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7. Sete


Fic: A Garota das Poções


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Quando assistia às corridas, Hermione costumava ficar diante da tribuna de honra, bem junto à grade. Dali podia acompanhar de perto a carreira vertiginosa dos hipogrifos, unir-se ao delírio da multidão empolgar-se como qualquer outro com o espetáculo magnífico, oferecido por aqueles puros-sangues.


Em todos os páreos, o comportamento dos espectadores era sempre o mesmo: silenciavam quando os hipogrifos se aproximavam dos partidores; com a respiração suspensa, aguardavam o sinal de largada, para finalmente explodirem em gritos entusiásticos no momento em que os portões se abriam e os animais disparavam pela pista.


A agitação era contagiante. Quando os competidores entravam na curva final, cada apostador estava de pé, gritando, torcendo, como se do estímulo dele dependesse a vitória do hipogrifo que escolhera.


Hermione raramente apostava embora, graças à sua profissão, conhecesse bem as possibilidades de cada animal, mas há muito tempo aprendera a não confiar em "barbadas". Não acreditava na superioridade absoluta de um hipogrifo sobre os seus concorrentes. Durante uma corrida, muitas coisas podiam acontecer e o favoritismo de um animal nem sempre se confirmava. Nem por isso deixava de vibrar; assistir àquela exibição de elegância, vigor e velocidade, já era um prêmio por si só.


Acompanhar as corridas instalada no elegante Turf Club era muito diferente. Hermione percebeu o contraste no instante em que entrou naqueles salões quase silenciosos, onde as pessoas conversavam calmamente, lançando, de quando em quando, um olhar de desdém para a massa humana que se agitava nas arquibancadas.


Ela não conseguia imaginar nenhum daqueles homens tão bem vestidos, que estudavam com ar esnobe os programas das corridas, torcendo com entusiasmo. Com certeza, um bocejo entediado seria a única manifestação a que se permitiriam quando o hipogrifo vencedor cruzasse a linha de chegada.


Draco avistou-a assim que ela entrou e, deixando os dois homens com quem conversava, foi ao seu encontro. Atravessou a sala com desenvoltura e olhou para Hermione de um jeito, como se fosse propriedade dele, que a fez imediatamente arrepender-se de ter aceito o convite. "Sujeitinho pretensioso!", pensou, irritada por não encontrar uma forma de se desvencilhar daquela mão em sua cintura.


Hermione percebeu que várias pessoas voltavam-se para observá-los e reconheceu alguns astros do cinema e da televisão. Estar na mesma sala com pessoas tão famosas era uma situação inusitada para Hermione, mas ela procurou agir com naturalidade. Não queria parecer uma boboca, deslumbrada por estar tão perto de verdadeiros ídolos das multidões.


Portas enormes e envidraçadas permitiam uma visão panorâmica da pista e das colinas ao redor do lugar. Draco instalou-a a uma das mesas e depois foi buscar um drinque para ela, sozinha, Hermione olhou ao redor, fingindo sentir-se muito à vontade naquele ambiente tão refinado.


Felizmente ela havia conseguido arrumar um tempinho após o almoço para trocar de roupa, mas, naquele momento, lamentava não ter escolhido alguma coisa mais sofisticada. Seu conjunto de linho era muito bonito, mas de uma simplicidade quase chocante se comparado aos vestidos das outras mulheres. Em seguida, porém, irritou-se consigo mesma por ser tão tola. Aquilo não era um desfile de moda e ela não estava ali para competir com ninguém. Ela era uma mulher independente, que trabalhava para se manter e totalmente dedicada à profissão que havia escolhido. As outras, com suas roupas impecáveis e unhas tão bem esmaltadas, pertenciam a um outro mundo e tinham um estilo de vida muito diferente do dela. Por que deveria se sentir intimidada?


Seu senso de humor voltou e Hermione divertiu-se imaginando quanto tempo duraria o aspecto imaculado daquelas unhas se suas donas a acompanhassem durante um único dia de trabalho. Quando Draco voltou com um uísque e um martini encontrou-a sorrindo.


— Será que eu perdi alguma coisa? — perguntou, curioso entregando-lhe o martini.


— Não — respondeu Hermione, balançando a cabeça. — Eu estava apenas pensando que o meu lugar é mesmo lá embaixo — afirmou, apontando para as arquibancadas. — Aqui é tão... silencioso.


— É o ambiente ideal para nós, criadores de hipogrifos, refletirmos no quanto devemos aos nossos auxiliadores — afirmou Draco com um sorriso. — Afinal, é graças a vocês que os nossos hipogrifos vencem as corridas.


Hermione ficou lisonjeada, mas um pouco embaraçada também. Não lhe passara despercebido o brilho de interesse nos olhos azuis de Draco. Quando ele assumia aquele ar arrogante, de homem habituado a conseguir o que queria ela sabia como enfrentá-lo, mas o charme, cuidadosamente ensaiado para fascinar as mulheres, deixava-a desconcertada, sem ação.


— Bom eu já acho que a vitória de um hipogrifo é conseqüência de uma combinação de esforços — ponderou Hermione. — Você não pode deixar de lado os treinadores e o resto do pessoal das cocheiras. Afinal, se não me engano eles têm uma participação nisso tudo.


Draco deu uma risada jovial, que lhe transformou a fisionomia. Quando ele abandonava, ainda que por poucos momentos, a imagem de conquistador que gostava de projetar, tornava-se um homem muito mais atraente, observou Hermione. Aos poucos, o papo foi ficando descontraído, até transformar-se numa conversa bastante animada. Foi então que Viktor Krum entrou.


Hermione avistou-o no exato instante em que ele passou pela porta. Viktor mal havia dado dois passos, quando seus olhares se cruzaram. Mesmo a distância ela notou a fisionomia dele endurecer-se quando viu quem era o homem que a acompanhava. Durante um infindável momento eles se encararam e Hermione desejou ardentemente estar em qualquer lugar do mundo, menos ali.


Uma loura exuberante, que havia entrado pouco antes na companhia de outras mulheres, precipitou-se na direção dele com um sorriso provocante nos lábios pintados com esmero. De onde estava, Hermione não podia ouvir o que eles diziam, mas era óbvio que haviam marcado um encontro no Turf Club.


Quando viu aquela mulher pendurar-se no braço de Viktor, Hermione teve a sensação de levar uma punhalada, tal a intensidade do ciúme que a dominou. Queria virar a cabeça para o outro lado, concentrar-se no que Draco lhe dizia, mas não conseguia despregar os olhos daquela cena. A loira riu com afetação quando Viktor lhe disse qualquer coisa ao ouvido e puxou-o em direção ao bar. Hermione mordeu o lábio e, munindo-se de toda a sua força de vontade, desviou os olhos. Draco a observava com curiosidade e ela sentiu as faces pegarem fogo.


Ele percebeu o embaraço de Hermione e olhou para trás. Quando viu Viktor, franziu as sobrancelhas.


— Lá está Krum com a nova namorada.


Namorada! O ciúme de Hermione atingiu um ponto intolerável. Não queria comentar nada, mas a pergunta escapou-lhe dos lábios:


— Quem é ela?


Draco tomou um gole de uísque antes de responder.


— Lilá Brown.


Hermione reparou no tom estranho de Draco, mas não deu maior importância àquilo. Brown... O nome era familiar. Olhou outra vez para o bar, onde Viktor e a loira conversavam animadamente. Pela expressão de Lilá, Hermione duvidou que estivessem falando de hipogrifos.


Viktor parecia totalmente esquecido da presença de Hermione. Irritada com a indiferença dele, voltou-se para o seu acompanhante outra vez. Draco a observava com uma expressão divertida e Hermione percebeu que ele não perdera um só lance do que estava acontecendo. Embaraçada, procurou desesperadamente um assunto, qualquer assunto, que disfarçasse seu interesse no que estava acontecendo no bar.


— Eu vi Tridescence galopando ontem — afirmou, tentando parecer natural. — Ele é um hipogrifo e tanto!


A expressão de Draco mudou na mesma hora.


— Eu tenho certeza de que ele vai ganhar a Tríplice Coroa — falou convicto. — Não existe hipogrifo capaz de batê-lo. — E, com ar sombrio, acrescentou: — Mesmo que Krum pense o contrário.


Hermione não queria falar em Viktor, mas notara um tom ligeiramente ansioso na voz de Draco e não conseguiu se conter.


— Você não acredita nem um pouco que King‘s Ransom tenha alguma chance?


Draco sorriu, mas o sorriso deu-lhe um ar ainda mais apreensivo.


— Ele pode tentar. — Foi o seu único comentário.


— King‘s Ransom tem conseguido ótimos tempos durante os treinamentos — argumentou Hermione. Tinha a intuição de que Draco estava mais preocupado com King‘s Ransom do que demonstrava.


— Mas eu quero ver como vai se sair no grande prêmio. O desempenho dele antes disso não me interessa. — Draco referia-se ao Grande Prêmio de Hogsmeade, marcado para o final do mês. Era uma das mais importantes provas de habilitação para o Grande Prêmio do Kentucky. — Tridescence ainda não atingiu todo o seu potencial de velocidade e o rendimento de King‘s Ransom vai começar a decair antes disso.


— Como pode ter tanta certeza, Draco?


— Eu nunca me engano. Lido com hipogrifos desde criança e tenho um olho clínico para julgar os concorrentes. — Sorriu com presunção. — E nenhum deles chegou a me preocupar até agora.


Hermione abriu a boca para replicar, mas fechou-a assim que viu Viktor e sua acompanhante caminharem para a mesa que ocupava com Draco.


Draco percebeu a expressão angustiada de Hermione e, por um momento, pareceu confuso; então, como se pressentisse a aproximação de um inimigo, olhou para trás. Ao ver Viktor parado ao lado de sua cadeira, retesou o corpo e um lampejo de ódio cruzou-lhe o olhar. Por um momento, Hermione chegou a temer uma cena desagradável.


Mas Viktor não parecia disposto a brigar. Ele havia percebido a reação de Draco, mas preferiu ignorá-la. Cumprimentou educadamente os dois e depois fez as apresentações:


— Eu não queria interromper a conversa de vocês, mas...


Não chegou a terminar a frase. Com um gritinho agudo, Lilá enroscou-se no braço dele.


— Viktor, meu querido eu não estou entendendo. Não me diga que era dela que você estava falando quando me recomendou uma mestre de poções. Uma mulher?!


Hermione desejou ser uma pantera e não uma mulher, para poder pular no pescoço daquela loira imbecil e arranhá-la com suas garras.


— Eu sou Hermione Granger — afirmou com frieza, procurando esconder a repulsa instintiva que sentiu por aquela mulher.


Se Lilá reparou no tom frio de Hermione, disfarçou muito bem. Com um sorriso afetado, largou o braço de Viktor apenas o tempo suficiente para estender a mão e cumprimentar Hermione. Lilá não era tão jovem quanto pretendia aparentar, observou Hermione, agora que a via de perto. Apesar da cuidadosa maquiagem, pequenas rugas teimavam em aparecer nos cantos dos olhos e a pele não tinha mais o viço da juventude. O corpo era bem-feito exuberante até; os cabelos caíam em caracóis até os ombros e Hermione podia jurar que aquele tom platinado era conseguido às custas de uma boa tintura. Sem ter como escapar, Hermione apertou a mão de Lilá.


— Eu estou querendo comprar um hipogrifo e Viktor me aconselhou a consultá-la antes — falou Lilá, rindo sem motivo. E, dirigindo-se a ele, continuou, com voz adocicada: — Eu já lhe disse que confio na sua opinião, Viktor querido, não vejo necessidade de consultar a Srta...?


— Granger — completou Hermione, com um sorriso irônico.


— Ah, sim. Desculpe, meu bem, mas eu sou tão distraída. Tenho uma dificuldade terrível para guardar nomes.


— Eu acho que Krum tem razão — disse Draco, interferindo na conversa. — Principalmente se você estiver pensando em comprar um dos hipogrifos dele.


Hermione lançou um rápido olhar para Viktor, certa de que ele não deixaria passar aquela insinuação maldosa sem uma resposta à altura, mas, para sua surpresa ele apenas sorriu, divertido, como se tivesse ouvido uma piada.


— É sempre bom ser cuidadoso na hora da escolha, seja lá de quem for o hipogrifo — afirmou, imperturbável.


— Pois eu acho isso uma bobagem — insistiu Lilá e, num gesto estudado, passou a mão pelos cabelos. — Ron nunca fazia tanta onda; simplesmente comprava o que queria.


Ron... Ronald Weasley! No mesmo instante Hermione compreendeu por que aquele nome lhe parecera familiar desde o início. Afinal, o processo de divórcio fora um escândalo e ocupara as principais páginas dos jornais durante meses. Gina acompanhara o desenrolar daquela história com o maior interesse, afinal era seu irmão. Pelo que a amiga lhe contara, os advogados de Lilá haviam conseguido uma boa fatia do vasto patrimônio de Ron como herói pós-guerra e auror em ascensão. Hermione sabia que aquela loira afetada poderia comprar todo o Ministério, se quisesse.


Mas mesmo que Lilá adquirisse todos os hipogrifos de Londres, Hermione não trabalharia para ela. Certos tipos de cliente não a interessavam, pensou, ao ver o olhar ávido que a outra dirigia a Viktor.


— Você já escolheu algum hipogrifo? — Mal fez a pergunta, teve vontade de morder a própria língua. Não pretendia dar a entender que estava disposta a cooperar, mas Viktor a encarava de um jeito tão estranho que ela sentira uma necessidade urgente de dizer qualquer coisa.


— Já! — confirmou Lilá. — Eu me interessei por vários quando estive com Viktor em Gauntlet West. Estou me referindo a fazenda. Foi um fim de semana incrível — comentou, olhando diretamente para Viktor, como se quisesse dividir com ele a lembrança de momentos muito especiais.


Hermione estava a ponto de explodir. Irritada, voltou-se para Draco e surpreendeu-o observando Lilá com indisfarçável interesse. Os homens eram todos iguais. Ela nunca poderia entender por que eles achavam mulheres como Lilá tão atraentes.


Só então notou a expressão confusa de Viktor, como se ele também não entendesse o que ela via de agradável na companhia de um tipo como Draco. Ora ele que pensasse o que bem entendesse. A opinião de Viktor não lhe interessava, mas seus olhares cruzaram-se outra vez e Hermione sentiu a raiva derreter-se como neve ao sol. Por que tudo havia dado errado entre eles?


— Olhem! — exclamou Lilá, toda excitada. — Os hipogrifos já estão fazendo a volta de apresentação e eu ainda não fiz a minha aposta. Acho que vou jogar em Sweetie Pie Too. Esse nome não é uma gracinha? — perguntou com um trejeito infantil. — Eu sempre faço a minha escolha de acordo com os nomes.


— É um método tão bom quanto qualquer outro — falou Draco. — Mas, se eu fosse você, apostaria em Sasenach.


— Verdade? — Lilá esticou o braço e deu um tapinha no rosto de Draco. — E eu posso saber por que, Sr. Malfoy?


— Sasenach é o hipogrifo dele — explicou Viktor.


— Oh, que excitante! Então vou colocar o meu dinheiro nele agora mesmo. Você vem comigo. Viktor?


— Vá na frente, Lilá — falou ele, sem ao menos olhar para ela. — Eu preciso conversar com Hermione.


— Ah... — Era óbvio que ela não gostara da forma como Viktor a colocara de lado, mas escondeu a decepção rapidamente e enlaçou o braço de Draco. — Não quer vir comigo, Sr. Malfoy? — perguntou com um sorriso provocante. — Ron sempre cuidou das apostas para mim. Sei que parece tolice, mas eu nem mesmo sei como fazer isso.


Tolice? Hermione achou a palavra muito amena. Mordeu o lábio para conter um comentário irônico. Se Lilá pretendia bancar a mulher desamparada e Draco estava disposto a alimentar essa fantasia, que fossem em frente. Ela não tinha nada a ver com isso.


Draco não fez qualquer objeção. Levantou-se e, depois de se desculpar com Hermione, saiu de braços dados com Lilá. Observando-os enquanto se afastavam, Hermione concluiu que formavam um par perfeito.


— Posso me sentar? — perguntou Viktor. Parecia satisfeito por se ver livre dos outros dois.


Hermione estremeceu. O alívio que havia sentido com a saída de Lilá foi substituído pela tensão de se ver a sós com Viktor. Depois da discussão daquela manhã, não sabia como agir. Por fim, decidiu que o melhor seria adotar um tom educado, mas distante.


— Fique à vontade — respondeu.


— Eu quero falar com você sobre aquelas radiografias.


— Antes do final da tarde elas estarão nas suas mãos e você poderá mandar outro profissional analisá-las.


— Mas eu não quero outro profissional — retrucou, com um leve acento de impaciência na voz. Hermione não soube o que dizer. Viktor percebeu a hesitação dela e apressou-se em acrescentar: — Olhe, sei que fui muito grosseiro hoje de manhã. Eu não tenho o direito de interferir no seu trabalho.


— Não tem mesmo — concordou com frieza.


Viktor não gostou daquele tom de voz. Seu olhar ficou sombrio e Hermione arrependeu-se de ter sido tão seca, mas antes que pudesse se desculpar ele continuou:


— Acho que não posso censurá-la por estar tão zangada, mas eu ficaria grato se você continuasse a tratar dos meus hipogrifos. Pelo menos isso, Hermione.


Seu primeiro impulso foi recusar. O instinto lhe dizia que era a oportunidade perfeita para cortar qualquer laço com Viktor, antes que fosse tarde demais, mas não era fácil tomar uma atitude tão drástica.


— Eu já analisei as radiografias. — Surpreendeu-se dizendo. — Uma coisa posso afirmar com segurança: não é laminite, mas ainda não consegui diagnosticar o problema. Talvez seja uma contusão, ou alguma outra coisa que eu não consegui identificar, nem mesmo com o raio-X.


Viktor reclinou-se na cadeira. Alívio e exasperação alternavam-se em sua fisionomia. A exasperação acabou vencendo.


— Então já havia decidido continuar trabalhando para mim? E mesmo assim deixou que eu me desculpasse e quase implorasse para que você não desistisse?


Um sorriso divertido pairou nos lábios de Hermione.


— Mas você tem um jeitinho tão especial de pedir desculpas.


— Deve ser porque tenho praticado muito ultimamente. Desde que a conheci, não se passa um só dia sem que eu tenha que pedir perdão por um motivo ou por outro.


Hermione teve vontade de rir ao ouvir aquele desabafo.


— Talvez você possa tirar uma lição disso tudo.


— Como não? Eu aprendi que é uma boa medida tomar cuidado com as morenas — falou em tom brincalhão. — Será que todas são tão geniosas quanto você?


— Não sei, mas acho que isso não importa, já que, pelo visto, você prefere as loiras. — Imediatamente arrependeu-se daquela insinuação. Preferia morrer a que Viktor suspeitasse que estava com ciúme.


— Loiras! — repetiu ele, confuso, mas em seguida, sua fisionomia se iluminou e perguntou com um sorriso: — Você está falando de Lilá?


— De quem mais? Ou será que existem outras loiras?


Viktor ficou vermelho e Hermione se sentiu satisfeita por conseguir desconcertá-lo. Aquele jogo estava começando a ficar divertido.


— Lilá é apenas uma cliente — murmurou ele.


— Deu para notar.


— Ela quer comprar hipogrifos — insistiu Viktor, olhando para Hermione, mas a fisionomia dela estava impassível. — Só Merlin sabe por quê. Ela não tem a menor idéia de como cuidar deles.


— Talvez ela esteja à procura de um passatempo e talvez esse passatempo seja você.


— O passatempo de Lilá é ela mesma. Talvez o contador dela a tenha aconselhado a fazer alguma outra coisa com o dinheiro que arrancou de Ron além de comprar um vestido a cada cinco minutos. E se ela está interessada nos meus hipogrifos, melhor para mim, concorda?


Viktor seria mesmo tão ingênuo? Ela poderia apostar que Lilá não estava interessada apenas nos hipogrifos, mas não fez qualquer comentário. Draco e Lilá apareceram e dali para a frente Hermione não teve chance de dizer mais nada. Lilá parecia disposta a monopolizar a conversa e a todo momento fazia perguntas tolas exigindo que os dois homens lhe explicassem tudo o que estava acontecendo na pista.


Hermione não abriu mais a boca e concentrou a atenção no hipogrifo de Draco. Era por esse motivo que estava ali. Além disso, não pretendia competir com aquela loira tão vazia e convencida. Sasenach venceu de ponta a ponta e, quando cruzou a linha de chegada, Lilá deu um gritinho estridente de satisfação. Hermione levantou-se e, depois de se despedir apressadamente de todos, saiu do Turf Club. Já se aborrecera o suficiente para uma única tarde.

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