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Visualizando o capítulo:

21. As primeiras lembranças


Fic: A decisão de Hermione Granger


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Gente, muito obrigada pelas visualizações e comentários, especialmente Thaiana e Katiniss......Bjuss e Feliz Natal....


Capitulo 21 – As primeiras lembranças


 


Essa é minha mãe


Esse é meu pai


Assim era para ser


Essa é a idéia


 


Mas o que aconteceu?


Minha família se despedaçou


Como um cristal


No vácuo do universo


 


Por que você me machucou


Por que me fez chorar


No frio daquela noite


Congelando meu olhar


 


Você me fez cair


Fez meu coração pesar


Olhei para o lado


Sem saber para onde andar


 


A raiva nasceu em teus olhos


E em minha mãe você bateu


E eu a vi sangrando


Sem saber o que aconteceu


 


Você pensa que sou surda


Você pensa que sou cega


Mas não sou e


Isso não é um simples pega pega


 


É a minha vida


A minha historia


Lutarei com todas as minhas


Forças para ter a vitória


 


No meu coração eu tento preencher com amor


O que você preencheu com ódio


Só que meu coração pulsa


Como o tique-taque do relógio.


 


Seu tempo acabou


Sua máscara caiu


No mar de lágrimas minha memória afoguei


E ali a verdade eu achei


 


Você jamais existiu


Era um fantasma


Uma lembrança, um pesadelo


Que quero apagar de meu coração


 


Novamente você vai tentar


Mas enquanto eu não desistir


Minha vida você não vai tirar


 


Autora: Ana Scully Rickman


 


 


O pequeno frasquinho encontrava-se vazio e Hermione estava dentro de uma casa que jamais vira em sua vida, nem mesmo nas lembranças que tinha assistido. Ela era simples, não era uma mansão, mas também não era uma casa caindo aos pedaços como aquela na rua da fiação. Ela era de tal modo, aconchegante.


Na sala onde Hermione estava tinha uma lareira simples sem nenhum quadro enfeitando. As janelas estavam todas fechadas com grades e as cortinas estavam fechadas também e eram cruas em suas cores sem vida.


Na cozinha não tinha nada que chamasse a atenção por isso Hermione resolveu subir ao segundo andar, onde provavelmente ficavam os quartos. Ao chegar aos últimos degraus ela ouviu uma voz linda que vinha do corredor. Uma voz fina e doce. Uma musica de ninar era cantava bem baixinho. Hermione andou devagar até o último quarto do corredor e entrou pela porta aberta. Eillen estava ali, deitada na cama com um bebezinho ao lado e ela cantava para ele que sorria cada vez que ela lhe fazia carinho em seus ralos cabelos negros.


Era difícil não reconhecer Snape e Hermione achou que era a primeira aluna a vê-lo em seus primeiros meses de vida. Era lindo com seus cabelos bem lisinhos contrastando com sua pele pálida, mas nada se comparava com seu lindo sorriso tão puro, igual o de todas as inocentes crianças. Era isso que ele era naquele momento, ali não havia o Snape adulto que carregava marcas e segredos, somente um inocente que nada sabia de seu negro futuro.


Hermione permaneceu no quarto enquanto Eillen cantava, cantava até ela mesma adormecer, a imagem só mudou com o pequeno Snape adormeceu acordando algumas horas depois ainda envolto aos braços da mãe. Ele levantava as perninhas segurando o pé com as mãozinhas pequenas e gordinhas. A grifinória estava adorando olhar para ele, mas um movimento no canto dos olhos a fez olhar para a porta e ver Thobias Snape entrar no quarto com uma garrafa de wisky na mão, sua aparência antes tão bonita agora era grotesca, ele perdera a beleza que dera ao seu filho, seu rosto estava com a barba por fazer, havia engordado um bocado, quase não parecia mais o Thobias por quem Eillen se apaixonara. O pequeno Snape estendia a mão para ele na esperança que o pegasse e brincasse da mesma forma que sua mãe, mas Thobias nem ao menos o olhava, parecia não perceber a pequena criatura na cama, seus olhos estavam voltados para a mulher dormindo e Hermione pode perceber que ele beirava o ódio.


- Está boa a sua soneca? – Perguntou alto acordando a mulher que levantou assustada.


- Thobias?!


- Por que a comida não está pronta e você está dormindo?


- Desculpe, eu coloquei o bebe para dormir e acabei dormindo junto. Sinto muito


- Está bem, deixe o menino e vai fazer a comida, agora.


Ele olhou para Severus que ainda mexia-se na cama pedindo colo para a mãe que, relutante, olhava dele para o marido.


- O que vai fazer?


- Ele é meu filho, tenho o direito de fazer carinho nele.


- Thobias


- Vai fazer a comida.


- Thobias, por favor.


- Agora!


Hermione tapou a boca com o susto que o tapa dado a fez tomar. Eillen caiu no chão de madeira com a mão na bochecha vermelha. Ela queria levantar e enfrentá-lo, Hermione sabia disso, mas Severus era muito pequeno e ela não ousaria colocá-lo em risco, por isso levantou-se sem dizer nada e saiu do quarto deixando o filho nas mãos do pai. Thobias sentou na cama e deu um longo gole na garrafa antes de pegar Severus no colo e o balançar devagar.


- Olha só você, tão pequeno – Bebeu mais – Tão feio, não acredito que seja meu filho.


Ele levantou segurando o bebe pelo bracinho frágil. A criança, sem saber o que estava acontecendo fez a única coisa que era capaz de fazer, começou a chorar, um choro agonizante. Snape já estava vermelho de tanto chorar quando Eillen apareceu correndo com um pano de prato na mão, Hermione percebeu que Thobias provavelmente não gostava que ela usasse magia, pois em nenhum momento viu a varinha da bruxa.


- Thobias, o que está fazendo com ele?


- Nada, estou brincando com nosso filho.


- Thobias, por favor, solte-o.


- Por quê?


- Por favor, Thobias, você o está machucando, é apenas um bebe. Solte-o por favor


- Está bem, não queria segurá-lo mesmo, ele me dá nojo.


Hermione levou a mão a boca novamente quando Thobias soltou o pequeno bebe que caiu no chão e ficou deitado de brussos, chorando a plenos pulmões. Desesperada Eillen correu até ele e o pegou no colo tentando acalmá-lo


O pequenino Severus Snape caiu no chão e continuou chorando em plenos pulmões. Desesperada Eillen correu até ele e o pegou no colo tentando acalmá-lo.


- Calma filho, mamãe está aqui, mamãe está aqui.


Ela segurava o pequeno Snape bem perto de seu rosto e chorava junto com o filho tentando fazê-lo se acalmar quando ela mesma estava desesperada. Em um canto do quarto, paralisada, Hermione chorava enquanto assistia a tudo aquilo.


Mais uma vez a imagem mudou e ela viu Eillen sentada na cama chorando quando Thobias entrou


- Por que fez aquilo Thobias?


- Porque você mandou que eu o soltasse.


Eillen chorou mais uma vez sentando-se no chão e escondendo o rosto nas mãos.


- Pare de chorar, já chega ter que agüentar o choro dele.


Eillen tentou inutilmente engolir o choro, mas falhou e logo estava no chão com a mão dele apertando sua garganta.


- EU MANDEI PARAR.


A cama foi revirada quando Thobias pulou por cima dela jogando Eillen no chão e batendo nela.


Hermione chorava compulsivamente com dó da mulher, dó da mãe de Snape e da própria criança. Mais uma mudança e ela estava novamente no quarto dessa vez era noite alta. Snape mexia-se no berço quase pegando no sono e Eillen estava parada olhando pela janela o rio imundo. Thobias entrou no quarto enxugando os cabelos molhados do banho recém tomado. Não vestia nada para pleno horror de Hermione, por sorte o pequeno Snape estava quase dormindo e a imagem não estava plenamente focada, mas era possível saber o que eles estavam fazendo e falando.


Thobias se aproximou da mulher na janela e a abraçou por trás passando a mão pelo seu corpo, pegando e apalpando os lugares mais íntimos.


- Thobias, por favor.


- Você não vai negar. Você só tem a mim agora, sua família lhe abandonou, então não me deixe nervoso querida.


Ele a jogou na cama e a possuiu com selvageria. Eillen chorava sentindo dor e Hermione escondia o rosto com as mãos não querendo ver o que acontecia.


- Pare – Gritou Hermione – Pare, por favor, pare.


Hermione estava jogada no chão do quarto rosa da mansão Snape, ela chorava tentando esquecer o que tinha visto nas lembranças.


Pobre Eillen


Somente após alguns minutos ela conseguiu se recompor e levantar. Ao abrir os olhos ela percebeu que saíra da lembrança. Mas ainda assim não conseguiu se mover muito, ela apoiou as mãos na prateleira ao lado e respirou fundo. Como era triste saber que tudo aquilo estava na mente de Snape, todas aquelas lembranças desde que era muito pequeno. Ela mesma não se lembrava de quando tinha menos de um ano. Receosa sobre o que poderia chegar a ver, ela aproximou-se da bancada e pegou o terceiro vidrinho.


“ Minha infância – Meu inferno”


Sua mão tremia quando jogou o liquido na penseira. Ela fechou os olhos e mergulhou novamente no conteúdo da penseira, dentro das lembranças de Snape. Ela esperou alguns segundo antes de abrir os olhos e se ver na mesma casa de antes e exatamente na mesma sala. Parecia que nada havia mudado e que nenhum tempo havia passado, mas passou e a criança encolhida no canto abraçando as pernas era a prova de que Hermione voltara em uma lembrança uma pouco mais nova que a anterior, afinal Snape já era uma criança crescida. Era impossível não reconhecer seus olhos negros. A menina se aproximou um pouco e percebeu que não conseguia nem ao menos ouvir a respiração do menino, era como se ele não quisesse existir, mas de repente Hermione pôde ouvi-lo ofegar e seu olhar mudar de vazio para temeroso ao fixá-lo em um ponto do outro lado. Snape começara a tremer de leve e Hermione, com a testa franzida, seguiu o olhar do menino e viu o motivo de tanto medo.


Thobias Snape acabara de entrar na sala, vindo da cozinha com uma garrafa quase vazia na mão, Hermione teve certeza que ali dentro deveria ter alguma bebida alcoólica do mundo trouxa, bem mais forte do que a do mundo bruxo. O homem aproximou-se dois passos e Hermione estudou bem o seu rosto, Thobias Snape não parecia mais com aquele jovem bonito que ela vira nas primeiras lembranças. Ele agora estava mais velho, claro, mas seus olhos e sua expressão eram de um homem de meia idade. Era frio e rígido, seus olhos chegavam a ser cruéis.


O menino continuava sentado no chão tremendo de leve olhando para o mesmo ponto na outra parede. De repente Hermione também tremia, pois ela mesma estava com medo daquele homem, e ela estava em uma lembrança, não aconteceria nada com ela, no entanto com o menino...


O coração da grifinória já estava em pedaços e começava a esfarelar quando viu Thobias mandar que o menino levantasse. Já saia lágrimas dos olhos âmbar dela. Snape levantou devagar sem tirar os olhos do pai, ele era tão magrinho e mirradinho, seu cabelo preto como o céu noturno escorrido até os ombros. Seu rosto já demonstrava os traços do Snape adulto, aqueles traços duros e vazios que Hermione conhecia tão bem e amava cada dia mais. Ele era alto para um menino de seis anos, mas era lindo, vestia um terno preto com uma camisa branca por baixo. Não era demais para um menino daquela idade? Não era medo demais que ele demonstrava em seus olhos?


Thobias se aproximou dele até ficar bem perto e ordenar que o mesmo olhasse para ele, pois Snape baixara a cabeça e começara a olhar fixamente para os sapatos gastos que usava. Snape era tão baixinho, comparado com o pai, que parecia que ele estava tentando olhar para o céu. Hermione sentia muita vontade de lhe dizer que futuramente ela olharia para cima para vê-lo, mas isso era impossível.


Nada aconteceu durante alguns minutos a não ser o silêncio. Thobias não falou nada por um longo tempo, seus olhos negros apenas fitando o filho que ainda tremia de medo do pai.


- Eu já disse à você que não quero saber de magias dentro de casa, não disse?


Snape não respondeu.


- Responde!


- Si... sim senhor – Disse trêmulo.


- Então por que fez?


- Eu...eu


- Você me desobedeceu.


- Não – Snape balançava a cabeça negando – Eu não fiz aquilo.


- Fez sim, não minta para mim.


- Eu não estou mentindo


- Está sim, você quebrou o espelho do meu quarto.


- Não quebrei, não sei como...


- Não minta para mim seu imprestável.


- Eu não...


- Calado.


Snape calou-se de imediato baixando os olhos para os pés novamente.


- Olhe para mim. Eu já disse milhões de vezes para que não faça isso, mas parece que não fez muito efeito em você, terei que fazer com que entenda melhor.


- Por favor, pai.


- Não me chame de pai – Disse Thobias ficando vermelho de nervoso.


- Desculpe senhor.


- Vire-se, abaixe as calças e apoie as mãos na parede – Snape hesitou – Agora!


Hermione já chorava encostada em um canto da sala, mantinha a mão na boca para segurar um grito que ela sabia que poderia dar, mas mesmo assim não conseguia.


Foi difícil ver Snape abaixar as calças e levantar a camisa branca deixando a parte de baixo totalmente nua onde Hermione viu que tinha recentes marcas vermelhas. Thobias nem ao menos se incomodou com isso, apenas tirou o cinto da calça e juntou as duas pontas. Ela não podia ver aquilo, não conseguia. Hermione tapou os olhos quando a primeira cintada estralou na pele pálida do menino. Snape não gritou nem chorou, agüentou as primeiras cintadas até que o sangue começou a escorrer por suas pernas.


Hermione ouviu um gemido fraco escapando dos lábios da criança, lábios mordidos quando a última cintada foi dada com tanta força que ele foi ao chão.


- Não chore, aprenda a ser homem – Thobias pegou Snape pelo queixo e apertou – O mundo não terá dó de você. Acha que isso é muito? Isso não é nada, aprenda a ser forte e não ligar para nada que tenha que fazer ou que façam a você. Seja duro e impenetrável como uma pedra.


Thobias o largou no chão e foi para a cozinha colocando o cinto de volta na calça. Após alguns segundos Hermione abaixou a mão e olhou para o quarto, estava tudo em silêncio e se fechasse novamente os olhos poderia pensar que estava sozinha, mas não estava. No chão, pequeno e maltratado estava Snape ainda de calças arriadas. Respirando fundo Hermione se aproximou do menino. O olhava com tanta pena que beirava o pecado, mas era impossível não ter dó dele quando o via daquela forma. Ela se abaixou bem perto dele e queria muito pegá-lo no colo e abraçá-lo até que toda a dor que ele sentia fosse embora. O pequeno Snape estava deitado de bruços e ela percebeu que ele murmurava algo, se aproximou mais e o ouviu falar baixinho repetidas vezes:


- Como uma pedra, como uma pedra, como uma pedra.


Era tão cruel que não pudesse fazer nada, mas aquilo era uma lembrança, uma coisa passada, ela nem ao menos existia quando o pequeno menino teve que passar por esses momentos de dor. Naquele momento Hermione entendeu um dos motivos porque Snape sempre voltava para seu posto de espião quando era preciso. Ele era forte como uma pedra e fora seu pai que o ensinara à ser assim, a achar que não merecia ninguém e que sua vida não valia nada.


Hermione negou-se a sair daquela lembrança, pois queria de alguma forma, que ela sabia ser inútil, demonstrar que ela estava ali e que ele não estava sozinho como realmente estivera durante anos. Sem ninguém para consolá-lo. Sem ninguém para dar-lhe um beijo e dizer que aquilo iria passar. Ninguém para salvá-lo do pai e da vida que tinha.


Ninguém


Depois de algum tempo que as imagens pareciam passar voando Snape finalmente se mexeu levantando-se devagar sem fazer barulho, sem gemer uma única vez enquanto vestia as calças por cima dos machucados que ainda sangravam. Não haviam lágrimas em seu olhar, havia apenas o vazio que ainda hoje ela conseguia ver em seus olhos.


Ele mancou até o segundo andar e entrou no quarto de sua mãe que estava no chão também. Seu rosto estava totalmente machucado e seu corpo nú apresentava hematomas e cortes profundos.


- Mãe – Chamou Snape baixinho deitando-se ao lado dela e segurando em sua mão – Mãe.


Ele chamou até que ela abriu os olhos e sorriu fraco para ele


- Está tudo bem Severus.


Snape permaneceu ao lado dela durante todo o tempo. Hermione sentiu-se ser puxada novamente e mais uma vez estava no chão chorando. Chorando por ele, chorando pela dor dele. Como pode existir alguém como aquele homem? Como ele pôde fazer aquilo com o próprio filho?


Ela não ousou se levantar naquele momento, sabia que suas pernas não sustentariam o peso que seu coração agora carregava. Quando se sentiu forte o bastante para levantar ela o fez olhando para o frasquinho que acabara de ver. O colocou bem longe dela tentando afastar aquela lembrança sabendo que seria impossível esquecer. Aquela dor dele já estava nela.


Impregnada como uma droga


Mais um frasquinho


Mais uma memória


“Lily, o anjo que apareceu em minha vida”

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Comentários: 2

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Enviado por Thaiana Tolkki Snape em 25/12/2012

Ah, e já ia esquecendo. Adorei os versos do começo, Aninha. Parabéns *--*

Nota: 5

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:: Página [1] ::

Enviado por Thaiana Tolkki Snape em 25/12/2012

Quando a gente vê o que ele passou é perfeitamente possível compreender a pessoa em que ele se transformou. Frio, fechado, transtornado. Pior é quem diz odiá-lo sem saber 1/3 do que o Sevie passou /bubu

KDKDKD MAIS.

Nota: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

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