Já havia escurecido quando Hermione voltou para casa. Um caso tomara-lhe mais tempo do que havia previsto. Só quando a poção ficara concluída por completo ela saiu para atender ao outro chamado, que era bem mais simples. Um antiinflamatório e uma pomada resolveriam o problema, sem maiores usos de poções.
Agora podia pensar naquele jantar com Viktor Krum.
Uma dúzia de vezes tivera o impulso de telefonar-lhe para desmarcar o compromisso, mas em cada uma delas, arrumara uma desculpa para desistir: não tinha o número dele; não sabia o endereço; talvez ele não estivesse em casa. Agora era tarde.
Tarde demais, constatou ao consultar o relógio de pulso. Sete e meia! Ele chegaria a qualquer minuto e ela ainda precisava tomar banho e se vestir.
Correu para o banheiro, desabotoando a roupa pelo caminho. Tomou um banho em tempo recorde e enquanto se enxugava, contemplava desanimada o seu reflexo no espelho. O que faria com aqueles cabelos molhados? Não teria tempo de secá-los antes que Viktor chegasse, mas também não podia aparecer daquele jeito na frente dele.
De repente, um outro pensamento deixou-a em pânico: o que vestiria? Não fazia a menor idéia de onde ele pretendia levá-la. Na verdade ele nem ao menos lhe dera chance de dizer se aceitava ou não o convite, lembrou-se, indignada. E agora ela não sabia se devia usar uma roupa informal ou não, mas, com certeza, um homem como Viktor Krum freqüentava lugares requintados. Por outro lado, seria embaraçoso se ela se vestisse de uma forma sofisticada e ele aparecesse de jeans. Deus! Por que ela não desmarcara aquele jantar? Se ao menos surgisse um imprevisto e ele não aparecesse!
O toque da campainha sepultou aquela esperança. Já? Mas Viktor havia dito oito horas. Não podia ser ele! Abriu a porta do armário, mas tornou a fechá-la. Não podia deixá-lo esperando do lado de fora enquanto se arrumava. Suspirou, resignada. Vestiu um robe e enrolou os cabelos numa toalha.
Os lábios de Viktor curvaram-se num sorriso quando ela abriu a porta.
— É esta a tendência da moda para a próxima estação? — Era evidente que estava se divertindo. — Pois tem a minha aprovação.
— Eu... acabei de chegar — gaguejou Hermione. Situação mais embaraçosa! E, sem refletir, acrescentou: — Você sabe, algumas pessoas precisam trabalhar para viver. — Sabia que ele vinha de uma família tradicional e multimilionária da Bulgária. O Quadribol era apenas um hobby para Viktor. Um hobby bem caro, pensou, lembrando-se de que ele mantinha viagens constantes pelo mundo a jogar com seu time.
Mas ele não se aborreceu com a indireta. Pelo contrário. Sorrindo outra vez, perguntou:
— Será que nós podemos entrar? Ou você prefere jantar aqui, no hall?
— Nós? — Automaticamente, levou as mãos à toalha enrolada em forma de turbante na cabeça.
Imperturbável diante da expressão horrorizada de Hermione, Viktor deu um passo para trás e, a um sinal da varinha dele, dois elfos uniformizados aproximaram-se. O primeiro empurrava uma mesa redonda sobre rodas, com todos os utensílios para um jantar a dois: toalha de linho, copos de cristal, porcelana chinesa, talheres e castiçais de prata.
— Onde devo colocar isto, senhorita?
Incapaz de articular as palavras, Hermione simplesmente apontou para a sala de estar. Logo atrás do primeiro elfo, surgiu um segundo empurrando um carrinho onde se viam três travessas de prata tampadas. À passagem dele, um aroma delicioso espalhou-se pelo ar, aguçando o apetite de Hermione. Ela se voltou para Viktor, que, de braços cruzados, observava-a apoiado no batente da porta.
— Mas o que...
Ele a segurou pelo braço e conduziu-a gentilmente para a sala.
— Eu imaginei que você estaria cansada demais para sair e achei melhor jantarmos em casa. Espero que não esteja decepcionada.
Hermione olhou para os dois garçons, ocupados em dar os últimos retoques no arranjo da mesa. Incrível, fantástico ela não sabia qual adjetivo seria mais apropriado para descrever o que estava acontecendo. Como num passe de mágica, sua sala de estar transformara-se num fragmento de algum restaurante luxuoso.
— Decepcionada? — Olhou para Viktor e sorriu. — Você deve estar brincando.
— Eu imaginei que você gostaria. — Voltou-se para os elfos, que, perfilados ao lado da mesa, aguardavam instruções. — Vocês estão dispensados. Nós mesmos nos servimos.
— Como quiser, senhor.
Quando os elfos saíram, Viktor puxou uma cadeira para ela. Ainda atordoada pela surpresa, Hermione sentou-se e aguardou enquanto ele abria a garrafa de champanhe. Quando a rolha saltou, os dois riram. Viktor encheu uma taça, que ofereceu a ela.
Só então Hermione lembrou-se de sua aparência. Olhou para Viktor, tão elegante naquele smoking e percebeu que ela era a única nota destoante no ambiente. Era como estar jantando de robe no Maxim‘s.
— Acho melhor vestir alguma coisa mais adequada — murmurou, levantando-se.
Viktor tomou um gole de champanhe sem tirar os olhos dela. Hermione estremeceu, como se ele pudesse adivinhar que ela não usava nada por baixo do robe.
— Para quê? Você me parece linda assim como está.
— Com uma toalha enrolada na cabeça e sem maquiagem?
Ele sorriu do espanto de Hermione.
— Você é uma das poucas mulheres que conheço que não precisam de artifícios para ficar mais bonitas.
Ela corou ao ouvir o elogio e, murmurando qualquer coisa, levantou-se e saiu da sala. Abriu o armário e tirou um vestido preto, drapeado, que moldava tão bem o seu corpo e deixava à mostra o colo perfeito e os braços bem torneados, mas o que faria com os cabelos? A única alternativa seria prendê-los num coque, mas, para não ficar com um ar muito austero, puxou alguns fios soltos. Agora um pouco de maquiagem, perfume e estaria pronta.
Antes de sair do quarto, olhou-se no espelho e sorriu. Tudo parecia tão irreal! Viktor Krum estava na sua sala, cobrindo-a de atenções, tratando-a como a uma rainha. Então era assim que a nata da sociedade bruxa vivia: comida preparada por um chef elfos surgindo e desaparecendo a um simples estalar de dedos...
— Você sabe como tratar uma mulher — comentou ao entrar na sala. — Eu estou impressionada.
Viktor puxou a cadeira para que ela se sentasse e depois ocupou o lugar em frente. As chamas dos castiçais tremulavam, realçando os traços fortes do rosto dele, tornando seus olhos quase pretos.
— Eu não fiz isto para impressioná-la. Foi a forma um tanto desajeitada que encontrei para mostrar que gosto da sua companhia.
— Desajeitada? — Levou a taça de champanhe aos lábios e o líquido suave e dourado deslizou por sua garganta. Aos poucos, Hermione sentia-se mais leve, mais solta. — Pois eu sempre pensei que estas coisas só acontecessem nos filmes.
— É mesmo? — o tom era displicente, mas era óbvio que Viktor estava satisfeito com a reação de Hermione.
O jantar foi perfeito. A comida estava deliciosa e a atmosfera envolvente, mas Hermione estava mais interessada em Viktor. Tudo o mais era apenas um pano de fundo, que tornava aquele homem ainda mais fascinante e misterioso. Como se houvesse um acordo tácito entre eles, não mencionaram o acontecimento trágico daquela tarde. Antes que a noite se transformasse num desastre, Hermione apreciou cada momento. Viktor parecia mais interessado em conhecer a vida dela do que em falar de si mesmo.
— Por que você decidiu ser mestre de poções? — Foi a primeira pergunta dele.
— Porque meu pais eram dentistas apaixonados por esse incrível mundo bruxo. — respondeu Hermione e riu ao ver a expressão confusa de Viktor.
— Cresci ouvindo discussões científicas à mesa do almoço e do jantar, mas como bruxa, não queria simplesmente uma profissão trouxa na área — explicou. — Nada mais natural que eu seguisse esse caminho, não acha?
— Então por que não escolheu medicina bruxa?
— Porque eu sempre gostei de lidar com caldeirões.
— Especialmente curativas, acertei?
— Em cheio! — confirmou Hermione. — Eu tinha a clássica síndrome da "menina que quer salvar o mundo". A única diferença é que eu não tinha encontrado um meio, mas isso mudou quando entrei em Hogwarts.
— Já sei: a clássica síndrome da "menina apaixonada por poções".
Hermione concordou, o olhar perdido naquelas reminiscências.
— Acho que estou falando demais. Eu não costumo dar asas à fantasia desse jeito. Deve ser o champanhe.
— É bom sair da realidade às vezes. Não se pode ser prático o tempo todo.
— Parece que você fala por experiência própria.
— Você está certa — admitiu. — O que faço é um bom exemplo disso. Pelo menos, é o que meu pai pensa. Ele considera o Quadribol um empreendimento totalmente sem sentido.
— Mas por quê? Você joga numa das seleções mais famosas!
— Meu pai é a favor de que eu entrasse para o ramo da criação de criaturas mágicas, como ele — falou, como se isso explicasse tudo.
Hermione entendeu onde ele queria chegar.
— Criaturas mágicas são um negócio extremamente rentável... Seu pai se dedica à isso?
— Mais do que isso. Ele é o proprietário do centro Angel’s Flight.
— Angel’s Flight! — Hermione estava atônita. — Isso é incrível.
Hermione não havia feito a relação entre os dois homens, porque o sobrenome de Viktor era Krum, mas qualquer um ligado ao trato de criaturas mágicas conhecia o famoso homem por detrás do A.F. Os melhores puros-sangues do mundo estavam lá.
— Foi por isso que estava em posse de um hipogrifo, suponho. — quis saber Hermione.
— Exatamente. Estou jogando tudo o que possuo nisso.
Hermione não fez qualquer comentário. Estavam sentados lado a lado no sofá e ela girava a taça de champanhe entre os dedos. A aura de magia daquela noite parecia acentuar-se agora que estavam tão próximos. Mesmo quando falavam de assuntos gerais durante o jantar, Hermione estivera consciente da atração que Viktor exercia sobre ela. Muitas vezes, surpreendera-se estudando-lhe a fisionomia expressiva, observando, fascinada, os movimento daqueles lábios sensuais quando ele falava.
Voltou o rosto para Viktor e, quando seus olhares se cruzaram, Hermione sentiu uma necessidade urgente de aninhar-se nos braços dele e beijar-lhe a boca. Queria saber se aquele corpo era tão forte e musculoso quanto aparentava. Queria fazer amor com Viktor.
Durante um longo momento eles se encararam sem dizer nada. O silêncio prolongou-se até um limite quase insuportável, ambos aguardando estudando-se, conscientes do que viria a seguir.
Viktor tirou a taça das mãos de Hermione e colocou-a sobre a mesinha de centro e, sem uma palavra, tomou-a nos braços.
O beijo que trocaram pareceu-lhes a conseqüência natural daquela noite. Era como se cada gesto dos dois, desde a chegada de Viktor, houvesse sido um passo naquela direção: os olhares e os sorrisos que haviam trocado, a comunhão de idéias, o entendimento mútuo das aspirações de cada um.
Quando Hermione sentiu os braços de Viktor ao redor da cintura e os lábios dele entreabrirem-se sobre os seus, nem pensou em resistir, abandonando-se totalmente à sensualidade daquele momento. Há muito tempo um homem não despertava tantas emoções nela. Beijar Viktor era como chegar a um oásis após uma longa caminhada pelo deserto. Suas línguas se encontraram e as mãos de Viktor subiam e desciam pelas costas de Hermione.
Quando Viktor ergueu o rosto ela soltou um gemido de decepção. Com um movimento rápido ele a puxou para o colo, os braços prendendo-a com força, como se temesse que Hermione tentasse escapar. Novamente, seus lábios procuraram os dela num beijo ardente e ansioso.
Todo o corpo de Hermione vibrava, ansiando pelas carícias de Viktor. Quando a mão dele deslizou para dentro do decote e alcançou um dos seios ela gemeu de prazer. Com dedos trêmulos, abriu um a um os botões da camisa dele e suas mãos acariciaram o peito largo, com poucos pêlos escuros e macios.
O desejo crescia inexorável dentro deles. Hermione podia sentir as batidas aceleradas do coração de Viktor, ouvir-lhe a respiração entrecortada enquanto ele lhe beijava os lábios, o pescoço, o colo.
— Você é cheia de surpresas — sussurrou ao ouvido dela.
Hermione sorriu e afastou o rosto para observar melhor o dele.
Uma mecha de cabelos curtos estava caída sobre a testa de Viktor, dando-lhe um ar displicente e jovial.
— Mas você não disse que podia ler nos meus olhos tudo o que eu pensasse? — murmurou, traçando delicadamente com o indicador o contorno dos lábios dele.
— Eu me enganei. Nunca imaginei que...
— O quê?
Ele não respondeu e limitou-se a balançar a cabeça.
— Alguma coisa errada? — perguntou Hermione, sentando-se no sofá outra vez.
— Não, claro que não. — Pegou a taça de champanhe e tomou um longo gole.
Não, Viktor estava mentindo. Ela sentia que ele estava diferente, mas por quê?
— Não é nada. Verdade! — insistiu Viktor. — É que, de repente eu me lembrei de algumas coisas que me preocupam e...
O resto da frase ficou no ar. Hermione não sabia o que pensar daquela mudança tão súbita. Sentia-se tola e um pouco humilhada. Se ele estava preocupado com outras coisas, por que a beijara daquele jeito? Talvez não a desejasse tanto quanto ela imaginara. Não, os beijos, as carícias tornavam essa hipótese absurda. Só lhe restava aguardar uma explicação. Se ele estivesse disposto a dá-la, é claro.
— Que coisas? — De repente, achou que descobrira a resposta. — Você está se referindo ao que aconteceu esta tarde?
Os lábios de Viktor tremeram e Hermione percebeu que não se enganara.
— Você quer falar sobre isso? — arriscou Hermione, com cuidado.
Ele hesitou antes de responder, acompanhando com o olhar os pequenos círculos de fumaça que subiam.
— Eu pensei a tarde toda no que aconteceu — falou finalmente. — Tem que haver uma explicação lógica. O hipogrifo estava bem; no minuto seguinte, parecia louco. — Voltou-se para ela, angustiado. — Não havia nada que alguém pudesse fazer para salvá-lo, havia?
Hermione percebeu a aflição na voz dele e hesitou. Precisava falar com cuidado escolheu bem as palavras.
— Eu não sei... É difícil dizer qualquer coisa agora — ponderou, odiando-se por parecer tão reticente.
— Hoje à tarde você estava bem mais segura — replicou, irritado. — Que eu me lembre, você estava furiosa com Martin.
Hermione desviou o olhar, consciente de que estava pisando num terreno perigoso. Queria evitar uma confrontação que não levaria a nada agora.
— Olhe, Viktor, nós não podemos mudar o que aconteceu. É melhor você esquecer esse assunto.
— Esquecer? Que inferno, Hermione! Você não entende que eu preciso descobrir o que houve? — explicou. — Você me garantiu que nós podíamos ter feito alguma coisa.
— Isso não vem ao caso agora.
— Como não? Você sabe muito bem que a companhia de seguros mágicos vai fazer uma investigação rigorosa. Se eles descobrirem alguma coisa errada eu não vou receber um centavo pela morte do hipogrifo.
— Desmond pode cuidar disso — falou Hermione. — Tenho certeza de que ele dará todas as explicações.
— E você? O que vai dizer?
Uma suspeita horrível insinuou-se na mente de Hermione. Então tudo fazia parte de um plano para descobrir o que ela diria à companhia de seguros mágicos? O jantar, os garçons, o champanhe. E, de quebra, alguns momentos de sexo, concluiu com amargura. Viktor sabia que ela não aprovara o procedimento de Desmond e que no lugar dele teria agido de forma totalmente diferente.
— Se alguém me perguntar alguma coisa eu direi o que teria feito — explicou, procurando manter a calma embora sua vontade fosse dizer-lhe poucas e boas.
— E o que você teria feito?
— Teria dado um tranqüilizante ao animal e feito os exames necessários para descobrir o que havia de errado com ele — esclareceu, adotando um tom frio e profissional. — Eu jamais o sacrificaria de uma forma tão arbitrária.
— Mas então, por que Martin matou-o sem hesitar?
Hermione estava furiosa demais para notar a angústia no olhar dele. Teve ímpetos de dizer que Martin Desmond não passava de um crápula, mais interessado em poder e dinheiro do que no exercício honesto da profissão. Ele apenas havia escolhido o caminho mais fácil, como sempre fazia. Como gostaria de dizer a Viktor que Desmond não passava de um mercenário, para quem a saúde de um animal não significava nada, a não ser uma fonte de renda...
Mas, por mais furiosa que estivesse, ainda conservava algum vestígio de prudência. Martin Desmond podia ser um crápula e um mercenário, mas também era um homem poderoso e influente. Hermione não pretendia dar-lhe a chance de destruir a sua carreira e sepultar, sem misericórdia, os sonhos que ela acalentara durante tantos anos.
— É melhor você perguntar isso a ele — afirmou. Desprezava-se por ser tão covarde, mas não havia outro jeito.
— Eu estou perguntando a você — insistiu Viktor.
— Eu não tenho mais nada a dizer — garantiu, irritada pela forma como ele a pressionava. — Já é bem tarde, Sr. Krum. Se não se importa eu estou cansada e quero ir dormir — acrescentou, levantando-se.
Ele se levantou também e Hermione sentiu-se intimidada ao lado daquele homem tão alto e forte, mas não recuou um passo.
— Eu pensei que a noite fosse terminar de outro jeito...
— Eu sei. Sua intenção era me envolver com todo esse aparato — falou com frieza, apontando para a mesa do jantar. — Você queria ter certeza de que eu me tornaria mais flexível e acabaria cooperando, mas, infelizmente, o seu plano falhou, Sr. Krum. Quando a companhia de seguros pedir o meu parecer eu não vou mentir.
Viktor olhou-a como se houvesse levado um tapa na cara.
— E quem lhe pediu para mentir?
— Por favor, vamos encerrar essa discussão desagradável. — Congratulou-se por conseguir falar naquele tom calmo e, ao mesmo tempo distante. — Boa noite, Sr. Krum. — Foi até a porta e abriu-a. — E não se preocupe. Martin Desmond já enfrentou situações bem mais espinhosas antes. Tenho certeza de que você vai receber o seu dinheiro.
Furioso, Viktor saiu sem dizer nada. Hermione nem esperou que ele se afastasse e bateu a porta com um estrondo.