Capítulo 14
John bebericava com ansiedade o copo com vodca pura, como se fosse a última bebida do mundo. Uma não habitual dor de cabeça começava a latejar em suas têmporas e resolveu engolir de uma vez o líquido, que queimava sua garganta. Há semanas que esperava uma resposta daquela velha inútil da McGonagall, nem para isso ela prestava. Só se quem emperrava a negociação era o maldito Snape.
- Inferno! Mais uma vez cheguei nesse nome. – murmurava. – Outra dose, e rápido!
O garçom desconcertado serviu prontamente outra dose para ele e saiu em um piscar de olhos. Há anos servia o homem em seu bar e sabia que boa pessoa ele não era. Companhias da pior espécie, sem contar as bebedeiras constantes. Mas desta vez ele não comemorava alguma situação, seus olhos possuíam ódio, simplesmente.
Passadas duas horas, o pub vazio, rádio ligado, Zimmer com os olhos vidrados no seu copo e o garçom lívido de raiva.
- Vamos, John, saia daqui. Bebeu o suficiente por uma semana, preciso dormir também!
- Não..vou..sair..idiota!
O garçom suspirou, apanhou sua varinha debaixo do avental e imobilizou John, o levitando para fora do bar. Que ficasse lá fora, o jovem extrapolou todos os seus limites.
Nem percebendo o que ocorria em sua volta, John não enxergava direito, sua visão estava curva e de repente ficou com muito frio. Era final do outono, mas o vento em Berlim era horrível, ainda mais pela madrugada. Só havia folhas jogadas pelo chão e papéis, além de pessoas da pior estirpe. Apagaram-se as luzes do pub e logo uma gangue se aproximou do local, sorrindo maliciosamente para o bêbado do jovem loiro jogado no chão feito um cachorro. Pegaram-no pelos pés e pela cabeça, levando-o a algum lugar. Ensangüentar rostos desconhecidos não faria mal a ninguém.
Severo Snape sentava-se confortavelmente na cadeira longa e preta, à frente da grande bancada que um dia fora de Dumbledore. Com as mãos entrepostas, voltou a olhar Minerva McGonagall e retomou sua fala.
- E por quais motivos eu aceitaria aqui um professor de faculdade para trabalhar, sendo que ele teoricamente teria acesso aos mais precisos materiais para pesquisa?
- Ora Severo, já imaginou os créditos que Hogwarts ganharia? Além do nosso ensino diversificado, poderíamos lançar uma linha de pesquisa fora das universidades!
- Depois eu que sou sonserino, Minerva. Até você está se rendendo à fama e glória, não é mesmo? Faça o que quiser diretora, minha opinião já está dada. Passar bem.
Enquanto ele fez menção de sair do lugar, Minerva tomou um gole de seu chá e por fim falou: - Ah, Snape! Traga Hermione até aqui, quero ouvir a opinião dela também, embora minha decisão esteja tomada.
- Claro. E por que não a traria? – sorriu de canto, desaparecendo da sala.
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Hermione realizava mais uma de suas leituras sobre uma sub-matéria de Poções que teve na universidade. Copiava algumas informações em um pergaminho, que seria um novo roteiro para sua aula da semana que vem. Trabalhava a certo tempo em Hogwarts e recebera muitos elogios de outros professores pelas suas aulas. Os alunos adoravam as aulas de Poções, como há anos não gostavam; não era sarcástica como Snape fora e nem desastrosa como aquele último professor. Além dos conteúdos obrigatórios, sempre dava um jeitinho de ensinar algo a mais, fazendo desafios aos seus alunos e os instigando a gostarem cada vez mais de sua matéria. Escrevia rapidamente, mas com atenção, o décimo tópico de sua futura aula. Fazia asteriscos nos mais importantes, rabiscava ali e aqui, e nem percebia um vulto preto atrás dela.
- Minerva quer falar com você. – sussurrou Snape em seus ouvidos, colocando suas mãos nos ombros da mulher, lhe causando sérios arrepios.
Ela prendeu o ar, abandonando de imediato sua pena. – Ótimo, estou indo. Você adora me provocar não é, Sev?
- Exatamente, querida. Tem aula daqui a pouco?
- Não, todas as minhas aulas lecionei pela manhã. Por que a pergunta? – disse Hermione inocentemente
- Nada de especial. – e começou a beijar seu pescoço, lhe dando mais arrepios do que antes. Começou a desabotoar o sobretudo da morena, e logo apareceu sua blusa fina verde-musgo que usava. – Linda blusa, Hermione.
- Ah, você acha, Snape? Pensei que odiasse essa cor, sabe.
- Gosto de tudo que envolva você, minha cara.
Snape a virou para sua frente, lhe dando um beijo apaixonado, em que suas línguas disputavam espaço entre as bocas de tanta intensidade. Hermione foi mais rápida e com suas mãos, desabotoou as vestes de Severo, sentindo com as pontas de seus dedos os leves pêlos em seu tórax. O leve arranhão que a mulher proporcionava nele o deixava no mínimo arrepiado; era assim que se sentia em relação à Hermione. Nenhuma mulher o deixara no estado em que ficava quando ela estava presente. Nenhuma. No fundo ela mesma sabia disso.
Severo tirou a blusa verde de Hermione de vez e acariciou levemente seus seios. Sempre imaginou os dois numa situação dessas na própria sala de aula. Agora era real, e não mais um simples sonho. Colocou-a em cima da mesa, derrubando papéis, livros, pergaminhos, e nem se arrependeu por isso. Desceu sua boca até o pescoço da mulher, beijando constantemente até que ela implorasse para que fosse direto ao ponto. Ele não se deu por vencido, e com um sorriso malicioso, tirou o sutiã de Hermione e sugou os dois seios com vontade. Ela somente fechou os olhos sentindo a boca quente de Severo lhe chupando, sentindo arrepios pela sua coluna.
- Severo...por favor.. – falou Hermione, ofegante.
Ele parou e pousou seus olhos negros nos castanhos.
- O que foi, querida? – disse com uma voz calma e gentil.
- Preciso de você.
- Não entendi Granger. Aliás, eu já estou aqui, não estou? – disse formando um pequeno sorriso entre os lábios.
- Pare de me provocar! Preciso de você agora, dentro de mim. Fui clara?
- Sabia que adoro te ver assim..irritada?
- Ótimo, agora me beija. – ela sorriu e o puxou para cima, beijando a boca de Snape ardentemente. Eram poucas as oportunidades em que Hermione tomava iniciativa e era meio agressiva. Ele adorava isso.
Hermione desabotoava a braguilha da calça preta de Snape; meio complicado pela situação em que estavam, mas não impossível. Depois que se livrou dela, só restou sua boxer preta que deixava mais do que visível sua excitação. Snape fez o mesmo que Granger, desvencilhando da calça da garota e arrancando violentamente sua calcinha. Ela soltou um suspiro e nem percebeu que Severo tirou sua própria cueca, lhe falando impropérios em seu ouvido.
Começou a estocar rapidamente em Hermione; seu sexo já estava lubrificado de tanta excitação que Severo lhe havia proporcionado. Ela deu um gemido abafado, se apoiando na mesa, enquanto ele segurava com precisão sua cintura. Os corpos unidos mexiam-se em uníssono, arrancando suspiros, deixando marcas e provocando ondas de choque no casal. A sincronia era perfeita, a cada estocada de Severo, Hermione arqueava mais ainda o quadril, puxando mais o corpo do outro contra si. Mãos perpassavam em todos os lugares, sejam as ágeis mãos do Mestre de Poções que delineavam as curvas de Hermione, ou seguravam com possessão seu cabelo e suas costas; sejam as mãos delicadas de sua ex-aluna, que arranhavam as costas do sonserino e seguravam seus braços como se fosse cair.
O ar da sala estava inconfundível; a atmosfera de luxúria que se impregnou por ali só acabaria após os vários orgasmos que ambos tiveram. Não importava que o sexo ocorresse em uma simples mesa de professor; isto era uma fantasia que os dois ambicionavam, mas tinham vergonha de externar. O amor dos dois virou tão forte que uma aura mágica lhes envolvia, acontecimento que apenas os grandes bruxos poderiam presenciar e sentir, e que ocorria apenas se o casal atingisse um ‘grau’ de respeito mútuo incondicional.
Pena que eles permaneciam muito ocupados e nem perceberam o mundo ao redor.
- Hermione...Hermione...
John Zimmer murmurava o nome da mulher que habitava seus sonhos, sua cabeça e seu coração. Aliás, cabeça era a coisa que mais lhe doía no exato momento, se tivesse uma inteira pelo menos. O estado do alemão beirava à indigência. Suas roupas surradas, toda sujas e com os bolsos rasgados. Seus pertences foram todos saqueados, mas isso menos importava. A cabeça doía mais do que seus músculos contraídos; o porre que tomou e as pancadas surtiram efeito nele quando acordou. Coágulos formados entre os fios loiros de seu cabelo e filetes de sangue que escorriam pelo nariz e boca não eram percebidos pelo homem. John só se tocou que sangrava quando engoliu saliva e sentiu o gosto característico de sangue. Tentava se levantar, mas não conseguia, todo seu corpo doía alem do normal. Espancaram violentamente o pobre bêbado e o abandonaram numa viela de Berlim, perto dos antigos guetos judeus, onde os nazistas fuzilaram milhares deles.
Não lembrava de nada, ficando desesperado. Chamava pela antiga aluna, como num sonho, mas a distância entre os dois percorria alguns países e um mar. Resignou-se, abrindo os olhos e enxergando de fato onde se encontrava. Sua mente fervilhava tentando encontrar respostas inatingíveis, de como e por que parou ali.
- Merda! Maldição! – gritou para si mesmo e para as paredes da viela, assustando alguns ratos perto de uns lixões.
Olhou para os lados, encontrava sua varinha. Só o que faltava os malditos que o deixaram naquele estado tivessem quebrado o bem maior de qualquer bruxo. Por sorte, uma varinha com feixe de unicórnio jazia jogada perto de vários sacos de lixo. Como não conseguia se levantar, foi se arrastando pelo chão até ela. Humilhante era pouco para John Zimmer. Situação simplesmente ridícula e frustrante.
Minutos depois de muita dor após se arrastar, pegou a varinha e a primeira coisa que fez foi realizar um feitiço para se limpar. Funcionou, pois viu sua camisa e calças limpas como sempre as viu. Deu um protótipo de sorriso. Agora tinha que dar um jeito de aparatar para o hospital o mais rápido possível.
Pensou melhor e descartou a possibilidade de hospital..lá fariam perguntas e não queria ser incomodado. Ainda mais agora que esperava a carta de Hogwarts confirmando ou não sua acomodação por lá. Com a varinha empunhada, murmurou palavras que cicatrizaram seus cortes. Menos problemas a se incomodar. No momento, eram os músculos e a dor de cabeça, apenas isso, que lhe agonizavam. Ajeitou-se contra a parede, esperando mais alguns minutos para tentar se levantar novamente. Respirou fundo, apoiando-se no concreto e atingiu seu objetivo. Meio curvado, focalizou seu destino na cabeça embaralhada e desaparatou, assustando mais uma vez os ratos que habitavam o local.
Chegando em casa, tropeçou numa mesinha de canto e xingou tudo e mais um pouco. Deitou-se no sofá verde, reclamando da dor que sentia com intensidade. Com um Accio, trouxe todos os frascos de poções que guardava em casa, já que imprevistos poderiam acontecer. Abriu um por um, reconhecendo pelo cheiro, e tomou uma prateada, contra dores musculares, e em seguida uma poção sono sem sonhos. Precisava descansar. A faculdade, Hogwarts e seu futuro que esperassem.
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- Hermione, sente-se sim.
Granger acomodou-se na cadeira de frente à diretora de Hogwarts, e entrelaçou suas mãos ansiosamente.
- Então, qual é a notícia?
- Você e Snape terão um novo colega de trabalho, Hermione.
- Novo professor? Mas como, se todas as vagas estão completas e ....
- Não não, querida. Será colega exclusivo de vocês dois, trabalhará com poções e realizará pesquisas envolvendo a sua faculdade e Hogwarts.
- Minha faculdade? Meu Merlin, não acredito Minerva! Foi até Berlim para conseguir um pesquisador?
- Perspicaz você, minha jovem..mas não, ele que se predispôs a vir aqui e ajudar a nossa escola; claro, a universidade também ficará com metade dos créditos educativos, mas isso não tem muita importância..enfim, vou mandar a coruja hoje mesmo para o senhor Zimmer, algo assim o sobrenome dele. – McGonagall falava com tanta empolgação que nem percebera o sorriso de Hermione se desmanchando quando ouviu o sobrenome do antigo professor.
- Zimmer? Você tem certeza Minerva?
- Sim querida. – ela verificou o pergaminho em sua mão. – é Zimmer. O próprio reitor da faculdade, aquele senhor simpático que discursou na sua formatura, o apoiou para vir aqui, pesquisar. Aliás, pesquisa em campo acadêmico fora de seus limites deve ser mais estimulante, não?
- Mas..não, não pode ser... – murmurou Hermione. – Minerva, ele já tem todas as circunstâncias ao seu favor lá na faculdade, eu sei o quanto aquela faculdade é excelente e há muitas mais opções do que aqui, em Hogwarts! – replicou exasperada.
- Está falando que Hogwarts não tem competências para tal, Hermione? – falou, ficando irritada.
- Não, não é isso! Minha intenção não é denegrir a imagem de Hogwarts, que é meu lar e foi durante sete anos...mas eu digo, diretora, que lá na faculdade, que é só de Poções, possui muito mais envolvimento direto com a pesquisa, já que aqui é uma instituição de ensino para jovens, e não um ensino aprofundado, com detalhes altamente complexos.
Minerva não respondeu nada e Hermione recebeu isso como uma afirmação para continuar a falar.
- E outra, eu e Severo damos aulas para todas as turmas daqui, eu com Poções e ele com DCAT, e já dividimos o preparo de poções para a Madame Pomfrey! Quer dizer, eu desde que cheguei aqui passei a prepará-las, pois ele não tinha mais tempo e condições de fazer tudo sozinho! Entende o que eu quero dizer, diretora? Não teremos tempo para pesquisas como tivemos na faculdade.
McGonagall não havia pensado dessa forma. De fato Granger pensava muito rápido, e todos os quadros que até agora dormiam, ou melhor, fingiam estar dormindo, prestavam atenção na jovem que apresentara seus argumentos mais convincentes. Mas faltava um que ainda não queria revelar..não se sentia bem com isso, mesmo com Minerva, que considerava sua mãe.
- Porém, Hermione, Hogwarts poderá ganhar muito com isso! E se iniciaremos uma linha de pesquisa com acordos entre as faculdades? Seria ótimo, revolucionária o método de ensino bruxo na Europa! E outra coisa, um intercâmbio entre países diferentes, tais como a nossa Inglaterra e a Alemanha, causaria mais cooperação entre a comunidade bruxa internacional. O que precisamos fazer é nos unirmos cada vez mais para não deixarmos nenhum resquício do passado. – Minerva falou a última frase com um aperto no coração, e Hermione refletiu sobre ela também.
A jovem reprimiu que lágrimas invadissem seu rosto, não desmancharia sua imagem firme como havia mostrado até agora.
- Bom, já que é para o bem de Hogwarts...quem sou eu para impedir. – ela deu a diretora um sorriso triste. – Só por favor, não coloque Zimmer nas masmorras.
- Não colocarei querida, penso que duas pessoas por lá está mais do que suficiente.
- Ok. Com licença.
E Hermione saiu zonza daquela sala. Fechada a porta, andava pelos corredores com toda a distração possível, se esgueirando pelas paredes. Não era possível que aquele maldito viria lhe atrapalhar sua vida até em Hogwarts, como se não bastasse nos anos em que passou em Berlim. Minerva não saberia o que aconteceu entre eles, ou melhor, o que ele tentou para aproximá-la dele. Seria profissional como sempre foi, não daria importância para isso agora...por enquanto. Severo saberia no momento certo; ele era muito ciumento por pouca coisa, imagina o que aconteceria se ele soubesse do ocorrido na biblioteca da faculdade meses atrás.
Trombou em mais dois alunos do sétimo ano, por sorte Grifinórios, que entenderam perfeitamente quando a jovem professora se desculpou, saindo de seus devaneios. Cansara-se de se preocupar por antecipação, teria que aprender a ser mais calma com o futuro incerto. Aproveitaria sua tarde livre para mandar cartas aos seus amigos. Quanto mais cedo eles soubessem de seu envolvimento com Snape, menos trágico para ela. Bom...a única coisa engraçada seria a cara vermelha de Rony quando soubesse da notícia. Isso sim era um futuro altamente previsível e que enfrentaria daqui uns dias.
N/A: boom gente, finalmente eu postei aqui! Ai sério, tava ficando agoniada já de deixar de lado a fic por tanto tempo assim! Entre todo esse tempo fiz Enem [ahuahaha], me inscrevi pra UFPR o/ e to estudaando..faltam menos de dois meses pro vestibular e dá um medo sabe...enfim, passando ou não, não vou morrer por causa disso :D soorte pra Mandy também q tá passando por quase a mesma situação q eu! hahaha
Então, hoje me deu um surto e conclui o capítulo [só tinha metade dele escrito no pc] e tenho o próximo capítulo todo formado na minha cabeça, graças a Merlin! Mas sem previsão de postar aqui, já que as minhas entradas se resumem a poucos dias no pc ¬¬'
Obrigaada a TODAS que comentam na fic, e não desistam haha pq eu não desisti, como aparenta! Ah, meninas, se vocês gostarem de fics draco/mione e tiverem lido algumas boas, me passem por favor! Quando dá eu to lendo sobre esse shipper :D
E sobre o Zimmer todo fudido (ops, desculpa aí mas foi mais forte dq eu! hahaha ;x) na rua e talz, tinha que escrever isso, aliás ele é um fdp e tem que sofrer um pouquinho neh! Bom, mais nada a declarar! Beeijos e até o próximo cap!
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