Pansy abriu uma garrafa de whisky. Era a segunda naquela mesma noite. Sua mente girava, não conseguia esquecer o que havia escutado no Ministério. “Weasley beijou a ex- namorada à força e ela fugiu para Paris.”. Nem sabia quem havia falado, não olhou. Aquela frase ecoava tão forte na cabeça dela que parecia o tempo todo que alguém a estava gritando em seu ouvido. Escutava nitidamente as risadas das pessoas à quem a fofoca havia sido direcionada.
Não estava enxergando nada, não sabia se por conta do whisky ou da falta de seus óculos, que ela havia tirado por ficarem embaçados de tanto choro.
- Um brinde à mim. Eu sou muito superior à isso, aquele bosta não merece que eu fique chorando por ele.
Fez mais uma carreira. Enrolou a nota e cheirou. Havia perdido as contas de quanta cocaína havia consumido naquela noite, mas pouco importava. Ela havia parado com isso à muito tempo. A última vez que usou foi quando brigou com Draco, no início do namoro dos dois, e ele sumiu por dois dias. Quando ele voltou, ela estava desmaiada no sofá, com início de overdose. Aparataram no hospital trouxa mais próximo e ela passou por uma desintoxicação terrível. Prometeu a si mesma que nunca mais usaria. Mas ela se conhecia. Ela sabia que não sabia lidar com decepções. Não havia poção para isso. Os trouxas inventaram as drogas para fugir da realidade. E com o turbilhão de pensamentos ruins que passavam por sua mente, ela os entendia. Compreendia porque precisavam tanto de álcool e drogas. Tudo nesse mundo que te faz bem, um dia pode te decepcionar. Cortem essa de que o que não te mata te fortalece, fortalece o caralho. Ela se sentia cada vez mais fraca, desacreditada, usada.
Sua boca já estava dormente pelo álcool e entorpecentes. Ela apertava seus dentes nos lábios com tanta força e não sentia enquanto eles se dilaceravam. Sentia apenas o gosto do sangue na boca, e pouco se importava. Não se importava se ficasse ali no chão, sangrando até a última gota, porque não queria mais sentir. Sentir era uma merda.
Sem sentir e sem enxergar, ela não percebeu uma sombra negra entrando pela janela. Não percebeu o vento gelado que acabara de tomar conta de seu apartamento. Ria, chorava, cantava. Mas não sentia. Não sentiu o perigo se aproximando. Mal se importou quando Lucius Malfoy a pegou no colo e desaparatou com ela, sabe-se lá para onde. Não sabia, não sentia, não se importava.