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ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

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Visualizando o capítulo:

12. Capítulo XII


Fic: The Devils bride - Epilogo postado


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Oi, oi gente!!! Bora ver mais um capítulo??? Só um aviso, logo mais o mistério acaba...


 


MRC: Fico feliz que essa adaptação esteja de alguma forma ajudando. Espero que ajude cada vez mais, sempre é bom fugir um pouco dos problemas.
Aguarde, esse capítulo está bem interessante! ^^


 


Carla Cascão: Como você está? Melhorou da gripe?
Aqui o calor começou com tudo... Quero o frio de volta! T_T
Tem momentos que o Draco me deixa nervosa, mas depois passa... rsrsrs
Aproveite o capítulo.


 


Lembre-se, comentar nunca é demais!


 


Bjs, uma boa leitura!







*****






 


Quando Hermione acordou, horas depois, Draco há havia se retirado e ela ficou se perguntando o que fora sonho ou realidade. Lembrava-se ter ido visitar a viúva Cassandra com a vaga esperança de quebrar o encantamento que a ligava ao marido, mas não se lembrava de pedir ajuda à curandeira. Contudo, a velha realmente lhe dera uma mistura de ervas e acabara tomando a infusão, porque logo depois caíra doente. A poção fora capaz de fazê-la eliminar tudo o que havia em seu corpo, exceto os sentimentos por Malfoy.


Portanto tais sentimentos iriam permanecer em seu coração pois não eram produto de magia ou encantamento. Enfim ela compreendeu que este fascínio tinha causas naturais. As emoções que sentia não podiam ser negadas ou ignoradas. Também não era uma doença para a qual se busca a cura.


Quer gostasse da ideia ou não, a verdade é que se importava com Draco e o melhor era ir se acostumando logo com o fato, pois tinha certeza que esses sentimentos iriam crescer ao invés de diminuir. Se ao menos conseguisse ignorar as sombras que o cercavam...


À tarde, a castanha já se sentia bem o suficiente para demonstrar impaciência, embora Molly não a deixasse sair da cama.


― Tenho ordens estritas para impedir que você se canse, minha lady.


Apesar do tédio, Hermione permaneceu na cama o dia inteiro, mas à hora do jantar, tentou levantar-se para ir ao encontro do marido.


― Não, minha lady ― a senhora falou decidida, empurrando-a de volta para os travesseiros. ― Filch me disse para impedi-la de colocar os pés fora deste quarto hoje porque seu marido quer que você se cuide bem. ― seria essa mulher, que agora demonstrava aprovação por uma atitude do Cavaleiro Vermelho, a mesma que o temia tanto na chegada a Dunrnurrow? ― Vamos, minha lady, beba isso. Ginevra lhe preparou uma sopa especial, bem leve por causa de seu estômago.


Irritada, a castanha começou a tomar a sopa. Claro que Draco não iria querer a sua companhia. Com certeza ainda devia estar zangado. Será que ele descobrira, através de Ginevra ou da própria viúva Cassandra, o verdadeiro objetivo da poção?


Oh, Deus, só esperava que agora, depois de tê-lo aceito com todo o coração, que ele não lhe desse as costas.


― Quero meu marido. Quero vê-lo agora. ― entregou o prato vazio à criada, sabendo que choramingava como uma criança. Mas não tinha importância. Precisava do conforto que apenas o Cavaleiro Vermelho era capaz de lhe dar.


― E você o verá, minha lady. Vou pedir a Filch que lhe transmita o recado. Posso me retirar agora, ou você vai querer algo mais?


Hermione balançou a cabeça e dispensou a serva, não sem antes recomendá-la para ir atrás de Filch logo. Na verdade, se Molly fosse mais corajosa, a mandaria dar o recado ao Cavaleiro Vermelho pessoalmente.


― Molly! Por favor... apague todas as velas. E feche as cortinas da minha cama antes de sair.


Sozinha outra vez, ela sorriu ao pensar no engano da criada. Não precisava das sombras para repousar e sim para aguardar o marido.


Não foi necessário esperar muito. Uma leve corrente de ar, o ruído das cortinas sendo abertas e logo uma presença grande e sólida dominava a escuridão. Ao estender a mão para tocá-lo, se surpreendeu ao perceber que Draco usava uma espécie de robe, quando na verdade preferia sabê-lo nu.


― Você mandou me chamar, esposa? ― a voz profunda soava séria como sempre.


― Sim. ― será que fora apenas imaginação sua, ou ele a confortara ao amanhecer, abraçando-a ternamente? Aquelas mudanças repentinas de humor a deixavam confusa, sem saber o que pensar. Porém sentia-se incapaz de experimentar qualquer sentimento de raiva em relação do marido. Não depois de se dar conta do quanto aquele homem era importante na sua vida.


Entretanto saber que seus sentimentos por Draco não podiam ser mudados em nada diminuía o impacto das emoções recém-descobertas. Era doloroso demais desejar alguém com tamanho desespero. Não podia se culpar por ter tentado se proteger da força incontrolável das emoções. Mas sempre fora uma mulher corajosa e estava disposta a enfrentar a situação. Embora não pudesse alterar o desejo, conhecia uma maneira de amenizá-lo.


― Será que foi imaginação minha, marido, ou hoje de manhã você me prometeu filhos?


Seguindo um impulso ousado, Hermione deslizou a mão para dentro do robe. ― Lembro-me perfeitamente de você haver prometido plantar sua semente dentro de mim... bem fundo.


Mesmo notando que o membro masculino já estava ereto, ela continuou acariciando-o devagar, de uma maneira sensual e provocante... Malfoy permaneceu imóvel durante alguns segundos, pego de surpresa pela atitude da esposa. Então tomou-a nos braços e manteve a palavra empenhada.


Para seu alívio, ele não falou uma palavra sobre o mal que a acometera, porém fez questão de amá-la com uma delicadeza especial. Ao acordar, na manhã seguinte, Hermione não foi capaz de reprimir o desaponto ao se descobrir sozinha. Contudo melhor assim do que ser convidada a se retirar do quarto.


Desse modo ficou estabelecida uma rotina. Durante o dia ela dirigia o castelo, ao anoitecer jantava nos aposentos principais e na calada da noite, fazia amor com o marido. Ela dizia-se que era mais do que suficiente que sua estranha experiência com a viúva Cassandra afastara quaisquer pensamentos ligados à feitiçaria. Porém continuava se perguntando por que motivo Draco se mantinha nas sombras e porque nunca ficava ao seu lado até ao amanhecer. E como dizem, o fruto proibido é sempre o mais desejado...


Por algum tempo manteve-se satisfeita. Os preparativos para o Natal a ocupavam bastante, evitando que pensasse nos mistérios que cercavam o marido. Ou pelo menos adiando o momento de tomar uma atitude concreta.


 


 


Depois de decidir o cardápio do dia com Ginevra, ela voltou para o salão e sentou-se à mesa com a intenção de escrever uma carta para seu administrador em Belvry. Porém logo sua concentração foi interrompida pela chegada de Molly, com Arthur a tiracolo. A criada derretia-se em sorrisos enquanto o soldado não dava a impressão de estar muito satisfeito.


― Calma, mulher ― ele resmungou ajeitando a espada na bainha. ― Eu lhe disse que ainda não estava pronto para descer. Que ideia é essa de sair correndo sem a companhia de seu guarda pessoal?


― Tenho trabalho para fazer, Arthur Weasley, e não posso me dar ao luxo de passar a manhã inteira na cama, como certos soldados que conheço.


― Por acaso você está me chamando de preguiçoso, mulher? ― o sorriso brincalhão tirava a aspereza das palavras.


― Se a carapuça lhe serve, pode vesti-la.


Hermione fitava a serva fascinada. Quando chegaram a Dunmurrow, a criada agia como quem estivesse participando de um eterno funeral, mas agora, de uns dias para cá, voltara a agir de maneira natural e relaxada. Aliás, Molly realmente mudara. Remoçara, seria a palavra mais adequada. Será que o relacionamento com o guarda-costas havia ido além de um flerte?


Quando a criada não aparecera em seu quarto de manhãzinha, para ajudá-la a vestir-se, sequer se preocupara, porque estava com os pensamentos ocupados com outras coisas. Contudo agora, tentava imaginar o que atrasara a senhora...


― Calma lá, Moliuóli ― Arthur ordenou num tom sério ― Acho que já está na hora de você aprender quem é seu senhor.


― Verdade?


― Sim. Agora sente-se e escute o que vou lhe dizer. Já fazem muitos anos desde que um de nós foi casado e talvez tenhamos que refrescar a memória para nos lembrarmos como é que um homem e uma mulher se relacionam.


― Pois me parece que você se lembra bastante de algumas partes.


― Bem, ah, sim ― ele admitiu ― Contudo tem certas coisas que você parece ter se esquecido, como por exemplo, que uma mulher deve sempre obedecer ao seu homem. Sei que você tem vivido sozinha e acabou se acostumando a agir de acordo com a própria cabeça, porém espero que a partir de agora passe a me obedecer, porque é esse o jeito natural das coisas.


Curiosa, Hermione tentou enxergar o rosto da criada, que conversava a distância com o soldado.


― Então você quer que eu o obedeça em tudo?


Molly indagou muito calma.


― Sim. ― apesar da afirmativa, o senhor não parecia tão positivo quanto antes.


― Está bem.


A castanha quase caiu da cadeira ao ouvir a resposta da criada. Afinal esperara uma cena.


Arthur, que estivera andando de um lado para o outro enquanto falava, deixando aparente a aflição não se conteve de satisfação.


― Ótimo, assim é que se fala. Fico feliz que você seja capaz de agir com bom senso.


― Se o assunto está resolvido, tenho alguns trabalho de costura a fazer para a minha lady. ― a serva levantou-se e caminhou na direção de Hermione.


― Vou consertar as roupas agora ― Molly falou em alto e bom som para logo depois diminuir o tom da voz, uma expressão conspiratória no rosto simpático. ― Deixe-os sempre pensar que estão no comando e faça o que você bem entender.


Com uma piscadela, a senhora saiu e Arthur a acompanhou como um cachorrinho treinado... e feliz.


Por um momento ela experimentou uma pontada de inveja da relação entre o soldado e a serva. Os dois não eram obrigados a se encontrar somente durante a noite, como amantes secretos, e podiam estar juntos a qualquer hora do dia, deixando aparente a afeição que os unia. Queria tanto que seu casamento com Malfoy pudesse ser assim... Irritada com o rumo dos pensamentos, imediatamente censurou-os.


Na verdade podia-se considerar uma mulher de sorte. Depois de ter se casado com um homem de quem ouvira falar horrores, acabara encontrando alguém que a deixava administrar a vida dentro do castelo, além de ser um parceiro maravilhoso na cama. Por que se sentir infeliz quando recebera esses presentes inesperados?


Talvez fosse melhor ignorar a escuridão que a cercava e a curiosidade que lhe pesava sobre os ombros como um fardo. Embora procurasse manter a atenção fixa na carta que pretendia escrever, as palavras insistiam em lhe faltar. Só conseguia pensar no marido, sozinho, nos aposentos enormes e sombrios.


O que será que ele fazia o dia inteiro? Será que sentia falta de caçar e treinar seus homens? Claro que Draco devia ter se dedicado a esse tipo de coisa até algum tempo atrás ou não teria participado de tantas batalhas ao lado do rei. O que o levara a uma vida tão solitária? Talvez um interesse real pela magia negra? Eram muitas as perguntas sem respostas. Sempre fora capaz de solucionar os problemas do dia-a-dia, ainda que envolvessem alguns mais sérios ligados à administração do castelo, abordando-os de maneira lógica. Entretanto o comportamento bizarro do Cavaleiro Vermelho parecia desafiar a razão.


Cada vez que tentava descobrir algum detalhe envolvendo-o, sentia-se bloqueada. Filch nunca dizia nada, Blaise mantinha a boca fechada e Draco subia pelas paredes sempre que procurava tocar no assunto de seu exílio voluntário. E se havia algo que a chateava mais do que as sombras eram exatamente as explosões do marido. Não tinha a menor vontade de atrair aquela ira para si mesma.


Foi a passagem de Filch pelo corredor que a trouxe de volta à realidade, fazendo-a perceber que o papel de carta continuava em branco. Suspirando, forçou-se a escrever rapidamente e ao terminar reparou que o outro Filch passava correndo na direção do celeiro. Se os dois irmãos haviam se ausentado, quem então estaria a postos, guardando a toca do Cavaleiro Vermelho? Ninguém. De repente Hermione experimentou um impulso incontrolável de dar uma olhada.


Sem parar para pensar ou considerar o peso dos atos, subiu as escadas que conduziam aos aposentos de Draco, uma sensação de estar desafiando o proibido dominando-a a cada passo. Exceto os Filchs, não havia uma única pessoa no castelo que pudesse entrar nos domínios particulares do lorde de Dunmurrow. Os gêmeos se encarregavam da limpeza e de atender qualquer ordem, revezando-se na tarefa quase as vinte e quatro horas do dia.


Na sua opinião, não havia muita necessidade de tanta segurança. Afinal quem ousaria se aproximar do antro do Cavaleiro Vermelho? Mesmo os que obtinham permissão pareciam relutantes em aceitar o convite.


E entrar sem permissão era exatamente o. que ela pretendia fazer.


Apesar do bom senso a aconselhar do contrário, não conseguia conter a curiosidade. Ali estava uma oportunidade de descobrir mais sobre o marido, observando os aposentos à luz do dia. Será que ele estava lá? Será que acenderia velas quando sozinho, para aliviar o peso das sombras? Talvez conseguisse enxergá-lo, se a penumbra não fosse muito espessa. Agora, se o quarto estivesse vazio, poderia procurar sinais capazes de revelar detalhes sobre a personalidade do Cavaleiro Vermelho.


Ao chegar junto aos aposentos, seu coração batia tanto no peito que dava a impressão de querer saltar pela boca. Sem hesitar um segundo, abriu a porta e entrou. Porém, para seu desaponto, nenhuma revelação lhe foi feita.


Como de costume, as sombras dominavam cada canto e apenas o fogo da lareira quebrava a escuridão. total. O crepitar das chamas. era o único ruído audível. De repente alguma coisa esbarrou em seus pés. Os cães! Como pudera esquecê-los?


― Hermione? ― ela quase desmaiou ao ouvir a voz do marido, saída da escuridão como uma ameaça. ― O que foi, minha esposa?


Embora tentasse julgar o humor de Draco baseando-se no tom da voz, nada conseguiu. Seu nervosismo era tamanho que a impedia de raciocinar com clareza. Será que ele estava muito irritado pela invasão inesperada?


― Será que posso incomodá-lo durante alguns segundos? ― perguntou embaraçada, o corpo inteiro tremendo. ― Escrevi uma carta para meu administrador, em Belvry... e gostaria de ler para a sua aprovação.


― Onde está Filch?


― Eu o vi saindo antes de vir para cá. ― ela achou melhor não explicar por que entrara daquela maneira precipitada, sem ao menos bater na porta. ― Mas se você estiver muito ocupado...


― Não. Sente-se, por favor. ― o tom seco de Malfoy deixava claro que ele sabia muito bem que a tal carta não passava de uma desculpa. ― Leia para mim.


Sentada junto ao fogo, a castanha fez o que lhe foi pedido, satisfeita por ter sido capaz de manter a voz calma e controlada. Agora precisava apenas aguardar o parecer do marido.


Embora se importasse com Draco mais do que um dia julgara possível se importar com quem quer que fosse, o poder que dele emanava ainda a intimidava e como uma criança pega em flagrante, tinha consciência de que tentara colher o fruto proibido entrando ali sem ser convidada. Será que seria repreendida?


― A carta está muito bem escrita. ― o comentário lhe trouxe um alívio indescritível. ― Acho que deve mandá-la sem demora. Você sentiu minha falta, esposa?


A pergunta pegou-a de surpresa por causa da mudança repentina de assunto.


― Sim. ― e era a pura verdade. Sentia falta da presença do marido e procurava se consolar daquela ausência dedicando-se a atividades variadas.


― Então venha cá.


Surpresa e feliz, Hermione caminhou na direção da voz, ignorando os cachorros e a escuridão. Logo braços fortes a enlaçavam.


― Você é uma mulher ardente que não parece capaz de se manter longe do marido.


― É uma triste verdade. ― ela suspirou e recostou a cabeça no peito largo, sentindo os lábios quentes roçarem seus cabelos de leve.


― Talvez seja triste para você, mas é um prazer para mim.


Ela o abraçou com o desespero de quem se agarra à própria vida.


― Não. É uma alegria para mim.


― Hermione...


A palavra ficou parada no ar, como um gemido, uma súplica, uma prece. Então os lábios de ambos se encontraram com avidez, numa fome que não podia ser saciada.


Os mistérios que envolviam o Cavaleiro Vermelho foram momentaneamente esquecidos, a magia que os atraía um para o outro envolvendo-os numa teia de sedução e encantamento. A castanha esqueceu-se dos afazeres e passou a manhã inteira na cama do marido.


 


 


À medida que o dia de Natal se aproximava, Molly tornava-se mais e mais ansiosa para ajudar. De fato a mudança que ocorrera na criada desde a chegada a Dunmurrow era impressionante. Inúmeras vezes a surpreendera cantarolando feliz enquanto trabalhava e hoje não era exceção.


― Creio que vamos ter uma quantidade suficiente de bolos, minha lady, mas acho que deveríamos assar mais pães para os aldeões levarem para casa.


― Então na sua opinião pães extras atrairão o povo ao castelo?


― Sim, minha lady. Será bom para as pessoas ter um dia de fartura e celebração.


A opinião de Molly sobre a celebração de Natal era tão diferente de algumas semanas atrás que Hermione não resistiu à vontade de provocá-la.


― Mesmo se o Cavaleiro Vermelho decidir se juntar a eles?


― Bem, você deve compreender que eu ainda não posso aprová-lo, porém Arth está sempre dizendo que se trata de um homem bom. Assim resolvi reservar meu julgamento final.


Por um instante a castanha sentiu-se irritada porque a serva parecia acreditar mais na palavra de Arthur do que na sua própria. Depois concluiu que talvez a culpa fosse mesmo sua porque não defendera o marido com a veemência necessária. Claro que refutara os rumores que o cercavam, mas será que dissera a Molly que seu marido era gentil, delicado e... ardente?


― Claro que ele é um homem bom.


― Provavelmente deve ser mesmo, já que Arth o tem em tão alta conta. Mas devo admitir que ainda tenho minhas dúvidas. ― a conversa foi interrompida pela chegada do próprio Arthur saído da cozinha com um copo de cerveja nas mãos.


― Moliuóli, Ginevra está precisando de você na cozinha ― ele anunciou, mastigando alguma guloseima.


― E posso saber o que o senhor estava fazendo lá? ― a serva indagou com um dedo em riste. ― Com certeza se empanturrando de bolos e doces que estão sendo preparados para a ceia de Natal.


O soldado sorriu sem um pingo de remorso, os farelos ao redor dos lábios denunciando o que andara lambiscando. Molly marchou para fora do salão, resmungando alto sobre velhos que se comportam como crianças.


A sós com o soldado, de repente Hermione o fitou como se o visse pela primeira vez. Ali estava alguém que de fato conhecia o seu marido.


De acordo com a conversa da criada, Arthur admirava e respeitava o Cavaleiro Vermelho, portanto devia conhecê-lo bem. Provavelmente o homem estava a serviço do barão há tempos e quem sabe não poderia responder algumas das perguntas que a assombravam?


Com o coração aos pulos de ansiedade, sentou-se junto do senhor embora mantivesse os olhos voltados para a porta da cozinha, caso Molly aparecesse. Queria que essa conversa fosse em particular.


― Arth ― ela começou cautelosa ― você está a serviço do Cavaleiro Vermelho há muitos anos, não é?


― Isso mesmo, minha lady ― o soldado respondeu antes de tomar um longo gole de cerveja.


Ela aguardou, certa de que outros comentários seriam feitos. Porém Arthur permaneceu calado, o olhar fixo no fogo que crepitava na lareira. Pelo visto, ele só era falante quando estava de bom humor ou quando o assunto o interessava.


― Há quanto tempo? ― insistiu, não querer se dar por vencida.


― Oh, há anos, minha lady.


E como é a aparência dele?, ela ansiava perguntar porém o pudor a impedia. Como teria coragem de admitir para o soldado que jamais pusera os olhos sobre a figura do marido?


― Aqueles que, como eu, se juntam ao Cavaleiro Vermelho em geral permanecem no posto porque o barão é um homem justo e um grande guerreiro.


Mas como é a aparência dele? Nunca se sentira tão perto e tão longe de descobrir a verdade sobre Draco.


― Imagino que só a alta estatura de meu marido já impunha medo aos seus inimigos.


― Sim. Ele é um homem grande.


E...? Por um instante ela pensou em pegar uma faca e ameaçar o soldado para obrigá-la a lhe dar as informações que procurava. Qual seria a cor dos cabelos de Malfoy? Dos olhos? Como seria o rosto? Desfigurado, talvez?


― Meu marido... assusta os inimigos?


― Bem, claro que sim. Especialmente depois que o barão recebeu o título de Cavaleiro Vermelho, dado pelo próprio rei Dumbledore. Foi assim que todas aquelas histórias absurdas começaram a ser contadas. ― Arthur deu de ombros, demonstrando todo o seu desgosto com os rumores estranhos que cercavam o senhor de Dunmurrow.


Então o soldado também não acreditava naquelas bobagens envolvendo feitiçaria, Hermione concluiu. Entretanto o soldado admitia que a mera presença de Draco atemorizava os inimigos. Inspirando fundo, a castanha tentou assimilar a revelação. Só havia uma conclusão lógica. Malfoy devia ter nascido com alguma deformidade, ou então ficara terrivelmente desfigurado por ferimentos sofridos durante uma batalha. Entretanto essa possível deformidade não pudera ser detectada quando o tocara com as pontas dos dedos.


― Arth ― indagou muito séria ― por que de já não treinar pessoalmente os próprios homens?


O soldado ficou em silêncio vários segundos, os olhos fixos no copo de cerveja.


― Não sei dizer com certeza. Nós todos, que estamos sob as ordens do Cavaleiro Vermelho, achávamos que depois de ter recebido Dunmurrow como prêmio pelos serviços prestados ao rei, ele merecia um descanso. Presumo que seja isto o que o Cavaleiro Vermelho esteja fazendo. Descansando.


Um descanso? Hermione mal podia acreditar no que acabara de ouvir. Aquela era o tipo de resposta que em nada explicava os mistérios incontáveis que cercavam Draco Malfoy.


― Mas ele nunca sai do quarto!


― É mesmo? ― o tom desinteressado do soldado deixava claro como o comportamento do Cavaleiro Vermelho não lhe causava a menor estranheza. ― Nada sei sobre os hábitos do barão, minha lady. Agora, se me der licença, vou à procura de Molly. Afinal fui encarregado de protegê-la, não é?


Hermione permaneceu onde estava, certa de que por mais que tentasse Arthur não revelaria coisa alguma. Draco soubera escolher bem os homens que o cercavam e nenhum deles quebraria o voto de fidelidade.


Cansada de se ver às voltas com tantas perguntas sem respostas, resolveu dedicar-se às tarefas do dia. Pegando o copo de cerveja que o soldado esquecera sobre a mesa, começou a caminhar na direção da cozinha. De súbito, olhando para o resto do líquido escuro e opaco, lembrou-se da poção que a viúva Cassandra lhe dera. Se ao menos existisse uma erva capaz de fazer as pessoas falarem livremente, sem qualquer tipo de censura... Quem sabe assim não encontraria as explicações para as dúvidas que a atormentavam.


A ideia que lhe ocorreu teve a força de um raio. Infelizmente não havia ervas capazes de obrigar alguém a falar a verdade, entretanto existiam muitos outros tipos de ervas, cada qual com poderes especiais e particulares.


 


 


Segurando um pacotinho com uma mistura de ervas para fazer dormir, a castanha bateu na porta dos aposentos principais e aguardou que o marido a mandasse entrar.


Ainda não era tarde demais para voltar atrás, pensou com um aperto no coração. Bastava guardar o embrulho pequenino num dos bolsos do vestido e pronto, assunto esquecido. Entretanto nunca fora o tipo de desistir depois de tomar uma decisão e agora não seria diferente. Mordendo os lábios nervosamente, entrou.


― Sou eu, Hermione, meu lorde.


― Você chegou cedo hoje, esposa. Sua fome é tão grande assim? ― na verdade, apesar das palavras aparentemente inofensivas, o que Malfoy queria sugerir era que ela sentia fome de sexo. Apesar de estar sempre pronta e disposta a receber as atenções do marido, precisava aguardar o momento certo ou seus planos iriam por água abaixo. Queria Draco em sua cama sim, só que mais tarde... Não aqui, neste momento.


― Sim, estou faminta! ― retrucou achando melhor se fazer de desentendida. Malfoy nada respondeu, entretanto o desaponto dele era palpável e emanava em ondas através da escuridão.


Sentada no lugar de costume, ela reparou que a mesa estava vazia. Em geral, ao chegar, já encontrava o jantar servido. Porém hoje fizera questão de aparecer antes de Filch para facilitar a execução do plano. Determinada a preencher os minutos intermináveis de espera, falou sobre o que fizera o dia inteiro, embora os pensamentos vagassem numa direção bastante diferente.


Finalmente Filch apareceu trazendo as travessas e depositou-as sobre a mesa, aliás uma tarefa quase impossível por causa das trevas. Oh, Deus, e se o servo notasse o que estava para fazer? Não, tarde demais para mudar de ideia. Iria até o fim. Quando Filch depositou o cálice de Draco, ela estendeu a mão, como se fosse ajeitá-lo melhor, e despejou o conteúdo do pacotinho dentro do vinho.


Hoje o Cavaleiro Vermelho dormiria ao seu lado a noite inteira.


O criado foi dispensado e a refeição prosseguiu como de costume. Hermione contou a respeito dos preparativos para o natal enquanto lambiscava a comida, o coração batendo descompassado no peito. Será que dera uma dose muito grande de sonífero? Ou será que não fora o suficiente? Draco era um homem grande e calcular o tempo necessário para que a droga surtisse efeito era crucial.


Ao ouvi-lo bocejar, a castanha levantou-se depressa.


― Venha me ver ― falou docemente. ― Vou esperá-lo no meu quarto. ― então saiu depressa, tentando conter o nervosismo.


Mesmo já tendo feito amor alternadamente na cama de ambos, Hermione sabia, que o marido preferia ir ao seu encontro porque assim podia deixá-la quando quisesse, antes do amanhecer. E sempre na completa escuridão.


Nas trevas ele a abraçava, desvendava cada pedacinho de seu corpo com as mãos e a boca, o membro pulsante penetrando-a fundo, transformando-os numa só carne até que, louca de prazer, ela gritava em êxtase. Entretanto...


Apesar de todas as intimidades que haviam Partilhado, sabia que se encontrasse o marido em plena luz do dia não poderia reconhecê-lo...


A situação era intolerável. Não podia aceitar nem compreender aquelas sombras eternas, nem agora, nem nunca. Ela agarrava-se à ideia de que Draco era desfigurado de alguma maneira que seu toque não conseguia detectar, porque a alternativa era muito mais aterradora.


Ainda que Molly tivesse parado com os comentários absurdos, tinha consciência dos rumores que envolviam seu marido. Embora estivesse certa que o homem que a levava para cama não era nenhum feiticeiro do mal, uma dúvida constante costumava atormentá-la, principalmente durante as longas horas do dia, quando se encontrava a sós. E era essa dúvida que precisava ser eliminada.


Bem no fundo do coração alimentara a esperança que Draco acabaria confiando nela e se revelando inteiro, como fazia com Blaise e com os Filchs. Na verdade sentia-se ferida por essa falta de fé, pela barreira existente entre os dois. Talvez, com o tempo, ele abaixaria a guarda. Porém nunca fora uma mulher muito paciente. Estava cansada de esperar.


Hoje a noite veria o rosto e o corpo de seu marido.


Com a cabeça recostada no peito largo de Draco, Hermione o ouvia respirar enquanto procurava aquietar as batida do próprio coração, temendo acordá-lo. Ele havia feito amor mais lentamente, como se as ervas já estivesse afetando-o. Contudo a paixão fora a mesma, intensa sem medidas. Oh, Deus, será que estava fazendo a coisa certa? Agora que o momento havia chegado sentia-se mais apavorada do que aliviada diante da perspectiva de ver o Cavaleiro Vermelho.


― Draco?


Nenhuma resposta.


Mesmo não gostando muito dá ideia de se apressar, precisava agir o quanto antes porque não sabia por quanto tempo as ervas o manteriam dormindo. Chegara a hora de desvendar o segredo do Cavaleiro Vermelho, um homem cuja reputação atravessara todo o reino, o homem de quem se dizia ter parte com o diabo...


Hermione sentou-se e abriu as cortinas da cama, pronta para dizer que precisava atender a um chamado da natureza, caso ele acordasse de repente. Procurando não fazer o menor ruído, vestiu um robe e pegou o vestido que deixara sobre a cadeira, em cujo bolso escondera um castiçal e uma vela grossa. Com as mãos trêmulas, foi até a lareira e acendeu a vela. Depois obrigou-se a caminhar até a cama.


Erguendo o braço, iluminou a figura de um homem alto, um cavaleiro de enorme estatura. Então puxou as cobertas para olhar, pela primeira vez, o corpo de seu marido adormecido.


As pernas longas e musculosas, cobertas por uma camada de pelos claros, a faziam pensar na solidez da rocha. A virilidade, grande mesmo sem estar ereta, descansava sobre os cabelos louros em torno das virilhas. Uma das mãos, de dedos esguios, repousava sobre o estômago firme. Como não percebesse qualquer desfiguração até ali, continuou a examiná-lo.


O peito era forte, a pele dourada, os ombros incrivelmente largos, os braços musculosos. Não havia nada de errado com o corpo de seu marido, pensou estarrecida. Ele parecia um deus atlético, esculpido à perfeição.


Tremendo de maneira incontrolável, ela ergueu o castiçal para iluminar o rosto, certa de que ali encontraria o motivo que o obrigava a permanecer envolto pelas trevas...


Vagarosamente as feições foram se tornando nítidas. Chocada, sufocou um grito de surpresa.


Draco Malfoy era lindo.


Cabelos louros-platinados desciam até o pescoço. Sobrancelhas bem delineadas, cílios longos e espessos, nariz reto. Queixo forte e lábios generosos, sem serem excessivamente carnudos. Um rosto perfeito. O rosto de um anjo.


Apenas uma pequena cicatriz que corria de uma das sobrancelhas até a têmpora.


Fascinada pela visão, Hermione deu um passo para a frente e aproximou ainda mais o castiçal da figura adormecida, procurando algo que explicasse o porquê daquele homem se esconder nas sombras. Hesitante, tocou a cicatriz. Fora um ferimento recente, concluiu. Porém já vira coisas bem piores em outros cavaleiros. Não era nada que diminuísse a beleza de Draco, muito pelo contrário. A marca o tornava mais viril, másculo, real... como se o anjo tivesse vencido um combate mortal com o demônio.


O demônio. Não, não queria pensar nisso, decidiu, murmurando uma prece. De repente o loiro mudou de posição na cama e Hermione se deu conta da enormidade do que havia feito. Na sua pressa de fechar as cortinas da cama quase acabou deixando o castiçal cair. Rapidamente apagou a vela e escondeu-a outra vez no bolso do vestido Depois voltou para o seu lado da cama, perdida numa confusão total.


Mordendo os lábios de puro nervosismo, experimento o gosto do medo ao decidir que devia tornar a deitar-se.


Era incrível pensar como havia mudado. Antes de casar se nunca tivera receio de nada, nem da escuridão, nem da ausência da sua mãe, nem das histórias de fantasma e seres diabólicos que faziam Molly estremecer de pavor nem mesmo da falta de significado da sua vida que procurara remediar com trabalho em vez de amor.


Engolindo um soluço, a castanha tirou o robe e deitou-se, as pernas recusando-se a mantê-la de pé por mais um segundo sequer. As lágrimas, que jamais chegara a derramar antes, começaram a correr livres pelo rosto delicado, trazendo um alívio inesperado. Dominada pela emoção, passou um braço ao redor do peito largo do marido, apertando-o com força de encontro a si. Finalmente a verdade a atingira como um raio, obrigando-a a enfrentar o que tentara ignorar. Não importava quem ou o que o Cavaleiro Vermelho era. Ele viera preencher o vazio da sua vida, um vazio tão grande que nem suspeitara existir. Ele a fizera desabrochar.


O fato é que o amava acima de tudo e com toda a sua alma.


 


 

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Comentários: 4

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Enviado por Anne Lizzy Bastos em 30/01/2014

Comecei a ler essa fic no site fanfiction net. Mas na epoca ela só tinha 4 capitulos ( eu acho) . Alguém me recomendou ela pelo face, e somente agora estou lendo. Pra falar a verdade, estou amando. Essa fic é otima
Adorei ela, e o enredo.

BjsAnne
   
 

Nota: 1

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Enviado por Landa MS em 08/01/2014

Alguém por favor, me dá um Draco desses. Não seria pedir demais, seria?

A fic está incrível. Como já me expressei antes, procurava uma fic Dramione de época e essa me arrebatou profundamente. Meus parabéns. Mas o mistério ainda me intriga muito, se ele é tão bonito quanto ela pode comprovar, por que ele se esconde?

 

 Espero encontrar a resposta nos p´roximos caps.

Nota: 1

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Enviado por Carla Balsinha em 01/12/2013

alô querida!já estou melhor da gripe,senti tanta falta do mimo da minha mãe....aqui,está muito frio,onteontem pus mais um cobertor na minha cama,qualquer dia não me mexo nela,eh!!eh!!

mas que capítulo esse,estou completamente de acordo com o comentário da MRC, o homem não vê!quando o draco acordar,vai ser o lindo e o bonito...

Beijinhos grandes...

Ps:Estou de pijama polar!^^

Carla Cascão

Nota: 5

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Enviado por M R C em 28/11/2013

esse capitulo foi muito interessante!!
pude com ele, repensar várias cenas de capítulos passados....e cheguei à algumas conclusoes.

tenho ctz absoluta que ele tem algum tipo de deficiencia causada por alguma batalha.
e essa deficiencia fez com que ele se afastasse dos treinamentos e das proprias guerras.
isso é insdiscutível pra mim.

o mais interessante que notei....foi que a todo momento na história....faz-se questão de ressaltar o fato de hermione não conseguir enxergá-lo de jeito nenhum. Porém nada é dito em relação à ele....não há nenhhuma cena em que ele demonstre conseguir vê-la. Isso é estranho.
Mais estranho é que eu reli a fic (sim sim eu amo tanto que reli já várias vezes) e percebi duas cenas nas quais outros homens descrevem hermione pra ele...inclusive em uma delas ele pergunta como ela é ao Filch se não me engano. Eu sempre achei que seria pela escuridão absoluta, porém, pela descrição da figura dele... sem nenhum traço aparente de deformidade...na minha cabeça só existe uma coisa possivel: ele nao deve enxergar direito. Ou ser cego mesmo.

olha que loucura esse meu comentário/conspiração/teorias né ?? hahahahhaha
mas confesso que to me divertindo mto com esse desafio de adivinhar o segredo dele..


de qualquer forma vc revelou que logo logo tudo será esclarecido...então isso significa que a fic tá no final ??

beeeijos         

Nota: 5

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