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4. Capítulo IV


Fic: The Devils bride - Epilogo postado


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Oi, oi povo!! Bora ver como será o primeiro momento pós casamento?
Carla Cascão: Pois é... Hermione se ferrou... Então, vai formulando suas teorias, normalmente você sempre acerta... ^^
 
Bjos e uma boa leitura!






*****





 
De cabeça erguida, Hermione seguiu o sempre-presente Filch, que viera buscá-la para o jantar. Seu quarto e o cubículo ao lado, uma espécie de depósito, estavam agora limpos e arrumados. Ela tentava não pensar nos aposentos espaçosos de Belvry ou no solário, rodeado de janelas envidraçadas, onde costumava passar a maior parte do dia. Talvez pudesse mandar buscar algumas de suas tapeçarias favoritas para cobrir as paredes de Dunmurrow e para alegrá-la também...
Determinada a não alimentar pensamentos dolorosos, tratou de se concentrar nos problemas imediatos. Depois do jantar iria pedir que lhe preparassem um banho, decidiu, esforçando-se para se concentrar em detalhes. Quem sabe se mantivesse a mente voltada para assuntos banais não conseguiria esquecer, pelo menos por um momento, o tamanho e a gravidade de seu erro.
Sim, havia se enganado terrivelmente, a castanha admitiu pela primeira vez, embora continuasse a negar o fato para Molly. Seu plano fora um completo desastre porque se apoiara demais nas reações de terceiros. Quando o rei e Malfoy agiram de maneira inesperada, tudo fora por água abaixo. Em vez de ganhar a liberdade, suas atitudes a tinham condenado a viver neste lugar sinistro.
O bom senso lhe dizia que devia ter escolhido um outro homem para marido, entretanto bastava pensar nos cavaleiros da corte para chegar a conclusão de que continuaria a rejeitá-los de forma definitiva. A verdade é que preferia não ter se casado com ninguém. E se a opinião de Molly fosse levada em consideração, permaneceria uma mulher solteira. A criada insistia na ideia de que Malfoy era um fantasma ou um demônio, não uma criatura mortal, com sangue quente correndo nas veias. Enquanto arrumavam o quarto, a pobre-coitada fizera questão de repetir à exaustão cada um dos boatos que ouvira sobre o Cavaleiro Vermelho, fazendo-o assumir os mais variados papéis, desde o próprio diabo encarnado até um espectro destituído de forma.
A jovem sorriu para si mesma ao se lembrar das tolices contadas pela serva, pois aquelas histórias absurdas eram risíveis. Aliás, pensando bem no assunto, talvez não houvesse escolhido tão mal assim. Malfoy, de quem não chegara a ver sequer a face, podia ser um marido até melhor do que um homem de carne e osso. Afinal devia ser mais fácil 1idar com uma sombra do que com um nobre arrogante. Não, não era verdade. O Cavaleiro Vermelho, fosse sombra ou não, jamais se deixaria dominar.
Seguindo Filch por um corredor frio e estreito, cercado de pedras por todos os lados, Hermione tropeçou várias vezes por causa da escuridão. Praguejando em silêncio, desejou ardentemente ter escolhido outro cavaleiro para marido. Se houvesse optado por um dos nobres da corte poderia até estar enfrentando outros problemas agora, mas pelo menos seria capaz de enxergar! A noite eterna de Dunmurrow começava a pesar sobre seus ombros como um fardo, frustrando quaisquer esforços de manter a pretensão de que vivia uma situação normal.
Quando Filch parou diante dos aposentos principais ela não se surpreendeu. Não era incomum que o lorde de um castelo ceasse em particular na companhia de amigos íntimos ou convidados especiais. Porém não gostava nada de estar de volta à alcova do Cavaleiro Vermelho. O quarto enorme parecia ainda mais escuro do que se lembrava. O fogo da lareira continuava sendo a única fonte de luz, as labaredas inquietas atirando-se para o ar como línguas vermelhas e vorazes.
Malfoy já estava sentado à mesa, aguardando-a no meio das sombras. Embora houvesse debochado das histórias contadas por Molly horas antes, não conseguia evitar a pontada de inquietude que aquela figura enorme despertava. Sentia-se como uma presa, atocaiada pelo caçador. Ao ouvir um rosnado, estremeceu violentamente.
― Quieto, Pollux ― Malfoy falou e Hermione percebeu, para seu alívio, que o som viera de um dos cães, não de seu marido. Contudo, a escuridão absoluta e a presença ameaçadora dos animais, tornava difícil ignorar os avisos de Molly. Talvez o Cavaleiro Vermelho fosse uma fera, uma coisa horrenda, disforme... Talvez tivesse o rosto distorcido por focinho, caninos afiados e um par de olhos vermelhos flamejantes...
― Sente-se, minha lady. Não vou mordê-la.
O tom seco, quase insultuoso, acabou por transformar o desassossego em irritação. A castanha ergueu o queixo, engoliu uma resposta mal-educada e sentou-se.
― Meu lorde ― ela o cumprimentou no mesmo tom. Depois olhou ao redor, procurando sinais da presença de outras pessoas. Para sua total surpresa, havia apenas dois lugares postos à mesa. ― Onde está o padre? ― indagou. ― E Podmore, o emissário do rei?
Malfoy não pareceu gostar das perguntas.
― Eles já se foram ― respondeu asperamente. ― Partiram logo após a cerimônia de casamento, ansiosos para começar a longa jornada que os aguardava.
Hermione sentiu um misto de frio e calor intenso. Não conseguia acreditar que aquele pequeno grupo que a acompanhara não fora convidado para, pelo menos, pernoitar no castelo. Mesmo que não houvesse abundância de alimentos por causa do inverno, com certeza um pouco de pão e vinho poderia ser servido aos convidados. Jamais ouvira dizer que as testemunhas de um casamento fossem mandadas embora sem que lhes servissem uma refeição.
Saber-se sozinha na companhia do Cavaleiro Vermelho, trancada dentro de Dunmurrow para sempre e com todos os laços que a prendiam ao mundo exterior cortados, era algo no mínimo inquietante.
― Você os mandou embora sem... sem uma palavra minha? ― ela indagou procurando manter a voz firme.
― Eu não sabia que você queria lhes falar. ― Malfoy deu de ombros, como se o assunto não lhe despertasse o menor interesse. ― Aliás, ambos me pareciam bastante ansiosos para tomar o caminho de casa.
Claro que aqueles dois deviam estar loucos para fugir do antro do Cavaleiro Vermelho, a jovem pensou, cheia de desprezo. Afinal não passavam de covardes.
― Então nada de festa de casamento? Nenhuma celebração? ― a pergunta fora feita com uma indiferença calculada.
― Celebração? Não vejo motivo para isso ― Malfoy respondeu sem disfarçar a amargura.
A resposta fria e cortante foi como uma bofetada, deixando-a vermelha de ódio.
― Entendo. Muito bem. Talvez então você tenha motivos para celebrar quando receber a contabilidade de Belvry. Não sei de quanto meu lorde precisa, mas devo lhe informar que acabei de transformá-lo num homem rico.
― Não quero o seu dinheiro! ― irritado ao extremo, ele esmurrou a mesa com força.
Ela decidiu ignorar a explosão.
― Não mesmo? Julgando pela aparência da sua propriedade, eu diria que dinheiro é exatamente aquilo de que você precisa. ― aparentando a maior naturalidade, Hermione partiu um pedaço de pão e mordiscou-o devagar.
― Talvez eu deva lembrá-la que foi você quem veio até aqui sem ser convidada, lady Granger. ― a voz profunda não passava de um sussurro ameaçador. ― Foi você quem me forçou a um casamento que eu não procurei e muito menos desejei. Será que minha lady não pensa na sua... vítima? ― Montmorency lidava num tom enganosamente afável agora. ― E se eu já estivesse comprometido com outra mulher? Você pelo menos considerou a possibilidade? E se eu gostasse de alguém?
Por um breve momento a castanha ficou abatida... e surpresa. Casamentos entre famílias nobres costumavam ser, em geral, arranjados pelos pais dos noivos como um verdadeiro negócio. Porém havia casos de amor na corte sim. Embora o Cavaleiro Vermelho fosse a última pessoa a quem julgaria capaz de experimentar esse tipo de sentimento, não podia ignorar a possibilidade de que ele desejasse outra mulher para esposa. A mulher por quem estava apaixonado.
― Você gosta de alguém? ― perguntou sem rodeios.
Malfoy recostou-se no espaldar da cadeira como se a estudasse com interesse, apesar da escuridão reinante tornar impossível enxergarem um ao outro. Porém o Cavaleiro Vermelho estava longe de ser um homem comum. Talvez ele pudesse vê-la sim, como a criatura das trevas que era.
O barão não respondeu de imediato, deixando o silêncio se estender até ao ponto de quase sufocá-la. Sem que conseguisse entender o motivo, a resposta de seu marido tornara-se subitamente importante. Queria, precisava ouvi-lo negar que gostava de outra mulher.
― Não ― ele respondeu afinal.
― Oh! ― ela largou a faca sobre a mesa com força, irritada por ter sido deixada naquela expectativa.
― Mas e se eu gostasse? ― Malfoy indagou cheio de desprezo, impedindo-a de protestar. ― Você com certeza não pensou em mim, ou em qualquer outra pessoa, um segundo sequer quando traçou esse plano louco para escapar do altar.
Hermione mal podia conter o desagrado. Então aquele insolente tinha coragem de distorcer a situação, de fazê-la parecer a vilã da história quando fora Dumbledore que a forçara a se casar e o Cavaleiro Vermelho tolo o suficiente para concordar.
― Meu lorde, mas eu pensei em você sim. Na verdade nunca imaginei quê seria capaz de aceitar casar-se comigo.
Malfoy resmungou alto, como se as palavras dela confirmassem seus pensamentos.
― Posso saber o que isso significa? ― a irritação dela crescia perigosamente. Já era desagradável o suficiente não enxergar o homem para ainda ter que aguentar resmungos incoerentes.
― Significa, minha querida esposa, que você é exatamente o que eu suspeitava. Uma garota mimada.
― Como você tem a ousadia de me falar nesse tom? ― ela indagou possessa de ódio.
― Posso ousar o que quiser porque sou seu marido ― Malfoy retrucou muito calmo. ― Talvez seja bom lembrar-se desse detalhe.
― Como se eu pudesse esquecer. ― por um instante Hermione julgou ter ouvido um som parecido com uma risadinha, porém descartou logo a possibilidade. Quem sabe um dos cachorros rosnava baixinho... Irritadíssima, resolveu jantar. Melhor comer e ficar em silêncio do que ouvir insultos.
Seu marido não era nenhum tolo, pensou furiosa. Se quisesse dominá-lo, precisaria usar toda a inteligência e sagacidade. Tinha que encontrar uma maneira de dobrá-lo, ou de no mínimo, arrancar o tom de zombaria daquela voz. De repente uma ideia salvadora lhe ocorreu. Uma revelação maravilhosa!
A união podia ser anulada.
É possível invalidar casamentos alegando-se que a cerimônia foi realizada contra a vontade de uma das partes envolvidas. Embora a castanha não tivesse desejado casar-se com homem algum, escolhera Malfoy de livre e espontânea vontade na frente do rei e de várias testemunhas, portanto seria impensável alegar que sofrera algum tipo de coação. Não, ela realmente não teria como dizer que fora coagida.
Mas ele sim.
O Cavaleiro Vermelho deixara claro que não a queria. Durante a conversa de horas atrás, ainda de manhã, aquele grosseirão a insultara, dizendo-lhe que só podia ser uma mulher desejável por causa do dote. O barão também afirmara, em alto e bom som, que só a aceitava como esposa em obediência a Dumbledore. Para completar, não fora ele mesmo que acabara de proclamar sua indignação por ter sido forçado a aceitar um casamento que não procurara e sequer desejara? Concluindo: ele se casara contra a vontade, simplesmente para cumprir um decreto do rei.
Certa de que a união de ambos seria anulada com facilidade, Hermione sorriu. Precisava apenas convencer o marido e dariam um fim àquela farsa. Ficaria livre para voltar para Belvry, uma vez que cumprira sua parte escolhendo um cavaleiro como Dumbledore ordenara. Malfoy tampouco seria culpado. Afinal ele obedecera ao rei. Também ninguém dissera nada sobre quanto tempo o casamento teria que durar.
Usando de todo o seu poder de persuasão, como costumava fazer ao barganhar com os mercadores de tecidos finos e especiarias, a jovem expôs sua ideia brilhante.
― Há uma saída, meu lorde.
― Uma saída para o quê?
― Para você se livrar de mim. ― a voz feminina transpirava doçura.
― Se existe uma saída, eu gostaria de saber qual é.
― Casamentos realizados contra a vontade de uma das partes envolvidas podem ser invalidados ― ela exclamou paciente. ― Portanto, teremos somente que aguardar o tempo suficiente de entrar com uma petição para dissolução de nosso casamento.
― Dissolução? ― o Cavaleiro Vermelho indagou alto. ― Sob qual alegação?
― Sob a alegação de que uma das partes foi forçada a casar-se contra a vontade ― Hermione repetiu exasperada. Será que aquele homem recusava-se a entender?
Ruídos estranhos atravessaram a escuridão, como se o barão estivesse praguejando. Bem, talvez fossem os cães outra vez.
― E então? Você concorda?
― Quer dizer que está mesmo falando sério?! ― Malfoy explodiu surpreso.
― Claro que estou falando sério, meu lorde. É a solução perfeita para o nosso dilema. Quando nossa união for declarada nula e dissolvida, estaremos livres para voltarmos às nossas vidas de solteiros.
Mais ruídos estranhos vindos da direção do Cavaleiro Vermelho. Seria o barulho provocado pelos animais?
― Bem, qual a sua opinião a respeito do meu plano?
― Na minha opinião você é louca! ― a castanha o ouviu levantar-se e sentar-se de novo, a cadeira rangendo sob a montanha de músculos. Ao perceber que a respiração do marido havia se alterado, ela experimentou um princípio de pânico. O que o deixara tão furioso? Ele não fora taxativo ao dizer que não a queria como esposa?
Quando Malfoy voltou a falar parecia ter se acalmado um pouco.
― Vamos ver se consegui entender direito esse seu novo plano. Dumbledore lhe ordenou escolher um marido e você escolheu a mim. Agora quer mudar de ideia e entrar com uma petição junto ao rei e à Igreja para que nosso casamento seja anulado, alegando ter sido coagida?
― Não, não. Você me entendeu mal, meu lorde.
Um suspiro de alívio vindo das sombras colocou-a mais à vontade para explicar o resto do plano.
― Foi você quem contraiu matrimônio sem desejar, portanto é você quem deve entrar com a petição. Claro que vou apoiá-lo. Testemunharei a seu favor, dizendo que você se casou comigo somente por causa da ordem do rei.
― Eu?! ― desta vez o soco de Malfoy na mesa fez o quarto inteiro tremer. Ele se levantou de um pulo, jogando a cadeira no chão. ― Você quer que eu declare que fui forçado a me casar com você?
― Claro que sim ― Hermione respondeu devagar, inquieta com aquela demonstração de fúria. ― É verdade, não é? Pelo menos foi o que você me disse.
O Cavaleiro Vermelho rosnava feito uma fera enjaulada e por um momento ela teve medo de ser atacada. Desacostumada a tais manifestações de raiva, ficou imóvel, tentando lutar contra o sentimento de pavor que ameaçava sufocá-la. Não era o modo como ele parecia pairar sobre o aposento, uma figura alta, sombria e completamente desconhecida, o que a assustava, mas a força daquela ira.
A castanha sempre achara emoções de qualquer tipo algo inquietante e detestava funerais porque o excesso de lamentos e tristeza a incomodava. Mesmo durante o enterro do pai não fora capaz de chorar. Lágrimas que Molly e outras pessoas derramavam com tanta facilidade nunca vinham aos seus olhos. Nervosa, mordeu os lábios sem saber se devia ficar onde estava ou voar para longe do alcance da fúria do Cavaleiro Vermelho.
Ao perceber que o marido não fazia nenhum movimento na sua direção, aventurou um comentário.
― Pelo que pude entender, você não está inteiramente de acordo com o meu plano.
Malfoy deixou escapar um gemido exasperado. Pelo menos era um avanço, Hermione pensou, considerando que até minutos atrás seu marido estivera rosnando.
― Não, não estou de acordo com o seu plano ― ele falou muito calmo. ― Em primeiro lugar, seria uma mentira porque ninguém, jamais, me forçou a fazer qualquer coisa contra minha vontade.
― Mas você disse...
― Eu disse que não procurei e nem desejei esta união. Também não falei nada sobre ter sido coagido. O casamento foi celebrado para agradar Dumbledore, muito embora eu esteja tentado a acreditar que o sacrifício será maior do que supunha a princípio.
O comentário indelicado a magoou profundamente. Será que o Cavaleiro Vermelho precisava ser sempre tão rude?
― Você age como se fosse o único a estar sofrendo as consequências. Posso lhe garantir que nossa união tampouco me agrada. Por acaso você acha que eu quero viver aqui?
Malfoy estava longe de ser tolo e não lhe passou despercebido o desprezo contido em cada uma daquelas palavras.
― Pois viver aqui é o que fará ― ele respondeu de forma tão dura e deliberada que Hermione sentiu uma pontada de dor no coração. Melhor ter cuidado. O homem sentado à sua frente podia ser muito perigoso.
Quando o barão se mostrava disposto a conversar como uma criatura civilizada, era até possível esquecer sua reputação bizarra e a esquisitice do ambiente ao redor. Se ela fechasse os olhos, podia quase se imaginar no solário ou jantando no salão aconchegante de Belvry, na companhia de um cavaleiro famoso, embora um tanto seco. O problema era que estava a centenas de quilômetros de casa. Fora presa numa armadilha, trancafiada dentro da escuridão eterna ao lado de um homem de quem jamais vira sequer o rosto e cuja fama violenta fazia o sangue de qualquer um gelar nas veias.
Melhor lembrar-se de quem era Malfoy de fato e agir com cuidado, especialmente até conhecê-lo um pouco mais. Procurando raciocinar depressa, decidiu que deveria apresentar argumentos consistentes e evitar brigas e discussões. Embora estivesse claro que ele não a queria como esposa, também parecia resolvido a não anular o matrimônio. Talvez aceitasse um acordo em que ambos vivessem separados...
― Meu lorde ― ela começou delicada ― se você está tão infeliz comigo, por que não me deixa ir para casa? Continuaríamos casados mesmo morando longe um do outro. Você poderia ir e vir de Belvry como lhe for conveniente. ― entusiasmada com a ideia, teria continuado a falar se não fosse interrompida de repente.
― Você é minha esposa e ficará aqui, quer lhe agrade ou não.
― Mas precisam de mim em Belvry ― a castanha argumentou, mudando de tática. Não pretendia abrir mão da própria liberdade tão facilmente assim. ― É um feudo muito próspero e se queremos continuar obtendo lucros tenho que estar lá para...
Malfoy sequer deixou-a continuar a frase.
― Já lhe disse que não quero um vintém de seu precioso dinheiro! Não preciso dele!
― Então por que não foi oferecida uma refeição aos convidados do nosso casamento? Por que o castelo está nesse triste estado de abandono? Por que não há servos suficientes para mantê-lo limpo? Por que não há mais fogo nas lareiras para nos aquecer e nem velas para afastar essa escuridão maldita? ― a voz de Hermione vibrava de frustração. Como Malfoy tinha coragem de negar que precisava de dinheiro? Como é que podia rejeitar aquilo que qualquer outro homem agarraria com ambas as mãos? E se ele não a queria, por que não lhe dava permissão para ir embora de Dunmurrow? Era impossível entendê-lo. Suas perguntas não podiam continuar sem respostas.
Entretanto sem respostas foi exatamente como suas perguntas continuaram. O barão trancou-se em si mesmo até o silêncio pesado se estendeu sobre o quarto como um manto sufocante e ameaçador. Se não fosse pelos contornos da figura maciça protegida pelas sombras, diria até que ele a deixara só. Contudo, quando o Cavaleiro Vermelho voltou a falar, sua voz não mostrava qualquer sinal de raiva, apenas da mais total frieza e indiferença, aliás como vinha lhe tornando familiar.
― Se você tem medo de escuridão, minha lady, não deveria ter me escolhido.
Ela já engolira humilhação suficiente. Como uma criança mimada, culpava o marido pela situação em que se encontrava agora porque ele não desafiara a ordem do rei. Aquele de quem se diziam as piores coisas devia tê-la recusado, devia ter lutado para manter a própria liberdade. Pela primeira vez na vida, sentia-se derrotada, incapaz de dominar as circunstâncias.
― Se me der licença, meu lorde. ― não se tratava de uma pergunta, mas de uma declaração. Ela ficou de pé, as mãos cerradas e caídas ao longo do corpo. ― O jantar já me foi... suficiente. ― sem esperar resposta, Hermione caminhou na direção em que julgava estar a porta pois a escuridão impenetrável não a deixava ver nada.
― Cecil! ― ao simples chamado do barão, o servo apareceu como num passe de mágica, trazendo um castiçal.
― Vou jantar no salão esta noite ― avisou-o, grata pelo castiçal. A expressão, em geral impassível do pobre-coitado, foi transformada numa máscara de pavor. Bem, talvez Filch temesse a ira de Malfoy, porém ela não iria se deixar assustar pelo Cavaleiro Vermelho. Se aquele grosseirão tentasse obrigá-la a ficar mais um segundo sequer dentro de seus aposentos sinistros iria se arrepender amargamente, pois sentia-se preparada para resistir e lutar com todas as forças.
Esforçando-se para manter o controle, a castanha começou a descer as escadas sabendo que deveria parecer tranquila quando enfrentasse a pequena multidão que a essa hora já devia estar jantando no salão. Como a nova castelã de Dunmurrow, precisava agir de acordo com a posição, não importando o quanto o fato a desgostava. Erguendo a cabeça, assumiu um ar confiante, determinada a jantar na companhia daqueles que moravam e trabalhavam no castelo. Nem que lhe custasse a última gota de sangue, desempenharia o papel de noiva feliz. A mulher desesperada ficaria trancada a sete chaves.
Emergindo das sombras, ela sentia-se em seu elemento natural. Senhora do castelo sempre fora uma atribuição que soubera exercer com facilidade, desde menina. Porém ao entrar no salão, o chão pareceu fugir sob seus pés. Por um instante permaneceu imóvel, sem conseguir acreditar nos próprios olhos. Então inspirou fundo, como se engolisse um soluço diante da visão fantasmagórica.
Não havia sinal de damas ou cavaleiros ao redor das mesas vazias. Não havia servos indo e vindo da cozinha, nem aldeões procurando um lugar onde estender os catres para passar a noite. O salão de Dunmurrow estava deserto, a escuridão silenciosa lhe parecendo mais ameaçadora do que qualquer coisa que jamais enfrentara em toda sua vida. Ela estremeceu, os últimos fios de esperança transformando-se em pó.
 
 
Molly a esperava. Sonolenta, encolhida, diante do fogo, uma bandeja vazia sobre a única mesinha disponível.
― Oh, minha lady ― a velha senhora exclamou levantando-se. ― Será que eu cochilei? É muito tarde?
Deixando de lado os planos iniciais de tomar um banho, Hermione resolveu que o melhor seria tentar dormir.
― Ainda é cedo, mas você está cansada. Pode ir para seu quarto agora.
A criada parecia abatida, as bochechas normalmente rosadas e redondas haviam perdido por completo a cor.
― Talvez eu... eu devesse dormir aqui, no lugar destinado ao guarda-roupa ― ela sugeriu apontando para o cubículo separado do quarto por uma cortina.
― Se você está com medo de ir para seu próprio quarto, então pode estender um catre no chão e dormir aqui mesmo.
― Sim, minha lady, por tudo o que há de mais sagrado, estou com medo sim. Tenho medo do que possa me acontecer neste lugar sinistro e também do que possa lhe acontecer. ― ela fez uma pausa, como se não soubesse como continuar. Quando voltou a falar, sua voz não passou de um murmúrio tímido. ― Você sabe o que deve esperar nesta noite... na noite de núpcias?
A jovem inspirou fundo. Deus, como pudera se esquecer daquilo que a aguardava? Estivera tão ocupada fazendo planos e discutindo com Malfoy que acabara se esquecendo de que seria obrigada a aceitá-lo na cama. O olhar penetrante que lançou à serva fez um rubor intenso voltar às bochechas pálidas. Molly corou até a raiz dos cabelos ruivos, já mesclados de branco.
― Seria obrigação de sua mãe lhe dizer tudo, mas, Deus lhe dê o descanso eterno, como ela não está aqui... Você quer saber?
Hermione acenou com a cabeça, os olhos fixos na criada.
― Quando um homem se casa, adquiri direitos sobre o corpo da esposa, para usá-la como quiser. ― a senhora estremeceu ao pensar no Cavaleiro Vermelho, forte e feroz, usando o corpo de quem quer que fosse. A ideia lhe causava verdadeiro pavor. Foi com enorme dificuldade que se obrigou a continuar ― Você viu o suficiente de seus irmãos para saber que a anatomia masculina é diferente da feminina. O homem, se encaixa entre as pernas da mulher para ter prazer. É... doloroso, minha lady, mas você é jovem, resistente, e irá aguentar. Pense que assim poderá ter a semente de um bebê dentro de você. ― a serva baixou a cabeça, os olhos marejados de lágrimas. ― Era essa a minha esperança, porém Deus não me deu essa bênção. Entretanto me encarregaram de criá-la, minha lady. Pude vê-la crescer, bela e inteligente. Oh, céus, nunca pensei em vê-la casada com alguém como esse Cavaleiro Vermelho! ― Molly começou a se lamentar sobre o destino daquela a quem amava como a uma filha.
Cheia de piedade pelo sofrimento da velha senhora, a castanha abraçou-a com força, procurando consolá-la enquanto lembrava-se das vezes em que vira os irmãos trocando de roupa. Malfoy era muito mais alto e corpulento do que seus irmãos, portanto aquela parte da anatomia devia ser ainda maior. Só de pensar no barão forçando o membro para dentro de seu corpo sentia-se à beira do pânico. Sim, era jovem e forte, porém...
Quando os soluços de Molly finalmente cessaram, Hermione sorriu esforçando-se para tranquiliza-la.
― Não fique nervosa. Não estou nem um pouco preocupada ― mentiu.
As palavras firmes transmitiram um pouco de tranquilidade à serva.
― Pelo menos não dura mais do que alguns poucos minutos, minha lady. Ou pelo menos não deveria durar. Aquele... aquele demônio pode ter poderes estranhos. Oh, minha lady, temo por sua segurança! Quem sabe o que a fera será capaz de lhe fazer? Você conseguiu dar uma boa olhada no barão? Talvez ele seja igualzinho ao diabo, com chifres e corpo de bode...
― Ele é apenas um homem ― falou num tom que não admitia discussão, temerosa de que a serva começasse outra vez com a mesma ladainha sobre a estranha reputação de Malfoy. Bem no íntimo, não acreditava muito que a expressão "apenas um homem" pudesse ser aplicada ao Cavaleiro Vermelho. Contudo não era tola de mencionar suas dúvidas.
― Mas, minha lady, e todas essas histórias que se contam sobre a sede de sangue que ele parece ter, sobre o domínio da magia negra? E se o demônio lançar algum encantamento e obrigá-la a fazer todas as suas vontades?
― Pare já com isso! Escutar tamanhos absurdos acaba tornando-se cansativo. ― Molly era um doce de pessoa, embora ingênua e às vezes insuportavelmente teimosa e ranzinza. Hermione sentia-se um pouco culpada por não conseguir retribuir a afeição que a velha senhora lhe dedicava com igual intensidade. ― Vá descansar ― sugeriu baixinho, procurando acalmar a serva que retorcia as mãos aflita.
― Bem, minha lady, vou ficar por perto. ― Molly não conseguia disfarçar a profunda apreensão, os olhos estavam tão arregalados que pareciam querer saltar das órbitas. ― Se você gritar, venho correndo acudi-la.
A castanha sorriu amarga, sabendo que mesmo a força conjunta de duas mulheres jamais seria suficiente para conter um guerreiro, especialmente alguém da estatura do Cavaleiro Vermelho.
― E o que você fará, minha aia?
Molly pensou durante uns poucos segundos, então ergueu o queixo determinada.
― Posso bater na cabeça dele com alguma coisa!
― E depois o quê?
― Depois fugiremos para bem longe, minha lady! ― ela respondeu ansiosa. ― Fugiremos deste castelo sinistro e ficaremos livres do demônio para sempre!
― Seremos duas mulheres sozinhas, perdidas numa região que não conhecemos, no auge do inverno. Para onde iremos? Você não vê que não há escapatória?
― Podemos procurar refúgio no convento mais próximo!
Hermione abraçou a serva com carinho, não querendo destruir quaisquer sonhos que ainda pudessem confortá-la. Por outro lado a ideia de assassinar o marido com certeza não seria aceita de bom grado pelo rei.
― Leve seu catre para o aposento ao lado e procure descansar, dormir. Tenho certeza de que tudo parecerá menos sombrio amanhã de manhã.
Tão logo Molly saiu, a castanha acendeu a lareira. Apesar de suas palavras corajosas, precisava afastar a escuridão de qualquer modo e todas as velas que Filch lhe dera foram usadas, especialmente perto da cama. Por fim, tirou a roupa e deitou-se. Recostada nos travesseiros, aguardou a chegada de Malfoy.
O tempo pareceu se arrastar com uma lentidão espirante e Hermione desejou não ter se apressado tanto em sair dos aposentos do Cavaleiro Vermelho. Pelo menos se o jantar tivesse sido prolongado por mais algumas horas, o inevitável também seria adiado tanto quanto possível.
Esforçando-se para manter a calma, ela procurava se convencer de que os temores de Molly não passavam de fantasias absurdas, sem qualquer fundamento. Seu marido não era demônio algum, mas apenas um homem, um ser humano comum, de carne e osso. Entretanto o pensamento de nada servia para tranquiliza-la porque estava à mercê de um desconhecido, alguém de quem sequer vira o rosto.
Além de tudo, ele não a queria como esposa. O fato a deixava à beira do pânico. Ela sabia que Malfoy estava furioso por ter sido escolhido e obrigado a aceitar uma imposição do rei. E se o Cavaleiro Vermelho decidisse demonstrar toda a sua irritação durante a noite de núpcias submetendo-a ao pior tratamento possível? Agora que o momento do acerto de contas estava próximo, Hermione desejava não ter discutido tanto durante o jantar... ou abandonado os aposentos do barão de forma tão brusca e mal-educada. Suas atitudes impensadas com certeza serviram apenas para aumentar a ira do senhor do castelo.
Enquanto a noite se estendia, ela pedia a Deus que Malfoy viesse logo para dar um fim àquela expectativa angustiante. Já não aguentava mais aguardar. Contudo ele demorava, fazendo-a imaginar as coisas mais terríveis capazes de acontecer entre um casal quando fechado entre quatro paredes. Preferia não ter permitido que Molly dormisse no cubículo ao lado porque a presença da serva era um lembrete constante da sua decisão.
Seja lá o que acontecesse, não deveria gritar e muito menos pedir socorro.

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Comentários: 1

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Enviado por Carla Balsinha em 09/09/2013

alô querida!isto não se faz!agora uma pessoa fica "em pulgas" para saber mais!Parece que a hermione,nunca ouviu falar neste provérbio "quem semeia ventos,colhe tempestades!"essa descrição da noite de núpcias,ninguém merece!ainda bem,que vivemos no século XXI!hum....cá para mim,o marido sendo o que é,mesmo assim não a irá forçar a algo....penso eu!

quem me dera acertar em tudo,amiga!em especial,no euromilhões!15 milhões de euros,dava cá um jeitaço,oh se dava!

beijinhos grandes

Carla Cascão

Nota: 5

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