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10. Reparo


Fic: Dez encantamentos


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Numa manhã dourada de outono, ele havia nascido. Numa manhã enevoada de outono, meu pai havia morrido. 


Algo em minha alma havia morrido junto com meu pai, e eu desconfiava que havia sido a pior parte do meu ser. 


Pois o nascimento de Flax, despertara o melhor de mim.


Xx


 


Flax era pequeno e frágil. Os dedos minúsculos na palma da mão, igualmente minúscula, formavam uma conchinha morna. O cheiro de pele limpa e um leve perfume de algum produto trouxa para bebês aromatizavam todos os lugares em que ele se encontrasse.


Eu estava com ele enquanto Hermione terminava de escrever uma carta para os seus pais. Por mais que os velhos trouxas detestassem os métodos mágicos de comunicação, era muito mais fácil para Hermione manter contato desta forma. Segundo ela, não precisaria ouvir a decepção na voz de sua mãe, ou a cobrança de seu pai, que insistia em afirmar que ela e o bebê deveriam morar com ele e a esposa, numa casa mais confortável, onde o neto teria o melhor. 


Sempre achei patética essa forma de amor, dominadora e superprotetora.


 As pessoas em geral costumam condenar os pais negligentes, os pais ausentes ou os pais frios. Mas nunca se permitem a análise dos pais superprotetores. Estes são os piores pais, os mais cruéis. Intimamente, não desejam compartilhar o filho com o resto do mundo; os filhos, para eles, não passam de seres acéfalos, sem condições de se posicionarem diante de quaisquer problemas que a vida lhes apresenta.


 Sr. e Sra. Granger eram um ótimo exemplo de pais cruéis. Criaram Hermione para vencer em todas as tarefas, ser a melhor em tudo, e então, na primeira atitude tresloucada que a filha tomou – ficar comigo, e ter um filho - , os olhares atravessados começaram, as perguntas inconvenientes, as manipulações.


 Trouxas poderiam ser perigosos de vez em quando. E eles faziam mal à ela, uma incalculável, a julgar pelos olhos inchados que sempre estavam ali, no rosto cansado.


Hermione estava escrevendo, freneticamente,  e eu continuava admirando Flax, imaginando se ele sabia a quantidade de problemas que sua chegada causara na vida da mãe.  É claro que não imaginava.


 


Ele sorria, esporadicamente, e eu sorria de volta. Estávamos nos entendendo, até a mãe dele chegar.


Virei-me, sem realmente desejar olhar para o rosto cansado e atribulado de Hermione.


“ Conversa difícil?” perguntei, assim que reparei que a ponta do nariz arrebitado estava vermelha. 


“O de sempre, você sabe.” 


Era pior quando ela utilizava-se de evasivas. Eu detestava evasivas, elas denotavam uma dose generosa de desconfiança.


“Entendo.” 


Resolvi ser evasivo, da mesma forma. O mal pelo mal era meu lema favorito. 


“Começo amanhã em Yellow Pitstone.” Eu precisava mudar de assunto, ou ficaria louco tentando compreender o que se passava na cabeça dela. Precisava também reforçar que, em breve, não seria mais um peso morto naquela casa. 


“Sabe” Ela começou, e meu estômago se contorceu em antecipação pela entonação vocal que acompanhava a palavra. “não seria tão ruim estar com meus pais... Não me entenda mal, Draco. 


“você ouviu alguma coisa do que eu disse, Hermione? Ou vamos voltar ao mesmo ponto de sempre?”


“Sim, Draco, eu ouvi. E é justamente pelo fato de que você irá trabalhar tão longe que eu vou precisar de uma ajuda extra”


“Podemos ter um elfo, e...”


“Por Merlin, Draco! Eu jamais aceitaria um elfo trabalhando em minha casa, e, bem... Não temos dinheiro para bancar alguma babá ou coisa parecida.”


“Flax tem” Falei baixinho, me lembrando de um certo compromisso fúnebre.


“ Você vai aceitar a herança dele?”


Hermione costumava respeitar boa parte das minhas decisões. Nos poucos meses em que estávamos tentando manter uma vida a dois, ela nunca fora nem subserviente, nem dominadora. Isso devia ter algo a ver com sua criação trouxa, e seus conceitos modernos sobre padrões familiares.


Entretanto, o olhar de mágoa e profunda reprovação que ela me dirigiu quando cogitei aceitar a herança que seria passada de Lucius para Flax, foi a prova de que nem sempre ela estaria de acordo com o que eu escolhesse.


“Não estou aceitando a herança dele, Hermione. Estou garantindo o futuro do nosso filho. Ele é o herdeiro, não eu. Eu não existo, lembra?”


Ela respirou fundo e deslizou os dedos pelos meus cabelos.


“ Você existe para mim, e para ele.” ela sussurrou, apontando para o berço do nosso filho. “Mas se isto é importante para você, faça. Só não permita que te consuma, não deixe de ser quem você se tornou.”


x


E eu não deixei de ser.


Na tarde do mesmo dia eu abri o testamento, e fui recolocado como herdeiro até que Flax completasse 17 anos.


Com a varinha deslizei o lema da família sobre um livro negro e grosso, talhado com gravuras antigas de serpentes e espinhos.


Narcissa estava lá, observando tudo como uma estátua de mármore, fria e pálida. Não havia sequer a sombra de uma lágrima, apenas olheiras profundas e um cansaço que não lhe era familiar. 


Senti vontade de abraça-la, como ela fazia quando eu caía das pequenas vassouras enfeitiçadas, mas contive o impulso. Talvez não houvesse esperança para nós.


Senti meu coração se rasgando enquanto terminava de selar o grande livro que definia o destino de todo o legado de Lucius Malfoy. Será que esta era a sensação de se perder uma mãe?


Acaso contava como luto? 


Eu me questionava, enquanto partia, sem olhar para trás, se um dia pararia de doer.


 


x


Na semana seguinte, enquanto estava dormindo, ouvi alguns barulhos no cômodo ao lado. Hermione estava na casa dos pais, havíamos trocado algumas farpas no dia anterior, então não me preocupei em demasia.


 Nossas discussões não eram bem uma novidade, e eu sempre desconfiei que brigávamos porque era o nosso combustível. Nos sentíamos vivos.


 


Mas desta vez ela levara Flax para a casa dos velhos, alegando que ele não receberia um galeão sequer da herança de Lucius.


Neurótica.


 Não se tratava mais de "Hermione e Draco", pois havia uma criança no meio de tudo isso. Aparentemente a maternidade consumira metade do bom senso de Hermione.


O barulho havia cessado, mas eu ainda precisava conferir o que exatamente poderia ter causado os sons incômodos. Então, caminhei até a  cozinha, descobri o que havia me despertado: Alguém, ou algum animal, havia deixado um bilhete enorme em cima da pia, com os seguintes dizeres:


 


‘ Precisamos conversar. Venha até a casa dos meus pais.‘


 


Ela estava impossível, a Hermione.


Primeiro dissera concordar com a minha decisão de abrir o testamento, depois, inesperadamente, mudara de opinião. A discussão fora completamente imotivada, como se ela estivesse tentando arrumar uma desculpa para sair de perto de mim. 


Não nego o quanto isso me machucou, e não nego que, os dizeres do bilhete me fizeram sentir um medo já conhecido, de perde-la. Não que eu me orgulhe em afirmar tal sentimento.


xx


Eles moravam na droga do centro de Londres, o lugar mais infestado de trouxas loucos que eu já conhecera na vida. Respirei fundo e, com o endereço em mãos, achei melhor enfrentar aquele monstro pegajoso chamado orgulho. 


Aproximei-me da casa tradicional, decorada com algumas flores tristes, de cores frias e não tão bem cuidadas como deveriam. Apertei a pequeno botão que ficava do lado da porta, conforme Hermione escrevera no papel. Um barulho engraçado ecoou no interior da casa.


 


Ninguém apareceu. 


 


Apertei mais algumas vezes, sem sucesso.


Até o momento em que meus olhos reconheceram uma abertura na porta, como se alguém houvesse utilizado um " Alohomorra ". Minha espinha dorsal provavelmente travou, uma sensação de mil pedras de gelo caindo no meu estômago. 


Hermione não podia ter utilizado o feitiço, era a casa de seus pais, ela provavelmente tinha a senha de entrada, ou o que quer que os trouxas utilizassem para selar a porta de suas residências. Portanto, somente uma invasão poderia justificar aquilo.


Entrei devagar, temendo o pior. Mesmo os pais de Hermione sendo tremendos imbecis, não os queria mortos, eles representavam uma parcela significativa da felicidade dela, logo, de alguma forma, qualquer tragédia que viesse atingi-los, me afetaria também.


E claro, ela estava lá dentro, e Flax. Eu não pude contar quantas batidas meu coração falhou enquanto minha mente nada sã ou inocente, imaginava as piores mortes para ambos. 


Pé ante pé,dirigi-me à sala, o primeiro cômodo da casa. O silêncio imperava no recinto, e a corrente gelada que vinha da janela principal entrava pelo espaço vago entre meu corpo e o tecido da camiseta.


 


" Hermione?"


 


Nada.


 


"Sr. e Sra. Granger?"


 


Silêncio.


 


Foi na cozinha que encontrei a cena mais inesperada de toda a minha vida.


Uma iluminação pobre e um coro de vozes que exclamaram em excitação:


 


"Surpresa!!"


 


As opções : sair correndo e pular na frente de um veículo trouxa ou fingir-me de morto me pareceram muito atraentes. Mas ver Hermione, seus pais e Flax com uma espécie de chapéu cônico estranhamente posicionado em suas cabeças, me fez perceber que se eu tentasse, seria considerado um louco, pois, aparentemente, aquilo era uma coisa comum entre os trouxas.


Mais tarde me lembrei de que era a droga do meu aniversário de dezoito anos. Uma idade importante entre os trouxas, Hermione me dissera. 


Mas eu nunca compreenderia ao certo se tentar matar alguém do coração era uma coisa boa, ou um castigo por ela estar se tornando mais velha.


 


Os pais dela haviam-na ajudado a organizar a tal ‘festa surpresa‘. De repente, eles não pareciam tão ameaçadores assim. E eu me perguntei, incontáveis vezes, o quão difícil deveria ser entregar a única filha à um rapaz problemático, desempregado, preconceituoso, arrogante, falido e rejeitado. 


Não devia ser fácil. 


Todavia, ainda assim, havia um bolo de chocolate, com alguns confeitos coloridos — que não chegava aos pés dos bolos feitos pelos elfos da Mansão Malfoy — mas representava um tapa tão forte quanto aquele que Hermione me dera no terceiro ano.


Eles estavam me aceitando, ou pelo menos tentando. Não haviam expulsado Hermione de casa. Pecavam na super proteção, eu não negaria, mas, diferente do que eu imaginava, não baniram-na da família. Por mais difícil que fosse vê-la comigo, eles não desistiram dela.


Alguns morceguinhos de papel e figuras do mundo bruxo, estereotipadas demais, conforme pedia o ponto de vista dos trouxas, decoravam a parede, junto de alguns balões verdes, e Hermione sorriu timidamente quando eu fiz algum comentário sobre a escolha da cor.


Perguntei à Hermione o porquê de a porta estar arrombada, e ela me disse, displicentemente, que havia perdido as chaves pelo caminho, enquanto voltava do mercado.


Senti vontade de xinga-la. Mas ela sorria, ainda orgulhosa por quase ter me matado de susto, e não seria eu aquele que removeria o sorriso de seus lábios.


 


xx 


 


No primeiro aniversário de Flax, Hermione encontrou um anel em sua escrivaninha. Acidentalmente. Não fez qualquer comentário sobre o fato de eu usar um parecido, tão somente sorriu e disse que adorará a surpresa. Algo me disse que ela nao estava se referindo ao fato de haver um anel em sua escrivaninha.


Eu estava apaixonado por ela. Não   tinha escolha. Mas, desta vez, não ter escolha não me pareceu tão ruim assim.


 


xx


Reparo


Ela havia consertado tudo aquilo que estava quebrado em mim. Talvez houvesse esperança para nós.

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