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4. CAPÍTULO IV


Fic: Sexy Demais Para Casar - UA - HH


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Nick Granger Potter: bom saber q tah gostando... essa conversa vai render... ashashashashasha...
Jéssy Nefertari: vamos dar um deconto pro Snape, neh... afinal tudo é válido pra juntar o nosso querido casal... mas o bêbado apesar de tudo foi engraçado, neh... um mico sem fim... ashashashashasha...
louca pra ouvir o Harry tocando sax... (suspiros)...
**RE**: é sempre bom ter vc por aki... mas o Harry naum vai fikar só decepcionado, vai ser mais que isso... só posso dizer q ele é do tipo q aje...
Bjus a tds...
Segue (finalmente) o capítulo...
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Hermione sentiu-se aliviada por Harry não demonstrar pressa em voltar para casa, a fim de fazer o trabalho que havia mencionado antes. Tinha de admitir que estava gostando de conversar com ele, mesmo con¬siderando-o bonito demais para sua segurança.
Justamente quando começava a relaxar e se divertir, Harry aproveitou uma pausa na conversa para perguntar:
— E então? Está pronta para me dizer sobre o que queria falar comigo?
Como ele reagiria se ela dissesse que não estava, nem jamais estaria pronta? Talvez o melhor a fazer fosse contar-lhe a verdade.
— O que acha de apostas?
Ele franziu-o cenho.
— Não aprovo.
Esqueça o plano A!
— E o que acha de jantar no Andre's, para discutirmos... — Hermione tentou desesperadamente pensar em algo que pudessem discutir, mas sua mente parecia completamente vazia.
Harry sentiu pena dela. Pousou a mão sobre a de Hermione e sorriu.
— Você não costuma fazer isso, não é mesmo?
— Convidar um desconhecido para sair? Não. E não estaria aqui, não fosse... — a pesquisa adicional que ela fizera sobre Harry finalmente voltou-lhe à memória. — Não fosse por nosso interesse comum pela Safe House e seu programa de proteção às vítimas de violência doméstica. Sei que você faz muito pela organização e gostaria de ajudar, através de meu programa. Posso conseguir doações, além da conscientização da população.
Ora, a idéia soava muito boa! Por que não pensara naquilo antes? Provavelmente, porque estava acostumada a falar ao microfone, protegida pela privacidade da cabina da rádio, onde ninguém podia ver seu rosto. Quando se preparava para con¬tinuar seu discurso, Harry disse:
— Está bem.
— Está bem?
— Parece surpresa por eu ter concordado.
— E estou... Quero dizer, estou muito contente que tenha concordado. Quando poderíamos conversar a respeito?
— Que tal amanhã à noite?
— Perfeito. Encontro você às oito horas.

O telefone começou a tocar assim que Harry entrou no apar¬tamento que alugava de um colega de faculdade que fora trans¬ferido para outra cidade.
A vantagem de morar ali era que, sendo um antigo armazém reformado, o lugar proporcionava espaço de sobra, com suas pa¬redes altas e janelas imensas. A maior desvantagem era que a pouca mobília fazia com que os sons reverberassem pelo ambiente. Assim, o toque do telefone tornava-se um ruído assustador.
— Alô? — ele atendeu apressado.
— Já se esqueceu de mim?
— Quem está falando?
— Sua irmã.
— Ah, sim. — Harry sentou-se no sofá e tirou os sapatos. — Aquela que mandou minha fotografia para a revista, sem minha permissão?
Ela riu.
— Pare com isso! Aposto que você está gostando de toda a atenção que vem recebendo por ser o "Solteiro Mais Sexy de Chicago".
— Nem um pouco, até esta noite — Harry falou sem pensar e logo se arrependeu, pois podia sentir a atenção da irmã se focalizando no que poderia estar acontecendo na vida dele.
— Verdade? Estou interrompendo alguma coisa?
— Sim. Tenho trabalho a fazer.
— Trabalho? — ela repetiu, desapontada.
— Exatamente — Harry confirmou, abrindo a pasta e retirando dela uma pilha de papéis.
— Pensei que estivesse falando da atenção que vem rece¬bendo das mulheres.
— Isso fica para amanhã à noite.
— Ahá! Você conheceu alguém!
Não foi uma pergunta. Ginny falou como se declarasse um fato, o que irritou Harry profundamente. Desde que eram crianças, ela parecia ter prazer em provocá-lo, dizendo que aquela era sua vingança por ele ser tão autoritário. Ora, ele não era autoritário. Simplesmente, passara a maior parte da vida tentando impor ordem em um lar onde reinava o caos.
Determinado a recusar a ela a satisfação de estar certa, disse:
— Conheço mulheres o tempo todo.
— Que não despertam seu interesse — Ginny retrucou, soando muito satisfeita. — Qual é o nome dela?
Harry suspirou. Embora não quisesse dar qualquer infor¬mação à irmã, sabia que ela não o deixaria em paz enquanto não descobrisse o que queria saber.
— Hermione.
— Como ela é?
— Por que esse interesse repentino em minha vida amorosa?
— Não é repentino — Ginny declarou.
— Tem razão. Você sempre foi bisbilhoteira.
— Gosto de me intrometer em sua vida, tanto quanto você na minha.
— A diferença é que você nunca me dá ouvidos.
— É verdade.
— Por que telefonou? Só para me provocar? — ele inquiriu, sentindo-se mais irritado a cada momento que passava.
— Você sabe que adoro provocar você, mas liguei porque mamãe e papai estão brigando mais do que nunca, desde que ele se aposentou, há alguns meses — Ginny falou em tom sério. — Mamãe diz que papai a está deixando maluca, pois critica tudo o que ela faz. Acho que você deveria conversar com ele, antes que o problema adquira proporções maiores.
— Nossos pais sempre tiveram briguinhas, e isso nunca prejudicou o casamento deles, mas vou telefonar para papai assim que puder — Harry garantiu, já focalizando a atenção nos papéis que tinha nas mãos. — Agora, tenho muito trabalho a fazer.
— Não estou interessada em seu trabalho.
— Então, trate de me deixar em paz — Harry declarou e desligou com um sorriso.
Sabia que estava sendo infantil, mas adorava ter a última palavra com Ginny.

— Estamos de volta com "Amor no Ar" — Hermione anunciou ao microfone. — Estamos falando com Jane, de Joliet. Antes dos comerciais, você estava dizendo que faz tudo por seu na¬morado, mas ele não liga para você. Na minha opinião, você não está fazendo um bom negócio, Jane.
— Mas ele é tão lindo.
— Beleza não é tudo.
— Isso é o que você pensa.
Hermione inclinou-se sobre o microfone.
— Vamos voltar a seu namorado. Você disse que tinha outro homem em sua vida e que o trocou pelo atual, que a faz infeliz, aproveita-se de você, pede-lhe dinheiro emprestado e sai com outras mulheres. Certo?
— Da maneira como fala, a situação parece mesmo muito ruim.
— É o que estou tentando lhe mostrar — Hermione falou em tom persuasivo. — A decisão é sua, Jane. Na minha opinião, você deveria telefonar para seu ex-namorado para saber se ele já tem outra pessoa.
— Ele não faria isso!
— Alguma outra mulher pode tê-lo conquistado, a esta altura — Hermione acrescentou, sentindo certa afinidade com o rapaz, pois sabia muito bem o que era ser usada.
— Ele não é muito bonito.
A afinidade de Hermione cresceu um pouco mais.
— Mas ele sabe como tratar uma mulher, e homens assim têm grande valor. Estou certa, garotas? — apertou um dos mais de cem botões no painel a sua frente e, imediatamente, ouviu-se um coro de mulheres gritando: "Sim, está!". Hermione
mantinha dezenas de fitas com efeitos sonoros sempre prontas para serem usadas. — Boa sorte, Jane. Voltaremos logo após a mensagem de nosso patrocinador.
Durante os comerciais, Hermione bebericou seu café. Geral¬mente, concentrava toda a atenção no programa, comunicando-se regularmente pelo interfone com Parvati, que ficava na ca¬bina adjacente, separada da de Hermione por uma grande janela à prova de som.
Naquele dia, porém, Hermione estava preocupada com o jan¬tar que teria com Harry. Graças a um cancelamento de última hora, conseguira reservar uma mesa no Andre's, mas ainda não sabia o que deveria vestir.
Tinha um lindo vestido cor-de-rosa, mas agora que estava ruiva, não poderia usá-lo. Lembrou-se de outro, de seda lilás, mas não seria boa idéia usá-lo durante o jantar, pois poderia derramar alguma coisa sobre o tecido delicado.
Por que fora se meter naquela enrascada? Uma mulher como ela jamais despertaria o interesse de um homem como Harry! Além disso, depois das experiências lamentáveis que tivera com homens no passado, sabia que seria muito perigoso apaixonar-se por Harry. Já sofrerá um bocado e não estava disposta a sofrer novamente.
Demorou alguns segundos para perceber que Parvati agitava uma folha de papel diante da janela de comunicação, onde estava escrito "Você está no ar!".
Com movimentos frenéticos, Hermione ajeitou os fones de ou¬vido e inclinou-se para a tela de seu computador.
Sendo produtora do programa, Parvati era responsável por se¬lecionar as ligações a serem atendidas e enviar pelo computador a informação de que Hermione precisaria para atender o ouvinte.
Linha três. Wendy, de Winnetka. Pergunta sobre um sujeito estranho. Acorde! Está lendo isto? Responda!
Depois de verificar o volume do microfone, Hermione falou:
— Desculpem nossa falha. Estamos falando com Wendy, de Winnetka. Alô, você está no ar. No que podemos ajudá-la?
— Conheço um sujeito que faz uma coisa estranha, e eu gostaria de saber sua opinião.
— Muito bem, mas não se esqueça de que este programa é sobre relacionamentos e não educação sexual.
Wendy riu.
— Não é nada disso. Acontece que ele... Bem, ele me emprestou um livro de poesias, que era pesado demais para mim.
— Pesado demais? E quanto pesava esse livro?
— Uns dois ou três quilos — Wendy respondeu, mascando chiclete.
Burra como uma porta!, Parvati digitou na tela.
— Bem — a ouvinte continuou —, devolvi o livro e, então, ele me telefonou, dizendo que havia encontrado um fio de cabelo meu entre as páginas, sentiu meu perfume, e isso o fez pensar em mim. Ele é meu colega de faculdade, e eu não o vejo como um futuro namorado. Está me entendendo?
— Quer dizer que não quer que ele cheire seus cabelos? Não possui afinidade olfativa com seu colega?
— Olfa... o quê?
Mais burra que uma porta!, Parvati digitou.
— Olfativa quer dizer relacionada ao olfato, o sentido que nos permite sentir cheiros — Hermione explicou. — Está me parecendo que esse rapaz é romântico.
— Mas o fio de cabelo que ele cheirou estava morto, pois já havia caído de minha cabeça. Não acha que isso pode ser um tipo de perversão?
— Não importa o que eu acho, mas sim o que você acha e, pelo que pude entender, você acha que esse relacionamento não tem futuro.
— Exatamente.
— Nesse caso, deve dizer isso a ele.
— E se ele decidir parar de me ajudar com os trabalhos da faculdade?
— Esse é um risco do qual você não poderá fugir.
— Mas, se isso acontecer, serei reprovada em inglês.
— Talvez, mas vai tirar nota máxima em humanidade — Hermione apontou com voz gentil. — Pense em como você se sentiria se alguém a usasse somente para atingir um objetivo. Acredite, sei muito bem o que é isso.
Neil, o autor de peças teatrais, tentara usar os contatos de Hermione no meio artístico para colocar seus trabalhos em cartaz.
— É triste — continuou. — Portanto, seja gentil, está bem? Obrigada por ter ligado, Wendy. Nosso tempo terminou. Obri¬gada a todos por sintonizarem conosco. Estaremos de volta, amanhã. Sou Hermione Granger, agitando corações com "Amor no Ar".
Miguel, o operador de som, acionou a fita de fechamento do programa, que reproduzia som de cubos de gelo sendo jogados dentro de um copo, seguidos por uma bebida borbulhante.
— Conte-me, de novo, como foi com Harry, ontem à noite — Parvati ordenou, assim que Hermione deixou a cabina.
— Já contei dez vezes. Foi tudo bem. Vou jantar com ele, hoje, no Andre's.
— O que significa que Severus e eu teremos de estar lá para testemunhar o evento.
Parvati parou para mostrar a língua à foto de Severus, pendurada na parede.
— Não me faça lembrar disso — Hermione pediu, revirando os olhos. — Já vou ficar nervosa o bastante pelo simples fato de estar na companhia de Harry.
— Estava pensando nele, quando simplesmente esqueceu de entrar no ar, não foi?
— Talvez.
— Não me venha com "talvez"! Pensa que não sei como um sujeito espetacular igual a ele pode virar a cabeça de uma mulher?
— Não me distraí com fantasias sobre o corpo dele — Hermione protestou.
— Claro que não — Parvati falou em tom de provocação. — Provavelmente, estava criando fantasias sobre as mãos dele. Admita, ele tem mãos lindas, longas e sensuais... poderosas.
— Para ser sincera, nem notei.
— Mentirosa! Bem, se não quer admitir que ele é mesmo muito sexy, o problema é seu. Só não se distraia durante o programa outra vez. Quase tive um ataque!
Hermione abaixou a cabeça, fingindo remorso.
— Lamento o que aconteceu.
— Pois deveria lamentar sua aparência — Parvati retrucou, examinando o vestido florido e largo de Hermione. — Espero que esteja planejando trocar de roupa, antes de se encontrar com Harry.
— Você tem um jeitinho especial de acabar com minha autoconfiança.
— Seu vestido é apropriado para trabalhar, mas para agar¬rar um homem, é preciso outro tipo de roupa.
— Como o daquela mulher que estava saindo do salão de Omar? — Hermione inquiriu com ironia. — Sinto muito, mas não é meu estilo.
— Que tal um vestido preto, bem justo?
Hermione soltou uma risada.
— Não tenho nada preto, bem justo, mas tenho um vestido violeta, mais ou menos justo. É o que pretendo vestir, esta noite. Estou começando a ficar ansiosa pelo jantar. Ouvi dizer que a comida é excelente, no Andre's.
— Esqueça a comida — Parvati ordenou. — Trate de se con¬centrar no homem... e na aposta.
Harry já estava a sua espera, quando Hermione chegou ao restaurante, que era ainda mais sofisticado do que ela havia imaginado. Ele combinava perfeitamente com o ambiente de alta classe, com seu terno preto, camisa branca impecável e a conservadora gravata cor de vinho. Usando óculos, não tinha nada em comum com o Cavaleiro Negro, cujo saxofone a em-balara, na noite anterior. Porém, olhando bem de perto, lá estavam o queixo quadrado e os incríveis olhos verdes.
Harry não estava sozinho, o que foi uma surpresa.
Um loira muito bem vestida ouvia cada palavra que ele dizia com ar de fascinação. Era tão bonita quanto ele, o que provocou imediata apreensão em Hermione.
Não era ciúme, mas sim insegurança. Muitas vezes antes, sentira o mesmo quando sua irmã, Érica, flertara com Bobby DelGreco, na oitava série e, também, quando lhe roubara o namorado, Randy Smurtz, no colegial. Assim como todos os anos, na festa de Natal, na casa de seus pais.
Na verdade, Hermione fora invadida por aquela mesma sen¬sação, todas as vezes em que olhara para sua família perfeita e se perguntara onde se encaixaria, em meio a tanta beleza. A resposta sempre fora simples: jamais se encaixaria.
Mas aquilo pertencia ao passado e, naquele momento, ela tinha de se concentrar no presente. Afinal, era Hermione Granger, uma personalidade do rádio, e não deveria agir como uma menina assustada, escondendo-se pelos cantos.
Respirou fundo, aproximou-se de Harry e, de cima dos saltos altíssimos, exibiu seu melhor sorriso.
Ele sorriu em resposta.
E, para surpresa de Hermione, a loira se afastou, à procura de outra vítima.
— Interrompi algo? — ela perguntou.
— Nunca vi essa mulher, antes. Obrigado por ter chegado em momento tão oportuno. Salvou a minha vida. — Antes que Hermione pudesse dizer algo, Harry acrescentou: — Você não é como as outras mulheres.
— O que está querendo dizer?
— Que você é diferente. Só isso.
Sim, era muito diferente, Hermione pensou, enquanto o maitre os conduzia até a mesa. Não estava interessada apenas no corpo de Harry, mas sim em ganhar uma aposta. Embora aquilo a fizesse sentir-se mal, estava decidida a provar para Severus e quem mais duvidasse dela, que era perfeitamente capaz de se envolver em um relacionamento. Estava decidida também a esclarecer alguns fatos ocorridos na noite anterior.
— Harry, quanto à cena no Muddy's, ontem à noite, não quero que pense que tenho o hábito de chamar a atenção sobre mim, ou que costumo encontrar bêbados que gritam coisas sobre sexo todas as noites — declarou a queima-roupa.
Harry lançou-lhe um olhar irônico.
— Tem algo contra sexo todas as noites?
Ela arregalou os olhos e, então, sorriu.
— Ora, você tem senso de humor.
— Deveria me sentir insultado por você se mostrar tão surpresa?
— De jeito nenhum. Adoro surpresas. E você?
— Não gosto muito de imprevistos.
Ótimo! Ele não gostava de apostas, nem de surpresas. Harry era tão atraente, que Hermione tratou de não fitá-lo nos olhos, algo que não fazia desde os tempos de colégio, quando ignorava Bobby para que ele não percebesse sua paixão irremediável.
— Já sabe o que vai pedir ou gostaria de ajuda para escolher o prato? — Harry perguntou.
Hermione precisava de muita ajuda... Jantar com ele era uma coisa, mas fazer com que ele a beijasse, era bem diferente. Em pânico, não conseguia se lembrar se Harry deveria beijá-la no restaurante, na roda-gigante, ou enquanto patinavam. De¬veria ter tomado notas.
— Já decidiu o que vai pedir? — ele insistiu.
Harry, nu, em uma bandeja. A imagem explodiu na mente de Hermione, com clareza assustadora. Imediatamente, ela tra¬tou de apagá-la, tentando concentrar-se no mantra que sempre entoava quando ficava nervosa, antes de um programa. Lem¬bre-se de que toda essa situação deve acontecer de maneira suave e fácil, sem complicações. Nada em sua vida jamais acon¬tecera com facilidade e, portanto, seria tolice esperar que tudo mudasse àquela altura.
— Você está bem? — Harry inquiriu.
— Pode apostar. Desculpe. Havia me esquecido de que você não gosta de apostas. Vamos começar de novo. Sou Hermione Granger. Você é...?
— O sujeito mais faminto desse lugar.
Sem mais demora, os dois pediram o mesmo prato: peixe com legumes, regado com molho holandês. Foi uma excelente escolha, e o garçom os serviu com eficiência.
Harry arrumou a comida, de maneira que as cenouras for¬massem um ângulo reto com o peixe, que parecia marcar seis horas no prato, enquanto as batatas marcavam nove. Hermione notou que ele não permitia que os legumes tocassem no peixe, mantendo-os meticulosamente separados. Muito diferente da maneira como ela atacava sua comida.
Havia outros exemplos de quanto ela e Harry eram diferentes. Ele era bonito, ela não. Ele tinha bom senso, ela não. Se tivesse ao menos um pouco de bom senso, não estaria naquela enrascada.
O restaurante estava lotado, e muitas mulheres flertavam ostensivamente com Harry, que tratava de ignorá-las.
— Essa história de ser o solteiro mais sexy da cidade parece deixar você constrangido — Hermione comentou.
— É uma grande idiotice — ele confirmou, visivelmente embaraçado.
— Mas deve estar acostumado ao fato de as mulheres pres¬tarem atenção em você.
— Prestarem atenção é uma coisa, enviarem a si mesmas pelo correio é outra, completamente diferente. Hoje, uma caixa enorme foi entregue em meu escritório. Dentro dela, havia uma mulher!
— Está brincando!
— Bem que gostaria de estar.
— Ora, tente manter a calma — Hermione tentou confortá-lo. — Afinal, poderia ser bem pior. Imagine se tivessem feito um calendário com suas fotos, como aquele dos "Reis dos Músculos". Minha produtora tem um, pendurado na parede da sala dela, na rádio.
Harry lançou-lhe um olhar duro.
— Está inventando essa história, não está?
— Não. Ela tem dois outros calendários afixados na parede. E, voltando a seu problema, posso entender por que uma pessoa como eu detestaria ser o centro das atenções, mas você...
— Espere um instante — ele a interrompeu. — Por que não gosta de ser o centro das atenções?
— Ora, olhe para mim! Estou longe de ser considerada uma mulher glamorosa.
— Pois gosto muito de olhar para você.
— Não precisa dizer isso — ela pediu com um sorriso. — Não estou tentando caçar elogios. Vamos falar de você.
Harry deu de ombros.
— Não há muito o que falar.
Seria bem mais fácil continuar a conversa se o assunto gi¬rasse em torno de Harry, mas estava evidente que ele era um homem de poucas palavras. Assim, Hermione voltou à questão sobre como levantar fundos para ajudar as vítimas de violência doméstica, assistidas pela Safe House.
O tempo voou enquanto os dois sugeriam diversas opções, descobrindo que formariam uma boa equipe de trabalho, um complementando as idéias do outro. Mal notaram o garçom que recolheu os pratos vazios.
Foi somente quando saboreava seu café, que Hermione olhou para a parede de espelhos e descobriu que Parvati e Severus encon¬travam-se no bar apinhado. Ela ocupava uma mesa minúscula a um canto, enquanto ele bebia uma cerveja no balcão. A visão dos colegas de trabalho a trouxeram de volta à realidade.
Enquanto conversara com Harry, sua mente havia funcio¬nado em ritmo alucinante. Ele tinha idéias excelentes, além de uma visão muito prática das coisas, mantendo as sugestões no plano das possibilidades reais. Tratava-se de um homem capaz de fazer com que sonhos pudessem ser realizados.
Ao tentar terminar seu café, Hermione acabou com creme não só nos lábios, mas também na ponta do nariz.
— Nossa! O que você vai pensar de mim? — falou com uma risada.
Apanhando o guardanapo ainda imaculado, Harry inclinou-se para limpar-lhe o rosto.
— Vou pensar que é uma delícia tirar o creme de seu nariz — ele murmurou tão perto, que Hermione sentiu-lhe o hálito quente de encontro à pele.
— Está dizendo isso só para me fazer sentir melhor.
O coração de Hermione batia descompassado. Seriam proble¬mas cardíacos ou aquele homem era mesmo o solteiro mais sexy de Chicago? Ela pigarreou, testando a voz. Afinal, seu plano de assistência médica não oferecia cobertura a persona¬lidades femininas do rádio que ficavam mudas após excesso de exposição à sensualidade masculina.
— Por que insiste em não acreditar no que digo? — Harry indagou. — Acha que eu seria capaz de mentir?
— Não, mas tenho certeza de que sua mãe soube como ensiná-lo a ser gentil.
— Algo errado em ser gentil?
— Não. Eu não quis dizer que você estava mentindo. Só acho que estava tentando ser gentil. O que é bom. Hoje em dia, não é fácil encontrar pessoas gentis. Vai comer esse biscoitinho? Costuma comer quando está nervoso? Homens tam¬bém fazem isso, ou trata-se de uma característica exclusiva¬mente feminina? A julgar pelos telefonemas que recebo durante meu programa, eu diria que só as mulheres comem quando estão nervosas. Estou falando muito. Você deveria me fazer parar, antes que eu diga algo estúpido demais.
Harry inclinou-se sobre a mesa e a beijou. Foi tão rápido que Hermione perguntou-se se havia acabado de ter uma alucinação. A surpresa a impediu de fazer qualquer coisa, que não fosse olhar para ele, boquiaberta, enquanto tentava con¬trolar a atração que provocava reações incríveis em seu corpo. Lera em algum lugar que o beijo era a possibilidade de um homem e uma mulher experimentarem o sabor um do outro. Ora, Harry era, definitivamente, delicioso.
Infelizmente, Hermione não pôde desfrutar do momento como gostaria, pois logo se distraiu ao ver as mãos de Parvati, que realizavam gestos frenéticos. Embora ela estivesse fora do cam¬po de visão de Harry, era apenas uma questão de tempo até que alguém notasse a pantomima, semelhante à que Parvati usa¬va, quando produzia o programa. A única diferença era que Hermione jamais vira aqueles gestos específicos, antes.
Murmurando uma desculpa para ir ao banheiro, Hermione levantou-se e, assim que se viu fora das vistas de Harry, deu a volta e se dirigiu até a mesa de Parvati, onde se sentou apressada.
— Você deveria apenas observar, e não agir como o técnico de um time de futebol!
— Estou só tentando ajudar. Ora, Hermione, você tem de admitir que tenho muito mais experiência com os homens do que você.
— Você tem mais experiência do que todas as mulheres que se encontram neste lugar!
— Obrigada — Parvati agradeceu com um sorriso orgulhoso.
— O que não significa que pode continuar aqui. Já testemunhou o beijo. Agora, trate de ir embora.
— O que eu estava tentando lhe dizer era que você deveria ser beijada por Harry na roda-gigante e não aqui.
— Ah, então era esse o gesto que eu não conseguia com¬preender. Droga! Era justamente o que eu temia.
E Hermione também temia ter gostado demais do beijo rápido de Harry.
Que tipo de mulher ela era, afinal, para levar Harry àquele restaurante, sob falsos pretextos? A resposta era simples: era uma mulher desesperada.
Se tudo desse certo, Hermione ganharia a aposta e defenderia sua reputação, além de forçar Severus a ser gentil durante um ano inteiro. E, ainda, como resultado de sua conversa com Harry, seria capaz de fazer uma excelente campanha de doações para a Safe House. Ainda bem que ele não havia sugerido que ela falasse diretamente com a direção da instituição, em vez de envolvê-lo no assunto.
Agora, tudo o que tinha a fazer era manter a calma, a com¬postura e o senso de humor. E, claro, evitar se sujar com a comida ou bebida.
— Você ouviu o que eu disse? — Parvati perguntou.
— Não, mas preciso voltar para Harry.
— Um sacrifício e tanto! — a amiga zombou. — Quando olho para Harry, fico me perguntando por que Severus não fez a aposta comigo.
— Porque ele sabia que perderia. Agora, pare de babar e vá embora. E, por favor, leve Severus com você.
Enquanto se levantava, Hermione continuou prestando aten¬ção em Parvati e, assim, não viu o garçom que se aproximava com o carrinho de sobremesas. Ele não esperava que ela se colocasse em seu caminho. A colisão foi inevitável.
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Nick Granger Potter: Na verdade naum foi uma frase, foi um pedaçaum...
naum sei o q deu... mas valeu por avisar... hj ou amanhã tem post... Bjus...

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Comentários: 1

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Enviado por Diênifer Santos Granger em 06/12/2013

Amaaaaaaaaaaaaaaando!

Nota: 5

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