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6. Seis


Fic: A Garota das Poções


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Na manhã seguinte, Hermione foi acordada por um ruído fraco, mas insistente. Continuou deitada, sem se mover, tentando descobrir o que seria aquilo. Barulhinho irritante, pensou, cobrindo a cabeça com o travesseiro. E justamente agora! Estava tendo um sonho tão lindo: Viktor e ela.., mas não era sonho! Voltou-se para o outro lado e seus lábios entreabriram-se num sorriso cheio de carinho ao olhar para ele: o rosto estava afundado no travesseiro, os cabelos despenteados... Suspirou e acariciou o braço de Viktor que estava sobre o seu estômago. Era como se, mesmo dormindo ele quisesse ter certeza de que ela estava ali. As lembranças da noite anterior voltaram-lhe à mente e ela relutou em sair da cama. Seria uma pena quebrar o encanto.


Mas aquele ruído estranho voltou a chamar-lhe a atenção. O que seria? Parecia vir da sala... Só então lembrou-se do bip que alertava sua varinha sempre que ficava fora do alcance do Ministério. A central de recados estava tentando entrar em contato com ela. Devia ser uma emergência.


"Ah, mas não agora!", pensou, desolada. Pela primeira vez, sentiu vontade de não atender. Não queria sair da cama. Tudo que desejava era enroscar-se em Viktor e chamá-lo outra vez para si. Deixá-lo agora seria como interromper um sonho maravilhoso e voltar para a realidade. Não e não! O mundo lá fora que resolvesse seus próprios problemas. Aquele dia pertencia a ela.


Mas o bip continuava, insistente e ela não podia ignorá-lo por mais tempo. Com receio de que o ruído despertasse Viktor, tentou afastar-se para a beirada da cama. Ele resmungou qualquer coisa e virou o rosto para o outro lado. Hermione ficou imóvel durante alguns instantes e, após certificar-se de que ele continuava dormindo, levantou-se. Olhou ao redor, à procura de alguma coisa para vestir e acabou pegando a camisa de Viktor que estava no chão. As roupas dos dois estavam espalhadas em volta como confetes depois da festa. "E que festa fora aquela!", pensou, com um sorriso. Quando abotoou a camisa, o tecido macio roçou-lhe os seios, que estavam um pouco doloridos. Espreguiçou-se languidamente, aspirando aquela fragrância tão masculina de loção pós-barba, que ainda impregnava a camisa. Fechou os olhos, tentando resistir ao impulso de deitar-se ao lado dele outra vez. Daria tudo para sentir novamente as mãos experientes de Viktor percorrerem-lhe o corpo. Um suspiro resignado escapou-lhe os lábios. Ela era uma profissional consciente e sabia que o dever vinha em primeiro lugar.


Foi até a sala à procura de sua varinha e acabou por encontrar um patronho. Era Dimitrov a chamando com urgência para ver King‘s Ransom.


Hermione recolocou a varinha na bolsa, precisava decidir rapidamente o que faria. Seu primeiro impulso foi telefonar para Dimitrov e saber o que estava acontecendo. Não, pensando bem, seria melhor ir direto para lá e examinar o hipogrifo.


Pensativa, sentou-se no braço de um dos sofás, uma ruga de preocupação marcando-lhe a testa. Se Dimitrov a chamara com tanta urgência, o caso devia ser mesmo sério. O treinador era um homem eperiente que não se alarmava à toa. Ele lidava com animais daquele tipo há muitos anos e sabia tratar de problemas mais simples tão bem quanto ela. Uma estranha sensação de angústia, quase um mau presságio, invadiu-a ao pensar naquele magnífico puro-sangue. King‘s Ransom representava mais do que uma esperança de vitória no Grande Prêmio do Kentucky: estava destinado a ser o símbolo do sucesso. Precisava acordar Viktor e contar-lhe o que estava acontecendo. Por que Dimitrov não ligara diretamente para ele? Com certeza, achava melhor saber o que havia de errado com o animal antes de preocupar o patrão.


Ainda estava imersa naqueles pensamentos, quando sentiu os braços de Viktor ao redor da cintura. Ele a beijou no pescoço e depois enterrou o rosto em seus cabelos macios.


— Não me diga que você vai embora — sussurrou. — Eu tinha tantos planos para hoje de manhã...


Fechando os olhos, Hermione apoiou a cabeça no ombro dele. As mãos de Viktor abandonaram a cintura dela e subiram em direção aos seios.


— Você vai ficar, não vai? — sussurrou ele, mordiscando-lhe a ponta da orelha.


Hermione não queria falar sobre o hipogrifo. Mais do que qualquer outra coisa no mundo, desejava virar-se e beijá-lo apaixonadamente entregar-se às sensações eróticas que as mãos de Viktor despertavam. Já estava tão excitada que sentia as pernas fraquejarem; mesmo através do tecido da camisa, podia sentir o calor do corpo dele, colado ao seu. Precisaria de toda a sua força de vontade para abafar o desejo que já começava a incendiá-la novamente.


Não podia esperar mais. Precisava contar a Viktor sobre o animal. Se permitisse que ele continuasse a acariciá-la daquele jeito ela esqueceria tudo, menos a necessidade atroz que sentia do corpo dele. Com esforço, desvencilhou-se e voltou o rosto para Viktor.


— A central de recados entrou em contato comigo — contou.


Ele nem se dera ao trabalho de vestir um robe e a visão daquele corpo nu deixou-a ainda mais perturbada. Passou a mão pelos cabelos e respirou fundo. Precisava ser objetiva. Não podiam perder mais tempo. Era possível que o problema de King‘s Ransom fosse grave.


— Era um recado de Dimitrov. Ele quer que eu vá com urgência ver King‘s Ransom.


A mudança em Viktor foi instantânea.


— O que aconteceu? — perguntou, preocupado.


Hermione balançou a cabeça. Seu momento de fraqueza já havia passado e a profissional competente ocupava o lugar da mulher ansiosa por mais alguns momentos de amor.


— Eu ainda não sei. Não falei com Dimitrov, mas vou para lá agora mesmo.


— Eu vou com você — afirmou, decidido. Como ela havia imaginado, Viktor gostaria de acompanhar o exame.


— Mas antes preciso parar em casa e trocar de roupa. — Mesmo se tratando de uma emergência, Hermione não poderia examinar um animal usando o vestido da noite anterior e sandália de salto alto.


— Está certo — concordou Viktor. — É melhor irmos separados então.


Enquanto se vestiam, Hermione olhava para aquela cama desfeita imaginando o que teria acontecido se Dimitrov não houvesse telefonado. Não, não devia continuar pensando naquilo. Queria ficar ali com Viktor, mas não podia esquecer suas responsabilidades. O dever chamava e Hermione sabia que ele sempre vinha em primeiro lugar.


Viktor acompanhou-a até o lugar onde estava permitida a aparatação. Depois de abrir a porta para ela, devolveu-lhe as chaves de sua casa que ele havia usurpado por brincadeira. Suas mãos se tocaram e isso foi o bastante para trazer de volta à mente de Hermione as recordações da noite que havia passado juntos. Ele estava apoiado na porta e, pela sombra de tristeza que encobriu aqueles olhos castanhos ela percebeu que Viktor estava pensando na mesma coisa. Já ia sumir, quando ele a deteve.


— É uma pena que tenha surgido esse imprevisto — murmurou, olhando fixamente para ela. — Eu tinha imaginado uma manhã bem diferente para nós dois.


Hermione forçou um sorriso.


— Eu também...


Durante alguns segundos encararam-se sem dizer nada. Hermione sabia que se Viktor continuasse a olhá-la daquele jeito, acabaria esquecendo o dever.


— Eu estarei lá em uma hora, no máximo — falou, sorrindo preocupada.


Viktor devolveu-lhe o sorriso e, pela pouca distância, deu-lhe um beijo na boca.


— Eu não vou deixá-la fugir de mim, Hermione. Quando tudo isso estiver resolvido, nós vamos recomeçar exatamente de onde paramos.


Ela colocou os óculos escuros e sorriu.


— Seu bobo. Quem disse que eu quero fugir?


Quando Hermione aparatou diante das cocheiras encontrou Dimitrov andando de um lado para outro, impaciente. Ela permanecera em casa apenas o tempo suficiente para tomar um banho e trocar de roupa, mas, ao ver a fisionomia tensa do treinador, recriminou-se por não ter sido ainda mais rápida.


— O que houve, Dimitrov?


— Srta. Granger! — exclamou, aliviado. — Graças a Deus que a senhorita chegou! King‘s Ransom está mancando. Se ele estiver com os cascos aguados...


Não terminou a frase, mas Hermione percebeu que ele tinha fortes razões para estar tão preocupado. O aguamento, ou laminite era caracterizado pela rotação dos ossos da pata, o que provocava uma dor aguda e levava o hipogrifo a mancar. Nos casos mais graves, os prognósticos de cura eram desanimadores. Mesmo para os casos de menor gravidade, a principal recomendação era poupar o hipogrifo de qualquer tipo de exercício durante meses. Se isso acontecesse com King‘s Ransom, sua carreira nas pistas de corrida estaria encerrada antes mesmo de começar e todas as esperanças de Viktor seriam frustradas.


Hermione sacudiu a cabeça, como para afastar aqueles pensamentos agourentos. Ainda havia muito a ser feito por King‘s Ransom, antes de admitir a derrota. Tirou o estetoscópio da maleta e voltou-se para Dimitrov.


— Ele está com febre? — Nem se deu ao trabalho de perguntar se Dimitrov havia verificado a temperatura do hipogrifo. Sabia que era a primeira coisa que os treinadores faziam, ao menor sinal de problema.


— Não. A temperatura está normal — respondeu Dimitrov.


Ainda assim, não estava descartada a hipótese de laminite, deduziu Hermione. Era verdade que um hipogrifo podia mancar por outras razões: uma eólica, uma infecção ou mesmo por problemas de alimentação, mas em qualquer desses casos era raro o animal mancar de uma única perna. De qualquer forma, não podia arriscar qualquer diagnóstico antes de um exame mais detalhado.


— Vamos dar uma olhada nele, Dimitrov. — Tentava mostrar-se confiante, para não deixar o treinador mais preocupado ainda.


Mas bastaram poucos minutos para que a confiança dela diminuísse. Não conseguia determinar o que havia de errado com King‘s Ransom. Ele mancava, como Dimitrov havia dito, mas Hermione não descobria a causa. Ainda estava examinando o animal, quando Viktor entrou. Dimitrov foi ao encontro do patrão e contou-lhe que havia chamado a srta. Granger. Viktor fez de conta que não sabia de nada.


Embora os dois aguardassem em silêncio, Hermione sabia que estavam ansiosos pelo diagnóstico. Se ao menos ela pudesse dizer qualquer coisa para tranqüilizá-los.


— Quando foi que vocês ferraram King‘s Ransom?


— Há dois dias — respondeu Dimitrov prontamente.


Hermione havia imaginado que talvez o problema fosse uma unha penetrando na carne, mas, agora também essa hipótese estava quase descartada. Se o ferreiro não houvesse feito um bom trabalho, a dor apareceria praticamente na hora. Seria o mesmo que enfiar uma farpa sob a unha de uma pessoa.


— Quem é o ferreiro de King‘s Ransom? — perguntou, por via das dúvidas.


— Ben Gillian — respondeu Dimitrov. E, captando a linha do raciocínio de Hermione. Acrescentou: — Ele é um dos melhores.


Hermione balançou a cabeça, concordando. Conhecia a reputação de Ben Gillian. Ele trabalhava como ferreiro há anos e a sua habilidade atraía um número de fregueses maior do que tinha condições de atender.


— Foi só hoje que ele começou a mancar? — quis saber Hermione.


Aquela pergunta ofendeu Dimitrov. Ele era muito responsável e jamais negligenciava o trabalho. Tratando-se de King‘s Ransom então, seus cuidados beiravam o exagero.


— Ontem ele estava normal — assegurou Dimitrov com voz gelada.


Hermione estava preocupada demais para reparar no tom do treinador. Concentrava-se apenas no animal esquecida até mesmo da presença de Viktor. Seu cérebro trabalhava rápido e com precisão, considerando todas as alternativas, mesmo as mais remotas, do que poderia estar errado.


— Eu não acredito que seja laminite — afirmou finalmente. — Também duvido que seja um abcesso.


— Mas por que ele está mancando então? — quis saber Viktor.


Hermione demorou um pouco para responder.


— Talvez por uma razão mais simples, como uma contusão, mas eu não posso afirmar nada antes de tirar algumas radiografias.


— Eu vou ajudá-la com o aparelho — ofereceu-se Viktor.


O aparelho portátil de raios X estava numa sala próxima. Fora um presente do Dr. Childress quando este se aposentara e embora fosse um modelo antigo, Hermione não pensava em adquirir outro. Aquele aparelho era uma lembrança do homem que dera o primeiro impulso na carreira dela, depois de Severus e Hermione o considerava seu mascote. Além disso, não dispunha de dinheiro suficiente para comprar um novo.


— Fale a verdade, Hermione — insistiu Viktor, quando voltavam ao estábulo. — O que você acha que ele tem?


Hermione decidiu abrir o jogo.


— Eu ainda não sei, Viktor — confessou. — Mas não se preocupe. Nós vamos localizar o problema e atacá-lo de todos os lados — afirmou, tentando dar-lhe uma injeção de confiança.


— Tem certeza?


Aquela pergunta não ofendeu Hermione. Ela sabia o quanto ele estava preocupado e não poderia censurá-lo por se mostrar tão inseguro dos resultados.


— É claro que eu tenho certeza.


Tirar radiografias das patas do um hipogrifo era quase sempre uma operação lenta e trabalhosa. Multas vezes, o animal movia-se no momento errado, ou ficava agitado ao avistar o aparelho. A princípio, King‘s Ransom se movera assustado e recusou-se a ficar na posição adequada, mas Hermione e Dimitrov conseguiram acalmá-lo e ele permaneceu quieto até que ela tirasse as radiografias necessárias.


— Dimitrov, mande tirar estas ferraduras. Use algum outro tipo de proteção, pelo menos até que eu receba o resultado das radiografias.


— Vou chamar Ben agora mesmo para fazer o serviço.


— Ótimo. Eu não quero prescrever nenhum medicamento mais forte antes de um diagnóstico definitivo. Por enquanto, nós vamos apenas lhe dar alguma coisa para diminuir a dor e combater uma possível inflamação.


Depois que ela aplicou as poções, Viktor acompanhou-a até a sala.


— Hermione eu... — Interrompeu-se ao ver Draco Malfoy que se aproximava.


— Bom dia — Draco cumprimentou-os cordialmente.


Viktor respondeu apenas com um movimento de cabeça e Hermione murmurou qualquer coisa. A expressão de Viktor era tão hostil que por um momento ela temeu uma cena desagradável entre os dois, mas Draco não parecia nem um pouco perturbado.


— Algum problema com King‘s Ransom? — perguntou, casualmente, olhando por cima do ombro de Viktor para o interior da cocheira.


— Não — foi a resposta seca de Viktor.


— Eu ouvi alguns comentários hoje cedo e pouco depois a srta. Granger chegou com tanta pressa...


— Foi apenas um exame de rotina — garantiu Viktor.


— Ah... — Era evidente que ele não havia acreditado, mas também não insistiu. Em vez disso, voltou-se para Hermione: — Quando você estiver livre, gostaria que desse um pulo até as minhas cocheiras. Um dos meus hipogrifos está com febre e se recusa a comer.


Hermione podia sentir sobre si o peso do olhar de Viktor e mal conseguia articular as palavras. Por que não mencionara antes que estava trabalhando para Draco também? Mas agora era tarde demais.


— Está certo. Eu irei até lá mais tarde.


“Por que ele não vai embora de uma vez?”, pensou, irritada. Draco parecia não ter pressa. Continuava parado encarando os dois com aquele ar de hipocrisia que dava nos nervos de Hermione. Cretino! Ele havia percebido a tensão que provocara entre ela e Viktor e divertia-se com aquilo.


— Então até mais tarde — falou Draco, finalmente. — Boa sorte com King‘s Ransom, Viktor — gritou enquanto se afastava. — Você vai precisar.


Durante alguns segundos, Hermione aguardou o ataque de Viktor, mas, para sua surpresa ele não disse nada. Apenas acompanhou Draco com o olhar até que este desapareceu na curva do caminho, mas suas mãos estavam crispadas e Hermione estremeceu ao ver a expressão de ódio naquelas pupilas cinzentas.


— Você pode me explicar o que ele quis dizer com aquilo? — Sua voz estava controlada, mas ele parecia prestes a explodir.


— Ele estava apenas tentando provocá-lo, Viktor. No seu lugar eu não...


— Eu não estou falando disso e você sabe muito bem — replicou era tom áspero. — Você está trabalhando para ele?


Hermione demorou alguns segundos para responder. A expressão furiosa de Viktor amedrontava-a. Nunca o vira assim antes, mas não podia deixar que ele a intimidasse. Afinal ela não havia cometido nenhum crime.


— Ele é um dos meus clientes — confirmou, aparentando tranqüilidade.


O olhar de Viktor ficou ainda mais sombrio.


— Desde quando? — perguntou.


— Como assim? Afinal, que diferença isso faz?


— Eu quero saber — replicou, irritado. — Só isso.


Hermione também tinha um gênio forte e jamais permitiria que falassem com ela naquele tom.


— Pois eu acho que isso não é da sua conta.


— É da minha conta, sim, já que você também terceiriza serviços para mim.


Hermione permitiu-se um sorriso sarcástico.


— Qual é o problema. Viktor? Você está insinuando que eu não posso dar conta do recado? Que eu não sou capaz de cuidar dos seus hipogrifoss e dos de Draco ao mesmo tempo?


— E você é?


Hermione fez um grande esforço para não perder totalmente o controle.


— Eu vou fazer de conta que não ouvi essa pergunta — falou com frieza.


— E por quê? É uma pergunta bastante razoável — replicou Viktor.


— Verdade? E por acaso você teve a mesma dúvida quando Martin Desmond trabalhava para você e Draco? Ou será que ele é mais competente do que eu?


Viktor conteve a tempo uma resposta áspera, prestes a escapar-lhe dos lábios. Num gesto irritado, passou a mão pelos cabelos. Ele mesmo reconhecia que havia ido longe demais.


— Não ele não é melhor do que você. — Admitiu, mas sua voz soou gelada. — Mas eu não entendo como você pode trabalhar para Draco, quando sabe muito bem que eu o detesto.


— Mas eu não tenho nada com isso — defendeu-se Hermione. — Se você não gosta de Draco, isso não é da minha conta. O meu trabalho é tratar das poções curativas que vocês usam.


— Agora você chegou onde eu queria. Como você pode...


Hermione já escutara o bastante e interrompeu-o, furiosa.


— Olhe Viktor eu levo o meu trabalho muito a sério, mas é evidente que você não confia em mim. Se você está pensando em escolher outra pessoa, por favor, fique à vontade.


— Eu não disse que não confiava...


— Mas insinuou!


— Eu só acho que...


— O quê?


— Bom, depois da noite passada...


— O que tem a noite de ontem a ver com isso?


— Nada. — respondeu, impaciente. — Esqueça. Eu não devia ter dito isso.


— E não devia mesmo! — Hermione estava lívida de raiva. Então ele pensava que o que acontecera na noite anterior lhe dava o direito de dirigir a vida dela? Custava a acreditar naquilo.


— Hermione...


— As radiografias estarão prontas à tarde — comunicou com voz trêmula. — E já que você não confia em mim, é melhor pedir a outro tratador que as analise. Talvez Martin Desmond seja uma boa opção — acrescentou, sarcástica. — Você deveria continuar com ele. Martin é exatamente como você: tem o hábito de fazer julgamentos precipitados.


— Hermione!


Hermione não lhe deu atenção. Para ela, a conversa estava encerrada. Ignorou o homem atrás de si e aparatou.


O resto da manhã foi um verdadeiro pesadelo. Hermione foi de uma cocheira para outra, tentando trabalhar normalmente, mas seus nervos estavam à flor da pele. Foi um suplício discutir com clientes os problemas deles. Diante deles era obrigada a sorrir e a agir com naturalidade, como se não estivesse explodindo por dentro. Tentava não pensar no que Viktor havia dito, mas enquanto ouvia a descrição de um ou outro sintoma, fragmentos da discussão com ele cruzavam-lhe a mente.


Deixou os estábulos dos Malfoy para o fim, para ter certeza de que, quando chegasse lá, já estaria calma o suficiente para conseguir conversar com Draco sem lhe dirigir palavras ásperas, como era a sua vontade.


Tinha certeza de que Draco acompanhara a distância todos os seus passos em Gauntlet West naquela manhã e calculara o momento exato de aparecer diante dela e de Viktor, bem como o que diria, mas, apesar de tudo, Hermione estava decidida a se comportar como se não houvesse notado nada. Não iria dar a Draco a satisfação de descobrir que ela discutira com Viktor por causa dele. Afinal ela era, como fazia questão de deixar bem claro, uma profissional capaz de manter seu trabalho e sua vida pessoal totalmente separados.


Draco foi todo sorrisos quando ela chegou. Hermione sentiu o sangue latejar nas têmporas ao vê-lo acenar com vivacidade. enquanto ela se aproximava. Hermione tinha certeza de que ele esperava algum comentário sobre Viktor, mas ela foi direto ao assunto que a levara ali. Enquanto examinava o hipofrifo, Draco permaneceu de pé ao seu lado e Hermione podia sentir o olhar dele fixo nela.


— Eu não tive intenção de causar nenhum problema entre você e Krum — arriscou Draco.


As mãos de Hermione tremeram de forma quase imperceptível, mas ela continuou a fazer o seu trabalho, aparentemente tranqüila. Como ele tinha a audácia de tocar naquele assunto?


— Problema? Eu não sei do que você está falando.


— Não é segredo para ninguém que Krum me odeia — insistiu Draco. — Eu tive a impressão de que ele ficou aborrecido quando soube que você está trabalhando para mim.


Aborrecido? Furioso seria o termo mais exato, pensou Hermione, lembrando-se da cena entre ela e Viktor.


— Bom eu gostaria de me desculpar — continuou Draco, ao ver que Hermione permanecia em silêncio. — Devia ter esperado um momento mais oportuno para falar com você. Foi muita falta de tato interromper vocês dois daquele jeito.


Hermione sabia que ele estava apenas querendo testá-la. Com um suspiro, levantou-se e olhou para ele.


— Não pense mais nisso — falou, ignorando o ar de falsa inocência dele.


— Eu não ficaria sossegado se não pedisse desculpas. — Tinha um ar tão grave, que Hermione quase acreditou nas palavras dele, mas ela sabia muito bem quem era Draco Malfoy. — Olhe, por que não vamos até o Turf Club hoje à tarde? — sugeriu ele.


Hermione nunca havia entrado naquele clube privado, de onde os proprietários de hipogrifos costumavam acompanhar as corridas.


— Eu não posso, Draco...


— Por favor, aceite. Só assim terei certeza de que você não está chateada comigo. Um dos meus animais, Sasenach, vai correr hoje e eu gostaria que você desse a sua opinião sobre ele.


— Bom eu...


Estava prestes a recusar, quando mudou de idéia. Depois daquela manhã horrível, um pouco de distração só lhe faria bem. Além disso, tratava-se de um assunto de trabalho. Draco queria o parecer dela sobre um de seus competidores. Por que não aproveitaria a oportunidade para conhecer aquele clube tão elegante e exclusivo?


— Eu aceito — concordou, decidida. — A que horas?


Havia uma outra razão por trás da mudança repentina de Hermione: a possibilidade de encontrar Viktor lá. Como ele reagiria quando a visse na companhia de Draco? Hermione sabia que o efeito seria o mesmo de lhe dar um tapa na cara, mas era o que ele merecia, depois da forma como a tratara naquela manhã.


Draco sorriu, obviamente satisfeito com a decisão dela. Hermione entendeu o que significava aquele brilho no olhar dele e, por um momento, arrependeu-se de ter sido tão impulsiva, mas agora era tarde demais para voltar atrás. Precisava apenas ter o cuidado de deixar bem claro que pagar-lhe um drinque seria a única coisa que Draco conseguiria.

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