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ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

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11. Capítulo XI


Fic: The Devils bride - Epilogo postado


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Oi, oi gente. Prontas para ficarem com mais um pouco de raiva do Draco?? rsrs


 


RiemiSam: Fico contente que esteja gostando, logo o mistério acaba. Já tem uma ideia do que seja?


 


Carla Cascão: Então... é um pouco cedo para confirmar suas teorias, reflita um pouco mais. Logo resolveremos o mistério. A harmonia é algo instável entre eles... Você verá...


 


MRC: Rsrs, me conte mais sobre suas teorias que caíram por terra, devo dizer que o caminho que você tem tomado é interessante...  Sim, você tem percebido muitas coisas sobre o casal... Sua dúvida sobre o dia seguinte será respondida nesse capítulo... rsrs


 


Lembre-se, comentar nunca é demais!


Bjs, uma boa leitura!


 





*****






Hermione queria dormir com ele. Enroscada ao lado do marido, apoiada Num dos braços fortes, ouvindo o som da respiração regular, sentia-se feliz. Essa proximidade era diferente de tudo o que jamais experimentara antes. Estranho sim, porém, pela primeira vez, não pensava em fugir ou evitar os sentimentos. Inspirando o perfume másculo daquela pele quente, queria apenas permanecer junto ao corpo viril para sempre. Não conseguia entender por que encontrava tanto conforto junto ao Cavaleiro Vermelho. Mas o fato é ele lhe transmitia calor, aconchego e a fazia se sentir... desejada.


Imersa na escuridão, conseguia até imaginar que se tratava de um casamento normal, talvez até melhor do que a maioria, porque ambos pareciam se importar um com o outro, algo incomum nas uniões entre nobres. A castanha tinha consciência de seu afeto em relação a Draco e, apesar da hostilidade inicial, acreditava que ele lhe dedicava alguma consideração. Pelo menos era o que podia entrever através dos momentos de paixão.


Ali terminava a pretensão pela normalidade, pois qual esposa nunca conseguira enxergar o próprio marido à luz do dia ou à luz de velas?


Por mais que tentasse visualizá-lo, a tarefa se mostrava impossível. Embora tivesse acompanhado os contornos do rosto dele com as pontas dos dedos, não era nenhuma artista para imaginar a realidade a partir do toque. Seriam os cabelos de Draco negros como a noite, castanhos ou avermelhados, para fazer jus ao título? Oh, Deus, como gostaria de saber...


― Querida... ― a voz do marido, baixa e profunda, desviou o rumo de seus pensamentos. Ele beijou-a na testa, fazendo-a sorrir e aconchegar-se de encontro ao peito largo. Será que o homem nunca a deixaria descansar? Mas mesmo exausta, sabia muito bem que poderia ser facilmente persuadida a se entregar aos prazeres do sexo outra vez... e outra vez. ― Está ficando tarde. É melhor você ir para seu quarto agora.


Abriu os olhos surpresa, apesar de não ser possível enxergar nada além da escuridão. Então ele a estava mandando embora? Não poderia passar a noite ali? Os sentimentos maravilhosos que cresciam em seu coração foram reduzidos a pó. Imediatamente levantou-se e procurou o vestido. Quando não conseguiu achá-lo, praguejou baixinho. Ou seria um soluço? Nem ela conseguia saber no momento.


― Hermione, querida...


O tratamento carinhoso só lhe provocou desdém. O toque de ternura não tinha a menor importância. Afinal qual o motivo de ser enxotada da cama como uma mulher à-toa, a quem se paga por um instante de prazer com algumas moedas de prata? Agarrada a um resto de dignidade, continuou procurando as roupas, as mãos tremendo incontrolavelmente. Draco segurou-lhe os pulsos e tentou abraçá-la. Porém ela se recusou a aceitar o contato e deu um passo para trás, tropeçando nos cães.


― Ai! ― sentindo-se à beira de uma explosão nervosa, já estava disposta a sair dos aposentos do marido enrolada num cobertor quando ele entregou-lhe as roupas. Em questão de segundos, vestiu-se e se preparou para ir embora.


― Hermione... suas sapatilhas.


Será que Malfoy estava debochando dela? Como é que pudera imaginar que aquele homem arrogante lhe dedicava um pouco de afeição? Oh, Deus, só queria desaparecer e esquecer o que acontecera naquela cama de casal.


― Boa noite, minha esposa. Durma bem.


Furiosa, ela teve vontade de bater a porta com força. Só não o fez porque a porta era pesada demais e um dos Filchs aguardava do lado de fora. O criado a acompanhou até o quarto sem dizer uma única palavra. De repente sua própria cama lhe pareceu enorme, vazia e solitária. Seria uma longa noite. Como poderia dormir bem?


 


 


Na manhã seguinte, enquanto Molly a ajudava a vestir-se, Hermione procurava se convencer de que precisava agir de maneira mais sensata. Talvez estivesse perdendo mesmo a razão. Descobria-se ansiosa para pular na cama do Cavaleiro Vermelho e relutante na hora de deixá-lo. Passara sua vida inteira esquivando-se dos sentimentos e protegendo o coração. Por que agora se sentia impelida a entregá-lo de bandeja ao marido?


Ainda sentia o perfume de Draco impregnado na sua pele, o corpo marcado pela noite de amor. Se resolvesse tomar um banho a esta hora da manhã, para livrar-se das lembranças, Molly acabaria desconfiando do motivo e recomeçaria com a mesma ladainha sobre o Cavaleiro Vermelho tê-la enfeitiçado.


Ela fitou a serva cheia de reservas, esperando o momento de ser acusada de participar, como cúmplice, de cerimônias de magia negra. Entretanto, para sua completa surpresa, a senhora não estava lhe prestando a mínima atenção. Em vez de queixar-se sobre a vida em Dunmurrow, como era de seu costume, a criada mantinha-se ocupada trançando os cabelos da ama enquanto... cantarolava.


Com uma pontada de inveja, a castanha concluiu que alguma coisa especial devia ter acontecido. De repente sentiu-se mais sozinha do que nunca. Estava tão acostumada a defender o marido dos ataques da criada que agora se perguntava de quem iria defendê-lo?


― Descobri como Filch pode estar em vários lugares ao mesmo tempo.


― Verdade? ― Molly indagou sem muito interesse, voltando a cantarolar uma melodia totalmente diferente da anterior.


― Sim. Ele não é sequer um homem só, mas dois. São gêmeos ― ela anunciou, aguardando a reação da outra. Para sua decepção, a expressão do rosto da serva continuou inalterada.


― Sério? Então não é de se estranhar que ele faça trabalho dobrado. Ou talvez não façam nada, com a desculpa de serem dois. Um fica empurrando o serviço para o outro.


Hermione fitou-a atentamente, atônita com o sorriso estampado no rosto de Molly e com as palavras despreocupadas. Esperara assombro, discussão, comentários sobre a magia negra que reinava em Dunmurrow. Só não estava preparada para que a criada aceitasse suas explicações com uma tranquilidade quase indiferente.


― Muito bem, minha lady, terminei de trançar seus cabelos. Você está linda esta manhã. Vai precisar de mim para mais alguma coisa?


Ela balançou a cabeça de um lado para o outro. Até parecia que quem estava enfeitiçada era Molly...


Determinada a não passar o dia inteiro alimentando pensamentos que envolvessem o marido, atirou-se ao trabalho, porém, por mais que tentasse, não conseguia parar de desejá-lo.


Ansiava pelo toque daquelas mãos fortes, pelo som da voz baixa e sensual. Contudo não eram apenas os momentos de paixão carnal que a perturbavam. Também sentia falta da ternura, das cócegas, da segurança oferecida pelo seu abraço.


Talvez Draco a tivesse enfeitiçado e assim não mais possuía uma vontade própria. Não, não era verdade. Tinha vontade própria sim, estava apenas enfraquecida. Como voltar a ser o que era? A mulher independente e segura? Agora mais do que nunca estava certa de que os rumores envolvendo o Cavaleiro Vermelho não tinham o menor fundamento, principalmente depois de descobrir que Filch não passava de um mortal comum.


Embora Hermione duvidasse que Draco possuísse poderes especiais para encantá-la, não podia negar que sentia alguma coisa especial por ele, alguma coisa que a fazia se entregar sem qualquer hesitação ou pudor. Porém, à luz do dia, algumas certezas a magoavam de forma profunda. Afinal não aprendera, tempos atrás, de que não vale a pena ansiar pela proximidade de alguém? Depois de todos esses anos, ainda era difícil lidar com a rejeição. Em particular agora, quando conhecera a mais deliciosa intimidade nos braços do Cavaleiro Vermelho.


Ela tentava se convencer de que nunca desejara ou precisara de quem quer que fosse. Por que então se sentia atraída pelo marido, uma figura estranha e misteriosa que fazia questão de se manter escondido nas sombras? O fato é que sentia-se impotente diante do próprio destino e isto a perturbava profundamente. A imagem de Draco não lhe saía da cabeça, impedindo-a de viver em paz, e de repente só queria tornar-se indiferente em relação ao marido, como sempre fora em se tratando de outros homens.


Abandonando as tarefas num impulso, Hermione foi até a cozinha. Quem sabe um pouco de companhia antes do almoço não a arrancaria daquele mau humor? Ginevra recebeu-a com prazer.


― Obrigada por ter cuidado tão bem da queimadura de Lily. Está cicatrizando que é uma beleza.


A castanha sorriu, porém as palavras da cozinheira deixaram-na inquieta. Fora somente alguns dias atrás que imaginara ser Draco portador de alguma queimadura que o desfigurasse, que o obrigasse a permanecer nas sombras? Agora tinha certeza de que este não era o caso. Não havia nada de errado com seu marido. Apenas não conseguia entender por que ele permanecia trancado dentro da escuridão.


Outra vez as velhas suspeitas, envolvendo o Cavalheiro Vermelho, a assaltaram. Ele afirmara que os rumores não tinham fundamento e chegara a rir das suas preocupações. Mas quem, em sã consciência, admitiria estar envolvido na prática de magia negra?


― É bom ter uma lady em Dunmurrow que conheça a arte de curar ― a cozinheira falou agradecida.


― Concordo ― emendou uma voz masculina. ― Eu confio mais na minha lady do que na curandeira da aldeia, Hermione reconheceu o rapaz que a acompanhara tocando flauta na primeira vez que cantara para o Barão Malfoy. Kevin era o nome dele.


― Você está se referindo à viúva Cassandra Trelawney? ― Ginevra indagou ao recém-chegado.


― Sim. Eu preferia cuidar de mim mesmo do que aceitar o conselho daquela mulher.


― A viúva Cassandra é muito sábia. Está velha agora e raramente se dedica à arte da cura, porém tem um grande conhecimento de ervas.


― Hum... Poções de amor e coisas parecidas ― o rapaz desdenhou.


― Não é bom desrespeitar os mais velhos ― Ginevra aconselhou num tom maternal. Kevin não disse mais nada enquanto Hermione voltava para o salão, pensativa.


Viúva Cassandra. Já ouvira falar da curandeira da aldeia antes e. chegara a planejar visitá-la a fim de trocarem algumas receitas envolvendo o preparo de ervas. Como qualquer outra mulher com as suas habilidades, a viúva costumava ser vista pelos aldeões tanto como uma santa quanto uma bruxa, dependendo do resultado dos tratamentos prescritos, é claro. Ela sentia-se inclinada a concordar com Ginevra. Pessoas como a viúva Cassandra costumavam saber mais do que deixavam transparecer, pois durante uma vida inteira acumulavam conhecimento talvez até utilizassem um pouco de magia.


Magia. Hermione irritou-se com os próprios pensamentos. Nunca acreditara em tamanha bobagem antes. Entretanto jamais desconfiara que pudesse ser enfeitiçada um dia, em especial por alguém como o Cavaleiro Vermelho. Será que a viúva saberia como quebrar esse encantamento?


Molly entrou naquele exato momento, rindo de algum comentário feito por Arthur e embora se sentasse ao lado da ama, quase não lhe deu atenção. Ótimo, a castanha pensou aliviada. Sinal de que a serva estava se acostumando à vida em Dunmurrow.


― Você vai precisar de mim hoje à tarde, minha lady Porque senão, Arth prometeu me levar para um passeio pelos campos. ― a criada corou até a raiz dos cabelos e de repente Hermione se deu conta de que ela parecia anos mais jovem... e mais bonita também.


― Não, não vou precisar de você. ― as roupas que planejava costurar podiam ficar para outro dia. Que Molly aproveitasse a tarde fora.


― Você não quer vir conosco, minha lady? ― a mulher perguntou de repente. ― lhe faria bem sair um pouco respirar ar puro.


― Não, mas de qualquer maneira obrigada pelo convite.


 


 


O almoço transcorreu tranquilo, Molly e Arthur trocando olhares sugestivos e rindo a troco de nada.


― Tem mesmo certeza de que não quer vir conosco ― a criada indagou preparando-se para sair.


A castanha sorriu e balançou a cabeça de um lado para o outro, olhando-os com benevolência e compreensão.


― Então vamos, minha garota ― Arthur falou orgulhoso. ― Tem uma paisagem bonita lá fora que quero lhe mostrar.


Ela os observou afastarem-se a caminho da claridade enquanto tudo o que lhe restava eram os aposentos sombrios de Dunmurrow. Ainda assim, sabia que se o Cavaleiro Vermelho a chamasse, seria capaz de se esquecer até da luz do Sol para passar o dia inteiro na cama, ao lado do marido. Será que chegaria o dia em que se agarraria a ele de tal forma que acabaria se tornando uma criatura da noite também, uma sombra como Draco Malfoy?


Hermione estremeceu amedrontada. Havia desejado ser a esposa dele em todos os sentidos, mas agora reconhecia o perigo de uma intimidade total. O fato é que vivera melhor e mais tranquila antes, num mundo repleto de deveres e trabalhos a serem feitos e não assim... atordoada por desejos e... emoções que preferiria não sentir. Se ao menos pudesse voltar no tempo! Cedendo ao impulso, levantou-se, colocou uma capa pesada ao redor dos ombros e marchou para o estábulo. Estava na hora de fazer uma visita à viúva Cassandra.


Dois dos guardas do castelo insistiram em acompanhá-la até a aldeia; porém ao se aproximarem do chalé onde morava a velha senhora, pediu-os que a aguardassem a distância. Apesar de tentar se convencer de que era natural uma visita à viúva, já que ambas viam-se sempre às voltas com o uso das ervas, não conseguiu evitar o nervosismo ao bater à porta.


Uma voz firme e grave mandou-a entrar. Quase não era possível enxergar por causa da penumbra espessa que se espalhava pela sala pequenina e por um instante A castanha achou que estivesse sozinha. Então seus olhos se ajustaram à ausência de iluminação e pôde enfim vislumbrar uma mulher pequenina que se entretinha mexendo um caldeirão sobre o fogo da lareira.


― Senhora Trelawney? Sou Hermione Malfoy. Trouxe-lhe um pouco de queijo e pão ― ela falou, colocando uma cesta sobre a mesa.


― Então você é a nova lady do castelo. Chegue mais perto para que eu possa vê-la melhor.


Talvez fosse apenas um reflexo da sensação estranha que a acompanhava O dia todo, ou talvez estivesse sob os efeitos dos rumores horrendos que acompanhavam o Cavaleiro Vermelho... mas o fato é que tremia por dentro ao se aproximar da velha senhora. Bem no fundo do coração, preferia sumir dali.


A viúva Cassandra era bastante idosa e tinha os cabelos já inteiramente brancos. O rosto, marcado por rugas profundas, mantinha-se bronzeado e apesar da idade avançada ela não aparentava a menor fragilidade.


― Então você veio tomar o meu lugar?


― Não, de jeito nenhum! ― respondeu depressa.


― Pois já está na hora, criança. Estou cansada demais para continuar cuidando dessas criaturas ingratas. ― A velha sorriu e fez um gesto para que Hermione se sentasse. Como não havia nem um banco à vista, ela sentou-se no chão de terra batida. Um aroma de alho, alfazema e açafrão enchiam o ar enfumaçado. Embora continuasse mexendo o conteúdo do caldeirão com uma concha, os olhos da senhora a analisavam com interesse, como se fossem capazes de lhe enxergar a alma. Não se ouvia nada no chalé, exceto o crepitar das chamas.


― O que a aflige, minha filha?


― A mim? ― pega de surpresa, não sabia como reagir. ― Nada me aflige. Estou bem.


A viúva riu baixinho.


― Ninguém me procura por nada. O que você quer, criança? Está doente?


Estou enfeitiçada, ela teve vontade de dizer. Mas faltou-lhe coragem.


― Ah, entendo. ― a velha continuou mexendo no caldeirão alguns segundos antes de voltar a falar. ― Como uma curandeira que é, você deve saber que há males para os quais não existem curas.


― Sim, eu sei. ― o fogo a estava deixando sonolenta e como quase nada dormira na noite anterior, começava a sentir dificuldade para prestar atenção no que a viúva Cassandra dizia.


― E, claro, em alguns casos a cura é pior do que a doença. Isso sempre acontece nos assuntos do coração...


Hermione inspirou fundo, tentando permanecer alerta. Sobre o que será que a velha senhora estava falando? Alguma coisa sobre dores no fígado?


― Se ao menos você não lutasse assim contra os sentimentos, criança. Mas posso ver que você é teimosa. São tantas as pessoas que gostariam de possuir um amor tão grande. Elas vêm a mim, implorando encantamentos e poções capazes de conjurar uma imitação pálida daquilo que você tem. Tem certeza de que não quer mesmo este amor?


Querer? Querer o quê? Confusa e entorpecida pelo sono, ela acenou que sim.


― Menina tola. Vou lhe dar o que você quer, porém não posso lhe garantir que dará certo. Existem coisas neste mundo, criança, que simplesmente têm que ser, quer nós, simples mortais, queiramos ou não. Mas cuidado, tentar mudar o curso dos acontecimentos pode ser ainda pior.


A castanha bocejou e ergueu os olhos. Surpresa descobriu que a viúva havia desaparecido. Segundos depois, a velha estava de volta, trazendo um pacotinho nas mãos.


― Misture este pó num pouco de cerveja ou vinho e beba tudo. Talvez possa ajudá-la. Venha me visitar quando quiser, minha lady. Gostei muito da nossa conversa.


Ela guardou o pacotinho de ervas no cesto e despediu-se, sentindo-se estranhamente desorientada. Na verdade não conseguia se lembrar de quase nada que havia sido dito no chalé porque o fogo estivera tão gostoso e seu cansaço tão grande.


Só depois de estar de volta ao castelo, ao colocar o cesto na cozinha, foi que se lembrou do pacote.


― O que é isto, minha lady? ― Ginevra perguntou, segurando o embrulho.


― Oh, foi a senhora Trelawney quem me deu.


― É uma das poções que ela costuma preparar. É para você, minha lady?


― Sim. ― por que será que resolvera trazer o pacotinho para casa? Não conseguia se lembrar. Ginevra retomou o trabalho de preparar o jantar enquanto ela permaneceu imóvel, sentindo os olhos de Filch fixos às suas costas. Algo lhe dizia que as ervas estavam relacionadas a Draco, embora não fizesse muito sentido.


Decidira procurar a viúva Cassandra com o único objetivo de discutir tratamentos, mas a visita acabara sendo tão estranha. Será que adormecera no meio da conversa?


Recordava-se de que queria livrar-se dos laços que a prendiam ao marido, contudo não chegara a mencionar isto para a viúva... Ou será que sim? Horrorizada, percebeu que as ervas talvez tivessem o poder de quebrar o encantamento lançado pelo Cavaleiro Vermelho.


Imediatamente a castanha largou o embrulho, como se o pacote a tivesse queimado.


Bobagem. Era uma mulher inteligente, esclarecida, portanto incapaz de acreditar em poções de amor e coisas afins. Draco não era nenhum feiticeiro, Filch não passava de uma criatura inofensiva e a curandeira da aldeia uma senhora idosa que não tinha como fazer desaparecer os laços que a ligavam ao marido. Ainda que ela própria quisesse matar os sentimentos que nutria por Draco.


Ou será que não?


Sem saber o que pensar, Hermione encostou-se na parede de pedras, lutando para colocar um pouco de ordem no caos interior. Claro que ficara magoada com a maneira que Malfoy a tratara na noite anterior, quando a convidara a retirar-se do quarto. Também precisava admitir que a afeição que sentia pelo marido parecia deixá-la... indefesa, uma sensação de que não gostava nem um pouco. Mas e quanto às outras sensações que ele a fazia experimentar?


Enrubescendo até a raiz dos cabelos, pensou nas coisas que Draco havia feito com seu corpo... o prazer intenso a cada vez que se entregavam ao amor. Como esquecer o calor dos braços fortes que a protegiam e aninhavam? A voz profunda e agradável? O humor fino e inteligente que temperava suas conversas? Será que realmente desejava abrir mão de tudo isso e voltar àquela vidinha calma e vazia de antes?


O fato é que Draco despertara seus sentimentos mais profundos e pela primeira vez na vida, sentia-se viva de verdade. Não iria arriscar tudo isso aceitando uma poção de ervas preparada por uma velha curandeira.


― Minha lady! ― Hermione foi arrancada dos pensamentos pela aparição repentina de um dos Filch. ― Blaise enviou alguns trabalhadores para nos ajudar nos reparos do castelo e eu gostaria de saber onde devo alojá-los.


― Oh, sim. Tenho certeza de que daremos um jeito para alojá-los. ― com a atenção focalizada em Filch, começou a caminhar na direção do salão principal e sequer percebeu quando o pacotinho de ervas caiu no chão. Ginevra apressou-se a apanhá-lo, dizendo à ajudante:


― Isto é para minha lady. Misture ao que lhe será servido no jantar.


 


 


Ela mal podia se conter na pressa de chegar aos aposentos do marido. Embora tentasse se convencer de que não gostaria de se atrasar por uma questão de educação, sabia que o pulso acelerado devia-se a motivos bastante diferentes. Será que Draco a receberia com prazer? Será que a possuiria sobre o tapete diante da lareira ou a levaria para a cama onde fariam amor loucamente e de onde seria dispensada assim que ele se cansasse dela? Ao entrar no quarto do marido, alimentava dúvidas a respeito de tudo.


― Minha lady.


― Draco ― ela respondeu ofegante. Ansiosa, levou o cálice aos lábios, a garganta seca de antecipação. O vinho estava um tanto quente e doce esta noite, mas não tinha importância, precisava aplacar a agitação que a consumia.


― Foi um dia longo sem você, esposa.


A castanha corou, o corpo respondendo à voz baixa e profunda de Malfoy. Era como uma carícia que lhe penetrava pela pele e lhe aquecia a alma. Porém estava disposta a não sucumbir ao encanto esta noite sem resistir ao menos um pouquinho.


― Foi uma longa noite sem você, meu marido.


Ao ouvi-lo rir, ela levou o cálice aos lábios e tomou o resto do vinho, procurando acalmar-se.


― O gosto do vinho está estranho hoje, você não acha?


― É mesmo? Não percebo nada quando estou na sua companhia.


Ela sorriu, entregando-se ao fascínio que o marido exercia sobre seus sentidos. A bebida a tinha acalmado, assim como o evidente bom humor de Draco. Apesar de ter andado chateada, já se esquecera de tudo e só conseguia pensar na noite ardente que teriam pela frente. Será que ele arrancaria suas roupas ou a possuiria vestida mesmo, dominado pela urgência do desejo?


Ansiosa para tocá-lo, inclinou-se para frente, porém uma sensação estranha obrigou-a a permanecer no mesmo lugar. Com muito esforço, tentou sentar-se ereta, embora tremesse da cabeça aos pés.


― Hermione? ― a voz de Draco parecia vir de muito longe e quando ela se moveu de novo foi como se suas entranhas estivessem em fogo.


Em questão de segundos Malfoy estava ao seu lado, entretanto o toque daquelas mãos fortes davam a impressão de lhe queimar a pele enquanto a escuridão dos aposentos enormes a engolfava.


― Não faça isso ― ela pediu ofegante, esforçando-se para afastá-lo com gestos frenéticos e desajeitados.


― Filch! ― atendendo imediatamente ao chamado do barão, o servo entrou no quarto e ergueu-a do chão. Enquanto era carregada para o próprio quarto, ouvia a voz do marido praguejando baixo.


Então já estava deitada na cama e Molly colocava um pano úmido em sua testa para aliviar a quentura. Mas não havia nada no mundo capaz de suavizar as sensações terríveis que pareciam destroçá-la por dentro. Fechando os olhos, Hermione perdeu-se num labirinto escuro e destituído de qualquer pensamento coerente.


 


 


 


― E então? ― Draco mal conseguia conter a impaciência. Parecia que o criado estivera ausente durante horas, deixando-o louco de preocupação.


― Ela não está nada bem, meu lorde, porém tudo indica que se trata de um mal passageiro.


― Claro que será passageiro! Não me faça perder a calma com explicações dignas de uma criança. O que provocou essa indisposição?


― Ginevra, a cozinheira, diz que sua esposa bebeu uma poção preparada pela curandeira da aldeia. A cozinheira insiste que se trata de uma espécie de purgante que foi misturado ao vinho. Também não sabe dizer ao certo se sua esposa pretendia ou não tomar a infusão de ervas. Talvez tudo tenha sido um acidente.


― Um purgante? ― confuso Draco sentou-se na beirada da cama. Por que Hermione iria procurar uma curandeira? Será que andara doente? Mas ontem mesmo ela lhe parecera perfeita. Ainda se lembrava do ardor como reagira às suas carícias...


Quem sabe era somente uma indisposição feminina... De repente um pensamento terrível lhe ocorreu. Muitas mulheres costumam tomar um tipo especial de purgante quando querem se livrar de uma gravidez indesejada.


― Não! ― Malfoy gritou, levantando-se num impulso. ― Hermione não faria isso!


― Ela poderia estar grávida ― Filch falou, como se fosse capaz de ler a mente do barão.


― É possível. Mas minha mulher ainda não poderia sabê-lo. É cedo demais. ― Oh, Deus, fora apenas alguns dias atrás que lhe tirara a virgindade.


― Sua esposa poderia ter medo de que um filho seu fosse a reencarnação do demônio...


― Não! ― a voz angustiada de Draco ecoou pelo quarto silencioso. Não era verdade, não podia ser verdade. Sua esposa não temia o Cavaleiro Vermelho e nem acreditava nas histórias absurdas que se contavam. Por que então iria pedir uma poção a uma curandeira qualquer para se livrar da criança?


― Não! ― Draco esmurrou a parede do quarto com força e não reparou que o criado saíra e nem que de suas mãos escorria sangue.


 


 


 


― Vamos, vamos, minha lady ― Molly falou baixinho. ― Você vai ficar boa agora. Já esvaziou todo o estômago, pobrezinha. Vamos, beba isso aqui. Vai fazer a dor passar e você poderá descansar.


A castanha sentiu um líquido amargo sendo colocado na sua boca e gemeu.


― Quietinha, minha lady. Foi a infusão de ervas que lhe provocou todo este mal estar. Como é que você foi confiar numa aldeã velha e ignorante? As curandeiras são loucas, ou pelo menos a maioria delas é. Agora descanse um pouco, vou ficar ao seu lado.


Fechou os olhos, sentindo os membros pesados. Porém a cabeça latejava e o estômago ardia, dificultando a chegada do sono. Mas quando finalmente conseguiu adormecer, sonhos estranhos e vívidos a atormentaram, sempre girando em torno do Cavaleiro Vermelho. Angustiada, acabou acordando para logo em seguida voltar a dormir.


De repente a atmosfera do quarto mudou. Era como se o ar estivesse carregado de eletricidade, como acontece antes de uma violenta tempestade. Hermione sentiu a presença de alguém ao seu lado, e não era Molly.


― Aqui, minha criança ― a viúva Cassandra dizia em seu sonho, o rosto enrugado, os olhos penetrantes, as mãos morenas segurando um pequeno pacote. ― Você precisa apenas misturar um pouco deste pó no vinho de seu marido e ficará livre dele para sempre.


― O que você está dizendo? ― ela perguntou confusa. Será que adormecera junto à lareira? ― Não estou entendendo nada.


― Está entendendo sim ― a viúva confirmou sem hesitar. ― Isto aqui é para seu marido, para o barão Malfoy. Faça-o beber e ele perderá o poder de enfeitiçá-la.


A castanha se encolheu, horrorizada. Será que a mulher estava lhe dizendo para envenenar Draco?


― Assim você ficaria livre, minha criança. Livre para voltar ao seu lar, à sua vida antiga. Livre para administrar seu próprio castelo sem interferências... ou distrações.


― Sim, mas...


― Então você precisa colocar apenas um pouco dessas ervas na cerveja de seu marido.


Ela balançou a cabeça de um lado para o outro, os pensamentos voltados para o conforto e o prazer que encontrara naqueles braços fortes. Não importava quem ou o que Draco era. Jamais teria coragem de matá-lo.


― Não posso fazer isso ― murmurou desesperada.


― Menina tola. Não será preciso matá-lo. Apenas usará as ervas para se ver livre dele para sempre. Afinal não é isto o que você quer? Você tem que decidir agora ― a viúva insistiu, acuando-a. ― Não é isto o que você quer?


― Não! ― gritou com todas as suas forças e sentou-se na cama. ― Eu quero Draco!


― Estou aqui. ― a voz calma e profunda afastou o pesadelo. Então ele a abraçou, fazendo-a sentir-se segura, protegida... e querida.


Logo antes do amanhecer a castanha acordou. Inspirando fundo, ela sentiu-se repentinamente bem. Devagar, abriu os olhos e reconheceu o próprio quarto. Um braço forte rodeava-lhe a cintura.


― Draco? ― chamou baixinho, o rosto encostado ao peito largo do marido. As lembranças começaram a voltar, depois das horas seguidas de total confusão. Lembrava-se da visita à viúva Cassandra, da volta a Dunmurrow, de haver jantado com Draco... e dos pesadelos horríveis.


A viúva tinha-lhe dado uma mistura de ervas, mas podia jurar que jogara o pacote fora. Por nada deste mundo, por mais difícil e estranho que pudesse parecer, jamais teria coragem de abrir mão de Draco.


Hesitante, deslizou os dedos pelo peito másculo, querendo ter certeza de que aquele marido misterioso continuava inteiro e respirando, apesar de sua tentativa de exorcizá-lo.


― Hermione? Você está se sentindo bem agora?


Ela acenou com a cabeça, comovida demais para confiar na própria voz. Como pudera ter sido tão idiota? Como fora capaz de desejar romper o encantamento que os ligava um ao outro? Ah, como desejava não ter sequer ouvido falar da viúva Cassandra.


― Por quê? ― Draco perguntou num tom rouco e emocionado.


Será que ele sabia da história toda? Sentia-se envergonhada de ter procurado a curandeira e embaraçada pela própria fraqueza e estupidez. Nunca deveria ter trazido o embrulho para casa porque de algum modo as ervas haviam ido parar em seu estômago, pondo-lhe em risco a saúde, a paz de espírito e a trégua com o marido.


― Para que servia a poção? ― estava claro que ele seria persistente na sua busca de explicações. Embora soubesse que precisaria dizer alguma coisa que justificasse sua atitude, Hermione não suportaria contar a verdade. ― Era um purgante para livrá-la de nosso Filho?


― Draco! ― ela exclamou horrorizada. ― Eu jamais, faria uma coisa dessas! ― o fato é que a ideia de um filho não lhe passara pela cabeça, apesar de ser uma consequência natural depois de haverem estado juntos...


Um bebê... Como seria o filho do Cavaleiro Vermelho? O pensamento trazia embutida uma série de novas preocupações, mas a castanha simplesmente as ignorou. Havia feito uma escolha e era tarde demais para voltar atrás, à vida antiga, a vida sem Draco Malfoy.


― Você está dizendo que eu estou grávida?


― Não. Ainda é muito cedo para saber, a menos que sua menstruação esteja atrasada.


A castanha corou e baixou, a cabeça.


― Mas eu poderia estar grávida, não é? Embora seja possível que esse meu mal estar tenha... matado o bebê. Oh, Draco, eu não queria tomar nada, juro! Foi tudo tão estranho, como num sonho... Fui visitar a senhora Trelawney para conversar sobre medicamentos e quanto voltei Ginevra encontrou um pacote de ervas dentro da cesta. Eu o joguei no chão e saí com Filch para resolver um assunto. Ginevra deve ter presumido... Oh, Deus, não vou suportar se fiz mal ao bebê...


― Ainda é muito cedo para saber. ― Draco abraçou-a com força, parecendo aliviado.


Ela retribuiu o abraço, jurando a si mesma que o marido jamais saberia que aquela poção tinha como objetivo arrancá-lo da sua vida.


― Você quer... filhos?


― Sim, claro ― ela respondeu aconchegando-se de encontro ao corpo forte.


― Então iremos começar a fazê-los assim que você se sentir melhor. Vou amá-la vezes e vezes sem conta, esposa, até que minha semente esteja firmemente plantada nas suas entranhas.


A promessa apaixonada a fez estremecer da cabeça aos pés, confirmando o quanto aquele homem a fascinava. Era um fascínio tão real que superava qualquer feitiço ou encantamento.


― Você não vai aceitar mais nada da curandeira da aldeia. São mulheres tolas ou ainda pior.


― Não se preocupe, estou curada.


 


 


 

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Comentários: 2

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Enviado por Carla Balsinha em 21/11/2013

alô querida!primeiro,quero pedir-lhe desculpas por não ter comentado antes,tenho estado de cama com gripe e hoje é que me senti um bocadinho melhor e vim á net e aproveitei para ler o capítulo....

continuo muito curiosa em relação ao draco....coitada da hermione,ser corrida da quarto a meio da noite,ninguém merece....

aqui,está a ficar muito frio....

beijinhos grandes....

Carla Cascão

Nota: 5

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Enviado por M R C em 18/11/2013

eu preciso dizer que dei um gritinho de alegria quando vi que atualizou hoje.
sério autora, eu tive um dia muito estressante (sou advogada, então voce já pode imaginar como sou estressada, mas hoje foi muiiiitooooo pior que o normal...hahahha) e quando vi que tinha novo capítulo...uauuu..fui direto ler...
e me acalmei....me diverti muiitooo...

eu nem fiquei com muita raiva do draco nesse capitulo.
já imaginava que ele fosse dispensá-la do quarto ....

to intrigada com essa curandeira ai que surgiu...será que ela quer vingança contra o draco ??

de qualquer forma esse final foi lindo demais...
ele querendo um filho com ela....e dizendo que vai se empenhar nisso agora...aiii muito fofo =]


to super feliz de ver que tá sempre com capitulos novos!
já to ansiosa pro proximo....
espero que nao demore....hahahahha.,..abusadaa!

beijos                

Nota: 5

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