, que sabia ser raso, e deixar a luta o mais distante possível.
Com o coração batendo descompassado no peito, galopou na direção da liberdade. Só precisava não despertar atenção dos soldados.
Quando começava a pensar que estava segura enfim, o barulho de cascos logo atrás.
― Pare! ― alguém gritou. Imediatamente a castanha obedeceu, incapaz de arriscar a vida do bebê e a sua própria na tentativa de ganhar a liberdade. Inspirando fundo, virou-se para encarar o novo adversário, pois McLaggen não levara a melhor.
Claro que estava satisfeita por ter se livrado do barão, contudo não sabia quem eram esses homens e nem por que haviam atacado McLaggen. Ao fitar o rosto cruel de seu captor, temeu haver caído em mãos ainda mais perigosas do que as anteriores.
― É uma mulher! ― o soldado avisou aos companheiros, e Hermione rezou para que estivessem a serviço de Draco, Pelo menos seria bem guardada até a chegada do marido. Deveria dizer seu nome ou essa informação levaria os soldados a pedir um resgate?
― Traga-a aqui ― gritou uma outra voz.
Ela tentou enxergar o homem que acabara de falar, pois obviamente tratava-se do líder, porém nada conseguiu ver além das costas. Procurando manter a calma, preparou-se para enfrentar o desconhecido. Ao se aproximar, notou que se tratava de um homem mais alto e mais musculoso do que McLaggen. Então ele se virou e ficou imóvel, olhando-a como se tivesse acabado de deparar com um fantasma.
― Meu Deus... ― o cavaleiro murmurou.
Enquanto a castanha pensava numa maneira de responder àquele estranho cumprimento, o desconhecido já estava dando ordens.
― Livrem-na da mordaça!
Aquela voz lhe parecia vagamente familiar e tinha quase certeza de que já a ouvira. Porém antes que tivesse tempo de apelar para a memória, o trapo estava sendo tirado da sua boca. No mesmo instante passou a língua pelos lábios ressequidos.
― Hermione! Você não está me reconhecendo? ― então o homem tirou o elmo, expondo a massa de cabelos escuros. Ela fitou o rosto masculino e começou a escorregar pela montaria, desmaiada.
Se não fosse pela agilidade do soldado ao seu lado teria caído no chão. Inconsciente, a castanha não se da conta de que aquelas mãos enormes a seguravam com delicadeza e ao voltar a si deixou escapar um grito de pavor, sentindo-se ameaçada pela expressão que julgava feroz. Entretanto a criatura sorriu, como se estivesse acostumado a segurar mulheres aos berros.
― Hermione! Sou eu, Heitor, seu irmão ― alguém falou secamente. Desviando o olhar do rosto do soldado, a castanha tornou a fitar o líder, como se não pudesse se convencer da realidade. Ela gemeu, certa de que estava frente a frente com um homem morto.
― Você está bem? ― Heitor indagou impaciente parecendo mais irritado do que preocupado. Fazia muito tempo que não se viam, porém Hermione reconhecia o tom autoritário dos machos da sua família. ― O que você estava fazendo na companhia daquele canalha do McLaggen? E o que ele quis dizer quando afirmou que estas terras lhe pertenciam?
Convencendo-se de que o fantasma não tinha intenção de deixá-la em paz, ela ergueu os olhos e fitou-o com atenção. Sim, era mesmo seu irmão. Tão alto e com cabelos tão escuros quanto o pai de ambos.
Ninguém teria suspeitado de que eram irmãos, entretanto uma análise mais demorada logo revelaria as semelhanças dos traços fisionômicos. Heitor era muito bonito para um homem, aliás um detalhe que ele odiara desde a infância. Passara anos e anos brigando com os outros dois irmãos por causa da sua bela aparência, sempre motivo de piadinhas. Será que aquela beleza toda se fora ou então apenas se transformara, endurecida pelas experiências difíceis impostas pela vida? Sob a luz do entardecer, ele dava a impressão de ter envelhecido muito mais do que era de se esperar naqueles cinco anos em que não se viam.
― Mas você está morto ― ela murmurou.
Se a castanha esperava uma reação de surpresa ao seu pronunciamento, enganou-se redondamente.
― Sim, eu sei. É uma longa história, irmã, e a noite se aproxima. Agora me diga, para onde McLaggen está indo?
― Para o inferno, espero.
― Hermione!
A firmeza da voz finalmente obrigou-a a sentar-se ereta na sela que ainda dividia com o soldado que a impedira de cair no chão ao desmaiar.
― McLaggen desapareceu? ― ela indagou.
― Sim. O covarde fugiu, como era de se esperar. Mas não me escapará. Você tem ideia para onde o canalha possa ter ido?
― Não sei. McLaggen não me disse nada. Presumi que tivéssemos indo para o castelo dele, embora agisse como se agora Belvry lhe pertencesse.
― E Belvry lhe pertence? ― a voz de Heitor era tão cheia de ódio que ela quase não a reconheceu.
― Outra vez, não sei como lhe responder. McLaggen me sequestrou de Dunmurrow, depois de forçar meu marido a se afastar, desafiando-o para um combate que nunca ocorreu.
― Seu marido? ― Heitor apertou os olhos, como se a notícia o surpreendesse, o que a desagradou um pouco. ― Então você se casou?
― Sim. Meu marido é o barão Malfoy, chamado por muitos de Cavaleiro Vermelho. Já ouviu falar dele?
― Não, mas estive fora muito tempo... ― Heitor falou secamente, balançando a cabeça de um lado para o outro. ― Tempo demais.
― Então é por isso que você disse que estas terras pertencem aos Granger ― ela murmurou quase que para si mesma, dando-se conta, enfim, da verdade. Se o seu irmão estava vivo, a disputa pela posse de Belvry não mais envolvia Draco. E não apenas isso... A existência um irmão, um Granger para levar adiante o sobrenome do pai e proteger a propriedade, a teria desobrigado de casar-se!
Tanta coisa poderia ter sido evitada... Entretanto é impossível imaginar uma vida sem Draco. Sentia-se feliz pelo fato de Heitor haver passado anos desaparecido porque não se arrependia nem um pouco do casamento que lhe fora imposto pelas circunstâncias.
Arrependia-se apenas de ter colocado o marido em perigo por causa das terras de seu irmão.
― Você é o herdeiro legítimo de Belvry ― falou satisfeita.
― Sim. Embora eu não tenha dúvidas de que McLaggen tentará disputar minhas terras. E quanto ao seu marido
― Draco? ― ela teve vontade de rir. ― Não, ele é dono de suas próprias terras e nunca ambicionou possuir Belvry. Esta propriedade é sua, meu irmão. Mas primeiro precisamos encontrar meu marido. ― revigorada pela esperança de que seu irmão a ajudaria a encontrar Draco, Hermione sentiu todo o cansaço desaparecer como por encanto. ― Você tem um cavalo para mim?
― Vá buscar um cavalo para minha irmã ― o moreno ordenou a um dos soldados. ― No momento deixamos aquele verme do McLaggen escapulir, mas logo o obrigaremos a sair do buraco onde se meteu e o caçaremos nem que seja até o fim do mundo. Vamos na direção de Chiswill agora, onde o resto de meus homens está acampado.
― Você tem mais homens? ― ela indagou assombrada enquanto alguém a ajudava a montar num garanhão negro.
― Sim ― Heitor explicou. ― Tenho soldados fiéis a mim, além de mercenários.
― Então você sabia que encontraria problemas quando regressasse?
― Sim.
As respostas do irmão eram curtas e desprovidas de qualquer emoção, como sempre. O breve interesse que Heitor demonstrara nela desaparecera assim que ficara claro a sua falta de informações a respeito de McLaggen.
Sem que conseguisse evitar, Hermione não pôde deixar de comparar o irmão ao marido. Draco era um homem capaz de ser descrito com muitos adjetivos, exceto frio. Os dois também eram extremamente bonitos, porém as semelhanças terminavam aí.
 
 
 
Hermione não estava muito animada em deixar os lençóis perfumados e a cama macia na mansão de Chiswill. Tanto conforto era uma lembrança agradável de sua vida antiga, como a filha e, herdeira de Jane Granger. Entretanto sabia que Heitor pretendia partir cedo e se queria tomar um bom banho, depois dos dias passados na estrada, precisava se apressar. Era tão estranho pensar que seu irmão estava vivo e que agora, neste mesmo minuto, transitava pelo grande salão, lá embaixo.
Apesar de nunca terem sido muito íntimos, a castanha experimentava um prazer fraternal de sabê-lo de volta além de sentir que lhe fora tirada uma carga dos ombros quanto ao destino de Belvry. Jamais se imaginara deixando o antigo lar para trás sem experimentar um certo pesar, porém depois dos novos acontecimentos sentia-se pronta para virar a página do passado sem arrependimentos. À beleza e o esplendor de Belvry não mais a seduziam. Nada se comparava ao fascínio e a atração que Draco exercia sobre ela.
Depois dos dias na companhia de McLaggen, em que era tratada como uma prisioneira comum, um simples banho lhe parecia um verdadeiro luxo e a paz e segurança de Chiswill se tornavam um bem precioso. A mudança operada em seu temperamento era tão significativa que Hermione quase chorou ao descobrir vários de seus velhos vestidos ainda guardados em baús enormes. A última vez que estivera em Chiswill fora no verão de dois anos atrás.
Passando a mão de leve pelo ventre, ela se deu conta de que estava muito mais feliz agora, apesar de todas as dificuldades que se vira obrigada a enfrentar. Sim, vivera contente antes, ocupada com a administração de Belvry e entretida com mil e um afazeres, porém sempre estivera só. Hoje percebia que se dedicara ao trabalho com tamanho empenho numa tentativa de preencher o vazio interior, um vazio que fora totalmente ocupado pela presença de seu marido.
Inspirando fundo para manter a calma, Hermione rezou pela segurança de Draco. Só pedia a Deus que o encontrasse vivo e bem de saúde para poder dizer-lhe sobre a criança que estava a caminho.
 
 
 
Alguma coisa havia forçado McLaggen a agir, Draco pensou enquanto liderava seus homens ao encontro do exército que se aproximava. Teria sido o sequestro de Hermione? Embora soubesse que precisava considerar essa possibilidade, não conseguia suportar a ideia de que a esposa estivesse nas mãos de outro. Tenso, porém controlado, obrigou-se a fixar os pensamentos na batalha iminente. McLaggen finalmente começara a se movimentar e os motivos que o levaram a tomar essa atitude tornavam-se, secundários no momento. Estivera certo quando decidira aguardar, julgando que lhe havia sido preparada uma armadilha. Porque se antes o barão se mantinha às ocultas, agora mandava os soldados avançarem com ousadia.
O exército de McLaggen era grande e parecia um oponente à altura do seu, Draco concluiu, arrependendo-se de ter deixado parte de sua tropa em Dunmurrow. Aliás, uma tropa que não fora capaz de proteger sua esposa da chegada do inimigo. A ironia da luta que estava para acontecer não lhe passou despercebida. Iria arriscar a vida de seus homens, e a sua própria também, por causa de um castelo sem qualquer importância enquanto a mulher a quem prezava acima de tudo lhe havia sido roubada. Belwry era insignificante aos seus olhos enquanto Hermione...
Orgulho. Orgulho e honra são frequentemente os culpados pela queda de um homem, tanto quanto dão sentido à própria vida. Pela primeira vez arrependia-se de estar marchando para uma batalha. Preferiria estar na floresta de Dunmurrow, cercado de silêncio e beleza, ao lado daquela que lhe trouxera a felicidade.
Enquanto analisava as forças inimigas, Draco se odiou por ter sido tão cego. Acreditando na ética que rege as lições de um cavaleiro, julgara que McLaggen agiria com igual hombridade. Entretanto o barão se mostrara um covarde destituído de caráter e o atacara pelas costas depois de lançar um desafio direto, obrigando-o a deixar sua casa quase inteiramente desprotegida ao partir para a luta. Porém, por menor que fosse o seu exército em comparação ao adversário, iria enfrentar a batalha até o fim e, por Deus, sairia vencedor. Estava na hora do Cavaleiro Vermelho fazer jus à lenda criada em torno da sua reputação e suplantar a si mesmo.
Num esforço deliberado, o loiro colocou de lado todos os outros pensamentos e concentrou sua atenção na única coisa que importava no momento: matar, porque a outra alternativa seria morrer.

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Comentários: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por Anne Lizzy Bastos em 30/01/2014

Sou leitora nova, e estou adorando sua fic. Amando o enredo e dando apoio para continuar as postagens! Essa fic é demais , eu adorei!!!!
bjsAnne
 

Nota: 1

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por Carla Balsinha em 17/01/2014

alô querida!tudo bem por aí?Por aqui,está tudo bem....tem estado muita chuva e hoje choveu granizo perto onde moro!

Amei o capítulo!ainda bem que o irmão salvou a hermione das garras do imbecil!agora.fiquei com a "pulga atrás da orelha",porque raio é que ele só apareceu agora e não antes?

Espero que o Draco dê uma lição daquelas ao McLaggen para nunca mais se atrever a meter-se com quem não deve!

Beijinhos grandes!

Carla Cascão

Nota: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por M R C em 14/01/2014

eeeeÊ!!! finalmente a pobre hermione poderá levar uma vida com menos responsabilidades.

fiquei curiosa pra descobrir pq o irmão dela desapareceu e inventou essa pseudo-morte. aí tem coisa.

o que também nunca ficou muiito claro pra mim foi a origem da reputaçao do Cavaleiro Vermelho. Pq as vezes acho que ele ganhou fama de "bruxo" pq era mto bom nas lutas, mas em certos diálogos ele dá a entender que é um "soldado" como outro qualquer, a quem impuseram uma fama infundada.

quero ver a batalha pra finalmente descobrir se ele é tão bom na luta quanto falam.

será lindo imaginar ele lutando pela esposa =]

beijos

Nota: 5

Páginas:[1]
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Enviado por Landa MS em 14/01/2014

Amei a chegada do irmão da Mi. embora quizesse que Draco a salva-se. Mas está valendo.  Espero que Draco não se machuque e que venha rever sua amada, em breve. E tomara também que ele não confunda o irmão da Mione com McLanggen. Aguardando o próximo cap.

Nota: 1

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Enviado por RiemiSam em 13/01/2014

Que legal pelo menos um irmão dela estar vivo. É emocionante ver como Draco se sente pela esposa. O Cormaco é realmente um idiota!

Nota: 5

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