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3. Capítulo III


Fic: The Devils bride - Epilogo postado


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Oi, oi povo! Eis mais um capítulo!!
Aproveitem! ^^


 


Carla Cascão: Pois é... Vamos fazer uma aposta? Quem vai enlouquecer primeiro?


 


Uma boa leitura e bjs.






*****






 


― Li a mensagem que o rei me enviou. ― a voz profunda e forte não escondia um certo tom de zombaria. Ou seria irritação? Hermione sentiu-se ofendida com a falta de consideração, em especial porque o barão fora direto ao assunto sem dar ao trabalho de lhes dar as boas-vindas de maneira educada. Ao pensar na longa noite passada ao relento, nas horas infindáveis dentro do salão sujo e frio e na escuridão que a impedia de enxergar seu anfitrião, a jovem explodiu.


― Fico feliz em saber, meu lorde ― ela respondeu altiva. ― Esperamos tanto tempo que comecei a achar que ninguém em seu castelo sabia ler.


A resposta carregada de um insulto velado fez com que o barão olhasse na sua direção, e apesar de não poder ver, sabia que um par de olhos hostis a fitavam de dentro das trevas. Entretanto havia chegado a tal ponto de estresse emocional, que nada mais importava.


― Se você não tem intenção de se submeter à ordem ― continuou secamente ― então por favor nos diga para que possamos partir. Tenho uma longa jornada pela frente e muitas noites a mais para dormir ao relento antes de chegar em casa.


Um silêncio prolongado caiu sobre todos e a castanha teve vontade de esbofetear o desconhecido, de obrigá-lo a levantar-se e lhe prestar as honras a que uma dama da corte tem direito em vez de ficar sentado no meio das sombras, como um verdadeiro demônio vermelho.


― Minha lady... ― Malfoy fez uma pausa, como se não conseguisse lembrar o nome da mulher que haviam lhe imposto como noiva. Ela teve vontade de gritar de ódio. ― Lady Granger ― ele continuou muito calmo. ― Segundo esta carta, você devia escolher um marido dentre todos os cavaleiros do reino e escolheu a mim. Posso saber por quê?


Esforçando-se para manter-se serena diante de uma pergunta tão direta, Hermione mordeu o lábio inferior com força. Bem no fundo, esperara que Malfoy a recusasse e a mandasse embora de Dunmurrow, talvez com uma objeção delicada, talvez com uma reprimenda grosseira. Só não imaginara que seus motivos seriam interrogados com tamanha ousadia.


Vendo-a hesitar, o barão voltou-se para Podmore.


― Você, senhor, responda-me. Será que esta dama é uma bruxa, para ninguém da corte se dispor a aceitá-la como esposa?


A jovem sentiu o rosto em fogo enquanto Podmore sufocava uma risada ao responder.


― Ela é conhecida por sua teimosia, meu lorde, entretanto muitos cavaleiros da corte a aceitariam de muito bom grado.


― Sim, pois trata-se de uma dama muito rica, não é?


A insinuação deselegante do Cavaleiro Vermelho não lhe passou despercebida. Como é que aquele homem tinha coragem de sugerir que somente o seu dinheiro a tornava atraente aos olhos masculinos? Hermione inspirou fundo e contou até dez, quando sua vontade era esganar o odioso barão.


― Na sua opinião, senhor, lady Granger é uma mulher graciosa?


Ela enrubesceu até a raiz dos cabelos enquanto o cavaleiro a fitava intensamente. Aliás, o primeiro sinal de interesse que o emissário do rei demonstrava sobre a sua pessoa.


― Sim, meu lorde. É uma dama não muito alta, de constituição delicada. Os cabelos são tão castanhos que seus cachos parecem entrelaçados no mais fino cobre. E os olhos... os olhos são castanhos também, mas em alguns momentos são quase dourados. Profundos, brilhantes como pedras preciosas. A beleza de minha lady é conhecida em todo o reino ― Podmore concluiu um pouco sem jeito com a própria eloquência.


― O temperamento da dama obedece a mesma descrição?


O emissário do rei teve a delicadeza de não responder. Hermione estava possessa de ódio. Nunca se sentira tão humilhada como naquele instante, em que dois homens discutiam suas qualidades e defeitos como se ela não passasse de um objeto à venda.


― E então você me escolheu, minha lady ― Malfoy afirmou num tom ameaçador que a fez estremecer apesar da raiva. ― Talvez os cavalheiros da corte fossem um tanto imberbes demais para o seu gosto e assim você pensou que o Cavaleiro Vermelho estaria melhor equipado para a tarefa de domá-la?


Podmore riu baixinho.


― Posso ver agora que foi um erro, meu lorde ― a castanha retrucou friamente, o coração batendo descompassado no peito, as mãos cobertas por um suor gelado.


― Sim. Foi um erro... um erro seu, não é mesmo? ― seria impossível não perceber o desprezo contido em cada uma das palavras.


Como Hermione se recusasse a responder, um silêncio pesado caiu sobre o ambiente até que Malfoy voltar a falar, a voz destituída de qualquer emoção.


― Mas o que está feito está feito. Que assim seja. Filch vá preparar a capela e leve o sacerdote para lá quando tudo estiver pronto. Sinto não estarmos acostumados a receber visitantes em Dunmurrow e a hospitalidade oferecida dentro do meu castelo é limitada. Contudo, faremos o melhor possível. ― com um breve aceno de mão, ele os dispensou fazendo o sangue da castanha correr gelado nas veias.


― Espere! ― ela pediu sem esconder o desespero. ― Meu lorde, posso falar com você em particular?


― Sim.


Obviamente aliviado por seu dever estar quase cumprido, Podmore apressou-se a sair, seguido de Filch. Hermione foi deixada só na companhia do Cavaleiro Vermelho, que permanecia escondido nas sombras. Que tipo de homem se trancaria numa total escuridão quando lá fora reinava a plena luz do dia? De pé diante de alguém de quem sequer podia enxergar o rosto, ela se sentiu vacilar. Foi com muito esforço que se armou de coragem e deu um passo na direção da figura ameaçadora.


Um dos cachorros rosnou baixo.


― Parada, minha Lady.


Confusa, ela ficou imóvel durante alguns segundos e depois deu outro passo para a frente. Os cachorros voltaram a rosnar, o som assustador ecoando dentro das trevas.


― Parada, eu disse ― Malfoy repetiu irritado. ― Sente-se ― ele completou com um pouquinho mais de delicadeza, apontando para o sofá perto da lareira. A castanha obedeceu como um cachorrinho ensinado.


― Meu lorde, garanto-lhe que essa história toda é um grande erro ― ela começou, apertando as mãos geladas uma de encontro a outra no auge da aflição.


― Sim, é verdade. E a responsabilidade sobre esse erro monumental é toda sua. Você pensava que eu iria desafiar uma ordem do rei?


O silêncio de Hermione confirmou as suspeitas do barão de Dunmurrow.


― Então foi isso mesmo. ― Malfoy riu amargurado.


― Sua reputação é assombrosa, meu lorde.


― Entendo. Talvez você achasse que eu poderia fazer a ordem desaparecer no ar como fumaça, usando um truque qualquer de feitiçaria?


A jovem engoliu em seco, incapaz de responder. Por um momento julgou tê-lo visto sorrir dentro das sombras.


― Bem, minha cara lady Granger, suas maquinações deram errado e o plano foi por água abaixo. Não importa o que você tenha ouvido a meu respeito, porque nada neste mundo me faria desafiar meu rei. Devo muito a Dumbledore e vou obedecê-lo. Agora que você fez sua cama, sugiro que deite nela.


Uma batida na porta anunciou a chegada do servo. Imediatamente Malfoy o mandou entrar.


― Filch, por favor, acompanhe minha noiva aos seus aposentos. Vamos nos casar o mais depressa possível.


As palavras firmes do Cavaleiro Vermelho soaram como uma verdadeira sentença de morte.


 


 


Embora Hermione estivesse sentada imóvel no quarto, sua mente fervilhava. Ainda dava tempo de fugir. Precisava apenas abrir a porta e escapar daquele castelo amaldiçoado. Considerando a escuridão reinante, seria fácil passar despercebida. Mas o que a aguardava do lado de fora? Seria capaz de convencer os guardas a deixá-la sair? E quanto à ponte levadiça? A jovem praguejou baixinho, de uma maneira muito pouco feminina.


Apesar de ter trabalhado duro, planejado e esquematizado à exaustão, estava a um passo de se casar. E não com um algum almofadinha obediente e sim com um homem que sequer expunha a face à luz, um homem que se mantinha distante de todos! Hermione estremeceu violentamente, porém procurou reagir. O bruto não iria assustá-la. Também não iria fugir. A dignidade e o orgulho dos Granger a manteriam de pé.


Uma batida repentina à porta interrompeu o curso de seus pensamentos. Oh, Deus, a última coisa que queria nesse momento era ser obrigada a ouvir os resmungos de Molly. Precisava concentrar-se em manter o próprio autocontrole e não aguentaria ter que consolar a criada também.


Entretanto não era a senhora, mas o sempre-presente Filch.


― Meu lorde a aguarda na capela, minha lady ― ele anunciou, uma expressão impenetrável no rosto.


Hermione sentiu um aperto no coração, incapaz de acreditar que o tempo havia passado tão depressa. Sua bagagem continuava no salão lá embaixo, portanto ainda usava o mesmo vestido que trocara ao acordar. Sequer tinha consigo uma escova para arrumar os cabelos. Por outro lado, nada disso importava. O que aquele brutamontes do Cavaleiro Vermelho pensava a seu respeito não fazia a menor diferença. Inspirando fundo, levantou-se e acompanhou o senhor como se estivesse marchando para a própria execução.


Os dois atravessaram alguns corredores estreitos até que finalmente chegaram à capela. O local estava tão escuro quanto o resto do castelo. Tendo perdido a noção das horas, a castanha não sabia se lá fora já anoitecera, porque com certeza as trevas dentro daquelas paredes não eram naturais, e sim provocadas por um homem.


De queixo erguido, caminhou para o altar tentando não prestar atenção nas poucas pessoas reunidas para assistir à cerimônia. Seria Molly num canto, benzendo-se e resmungando chorosa? Teria ouvido alguém murmurar as palavras blasfêmia e adorador do diabo?


Reunindo todas as suas forças, Hermione lutou para manter a serenidade porque apesar da demonstração exterior de coragem não estava imune aos efeitos da atmosfera ameaçadora de Dunmurrow. As sombras perpétuas, o odor de mofo e o silêncio pesado, pouco contribuíam para fazer da capela a casa de Deus. Também os rostos ali reunidos em nada lembravam as fisionomias alegres que costumam enfeitar os casamentos.


Com muita dificuldade, evitou pensar nas palavras de Molly. O fato do Cavaleiro Verme1ho apreciar a escuridão não significava que fosse um feiticeiro ou algum tipo de criatura do mal. Afinal já fora obrigada a enfrentar coisas piores na vida do que um punhado de sombras.


Malfoy a aguardava no altar. Uma figura alta e misteriosa ao lado do sacerdote. Ao se aproximar, a castanha tropeçou, sendo imediatamente amparada por uma mão forte, de dedos longos e ágeis. Ela levantou os olhos, buscando enxergar o futuro marido. Porém à escuridão era tão grande que nada pôde ver. Havia qualquer coisa de pagão em casar-se com um homem de quem sequer vira o rosto.


Recusando-se a se deixar intimidar, ela fitou o sacerdote que, iluminado por um pequeno castiçal, era a única pessoa visível dentro da capela. O homenzinho parecia hesitar em dar início à cerimônia. Na verdade não podia culpá-lo. A escuridão que os cercava parecia uma coisa viva e pulsante, pronta para engolfa-los num vazio absoluto e ameaçador.


Quando Malfoy a tocou de leve, Hermione ficou rígida, a respiração suspensa. Embora soubesse que o contato seria breve, que os dois precisavam se dar as mãos para professar os votos, ainda assim não estava preparada para a experiência. Lutando contra o pânico, obrigou-se a relaxar e para sua surpresa, apesar das previsões de Molly, o Cavaleiro Vermelho não possuía garras ou casco. A mão masculina lhe parecia inteiramente normal. Sem que pudesse evitar, ela estremeceu.


Entretanto não foi um estremecimento de medo, mas um arrepio de excitação que a percorreu da cabeça aos pés. Surpresa, a jovem não sabia como decifrar aquela emoção estranha, despertada pelo roçar da pele do barão na sua. Jamais sentira algo assim. Seria o seu comportamento inesperado o resultado de algum feitiço? Estaria sob um encantamento lançado pelo Cavaleiro vermelho?


A possibilidade quase a deixou fora de si. Porém, em vez de se entregar ao pavor cego, procurou se concentrar nas palavras do sacerdote. Percebendo que continuava nervosa, contou até dez. Depois até vinte. Afinal estava longe de ser uma mulher ignorante, capaz de acreditar em magia negra. Por outro lado, era difícil se convencer do contrário quando segurava a mão de um homem encoberto pela escuridão.


De repente Hermione se convenceu de que encontrara uma explicação lógica para aquela sensação esquisita. Não estava acostumada à proximidade física. Tendo sido criada na companhia de irmãos pouco afetuosos e do pai, de quem sempre mantivera uma distância respeitosa, jamais soubera, ou quisera, externar afeição. Tocar alguém era algo estranho... e em geral repugnante.


Ainda se lembrava muito bem do barão Diggle, um cavaleiro que conhecera na corte. Numa tentativa revoltante de cortejá-la; o homem a pressionara de encontro à parede e a beijara na boca, os lábios úmidos e nojentos enchendo-a de asco. A castanha o chutara na virilha antes de escapar correndo, mais decidida do que nunca a jamais se submeter a um marido.


Entretanto estava casando-se com um homem infinitamente mais repulsivo do que Diggle. Seria mesmo? O estranho é que não experimentava nojo agora e sim um prazer desconhecido e inexplicável. Havia algo de assustador no Cavaleiro Vermelho. E algo perturbador também. Isso sim, a inquietava.


Ela lançou um olhar na direção do cavaleiro ao seu lado cuja alta estatura a fazia sentir-se ainda mais pequenina e indefesa. Fosse por magia ou não, tratava-se de um homem forte e poderoso. A mão que segurava a sua poderia esmagá-la como a uma casca de noz. Como seria hoje a noite? O pensamento era tão apavorante que não ousava deter-se nas implicações.


“Você fez a sua cama, agora deite-se nela.” As palavras de Malfoy retomaram à sua mente como um aviso. Os dedos longos que mal a tocavam agora, diante do sacerdote, poderiam perder a delicadeza na privacidade do quarto. Enorme e com o rosto escondido pelas sombras, o Cavaleiro Vermelho poderia muito bem ser algum tipo de demônio. Um demônio com quem seria obrigada a deitar-se hoje a noite.


Como se percebesse seu estado crescente de aflição, Malfoy apertou-lhe a mão com firmeza. Absorvendo o poder que emanava daquela figura sólida, Hermione teve forças para reunir um resto de coragem e acompanhar a cerimônia até o fim.


Embora tivesse a impressão que o barão lhe transmitira calma e confiança no momento em que mais precisara, ela ficou aliviada quando as mãos de ambos se separaram. Entretanto o alívio teve curta duração. Antes mesmo de se recobrar da intensidade das emoções, foi tomada nos braços e apertada de encontro a um peito largo.


A jovem deixou escapar um murmúrio de surpresa. Era estranho sentir o corpo de um homem pressionando-lhe os seios. Talvez se pudesse enxergá-lo, a sensação seria menos inquietante. Porém a escuridão da capela dava a Impressão de que estavam a sós, separados do resto do mundo... E sua única tábua de salvação era o Cavaleiro vermelho.


Desorientada, ergueu as mãos, os dedos trêmulos emaranhando-se nas dobras da túnica daquele que acabara de se tornar seu marido. Imediatamente ele deslizou as mãos pelos ombros delicados, até tocá-la na base do pescoço. Cada centímetro de pele acariciada pelos dedos masculinos parecia ganhar vida, ficando em fogo. Então ele a beijou na boca. Foi um beijo rápido e impetuoso, que terminou antes mesmo que percebesse o que estava acontecendo. Desnorteada, piscou várias vezes, porém não conseguia vê-lo. Como se num sonho, aguardou, cheia de expectativa... embora não soubesse bem o quê. Ao sentir as mãos de Malfoy percorrem seus braços, ela prendeu a respiração, um calor intenso tomando conta de suas entranhas. Levada por um impulso incontrolável, apoiou-se no corpo viril e ergueu o rosto...


― Você pode se retirar para seu quarto agora. Espero-a para jantarmos juntos. ― ele deu-lhe as costas e afastou-se, deixando atrás de si apenas a escuridão.


Assombrada pelo que acontecera, a castanha teria permanecido ali parada, imóvel, se um som vindo do altar não lhe chamasse a atenção. Esquecera-se por completo do sacerdote.


Será que somente alguns minutos haviam passado? Por que então a sensação de que Malfoy e ela tinham ficado sozinhos, envoltos por um manto de sombras, durante toda uma eternidade? Entretanto a capela não parecia tão às escuras agora. As poucas pessoas presentes conversavam num tom normal, incapazes de perceber o que lhe acontecera.


Mas o que lhe acontecera?


Não sabia dizer ao certo. Por um louco instante tivera a impressão de que não existia capela, sacerdote, testemunhas,.. Apenas o barão e ela, juntos... tocando-se. Ainda podia sentir o calor das mãos fortes na sua pele, a pressão do peito largo, a boca... Hermione passou os dedos de leve sobre os lábios. Era como se aquele homem a tivesse marcado com um ferro em brasa.


Percebendo o absurdo dos pensamentos, abaixou a mão com força, certa de que as histórias de Molly estavam dando asas à sua imaginação. Fora apenas um beijo de protocolo, nada além. O fato de não estar acostumada a receber atenções masculinas transformara um acontecimento banal em algo fora do comum. A circunstância anormal em que o casamento fora realizado acabara impedindo-a de raciocinar com clareza. Malfoy não apertara sua mão para lhe transmitir coragem e segurança, como chegara a pensar, porque ele continuava irritado. De outro modo não a teria mandado para o quarto tão secamente.


A castanha mordeu os lábios nervosa. As coisas estavam acontecendo depressa demais para o seu gosto. E tudo era tão estranho que não conseguia entender, mesmo sempre tendo se considerado uma pessoa capaz de analisar qualquer situação com perspicácia. Sentia-se insegura, e não gostava nada disso. Por natureza, e vocação, Hermione gostava de dominar, de dar a última palavra em qualquer questão. Contudo começava a se achar impotente em Dunmurrow. Dentro do castelo transformara-se numa prisioneira das trevas, a noiva infeliz de um marido que não a queria.


Parecia-lhe impossível que seu plano, traçado com todos os detalhes e o maior cuidado semanas atrás, pudesse ter terminado daquela maneira desastrosa. Do dia para a noite, tornara-se esposa do Cavaleiro Vermelho, uma figura densa, ameaçadora, capaz de exercer controle não apenas através de suas excentricidades, mas através do simples toque das mãos também.


 


 


De volta ao quarto, a jovem descobriu que seus baús haviam sido entregues. Um lembrete final de que não poderia voltar para casa. Inquieta, passou os dedos sobre o anel que Malfoy lhe colocara no anelar esquerdo, o sinal de que seria obrigada a viver naquele lugar frio assustador para sempre.


Embora sua vontade fosse deitar na cama e chorar, ela ordenou a Molly que desfizesse a bagagem. Depois abriu a porta e chamou por Filch.


― Há mais velas que eu possa usar? ― o servo fitou-a ansioso e murmurou um sim quase inaudível. ― Então faça-me o favor de trazê-las. Não posso suportar nem permitir essa escuridão permanente. Existem criadas ou homens no castelo para fazer o serviço de limpeza?


― Tem uma lavadeira.


― Pois mande-a a minha presença agora mesmo.


Filch concordou com um aceno e se retirou depressa, o rosto coberto por uma palidez mortal.


― Quero que alguém limpe este quarto ― a jovem falou para Molly. A criada, que permanecia parada no mesmo lugar, continuava resmungando e se revoltando contra o destino que as mandara para aquele antro esquecido por Deus. Hermione achou melhor ignorá-la e abriu as janelas. A lufada de ar, embora gelada, era limpa e fresca, trazendo luz às trevas. Atentamente, estudou o ambiente.


Era um quarto pequeno e pobremente mobiliado. Apenas uma cama e um pequeno sofá defronte a lareira. As paredes estavam cinzas, o assoalho quase negro e o cortinado da cama empoeirado. A visão não podia ser mais desanimadora.


― Este quartinho miserável é um verdadeiro insulto... minha lady. ― a serva estava vermelha de raiva. ― É uma desgraça para qualquer dama e em especial para você, acostumada a viver rodeada de conforto e beleza. Oh, céus, não há sequer uma cadeira neste antro!


― Julgando pela ausência de mobiliário no castelo, posso me julgar uma mulher de sorte por ter esse sofá. Fazer almofadas para deixá-lo mais confortável será uma tarefa fácil.


Molly fez uma careta, trazendo um sorriso aos lábios da jovem pela primeira vez desde que haviam posto os pés em Dunmurrow.


― Aliás, considerando a idade desta construção, diria até que somos afortunadas. Olhe só a lareira! ― ela estremeceu, imaginando uma cela fria e sem janelas, grata pelo pouco que a cercava. Depois pensou nos aposentos principais, normalmente ocupados pela esposa do barão, e estremeceu outra vez. Entretanto o arrepio que a percorreu de alto a baixo era estranho, uma sensação que não conseguia explicar.


Sacudindo os sentimentos despertados pela lembrança do marido, Hermione abriu a boca para dizer que preferia estar numa cela nua do que na alcova de Malfoy. Mas resolveu ficar calada. Os aposentos do Cavaleiro Vermelho se assemelhavam às descrições que Molly faria da própria moradia do diabo e não estava com nenhuma disposição para ouvir as comparações da velha criada.


Já ouvira tolices além da conta.


― Este quarto me servirá bem depois de limpo ― a castanha insistiu mais asperamente do que pretendia. As condições dos aposentos eram mesmo precárias, porém, como em todo o castelo, o grande problema centrava-se na sujeira, algo que podia ser consertado. ― Se a lavadeira não puder nos ajudar, então você e eu faremos o trabalho sozinhas até que mais mulheres possam ser trazidas da aldeia. E posso lhe garantir que elas virão! Não importa a que custo.


De repente Hermione pareceu fazer uma descoberta significativa.


― Dinheiro! ― ela exclamou surpresa. ― Molly! Talvez esse Cavaleiro Vermelho, tão feroz, seja pobre! Talvez a ausência de servos signifique que se trata de um feudo improdutivo. O castelo tem poucas velas porque não há como comprá-las. É possível que nenhum aldeão saiba como fabricá-las tampouco.


Embora a senhora não parecesse muito convencida com os argumentos, a jovem continuou a falar, tentando desesperadamente encontrar uma explicação plausível para o estado de abandono em que a propriedade se encontrava.


― Se o problema é dinheiro, isso pode ser remediado com facilidade. Mandarei que me tragam o que precisamos de Belvry. Ou melhor... podemos nos mudar para Belvry! ― ela sentou-se na cama, maravilhada com a ideia que lhe ocorrera e com a esperança que a possibilidade lhe trouxera.


Talvez, quem sabe, Malfoy ficaria feliz em ser dono de uma propriedade próspera e não se importaria de morar em Belvry pelo menos durante uma parte do ano. Cheia de expectativas, Hermione fitou a senhora, porém a criada balançou a cabeça de um lado para o outro, cheia de desânimo.


― Talvez, minha lady, talvez. Contudo, apesar da pobreza, deve existir madeira o suficiente nas redondezas para que sejam feitas tochas, pelo menos para iluminar o salão. Não consigo entender por que aquele espaço todo é mantido nas sombras. É até perigoso.


A esperança que começara a crescer em seu coração perdeu o significado. Molly estava certa, claro. Não haveria nenhuma mudança para Belvry. O instinto lhe dizia que o Cavaleiro Vermelho estava muitíssimo bem em Dunmurrow, envolto na mais total escuridão.


 

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Comentários: 2

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Enviado por Landa MS em 05/01/2014

Adorei todo esse mistério envolvendo Draco. Indo para o proximo.

Nota: 1

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Enviado por Carla Balsinha em 03/09/2013

alô querida!tudo bem por aí?por aqui,está tudo indo....

Pois é,saíu o "tiro pela culatra" á hermione,é o que acontece quando se planeia demasiado....^^

O que será que aconteceu ao Draco?Será uma espécie de "da bela e o monstro"? será que ele está mesmo pobre,ou haverá outra coisa pelo meio?!haverá noite de núpcias?hum....não sei porquê....mas dúvido....

beijinhos grandes

Carla Cascão

Nota: 5

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