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ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

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7. Capítulo VII


Fic: The Devils bride - Epilogo postado


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Oi, oi povo!! Bora ler mais um capítulo?


 


 RiemiSam: Seja bem vinda! Aproveite o capítulo. ^^



Lembre-se, comentar nunca é demais!


 


Bjs, uma boa leitura!


 




*****







Depois que Hermione saiu, Draco continuou sentado, imerso na escuridão, analisando o comportamento da esposa. Desde que a recebera em Dunmurrow, passara a viver apenas para aqueles breves encontros durante o almoço e o jantar, mesmo tendo consciência de que cortejava o perigo. A verdade é que não conseguia agir de outro modo. Evitar a presença dela seria como cessar de respirar. Aos seus olhos, ela se tornara o símbolo da própria vida. Se um dia ele pensara em cavalgar ao encontro da morte, hoje descobria que queria viver. Apesar de tudo, queria viver.


A voz suave, o perfume doce e feminino, o atraíam de maneira irresistível. Adorava ouvi-la falar, com seu jeito calmo e eficiente, sobre as tarefas desempenhadas ao longo do dia. Durante aquelas conversas, quase chegava a acreditar que eram marido e mulher de fato e que ele era um homem como qualquer outro. Embora soubesse que seria impossível continuar como estavam indefinidamente, não tinha forças para reverter a situação.


Uma batida repentina à porta obrigou-o a mudar o rumo dos pensamentos.


― Entre ― ordenou, esperando Filch.


Ao perceber que não se tratava do servo e sim de um de seus vassalos, sentiu-se mais animado.


Em duas passadas largas foi ao encontro do homem que lutara ao seu lado inúmeras vezes, do homem que agora treinava seus soldados e cuidava das suas terras, o homem a quem considerava seu melhor amigo.


― Você demorou a vir! ― exclamou, dando um tapa forte e cordial nas costas de Blaise.


― Pelo visto, demorei muito mesmo. No momento em que coloquei os pés na aldeia, fiquei sabendo das novidades sobre o seu casamento. Que história é essa?


― É verdade, estou casado. Graças a uma manobra de Dumbledore.


― Você deve estar brincando!


― E por que deveria brincar com um assunto sério?


― O que sua noiva disse? Ela sabe de tudo?


― Não! ― Malfoy respondeu secamente. ― Não sabe e nem vai descobrir.


― Mas como você conseguirá esconder um segredo desses? ― Blaise parecia realmente assombrado.


― Como sempre fiz. Não se preocupe com isso. ― de súbito ele queria que seu vassalo estivesse em qualquer outro lugar, menos ali, em Dunmurrow. Também experimentava um sentimento estranho de posse em relação à esposa, Que ninguém ousasse questionar aquela união; nem mesmo Blaise!


Num esforço para controlar a raiva e fixar os pensamentos em questões mais produtivas, Draco mudou de assunto.


― Que notícias você me traz das minhas terras e dos meus homens?


 


 


 


Hermione vestiu uma de suas roupas mais velhas. Tinha muito trabalho a fazer hoje. Além do mais, se estivesse bem ou mal vestida ninguém iria reparar mesmo. Muito menos seu marido. A escuridão os impedia de enxergarem um ao outro. Aliás, se Filch não a acompanhasse até a porta dos aposentos do barão, poderia fazer as refeições nua em pelo e Draco nada notaria!


A ideia ridícula a fez sorrir. Até perceber que o contrário também poderia acontecer. Com o rosto em fogo, a castanha tentou imaginar aquele homem enorme sem uma única peça de roupa no corpo. Oh, Deus, não era possível que estivesse gastando tanto tempo e energia pensando no Cavaleiro Vermelho, em especial de maneira tão imprópria. Determinada a afastá-lo da mente, terminou de se arrumar e preparou-se para enfrentar as tarefas que a aguardavam. Não valia a pena alimentar ilusões, principalmente depois de ontem à noite, quando Malfoy deixara claro que não a desejava. A rejeição sofrida continuava a incomodá-la.


Rejeição sofrida? Ela inspirou fundo, chocada com o rumo de seus pensamentos. Não era possível que estivesse chateada com o fato de Draco ter lhe negado um beijo. Não era possível que se sentisse ansiosa por um simples toque do Cavaleiro Vermelho. Talvez Molly tivesse razão quando dissera que ela havia sido enfeitiçada...


Precisava admitir que pensava em Malfoy com uma frequência assustadora. E o pior é que lembrava-se muito bem de como praticamente implorara por um beijo de boa noite. Quem sabe não agira assim por estar sob os efeitos de algum encantamento e, portanto, fora de si?


Uma poção do amor? Hermione riu ao tentar imaginar a figura alta do marido diluindo ervas estranhas no seu cálice de vinho ou então espalhando pós desconhecidos sobre a sua comida. Não, Draco nunca faria isso simplesmente porque não parecia ter o mínimo interesse em ganhar a atenção da esposa!


Só podia estar ficando maluca por se deixar influenciar pelas suspeitas ridículas de Molly. A cada dia que passava a serva aparecia com uma nova história de horror sobre o Cavaleiro Vermelho, entretanto, desde que pusera os pés em Dunmurrow, nunca o vira usar os tais poderes da magia negra. Draco jamais mencionara feitiçarias, exceto em tom de brincadeira, e se no castelo existia um lugar oculto, para a prática de bruxarias, também nada tinha descoberto até agora.


Cansada de trançar os cabelos, a castanha abaixou as mãos e soltou os fios. Por que se dar ao trabalho de fazer um penteado quando ninguém em Dunmurrow iria fazer a distinção entre um penteado próprio às mulheres casadas e outro típico de solteiras? Se a verdade fosse dita, continuava a mesma donzela virgem de meses atrás. Olhando-se no espelho mais uma vez, fechou a porta do quarto e foi ao encontro de Molly.


Encontrou a serva na cozinha, uma expressão irritada no rosto.


― Mandei as duas aldeãs para Dunney, minha lady, como você pediu. Embora eu ache que uma única pessoa poderia muito bem fazer as compras no mercado sozinha.


― Será bom para os aldeões ver as duas mulheres juntas. Um sinal de que não há nada para temer. ― olhou ao redor, satisfeita com as modificações do salão Principal. As paredes haviam sido pintadas, o assoalho esfregado e um fogo aconchegante brilhava na lareira de pedras. Estava ansiosa para exibir seus feitos. ― Que tal se preparássemos uma ceia de natal? Apesar do pouco estoque de alimentos nas despensas, poderíamos mandar vir mantimentos de Belvry. Seria uma boa maneira de atrair as pessoas da aldeia para o castelo, você não acha? ― mentalmente ela fez as contas de quantas mesas a mais precisaria colocar no salão para acomodar a todos com conforto. Porém ao fitar a criada, percebeu que a senhora não estava tão de acordo assim com o plano. ― O que foi agora?


― Não será fácil dominar o medo dos aldeões em troca de comida e bebida.


― Bobagem. Barriga cheia costuma fazer milagres.


― Mas o problema é Malfoy, minha lady. É o próprio barão quem espalha o pavor na alma das pessoas. Nenhuma comemoração vai mudar isso, a não ser que o Cavaleiro Vermelho apareça em público. O que não vai acontecer, é claro.


― Talvez ele resolva aparecer sim ― Hermione respondeu sem muita convicção. Até onde pudera perceber, seu marido nunca saía do quarto. A súbita constatação do fato deixou-a zonza. Seria mesmo verdade?


Quando chegara a Dunmurrow, o castelo inteiro parecia encoberto pelas sombras que cercavam seu lorde. Entretanto agora, janelas haviam sido abertas e velas acendidas. Mesmo que o lugar jamais viesse a ser tão claro quanto Belvry, por causa das janelas estreitas, castiçais e tocheiros encarregavam-se de proporcionar uma iluminação adequada. A escuridão que aterrorizava Dunmurrow fora banida para longe... Exceto as sombras dos aposentos principais. E era lá que Draco ficava.


Por que será que o homem não se mostrava em público? Por que se mantinha fechado dentro da escuridão? Ela não conseguia pensar numa explicação plausível, a não ser a ideia absurda de Molly, que afirmava, com todas as letras, tratar-se de um demônio. Malfoy não era nenhum demônio... Ou era?


― O barão não vai aparecer, e você sabe disso ― a criada falou decidida.


― Fique quieta, deixe-me pensar.


― Não vou ficar quieta não. ― a senhora mal conseguia conter a agitação. ― Fico feliz que você possa se dedicar a colocar o castelo em ordem, minha lady. Porém nada deste mundo irá mudar o fato de que seu marido é o Cavaleiro Vermelho. E como se já não bastasse o próprio diabo, ainda temos que lidar com o tal do Filch. Juro que aquele homem pode estar em dois lugares ao mesmo tempo! Aposto que é uma criatura das trevas também, capaz de tomar tanto a forma humana quanto a animal para obedecer as ordens do mestre.


― Oh, pelo amor de Deus, mulher, chega! Já ouvi asneiras suficientes!


― Desculpe-me, minha lady. Mas só porque você o aceitou, não significa que o resto de nós tenha que aceitá-lo também. Como é que as pessoas podem confiar num lorde se nunca tiveram a chance de vê-lo? E o que devo dizer quando me fazem perguntas sobre o barão? Como posso explicar que mesmo depois de estar vivendo dentro deste castelo há dias só pude enxergá-lo de longe e muito mal, aliás, durante a breve cerimônia de casamento?


Molly cruzou os braços sobre o peito e ergueu a cabeça num gesto de desafio.


― Agora me diga, minha lady. Como é o seu marido? E por que ele se esconde?


Pega de surpresa, Hermione não sabia o que responder. Na verdade, seus últimos dias haviam sido tão movimentados que parara de pensar nas excentricidades do Cavaleiro Vermelho. Embora odiasse a escuridão dos aposentos principais, acabara se acostumando à eterna falta de luz. Também não acreditava que Draco pudesse ser a encarnação do mal. Contudo não conseguia evitar uma sensação esquisita ao pensar que, à exceção de Filch, ninguém em Dunmurrow ainda pusera os olhos sobre a figura de Malfoy.


Era tudo tão estranho... Porém não estava disposta a admitir suas dúvidas nem para Molly. A velha criada parecia incansável, sempre remexendo no lado escuro das coisas. Pela primeira vez, desde que chegara a Dunmurrow, pensava em mandá-la de volta para Belvry.


O problema é que a senhora ficaria de coração partido se fosse obrigada a voltar para Belvry porque a deixaria só na companhia do Cavaleiro Vermelho. Desacostumada a mentir, a castanha tentou responder a pergunta da serva da melhor maneira possível.


― Meu marido é alto.


Infelizmente Molly a conhecia bem demais para se dar por satisfeita com a resposta breve e evasiva.


― Oh, minha lady, então é como eu temia! Você ainda não conseguiu vê-lo também. Aquela criatura terrível a enfeitiçou!


― Que absurdo! Pare de dizer tanta tolice!


― Aiii! ― o grito de dor pôs um ponto final à discussão. As duas mulheres correram na direção da cozinha.


A pequena Lily chorava a plenos pulmões, enquanto a mãe procurava consolá-la.


― Uma queimadura, minha lady ― Ginevra explicou. ― Avisei minha filha, milhares de vezes para ficar longe do fogo.


― Pobrezinha... ― Hermione ajoe1hou-se ao lado da criança. ― Posso dar uma olhada? Prometo que não vou machucá-la.


― Não ― a menina choramingou. ― O machucado é muito feio. É horrível. Você pode até desmaiar só de ver.


“É muito feio... É horrível...” De repente as palavras da garota ecoaram em sua mente como um aviso. Só conseguia pensar na figura alta do marido, eternamente envolto pelas sombras. Ele devia ter um motivo para agir daquela maneira... Talvez sofrera alguma queimadura que o deixara desfigurado. Ali estava uma explicação razoável para o comportamento de Malfoy, uma explicação que não envolvia magia negra. Draco podia ter marcas horrendas pelo corpo, entretanto de uma coisa tinha certeza: seu marido não era nenhum animal.


― Tenho um estômago forte. ― a castanha sorriu e pegou a mão de Lily com delicadeza, observando a pele vermelha e repuxada na região dos dedos. ― Veja só, não foi tão grave assim. Vai sarar logo e não deixará cicatriz. Vou lhe preparar um unguento.


Ela levantou-se depressa para misturar as ervas, ainda atordoada com a ideia de que o isolamento de Draco pudesse ter causas práticas. Já vira muitas queimaduras antes e algumas, realmente, chegavam a ser assustadoras. Porém, nada, por mais horrendo que fosse, justificaria uma vida passada na escuridão.


Não, não era possível que fossem simples queimaduras decidiu, espalhando o unguento na mão da pequena. O cavaleiro Vermelho era um guerreiro temido. Talvez tivesse perdido um membro ou então fora ferido durante uma batalha, tornando-se irreconhecível. O pensamento trouxe um certo conforto. Melhor essa explicação que as histórias de magia negra. Se Malfoy mantinha-se isolado por uma questão de vaidade, quem sabe, com o passar do tempo, não conseguiria fazê-lo sair das sombras?


― Bom dia. ― o som de uma voz que não lhe era familiar a fez virar-se para trás a tempo de ver um estranho aproximando-se. Em vez de responder, a castanha ficou de pé, surpresa com a presença do desconhecido dentro do círculo fechado de Dunmurrow.


O homem, de altura mediana, era forte e tinha os cabelos negros. Um sorriso largo iluminava o rosto de feições agradáveis.


― Bom dia ― ela respondeu afinal. Estava a tantos dias afastada da civilização que quase se esquecera das primeiras regras de boas maneiras.


 


Blaise sentiu-se feliz por tê-la cumprimentado antes que a castelã de Dunmurrow o fitasse de frente. Porque agora que podia vê-la por inteiro, precisava se esforçar para não ficar de queixo caído.


A esposa de Draco era a mulher mais bela que jamais vira em toda a sua vida.


Os cachos sedosos caíam soltos sobre as costas, uma nuvem acobreada além da cintura delgada. Embora não fosse alta, tinha um corpo de linhas harmoniosas. Esguia sim, porém arredondada em todos os devidos lugares.


Rosto oval, nariz reto e estreito, lábios carnudos, doces olhos castanhos. Blaise bem que tentava desviar o olhar de tamanha perfeição, mas era impossível. Não conseguia acreditar que aquela visão fosse a esposa de seu lorde.


Draco quase nada dissera sobre o casamento, exceto que fora um arranjo de Dumbledore.


Apesar de não compreender por que o rei concederia uma esposa a Malfoy, suspeitara que se tratasse de uma donzela sem propriedades ou dinheiro, alguém que teria dificuldades para arrumar um marido. Nunca, nem seus mais loucos sonhos, lhe passara pela cabeça que Dumbledore pudesse entregar nas mãos de Draco a mulher mais bela de todo o reino. Que maluquice seria essa? Será que a donzela caíra no desagrado do rei? Seria uma bruxa?


Com certeza havia muito mais coisas naquela história do que o barão deixara transparecer. Precisava descobrir os detalhes que faltavam. Quando acordara hoje de manhã, não tivera a menor pressa de se levantar para conhecer a nova castelã. Contudo, depois que a vira, chegara a conclusão de que apreciaria uma longa estada em Dunmurrow.


 


― Minha lady, sou Blaise Zabini, o vassalo do barão. Acabei de voltar de uma viagem de rotina pelas terras de meu lorde. É um prazer estar sob as suas ordens, senhora. ― ele fez uma mesura tão elegante, que a castanha não pode deixar de sorrir.


― Eu sou Hermione Gra... Hermione Malfoy. É um prazer conhecê-lo. Seja bem-vindo.


A presença de uma nova pessoa dentro daquelas quatro paredes, em especial de alguém que adorava contar novidades e falar sobre o mundo lá fora, era como um verdadeiro raio de sol capaz de iluminar sua vida sombria. O vazio e a escuridão eterna de Dunmurrow foram momentaneamente banidos pela chegada do vassalo.


O tempo pareceu voar enquanto os dois conversavam, sentados junto à lareira. Blaise com um cálice de cidra na mão, e a jovem ouvindo-o falar sobre as terras do barão e as pessoas que viviam na aldeia. O recém-chegado parecia bastante impressionado com as mudanças operadas dentro do castelo e não poupava elogios. Tanto calor humano tornava fácil contar sobre os planos para a comemoração do Natal como uma maneira de atrair os aldeões.


― Acho que poderei ajudá-la, minha lady. Quando eu passar pelos campos e arredores, espalharei a notícia do que o barão anda. à procura de gente para trabalhar aqui.


Hermione inspirou fundo, surpresa e feliz.


― Você acha mesmo que eles virão? ― indagou ansiosa. Depois baixou os olhos e ficou em silêncio, incapaz de discutir a possibilidade de ninguém aparecer no castelo e, principalmente, por que os aldeões se recusariam a aparecer.


Entretanto Blaise parecia imperturbável.


― Sempre existem aqueles que precisam trabalhar, minha lady. Gente que não pode se dar ao luxo de escolher o serviço. Aposto que ficariam felizes em ajudá-la aqui, dentro destas quatro paredes.


De repente a castanha sorriu, sentindo uma onda de afeição e gratidão por aquele homem que mal conhecia. O vassalo de Malfoy fora o primeiro a encorajá-la e a incentivá-la desde que Pusera os pés em Dunmurrow.


 


Outra vez Blaise precisou se esforçar para não ficar de queixo caído. Se a esposa de Draco era linda séria, quando sorria tinha-se a impressão de que o próprio sol se erguia para iluminar tanta beleza. Ele quase precisou se beliscar para sair do estado de admiração profunda. Certamente aquela mulher não era nenhuma feiticeira.


― Onde é sua casa, minha lady? ― Alan perguntou, procurando uma pista que pudesse explicar a conexão entre ela e o lorde de Dunmurrow. ― Você morava perto daqui antes do casamento?


― Não. Venho de longe. De um lugar chamado Belvry. Por acaso você já ouviu falar?


Belvry? Quem ainda não tinha ouvido falar de Belvry? Uma das propriedades mais prósperas de todo o oeste.


― Sim, já ouvi falar de Belvry, embora jamais tenha estado lá. Dizem que é muito grande e bonito.


― Oh, não é apenas grande ― Hermione falou orgulhosa. ― É também espaçoso e bastante confortável. Claro que se trata de uma construção bem mais nova do que Dunrnurrow. Foi meu pai quem construiu o castelo, antes de eu nascer.


― Então você é uma Granger? ― apesar do esforço, o vassalo não conseguiu esconder o tom de surpresa na voz. Caía por terra sua segunda teoria, a de que tratava-se de uma donzela sem dote. Pelo contrário, era uma mulher muito rica. Como é que viera parar aqui... junto com Draco?


― Você estava sob a guarda de Dumbledore? ― melhor deixar os subterfúgios e partir para as perguntas diretas.


― Não exatamente. ― pela maneira como a castanha respondeu, ficou claro a ausência de afeto entre ela e o rei. ― Embora Dumbledore tenha... tomado um certo interesse por mim depois da morte de meu pai.


O quê? Será que o rei cobiçara as terras dos Granger? Embora a educação lhe segredasse que estava na hora de parar com as perguntas pessoais e indiscretas, Blaise não conseguiu colocar um ponto final na investigação. Estava morrendo de curiosidade.


― E você conheceu Draco...? ― o resto da frase foi deixado deliberadamente no ar, à espera de complementação.


Porém ela ignorou a deixa.


― Nunca me encontrei com Draco antes do casamento. ― o olhar frio e altivo de Hermione o fez desejar ter nada perguntado. Ele pigarreou e mudou de assunto.


― Acho que toda essa conversa me deixou com fome, minha lady. Devo admitir que estou ansioso para testar as mudanças que você implantou na cozinha. Deus sabe que jamais elogiei as qualidades culinárias de Dunmurrow antes, porque eram inexistentes.


Quando a castanha riu de sua careta, Blaise suspirou cheio de alívio. Fora perdoado.


De repente o vassalo se deu conta por que motivo Draco andava tão irritadiço, como uma fera enjaulada. Lady Malfoy era capaz de fazer qualquer um perder a cabeça. A beleza perfeita, a voz suave, as maneiras elegantes, o perfume delicioso... Tudo aquilo poderia enlouquecer o mais controlado dos homens. Ele mesmo, por exemplo, seria o primeiro a ceder a tantos encantamentos. Mas o que dizer do terrível Cavaleiro Vermelho?


Hermione ordenou que o almoço fosse imediatamente servido no salão sem ao menos esperar que Filch aparecesse para conduzi-la à presença do marido. A verdade é que queria escapar da atmosfera sufocante dos aposentos principais. Comer num local iluminado, na companhia de uma pessoa extrovertida, era uma pausa à escuridão e ao peso de Dunmurrow.


Ainda assim, sentia-se culpada.


Apesar de seus esforços para não comparar Blaise ao marido, ela sabia que os dois homens eram tão diferentes entre si quanto a água do vinho ou o dia da noite. Para começar, havia o pequeno detalhe de que podia enxergar o vassalo. Vê-lo mover-se, observá-lo, avaliar as expressões dos olhos e do rosto. Algo que sempre dera como garantido em sua vida e que depois da chegada a Dunmurrow transformara-se numa raridade.


Para completar, Zabini parecia de fácil convivência. Ele não a fitava com o desejo nojento dos cavaleiros da corte, nem com a desaprovação do emissário do rei. Também não a tratava com a hostilidade velada tão frequente no comportamento de Malfoy. O vassalo a tratava com a consideração de um amigo e seus elogios eram recebidos com prazer, pois nos últimos tempos vivia cheia de dúvidas a respeito de si mesma. Para alguém que sempre mantivera distância dos outros, Hermione bebia aquela atenção com a sofreguidão de uma pessoa sedenta.


― Minha lady ― Blaise empurrou o prato para o lado e sorriu ― Eu suspeitava que a comida do castelo tivesse melhorado, porém nunca me passou pela cabeça que a melhora fosse tão espetacular. A refeição estava deliciosa. Acho que vou ter que manter os homens aquartelados longe daqui para evitar que se tornem gordos e preguiçosos, incapazes de cumprir as suas obrigações.


A castanha riu baixinho, apesar de Molly não demonstrar o mesmo entusiasmo.


― Por que os homens estão aquartelados distante daqui? ― a criada indagou num tom desconfiado, carregado de suspeitas.


― As terras do barão são de grande extensão, englobando várias aldeias e muitas casas ― Zabini explicou sem hesitar. ― De qualquer forma, não precisa se preocupar, Molly. Jamais nos distanciamos além de um determinado limite. Há sempre soldados no castelo, embora não tenhamos motivos para esperar um ataque inimigo.


A ideia de que alguém seria louco o suficiente para atacar o Cavaleiro Vermelho em seu próprio covil quase fez Hermione cair na risada. Desde que chegara a Dunmurrow experimentara muitas sensações estranhas, mas nunca se sentira desprotegida. Era impossível imaginar a existência de um homem corajoso o suficiente para ignorar os rumores terríveis que cercavam Draco Malfoy ou então forte o suficiente para enfrentá-lo numa batalha.


― Se você está preocupada, posso mandar um homem para protegê-la. Ele será uma espécie de guarda pessoal ― sugeriu o vassalo.


― Aceito o oferecimento, obrigada. ― e pela primeira vez em muitos dias, a serva pareceu realmente sensibilizada.


Alguns segundos de silêncio se passaram e foi Blaise quem tornou a falar.


― Bem, minha lady, agora que já me satisfiz com essa comida deliciosa, acho que preciso de um pouco de exercício. Creio que uma cavalgada seria ótimo. Você já conhece os arredores de Dunmurrow? Gostaria de me acompanhar?


A jovem ficou imóvel, a perspectiva de andar a cavalo enchendo-a de satisfação. Cavalgar era um prazer tão simples, algo que sempre fizera até sair de Belvry, e algo de que sentia muita falta.


― Sim ― respondeu, resistindo à vontade de correr para o estábulo no mesmo instante.


 


 


Protegida por uma pesada capa de pele, finalmente partiu a galope, atrás de Blaise, pensando que aquele dia estava transcorrendo de uma maneira bastante diferente do que imaginara ao se levantar.


Dali em diante não iria se negar este prazer outra vez. Quer tivesse que arrastar Zabini para um passeio ou implorar a Draco para designar um de seus homens como acompanhante, iria cavalgar diariamente. Sentia-se como alguém voltando à vida depois de ter passado uma eternidade enterrada.


Sentia-se culpada também.


Enquanto se afastavam do castelo, Hermione lançou um olhar rápido para trás, imaginando quais das janelas estreitas pertenciam aos aposentos principais. Por um momento experimentou a sensação inquietante de que o Cavaleiro Vermelho espreitava. Estremecendo, baixou o olhar e impeliu o cavalo para frente.


As terras que lhe pareceram tão sombrias no dia de sua chegada, agora davam a impressão de possuir uma beleza crua, intensa. Porém, o que mais a encantou foi a floresta plantada nos arredores. Familiarizado com a região, Blaise apressou-se a lhe mostrar uma lagoa bem no meio das árvores.


― É linda ― a castanha murmurou admirada.


― Sim...


Os dois permaneceram em silêncio durante vários segundos, ouvindo o barulho da água, o canto dos pássaros, os sons da vida animal ao redor.


Ela não tinha dúvidas de que a lagoa seria um lugar delicioso para se banhar no verão. Não, que bobagem. Quando o verão chegasse, muitas mudanças haveriam ocorrido. Com certeza estaria de volta a Belvry e seu casamento já teria sido anulado. Dunmurrow não passaria de uma lembrança sombria. Afinal era isso mesmo o que ela queria, não era?


― Obrigada por me mostrar este lugar. É o recanto mais belo que pude ver até agora dentro das propriedades do barão.


― Tem razão, é lindo. Mas acho que está na hora de regressarmos ao castelo. Está ficando muito frio.


― Até que não está tão frio assim para essa época do ano ― Hermione protestou, odiando a ideia de voltar a se encerrar dentro de quatro paredes.


Percebendo-a hesitar, Zabini sugeriu:


― Bem, que tal se passássemos pela aldeia antes de irmos para o castelo?


― Os aldeões o conhecem?


― Sim. Costumo ir com frequência à aldeia, para tratar de negócios do barão.


Porque o barão não se mostrou em público, ela pensou, tentando montar as peças do quebra-cabeça. Daria tudo para entender o motivo da reclusão de Malfoy.


― Você trabalha para o meu marido há muito tempo?


― Sim, minha lady.


Então qual é a aparência de Draco Malfoy? Embora não tivesse coragem de fazer a pergunta em voz alta, Hermione sentia-se vivendo um verdadeiro tormento. Por que será que ele se esconde na escuridão? Havia tanta coisa que Blaise poderia lhe contar... Entretanto sabia que não estava certo indagar, do mesmo modo que não estava certo o vassalo responder. Lutando para mudar o rumo dos pensamentos, obrigou-se a falar da aldeia. Contudo, apesar de todo o seu esforço, o mistério que envolvia seu marido não lhe saía da cabeça. Um mistério sobre o qual Zabini poderia lançar alguma luz.


Os moradores de Dunney, apesar de aparentarem tranquilidade, não conseguiam disfarçar inteiramente a desconfiança que sentiam em relação à lady de Dunmurrow e ao vassalo do barão. Mais uma vez, a castanha encontrou aliados nas crianças e distribuiu moedas aos pequeninos. Ao perceber que Blaise a fitava, desejou do fundo do coração que fosse Draco quem estivesse ao seu lado, que o Cavaleiro Vermelho aparecesse em público e se dispusesse a ir até á aldeia para acompanhar a esposa.


Tentando ignorar a ideia absurda, ela se despediu das crianças e mandou-as brincar enquanto conversava com alguns adultos sobre os unguentos que prometera mandar a um camponês idoso que sofria de reumatismo. Sem que percebesse, o sol começou a se pôr no horizonte e Zabini a chamava para irem embora. Estava na hora de regressar a Dunmurrow.


No trajeto de volta, Hermione resolveu falar sobre aquilo que a incomodava. Depois de passar quase que o dia inteiro na companhia do vassalo, chegara a conclusão de que se tratava de um homem sincero, honesto e de bom coração. Mesmo sabendo que poderia ser injusto e até insensato arriscar uma boa amizade com indagações a respeito de Draco, precisava, desesperadamente, que alguém lhe desse certas informações. Por isso estava disposta a correr o risco.


― Os aldeões dizem que o barão nunca colocou os pés em Dunney ― ela falou devagar, observando o homem que cavalgava ao seu lado.


― Eu não sei. ― apesar das palavras soarem com naturalidade, havia algo no tom de voz masculino que não chegava a convencê-la. Blaise demonstrava afeto por seu lorde, porém não parecia disposto a discutir o comportamento do barão. ― Ultimamente não tenho passado muito tempo em Dunmurrow. Manter as terras sob controle e cuidar para que os homens estejam em perfeitas condições, caso sejamos convocados para uma batalha, me ocupa as vinte e quatro horas do dia.


― Quer dizer então que Draco não treina seus próprios homens?


― Não ― Zabini respondeu cauteloso. ― Ele costumava fazê-lo, mas desde que recebeu o castelo como recompensa pelos serviços prestados ao rei, acabou tendo outros assuntos para ocupá-lo.


Que tipo de assuntos? Alquimia? Bruxaria? Sua vontade era indagar sobre a terrível reputação do Cavaleiro Vermelho, porém achou melhor ficar de boca fechada. Embora dissesse a si mesma que não acreditava em tamanha bobagem, não podia deixar de imaginar por que motivo Draco se mantinha trancado dentro dos aposentos principais, sem nunca se aventurar no meio das pessoas, sem nunca ver a luz do Sol...


Por que ele se esconderia nas sombras? A castanha quase fez a pergunta, mas se calou a tempo. Com uma clareza que chegava a ser dolorosa, concluiu que talvez Malfoy não buscasse a escuridão quando estivesse na presença do vassalo. Ele podia muito bem receber Blaise em plena luz do dia, sem procurar esconder o corpo e o rosto num breu. Afinal parecia confiar naquele homem mais do que confiava na noiva.


Envergonhada demais para deixar Zabini saber que jamais vira o próprio marido, Hermione procurava uma maneira de consertar a pergunta que fizera momentos antes. Ali estava alguém capaz de lhe contar tudo, porém como poderia indagar qualquer coisa sem revelar sua situação bizarra? Afinal era esposa sem ser mulher. Continuava tão virgem e inexperiente como quando saíra de Belvry. Melhor ter muito cuidado, decidiu, ou acabaria pondo os pés pelas mãos.


― Sei que você conhece meu marido há anos e com certeza o tem em alta estima. Eu... eu gostaria de lhe perguntar... Por que Draco passa tanto tempo trancado dentro dos seus aposentos?


― Minha lady... ― incapaz de fitá-la de frente, Blaise fixou o olhar na linha do horizonte, onde o sol se punha devagar espalhando as sombras sobre as muralhas de Dunmurrow. ― Minha lady, não sou eu quem deve lhe dar as respostas para as suas perguntas. Vamos, precisamos estar de volta ao castelo antes da hora do jantar, ou Draco me arrancará a cabeça por ter tomado tanto tempo de sua adorável esposa.


Desapontada, a jovem inspirou fundo procurando não se deixar abater com as evasivas do vassalo. Como se o Cavaleiro Vermelho se importasse onde e com quem ela passasse as horas do dia ou da noite. Provavelmente Draco estaria satisfeito por tê-la fora do caminho. E com certeza ficaria feliz da vida se pudesse se ver livre dela para sempre.


 


 

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Comentários: 2

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por Landa MS em 06/01/2014

 Quando ela chegar em casa e perceber que ela não ficou satisfeito ela vai mudar de opinião, acredito eu. Finalmente hermione se descobrindo dendro do Castelo. Mais uma vez eu lhe oriento: Vc escreveu Edith de novo.

 

Nota: 1

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por Carla Balsinha em 09/10/2013

alô querida!primeiro,quero pedir desculpas por não ter comentado os últimos capítulos,agora é que estive a pôr a leitura em dia....temos mistério e dos grandes!

Será que vamos ter aqui "um triângulo amoroso?" e a curiosidade de hermione continua aguçada!

Mas,que beijo foi aquele,até eu fiquei sem ar!eh!!eh!!

Este site,devia ter avisos como tem o fanfiction....lembrei-me subitamente que me faltava algo....era ler a tua história!

Beijinhos grandes.

Carla Cascão

Nota: 5

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