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14. Sonja


Fic: A Floresta das Sombras, Aviso


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capítulo 14



Sonja



O tempo ia esfriando na medida em que Sirius se dirigia cada vez mais para o norte. Não era apenas a direção, mas o verão que acabava mais rápido quanto mais perto ele chegava das terras dos Scoths.

Sirius bem que poderia ter viajado aparatando, mas isso significaria deixar seu cavalo para trás. Para um mago do porte de Dumbledore, isso não faria diferença, mas Sirius, além de bruxo, era também um cavaleiro. E o que é um cavaleiro sem o seu cavalo? Pensava que quando Euro estivesse velho demais para acompanhá-lo, ele poderia trocá-lo por um cavalo de fogo. Claro, se conseguisse juntar galeões suficientes para isso. Algumas coisas ficavam mais complicadas quando não se tinha a fortuna dos Black à disposição. Talvez fosse preciso se contentar com um abraxas ou, no pior dos casos, um testrálio. A idéia o fez sorrir divertido. Isso certamente causaria sensação numa batalha. Será que ele conseguiria convencer os três amigos a fazerem o mesmo? Trocarem seus cavalos comuns por testrálios? Aí sim, eles realmente seriam os quatro cavaleiros do apocalipse, vindos dos céus para espalhar o terror. Gargalhou.

Talvez a imagem fosse até mesmo suficiente para romper com a maldição. Remus lhe daria uma bordoada por ainda aventar essa hipótese. Começara quase como brincadeira, mas Sirius sempre achou que, depois do que acontecera a James, Remus e a ele mesmo, parecia quase óbvio que eles haviam sido vítimas de algum tipo de maldição. Provavelmente, até a solteirice de Peter estivesse implicada nisso. Um humor amargo o fez imaginar que a maldição viera de sua própria mãe no dia em que ele deixara o castelo Black. Ela devia tê-los condenado a mais doentia das solidões. Mas eles mostrariam à bruxa velha! Lily tinha voltado. Logo, Remus também teria sua segunda chance e ele... ah, ele iria buscar Sonja onde ela estivesse.

As semanas foram se passando em dias cada vez mais curtos e cinzentos e noites mais longas e frias. Logo, as densas florestas foram desaparecendo e em seu lugar montanhas e vales se entremeavam deixando o caminho mais lento para Sirius. Não que ele se importasse, estava em uma missão e, como James sempre dizia, era difícil saber se ele era mais teimoso ou mais obstinado quando colocava alguma coisa na cabeça. É claro que ele sabia o que iria enfrentar. Sua Sonja não era exatamente o que se poderia chamar de uma donzela disponível ou facilmente arrebatável. De fato, fora ela quem o escolhera, quem o seduzira e, como era próprio de sua natureza, também fora ela que o abandonara. Mas já era tarde. Sirius estava perdido, como tantos antes dele, estava perdido para sempre. A pergunta que o atormentava era o quão perdida ela estava.
Anos atrás, quando tudo tinha acontecido, a idéia de ter caído no mesmo feitiço de outros tantos homens o aterrorizava na mesma medida em que incomodava seu orgulho. Afinal, Sonja era uma delas, e não havia pescador ou habitante do litoral que não conhecesse mais de uma história sobre os homens que, prisioneiros de seu fascínio, definhavam ou, como Sirius condenara a si mesmo, passavam o resto da vida amando uma lembrança.

Porém, Sirius era confiante demais. Ele achava que Sonja se apaixonaria tão facilmente por ele quanto ele se apaixonara por ela. O desejaria tanto quanto ele a desejava, bastava que... bem, que ela o tivesse por tempo o suficiente. A estratégia jamais falhara. Nunca. Com mulher nenhuma. Não falharia com Sonja. Se ela... ao menos fosse uma mulher.
Ainda assim, ele só se deu por derrotado quando ela partiu e, mesmo ali, a parte mais louca e obstinada de seu cérebro continuou a lhe dizer que aquela não seria a última vez para eles.

Era noite e Sirius estava abrigado em uma pequena caverna, aquecendo-se ao fogo. Pensava, agora, no quanto fora burro. O quanto sua vaidade imbecil tinha tolhido sua capacidade de interpretar as palavras dela naquela noite. Ele podia perceber agora que Sonja não poderia dizer o que sentia por ele, não como ele fazia. Ela pertencia a outro mundo, a outra forma de vida. E, Deus a abençoasse, a pobre garota tentara dizer à sua mente humana e limitada o que ele teria de fazer para tê-la, mas a cavalgadura que ele era não foi capaz de compreender. Era tão óbvio agora. Tão claro.

Sirius teria de roubá-la.

– Aonde vai? – perguntou com a voz ainda pastosa de sono.

– Embora.

Sirius se apoiou nos antebraços.

– É cedo – afirmou com seu tom mais sedutor e lhe piscou o olho.

– Já está amanhecendo – ela retornou sem se abalar. Sirius jogou o corpo de volta à palha coberta com sua capa e que lhes servira de cama.

– Odeio o sol!

Sonja permaneceu em silêncio ainda parada junto à janela da cabana, observando o mar. Ela não teceu qualquer comentário sobre a tentativa dele de fazer graça e Sonja sempre comentava essas coisas. Algo se moveu incomodamente nas entranhas de Sirius.

– Você volta à noite? – deliberadamente a pergunta tinha um tom quase de afirmação.

– Não.

O som da voz dela fez Sirius sentar novamente.

– E amanhã?

– Eu não vou voltar, Sirius – ela se voltou para ele. Estava perfeita e irreal como sempre, vestindo somente os cabelos negros que lhe chegavam aos joelhos. Uma aparição, uma entidade. Linda e impressionante demais para ser real. Somente um homem que tivesse encontrado algo muito verdadeiro poderia resistir a uma criatura como Sonja. O problema é que Sirius acreditava que ela era o seu algo verdadeiro. Os olhos negros e imensos tinham agora a temperatura do mar do Norte. – Não voltarei a ver você.

A sensação de ser abandonado não era muito familiar para Sirius. Não que nunca houvesse acontecido, mas nunca antes ele havia se importado. Era fácil reconhecer nos outros as sensações possíveis que algo assim poderia provocar. Raiva, espanto, incompreensão, dor... Sirius se sentia injustiçado. Talvez, as outras sensações viessem depois, mas naquela hora, era a injustiça do mundo que parecia pregá-lo ao chão e incapacitá-lo de se mexer. Em nenhum instante ele achou que ela estivesse mentindo ou brincando, assim como sabia que tomá-la nos braços e obrigá-la a ficar um pouco mais de nada adiantaria.

– Por quê?

– Você sabia que o nosso tempo era contado, Sirius. Sabia que estaríamos juntos apenas algumas vezes, nada mais.

– Sim, eu sabia! Como você sabia. Mas olhe para si mesma, Sonja! Você não quer ir tanto quanto eu quero que você fique.

Ele blefava, mas algo nele dizia que estava certo.

– Minha vontade não faz diferença.

Sirius se ergueu de um salto e ficou de frente para ela.

– Então você quer ficar? – perguntou ansioso. Sonja ergueu a mão e tocou no rosto dele com os dedos frios.

– Eu pertenço ao mar, pertenço a minha espécie. É assim que é.

Agora a raiva apareceu, quente e rancorosa, subindo pela garganta dele como lava. Sirius pegou o pulso dela com brutalidade e a puxou para si.

– Tolice! Você é minha!

Porém, como se não fizesse qualquer esforço para isso, a pele de Sonja escorregou pelos dedos dele e, antes que Sirius pudesse reagir, ela já estava parada junto à porta aberta. Ele quis desesperadamente achar que por trás do frio dos olhos dela podia ler tristeza.

– Eu sinto muito, Sirius. Sinto mesmo.

– Eu... nunca mais a verei? – Será que ela queria que ele implorasse? Que parecesse ainda mais patético do que estava ali, parado no centro da cabana, com a mão estendida para ela? Adiantaria se ele caísse de joelhos?

– Sirius... – ela chamou o nome dele com tanta doçura que o comoveu, mas não o suficiente para que ele a encarasse com alguma dignidade. Sonja respirou fundo. – É proibido.

– Só mais uma vez. Por favor. Só mais uma vez.

– Não faça isso – ela pediu dolorosamente.

Ele deu alguns passos na direção dela e Sonja recuou mais um, mas Sirius via a fraqueza nela, via o jeito como o corpo dela se inclinava para o dele. Precisava arrancar aquela promessa dela.

– Mais uma vez...

– Se eu voltar amanhã, as coisas ficarão apenas mais difíceis.

– Então não volte amanhã. Quero apenas que volte para mim mais uma vez, uma única vez – suas palavras eram ditadas pela loucura e o desespero, mas estranhamente, ele tinha muita certeza sobre o que precisaria fazer.

– Eu não entendo.

– Eu partirei de Orkney hoje. Tão logo você se vá e o sol desponte, irei embora também. Mas quando eu voltar... eu imploro Sonja, venha me ver mais uma única vez.

Ela lhe deu um meio sorriso, algo triste.

– Você não vai voltar Sirius. Encontrará outra, vai amar novamente.

– Veremos – ele respondeu com obstinação. – Você virá?

– Sirius, você é pouco mais que um menino, ainda terá muitas mulheres, ainda vai amar tantas outras vezes...

– Você virá? – ele interrompeu com um rosnado, não queria ouvi-la dizendo aquelas coisas.

– Sim – ela disse resignadamente – eu virei ter com você quando voltar. – Então, o queixo dela se ergueu num acesso de rebeldia. – Mas você sabe o quanto isso é cruel, não é? Sabe que isso só fará doer e machucar e... por que demônios você está sorrindo?

– Porque você me ama.

– Sirius... eu... – ela fechou os olhos por um instante – ainda serei uma selkie quando você voltar. Nada vai mudar enquanto a minha pele me chamar de volta para o mar. Você vir me procurar daqui há semanas, ou meses, ou anos, não mudará coisa alguma. Serei sua mulher algumas horas e depois... voltarei a ser uma foca. É o que eu sou!

Ele cruzou os braços sobre o peito.

– Vá, Sonja! Fique com o seu povo – “enquanto pode”, ele completou em pensamento. – E lembre-se do que me prometeu.




Foram dez anos até ele descobrir como poderia mantê-la com ele. Dez anos de espera, pesquisa, procura. E ela não poderia dizer que ele não tentou esquecê-la, que não deu chance para que outra mulher o conquistasse. Tolice. Qual homem poderia esquecer depois de ter uma criatura como ela nos braços? James e Remus o ajudaram em sua busca sempre que puderam, mas Peter dizia que ele era o único homem que ele conhecia que era voluntário em sofrer por uma mulher. James fora abandonado, Remus ficara viúvo, mas Sirius, que tinha todas as mulheres que podia desejar, e, ao invés de aproveitar, escolhera se apaixonar por uma miragem, uma entidade, acabaria sozinho e louco. Peter lhe repetia isso sempre que Sirius rejeitava uma das donzelas que ele pretendia lhe apresentar na corte (era certo que Peter amava sua influência na corte e casar o renegado Black seria uma grande vitória para ele, uma vitória para a qual Sirius nunca colaboraria).

Ao fim, foi Dumbledore quem lhe disse o que fazer. Não que o alquimista tivesse ficado satisfeito em dar-lhe a informação. Ele usara o termo “escravizar um outro ser”. Sirius precisou lhe garantir inúmeras vezes que Sonja o amava, que ela era prisioneira sim, mas de sua própria espécie, que ele a libertaria para ela fazer o que realmente queria e que, se ela estivesse infeliz, ele deixaria que ela voltasse para o mar. Teve de empenhar sua palavra em cada uma dessas promessas e deixar que Dumbledore vasculhasse o íntimo dele até que o mago concordasse em explicar o que Sirius deveria fazer.

Porém, as coisas não saíram como seus planos pretendiam, que eram de correr imediatamente para as ilhas Orkney. Nesse meio tempo, eles reencontraram Lily e Harry e Sirius jamais admitiria falhar com James. Primeiro e acima de tudo, ele ajudaria o amigo a colocar o filho em segurança, só depois cuidaria de seu próprio problema.

Quando Sirius chegou ao extremo do litoral escocês já fazia mais de mês que ele partira do castelo Potter. Temia que o fato de que ter adiantado a própria partida tivesse sido um erro. As focas visitavam sempre as mesmas praias, mas não ficavam na mesma praia o ano todo. Ele sabia onde o grupo de selkies de Sonja deveria ficar durante o verão, mas, e se elas tivessem ido para outro lugar? Isso faria tudo demorar ainda mais.

Deixou Euro em uma estalagem para a qual pagou bons galões para que tomassem conta dele até a sua volta. Depois aparatou na primeira ilha e tomou o rumo da praia que conhecia, rezando para que ela ainda estivesse por lá. Caso falhasse, viajaria cada vez mais para o norte, ouvira falar que era na última das ilhas que se concentravam o maior grupo de focas cinzentas durante a maior parte do ano.

Seu prévio conhecimento do lugar permitiu que Sirius evitasse qualquer contato com os habitantes comuns que moravam por ali. A maioria deles, ao vê-o se dirigir para aquela praia, provavelmente, tentaria dissuadi-lo, lhe contaria histórias terríveis, lhe falaria de um destino que Sirius já havia escolhido e que, agora, ele pretendia burlar. Afinal, ele pensou quase com divertimento enquanto se enroscava mais em sua capa para combater o vento frio, o que era o poder de uma lenda contra o de um legítimo cavaleiro do apocalipse?

Toda vez que foi possível, Sirius aparatou para encurtar a viagem. Mas não era fácil viajar num território cheio de druidas. Eles não gostavam de estranhos, ainda tinham suas guerras com os videntes Vikings e um bruxo aparatando pelo território acabaria chamando mais atenção que um viajante solitário.

Setembro já ia em sua segunda metade quando Sirius chegou à praia das Selkies, apenas dois dias depois do equinócio de outono. Ele preferiu se aproximar do lugar na forma de cão, afinal, sua intenção era surpreender e não ser surpreendido. A enseada se estendia por uma larga distância de pedra e areia, o que dava um aspecto selvagem ao lugar, o mar, porém, era calmo e pacífico. Os pássaros marinhos faziam a festa mergulhando em busca de comida. Sirius não levou muito tempo para localizá-las. Sobre pedras que cobriam a praia e, especialmente, sobre àquelas que se sobressaíam no mar sem ondas, um enorme grupo de focas cinzentas se espalhava por ali. Era possível ver muitos pontos brancos entre elas: os peludos filhotes de rosto canino e olhos lacrimosos. É claro que elas notaram a presença do imenso cão negro na praia, mas nenhuma daquelas que eram selkies – o povo mágico se misturava às focas comuns como aos humanos – se revelaria antes que a noite caísse.

Sirius também resolveu se revelar apenas quando a noite chegasse. Trotou até o lugar em que havia uma pequena cabana de pescadores abandonada, tentando não andar nem rápido demais, que parecesse estar desesperado, nem lento demais, que chamasse atenção demais para ele. A cabana, de pedra e colmo, provavelmente só não havia caído porque volta e meia alguém vinha até ali em busca das selkies, fosse por curiosidade pela lenda, fosse por espírito de aventura, fosse porque as focas sempre escolhiam excelentes pesqueiros. Sirius se acomodou num espaço abrigado do vento e esperou.

A luz do dia – não se poderia falar em sol naquele lugar e naquela época do ano – demorou a acabar, mas finalmente a noite caiu. As nuvens cinzentas ficaram mais escuras até parecer que o céu era feito de cinza. Com certeza, em algum lugar acima delas devia haver uma lua, mas ela não tinha força suficiente para romper com as nuvens. Finalmente, também a garoa fina que o dia inteiro tinha prometido começou, fria e irritante como são as garoas. Mas Sirius não se moveu, continuou esperando.

De vez em quando, algo se agitava no mar e o barulho chegava até ele. Um grito de pássaro, um balido de foca, água sendo jogada para os lados. Havia também o vento, que ia aumentando junto com a garoa e produzia um som que lembrava a voz das sereias ao roçar no colmo do teto da cabana. Sirius esperou mais.

Foi somente quando o silêncio voltou – de um jeito misterioso e perturbador – que ele tornou a se mover. Devia receber algum tipo de prêmio pela paciência, mas tinha de confessar a si mesmo que era mais fácil se controlar quando era um cão. Devia ser provavelmente meia-noite ou perto disso. Sirius se concentrou e em instantes o enorme cachorro preto desapareceu dando lugar ao homem alto de cabelos muito escuros e olhos azuis que brilhavam intensamente. Mesmo de longe, era possível perceber que ele, ao contrário da grande maioria dos homens, não portava qualquer arma. Nem arco, nem espada. Preferira deixá-los escondidos, próximo a estalagem onde deixara Euro. Apenas a varinha, quase imperceptível na escuridão, pendia de sua mão. Ainda sim, algo em sua postura era predador. Qualquer um perceberia.

Contudo, a hora da espera tinha acabado e Sirius saiu da sombra da cabana e caminhou até a beira do mar. Com uma decisão suicida ele ergueu a voz.

– Sonja! Você me fez uma promessa! Vim cobrá-la!

Silêncio. Sirius esperou. Porém, sua paciência humana era bem menor que a do cão.

– Você ouviu? É sua promessa! Não pode quebrá-la! Sonja! Sonja!

– Por todas as conchas do mar – disse uma voz feminina e repressiva logo atrás dele. – Você não mudou nada.

Sirius se virou tão rápido que chegou a desequilibrar. Ali estava ela. Tão magnífica quanto ele era capaz de lembrar. Não. Mais, muito mais. Os longos cabelos escuros caindo úmidos até a altura dos joelhos, o tecido do vestido simples e cinzento, parecia quase encharcado em algumas partes. Sirius sorriu.

– Não foi bem assim que imaginei essa cena.

Sonja arqueou a sobrancelha.

– Não?

– Imaginava que você iria sair nua do mar, como fez para mim na primeira vez.

Ela não deu atenção ao tom insinuante dele.

– Estou mais velha e menos tediosa, Sirius – dessa vez, era bem óbvio que ela continha um sorriso sob a indiferença.

– Está ainda mais linda.

Não houve tempo para que Sonja pudesse agradecer o elogio, Sirius a agarrou com força, jogando os braços dela em torno do seu pescoço, estreitando o corpo dela contra o dele, e a beijou. Sonja reagiu como ele esperava. Ela retornou o beijo, achava que ele viera apenas em busca daquilo. Como o belo ser mágico que ela era, viera cumprir a promessa de ser dele mais uma vez. Porém, Sirius não lhe fizera promessa nenhuma e tampouco pretendia jogar segundo as regras. Bem, na verdade, ele fizera sim uma promessa, ela é que não prestara a atenção.

Sem tomar fôlego, Sirius ergueu-a do chão e começou a carregá-la em direção à cabana.

– Sirius... – ela murmurou contra os lábios dele. Era um protesto.

– Eu sei Sonja... eu lembro bem. Só mais esta vez... – e voltou a ocupar a língua dela com a sua e não com conversas que seriam inúteis.

Sirius caminhou rápido até a cabana e deu um chute na porta para abri-la, lá dentro, deu outro para fechá-la. Só então soltou Sonja e, sem parar de beijá-la usou a varinha para transfigurar a palha úmida e malcheirosa em uma nova e limpa. Depois arrancou a própria capa e jogou-a sobre a palha. Um outro movimento com a varinha e um fogo cresceu subitamente na minúscula lareira. Depois, Sirius deixou o pedaço de madeira mágica cair, precisava das mãos para um trabalho mais importante: arrancar de Sonja aquele ridículo e absurdo vestido.

A entrega de Sonja foi total. Ela deu a Sirius o mesmo amor desesperado que ele imaginava que um amante apaixonado e condenado daria em sua última noite. Cada beijo, cada gemido, cada arfar somente convenciam Sirius de que ele estava certo. Consciente de cada minúsculo instante daquela noite, ele aguardou o momento de agir e, quando finalmente a última hora da madrugada começou a se acelerar em direção ao amanhecer, Sirius deixou o corpo relaxar sobre a palha com um sorriso satisfeito nos lábios. Sonja estava ao seu lado, escorada em seu peito.

– O que houve com você? – ela perguntou um pouco desconfiada.

– Está falando do quê?

– Você está... diferente.

Ele deu um sorriso de lado.

– Estou mais velho e menos tedioso. Achei que tivesse gostado.

– Não seja ridículo, não estava falando disso.

– Estava falando do quê?

– Não banque o inocente, Sirius Black. Você não foi inocente nem quando era um bebê de berço. Está tramando alguma coisa.

– Querida, acredite, todos os planos que eu tinha para essa noite, eu já realizei.

Sonja pareceu ainda mais desconfiada com a resposta dele.

– Por que voltou?

– Pensei que isso fosse óbvio. Eu ainda a amo. E não precisa perguntar se eu tentei esquecê-la, eu repondo: sim milady, eu tentei.

– Nenhuma moça, em dez anos? – ela duvidou.

– Bem, eu achei que as tentativas envolviam moças, não? Mas confesso que também tentei algumas mulheres casadas, viúvas (essas eram bem receptivas), e até algumas mais velhas. – Sonja olhou-o chocada. – Eu não tenho preconceitos.

O comentário lhe rendeu um tapa no peito e o fez rir. Fossem focas, mágicas ou entidades, mulheres eram só mulheres na maior parte do tempo. Sirius segurou a mão dela e a puxou novamente para beijá-la. Fez isso até que ela docemente se soltou e voltou a deitar em seu peito.

Sonja deu um suspiro.

– Por que é tão perfeito com você? – parecia um pensamento em voz alta mais que uma pergunta.

– Achei que isso fosse óbvio também. Você me ama.

– Não é tão simples.

– É sim.

Ela se ergueu do peito dele para olhá-lo nos olhos.

– Somos coisas diferentes, Sirius. Espécies diferentes.

Sirius deslizou acintosamente a mão pela lateral do corpo dela.

– Sinceramente? Eu nunca notei qualquer incompatibilidade – disse com malícia.

A mão dela segurou a dele antes que ele chegasse a lugares mais perigosos. Seus olhos negros brilharam.

– Você não vai facilitar isso, não é?

– Mas é óbvio que não – ele respondeu num tom ofendido.

– Sirius, nós temos uma lei. Podemos nos envolver com os humanos. Gostamos imensamente de vocês, mas não podemos nos apaixonar porque não há vida possível para uma selkie e um homem. Isso é apenas sofrimento! Nossa natureza é dar a vocês uma lembrança feliz e mágica de uma noite, só isso.

– Então por que voltou nas noites seguintes?

Sonja estremeceu e tentou se afastar, Sirius segurou-a com força. Ela ainda tentou escorregar dele, mas viu-se presa dessa vez. Aquilo a incomodou, mas ela sabia que devia a ele essa resposta. Ao fim de tudo, ela fora a responsável por jogá-los naquele amor sem esperança. Foi ela quem voltou.

– Achei que uma noite só era pouco.

– Viu como somos parecidos? – ele sussurrou transformando a prisão num abraço carinhoso. – Pensamos exatamente a mesma coisa.

Dessa vez, porém, Sonja não deixou que ele a beijasse novamente.

– Sirius... está amanhecendo.

– Eu sei – ele respondeu como se aquilo nada importasse e como ela tinha evitado seus lábios, Sirius achou por bem descê-los ao longo do pescoço dela.

– Eu tenho de ir.

– Vá – murmurou rente a pele do ombro dela.

– Sirius... por favor...

Os beijos continuaram a descer e a descer.

– Sirius!

Sonja finalmente o empurrou. Ela se ergueu da cama improvisada. O movimento foi rápido e ela tonteou um pouco. Havia uma repentina humanidade naquilo e Sonja desestabilizou. Sirius ficou observando enquanto os olhos dela passavam assustado pelo que ela via em torno de si. Porém, não eram os objetos da cabana que ela olhava, mas algo dentro dela própria, uma contabilidade de sensações. Então, um estranho som arranhou sua garganta e ela se jogou contra a porta e saiu para a noite.

Com a mesma paciência com que tinha esperado a noite chegar, Sirius levantou e, sem se preocupar em vestir-se, caminhou até a porta da cabana. Estava frio, mas sua felicidade era tão grande que ele nem sentiu. Sonja corria tonta pela praia. Vasculha as pedras, emitia balidos estranhos. Num dado momento, Sirius sentiu até mesmo um pouco de culpa com o desespero dela, mas ele tinha feito o que era melhor e mais justo para os dois: tinha dado um jeito para que eles ficassem juntos para sempre. E, depois que ela confessara que também o amava, ele sentia que jamais se arrependeria.

Então, finalmente, ela desistiu. Os dedos do dia já estavam erguendo a noite e o sol se mesclava meio amarelo, meio vermelho, com as nuvens no horizonte. Sonja correu para a cabana, os olhos arregalados e ensandecidos.

– O que você fez?

– Encare como um pedido de casamento.

Os lábios dela se abriram assombrados.

– Você tem idéia do quê...?

– É claro que eu tenho – ele afirmou muito sério dessa vez. – Diga Sonja, diga que prefere passar o resto de sua vida aqui ao invés de estar ao meu lado. Diga que esses dez anos não foram para você a mesma horrível tortura que foram para mim. Diga! Diga isso, e eu devolvo sua maldita pele de foca e você poderá voltar para o mar. Vamos! Diga agora!

Sonja parecia completamente perdida, como se fosse uma criança em um vendaval. Seus olhos corriam para as sombras das focas sobre as pedras e, de lá, para o homem a sua frente. Depois de um tempo que pareceu eterno a Sirius, ela sustentou o olhar dele.

– Se eu o recusar, você dirá onde a minha pele está?

– Eu a amo, Sonja. Quero vê-la feliz e comigo, mas se isso não for suficiente... mesmo que eu definhe até a morte, eu farei a sua vontade. Basta que você pergunte onde ela está.

Ela colocou as mãos no rosto e sacudiu a cabeça algumas vezes.

– Não pode ser assim...

– Por que acha que eu me mantive vivo esses dez anos, Sonja? Eu me alimentava apenas com a possibilidade de poder tê-la e não era apenas mais uma vez.

– Eu terei de deixar a ilha. Terei de viver no seu mundo, vestir roupas ao invés da minha pele, usar outros animais para me locomover, comer a comida de vocês, falar com pessoas...

Sirius observou-a enumerar cada uma daquelas coisas como se fossem imensamente difíceis. A angústia dela começou a lhe incomodar fisicamente e, mais alguns murmúrios, e ele lhe diria onde a pele estava. Tentou uma última cartada.

– Ficará comigo... para sempre – falou baixinho. O jeito dela era tão cheio de aflição que ele já estava temendo que aquele não fosse um argumento poderoso o bastante.

Os olhos negros o perfuraram.

– Se eu não considerasse isso, não consideraria as outras coisas.

Ele engoliu em seco antes de perguntar.

– O que quer dizer?

– Quero dizer que devemos partir antes que as minhas irmãs acordem.


--- XXX ---




A coruja enviada por Harry à Terra Santa somente retornou no final de outubro. Ele a tinha escolhido entre as inúmeras que seu pai possuía e Hagrid, que era quem tomava conta do corujal, o fez escolher uma que ficasse lhe pertencendo. Hermione, Ron e Ginny apoiaram. Afinal, Harry era o filho do senhor, deveria ter uma coruja só para si. Foi Hagrid quem a apresentou. Uma grande coruja das neves, imaculadamente branca. Harry lhe deu o nome de Edwiges e uma missão longa e de grande importância. É claro que eles – além dos três inseparáveis amigos, Marian e Neville o tinham acompanhado – não deixaram que Hagrid soubesse de qualquer coisa. E, para evitar perguntas, Harry informou que Edwiges não ficaria mais no corujal, mas em seu quarto, motivo pelo qual o grandalhão lhe fez e uma bela gaiola e um poleiro.

Contudo, muitas coisas aconteceram antes que Edwiges chegasse a retornar. Quase tantas que mais parecia ter passado um ano e não algumas semanas. De fato, parecia a Harry que ele não havia tido outra vida antes daquela. Mal conseguia se lembrar de seu tempo com os Dursley.

Em setembro, as coisas, se é que era possível e apesar da ausência de Sirius, melhoraram. Dumbledore apareceu acompanhado de duas outras bruxas mais velhas: madame McGonagall e madame Sprout. Os três vieram organizar as lições e aulas de magia que ocorreriam no castelo. Dumbledore observou que o ideal seria enviá-los para uma excelente escola que fora montada no norte, mas James descartou qualquer possibilidade de Harry sair de suas vistas. Sendo assim, as aulas foram programadas por Minerva McGonagall. De cara, Harry considerou-a a bruxa mais formidável que ele já tinha conhecido – depois de Dumbledore, é claro.

Foi ela que instituiu a classe e incluiu todos os meninos e meninas bruxos que circulavam tanto pelo castelo quanto por Godric’s Hallow. Isso, de início, incomodou um pouco Harry. Logo que ele chegara ao castelo, a turminha liderada por Seamus Finnigan o hostilizou abertamente. Ron garantia que isso era ciúmes, pois todos adoravam James. Mas não fora preciso mais que algumas semanas freqüentando a mesma sala todos os dias, e logo, os garotos pareceram se conformar com a presença de Harry e a hostilidade diminuiu. Logo, as aulas ficaram até agradáveis.

Contudo, era óbvio que os três bruxos não poderiam ficar ali todo o tempo. Dumbledore, pelo que todos comentavam, tinha zilhões de afazeres e as duas bruxas não podiam abandonar a sua escola. Assim, tudo foi organizado em algumas aulas e muitos, mas muitos deveres mesmo a serem feitos na ausência dos mestres. Hermione ficaria encarregada de guiar os estudos dos outros nesses períodos porque, e disso Harry não tinha dúvidas, ela era a pessoa mais inteligente, interessada e atenta do grupo. Dumbledore nomeou-a por isso monitora, embora Ron não cansasse de dizer que o cargo deveria ser chamado de feitora e eles, ao invés de estudantes, escravos. Claro, ele jamais dizia isso num tom ou lugar que Hermione pudesse ouvir.

Madame Minerva McGonagall ensinava-lhes toda a série de feitiços e transfigurações. Ela também era animaga – transformava-se num gato listrado – mas, ao contrário de seu pai e dos amigos, ela não fazia segredo nenhum disso. A bruxa era uma mulher magra, de aspecto severo e que usava uma armação com lentes quadradas (obviamente, trabalho de Dumbledore). Harry e os outros não precisaram de mais de um encontro com ela para perceber que a severidade não se limitava à sua aparência. Nem os gêmeos se arriscavam a fazer suas brincadeiras na frente dela. Contudo, foram eles que descobriram nos livros da professora as tais azarações. A partir daí, ninguém mais esteve seguro no castelo Potter. Era um tal de feitiços de trava a língua, pernas bambas, tornozelos colados, dedos que ficavam procurando buracos para entrar, um horror. Os dois só sossegaram quando Lily – que dia a dia parecia mais a senhora do castelo – prometeu que os faria limpar a estrebaria, sem feitiços, por uma semana para cada pessoa que eles importunassem. O casal Weasley aplaudiu.

Madame Pomona Sprout lhes ensinava tudo o que era preciso saber sobre a flora mágica e seu uso em poções. Era uma bruxinha baixa, gorducha e sorridente. Ela conseguiu, rapidamente, tornar as excursões pelos bosques em torno do castelo uma verdadeira festa. Neville e Hermione eram os que aprendiam mais rápido, por isso estavam sempre lado a lado nas aulas, o que resultava no mau humor insuportável de Ron e numa imensa desatenção que lhe rendeu alguns acidentes com plantas hostis. Hermione precisou salvá-lo de um malicioso Visgo do Diabo, o que rendeu uma discussão entre os dois sobre o fato de ele não estar se esforçando o bastante. Harry e Gina assistiram essa entediados, e Ron e Hermione ficaram sem se falar por uma semana. A briga só terminou quando Ron se envolveu noutro acidente e se machucou seriamente. Dessa vez, justiça seja feita, a culpa não foi dele. Fred e George resolveram lhe pregar uma peça envolvendo um Agapanto carnívoro especialmente truculento e foi preciso que Harry, Neville e Seamus atassem a planta com suas facas de poda para poder livrá-lo. Ron até ensaiou brigar com os irmãos, mas ao fim escolheu parecer mais ferido do que realmente tinha sido e atrair a simpatia de uma aflita Hermione.

Dumbledore ficara bem menos tempo no castelo que as duas bruxas, apenas alguns dias. E, para a decepção de Harry, não lhes deu nenhuma aula. Em compensação, Harry acabara, descuidadamente, ouvindo uma conversa entre ele se seu pai. Uma conversa que nenhum dos dois teria gostado de saber que ele tinha ouvido, Harry tinha certeza.

Ocorreu umas duas semanas depois de Sirius ter partido e apenas um dia depois de Dumbledore ter chegado ao castelo. Harry foi procurar o pai, que tinha se atrasado para lhe dar sua aula de equitação. Era provavelmente a aula em que Harry mais se esforçava, pois de todos os seus desejos sobre ser bruxo, nenhum suplantava a vontade de montar o seu cavalo de fogo, Segredo. Além disso, Hermione havia estipulado um tempo injustamente diminuto para suas aulas de cavalaria.

Resolveu procurar o pai e o encontrou em sua pequena sala de audiências com Dumbledore conversando a portas fechadas. Harry teria saído dali rapidamente se não tivesse ouvido vozes alteradas e um pequeno estouro seguido da voz abafada de Dumbledore.

– Acalme-se, James.

– Me acalmar? Você tem idéia do que acaba de me contar Dumbledore? É a segurança de Harry que está em jogo.

Isso foi o suficiente para que Harry mandasse a prudência às favas e colasse o ouvido na porta.

– Eu sei precisamente o que significa, James – respondeu Dumbledore, sem se alterar. – Mas Harry está seguro nessas terras. Você tornou este lugar um santuário para ele, e com Lily e os Weasley aqui, Harry é praticamente intocável.

– Lily... – resmungou James, magoado. – Eles já a usaram uma vez para tirá-lo daqui.

– Eu não creio que isso volte a acontecer, James.

– Não?! Pois eu não tenho a sua certeza, Lily ainda acredita que eu...

– Ela não acredita nisso, James – certificou Dumbledore.

– Mesmo? Então, por que...? – James se interrompeu.

– Por que ela não volta para você? – havia um sorriso na voz do Alquimista. – Se quer minha opinião, meu amigo, por dois motivos. O primeiro, é que ela não tem nenhuma teoria convincente para colocar no lugar de sua suposta traição. E, conhecendo Lily, isso deve deixá-la absolutamente maluca. Em segundo, você deve considerar que sua esposa tem dúvidas sobre o fato de você querê-la de volta. – James fez um barulho baixo e Dumbledore riu. – Não faça essa cara, James. Desde que Lily e Harry retornaram, pelo que sei, tudo o que você tem feito é puni-la por ter duvidado de você. É natural que ela se sinta insegura. Além disso, admita, você não caminhou nem até o meio do caminho para tê-la de volta. Você quer que ela venha até você e aceite que errou.

– Oh, e ela não faria o mesmo se estivesse no meu lugar?

Dumbledore deu um longo e audível suspiro antes de responder.

– A atitude, James, não é inteligente, venha de onde vier. Eu não percebo até onde vocês dois serem tão turrões os está levando. Isso não tem tornado nenhum dos dois mais felizes. E, convenhamos, também não pode estar fazendo muito bem ao Harry.

Dessa vez houve um longo silêncio. Quando James voltou a falar, ele parecia estar querendo retornar ao assunto original.

– Pode dizer o que quiser, Dumbledore, mas eu ainda acho que foi ele quem contou.

– James, Voldemort pode ter sabido que Harry foi encontrado e está com você por uma enorme quantidade de fontes.

Um arrepio perpassou a coluna de Harry.

– É, mas nenhuma priva de seu círculo pessoal.

– Severus freqüenta as reuniões de cúpula sim, mas nunca conseguiu ver o rosto de Voldemort, e nós continuamos no escuro sobre quem ele realmente é. Logo, não acho que ele pertença a um círculo tão íntimo assim.

– Isso é o que ele diz a você.

– E eu acredito nele, James – retorquiu Dumbledore com grande calma.

– Mas eu não. Snape, assim como a mãe dele, sempre foi enfiado até os ossos em magia das trevas. Ele sempre teve o perfil perfeito para seguir um maníaco como Voldemort. Sei que você é o nosso líder, Dumbledore, e sempre irei respeitá-lo, mas acho que sua opinião está completamente errada a respeito dele.

– Respeito o seu julgamento, James. Mas, se permite, respeito mais o meu.

– Deus nos ajude, então.

– Ah, por favor, James. Está agindo como um menino pirracento. Você e Severus são adultos, as disputas infantis de vocês...

– Infantis? Deixe-me recordar, Dumbledore, que nossas disputas não acabaram. Pelo contrário, a maior delas continua bem viva, igualmente bonita, ruiva e de olhos verdes. E eu tenho certeza de que ele não hesitaria em matar a mim e ao meu filho para tê-la.

– Severus não é um rival para você, James – falou Dumbledore com complacência.

– Mesmo? Ele já a arrancou daqui uma vez.

– Bem, eu tenho certeza de que ele não é um rival porque, apesar das atuais aparências, é a você que Lily ama e não a ele e eu não vejo como isso possa mudar. Por outro lado, o que afinal, lhe dá tanta certeza de que Severus possa estar envolvido no engano que fez Lily abandoná-lo?

Houve uma pausa. James recomeçou a falar tão baixo que Harry teve pressionar a orelha dolorosamente contra a porta para ouvi-lo.

– Eu tenho pensado muito sobre isso e a única coisa de que tenho certeza é que não poderia ser eu junto com aquela mulher.

– Lily já falou onde os viu?

– Não. Mas, pelo que me lembro, eu havia saído para caçar com os caras. Não sei porque Lily veio atrás de mim e deixou Harry no castelo com Autunm. Havíamos combinado que nunca o deixaríamos sem um de nós.

– O que você se lembra daquele dia?

– Esse é o problema... eu não lembro de nada. Quero dizer, lembro de chegar até a cabana com os caras, lembro de prepararmos nossas armas, lembro de sairmos para o mato e de pararmos para almoçar, depois... Tudo o que me recordo é de acordar novamente na cabana no dia seguinte com uma sensação de algo estava muito errado.

– E os outros: Remus, Peter e Sirius?

– Estavam comigo, ao que parece, também apagaram. Corremos para o castelo, mas já era tarde. Lily havia partido com Harry e deixado aquela carta sem nenhum sentido para Autunm.

– James, eu já lhe perguntei isso uma vez, mas perguntarei de novo: será que nós podemos ter certeza de que você não estava enfeitiçado?

O som de um punho se chocando contra uma mesa ficou bem claro.

– NÃO! Você sabe qual o único feitiço que deixaria um homem agindo como uma marionete e eu...

– Você é impressionantemente resistente a ele. É, eu sei. A maldição Imperius certamente não seria suficiente. Mas, talvez, uma poção...

– Ora, ora, você chegou exatamente onde eu queria chegar.

– Acha que foi drogado, James?

– Não! Dumbledore, por favor! Sua crença nesse homem não pode cegá-lo dessa maneira! Ele é provavelmente o melhor preparador de poções da Inglaterra!

– Eu não concordo com você. Acho Slughorn melhor, mas você pode dizer que quero resguardar o prestígio da velha guarda. Certo, certo, e que tipo de poção você acha que Severus possa ter preparado para fazer com que Lily acreditasse na sua traição?

– A Poção de Merlin.

Dessa vez o silêncio foi bem prolongado e Harry tentou se lembrar desta poção nos livros que vinha estudando, mas não recordava de nada com esse nome. Foi Dumbledore que falou novamente.

– Ah, a polissuco... – ele disse pensativamente. – Sua fórmula está perdida há séculos.

– E quem nos garante que Snape não a redescobriu?

– Uma poção capaz de transfigurar as feições... Seria um grande feito para ele.

– É a única explicação plausível, Dumbledore.

– A única, não... Mas, de qualquer forma, James, eu gostaria de poder investigar sua suposição.

Harry ficou ouvindo passos pela sala, até que James voltou a falar.

– Isso não é tudo que me preocupa. Se Voldemort sabe do Harry...

– No momento, James, tudo o que podemos fazer é ficarmos atentos. Com sorte, talvez possamos antecipar os movimentos dele.

– Acha que ele tentará algo contra o Harry?

– Gostaria muito de lhe dar uma resposta negativa, James.

– E o outro? O outro rapaz da profecia?

– Voldemort não imagina onde ele possa estar. Enquanto Robert permanecer na Terra Santa estará seguro. Entretanto, enquanto não tivermos as palavras da profecia, não sabemos o papel que eles terão na luta que virá no futuro, porém, temos de manter os dois vivos a qualquer custo. Às vezes, uma modificação, mesmo muito pequena, pode alterar tudo. Voldemort sabe disso. Por isso, não descansará caçando estes meninos antes que eles possam realmente enfrentá-lo.

Como naquele dia, Edwiges ainda não tinha retornado, Harry sentiu uma boa pontada de culpa. Ficou imaginando se receber uma carta de Marian não incentivaria Robin a voltar para a Inglaterra. Por outro lado, a idéia de que Voldemort tentasse pegá-lo, mesmo com toda a segurança do castelo Potter, o fez respirar mais rápido.

A conversa logo se encaminhou para a saída dos dois da sala e Harry teve de correr para não ser pego. Chegou ao pátio esbaforido e correu para Hermione, que estava sentada com Ginny em uma mureta. Agradeceu por não encontrar Marian com elas, estava culpado demais para encarar a jovem naquele momento. Ron o viu cruzar o pátio e, saindo de perto de Hagrid e Little Jonh – que estavam exercitando os animais para a aula – correu para junto deles.

– O que houve? – perguntou Hermione com os olhos arregalados para o rosto vermelho de Harry. – Onde está o James?

– Shsss! Fale baixo – censurou o garoto. – Preciso te fazer uma pergunta. – Ele se aproximou para poder baixar a voz. – Você sabe o que é a poção de Merlin? – Hermione franziu a testa.

– Qual delas?

– Uma que... Dumbledore usou outro nome... é... polissuco, isso, polissuco!

– Sim, sim, já ouvi falar desta. É famosa, mas a fórmula está perdida.

– Foi o que Dumbledore disse – continuou Harry. – O que exatamente ela faz?

– Bem – Hermione trocou um breve olhar com Ginny – a história conta que Mérlin a fez para o rei Uther, quando ele quis raptar sua amada, lady Igraine. A poção fez com que Uther ficasse igual ao marido dela, o Duque da Cornualha, e assim, ele pode entrar no castelo em que ela estava e tirá-la de lá. Por quê?

Harry pensou um pouco e depois, resolveu contar tudo o que tinha ouvido. Hermione ensaiou censurá-lo por escutar a conversa, mas ao fim, teve de concordar com Ginny que era importante Harry saber que já não estava mais completamente incógnito no castelo.

– Bem, acho que não é só esse o problema – disse Ron.

– Como assim? – perguntou Ginny.

– Se o pessoal do... do tal bruxo esse que quer pegar o Harry – Ron sempre ficava desconfortável, como muitas pessoas, em dizer o nome de Voldemort – tem o segredo da tal poção, talvez... bem, eu acho que não devemos confiar muito nas pessoas que se apresentam para a gente, não é? Mesmo amigos. Qualquer um pode ser um deles disfarçado.

Os quatro ficaram quietos, partilhando o incômodo da situação.

– Se pensarmos assim, não será possível confiar em ninguém – disse Ginny.

– É, mas Ron tem razão – afirmou Hermione, muito séria. – Precisamos ficar atentos, afinal, mesmo fisicamente parecido, ninguém consegue imitar ninguém com completa perfeição. Muitos desconfiaram de Uther quando ele entrou no castelo do Duque.

O assunto rendeu uma enorme quantidade de conversas entre eles, porém, num acordo mudo, eles preferiram não incluir nem Marian, nem Neville em suas dúvidas. Se o fizessem teriam de partilhar outras coisas como a profecia e o lugar de Harry e Robin nela. No caso de Marian, ela já tinha o bastante para se preocupar, pois Peter continuava insistindo na história do casamento e como Edwiges ainda não tinha voltado, ela não tinha como saber como Robin estava. Já Neville tinha jurado irrestrita lealdade a Peter, e Harry não queria nenhum dos amigos de seu pai sabendo do quanto ele sabia.

Dumbledore partiu dois dias depois e logo Harry soube que os amigos de seu pai certamente foram informados a respeito das novidades sobre Voldemort. Era difícil ignorar a quantidade de olhos que se multiplicaram sobre ele. Harry não dava um passo dentro ou fora do castelo sem estar sendo vigiado. De qualquer forma, a situação o incomodou. É claro que ele não iria dizer ao pai o que sabia, mas o aborrecia ser tratado como criança. Queria que James tivesse contado a ele.

Na véspera do dia de Todos os Santos o castelo estava em polvorosa. Naquela noite, Percy guardaria suas armas e no dia seguinte seria sagrado cavaleiro. Haveria um grande almoço e depois ele jejuaria na capela até o dia seguinte, quando receberia sua armadura, escudo e espada. Os meninos mais novos estavam todos muito excitados, cada um contando os dias para a sua própria sagração. Os gêmeos – que só tinham de esperar até o próximo Pentecostes – eram os mais insuportáveis.

Foi durante o almoço que as coisas resolveram acontecer todas de uma vez só. Primeiro, foi Edwiges. A coruja entrou pela grande janela que dava para o rio esvoaçando como um fantasma e foi pousar bem diante de Harry derrubando sua taça de vinho. A chegada não poderia ser mais imprópria, com todo mundo olhando para Harry e a coruja que, agora, lhe esticava a perna mostrando um bilhete amarrado nela.

– Você a enviou a alguém? Já sabe escrever para isso? – perguntou James imediatamente interessado. – Hagrid me disse que tinha lhe dado uma coruja, mas eu não sabia que você a estava usando.

Harry engoliu em seco, mas Hermione foi mais rápida e reagiu quase ofendida.

– Claro que ele já está escrevendo, James. Ainda não é perfeito, mas eu o ajudei.

– É... eu... foi só um teste – mentiu Harry.

– Mandou-a para Sirius? – quis saber Remus e Harry sentiu Hermione apertar compulsivamente o tecido da sua túnica.

– Não – Harry fez um carinho descuidado na coruja e lhe entregou um pedacinho de carne cortada, quando ergueu o rosto era a imagem da inocência. – Eu mandei para uma garota, da minha antiga aldeia.

Houve uma sucessão de risinhos pela mesa, especialmente entre os mais velhos. A faca com que Ginny cortava o pão caiu com um estrépito e Lily o encarou com curiosidade.

– Mas Megan não é bruxa, Harry. Acha que ela compreenderia receber uma coruja? E talvez, também nem ao menos soubesse ler o bilhete.

– É... – ele fez uma expressão de desamparo – provavelmente, Edwiges trouxe o mesmo bilhete que enviei. – Harry desatou o pedaço de pergaminho, abriu rapidamente e depois olhou para o resto da mesa parecendo desolado. – É, é exatamente o mesmo que enviei – completou com um suspiro e desviou dos olhares enternecidos dos pais para não rir.

Depois, ele guardou rapidamente o bilhete no bolso e se levantou da mesa.

– Hã, eu já terminei, posso levar Edwiges para o corujal? – pediu ao pai e James assentiu.

Harry levantou e Hermione e Ron imediatamente o imitaram. Neville olhava para todos os lados, claramente imaginando como escapar.

– Quer vir conosco, Neville? – Hermione perguntou educadamente e o rapaz respondeu se levantando tão rápido da mesa que quase derrubou seu prato.

– Será que eu também posso ir? – perguntou Marian. – Adoro ir ao corujal.

Os meninos assentiram e Peter, num gesto despreocupado, fez um sinal para que ela fosse e virou-se para conversar com James. Logo todos tinham voltado aos seus assuntos. Foi só quando chegaram a porta que Harry notou que o grupo não estava completo. Olhou para trás e localizou Ginny, que o mirava meio congelada, do outro lado da mesa. Por que diabos ela não tinha se mexido para acompanhá-los?

– Ginny! – chamou. – Vem conosco!

A menina levantou meio sem vontade e os seguiu com uma cara emburrada. Harry não entendeu, mas achou que era melhor perguntar depois. Os seis praticamente correram até o pátio e de lá para o corujal. Ron achou que isso seria menos suspeito. Só quando estavam dentro da torre das corujas foi que Harry pegou novamente o pedaço de pergaminho. Na verdade, eram dois. Um era de Will. Harry o passou para Hermione que leu em voz alta.

Ron

Você realmente não devia estar se envolvendo nisso. É claro, essa é a minha opinião, Robin, ao meu lado, não para de saltar de felicidade desde que a coruja chegou. Certo, nem eu deveria me envolver nisso, meu juramento exige que eu conte tudo a Sir James, mas... Robin está ameaçando cortar minha língua se eu o fizer, então, vou ficar calado. Mas não se exponha ou colocará papai em maus lençóis com Sir James.

Robin manda um recado para o jovem mestre Harry. Ele diz: Te devo mais essa.

Seu irmão
Will


Todos sorriram e Hermione passou o segundo pergaminho para Marian. A jovem praticamente o devorou. Na segunda leitura ficou muito corada e, por fim, se jogou contra os amigos mais jovens num abraço coletivo, cheio de muitas risadas. Porém, não houve Cristo que a fizesse dividir o que estava no bilhete.

Foi um barulho no pátio que fez com que eles se soltassem. O grupo correu para a janela e por ela entrava um grupo de cavaleiros. Primeiro, Harry achou que fossem convidados para a sagração do dia seguinte, mesmo que James não tivesse falado em convidados. Depois, ele reconheceu Dumbledore, porém, logo o grande sorriso que apareceu em seu rosto sumiu. O Alquimista não viera sozinho dessa vez.


--- XXX ---




– Lily!

James a alcançou no corredor que levava ao quarto dela. Ela tinha pedido licença para se retirar assim que o almoço fora dado por encerrado. Fazia muitos dias que James buscava coragem para falar com Lily. Antes, ele esperara, em vão, que, talvez, ela cedesse primeiro.

– Sim, James.

– Nós podemos conversar?

– Agora?

– É uma hora ruim?

– Não – ela negou – apenas... Da última vez que nós tentamos...

James parou de caminhar a uns três passos dela.

– Eu estava bêbado. Já me desculpei por isso. – Ela baixou a cabeça e assentiu. – Você concordaria em me acompanhar até a sala de audiências?

Como Lily concordou, James fez um gesto para que ela seguisse à frente. O mais correto teria sido lhe oferecer o braço, mas, com certeza, não seria o mais prudente.

A sala estava com sua ampla janela aberta para o pátio e ainda assim, o outono diminuíra muito a luminosidade que entrava por ela. O vidro resguardava do frio, mas não o suficiente. James agitou a varinha em direção a lareira e esta se acendeu, aquecendo e iluminando o ambiente. Ele apontou uma das cadeiras para Lily.

– Não quer se sentar?

Ela o analisou, desconfiada.

– Por que sempre tenho um arrepio atrás da nuca quando você é gentil demais? – ela provocou enquanto sentava.

James ergueu a sobrancelhas surpreso, depois cruzou os braços e segurou o queixo encarando-a com um olhar antigo, que só fez o arrepio de Lily aumentar.

– Você realmente quer que eu responda a sua pergunta?

– Diga por que me trouxe aqui, James? – ela cortou agressiva.

– Quero que me conte o que viu? – Lily empertigou-se na cadeira. – No dia em que achou que eu estivesse traindo você. Quero saber o que viu e com detalhes.

– Por quê?

– Até um condenado tem o direito de saber o teor do que o acusam.

– Você sabe do que...

– Eu já disse, Lily: quero detalhes.

– E eu posso saber o porquê dessa curiosidade mórbida?

James fez um gesto de descaso com a mão e sentou-se na cadeira em frente a ela.

– Digamos que eu preciso de detalhes para achar um culpado. Sabe, descobrir quem ganharia se você se afastasse de mim.

Lily estava tendo dificuldades em sustentar o olhar dele.

– Dumbledore diz que eles queriam que o Harry fosse retirado do castelo.

– Mais um motivo para você perceber a minha inocência, não é? Por que eu tornaria o lugar uma fortaleza para o meu filho, se eu pretendia...

O rosto de Lily se contorceu como se ela tivesse dor.

– Eu SEI! – ela segurou o grito e depois, reunindo calma, voltou a olhar para ele. – Pensei que queria ouvir a minha parte da história?

– Sou todo ouvidos – ele respondeu se jogando contra o espaldar.

Lily respirou profundamente.

– Recebi uma coruja no início daquela tarde. Uma letra que eu não conhecia dizia que eu era uma tola por acreditar que você não se cansaria de mim. Dizia que eu teria a prova se fosse até a cabana de caça.

– E você saiu imediatamente para me flagrar – ironizou ele.

– Não – reagiu Lily, juntando dignidade em cada gesto. – Eu tinha certeza de que era mentira. Sabia que você estava com seus amigos. Fui até lá sim, mas para perguntar quem poderia estar fazendo aquilo.

– E deixou Harry apenas com Autunm?

– Tudo bem! Eu errei! – Ela disse se levantando da cadeira, muito perturbada. – Mas eu fiquei muita aflita, não conseguia pensar direito. Algo me dizia que uma coisa muito ruim iria acontecer, eu... – ela olhou para James que ainda estava sentado e a encarava cético. – Eu fiquei preocupada que algo acontecesse a você. Que quem estivesse armando aquilo, também o procurasse.

James piscou algumas vezes, depois perguntou.

– E aí?

– Eu cheguei à cabana. Aparatei para ir o mais rápido possível. Estranhei porque apenas o seu cavalo estava amarrado em frente ao chalé. Eu ia entrar normalmente, mas então...

– Então...

– Eu a ouvi rindo.

– Deixe-me adivinhar, você olhou pela janela e via a mim e a abjeta Bellatrix em trajes sumários...

– Sem trajes – ela corrigiu ferina.

– Um flagrante clássico – completou James sem se abalar. – Por que não entrou?

– Porque você estava falando de entregar Harry a Voldemort.

– Eu?

– Era disso que ela ria.

James ficou pensativo. Era tudo arrumadinho demais. Queria saber como Snape soubera de seus passos. Porém, só ele conhecia Lily o bastante para prever como ela agiria. Era óbvio que ela não faria uma confrontação. James tinha certeza de que ficara morto para ela no mesmo instante em que ela o tinha visto. Só o filho a importaria. Somente Snape poderia avaliá-la tão bem.

– Para onde foi quando saiu dali? – perguntou sem encará-la.

– Voltei para o castelo, coloquei uma roupa simples e uma capa de viagem, escrevi um bilhete para Autunm, peguei Harry e saí do castelo. – James ergueu o rosto e a pressionou com o olhar. Ela não dissera para onde tinha ido. – Eu... eu fui procurar Severus.

– O QUÊ? – dessa vez James levantou, o rosto furioso dele ficou muito próximo ao dela.

– Ele era o único em que eu podia confiar, James! Dumbledore sempre acreditou nele...

– Dumbledore sempre acreditou em mim!

– Ele podia estar enganado.

– E não quanto ao seu querido Severus?

– Foi Severus que nos avisou sobre as intenções de Voldemort!

– Ótimo! E por que você não fugiu com ele?

O rosto de Lily ficou vermelho, depois roxo, depois começou a amarelar até ela ficar pálida como osso.

– Eu ainda amava você...

Aquilo saiu num fio de voz, mas James ouviu e a parte de trás do seu joelho chegou a dobrar. A intenção era essa mesma. Cair de joelhos diante dela. Ele já não se importava em ser o primeiro a ceder. Não depois de ouvir aquelas palavras e a dor com que Lily as dissera.

O barulho de cavalos entrando e homens falando aos brados no pátio ficou, de repente, tão alto que conseguiu romper o que havia se instalado entre os dois. James queria ignorar, mas ouviu alguém dizer muito alto o nome de Dumbledore. Lily desviou dos olhos dele e se afastou em direção à janela. Ainda com os joelhos trêmulos, James a seguiu.

Sim, lá estava Dumbledore. A cavalo, o que era raro. E com uma comitiva. E isso era mais raro ainda. Bastou que James fixasse por um segundo o olhar no homem ao lado do Alquimista para compreender. Reconheceria aquele cabelo negro e oleoso em qualquer lugar.

Lily cobriu a boca com a mão, tão chocada quanto ele. No pátio, o xerife de Nottinghan, Severus Snape, ergueu os olhos até encontrar os deles.




xxx – xxx – xxx


N/B Sônia: Nika Maria Salustiana! Isso foi maldade! >( Trazer Sebosus de volta NESTA hora, foi o mais puro sadismo! Eu só não esmurrei meu recém consertado PC, o enviando de volta ao hospital, PORQUE SIRIUS E SONJA ME ASSEGURARAM BOM HUMOR E SUSPIROS POR SEMANAS! - =D – Ai, ai... Gostei dela! Forte! Pegou o bonitão pelas vísceras e atou ele bem amarradinho! Ela me lembra alguém! Alguém que tem o mesmo nome, mas soletrado diferente... =D =D =D - Amada Anam, sério agora! Fui do céu ao inferno neste capítulo, tão rápido que ainda estou zonza. Primeiro Sirius e SONJA, com sua história de amor linda e difícil, aí notícias de Robin, (a carta do Will ficou o máximo!), depois James e Lily quase dobrando-se ao amor, e, quando eu achei que tudo seriam flores,... Você me coloca o visgo carnívoro rançoso do Sebs para atrapalhar tudo! – AMEI!!! Empolgante!!! - Aplaudindo ensurdecedoramente, aqui me coloco a esperar ansiosa pelo próximo capítulo! O embate entre estes dois promete estremecer montanhas! Tem dó de mim, Anam! Não maltrate mais não! Pleaseeeee???? - Beijo enorme neste seu coração talentoso! Te admiro demais! Até o próximo! – AMEI!


N/A: Queridos, hj bancarei aquelas autoras que só pedem desculpas.
Desculpas pela demora.
Desculpas por não poder agradecer a todos individualmente (vcs não imaginam o quanto isso custa). Porém, estou numa semana pesada no trabalho e, cá para nós, já adiei coisas que têm prazo lá apenas para terminar esse capítulo. Espero que compreendam.

Muito obrigada pela leitura e fiquem atentos à comu.
Qualquer novidade sobre a fic ou o livro vai aparecer lá primeiro.

Um beijo estalado e não se esqueçam de me dizer o que acharam da Sonja! =D

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