**RE**: acho que ele acreditou no que achou que era melhor acreditar...
vai ter uma grande surpresa!!!
Raissa: bom saber que tah gostando... jah q pediu, tah ae...
Nick Granger Potter: pois eh guria, acho q exagerei... três fics!!! mas amei adaptar, entaum...
bem, a curiosidade sobre a primeira noite deles esse capítulo responde por si só...
Bjus a tds...
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Hermione apanhou a sacola que deixara sobre o sofá no enorme e elegante saguão. Parando um pouco para soltar as tiras dos sapatos, que machucavam seus pés, tomou a direção da suntuosa escadaria o mais depressa que pôde. Mas a sorte não estava ao seu lado naquele dia. Maud Belper apareceu na porta abaixo da escada, que conduzia à cozinha.
- Vai ficar aqui? - perguntou a Hermione.
- Vou - corando, embaraçada, Hermione respondeu com relutância.
- Seu pai é um homem compreensível, é preciso muito para aborrecê-lo, mas acho que ele perderia a cabeça se soubesse que Harry estava metido nisso.
- Sou uma mulher adulta, não uma criança.
- Não num caso desses, querida. Acho que eu não devia me meter porém sinto que tenho obrigação de preveni-la de que está entrando em situação perigosa.
Depois dessa declaração cheia de mistério, a governanta desapareceu sem outra palavra. Hermione subiu as escadas correndo. A que estaria Maud Belper se referindo? A que situação? E por que, quando começava a se entender com Harry, essa testemunha fofoqueira tinha de lhe fazer um sermão assim confuso?
Hermione entrou pela primeira porta do corredor principal, fechou-a, e procurou pelo botão da luz. Aí entendeu a razão de Harry ter um escritório tão grande. Era como estava acostumado, concluiu, olhando para a enorme cama, quase do tamanho de um campo de futebol, colocada bem no meio do quarto. A mobília era linda, o carpete em tom pastel, as cortinas longas. Olhou-se no espelho e quase desmaiou.
Ela se perguntava como um top e uma saia que lhe pareceram tão lindos, tão femininos, na casa de Tânia, puderam ficar tão diferentes agora. Claro, Tânia era morena e sem muitas curvas.
Harry como que a apunhalara ao lhe dizer que tinha um aspecto barato. Porém, ela podia ver agora, gostando ou não, que ele estava com a razão.
A primeira coisa que fez foi ir ao banheiro a fim de remover a tatuagem. Para uma tatuagem removível foi mais resistente do que o esperado. De repente achou que devia se preocupar com seu comportamento mais do que com sua aparência.
E lá se encontrava ela, vendendo-se como um objeto qualquer pelo bem de Sam. Ok, não totalmente pelo bem de Sam, Hermione se corrigiu. O que desejava mesmo era Harry Potter; mas, apesar de se envergonhar com a veracidade dos fatos, era honesta demais para negar.
Mesmo carinhosa com os outros homens, nunca se esquecera completamente de Harry. Por que não? Passaram seis maravilhosas semanas juntos antes de tudo sair errado; e durante essas semanas ele a tratara como nenhum outro homem a tratara. Não brigaram, nem discutiram. Porém não houvera nada como o episódio da escrivaninha no escritório...
Não sabendo o que iria acontecer mais tarde, e consciente de que não quisera experimentar a intimidade com um homem pela primeira vez na escrivaninha de sala profusamente iluminada, entrara em pânico. Realmente entrara em pânico. Apenas o pânico a poderia ter afastado da excitação da boca de Harry na sua. E chocara-a o fato de, após cinco anos, ele causar-lhe a mesma emoção de antes, tocando-a. E a assustava ainda mais, mal podendo acreditar, que Harry quisesse fazê-la sua amante.
Mas, por que? Quando tinha dezesseis anos e o vira face a face pela primeira vez, ele portara-se mais como um protetor, como um irmão mais velho. Ainda descalça agora e andando pelo quarto, seus pensamentos estavam a léguas de distância. Mesmo tendo sempre gostado dele, desejara ter um namorado como suas amigas tinham. Jamais sonhara que Harry Potter pudesse ser esse namorado. Afinal, não apenas porque nunca tivera oportunidade de falar com ele abertamente, como porque os dois viviam em mundos diferentes.
Infelizmente, Talitha Granger recusara permitir que a filha fosse a bares, clubes, ou se encontrasse com homens. Foi quase inevitável, no último ano de escola, que ela se rebelasse e fizesse tudo isso escondido da mãe. Sua melhor amiga lhe arranjara um encontro com um colega do irmão. Convidara-a para ir à casa dela e se vestir lá. E lá passaria a noite, só voltando no dia seguinte. Assim a mãe não a veria com roupas que não eram as da escola.
Um grupo grande fora a um bar local levando Hermione acompanhada de Simas, rapaz de vinte e cinco anos que a iniciara no uso de bebidas alcoólicas.
- Olhe quem está aí - a amiga sussurrara de repente. Harry se achava no balcão do bar, acompanhado de dois amigos, os três se destacando pelo trajar, bem diferente do resto da clientela. Hermione não conseguira tirar os olhos dele, pois nunca tivera chance de vê-lo assim tão de perto. Às vezes Harry passava em seu carro esporte quando ela seguia a pé para casa após descer do ônibus escolar. Embora tendo ouvido falar que ele dava carona a outras pessoas em dias de chuva, nunca a convidara.
Surpreendeu-se ao notar que ele a encarava pela primeira vez.
- Acho que você vai ter muita sorte esta noite - a amiga murmurou. - Pena que está com Simas.
Mas Simas fora jogar tiro ao alvo na outra extremidade do bar apinhado de gente e Hermione, sob a ação do álcool que bebera sem estar acostumada, flertava com Harry abertamente. Os amigos comentavam o fato. Porém Hermione, na sua ingenuidade, achou que a elogiavam. E não se surpreendera quando Harry, na saída, lhe perguntara:
- Quer dar uma volta comigo no Porsche?
Encantada com o convite, ela quis logo saber:
- Quando?
- Agora. Saia atrás de mim.
E ela fez. Teve um pouco de dificuldade em andar em linha reta até o estacionamento.
- Você não é a mais fiel das namoradas, não é mesmo? - Harry comentara.
- Eu o conheci apenas esta noite. E você, me reconhece?
- Oh, sim. Não é fácil esquecê-la.
Harry abrira a porta do carro e a ajudara a entrar. Hermione ficara entusiasmada com as maneiras amáveis do rapaz. E ele levara-a direto a casa.
- Por que... por que está me levando de volta? Tinha planejado dormir com minha amiga. Não posso chegar em casa vestida como estou, e tendo bebido. Pensei que fosse me levar para passear em seu carro.
- E estou...
- Mas pensei...
- Você não é capaz de pensar nada agora. Seu namorado a fez beber demais. Na sua idade, não devia beber assim em especial sendo menor para freqüentar bares.
- O que está falando?
- Você saiu daquele bar e entrou em meu carro. Não vê como é perigoso uma mulher se comportar desse jeito? O lugar mais seguro para você é sua casa.
- Minha mãe vai me matar quando me vir! - ela exclamou, em pânico.
- Falarei com ela. - Abrindo a porta de seu lado, Harry cortou o diálogo.
Hermione caíra em pranto. Ele tirara-a do carro com dificuldade.
- Não consegui agüentar ver aquele idiota enchendo-a de bebida - Harry comentara com impaciência. - É claro que percebeu como iam acabar a noite, não percebeu?
- E eu achei que você...
- Está fora de seu lugar, Hermione. Tem apenas dezesseis anos. E não se esqueça de que é muito linda!
- Acha?
Naquele instante, a mãe abrira a porta. Embora temperamental, Talitha não falara muito.
Na manhã seguinte, lutando com uma terrível ressaca Hermione tentara se explicar, mas sem sucesso. A mãe sorrira e teve certeza absoluta de que a filha aprendera a lição. Hermione passara todo o verão pensando em cada palavra do que Harry dissera e, assustada com as conseqüências do álcool, nunca mais tocara numa bebida alcoólica.
Emergindo de suas recordações, Hermione olhou o relógio e constatou que já se havia passado uma hora desde que subira. Como podia aquele homem que a protegera das loucuras da adolescência ser a mesma pessoa que negociava com ela agora? Estaria James Potter ainda conversando com Harry? Hermione saiu do quarto e foi espiar no saguão. Naquele momento a porta do escritório se abriu e ela se escondeu.
Observou Harry e o pai, um homem de cabelos prateados, indo para a porta da frente. Os dois estavam em silêncio. James estendeu as mãos ao filho num gesto que parecia um apelo para compreensão.
Hermione ficou impressionada com a expressão do rosto do velho homem. Estaria derrotado? Porém Harry, com perfil retesado e assustador, parecia não responder ao apelo do pai. Depois de segundos James colocou os braços ao lado do corpo, numa atitude de derrota. De ombros caídos, o velho saiu e entrou no carro que o aguardava fora. Harry fechou a porta.
- Harry? - Hermione chamou-o. - O que houve? O que houve de errado?
- Há quanto tempo você está aí? - ele perguntou.
- Há apenas um minuto. Vi seu pai sair. Ele parecia aborrecido.
Harry sacudiu os ombros com indiferença, mas estava muito pálido.
- Parecia? - repetiu.
Os dois subiram o primeiro patamar das escadas juntos. Sem dúvida tiveram algum desentendimento, pai e filho, Hermione concluiu. Teria sido por sua causa?, se perguntou. E resolveu, antes de ficar imaginando, perguntar a Harry.
- Você disse a seu pai que eu estava aqui? Por isso se desentenderam?
- Não. Porém meus planos mudaram. Sei que já é muito tarde, mas preciso mandar você de volta a Birmingham. Algo mais importante que minha libido surgiu e preciso cuidar disso agora.
Absolutamente despreparada para o que Harry lhe dissera, ela retesou o corpo, atônita. Sentiu-se mortificada. Num minuto ele a desejava, no minuto seguinte não mais, e era dispensada como qualquer serviçal. Contudo, pensando bem, era uma idiota em se irritar com as circunstâncias. Devia ficar contente e aliviada, dizia a si mesma.
- Vou pegar minha sacola - falou.
- Mandarei um carro apanhar você amanhã ao meio-dia. Preciso de seu endereço...
- Está ainda planejando comunicar a Sam que ele não terá de se preocupar mais com a sentença de roubo?
Um silêncio tenso se seguiu, até Harry declarar:
- Sim, pode contar com isso.
- Bom - sem outra palavra Hermione foi ao quarto, pegou a sacola e trancou-se no banheiro. Lágrimas corriam-lhe pelas faces enquanto tirava o top e a saia, traje que agora odiava. Algo acontecera, algo muito sério que o aborrecera. Contudo Harry parecia não querer lhe confiar o sucedido, dividir seus sofrimentos com ela.
Hermione vestiu o jeans, a camiseta e seus confortáveis sapatos de lona. Achou que Harry talvez a houvesse seguido ao quarto e a esperasse à porta para falar-lhe de novo. Mas ele não estava lá. Hermione escreveu então seu endereço no bloco ao lado do telefone. Ao descer, encontrou-o em pé junto à lareira, olhando para as chamas.
- Estou pronta - disse.
- O carro a espera lá fora. E não fique assim melindrada comigo, cara. O que aconteceu esta noite foi um imprevisto...
- Melindrada? Por que hei de estar melindrada? Tudo o que espero é que você aproveite este fim de semana para pensar melhor sobre a idéia de assumir uma amante indesejável.
- Indesejável? Descobriremos isso em Corfu, ok?
Três dias mais tarde um carro pegou Hermione no aeroporto da ilha. Ela voara para Corfu no luxuoso jato particular de Harry, e surpreendera-se por não encontrá-lo a bordo. Contudo, a tripulação a tratara como uma rainha e, embora se considerasse indiferente a coisas materiais, ficara muito impressionada com tanto luxo.O lanche servido foi superior ao dos melhores hotéis cinco-estrelas, e após o almoço uma seleção de filmes recentes e uma dúzia de revistas foram postas a sua disposição.
O carro que foi apanhá-la no aeroporto desviou de uma estrada movimentada e enveredou por uma sem calçamento, que subia entre oliveiras de folhas prateadas. Passaram por várias aldeias através de vias tão estreitas que não davam passagem para dois veículos ao mesmo tempo. Após uma hora e meia de viagem pararam junto a um portão eletrônico que se abriu para eles entrarem numa verdadeira avenida ladeada de ciprestes que lançavam sombras escuras com a forma de setas.
A enorme villa, ultra-moderna, tinha a vantagem de ficar protegida por luxuriante vegetação, e de ter ao mesmo tempo vista para o mar. A casa era de fato magnífica, Hermione notou assim que desceu do carro. Claro, apenas o melhor satisfaria os Potter. À luz clara de um fim de tarde, na qual cada cor parecia mais brilhante do que na Inglaterra, a vista do azul mar Jônio a apenas uma centena de metros abaixo a teria deixado sem fôlego se sua tensão nervosa já não houvesse feito isso.
Um mordomo de meia-idade, com paletó branco, conduziu-a a um saguão de mármore e de lá à sala de recepção que abria para o terraço.
- O sr. Potter estará com a senhorita logo, miss Granger - ele informou-a. - Chá ou café? Ou talvez um drinque antes
do jantar?
- Onde está o sr. Potter? - Hermione sentiu-se ofendida, considerando-se tal qual uma encomenda esperando ternamente para ser apanhada.
- Tudo bem - disse. - Eu mesma vou procurá-lo - ela voltou ao saguão, pôs as mãos na cintura e gritou: - Harry?
Dentro de quinze segundos uma das portas do espaçoso hall se abriu e Harry apareceu. Com um terno bege, leve, muito bem talhado estava espetacular.
- Você me quis aqui, estou aqui! - ela cruzou os braços num esforço de disfarçar seu nervosismo. Por instantes teve vontade de se atirar nos braços dele. Mas se conteve, assustando-se com sua reação.
- Que maneira nova de chamar atenção - era uma voz de mulher.
Hermione quase desmaiou quando uma beldade morena, vestida com exótica elegância, surgiu ao lado de Harry. Colocando uma das mãos em atitude possessiva no braço dele, fitava-o como uma amante fitaria o amante.
- Francamente, vou gritar na próxima vez em que vier aqui e não encontrar meu anfitrião imediatamente - a beldade comentou. - Tão simples e tão eficiente.
- Hermione... esta é Fiona Woodrow - Harry apresentou-a. A moça estendeu a lânguida mão, e Hermione ignorou o gesto vazio. Hipocrisia não era um de seus talentos. Uma porta se abriu atrás dela.
- Ron... - Harry disse com calma.
- Harry conhece lady Fiona há muitos anos - Ron respondeu após uma pausa, um tanto tenso, os olhos velados. - Infelizmente é tudo o que sei.
Lady Fiona? "Um membro com título da aristocracia britânica? Hermione mordeu a língua com tanta força que sentiu gosto de sangue na boca. "Conhece" lady Fiona? Apenas conhece? Que palavra delicada! A moça demonstrara que seu relacionamento com Harry era de variedade mais íntima do que apenas conhecer. Não se podia evitar o óbvio: Harry possuía outra mulher. Ainda mais, nem ao menos tivera a decência de conservar a moça fora da villa antes de sua chegada. Isso dilacerou-lhe o orgulho e o coração ao mesmo tempo.
- Ele traz muitas mulheres aqui? Este lugar é como... um harém nas montanhas? - ela perguntou.
Ron fez uma cara como se quisesse rir. Depois, ao enxergar angústia nos olhos castanhos de Hermione, disse com relutância; - O chefe não vai atrás delas, não pode culpá-lo...
- Não posso?
- As mulheres vão atrás dele o tempo todo.
E por que não? Hermione sempre se perguntara isso e agora soube com certeza. Harry era um homem mimado, rico, atraente e charmoso. Afinal, o que esperava ela? O milionário não era seu namorado, não estava tentando conquistá-la. Naturalmente que não poderia estar no avião que a conduzira da Inglaterra a Corfu, naturalmente que não poderia esperá-la no aeroporto! Tudo o que desejava dela era usar-lhe o corpo. Sexo, sexo sem compromissos. Por que ela evitara encarar a realidade até agora?
- Por favor, não fique ofendida quando digo que você não é igual às outras - Ron Weasley sussurrou. - Marcará um capítulo à parte na vida de Harry no momento em que ele perceber que está emocionalmente envolvida.
- Não estou emocionalmente envolvida - o que desejava mesmo, Hermione pensou, era fazê-lo sofrer, agora que vira tudo. De qualquer maneira, não fora a Corfu para ser distração temporária em um harém nas montanhas. Seu irmão, Sam, estava salvo. A sentença de roubo fora retirada e seu pai havia sido conservado no emprego. A pressão que sentira ao fim, a crise terminara. Harry lhe confirmara tudo no sábado.
Sam lhe telefonara de manhã bem cedo. E Hermione se surpreendera ao saber que Harry ficara conversando com seu pai e Sam até depois da meia-noite, no mesmo dia em que ela estivera em Montague Park.
Sam lhe contara que Harry insistira que o estrago da mansão não fora tão grande, afinal. Nesse caso, ele mentira. Talvez não, quem sabe dissera aquilo a Sam vendo como o rapaz estava deprimido e ansioso.
Naquela mesma noite Sam telefonara para seu amigo Joe dizendo-lhe que Harry não iria condenar nenhum dos dois. Joe foi imediatamente à casa de John agradecer a Harry e pedir-lhe desculpas. Contou então que não resistira ao desejo de pegar a caixinha, achando-a linda para dar de presente a sua mãe. Depois entrara em pânico e a escondera, imaginando que ninguém iria encontrá-la. Mesmo porque jamais supusera que fosse de tanto valor.
Pondo de lado suas recordações sobre o telefonema de Sam, Hermione tomou o refresco. Decidiu parar de permitir que as lembranças de seu passado com Harry Potter a perturbassem. Lembranças baseadas em quê? Afinal, foram apenas seis semanas! Devia se recordar mais da humilhação que sofrera no fim dessas seis semanas. Ele fora cruel, desnecessariamente cruel. Como estava sendo agora.
- Se quer que eu parta no último vôo, preciso sair agora - ela ouviu Ron dizer.
Virando a cabeça Hermione percebeu que Ron falava com Harry que estava a alguns passos de distância.
- Eu posso aproveitar e ir com Ron ao aeroporto. Não vou ficar aqui - ela declarou.
Ron retirou-se do local discretamente.
- Não vai a parte alguma, cara - Harry protestou com firmeza.
- E o que pretende fazer para me segurar?
- Usar força bruta, se for necessário.
- Você não ousaria. - Hermione arregalou os olhos. - Eu gritaria para todo o mundo ouvir.
- Barulho não me incomoda. Ser tapeado, sim.
A tensão faiscava como chamas invisíveis entre os dois.
- Tudo bem. Seja um legítimo cavalheiro! Deixe-me fazê-lo se lembrar do indigno acordo a que me forçou...
- Forcei? Não foi até Montague Park na sexta-feira vestida como uma prostituta para chamar minha atenção?
- Eu não estava vestida como uma prostituta – Hermione protestou, indignada.
- Não é assim que agem as mulheres? - Harry tirou a gravata e jogou-a sobre a mesa. Em seguida tirou o paletó. - Primeiro atiram a isca e depois tomam uma atitude de inocência quando a vítima morde.
- Você não é vítima de mulher nenhuma, Harry Potter - Hermione estava furiosa.
- Tem razão - Harry confirmou. - Fico contente por ter notado isso. Lembra-se de como tentou me fazer de bobo cinco anos atrás? E lembra-se de como tudo acabou? Não fui eu que fugi em pranto.
- Seu canalha - a última coisa de que ela precisava agora ser lembrada de como estivera arrasada aos dezoito anos quando ele se pavoneara com a filha de um banqueiro, na frente dela.
Harry pôs também o paletó sobre a mesa, junto à gravata.
- Não admito que ninguém me chame de canalha - ele disse com entonação de grande fúria.
- Eu só quero me afastar desta casa! - Hermione sussurrou.
- Não vai se afastar de coisa alguma. Tudo vai prosseguir conforme programado, e com seu nome no topo do programa. Dio mio, acha que sou um idiota?
- Olhe, não quero perder tempo discutindo com você. Vou pegar uma carona com Ron até o aeroporto.
- Eu disse não! E a previno desde já que é não - Harry segurou-a pela cintura e ergueu-a do chão.
Furiosa, Hermione levantou um braço e tentou estapeá-lo, mas ele inclinou a cabeça antes de ela atingir-lhe o rosto.
- Se tentar fazer isso de novo posso jogá-la na piscina para refrescá-la - Harry ameaçou com calma e colocou-a sobre seus ombros para impedir que com as mãos fizesse alguma loucura.
- Não sei nadar! - Hermione murmurou, horrorizada.
- Entrarei na água junto, mas vai mergulhar, isso vai - Harry jurou, atravessando o vasto hall.
- Chamarei a polícia se não me puser no chão! - ela ameaçou-o.
- Com o quê? Com a ajuda de uma antena alienígena? - Harry perguntou.
Outra voz se fez ouvir naquele instante.
- Harry... - era Ron Weasley. - Você acha mesmo que tem o direito de tratar seus hóspedes assim?
- Não se meta naquilo que não entende - Harry ordenou a seu assistente executivo, mas num tom de brincadeira. - Hermione e eu voltaremos juntos para Londres.
- Não, não voltaremos - Hermione protestou.
- Hermione tinha quatro anos quando eu a conheci - Harry começou a explicar a Ron. - Foi numa festa de Natal para os filhos dos funcionários da casa. Ela batia num menino que a perseguia com um mistletoe. Pequena, atacava como um leão. Separei-os antes que se machucassem, porém ela continuou fazendo gestos de ameaça. "Deixe-me pegá-lo", dizia. Hermione não mudou muito.
- Você inventou tudo - ela protestou. - Isso não aconteceu. Harry começou a subir as escadas, sempre carregando-a. E Ron junto.
- Não a vi mais até ela ter treze anos. E não foi você, Hermione, que chamou minha atenção. Foram as incessantes buzinas dos carros de admiradores que a viam parada no ponto de ônibus de manhã. Depois que sua família se mudou para o chalé do jardineiro, costumava vê-la observando as flores dos canteiros da estrada, ou passando batom nos lábios antes da chegada do ônibus escolar.
- Posso ver que eu estava mesmo me metendo em algo que não entendia - Ron Weasley comentou com uma gargalhada. - Parece-me que os dois cresceram juntos. Então, até a próxima semana, Harry.
Assim que a porta se fechou, depois da saída de Ron, Hermione censurou-o:
- O que você tinha de ficar me espiando por entre os arbustos enquanto eu passava batom?
- Quando voltei da universidade, costumava correr todas as manhãs. Você era uma criaturinha tão vaidosa! Ficava horas penteando os cabelos sentada num rochedo, como uma sereia.
- Você me espiou. Eu não estava sendo vaidosa.
- Comecei a evitar a estrada principal depois que vi você várias vezes. Espiar jovenzinhas estudantes não era meu estilo na época, como não é agora.
- Mamãe não permitia que eu me demorasse no espelho penteando os cabelos, nem que usasse batom. E minhas amigas todas faziam isso. Mas ponha-me no chão, Harry!
Harry enfim colocou-a sobre o tapete de um quarto lindo, com portas-janelas dando para um terraço. As cortina de seda voavam impelidas pela suave brisa. Por um segundo a cama chamou-lhe a atenção. A cabeceira alta tinha uma moldura entalhada com frisos prateados. Mas Hermione tomou logo a direção da porta por onde entrara.
Harry correu para lá e com os braços abertos para recebê-la, perguntou:
- Diga-me, o que a fez de repente querer voltar para sua casa?
-Se pensa que desejo ser outra em sua longa fila de amantes, é melhor que pense de novo!
- Bem-vinda a meus braços, bella mia - a voz dele foi suave como seda.
Ela olhou para Harry que se ocupava em soltar-lhe os cabelos. Tudo o que poderia fazer seria afastar-se dele. Mas continuou no mesmo lugar.
- Não sou boa para aprender o que não quero, Deixe-me ir para casa. Isso entre nós dois não vai funcionar, Harry.
- Permita que eu seja o juiz do caso, por favor.
- Mas você disse que queria uma amante com experiência. Sou uma amadora.
- Não quero uma profissional - Harry respondeu com a rapidez de uma flecha.
- Sabe, sou virgem - ela corou profundamente ao dizer.
- Isso não tem nada de engraçado.
- Mas eu não estava tentando ser engraçada.
Harry segurou-a com força, e disse:
- Se você fosse Pinóquio, seu nariz chegaria até a porta. Virgem? Você! Mesmo cinco anos atrás eu não estava inteiramente convencido disso. Preferi ficar na dúvida.
- O que o faz tão seguro de que não sou virgem?
- É sexy demais - ele respondeu sem hesitação. - Movimenta-se, anda, fala como uma mulher que conhece seu próprio corpo.
- Vivo dentro dele há tanto tempo...
- Virgens são uma espécie rara hoje em dia. Nunca encontrei uma de sua idade.
- Pergunta isso a todas as mulheres que conhece? Se pergunta, está na hora de acordar para o fato de que há algumas que não admitem colocar sexo no mesmo nível de comida a quilo.
- Não como comida a quilo. Prefiro todo e qualquer alimento preparado por meu chef francês. Diga-me, está tentando me fazer sentir culpado sobre nosso arranjo? - Harry lhe perguntou com um sorriso caçoísta. - Se eu soubesse que era virgem, teria fugido de você como um louco. Mas sei que não pode ser. Sei disso como sei que a terra é redonda.
Aquela consideração a feriu. E a feria até mais saber que ele duvidara de sua inocência cinco anos atrás também. Harry era um cético, mas pior que isso revelava que sempre a vira como os outros homens a vêem: uma morena sensual apenas, nada inteligente e fadada a ser promíscua. Mas ao menos a explicação que lhe dera sobre a presença de Fiona Woodrow a satisfizera. Sim, a satisfizera. Fitando-o bem nos olhos, disse:
- Apenas não quero ser sua amante.
- Então o que tem a fazer é impedir que eu a desnude. E desde já a previno que, uma vez tendo visto sua deliciosa pele nua, lançarei mão de todos os truques para colocá-la na horizontal.
Disfarçadamente, ele puxara o zíper da roupa de Hermione, e ela ficou confusa quando Harry baixou os ombros do vestido expondo os braços, como também os seios rijos.
- Harry... não...
- Posso pôr a mão no coração e jurar que nunca me senti tão excitado sexualmente como agora, quando lhe toquei os seios nus - Harry confessou com apreciação.
Hermione estremeceu. O vestido caiu a seus pés. Esqueceu-se de sua natural modéstia ao constatar que ele a admirava, a apreciava. Sim, Harry gostara do que vira. Foi o que sempre secretamente desejara, ter Harry como seu primeiro amante, seu último amante, seu eterno amante. A tentação a perturbava. Por que não fingir que aquilo que os unira de novo fora algo diferente do frio arranjo que Harry lhe oferecera? Não passara ela cinco anos procurando sem sucesso um homem que a fizesse se sentir como Harry um dia a fizera se sentir?
Ele carregou-a nos fortes braços e colocou-a na enorme cama.
- Esperei muito para isso - disse.
- Verdade? - Hermione murmurou.
- Per amor de Dio, como pode duvidar?
Ali deitada, Hermione estava bem mais consciente de tudo do que quando ainda de pé. Pelo visto o sutiã, a calcinha, cobriam muito mais seu corpo do que qualquer outro traje de praia. Não se sentia tão sem roupa.
- Você é a única mulher que me rejeitou. Um movimento hábil, que... - Harry desabotoou a camisa e sorriu. - Talvez por isso a deseje tanto, bella mia.
- Mas não houve um movimento. Eu não estava tentando ser hábil...
- Não estava? Não importa agora.
Apreensiva mesmo com a ousadia de Harry quando ficou em cima dela.
- Se você me machucar nunca mais permitirei que faça isso - Hermione preveniu-o, tensa.
- Accidenti! - Harry fitou-a espantado. - Machucar você? Não vou machucá-la. Nunca machuquei mulher alguma em minha vida!
Grata por essa afirmação, Hermione não fez objeção ao beijo sensual e terno com que a acalmou. Na verdade, num pequeno espaço de tempo esqueceu-se de toda sua apreensão. Na verdade, ficou um pouco tensa quando Harry acariciou-a entre as coxas. Então ele fez uma pausa, afastou-se dela e abriu a gaveta da mesa-de-cabeceira.
Hermione ouviu-o resmungar uma imprecação em italiano e encarou-o.
- Tudo está ok para eu fazer amor com você? - ele lhe perguntou.
Acariciando-lhe o rosto, Hermione respondeu:
- Sim... naturalmente.
Com ar de grande alívio, Harry deu-lhe outro beijo apaixonado e escorregou as mãos por baixo das coxas dela fazendo-a erguer as pernas. Hermione enlaçou-lhe então o corpo e ele respondeu ao convite penetrando-a. No primeiro instante Hermione chocou-se pelo sentido de invasão, mas, depois, extasiou-se pelo prazer da incrível intimidade. Aí veio a dor, uma terrível punhalada que a fez gritar.
Harry ficou imóvel, com expressão de descrença.
- Você... não pode ser... - ele deixou escapar um sussurro quase inaudível.
Seu choque foi grande com a descoberta de que Hermione não mentira. Ela era de fato virgem.
- Vou parar - declarou, rangendo os dentes.
Hermione colocou ambos os braços em volta do pescoço dele e insistiu:
- Não... Por favor, continue.
- Si... bella mia - Harry murmurou com grande apreciação pela generosidade de Hermione. - Per meraviglia... parar agora me mataria!
Ele penetrou-a de novo, mas preveniu-a antes:
- Tomarei cuidado.
O coração de Hermione palpitou mais forte e tudo o que sentira antes do breve momento de dor, voltou. Estava com Harry outra vez, perdendo todo o poder de pensar e de controle, descobrindo por si só o ritmo pagão do amor. Ele conduziu-a ao clímax e nada poderia ultrapassar a sensação maravilhosa que levava seu corpo ao êxtase do prazer.
Aos poucos, voltou à terra. Colava-se ao corpo dele como segunda pele. O paraíso estivera em seus braços, concluiu, respirando o odor sexual, quente e úmido de Harry como se ele fosse a droga que necessitava para sobreviver. Beijou-o repetidas vezes.
- Pare de enroscar-se em mim - ele disse.
Hermione esfriou, como se o teto tivesse caído sobre sua cabeça. E ergueu o corpo. Mas antes que pudesse reagir a essa rejeição, Harry a fez se deitar de costas sobre travesseiros e estendeu-se sobre ela. Beijou-a então na boca vermelha e sorriu. Foi esse sorriso que finalmente a convenceu de que não entendera bem o que ele dissera.
- Você realmente me surpreendeu - Harry confessou.
Hermione sorriu, Harry parecia muito satisfeito pela recente descoberta. E o fato de ela não ser experiente em sexo não o perturbara de forma alguma.
- Não tenho desculpa, não posso me defender. Eu devia ter escutado você, bella mia - Harry referia-se a sua teimosia em não querer acreditar na virgindade dela.
- Sim, devia ter acreditado.
- Mas não deixa de ser espantoso. Você teve muita convivência com homens conquistadores durante todos estes anos, e não se entregou a nenhum deles. E não é uma mulher fria.
- É que você é mais persuasivo que os demais.
- Evidentemente... A imagem que eu fazia de você mudou completamente.
- Acho...
Hermione sentia-se tão no ar que não conseguia raciocinar. Céus, não conseguia olhar para ele sem se sentir sonhadora e idiota. Queria começar tudo de novo, queria abraçá-lo mais uma vez, dizer-lhe que o amava.
- Confesso estar muito grato por você ser bastante inteligente e ter concluído que acabaríamos na cama, mais cedo em vez de mais tarde - Harry dizia enquanto brincava com uma mecha dos cabelos dela.
- Não entendi o que você quis dizer sobre eu ser inteligente.
- Quando me dei conta de que o único preservativo que eu tinha estava no outro quarto, fiquei aliviado ao descobrir que você era mais organizada do que eu, cara.
- Mais organizada?
- A última vez em que vim para cá, meu quarto estava sendo decorado, e usei o quarto ao lado - ele explicou.
Hermione lembrou-se então de ele ter aberto a gaveta da mesa-de-cabeceira. Com certeza procurava esse protetor.
- Uma virgem que cuida disso com antecipação é uma mulher previdente e sagaz - ele acrescentou.
- Mas... mas... nem me lembrei de preservativos.
- Não?! - Harry parou de mexer com os cabelos dela e exclamou, com forte sotaque italiano, o que acontecia sempre que estava tenso.
- Nunca usei nada disso - Hermione insistia.
- Contudo eu lhe perguntei se tudo estava ok para eu fazer amor com você.
Um silêncio, frágil como um pedaço de vidro prestes a estilhaçar, se prolongou.
- Quando disse que sim, pensei que se referisse ao ato do amor propriamente dito. Não imaginei que se referisse à segurança - só agora Hermione percebia como fora tola. - Não pensei...
- Não pensou. E está tentando me convencer de que foi apenas um mal-entendido? - Harry protestou, furioso. - Pretende que eu acredite nisso?
- O que mais poderia ter sido além de um mal-entendido? - Hermione estava chocada com a atitude dele.
- Nunca leu nada sobre apanhar um homem na armadilha? - Harry perguntou.
- Armadilha? - ela repetiu, sem compreender.
- Eu caí numa, não foi? E com a sorte que você tem, provavelmente ficará grávida. Espero que não.
Hermione ficou estarrecida. Como podia Harry imaginar que ela de propósito correra o risco de ficar grávida por falta do uso de um preservativo? Como podia imaginar que ela receberia bem uma gravidez indesejável? Por segundos enxergou duas ou três colegas de escola, mães solteiras, que viveram em dificuldade e lamentaram o fato por anos.
- Se na verdade ficou grávida, terei de mantê-la e a criança pelos próximos vinte anos no mínimo! - Harry informou-a, ultrajado. - É um preço muito alto a pagar por sua preciosa virgindade. Vou tomar banho.
Hermione estava esgotada. Sua felicidade durara muito pouco e agora pensava que tinha sonhado apenas. Como podia Harry desconfiar dela? Quando acabaria essa desconfiança? Como fora tola em imaginar que poderia facilmente fazê-lo mudar de opinião sobre ela! Enfim, não estava tendo o que merecia por sua tolice?
Nada mudaria. Ele era muito rico. Ela muito pobre. Nunca haveria igualdade entre os dois. E sem igualdade talvez respeito e confiança não pudessem existir, refletia. Ela era Hermione Granger, filha do jardineiro da mansão, filha de uma cigana. Ele era Harry Potter, homem de negócios de muito sucesso e famoso por sua habilidade empresarial.
Harry a magoara mais uma vez. Como pudera deixá-lo fazer isso uma segunda vez? Nunca iria aprender? Concordara em ser sua amante, e ele dissera que desejava apenas sexo. E ela lhe dera o que fora pedido. Fim da história. Fora apanhado em armadilha? Como se ela fosse uma prostituta encontrada na esquina!
Olhou para os lençóis amarfanhados. Bem, o castigo viera mais depressa do que imaginara possível. "Se você não se valoriza, homem nenhum fará isso", sua mãe lhe dissera certa vez. O que esperara ela adquirir ao se vender? Lágrimas de arrependimento correram-lhe pelas faces. Levantou-se da cama e quis se vestir. Mas suas roupas não estavam à vista. No instante em que pensou que talvez estivessem no chão, junto à colcha, ouviu a torneira do chuveiro ser fechada e entrou em pânico.
Como sua mala ainda estivesse no andar de baixo, correu para um armário e abriu-o. Vendo muitas camisas penduradas, pegou uma e vestiu-a às pressas. Em dez segundos saiu do quarto e desceu as escadas correndo. Divisando um empregado de Harry tirando a mesa em uma das salas, concluiu que o único lugar a salvo seria fora da casa. Ao correr para a porta da frente e emergindo na luz, constatou que ventava fortemente. Hesitou apenas um momento antes de sair correndo para a praia, procurando abrigo sob a copa das árvores da enseada.
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Continua...
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